Oftalmologia – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 28 Mar 2025 19:14:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Oftalmologia – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retinoblastoma: diagnóstico e prevenção https://spsp.org.br/retinoblastoma-diagnostico-e-prevencao/ Tue, 08 Feb 2022 14:38:09 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31193 Tiago Leifert e Daiana Garbin tomaram a iniciativa de divulgar na imprensa que sua filha apresenta retinoblastoma e fizeram um alerta para a importância do diagnóstico precoce, fundamental para preservar a vida e a visão da criança.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 08/02/2022


Tiago Leifert e Daiana Garbin tomaram a iniciativa de divulgar na imprensa que sua filha apresenta retinoblastoma e fizeram um alerta para a importância do diagnóstico precoce, fundamental para preservar a vida e a visão da criança.

O retinoblastoma é um tumor ocular que em 10% dos casos tem herança familiar, sem predileção por sexo ou raça. Na maioria dos casos o diagnóstico é feito antes dos 3 anos de vida, podendo já ser observado por ocasião do nascimento.

O principal sintoma do retinoblastoma é a leucocoria, que é o reflexo branco na pupila ou “menina” dos olhos. Trata-se do reflexo da luz sobre a superfície do tumor, que está dentro do olho (intraocular) – ver foto abaixo. Outros achados são o estrabismo (olho torto), fotofobia (sensibilidade exagerada à luz), perda da visão e olho saltado (proptose).

Não há como prevenir, mas o diagnóstico precoce e uma equipe multidisciplinar é fundamental para um bom resultado. Mais de 95% das crianças com retinoblastoma podem ser curadas.

 

Fonte: Retinoblastoma – causas, sintomas e tratamento. Disponível em: https://www.mdsaude.com/oftalmologia/retinoblastoma/

 

 

Como prevenir?

A prevenção começa ainda na maternidade, com a realização do Teste do Olhinho (Teste do Reflexo Vermelho) até 72 horas de vida. Após essa abordagem inicial, o exame dever ser repetido pelo pediatra ao menos três vezes ao ano, nos três primeiros anos de vida da criança. Na identificação de qualquer anormalidade, a criança deve ser encaminhada para consulta com oftalmologista infantil, que aprofundará a investigação e indicará o tratamento mais efetivo para o caso.

Pais, ao tirar fotografias de seus filhos, podem detectar a presença de reflexos diferentes entre os olhos, estrabismo ou olhos que se movimentam de forma diferente ou irregular e avisar imediatamente o seu pediatra, que se encarregará de fazer o encaminhamento para o oftalmologista.

Este é o momento ideal para divulgar a importância do exame oftalmológico preventivo aos 3 e 5 anos de vida. Muitas doenças oculares da infância podem ser diagnosticadas e tratadas precocemente. Recomenda-se que, além da avaliação pediátrica, bebês de seis a 12 meses passem por um exame oftalmológico completo. Devem, se possível, repetir o exame anualmente ou pelo menos nas idades entre três e cinco anos.

Se há a correta indicação do Teste do Pezinho para prevenir doenças menos frequentes que o retinoblastoma, julgamos ser muito importante realizar, além do Teste do Reflexo Vermelho, o exame oftalmológico preventivo.

Se o tumor for diagnosticado e tratado quando é pequeno, não só salva a vida da criança, mas também o olho mantém a função de enxergar.

Abaixo está foto de tumor que tomou todo o olho em uma forma mais grave.  As setas vermelhas mostram os limites do tumor em um corte do olho após sua retirada (enucleação do olho).

Fonte: Arquivo pessoal da autora.

 

Relator:
Rosa Maria Graziano
Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: https://www.mdsaude.com/oftalmologia/retinoblastoma/

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Terçol e calázio: o que são e quais os tratamentos? https://spsp.org.br/tercol-e-calazio-o-que-sao-e-quais-os-tratamentos/ Tue, 06 Apr 2021 13:07:14 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=27953 Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 06/04/2021


O terçol que aparece nas crianças, até mesmo em bebês, incomoda pela dor que causa quando a criança pisca e preocupa os pais, tanto pelo aspecto estético, quanto pelo tempo que leva para sarar.

O terçol é a inflamação que ocorre nas glândulas que temos na borda da pálpebra. Quando uma bactéria penetra na glândula e inflama por dentro, ela incha e dói, formando uma “bolinha” vermelha na pálpebra, muitas vezes com um ponto amarelo.

Em geral, essa contaminação ocorre pelas mãozinhas da criança ou por uma blefarite crônica (inflamação que afeta a borda da pálpebra, no local onde emergem os cílios), que forma crostas e seborreia no local, favorecendo o crescimento das bactérias.

