O dia 10 de novembro é mais do que uma data no calendário. É um convite para uma pausa, uma reflexão profunda sobre um sentido que, muitas vezes, damos como certo: a audição]]>
O dia 10 de novembro é mais do que uma data no calendário. É um convite para uma pausa, uma reflexão profunda sobre um sentido que, muitas vezes, damos como certo: a audição. O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, instituído pelo Ministério da Saúde, é um farol que ilumina a importância de cuidarmos da saúde auditiva das nossas crianças e adolescentes.
Entendendo a Audição – A Orquestra Interna
Para cuidar, é preciso entender. Nosso sistema auditivo é uma obra-prima da engenharia biológica, uma orquestra perfeitamente sincronizada que transforma ondas sonoras em informações compreensíveis para o cérebro.
As Partes do Ouvido: Uma Jornada do Som
Qualquer interrupção nesse caminho, por mais mínima que seja, pode resultar em uma perda auditiva.
Os Diferentes Tipos e Graus da Surdez
A perda auditiva, especialmente na infância e adolescência, pode ser silenciosa, mas suas consequências são profundas, afetando a comunicação, o aprendizado, a socialização e a autoestima. A boa notícia é que, em muitos casos, ela pode ser prevenida, identificada precocemente e tratada com sucesso.
Graus de Perda Auditiva (o quanto se ouve):

Fonte: Hearing First – hearingfirst.org – [email protected]
Sinais de Alerta – Aprendendo a “ouvir” o que a criança não diz
Reações que a criança com perda auditiva pode apresentar, por faixa etária:
A detecção precoce é a nossa maior arma. Muitas vezes, a criança não sabe ou não consegue comunicar que não está ouvindo bem. Cabe a nós, adultos atentos, observar os sinais.
Recém-Nascido e Bebê (0 a 2 anos):
Criança Pequena (2 a 5 anos):
Criança em Idade Escolar e Adolescente (6 a 18 anos):
Se você observar qualquer um desses sinais, não espere. Procure um profissional!
Atenção, Pais e Cuidadores!
Se o seu filho apresenta vários dos sinais de alerta listados acima para a faixa etária dele, ou se você tem uma preocupação intuitiva sobre a audição ou a fala dele, confie nos seus instintos! Procure um profissional. O pediatra é o primeiro passo, que poderá encaminhar para uma avaliação mais detalhada com um fonoaudiólogo e/ou um otorrinolaringologista. Lembre-se: a intervenção precoce faz toda a diferença no futuro da criança.
Prevenção – A Chave Mestra da Saúde Auditiva
Este é o coração da nossa missão no dia 10 de novembro. A prevenção começa antes mesmo do nascimento e se estende por toda a vida.
A Primeira Linha de Defesa: A Triagem Auditiva Neonatal (Teste da Orelhinha)
O que é? Um exame rápido, indolor e obrigatório por lei, realizado preferencialmente nos primeiros dias de vida, ainda na maternidade.
Sinais de alerta:
Os especialistas criaram uma lista de situações que aumentam a chance de uma criança ter perda auditiva. São os chamados indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA). Se seu filho se enquadra em algum deles, é preciso redobrar a atenção e garantir que a avaliação auditiva seja feita o quanto antes.
Pode-se utilizar 2 tipos de testagem:
Se seu bebê não fez o teste, ou se falhou e não fez a reavaliação, procure um pediatra ou serviço de saúde IMEDIATAMENTE.
Cuidados no Dia a Dia: Do Berço à Adolescência
Proteção em Ambientes Ruidosos
Festas infantis barulhentas, shows, fogos de artifício, cinemas. Em situações com ruído intenso, considere o uso de protetores auriculares. Existem modelos específicos para crianças, confortáveis e que diminuem o volume sem cortar completamente o som.
E Se a Perda Auditiva For Identificada? O Caminho da Intervenção
Receber o diagnóstico de que uma criança tem perda auditiva pode ser assustador, mas é importante saber que há um caminho bem estabelecido e cheio de esperança.
Aqui, a jornada se personaliza. Não existe uma única forma “correta” de se comunicar. A escolha da abordagem deve considerar o tipo e grau da perda auditiva, o contexto familiar e as necessidades individuais da criança. O trabalho do fonoaudiólogo é essencial em todas elas.
