OMS – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 12 Feb 2026 19:07:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png OMS – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Bebidas alcoólicas: vamos conhecer o que bebemos? https://spsp.org.br/bebidas-alcoolicas-vamos-conhecer-o-que-bebemos/ Wed, 11 Feb 2026 18:43:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55080 As bebidas alcoólicas apresentam como seu principal componente o etanol, ou álcool etílico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o álcool etílico é a substância psicoativa]]>

As bebidas alcoólicas apresentam como seu principal componente o etanol, ou álcool etílico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o álcool etílico é a substância psicoativa mais consumida em todo o mundo e de grande importância e preocupação para a saúde pública do planeta.

Como qualquer substância psicoativa, ao entrar no corpo o álcool atua no cérebro e pode mudar a forma como a pessoa pensa, sente, percebe ou se comporta.

Pela OMS, o uso nocivo do álcool é um dos principais fatores de risco para a saúde da população mundial, incluindo riscos para a saúde materno-infantil, doenças infecciosas (vírus da imunodeficiência humana, hepatite viral, tuberculose), doenças não transmissíveis, saúde mental, lesões e intoxicações. Responsável, também, por grande número de mortes e diminuição da expectativa de vida.

Quando consumido pelas mulheres grávidas, o etanol atravessa a placenta e pode levar a problemas no desenvolvimento e crescimento do embrião/feto, causando os chamados Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal. São condições permanentes, sem tratamento, que se manifestam por inúmeras alterações, como anomalias físicas e congênitas, atraso no crescimento, alterações cognitivas, comprometimento da linguagem, dificuldades de aprendizado, distúrbios de comportamento, grande vulnerabilidade social e dependência de terceiros.

A história do homem e o consumo de bebidas alcoólicas caminham juntos. Fontes arqueológicas evidenciam que as bebidas alcoólicas surgiram por volta de 7.000–6.600 a.C., de forma acidental e natural, quando leveduras, do meio ambiente, fermentaram açúcares presentes em cereais, frutas ou mel, dando origem ao etanol.

Ao contrário das bebidas fermentadas, as bebidas destiladas vêm de um processo tecnológico, não espontâneo, pela manipulação das primeiras. A destilação surgiu entre os séculos I e IX d.C., para fins medicinais e alquímicos, e apenas no século XIII d.C. começou a ser usada para fins recreativos, sociais e comerciais.

Além de serem classificadas em fermentadas e destiladas, as bebidas também podem ser denominadas de acordo com a concentração de álcool etílico/etanol que contêm. Embora essa classificação possa variar de acordo com a legislação dos diversos países, a maioria deles considera “bebidas alcoólicas” aquelas que contêm 0,5% ou mais de álcool por volume, “não alcoólicas/sem álcool” as que têm menos de 0,5% de álcool por volume, e as “zero álcool” as com menos de 0,05% de álcool por volume.

Sugestão de classificação e das características das bebidas encontra-se no quadro 1.

Quadro 1. Sugestão de definição e comparação entre os diferentes tipos de bebidas

CategoriaABVProcesso de produçãoExemplosRelevância clínica
Fermentadas3%-15%Fermentação de açúcaresCerveja, vinho, hidromel, chicha, espumantes, kombucha alcoólicaNão indicado para população vulnerável*
Espirituosas (Destiladas)≥ 15% (geralmente  35%-50%)Destilação de bebidas fermentadasWhisky, gin, vodka, rum, cachaça, tequila, conhaque, brandy, grappa, aguardentes de frutasNão indicado para população vulnerável*
Baixo teor alcoólico (Low-alcohol)0,05-1,2%DesalcoolizaçãoVinho desalcoolizadoNão indicado para população vulnerável*
Não alcoólicas (non-alcoholic beverage)< 0,5%  Desalcoolização Fermentação controladaCerveja não alcoólica, kombucha, vinho desalcoolizadoNão indicado para população vulnerável*
Zero álcool (Alcohol-free)< 0,05%Desalcoolização completaCervejaPode ser uma alternativa mais segura para gestantes, motoristas, adolescentes, indivíduos em uso de medicamentos incompatíveis com o álcool
Light< 30% de álcool do produto similar da mesma marca  Não indicado para população vulnerável*

ABV – Alcohol by Volume (concentração de álcool/volume)

* População vulnerável – menores de 18 anos, grávidas, pessoas com condições de saúde que possam ser prejudicadas pelo álcool, uso de medicamentos incompatíveis com o álcool, motoristas.

 Fonte: elaborado pela autora (MAM).

Quanto maior a concentração de álcool em uma bebida, piores os efeitos a que ele leva. Segundo a OMS, não existe nenhum nível seguro de seu consumo em relação a várias doenças, incluindo câncer, doenças imunológicas, cardiovasculares e os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal.

Temos que ter ciência de que bebida “não alcoólica” é diferente de “0% de álcool”. Mesmo sendo chamada de “não alcoólica”, pode conter traços de etanol resultantes da fermentação. A diferença entre 0,0% e 0,5% pode parecer pequena do ponto de vista percentual, mas é clinicamente relevante em situações em que a recomendação é de exclusão total de etanol, como na gestação e nos transtornos por uso de álcool.

Compreender as diferenças entre “bebidas alcoólicas”, “não alcoólica/sem álcool” e “zero álcool” é fundamental, a fim de escolhermos o que queremos e/ou podemos beber com o objetivo de reduzir os danos à nossa saúde e, muitas vezes, à saúde dos outros, como do embrião/feto.

