Ortopedia – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 17 Mar 2021 20:55:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Ortopedia – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dor do crescimento https://spsp.org.br/dor-do-crescimento/ Tue, 10 Nov 2020 19:54:48 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3494 A chamada “dor do crescimento” foi descrita há quase duzentos anos pelo médico francês Marcel Duchamp, sendo hoje considerada a causa mais comum de dor musculoesquelética na infância.

Também conhecida como “dor noturna benigna da infância” ou “dores recorrentes dos membros inferiores”, trata-se de uma afecção de caráter benigno e transitório, acometendo mais frequentemente crianças entre os 3 e 10 anos de idade.

kwanchaichaiudom | depositphotos.com

Sua causa é ainda desconhecida: algumas tentativas de correlacioná-la com variações anatômicas, fadiga ou fatores psicoemocionais não se mostraram conclusivas. Teorias mais recentes tentam relaciona-la à alteração do limiar da dor ou a uma hipermobilidade articular, porém esses conceitos não são universalmente aceitos.

Sabemos que, apesar da denominação “dor do crescimento”, esta afecção não tem relação com o período de maior velocidade de crescimento.

O quadro clínico é bem típico. A dor surge no final do dia ou à noite, algumas vezes despertando a criança do sono. Tem uma característica intermitente, de intensidade variável sendo pouco precisa, isto é, a criança não localiza um ponto específico de dor. Ela aponta para uma região toda dos membros inferiores, principalmente nas pernas e região posterior dos joelhos; menos frequentemente, a dor aparece nas coxas e raramente é referida nos membros superiores. Sua duração é relativamente curta, não ultrapassando 30 minutos. No dia seguinte, a criança está totalmente normal, sem restrições físicas.

O exame clínico local é normal: não se observa aumento de temperatura local, espasmos musculares ou inchaço.

Como forma de tratamento no momento das crises álgicas, é indicado massagear o membro doloroso, aquecer o local com bolsas térmicas ou toalhas aquecidas, utilizar pomadas ou cremes analgésicos ou ainda usar analgésicos orais.

Em alguns casos, é possível diminuir a frequência ou minimizar a intensidade das crises com uso de palmilhas compensatórias e/ou exercícios musculares. Para isso, deve-se procurar uma avaliação médica especializada.

Um sinal de alerta aos pais: quando a dor é persistente ou referida sempre em um local específico; ou ainda, quando ao examinar nota-se vermelhidão local, inchaço ou aumento de temperatura, nesta situação, a avaliação médica não deve ser postergada. 