O terçol só sara com a drenagem do conteúdo da glândula inflamada, que pode ser por dentro, via conjuntiva, ou pela pele. Essa drenagem deve ser espontânea, com ajuda de compressas mornas que amolecem o conteúdo e abrem o orifício de saída da glândula. Aplicar as compressas logo que se percebe o terçol, três a quatro vezes ao dia, de 5 a 10 minutos, inclusive aproveitando a hora do banho, o que ajuda na drenagem.

Quando existe uma blefarite associada, formando crostas e “caspinhas” na raiz dos cílios, que pode causar oclusão dos orifícios de saída da glândula, é necessária a limpeza com a espuma fina do shampoo neutro, para evitar a formação de novos terçóis. Fazer essa higiene nas crianças com blefarite no final do banho é um ótimo hábito que deve ser mantido.

Em alguns casos mais persistentes faz-se necessário associar pomada de antibiótico ocular tópico. E, nas crianças com múltiplos terçóis de repetição, o uso de antibióticos orais com efeito de quebra da gordura das glândulas por período prolongado pode ser indicado pelo oftalmologista.

Outras medidas que podem ajudar são a dieta sem frituras, sem chocolate e rica em alimentos com ômega 3.

Alguns terçóis não drenam totalmente e “sobra” uma bolinha sem inflamação, durinha, encapsulada, que é o calázio – que também pode ser causado pela obstrução da glândula pela própria gordura, que não se infecta, mas vai formando um granuloma endurecido.

Quando o calázio for pequeno, não se faz nada, pois o próprio organismo vai absorver com o tempo. No entanto, quando for grande, pode comprimir a córnea da criança e causar um astigmatismo, por mudança na curvatura. Por isso, deve ser diagnosticado e tratado com óculos.

A cirurgia de retirada da glândula doente ou a injeção de corticoide dentro do calázio pode ser realizada nos casos de calázio grande e persistente.

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Relatora:
Márcia Keiko Uyeno Tabuse
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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ALERTA: O álcool pode causar queimadura química na superfície ocular https://spsp.org.br/alerta-o-alcool-pode-causar-queimadura-quimica-na-superficie-ocular/ Fri, 25 Sep 2020 18:26:53 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3412 Com o uso constante do álcool gel para antissepsia em todos os locais – por causa da pandemia de Covid-19 -, temos visto crianças que, ao acionar o display ou mesmo ao coçar os olhos com a substância, acabam ferindo o olho. O álcool gel pode causar uma queimadura química na superfície ocular.

weerapat | depositphotos.com

A conduta nesses casos é lavar imediatamente com água corrente para retirar o máximo da substância química, depois ocluir o olho com gaze e levar ao pronto-socorro de Oftalmologia, onde será feito um exame biomicroscópico para saber se houve lesão na córnea.


Caso não seja possível o exame com oftalmologista, manter o curativo oclusivo por no mínimo 12 horas.

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Relatora:
Marcia Keiko Uyeno Tabuse
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Triagem oftalmológica de recém-nascidos https://spsp.org.br/triagem-oftalmologica-de-recem-nascidos-2/ Tue, 29 Jan 2019 18:28:13 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2417 O Teste do Reflexo Vermelho (TRV) tem fundamental importância na prevenção à cegueira infantil, pois detecta precocemente alterações no eixo visual e malformações congênitas da retina e nervo óptico, como catarata, glaucoma e infeções congênitas. Deve ser realizado pelo pediatra no berçário e nas consultas de rotina com 1 e 3 anos. Quando o TRV for ausente ou alterado o pediatra deve encaminhar a criança para exame oftalmológico especializado para investigar a etiologia desta alteração e tratar a causa se necessário. Recentemente, relato na mídia informou que o TRV Ampliado, que é uma foto do fundo do olho feita por uma câmera com lente grande angular, seria mais adequado. Tal fato levou a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) a se posicionar (clique aqui e leia o texto na integra) pois as mídias digitais têm grande valia na telemedicina, mas não são superiores nas crianças sem riscos. Se o pediatra pode fazer um TRV sem perda de qualidade, nas doenças de retina a falta de um oftalmologista especializado neste Brasil continental pode ser suprida por um exame digital que será avaliado por oftalmologista a distância. ___ Relatora: Dra. Rosa Maria Graziano Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP. Publicado em 29/01/2019. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O Teste do Reflexo Vermelho (TRV) tem fundamental importância na prevenção à cegueira infantil, pois detecta precocemente alterações no eixo visual e malformações congênitas da retina e nervo óptico, como catarata, glaucoma e infeções congênitas. Deve ser realizado pelo pediatra no berçário e nas consultas de rotina com 1 e 3 anos.