Devemos nos acostumar a ler os rótulos das bebidas, para verificarmos a concentração do álcool nelas contido e, se possível, consultarmos a ficha técnica do seu fabricante. Temos a responsabilidade de prevenirmos e reduzirmos os malefícios que as bebidas alcoólicas podem causar.

Relatora:
Maria dos Anjos Mesquita
Médica Neonatologista
Mestre em Ciências da Saúde
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Eliminação da transmissão vertical do HIV e certificação do Brasil https://spsp.org.br/eliminacao-da-transmissao-vertical-do-hiv-e-certificacao-do-brasil/ Mon, 01 Dec 2025 19:49:01 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54370 Dezembro é o mês de conscientização e luta contra a Aids. Os primeiros casos notificados de HIV/Aids são do início da década de 1980, sendo a primeira criança notificada no Brasil do ano]]>

Dezembro é o mês de conscientização e luta contra a Aids. Os primeiros casos notificados de HIV/Aids são do início da década de 1980, sendo a primeira criança notificada no Brasil do ano de 1987. Transcorridas quatro décadas desde então, assistimos a importantes avanços no diagnóstico, tratamento e monitoramento da infecção, convertendo a Aids de doença grave potencialmente fatal para infecção crônica controlável. Junto com esse avanço, houve toda uma mudança do perfil da doença na área materno-infantil.

É importante relembrar ou informar que temos formas bem definidas de transmissão e dentro da população pediátrica a principal é a chamada transmissão vertical, que é aquela transmitida da mãe para o filho, que pode acontecer na vida intraútero, durante o parto ou no aleitamento materno.

Assistimos ao aumento da sobrevida dos pacientes em geral, incluindo as crianças, e redução das infecções oportunistas, e com isso um “envelhecimento” da população pediátrica que nasceu com o vírus HIV, com 80%-90% dos pacientes pediátricos infectados hoje já adolescentes, jovens e muitos adultos. Muitos deles são já mães e pais, ou seja, já estamos frente à terceira geração que vive ou convive com o HIV e a excelente

notícia é que a imensa maioria dessas crianças, nascidas de pais que vivem com HIV por transmissão vertical, nasceram livres de HIV e saudáveis.

Tudo isso acontece graças ao protocolo de prevenção de transmissão vertical, que é um conjunto de medidas que começam antes mesmo da concepção, acontecendo durante toda a gestação, com tratamento contínuo da gestante e se mantendo com o bebê usando medicação por 28 dias, realizando exames e não sendo amamentado com leite materno.

Esse conjunto de medidas, quando realizadas na sua totalidade, faz com que a taxa de transmissão vertical seja reduzida de até 30% a 40% quando não acontece o tratamento, para taxas menores de 2%, quando todo o protocolo ocorre.

Em paralelo a esse crescimento da população pediátrica, com a maternidade e paternidade neles, tivemos também todo um incentivo à saúde sexual, reprodutiva e garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, que associados aos avanços do protocolo de

prevenção da transmissão vertical, possibilitaram que muitas famílias que vivem com HIV realizassem o sonho de constituir uma família e ter filhos.

O Brasil é um país de referência mundial no tratamento de HIV/Aids e mostra-se também

como um país de ponta na abordagem da prevenção da transmissão vertical. Temos as medicações antirretrovirais distribuídas pelo SUS em 100% do território nacional. O cumprimento correto do protocolo e o trabalho incessante dos profissionais da saúde, associados a investimentos sustentáveis no diagnóstico, tratamento e manejo clínico do binômio mãe-filho, possibilitaram que o Brasil iniciasse o processo de certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV no nosso país em 2017, seguindo todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), iniciando a premiação para municípios que tivessem transmissão vertical menor que 2% e todo o cumprimento dos protocolos em diferentes níveis (gestão, processos, garantia de respeito aos direitos humanos, entre outros).

O processo se iniciou em 2017 certificando Curitiba (PR), mantendo-se o trabalho constante no transcorrer desses anos, atingindo em 2024 a marca de 151 municípios e 19 Estados com algum tipo de certificação pela eliminação ou selo de boas práticas para HIV, sífilis e/ou hepatite B. Importante ressaltar que o município de São Paulo está certificado da eliminação da transmissão vertical desde 2019 e o Estado de São Paulo desde 2023.

E o trabalho não acaba. O Brasil está requerendo à OMS a certificação nacional este ano, de país eliminado da transmissão vertical do HIV, estando toda a documentação em avaliação.

É importante ressaltar que eliminar o agravo não significa que não temos mais a transmissão, mas sim que esta atinge parâmetros muito baixos (menores de 2%), permitindo a avaliação da certificação. A transmissão infelizmente ainda existe em alguns casos e nós profissionais da saúde estamos sempre aqui, lutando contra ela.

E como pode ser a participação da população geral, que não vive com HIV nesse processo? Todos podem auxiliar muito, se aproximando do tema, lutando contra o estigma, preconceito e discriminação, que se mostram como os grandes obstáculos aos diagnósticos e tratamentos, incluindo as gestantes vivendo com HIV, interferindo diretamente no risco de transmissão vertical e na saúde do bebê.

 

Relatora:

Daniela Vinhas Bertolini
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Saúde igual para todos https://spsp.org.br/saude-igual-para-todos/ Thu, 12 Dec 2024 11:31:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49476 O Dia Mundial da Saúde Universal foi aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 12 de Dezembro de 2012 e, cinco anos mais tarde, na mesma data em 2017, a ONU declarou o dia 12 de dezembro]]>

O Dia Mundial da Saúde Universal foi aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 12 de Dezembro de 2012 e, cinco anos mais tarde, na mesma data em 2017, a ONU declarou o dia 12 de dezembro como o Dia Internacional da Cobertura Universal de Saúde, através da resolução 72/138.