___
Relator:
Miguel Akkari
Presidente do Departamento Científico de Ortopedia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Momento Saúde: Ortopedia https://spsp.org.br/momento-saude-ortopedia/ Wed, 15 Mar 2017 18:20:46 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1903 Mochila causa escoliose? O uso das mochilas é uma fonte frequente de preocupação dos pais de crianças em idade escolar. Cada vez mais pesadas, elas estão frequentemente associadas a dores nas costas. As mochilas muitas vezes acabam sendo culpadas por várias alterações na postura ou mesmo na estrutura da coluna vertebral, porém não há evidência que elas sejam a causa de escoliose. Mesmo o uso de apenas uma das alças, embora cause uma alteração postural, não pode ser responsabilizado pela formação de uma deformidade da coluna vertebral. Infelizmente a informação que se encontra na literatura pode ser conflitante ou não ter uma evidência científica que respalde muitas das crenças presentes na visão de pais, professores, médicos e fisioterapeutas. Hábitos de vida saudáveis devem sempre ser encorajados e isso inclui cuidados que devemos ter em relação às mochilas. Dessa forma, são recomendações razoáveis evitar excesso de peso acima de 10% do peso corporal, usar sempre as duas alças das mochilas – uma em cada ombro – e exigir que armários sejam disponibilizados nas escolas. Além disso, é importante o desenvolvimento de políticas de saúde a fim de reduzir os fatores de risco de alterações posturais. Sapatos para crianças: como escolher? Uma boa regra para escolher calçados para crianças é lembrar dos quatro “F”, das iniciais em inglês que definem as características do sapato ideal. O primeiro F refere-se ao tamanho certo (fit) e a melhor maneira de definir o tamanho certo para crianças é pelo tamanho da palmilha, que deve ter cerca de 1,0cm de sobra para permitir o deslizamento normal do pé dentro do sapato. O segundo “F” (flexible) refere-se à flexibilidade, característica que pode ser facilmente testada dobrando-se o calçado. Devem ser evitados calçados muito duros que não permitem o rolamento adequado dos pés. O terceiro “F” é de friction, ou seja, atrito, que significa que o solado deve ser antiderrapante, não muito liso para que a criança não escorregue com facilidade. Por fim, o último “F” (firm) é sobre a firmeza que deve ter a parte posterior do calçado, na região do calcanhar, o chamado contraforte. Considerando-se todas as características citadas acima, podemos concluir que os melhores calçados para as crianças são os tênis, que permitem com segurança e conforto as atividades próprias desta faixa etária. Sandálias de borracha ‘Croc’ As sandálias de borracha no modelo “Croc” são muito confortáveis e seu uso está bem disseminado entre as crianças. O modelo mais usado tem sido as sandálias coloridas, que muitas vezes têm sido associadas a acidentes, principalmente em escadas rolantes. Por outro lado, acidentes assim acontecem com o modelo “Croc” e também outros tipos de calçados, cadarços soltos ou peças de roupas. Por isso, é importante que os pais prestem muita atenção nessa situação quando as crianças estiverem numa escada rolante, por exemplo. Outro ponto a considerar é que esse modelo de calçado, embora seja confortável para andar, não é adequado para correr, pular e todas as “artes” que as crianças aprontam. Isso é sempre imprevisível, motivo que já fez com que diversas escolas tenham proibido seu uso. Tênis com rodinhas Os populares tênis de rodinhas, que as crianças adoram, tem sido motivo de preocupação de muitas pessoas. Em primeiro lugar, devemos considerar que os tênis de rodinhas são mais um brinquedo – como patins, por exemplo – do que calçados adequados para uso diário. Assim sendo, eles podem ser usados eventualmente sem maiores problemas. No entanto, há risco maior de quedas e isso pode causar algumas lesões, além de alterações posturais se forem usados rotineiramente. Como esses tênis são mais altos na parte posterior por causa das rodinhas, quando a criança anda e não desliza, ela tem a tendência de ficar apoiada mais na ponta dos pés, o que leva a uma marcha em equino. Portanto, esses tênis de rodinhas podem ser divertidos, contudo, não são bons calçados para as crianças.   ___ Relator: Departamento Científico de Ortopedia Republicado em 20/12/2017. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Mochila causa escoliose?

O uso das mochilas é uma fonte frequente de preocupação dos pais de crianças em idade escolar. Cada vez mais pesadas, elas estão frequentemente associadas a dores nas costas. As mochilas muitas vezes acabam sendo culpadas por várias alterações na postura ou mesmo na estrutura da coluna vertebral, porém não há evidência que elas sejam a causa de escoliose. Mesmo o uso de apenas uma das alças, embora cause uma alteração postural, não pode ser responsabilizado pela formação de uma deformidade da coluna vertebral. Infelizmente a informação que se encontra na literatura pode ser conflitante ou não ter uma evidência científica que respalde muitas das crenças presentes na visão de pais, professores, médicos e fisioterapeutas.

Hábitos de vida saudáveis devem sempre ser encorajados e isso inclui cuidados que devemos ter em relação às mochilas. Dessa forma, são recomendações razoáveis evitar excesso de peso acima de 10% do peso corporal, usar sempre as duas alças das mochilas – uma em cada ombro – e exigir que armários sejam disponibilizados nas escolas. Além disso, é importante o desenvolvimento de políticas de saúde a fim de reduzir os fatores de risco de alterações posturais.

Sapatos para crianças: como escolher?

Uma boa regra para escolher calçados para crianças é lembrar dos quatro “F”, das iniciais em inglês que definem as características do sapato ideal. O primeiro F refere-se ao tamanho certo (fit) e a melhor maneira de definir o tamanho certo para crianças é pelo tamanho da palmilha, que deve ter cerca de 1,0cm de sobra para permitir o deslizamento normal do pé dentro do sapato.