Além da Prevenção e da Intervenção – Inclusão, Cidadania e a Riqueza da Diversidade
Combater a surdez vai muito além dos cuidados médicos e terapêuticos. É um trabalho contínuo de construir uma sociedade verdadeiramente acessível, que não apenas “aceite”, mas valorize ativamente as diferentes formas de se comunicar e experienciar o mundo.
Respeitando e Incluindo Todas as Formas de Comunicação
A jornada de uma criança com perda auditiva é única. Como vimos, algumas famílias e indivíduos focam na reabilitação oral, outras adotam a Comunicação Total e outras ainda mergulham na Língua de Sinais como base de sua identidade. Todas essas escolhas são válidas e merecem respeito.
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) como Direito e Patrimônio
A Libras é um pilar de acessibilidade e cidadania para milhões de brasileiros.
Acessibilidade: Um Dever de Todos
A inclusão também é prática e está nos detalhes do dia a dia:
A Semente da Empatia: Ensinando Nossos Filhos
A construção de um mundo mais inclusivo começa em casa. Podemos ensinar nossas crianças, com ou sem perda auditiva, a:
Cuidar da saúde auditiva é um ato de amor. Escolher uma abordagem de comunicação é um ato de autonomia. E construir uma sociedade inclusiva é um ato de cidadania.
Nossa Voz no Mundo
No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, somos lembrados de que a audição é uma ponte vital para o mundo. É pela audição que uma criança aprende a falar, que um adolescente compartilha suas descobertas, que nos conectamos com a música, a natureza e com quem amamos.
Como pais e cuidadores, temos o poder e a responsabilidade de proteger essa ponte. Através da informação, da observação atenta e da adoção de hábitos saudáveis, podemos garantir que as futuras gerações possam desfrutar da riqueza do mundo sonoro em toda a sua plenitude.
A saúde auditiva não é um detalhe. É fundamental para uma vida plena. Vamos fazer do dia 10 de novembro um ponto de partida, não apenas uma data no calendário. Vamos espalhar essa conscientização, conversar com nossos filhos, exigir os exames preventivos e buscar ajuda sempre que necessário.
Juntos, podemos fazer a diferença. Um som de cada vez.
Relator:
Manoel de Nobrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP
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Por que a audição do seu filho é tão importante? Vamos conversar sobre um tema fundamental para o desenvolvimento saudável das]]>
Por que a audição do seu filho é tão importante?
Vamos conversar sobre um tema fundamental para o desenvolvimento saudável das crianças: a audição.
A capacidade de ouvir é a porta de entrada para a linguagem, a fala, a aprendizagem e a interação social. Quando uma deficiência auditiva não é identificada e tratada precocemente, pode impactar significativamente a vida da criança. Hoje em dia, com os avanços da medicina, temos condições de detectar problemas auditivos nos primeiros dias de vida e intervir de maneira eficaz.
O objetivo principal deste texto é esclarecer, de forma simples e prática, as principais causas da perda auditiva, os indicadores de risco que pediatras e famílias devem observar, os exames de triagem disponíveis e as opções de tratamento.
Entendendo a perda auditiva: tipos e causas
Antes de tudo, é importante saber que existem diferentes tipos de perda auditiva:
E o que pode causar essas perdas? As causas são divididas entre congênitas (presentes ao nascimento) e adquiridas (que surgem após o nascimento).
Sinais de alerta: os indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA)
Os especialistas criaram uma lista de situações que aumentam a chance de uma criança ter perda auditiva. São os chamados indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA). Se seu filho se enquadra em algum deles, é preciso redobrar a atenção e garantir que a avaliação auditiva seja feita o quanto antes.
Os principais IRDA são:
A preocupação dos pais é o IRDA mais importante!
Este é o ponto número um por um motivo muito simples: os pais são os maiores especialistas em seus filhos. Se você, mãe ou pai, tem qualquer preocupação sobre a audição, a fala ou o desenvolvimento da linguagem do seu bebê ou criança, mesmo que ela tenha passado na triagem auditiva neonatal, deve procurar um especialista (otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo) imediatamente. Nunca ignore seu instinto.
Histórico familiar
Se existe na família (pais, irmãos, avós, tios) algum caso de surdez ou perda auditiva permanente que começou na infância, o risco é maior. Muitas formas de perda auditiva são hereditárias.
Problemas durante a gravidez e o parto:
O pré-natal é fundamental para prevenir, diagnosticar e tratar essas infecções.