Este dia destaca a importância da saúde como um direito humano e é apoiado por organizações globais como o Banco Mundial e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar dos compromissos internacionais, ainda há um longo caminho a percorrer. Atualmente, 4,5 bilhões de pessoas não têm acesso a serviços de saúde essenciais e 1,3 bilhões foram empurradas para a pobreza devido a despesas de saúde. Este dia serve como um lembrete da necessidade urgente de ação coletiva para alcançar cobertura de saúde para todos.

Temas e Desafios Anuais

Cada ano tem seu próprio tema, que serve para focar as discussões e ações:

 2017: Saúde para Todos – Ascensão pelos Nossos Direitos

2018: Unidos pela Cobertura Universal de Saúde: Agora é a Hora da Ação Coletiva

2019: Cumpra a promessa
2020: Saúde para todos – Proteja todos
2021: As desigualdades prejudicam os nossos esforços para proteger, promover e melhorar a saúde para todos
2022: Construir o mundo que queremos: um futuro saudável para todos
2023: Saúde para Todos: Hora de Agir
2024: Saúde: depende do governo

Desafios atuais incluem:

  • Consequências da COVID-19 que atrasaram os avanços em saúde universal.
  • Necessidade de sistemas de saúde pública que garantam acesso a todos.
  • Investimento em cuidados primários de qualidade.
  • Desenvolvimento de estruturas financeiras robustas para proteger a população dos riscos financeiros das doenças.

Vantagens e Desvantagens da Cobertura Universal:

A cobertura universal pode reduzir custos gerais e administrativos, padronizar serviços e prevenir custos sociais futuros. No entanto, desafios como longos tempos de espera e sobrecarga nos orçamentos governamentais precisam ser abordados.

O Papel dos Governos e da Sociedade

Apenas os Estados Unidos, entre os países desenvolvidos, não possuem cobertura universal, deixando uma reflexão sobre a situação nos países em desenvolvimento. É crucial que governos invistam mais na saúde, garantindo proteção financeira para todos, para que tenham acesso aos serviços de saúde, não deixando ninguém para trás.

A participação pública é vital. Escrever para representantes do governo e incentivar a mídia a divulgar a importância da cobertura universal são passos concretos que todos podemos dar. A OMS reforça que essas ações trazem esperança de melhor saúde e proteção para os mais pobres em todo o mundo.

Com o fortalecimento dos cuidados de saúde primários, é possível resolver problemas comunitários e avançar em direção a um futuro mais equitativo e saudável.

E, de acordo com a OMS: “divulgar este assunto traz esperança de melhor saúde e proteção para os mais pobres do mundo todo.”

 

Saiba mais:

-United Nations. International Universal Health Coverage Day, 12 December. Disponível em: https://www.un.org/en/observances/universal-health-coverage-day

-Saúde para todos: 12/12 – Dia da Saúde Universal ou Dia da Cobertura Universal de Saúde.
Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/saude-para-todos-12-12-dia-da-saude-universal-ou-dia-da-cobertura-universal-de-saude/

-International Universal Health Coverage Day.
Disponível em: https://www.nationaldaycalendar.com/international/international-universal-health-coverage-day-december-12

-Health: It’s on the government!
Disponível em: https://universalhealthcoverageday.org

-Universal Health: Equitable Access with Financial Protection
Disponível em: https://www.paho.org/en/campaigns/universal-health-day-2024

 

Relatora:
Renata D Waksman
Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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7 de abril – Dia Mundial da Saúde https://spsp.org.br/7-de-abril-dia-mundial-da-saude/ Mon, 08 Apr 2024 19:03:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=44943 Um breve perfil histórico da evolução da saúde no mundo: Civilizações como os egípcios, gregos e romanos desenvolveram, na Antiguidade, algumas práticas médicas baseadas em mitos, crenças religiosas e superstições.]]>

Um breve perfil histórico da evolução da saúde no mundo:

  • Civilizações como os egípcios, gregos e romanos desenvolveram, na Antiguidade, algumas práticas médicas baseadas em mitos, crenças religiosas e superstições.
  • Na Idade Média, o conhecimento médico estagnou em grande parte na Europa Ocidental, com práticas médicas frequentemente envoltas em dogmas religiosos. No entanto, outras civilizações, como os árabes, preservaram e expandiram o conhecimento médico da Antiguidade clássica.
  • O Renascimento trouxe consigo um ressurgimento do interesse pelas ciências e pela medicina. Figuras como Leonardo da Vinci e Andreas Vesalius fizeram avanços significativos na anatomia humana, enquanto Paracelso promoveu uma abordagem mais científica para o tratamento de doenças.
  • O século XIX viu grandes avanços na medicina, com a descoberta de agentes patogênicos e o desenvolvimento de técnicas de higiene e vacinação. Surgiram também os primeiros hospitais modernos e a profissionalização da prática médica.
  • O século XX testemunhou avanços extraordinários na medicina, incluindo a descoberta de antibióticos, vacinas para uma variedade de doenças e técnicas de diagnóstico revolucionárias, como a radiografia e a ressonância magnética. Organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram fundadas para promover a saúde global. A OMS instituiu o Dia Mundial da Saúde, que é celebrado em 7 de abril.
  • Nos dias atuais, avanços tecnológicos, como a telemedicina e a biotecnologia, estão moldando o futuro da saúde, enquanto questões como acesso universal à saúde, prevenção de doenças não transmissíveis e saúde ambiental estão ganhando destaque na agenda global de saúde.