O segundo “F” (flexible) refere-se à flexibilidade, característica que pode ser facilmente testada dobrando-se o calçado. Devem ser evitados calçados muito duros que não permitem o rolamento adequado dos pés. O terceiro “F” é de friction, ou seja, atrito, que significa que o solado deve ser antiderrapante, não muito liso para que a criança não escorregue com facilidade. Por fim, o último “F” (firm) é sobre a firmeza que deve ter a parte posterior do calçado, na região do calcanhar, o chamado contraforte.

Considerando-se todas as características citadas acima, podemos concluir que os melhores calçados para as crianças são os tênis, que permitem com segurança e conforto as atividades próprias desta faixa etária.

Sandálias de borracha ‘Croc’

As sandálias de borracha no modelo “Croc” são muito confortáveis e seu uso está bem disseminado entre as crianças. O modelo mais usado tem sido as sandálias coloridas, que muitas vezes têm sido associadas a acidentes, principalmente em escadas rolantes. Por outro lado, acidentes assim acontecem com o modelo “Croc” e também outros tipos de calçados, cadarços soltos ou peças de roupas. Por isso, é importante que os pais prestem muita atenção nessa situação quando as crianças estiverem numa escada rolante, por exemplo.

Outro ponto a considerar é que esse modelo de calçado, embora seja confortável para andar, não é adequado para correr, pular e todas as “artes” que as crianças aprontam. Isso é sempre imprevisível, motivo que já fez com que diversas escolas tenham proibido seu uso.

Tênis com rodinhas

Os populares tênis de rodinhas, que as crianças adoram, tem sido motivo de preocupação de muitas pessoas. Em primeiro lugar, devemos considerar que os tênis de rodinhas são mais um brinquedo – como patins, por exemplo – do que calçados adequados para uso diário. Assim sendo, eles podem ser usados eventualmente sem maiores problemas.

No entanto, há risco maior de quedas e isso pode causar algumas lesões, além de alterações posturais se forem usados rotineiramente. Como esses tênis são mais altos na parte posterior por causa das rodinhas, quando a criança anda e não desliza, ela tem a tendência de ficar apoiada mais na ponta dos pés, o que leva a uma marcha em equino. Portanto, esses tênis de rodinhas podem ser divertidos, contudo, não são bons calçados para as crianças.

KathrinPie | Pixabay

 

___
Relator:
Departamento Científico de Ortopedia

Republicado em 20/12/2017.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>
Clavícula quebrada em recém-nascidos: como proceder? https://spsp.org.br/clavicula-quebrada-em-recem-nascidos-como-proceder/ Thu, 25 Feb 2016 15:57:46 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1077   A clavícula é o osso responsável por conectar o ombro ao tórax, servindo como proteção aos nervos e vasos. Entre os recém-nascidos, a fratura nesta região é mais frequente. Causada por uma distócia, denominação médica para um distúrbio ou dificuldade que pode ocorrer durante o parto, pode passar despercebida, sendo notada somente em um primeiro exame feito pelo pediatra. Essa distócia ocorre quando a distância entre os ombros do bebê é muito grande em relação ao canal do parto. Desse modo, durante a execução das manobras realizadas para liberar os ombros do bebê, pode acontecer a quebra do osso. Felizmente, a complicação durante o parto é rara. De acordo com o Dr. Rui Maciel Godoy Jr., presidente do Departamento Científico de Ortopedia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o recém-nascido precisa ser examinado por um ortopedista pediátrico para que se constate a fratura. “Deve ser realizado um exame físico detalhado do bebê para o diagnóstico correto. Pode ser necessário, também, realizar radiografias, pois é preciso saber se há outras lesões. A fratura da clavícula pode estar associada a uma lesão em um conjunto de nervos, o plexo braquial, que é bem mais grave”. Caso a fratura seja a única lesão ocasionada, o braço do bebê deve ser imobilizado até que a área seja completamente cicatrizada e consolidada. O tratamento é simples e, geralmente, leva a uma recuperação completa. “O tempo de imobilização dura de duas a três semanas. Evitar mobilizar e fazer pressão na região lesionada é muito importante. Qualquer anormalidade deve ser informada ao médico imediatamente”, afirma dr. Rui Maciel. Os pais devem estar atentos a pequenos detalhes que são essenciais para manter o bebê confortável durante o período de recuperação como, por exemplo, deitá-lo de barriga para cima para dormir, usar roupas mais largas e evitar colocar as mãos debaixo de seus braços ao segurá-lo. Muito raramente a lesão atinge os nervos, mas, quando isso acontece, pode resultar em perda da sensibilidade, deformações, atraso no movimento do membro ou até paralisia. No entanto, essas sequelas nem sempre são definitivas e podem durar somente enquanto o local lesionado está em processo de cicatrização. As sequelas podem ser tratadas com fisioterapia, medicamentos e até mesmo cirurgia, de acordo com a prescrição de um médico especialista. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 25/02/2016. photo credit: Naumoid | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