Características físicas e síndromes
Uso de medicamentos ototóxicos
Certos medicamentos, embora necessários para tratar infecções graves ou câncer, podem prejudicar a audição. Os principais são alguns antibióticos e quimioterápicos.
Causas adquiridas na infância
A triagem auditiva neonatal: o primeiro e fundamental exame
Todas as crianças devem fazer o teste da orelhinha ainda na maternidade, preferencialmente nas primeiras 48 horas de vida. É um exame rápido, indolor e que não incomoda o bebê.
Lembre-se: Passar no teste da orelhinha é ótimo, mas não descarta 100% a possibilidade de uma perda auditiva se desenvolver mais tarde. Por isso, a observação contínua dos pais é insubstituível.
O que esperar da consulta com o especialista (otorrinolaringologista)
Se houver suspeita de perda auditiva, o médico fará uma avaliação completa:
Opções de tratamento e reabilitação:
O diagnóstico de perda auditiva não é o fim da linha. Pelo contrário, é o início de uma jornada de reabilitação com resultados fantásticos, especialmente quando iniciada cedo. As opções dependem do tipo e grau da perda:
São os conhecidos aparelhos auditivos. Eles amplificam o som e são a primeira opção para a maioria das crianças com perda auditiva sensorioneural. A adaptação deve ser feita por um fonoaudiólogo especializado.
Indicadas para casos em que o som não consegue chegar ao ouvido interno pela via normal, como em algumas malformações de orelha ou após cirurgias. Elas vibram o osso do crânio, que por sua vez estimula a cóclea diretamente.
É uma tecnologia incrível para crianças com perdas auditivas severas a profundas, que não se beneficiam suficientemente dos aparelhos convencionais. É um dispositivo eletrônico implantado cirurgicamente que substitui a função da cóclea danificada, enviando sinais elétricos diretamente para o nervo auditivo.
Outros implantes
Existem também implantes de orelha média e até implantes no tronco cerebral para casos muito específicos em que o implante coclear não é possível.
O papel da família e a importância da intervenção precoce
A família é o pilar mais importante da reabilitação. O envolvimento dos pais no processo de terapia, a criação de um ambiente rico em estímulos sonoros e linguísticos, muito amor e paciência fazem toda a diferença.
Estudos mostram que crianças com perda auditiva identificada e tratada antes dos 6 meses de idade desenvolvem habilidades de linguagem muito melhores do que aquelas identificadas tardiamente. Cada dia conta!
Conclusão: fique atento e converse com seu pediatra
A audição é um sentido precioso. Conhecer os indicadores de risco e acompanhar de perto o desenvolvimento do seu filho são as melhores formas de garantir que qualquer problema seja detectado a tempo.
Em resumo:
A medicina avança a cada dia, e as possibilidades de reabilitação auditiva são vastas e cheias de sucesso. Com informação, cuidado e apoio, seu filho terá todas as ferramentas para desenvolver todo o seu potencial.
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta com o pediatra ou otorrinolaringologista. Para qualquer dúvida específica sobre a saúde do seu filho, procure sempre um profissional de saúde.
Relator:
Manoel de Nóbrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP
A disfonia, ou rouquidão, é um distúrbio vocal, dificuldade ou alteração na emissão da voz (fonação) e está presente na maioria das afecções da laringe, onde estão as pregas vocais.]]>
A disfonia, ou rouquidão, é um distúrbio vocal, dificuldade ou alteração na emissão da voz (fonação) e está presente na maioria das afecções da laringe, onde estão as pregas vocais. A laringe, além da fonação, conduz o ar que respiramos para o pulmão e atua como um “cão de guarda”, protegendo as vias respiratórias inferiores através da tosse. Se a rouquidão persistir mais do que 14 dias é sinal de alerta e o paciente deverá ser avaliado pelo pediatra que, se julgar necessário, encaminhará para o otorrinolaringologista pediátrico.
A rouquidão pode estar acompanhada de tosse, estridor ou chiado, desconforto respiratório e engasgos nos quadros mais graves, com movimentação (batimento) das asas do nariz e palidez cutânea, os quais são sinais de alarme. Assim, a disfonia deve ser abordada pelo otorrinolaringologista com o compromisso de explorá-la através da anamnese, do exame físico e do exame endoscópico, que permite a visualização da laringe. O exame da nasofibrolaringoscopia, realizado pelo otorrinolaringologista, auxiliará no diagnóstico diferencial das possíveis alterações a serem encontradas nas pregas vocais e que estejam causando a rouquidão. Em algumas situações, outros exames complementares, como exames laboratoriais e/ou de imagem tornam-se relevantes na investigação da causa da disfonia e associações com outras doenças.