A saúde é um direito fundamental de todos os seres humanos e é essencial para que possamos viver vidas plenas e produtivas. No entanto, apesar dos avanços na medicina e na tecnologia, ainda existem muitos desafios que precisam ser enfrentados para garantir que todos tenham acesso a cuidados de saúde adequados, independentemente de sua localização geográfica, status socioeconômico ou outros fatores.

Neste Dia Mundial da Saúde, é importante lembrar que a saúde vai além da ausência de doenças físicas; também inclui o bem-estar mental, emocional e social. Portanto, devemos trabalhar não apenas para tratar doenças, mas também para promover estilos de vida saudáveis, prevenir doenças e garantir o acesso a serviços de saúde de qualidade para todos.

Este dia nos lembra da importância da solidariedade e cooperação internacional na abordagem de questões de saúde global, especialmente em face de desafios como pandemias, doenças endêmicas e emergências de saúde pública.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia da Vacina BCG https://spsp.org.br/dia-da-vacina-bcg/ Fri, 30 Jun 2023 17:31:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38153 A vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) é uma vacina indicada para prevenir as formas graves da tuberculose. A tuberculose é uma doença infecciosa de transmissão respiratória, causada por]]>

A vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) é uma vacina indicada para prevenir as formas graves da tuberculose.

A tuberculose é uma doença infecciosa de transmissão respiratória, causada por uma bactéria denominada Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch.

Apesar da doença afetar prioritariamente os pulmões, ela pode também acometer outros órgãos e/ou sistemas, causando as formas designadas miliar (quando um grande número de bactérias se desloca pela corrente sanguínea e se dissemina pelo corpo, atingindo vários órgãos) e a forma meníngea (quando afeta as meninges, que são membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal).

A vacina BCG destina-se, principalmente, para a prevenção das formas extrapulmonares graves, cujo risco de adoecimento é mais elevado nos primeiros anos de vida.

É uma vacina bacteriana viva atenuada (sem capacidade de produzir doença em indivíduos saudáveis), derivadas de Mycobacterium bovis (bactéria causadora de mastite tuberculosa bovina) e foi incluída no Calendário Básico de Vacinação do Brasil em 1977.

Ao longo dos anos, a BCG demonstrou eficácia significativa, porém, apesar de não se observar proteção consistente para todas as idades e nem para todas as formas da doença, vários estudos demonstraram que a vacinação neonatal proporcionava 82% de proteção contra a tuberculose grave.

Dessa forma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil preconizam a aplicação da BCG ao nascimento ou nos primeiros 30 dias de vida. Na rotina, a vacina é destinada a crianças na faixa etária de 0 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias.

É preconizado fazer no braço direito (região deltoide), via intradérmica (embaixo da pele), que resulta numa pequena elevação com aparência de casca de laranja, a qual desaparece logo após a aplicação (mais ou menos 8 horas).

Cerca de três semanas depois, o local começa a ficar vermelho e, possivelmente, formará uma ferida (com ou sem pus), que poderá demorar até três meses para cicatrizar (ferida abre, aparenta cicatriz, abre novamente).

Pode ocorrer coceira no local, e a ferida poderá ter até o tamanho de 1 cm de diâmetro, mas depois diminui e a cicatriz fica menor.

Os cuidados pós-vacinação consistem em lavar normalmente com água e sabão na hora do banho e secar com toalha limpa, sem esfregar. Manter a criança com camiseta de manga para proteger o local de poeira, insetos e para que a criança ou irmão não mexam no local. Manter as unhas cortadas e não deixar coçar.

Observações – gânglios embaixo do braço direito ou próximo ao pescoço (íngua) são reações normais, porém pouco frequentes. Se isso ocorrer, levar a criança ao pediatra ou à UBS para melhor avaliação e acompanhamento.

Cerca de 90% das pessoas que recebem a vacina desenvolvem reação no local da injeção, mas 10% não desenvolvem nenhuma alteração.

Importante entender que a cicatriz não representa necessariamente proteção, por isso a OMS, desde 2018, numa revisão das diretrizes de vacinação para bebês, enfatiza que os estudos não demonstraram benefício na repetição da vacinação com BCG; portanto, mesmo na falta de cicatriz, PPD negativo ou IGRA negativo, a revacinação não deve ser feita.

Dessa forma, a partir do posicionamento da OMS em 2018, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) também não recomendam a revacinação com BCG.

Uma observação importante é não esquecer que a condição imunológica do indivíduo a ser vacinado também exige atenção antes da vacinação.

Pacientes com imunodeficiências primárias ou adquiridas graves, imunodeficiências combinadas (SCID), doenças granulomatosas, agamaglobulinemias congênitas, além de outras síndromes associadas a alterações da imunidade celular, não devem receber BCG.

As sociedades científicas de imunologia clínica preconizam, sempre que possível, fazer primeiro a triagem neonatal e depois aplicar a vacina BCG, especialmente se na família houver casos conhecidos de imunodeficiências.

No caso da mãe ter recebido biológicos durante a gestação, o bebê deve receber a vacina BCG quando completar seis meses.

Apesar de ser uma enfermidade antiga, a tuberculose continua sendo um importante problema de saúde pública.

No Brasil ocorrem cerca de 70 mil casos novos da doença ao ano e 4,5 mil mortes; portanto a vacina ainda se constitui como a única forma de proteção contra formas graves de tuberculose em crianças.

Vamos comemorar em 01/07/23 o Dia da Vacina BCG, oferecendo às crianças a oportunidade de se protegerem contra uma doença que é extremamente grave, que pode deixar muitas sequelas e até levar à morte.