 

www.pediatraorienta.org.br

www.pediatraorienta.org.br

A clavícula é o osso responsável por conectar o ombro ao tórax, servindo como proteção aos nervos e vasos. Entre os recém-nascidos, a fratura nesta região é mais frequente. Causada por uma distócia, denominação médica para um distúrbio ou dificuldade que pode ocorrer durante o parto, pode passar despercebida, sendo notada somente em um primeiro exame feito pelo pediatra. Essa distócia ocorre quando a distância entre os ombros do bebê é muito grande em relação ao canal do parto. Desse modo, durante a execução das manobras realizadas para liberar os ombros do bebê, pode acontecer a quebra do osso. Felizmente, a complicação durante o parto é rara.

De acordo com o Dr. Rui Maciel Godoy Jr., presidente do Departamento Científico de Ortopedia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), o recém-nascido precisa ser examinado por um ortopedista pediátrico para que se constate a fratura. “Deve ser realizado um exame físico detalhado do bebê para o diagnóstico correto. Pode ser necessário, também, realizar radiografias, pois é preciso saber se há outras lesões. A fratura da clavícula pode estar associada a uma lesão em um conjunto de nervos, o plexo braquial, que é bem mais grave”.

Caso a fratura seja a única lesão ocasionada, o braço do bebê deve ser imobilizado até que a área seja completamente cicatrizada e consolidada. O tratamento é simples e, geralmente, leva a uma recuperação completa. “O tempo de imobilização dura de duas a três semanas. Evitar mobilizar e fazer pressão na região lesionada é muito importante. Qualquer anormalidade deve ser informada ao médico imediatamente”, afirma dr. Rui Maciel.

Os pais devem estar atentos a pequenos detalhes que são essenciais para manter o bebê confortável durante o período de recuperação como, por exemplo, deitá-lo de barriga para cima para dormir, usar roupas mais largas e evitar colocar as mãos debaixo de seus braços ao segurá-lo.

Muito raramente a lesão atinge os nervos, mas, quando isso acontece, pode resultar em perda da sensibilidade, deformações, atraso no movimento do membro ou até paralisia. No entanto, essas sequelas nem sempre são definitivas e podem durar somente enquanto o local lesionado está em processo de cicatrização. As sequelas podem ser tratadas com fisioterapia, medicamentos e até mesmo cirurgia, de acordo com a prescrição de um médico especialista.