Quando o TRV for ausente ou alterado o pediatra deve encaminhar a criança para exame oftalmológico especializado para investigar a etiologia desta alteração e tratar a causa se necessário.

Recentemente, relato na mídia informou que o TRV Ampliado, que é uma foto do fundo do olho feita por uma câmera com lente grande angular, seria mais adequado. Tal fato levou a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) a se posicionar (clique aqui e leia o texto na integra) pois as mídias digitais têm grande valia na telemedicina, mas não são superiores nas crianças sem riscos.

Se o pediatra pode fazer um TRV sem perda de qualidade, nas doenças de retina a falta de um oftalmologista especializado neste Brasil continental pode ser suprida por um exame digital que será avaliado por oftalmologista a distância.

jeniffertn | Pixabay

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Relatora:
Dra. Rosa Maria Graziano

Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP.

Publicado em 29/01/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Momento Saúde: estrabismo https://spsp.org.br/retrospectiva-momento-saude-estrabismo/ Wed, 08 Nov 2017 17:30:30 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1948 Estrabismo em crianças O que é? Estrabismo é a falta de alinhamento entre os olhos. Enquanto um dos olhos aponta para frente, o outro olho desvia para dentro, para fora, ou no plano vertical. A criança com estrabismo pode manifestar o desvio de forma constante ou episódica. Por que acontece? Estrabismo não é raro em crianças e resulta de um problema no controle do movimento ocular. A via responsável por esse controle tem início no cérebro, seguindo pelos nervos e atingindo os músculos dos olhos. Qualquer anormalidade nesta via pode resultar em estrabismo. Pode haver um componente familiar, no qual vários membros da família têm problema semelhante, ou pode aparecer em crianças sem nenhum histórico familiar. Como é feito o diagnóstico? Por vezes, nos grandes desvios, qualquer pessoa consegue ver que um dos olhos está desviado, mas é na avaliação ortóptica que se avalia a força e a interação dos músculos e que se confirma o diagnóstico de estrabismo. Deve ser salientado que os pequenos desvios são tão nocivos quanto os grandes e que algumas condições, como o epicanto (uma prega de pele da pálpebra superior), levam ao falso aspecto de estrabismo. Tratamento O objetivo do tratamento é promover o alinhamento para que os dois olhos apontem para a mesma direção e assim possam trabalhar juntos promovendo a visão de profundidade. Existem diferentes formas de tratamento, que são indicadas conforme o quadro clínico, e podem ser aplicadas individualmente ou de forma combinada: • Prescrição de óculos de grau que neutralizam total ou parcialmente o desvio ocular. • Óculos com prismas para aliviar o sintoma de visão dupla se presente. • Prescrição de exercícios para fazer em casa. • Correção cirúrgica. Como é feita a cirurgia? Uma pequena abertura é feita na conjuntiva (membrana que recobre o olho) para acessar um ou mais dos seis músculos oculares. Os músculos são, então, reposicionados na parede do olho, com procedimentos para fortalecê-los ou enfraquecê-los, de modo a criar um novo equilíbrio de forças que alinha os olhos. A anestesia geral e a alta no mesmo dia é a regra. A recuperação é rápida e a criança retorna à escola em poucos dias. Depois da cirurgia a criança deixa de usar os óculos? A cirurgia corrige o alinhamento ocular, mas não o grau para óculos. Muitas crianças continuam a usar os óculos depois da cirurgia.     ___ Relator: Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP Publicado em 7/02/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

oftalmologiaEstrabismo em crianças

O que é?
Estrabismo é a falta de alinhamento entre os olhos. Enquanto um dos olhos aponta para frente, o outro olho desvia para dentro, para fora, ou no plano vertical. A criança com estrabismo pode manifestar o desvio de forma constante ou episódica.

Por que acontece?
Estrabismo não é raro em crianças e resulta de um problema no controle do movimento ocular. A via responsável por esse controle tem início no cérebro, seguindo pelos nervos e atingindo os músculos dos olhos. Qualquer anormalidade nesta via pode resultar em estrabismo. Pode haver um componente familiar, no qual vários membros da família têm problema semelhante, ou pode aparecer em crianças sem nenhum histórico familiar.

Como é feito o diagnóstico?