Vacinas salvam vidas!

 

Saiba mais:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações. Nota Informativa nº10 de 24 de janeiro de 2019-CGPNI/DEVIT/SVS/MS. Atualização da recomendação sobre revacinação com BCG em crianças vacinadas que não desenvolveram cicatriz vacinal. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/nota-informativa-10-2019-cgpni.pdf

 

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-emite-nota-informativa-sobre-a-revacinacao-com-bcg-em-criancas-com-ausencia-de-cicatriz/

 

Controvérsia em Imunizações 2022 – editores Renato de Ávila Kfouri, Guido Carlos Levi, Juarez Cunha. 1ª edição. São Paulo: Segmento Farma Editores, 2023. Disponível em: https://sbim.org.br/images/books/controversias-imunizacoes-2022.pdf

 

Relatora:

Silvia Bardella Marano

Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional da Imunização https://spsp.org.br/dia-nacional-da-imunizacao/ Thu, 15 Jun 2023 18:56:50 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37825 Na data de 9 de junho comemoramos o Dia Nacional da Imunização. Os programas de vacinação são considerados uma das mais importantes conquistas da saúde pública do mundo. Junto com]]>

Na data de 9 de junho comemoramos o Dia Nacional da Imunização. Os programas de vacinação são considerados uma das mais importantes conquistas da saúde pública do mundo. Junto com a água tratada e melhoria do acesso aos serviços de saúde, as imunizações contribuíram de forma definitiva e relevante para o aumento da expectativa de vida na maioria dos países, propiciando ainda reduções nas dramáticas taxas de mortalidade infantil registradas em um passado não distante. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), as campanhas de vacinação evitam de 4 a 5 milhões de mortes anualmente no mundo.

As vacinas, presentes na humanidade há mais de dois séculos, foram essenciais para alcançarmos a erradicação da varíola em 1980, doença que foi responsável pela morte de 300 milhões de pessoas somente no século 20, além de permitirem a eliminação da poliomielite, do tétano neonatal, da rubéola e da rubéola congênita em diversas regiões do mundo. Os programas de vacinação contribuíram ainda para o controle do tétano acidental, da coqueluche, do sarampo, da difteria, das meningites e de diversas outras doenças, responsáveis no passado por elevadas taxas de hospitalizações, sequelas e mortes entre crianças e adolescentes.

A percepção do risco associado a uma determinada doença é um fator muito determinante na adesão às campanhas vacinais pelas famílias de uma maneira geral. A redução do número de casos, hospitalizações e mortes atribuídas a diversas doenças fez com que muitas pessoas achassem que não era mais importante vacinar seus filhos contra essas doenças. Trata-se de um erro, pois já vimos no passado que assim que houve a diminuição das coberturas vacinais contra determinadas doenças, observamos o retorno dessas doenças à nossa realidade.

Um exemplo recente e emblemático desse fenômeno é o ressurgimento do sarampo. Após muitos anos de eliminação da doença no nosso país, vimos desde 2018 um retorno dos casos, com hospitalizações e mortes. Aproximadamente uma morte ocorreu para cada mil casos que foram confirmados no país nos últimos cinco anos. A maioria dessas mortes em crianças, especialmente no primeiro ano de vida. A boa notícia é que as campanhas de vacinação contra o sarampo incorporando uma dose extra da vacina aos seis meses reduziram novamente as taxas de doença e em 2023 não identificamos ainda novos casos.

Infelizmente, um dos fenômenos observados durante a pandemia e que merece por todos nós uma reflexão profunda foi o crescimento de publicações com informações equivocadas, com diversas motivações, e que acabam trazendo dúvidas e hesitação para as famílias no momento da vacinação. Neste cenário, nossa recomendação é que as famílias busquem sempre a fonte dessas informações recebidas e chequem a sua veracidade. Esse é um hábito que todos nós devemos incorporar.

Aqui no Brasil existem excelentes fontes de informações corretas, idôneas e confiáveis, nos sites das sociedades científicas, como a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), além, é claro, do Ministério da Saúde e da OMS.

A prática da vacinação rotineira está muito associada à população pediátrica, especialmente nos primeiros cinco anos de vida. Nesse período protegemos as crianças contra diversas doenças, como a paralisia infantil, tuberculose, hepatites A e B, difteria, tétano, coqueluche, diarreia pelo rotavírus, infecções graves causadas pelo meningococo, pneumococo, Haemophilus influenzae b, catapora, sarampo, rubéola, caxumba, febre amarela e gripe. A covid-19 se soma às doenças que são passíveis de prevenção por vacinas, com um destaque para a prevenção de suas formas graves e de suas complicações, a exemplo do que fazem as vacinas de gripe, coqueluche, rotavírus, entre outras.

Entretanto, não é só na infância que a vacinação se faz necessária. Adolescentes, adultos e idosos precisam também estar em dia com os programas de vacinação. O tétano, por exemplo, pode acometer indivíduos em qualquer faixa etária e a vacina é uma forma de prevenir a enfermidade, devendo ser repetida a cada dez anos, para manutenção de seu efeito protetor. Há ainda vacinas que devem ser administradas na adolescência, como por exemplo HPV e meningococo. Outras, na idade adulta ou por pessoas que vão viajar para determinadas regiões do Brasil ou do exterior, como por exemplo febre amarela, febre tifoide, hepatite A, meningococo, entre outras. Os idosos também têm um calendário vacinal especial, com programas de vacinação como os da gripe, doença pneumocócica, covid-19 e herpes-zoster, especialmente dirigidos para diminuir o risco de complicações dessas doenças nesta fase da vida.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo enfatiza nesta data comemorativa a importância das vacinas e rende a sua homenagem ao exitoso Programa Nacional de Imunizações, orgulho de todos os brasileiros.