___
Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 25/02/2016.
photo credit: Naumoid | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>
Meu filho tem dor nas pernas – é dor de crescimento? https://spsp.org.br/dor-nas-pernas/ Tue, 15 Jul 2014 03:40:16 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=7 A dor nas pernas é queixa frequente em crianças de 5 a 10 anos. Tradicionalmente é chamada de dor de crescimento, apesar de não haver relação clara com as fases de crescimento acelerado. É importante que os pais valorizem este sintoma, porque em uma minoria dos casos pode estar associado a doenças pediátricas e ortopédicas. A dor de crescimento tem as seguintes características: não interfere nas atividades diárias; tem duração variável, de poucos minutos a algumas horas; melhora espontaneamente sem medicamentos ou  com massagem  local; não é contínua, há períodos de melhora que variam de dias a semanas; não é acompanhada de inchaço articular, claudicação ou febre; acomete os dois lados; a criança SEMPRE tem aspecto saudável. A dor é mais comum no final da tarde, mas pode ocorrer à noite. Cerca de 30% das crianças também reclamam de dor de barriga e cabeça. Em alguns casos observam-se problemas emocionais, como ansiedade e problemas de relacionamento. Pode haver coincidência com mudanças na vida da criança, como o nascimento de um irmão ou mudança de escola. Não é necessário tratamento medicamentoso para a dor de crescimento, e há melhora com o passar do tempo. Os pais devem procurar o pediatra, que é o profissional indicado para diagnosticar e orientar a conduta. Algumas crianças melhoram quando praticam esportes de baixo impacto como natação, por exemplo. Não se pode esquecer que algumas doenças infecciosas e oncológicas podem se manifestar com dor nas pernas, que nestes casos costuma ser de forte intensidade e acompanhada de outros sintomas, relacionados na tabela abaixo. Sinais de alerta para as crianças e adolescentes com dor músculoesquelética. 1.   Dor localizada em um único ponto (exemplo: um joelho, um tornozelo etc). 2.   Mancar (claudicação). 3.   Dor nas costas, mesmo em crianças que usem mochilas, especialmente ao acordar pela manhã. 4.   Dificuldade na realização das atividades diárias, como brincar, correr ou praticar esportes. 5.   Inchaço em uma ou mais articulações. 6.   Febre persistente, não associada à infecção aparente. 7.   Emagrecimento exagerado em um curto espaço de tempo (poucos meses). 8.   Pouca melhora com massagem ou analgésicos comuns. 9.   Fraqueza muscular (dificuldade para subir escadas ou para levantar objetos pesados). Algumas crianças que apresentam dor depois de exercícios físicos têm aumento da frouxidão dos ligamentos, o que acarreta uma condição chamada hipermobilidade articular (articulações mais flexíveis). Pode se localizar nas mãos, braços, pernas e coluna. Consulta com o pediatra é recomendável para confirmar o diagnóstico. Nos casos de dor intensa, devem ser evitados o balé e alguns esportes de alto impacto, como o futebol e o basquete. Natação e a hidroginástica são indicadas na maioria dos casos. Em algumas crianças a dor pode estar associada ao uso de videogames e computadores, caracterizando as lesões de esforço repetitivo. O problema é decorrente de movimentos contínuos nos períodos de estudo ou de lazer, posturas inadequadas e estresse emocional. A dor se acompanha de sensação de “queimação” ou de peso, e às vezes vem acompanhada de formigamento nas extremidades dos dedos. Pode atingir punhos, antebraços, mãos e coluna. O uso de computadores e videogames por crianças deve ser restrito a uma a duas horas por dia, no máximo, com supervisão dos pais. Dessa maneira, evita-se uma sobrecarga do sistema músculoesquelético, além do estresse relacionado a esta situação. Para os adolescentes que utilizam muito o computador, a melhor forma de prevenir as lesões é a manutenção de uma postura correta. Devem ser orientados exercícios de alongamento e relaxamento dos braços, punhos, mãos e coluna por cerca de dez minutos a cada hora. ___ Relatores: Dr. Claudio A. Len Membro do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP. Dra. Gleice Clemente Membro do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP. Dra. Maria Teresa Terreri Presidente do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP. Publicado em 15/07/2014. photo credit: © 2006-2013 Pink Sherbet Photography via photopin cc Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A dor nas pernas é queixa frequente em crianças de 5 a 10 anos. Tradicionalmente é chamada de dor de crescimento, apesar de não haver relação clara com as fases de crescimento acelerado. É importante que os pais valorizem este sintoma, porque em uma minoria dos casos pode estar associado a doenças pediátricas e ortopédicas.