Importante frisar que não é correto, por parte do médico especialista, justificar a rouquidão como algo que vai melhorar com o crescimento do paciente, ou após a adolescência, ou que esteja ocorrendo pelo uso errado da voz. É necessário saber a causa. A disfonia pode estar presente desde o nascimento até a vida adulta e são múltiplas as causas, sendo as mais frequentes:
Inicialmente, o importante é tratar a causa da disfonia. Muitas vezes demanda tempo e dedicação dos profissionais envolvidos no diagnóstico e na conduta. Todas essas afecções são passíveis de tratamento, muitas vezes em conjunto com a Fonoaudiologia. A abordagem na criança é a mais conservadora possível. O tratamento cirúrgico é raro e fica reservado para os casos em que a disfonia prejudica a criança; sendo importante associar com fonoterapia. O fonoaudiólogo é o terapeuta responsável pela reabilitação da voz e contribui para introduzir novos padrões e hábitos vocais saudáveis.
A família deve ajudar a criança a dar continuidade na terapia de fala e facilitar novos hábitos vocais. Isso aumenta a eficácia do tratamento. A qualidade da voz é importante na vida social, na capacidade de comunicação e no desenvolvimento das relações sociais.
Relatora:
Janaina Carneiro de Resende
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo
A síndrome PFAPA (abreviatura do inglês Periodic fever accompanied by aphthous stomatitis, pharyngitis and cervical adenitis syndrome, significa em português: Febre Periódica, Aftas]]>
A síndrome PFAPA (abreviatura do inglês Periodic fever accompanied by aphthous stomatitis, pharyngitis and cervical adenitis syndrome, significa em português: Febre Periódica, Aftas, Faringite e Adenite) é uma inflamação sem causa específica ou aparente. A febre aparece com periodicidade, acompanhada por amigdalite/faringite em 90% dos casos, gânglios aumentados na região do pescoço (adenite) em 70% e aftas em 50% das vezes.
É uma doença benigna, que aparece após o primeiro ano de idade e tende a desaparecer após os 10 anos, com resolução espontânea.
Nos primeiros episódios febris, quando a criança vai aos Serviços de Emergência, a doença pode passar despercebida. Em muitos casos, pode até receber antibióticos frequentemente, sem necessidade. Somente após vários surtos é que se começa a pensar na possibilidade da PFAPA. A febre é súbita, subindo rapidamente (39-40oC), com duração entre 4-5 dias e frequência entre 3-6 semanas. O intervalo entre as crises pode ser mais longo ou mais curto.
A doença será diagnosticada com base na combinação da clínica, exame físico e testes laboratoriais. Antes de confirmar o diagnóstico, é obrigatório excluir todas as outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes.
Que tipo de testes laboratoriais são necessários?
Não existem exames de laboratório ou de imagem específicos para o diagnóstico de PFAPA. Os valores dos testes, tal como a velocidade de hemossedimentação (VHS) ou os níveis de Proteína C Reativa (PCR) no sangue aumentam durante os episódios, mas voltam a ficar normais nos períodos entre eles.
Como a PFAPA não é uma doença infecciosa, a pesquisa de agentes virais ou bacterianos sempre é negativa, sendo de suma importância excluir essas infecções durante as crises. O tratamento com 1-2 doses de corticoide, orientado pelo médico (pediatra e/ou otorrinolaringologista) que está acompanhando a criança é um sinal importante para confirmar o diagnóstico.
Existe também tratamento profilático com alguns medicamentos, que podem ser prescritos pelo otorrinolaringologista que está acompanhando a criança. Em alguns casos, quando o intervalo entre as crises de febre e a administração de corticoide ficar cada vez mais curta, a cirurgia de amigdalectomia – retirada das amígdalas – pode levar a um bom desfecho, com o desaparecimento da doença.
É importante considerar o tratamento medicamentoso somente quando a qualidade de vida dos pacientes e familiares estiver muito impactada, e a decisão da indicação de cirurgia deverá ser tomada em conjunto pelos pais, pediatra e otorrinolaringologista que acompanham a criança, para se encerrar, através da cirurgia, em caráter definitivo, essas crises febris.
Relatoras:
Tania Sih
Renata Di Francesco
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo
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