 

Relator:
Marco Aurélio Palazzi Sáfadi
Presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Atividade física na infância e adolescência https://spsp.org.br/atividade-fisica-na-infancia-e-adolescencia/ Thu, 06 Apr 2023 15:08:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36892 A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta o desenvolvimento sustentável até 2030, e entre seus objetivos (ODS 3) está o de saúde e bem]]>

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta o desenvolvimento sustentável até 2030, e entre seus objetivos (ODS 3) está o de saúde e bem-estar.

Promover a atividade física e reduzir o comportamento sedentário pode ajudar a alcançar estes objetivos. Quatro a cinco milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas se a população global fosse mais ativa fisicamente. Estimativas globais indicam que 1 em cada 4 adultos e 3 em cada 4 adolescentes (11 a 17 anos), mais precisamente 27% de adultos e 81% de 11 a 17 anos, não atendem às recomendações de atividades físicas definidas pela OMS.

Diante deste cenário, a OMS lançou o “Let’s be active” (Vamos ser ativos), um plano global para estimular a atividade física. De maneira geral, a meta é reduzir a prevalência do sedentarismo entre adolescentes e adultos em 10% até 2025 e em 15% até 2030.

Sabemos que a prática regular de atividade física contribui para a prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, tais como doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, diabetes, alguns tipos de câncer, bem como ajuda a prevenir a hipertensão, o sobrepeso e a obesidade e contribui para a saúde mental, melhoria da qualidade de vida e bem-estar.

Em crianças e adolescentes, a atividade física proporciona benefícios como melhora da aptidão física, saúde cardiometabólica, saúde óssea, cognitiva, contribuindo para melhor desempenho acadêmico e função executiva, saúde mental com a redução dos sintomas de depressão e redução de obesidade.

Segundo a OMS, crianças acima de cinco anos e adolescentes devem fazer pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a rigorosa intensidade, dentre elas atividades aeróbicas e aquelas que fortalecem os músculos e ossos.

 

Diminuir o comportamento sedentário

Devemos estimular a criança à atividade física desde o nascimento.

Os primeiros 1.000 dias de vida, considerados os primeiros 3 anos de vida da criança, são cruciais para o crescimento e desenvolvimento, uma “janela de oportunidades” na qual os hábitos e as atividades irão influenciar o futuro da criança.

O brincar em movimento é fundamental para o amadurecimento saudável. Brincar é se movimentar e é tão necessário quanto o sono e a alimentação. Brincando, a criança põe o seu corpo em movimento, utiliza recursos motores e cognitivos, desenvolve coordenação, tonicidade muscular, equilíbrio, noção de espaço e tem consciência de suas possibilidades.

Temos o conceito de “Alfabetização Física” (“Physical Literacy”) definido como a habilidade, confiança e o desejo de ser fisicamente ativo por toda a vida. Inclui competência e habilidade de movimento fundamental, como pegar, pular, correr, chutar, aprimorar a agilidade, equilíbrio e coordenação.

É necessário que a criança se movimente de acordo com sua capacidade motora e cognitiva sob supervisão do adulto e sempre em ambiente seguro.

A competência e a confiança nas habilidades motoras são um forte protetor para a manutenção de níveis de atividade física na infância, adolescência e na vida adulta.

Em suma, nos primeiros anos de vida devem ser introduzidas atividades lúdicas; os bebês devem ser estimulados a se movimentar em curtos períodos de tempo várias vezes ao dia. Crianças com mais de dois anos e que já conseguem andar, devem ser estimuladas a fazer atividades fracionadas (brincadeiras) durante 180 minutos por dia, como ficar em pé, andar, saltar, correr, à medida que forem adquirindo coordenação e habilidade para tal função.

Crianças maiores, de 3 a 5 anos de idade, devem também ter pelo menos 180 minutos fracionados durante o dia. Os adultos devem oferecer oportunidades para brincadeiras livres e atividades não estruturadas, com uma variedade de movimentos e em ambientes variados, com atividades ao ar livre e contato com a natureza, em ambiente seguro.

Crianças acima de 5 anos, como recomenda a OMS, devem acumular 60 minutos de atividades diárias de moderada a rigorosa intensidade, incluindo um programa de fortalecimento muscular e flexibilidade três vezes por semana, intercalando com as atividades aeróbicas. As atividades já podem ser mais estruturadas.

Fundamental é evitar o comportamento sedentário!

Até 2 anos, o tempo de tela deve ser zero.

De 3 a 5 anos de idade, o tempo de tela deve ser de até 2 horas por dia. Acima de 6 anos esse tempo pode ser de até 2 horas por dia além das horas necessárias para trabalhos escolares.

Muito importante incluir uma avaliação médica pré-participação esportiva, como avaliação cardiológica, puberal, nutricional. Avaliação da composição corporal e características anatômicas e mecânicas que possam facilitar a ocorrência de lesões. Identificar doenças preexistentes e⁄ou deficiências.

Uma atenção especial deve ser dada à hidratação durante os exercícios.

Cuidados também envolvem a prática de exercícios de alta intensidade. Evitar a especialização precoce. Respeitar a individualidade de cada jovem. Os exercícios mais elaborados devem ser supervisionados e prescritos por profissionais capacitados e especializados em crianças e adolescentes.

As crianças e os adolescentes precisam principalmente ser expostos a atividades prazerosas. O mundo tecnológico é imediatista e atraente, mas também tem sua importância; contudo, brincar, exercitar-se e interagir com outras pessoas no mundo físico é fundamental (e os adultos precisam participar).