A dor de crescimento tem as seguintes características:

  • não interfere nas atividades diárias;
  • tem duração variável, de poucos minutos a algumas horas;
  • melhora espontaneamente sem medicamentos ou  com massagem  local;
  • não é contínua, há períodos de melhora que variam de dias a semanas;
  • não é acompanhada de inchaço articular, claudicação ou febre;
  • acomete os dois lados;
  • a criança SEMPRE tem aspecto saudável.

A dor é mais comum no final da tarde, mas pode ocorrer à noite. Cerca de 30% das crianças também reclamam de dor de barriga e cabeça. Em alguns casos observam-se problemas emocionais, como ansiedade e problemas de relacionamento. Pode haver coincidência com mudanças na vida da criança, como o nascimento de um irmão ou mudança de escola.

Não é necessário tratamento medicamentoso para a dor de crescimento, e há melhora com o passar do tempo. Os pais devem procurar o pediatra, que é o profissional indicado para diagnosticar e orientar a conduta. Algumas crianças melhoram quando praticam esportes de baixo impacto como natação, por exemplo.

Não se pode esquecer que algumas doenças infecciosas e oncológicas podem se manifestar com dor nas pernas, que nestes casos costuma ser de forte intensidade e acompanhada de outros sintomas, relacionados na tabela abaixo.

Sinais de alerta para as crianças e adolescentes com dor músculoesquelética.

1.   Dor localizada em um único ponto (exemplo: um joelho, um tornozelo etc).
2.   Mancar (claudicação).
3.   Dor nas costas, mesmo em crianças que usem mochilas, especialmente ao acordar pela manhã.
4.   Dificuldade na realização das atividades diárias, como brincar, correr ou praticar esportes.
5.   Inchaço em uma ou mais articulações.
6.   Febre persistente, não associada à infecção aparente.
7.   Emagrecimento exagerado em um curto espaço de tempo (poucos meses).
8.   Pouca melhora com massagem ou analgésicos comuns.
9.   Fraqueza muscular (dificuldade para subir escadas ou para levantar objetos pesados).

Algumas crianças que apresentam dor depois de exercícios físicos têm aumento da frouxidão dos ligamentos, o que acarreta uma condição chamada hipermobilidade articular (articulações mais flexíveis). Pode se localizar nas mãos, braços, pernas e coluna. Consulta com o pediatra é recomendável para confirmar o diagnóstico. Nos casos de dor intensa, devem ser evitados o balé e alguns esportes de alto impacto, como o futebol e o basquete. Natação e a hidroginástica são indicadas na maioria dos casos.

Em algumas crianças a dor pode estar associada ao uso de videogames e computadores, caracterizando as lesões de esforço repetitivo. O problema é decorrente de movimentos contínuos nos períodos de estudo ou de lazer, posturas inadequadas e estresse emocional. A dor se acompanha de sensação de “queimação” ou de peso, e às vezes vem acompanhada de formigamento nas extremidades dos dedos. Pode atingir punhos, antebraços, mãos e coluna.

O uso de computadores e videogames por crianças deve ser restrito a uma a duas horas por dia, no máximo, com supervisão dos pais. Dessa maneira, evita-se uma sobrecarga do sistema músculoesquelético, além do estresse relacionado a esta situação. Para os adolescentes que utilizam muito o computador, a melhor forma de prevenir as lesões é a manutenção de uma postura correta. Devem ser orientados exercícios de alongamento e relaxamento dos braços, punhos, mãos e coluna por cerca de dez minutos a cada hora.

___

Relatores:
Dr. Claudio A. Len
Membro do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP.
Dra. Gleice Clemente
Membro do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP.
Dra. Maria Teresa Terreri
Presidente do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP.

Publicado em 15/07/2014.
photo credit: © 2006-2013 Pink Sherbet Photography via photopin cc

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>
A obesidade e suas complicações ortopédicas https://spsp.org.br/a-obesidade-e-suas-complicacoes-ortopedicas/ Mon, 20 Jan 2014 02:40:36 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=430 Os canais de comunicação vêm apresentando resultados de pesquisas de algumas características do mundo moderno. Um dado notável dos últimos cinquenta anos é o aumento de mais de três vezes na prevalência de crianças obesas nos Estados Unidos, Brasil e em outros países. A obesidade pode levar às complicações conhecidas como: doenças cardiovasculares, risco aumentado de câncer, diabetes mellitus, apneia, alterações psicossociais, persistência da obesidade na vida adulta. Complicações um pouco menos abordadas são as doenças musculo-esqueléticas. Vamos falar um pouco sobre elas. Dor na coluna lombar A dor lombar pode ser resultante da geometria da vértebra. Ossos mais largos são mais fortes que os estreitos. Meninos possuem área óssea vertebral maior e mais larga que meninas e estas apresentam frequentemente mais dor lombar. O estirão puberal é o período em que ocorre crescimento acelerado. Nessa fase, a dor lombar pode ser mais prevalente, pois há maior dissociação entre o peso corporal e a massa óssea. A dor lombar pode influenciar as atividades escolares e de lazer. Deve-se ficar atento ao aumento de peso para evitar excesso de carga e estresse na coluna lombar. A dor pode levar à faltas escolares e inatividade física, contribuindo para a piora da obesidade. Epifisiólise da Cabeça Femural (escorregamento da cabeça do fêmur) Esta condição acontece quando há uma alteração na porção do fêmur que se encaixa na pelve, fazendo todo o membro acometido girar para fora. Geralmente ocorre no estirão puberal, é de evolução lenta e sua causa exata é desconhecida. A obesidade é um fator de risco. A criança pode ter pode dor no joelho, quadril ou coxa e um RX de bacia ajuda no diagnóstico. Alterações de membros inferiores O joelho é outra articulação que sofre com excesso de peso. Alterações como o genu-valgo (quando o joelho desvia para dentro formando um X ao se unir as pernas) e o genu-varo (pernas em arco) podem ocorrer e levar a dor. Geralmente é fisiológico (natural) e não necessita de correção cirúrgica. Mas é recomendável o reconhecimento para que o tratamento ajude a restaurar a biomecânica do membro. Risco de fraturas Estudos observaram que a ocorrência de fraturas é maior nos obesos. Também neles são mais frequentes dores na região lombar, no quadril, pernas, tornozelo, pé ou joelho. O pico de incidência de fraturas em crianças coincide com o estirão puberal. Neste período, há dissociação entre o crescimento longitudinal e o ganho mineral. Isso aumenta a fragilidade óssea e altera a qualidade e arquitetura do osso. A obesidade nessa fase pode favorecer o risco de fraturas nas quedas, já que o desenvolvimento ósseo não consegue se adaptar adequadamente ao excesso de peso. O desbalanço entre peso/massa óssea pode levar ao desenvolvimento de osteoartrite nos anos posteriores. Crianças obesas podem cair com maior força e de maneiras mais inusitadas que crianças com peso adequado. Foi observado que as primeiras apresentam quedas dentro de casa e de pequenas alturas visto que, em geral, evitam subir em estruturas altas. Podem ter alterações na postura e diminuição do equilíbrio devido à inatividade. Pontos de atenção Crianças que apresentam dor músculo-esquelética são menos predispostas a gostar e a participar de atividades físicas, favorecendo o aumento do peso. O incentivo à prática de atividades físicas favorece o controle do peso, aumenta a noção do corpo no espaço, dá mais equilíbrio, aumenta o tônus muscular e também a massa óssea, diminuindo o risco de fraturas. Sendo assim, as complicações musculo-esqueléticas devem ser observadas, diagnosticadas e tratadas adequadamente, pois podem persistir e progredir na vida adulta. Vale a pena ressaltar que, quando crianças e adolescentes com excesso de peso, principalmente se estiverem na puberdade, apresentarem dor em membros inferiores, dor para andar, dor na região da coluna, eles devem ser avaliados com cuidado. Sugestão de consulta: www.abeso.org.br. ___ Relatora: Dra. Patrícia D. C. Tosta-Hernandez Departamento Científico de Endocrinologia da SPSP Publicado em 20/01/2014. photo credit: Pavel Losevsky | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

dreamstime_xs_20698331Os canais de comunicação vêm apresentando resultados de pesquisas de algumas características do mundo moderno. Um dado notável dos últimos cinquenta anos é o aumento de mais de três vezes na prevalência de crianças obesas nos Estados Unidos, Brasil e em outros países. A obesidade pode levar às complicações conhecidas como: doenças cardiovasculares, risco aumentado de câncer, diabetes mellitus, apneia, alterações psicossociais, persistência da obesidade na vida adulta.