Estamos diante da geração que viverá 100 anos. Devemos, portanto, incentivar e orientar de forma adequada hábitos saudáveis, priorizando a atividade física e o exercício, para que essa geração cresça e entre na maturidade com qualidade de vida e em movimento por 100 anos ou mais.

Viva o Dia Mundial da Atividade Física!

 

Relatora:
Denise Derani Gomes
Secretária do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes na Infância e Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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“O custo de não fazer nada é aquele que não podemos pagar”* https://spsp.org.br/o-custo-de-nao-fazer-nada-e-aquele-que-nao-podemos-pagar/ Thu, 06 Apr 2023 12:35:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36881 No dia 7 de abril a Organização Mundial da Saúde (OMS) comemora o seu 75º aniversário de nascimento, sob a inspiração do tema “75 anos melhoran]]>

No dia 7 de abril a Organização Mundial da Saúde (OMS) comemora o seu 75º aniversário de nascimento, sob a inspiração do tema “75 anos melhorando a saúde pública. O mundo, em 1948, recém saído da II Guerra Mundial, almejava alcançar a utopia de garantir saúde para todos, juntando esforços para o bem comum. A própria definição de saúde encampada pela OMS destaca os quatro pilares fundamentais para o bem-estar de todo indivíduo: o equilíbrio biopsicossocial-espiritual. Essa definição anuncia a complexidade do assunto e sinaliza, também, a dificuldade para se atingir os objetivos pretendidos.

Esta data é uma oportunidade para refletir sobre essa complexidade e visualizar os desafios que temos pela frente. Ao longo da história da humanidade, podemos verificar que o saneamento ambiental tem sido o instrumento mais eficaz para a promoção da saúde. Uma casa para morar, água potável para beber, alimento adequado para comer e rede de esgoto fazem mais pela saúde pública que a multiplicação de equipamentos de saúde ou o incremento no número de médicos.

Saúde para todos é o slogan da campanha da OMS para 2023. Destacamos, então, que “Desigualdades Sociais fazem mal à Saúde”. Elas refletem o grau de iniquidade existente em cada sociedade – fator que está correlacionado à organização social. O acesso e a utilização dos serviços espelham essas diferenças. Há sistemas que potencializam as desigualdades existentes na organização social e outros que procuram compensar, pelo menos em parte, os resultados danosos da organização social sobre os grupos socialmente vulneráveis.

Ao compararmos sociedades diferentes, através dos parâmetros esperança de vida ao nascer com o PIB (Produto Interno Bruto) per capita de cada uma, como elemento de interferência na Saúde, vamos nos surpreender. Alguns exemplos: a Suécia tem um PIB per capita de 42 mil dólares e uma esperança de vida ao nascer de 80 anos; por outro lado, Angola tem um PIB per capita de 2.800 dólares e a esperança de vida é de 40 anos. A correlação entre riqueza e esperança de vida parece evidente; no entanto, quando comparamos os EUA com PIB per capita de 43.562 dólares e esperança de vida de 77 anos com Cuba, que tem PIB per capita de 4.600 dólares e esperança de vida de 77 anos, a correlação entre riqueza e saúde parece, então, não ser linear. Essa não correspondência também surge se compararmos a Arábia Saudita, que tem PIB per capita de 5.133 dólares e esperança de vida de 49 anos, com os dados de Cuba já apontados.

Nem sempre a riqueza corresponde a melhoria na saúde. O que irá diferenciar a efetividade das ações sobre saúde é a organização social e a satisfação de necessidades básicas gerais. Rita Barradas Barata diz sobre o assunto: “todos devem ter acesso e utilizar os serviços indispensáveis para resolver as suas demandas de saúde, independentemente de seu grupo social; aqueles que apresentam maior vulnerabilidade em decorrência da sua posição social devem ser tratados de maneira diferente, para que a desvantagem inicial possa ser reduzida ou anulada”.

O grande desafio para a saúde em nosso país, em 2023, é garantir que todas as pessoas tenham acesso e condições de serem tratadas com equidade. Trata-se de algo que pode ser construído com boa gestão dos recursos, cultura de qualidade e segurança, que busque sempre o melhor desfecho e evite desperdícios; que busque coordenação adequada do cuidado nas várias instâncias de atendimento, fortalecendo a atuação na atenção primária, para que o encaminhamento dos casos mais complexos para tratamento especializado, ocorra de forma correta, com melhores desfechos e economia de recursos. Por fim, uma distribuição equilibrada dos profissionais de saúde e dos equipamentos pelas regiões do país e a incorporação dos recursos tecnológicos da Big data, da Inteligência Artificial e Telemedicina em Saúde são fundamentais para o bom atendimento num país tão vasto.

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, diz: “a saúde pública é uma escolha política” e é preciso “perceber que a saúde é um investimento no futuro”. O chefe da ONU disse que “os países investem na proteção de seu povo contra “ataques terroristas”, mas não contra o ataque de um vírus, que pode ser muito mais mortal e muito mais prejudicial.”

A OMS divulgou esta lista com 13 desafios urgentes e globais à saúde:

1 – Ressaltar a saúde no debate climático

A crise climática é uma crise de saúde. Estima-se que a poluição do ar mate 7 milhões de pessoas todos os anos. Estas mudanças causam eventos climáticos mais extremos, agravam a desnutrição e aumentam o contágio de doenças infecciosas como a malária. As mesmas emissões que causam aquecimento global são responsáveis por mais de um quarto de mortes por ataque cardíaco, acidente vascular encefálico, câncer no pulmão e doença respiratória crônica.

2 – Levar saúde nas áreas de conflitos e crises

Em 2019, a maior parte dos surtos de doenças que requeriam a intervenção da OMS ocorreu em países com conflito prolongado. A OMS registrou 978 ataques a postos de saúde em 11 países no último ano, com 193 mortos. Conflitos estão forçando um número recorde de pessoas a sair de suas próprias casas, deixando dezenas de milhões de pessoas com pouco acesso a cuidados básicos de saúde por muitos anos.

3 – Tornar o acesso a saúde mais justo

As lacunas socioeconômicas persistentes e crescentes resultam em discrepâncias na qualidade de saúde da população. O aumento global de doenças não transmissíveis, como câncerdoença respiratória crônica e diabetes tem crescido desproporcionalmente em países de baixa e média renda, o que pode esgotar rapidamente os recursos das famílias mais pobres.

4 – Expandir o acesso a remédios

Cerca de um terço da população mundial não tem acesso a remédios, vacinas, diagnósticos e outros produtos de saúde essenciais. Remédios e outros produtos são a segunda maior despesa dos sistemas de saúde (atrás apenas do gasto com profissionais da saúde) e o maior componente da despesa privada em saúde dos países de baixa e média renda.

5 – Parar as doenças infecciosas

Doenças infecciosas como HIV, tuberculose, hepatites virais, malária, outras doenças tropicais negligenciadas e infecções sexualmente transmissíveis mataram cerca de 4 milhões de pessoas em 2020. Doenças com vacinas preventivas continuam letais, como sarampo, que tirou 140 mil vidas em 2019, muitas delas crianças. Embora a poliomielite esteja à beira da erradicação, houve 156 casos de poliovírus selvagem no último ano, o maior número desde 2014.

6 – Preparar-se para epidemias

Todos os anos, o mundo gasta muito mais com a resposta a surtos de doenças, desastres naturais e outras emergências médicas do que com preparação e prevenção delas. O problema não é saber se haverá uma nova pandemia, mas quando, e se espalhará rapidamente, potencialmente ameaçando milhares de vidas. Doenças transmitidas por vetores como malária, dengue, zika, chikungunya e febre amarela estão se espalhando à medida que o mosquito se desloca para novas áreas, afetadas pelas mudanças climáticas.

7 – Proteger a população de produtos perigosos

Falta de comida, alimentos contaminados e dietas não saudáveis com alto teor de açúcar, gordura saturada, gordura trans e sal, são responsáveis por quase um terço da carga global das doenças atuais, incluindo sobrepeso, obesidade, doenças cardiovasculares. A fome continua a atormentar milhões, com a escassez de alimentos sendo explorada como arma de guerra. O uso do tabaco está diminuindo em alguns países, mas cresce em outros e há várias evidências dos riscos à saúde dos cigarros eletrônicos.

8 – Investir naqueles que defendem nossa saúde

O baixo investimento crônico em educação e a remuneração insuficiente para profissionais da saúde estão levando à escassez desses profissionais no mundo todo, comprometendo os serviços de saúde. O mundo precisará de 18 milhões de profissionais da saúde a mais até 2030, principalmente em países de baixa e média renda.

9 – Manter os adolescentes seguros

Mais de um milhão de adolescentes entre 10 e 19 anos morrem todos os anos. As principais causas das mortes nesta faixa etária são acidentes de trânsito, HIV, suicídio, infecções respiratórias e violência, associados ao uso excessivo de álcool, tabaco, drogas, falta de atividade física, sexo desprotegido e exposição precoce a maus-tratos infantis.

10 – Ganhar a confiança pública

A saúde pública é comprometida pela disseminação descontrolada de informações falsas nas mídias sociais, bem como por uma quebra de confiança nas instituições públicas. O movimento antivacina tem sido um fator significativo no aumento de mortes em doenças evitáveis.

11 – Aproveitar as novas tecnologias

Novas tecnologias estão revolucionando nossa habilidade de prevenir, diagnosticar e tratar muitas doenças. A edição do genoma, biologia sintética e tecnologias digitais de saúde, como inteligência artificial, podem resolver muitos problemas, mas também levantam novas questões e desafios para monitoramento e regulamentação. Sem uma compreensão mais profunda das implicações éticas e sociais, estas novas tecnologias – que incluem a capacidade de criar novos organismos – podem prejudicar as pessoas às quais pretendem ajudar.

12 – Proteger os remédios assim como eles nos protegem

resistência antimicrobiana (AMR) ameaça a medicina moderna a retroceder para a era pré-antibiótica, quando mesmo as cirurgias de rotina eram perigosas. Esse aumento se deve a diversos fatores, que juntos são bem preocupantes: prescrição irregular de uso de antibióticos, falta de acesso a medicamentos de qualidade, falta de água potável, saneamento, higiene, prevenção e controle de infecções.

13 – Manter serviços de saúde limpos

Aproximadamente 1 a cada 4 instituições de saúde do mundo carece de recursos hídricos básicos. Serviços de água, saneamento e higiene são essenciais para o funcionamento de um sistema de saúde. A falta desses itens leva a cuidados de baixa qualidade e aumenta a chance de infecção para pacientes e profissionais de saúde.

 

Saiba mais:

*Rita Barradas Barata: Como e por que as desigualdades sociais fazem mal à saúde. Rio de Janeiro. Editora Fiocruz, 2009. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/handle/icict/23564/barata-9788575413913.pdf?sequence=2&isAllowed=y

 

OMS destaca 13 maiores desafios de saúde para a próxima década. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2020/01/1700342

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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