Complicações um pouco menos abordadas são as doenças musculo-esqueléticas. Vamos falar um pouco sobre elas.

Dor na coluna lombar
A dor lombar pode ser resultante da geometria da vértebra. Ossos mais largos são mais fortes que os estreitos. Meninos possuem área óssea vertebral maior e mais larga que meninas e estas apresentam frequentemente mais dor lombar. O estirão puberal é o período em que ocorre crescimento acelerado. Nessa fase, a dor lombar pode ser mais prevalente, pois há maior dissociação entre o peso corporal e a massa óssea. A dor lombar pode influenciar as atividades escolares e de lazer. Deve-se ficar atento ao aumento de peso para evitar excesso de carga e estresse na coluna lombar. A dor pode levar à faltas escolares e inatividade física, contribuindo para a piora da obesidade.

Epifisiólise da Cabeça Femural (escorregamento da cabeça do fêmur)
Esta condição acontece quando há uma alteração na porção do fêmur que se encaixa na pelve, fazendo todo o membro acometido girar para fora. Geralmente ocorre no estirão puberal, é de evolução lenta e sua causa exata é desconhecida. A obesidade é um fator de risco. A criança pode ter pode dor no joelho, quadril ou coxa e um RX de bacia ajuda no diagnóstico.

Alterações de membros inferiores
O joelho é outra articulação que sofre com excesso de peso. Alterações como o genu-valgo (quando o joelho desvia para dentro formando um X ao se unir as pernas) e o genu-varo (pernas em arco) podem ocorrer e levar a dor. Geralmente é fisiológico (natural) e não necessita de correção cirúrgica. Mas é recomendável o reconhecimento para que o tratamento ajude a restaurar a biomecânica do membro.

Risco de fraturas
Estudos observaram que a ocorrência de fraturas é maior nos obesos. Também neles são mais frequentes dores na região lombar, no quadril, pernas, tornozelo, pé ou joelho. O pico de incidência de fraturas em crianças coincide com o estirão puberal. Neste período, há dissociação entre o crescimento longitudinal e o ganho mineral. Isso aumenta a fragilidade óssea e altera a qualidade e arquitetura do osso. A obesidade nessa fase pode favorecer o risco de fraturas nas quedas, já que o desenvolvimento ósseo não consegue se adaptar adequadamente ao excesso de peso. O desbalanço entre peso/massa óssea pode levar ao desenvolvimento de osteoartrite nos anos posteriores. Crianças obesas podem cair com maior força e de maneiras mais inusitadas que crianças com peso adequado. Foi observado que as primeiras apresentam quedas dentro de casa e de pequenas alturas visto que, em geral, evitam subir em estruturas altas. Podem ter alterações na postura e diminuição do equilíbrio devido à inatividade.

Pontos de atenção
Crianças que apresentam dor músculo-esquelética são menos predispostas a gostar e a participar de atividades físicas, favorecendo o aumento do peso. O incentivo à prática de atividades físicas favorece o controle do peso, aumenta a noção do corpo no espaço, dá mais equilíbrio, aumenta o tônus muscular e também a massa óssea, diminuindo o risco de fraturas. Sendo assim, as complicações musculo-esqueléticas devem ser observadas, diagnosticadas e tratadas adequadamente, pois podem persistir e progredir na vida adulta. Vale a pena ressaltar que, quando crianças e adolescentes com excesso de peso, principalmente se estiverem na puberdade, apresentarem dor em membros inferiores, dor para andar, dor na região da coluna, eles devem ser avaliados com cuidado.

Sugestão de consulta: www.abeso.org.br.

___
Relatora:
Dra. Patrícia D. C. Tosta-Hernandez
Departamento Científico de Endocrinologia da SPSP

Publicado em 20/01/2014.
photo credit: | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>