Por vezes, nos grandes desvios, qualquer pessoa consegue ver que um dos olhos está desviado, mas é na avaliação ortóptica que se avalia a força e a interação dos músculos e que se confirma o diagnóstico de estrabismo.

Deve ser salientado que os pequenos desvios são tão nocivos quanto os grandes e que algumas condições, como o epicanto (uma prega de pele da pálpebra superior), levam ao falso aspecto de estrabismo.

Tratamento

O objetivo do tratamento é promover o alinhamento para que os dois olhos apontem para a mesma direção e assim possam trabalhar juntos promovendo a visão de profundidade. Existem diferentes formas de tratamento, que são indicadas conforme o quadro clínico, e podem ser aplicadas individualmente ou de forma combinada:
• Prescrição de óculos de grau que neutralizam total ou parcialmente o desvio ocular.
• Óculos com prismas para aliviar o sintoma de visão dupla se presente.
• Prescrição de exercícios para fazer em casa.
• Correção cirúrgica.

Como é feita a cirurgia?

Uma pequena abertura é feita na conjuntiva (membrana que recobre o olho) para acessar um ou mais dos seis músculos oculares. Os músculos são, então, reposicionados na parede do olho, com procedimentos para fortalecê-los ou enfraquecê-los, de modo a criar um novo equilíbrio de forças que alinha os olhos. A anestesia geral e a alta no mesmo dia é a regra. A recuperação é rápida e a criança retorna à escola em poucos dias.

Depois da cirurgia a criança deixa de usar os óculos?
A cirurgia corrige o alinhamento ocular, mas não o grau para óculos. Muitas crianças continuam a usar os óculos depois da cirurgia.

 

Pezibear | Pixabay

 

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Relator:
Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

Publicado em 7/02/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Problemas de visão entre as crianças: como notar? https://spsp.org.br/problemas-de-visao-entre-as-criancas-como-notar/ Tue, 18 Jul 2017 18:20:30 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1730 Oftalmopediatra explica no que ficar atento para saber se está tudo bem com os olhos do pequeno. Por Dra. Rosa Maria Graziano A visão é o sentido mais importante para o desenvolvimento físico e cognitivo da criança. Gestos e condutas são apreendidos quando ela observa as pessoas ao seu redor. Pensando nisso, pais, pediatras e professores devem ficar atentos ao comportamento dos pequenos, pois um prejuízo no desenvolvimento visual pode ter consequências negativas para o resto da vida. Os três primeiros meses de vida são considerados o período crítico para esse processo. Entre os 2 e os 3 anos de idade, a criança atinge a visão do adulto. Dos 7 aos 9 anos, o desenvolvimento visual está completo. É mais difícil tratar o que chamamos de ambliopia — popularmente conhecida como “olho preguiçoso” — depois disso. Mas de que maneira observamos alterações nos olhos dos pequenos? Existem algumas pistas que permitem ao médico flagrar problemas logo cedo. O Teste do Reflexo Vermelho (TRV), por exemplo, deve ser realizado pelo pediatra no berçário e repetido aos 30 dias, 1 e 3 anos de idade para avaliar alterações da transparência dos meios ópticos do olho e, dessa maneira, detectar a presença de catarata e glaucoma congênitos (quando a criança nasce com esses problemas) ou retinoblastoma (um tumor ocular que aparece ao redor dos 18 meses de vida). Com o tratamento precoce, é possível restabelecer boa parte da visão. Os pais, por sua vez, podem tirar fotos e observar nelas o reflexo vermelho na área da pupila de seus filhos. Devem ainda analisar a face da criança observando assimetrias ou alterações dos olhos e seus anexos. Existe assimetria facial ou das fendas das pálpebras? As bordas da pálpebra são vermelhas e possuem crostas? Há lacrimejamento ou olhos vermelhos? A pupila é branca, está fora da posição central ou tem tamanhos diferentes? O que faz suspeitar que a criança pode não enxergar? Preste atenção se o pequeno apresenta desinteresse por leitura ou é muito disperso, se ele se aproxima muito dos livros, da lousa ou da televisão para enxergar melhor e se costuma apertar os olhos para ver com nitidez. Dificuldades de aprendizado na escola podem ter uma causa visual — por isso ela deve ser avaliada e afastada. Ainda assim, devemos lembrar que existem outras razões para que isso aconteça, como déficit auditivo, problemas psicológicos ou emocionais e condições como dislexia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O erro refrativo, que compromete a capacidade visual, está presente em 8% das crianças menores de 4 anos e em 22% das crianças com até 9 anos. Quando os erros refrativos de alto grau não são corrigidos, o mundo da criança é limitado, seu rendimento escolar prejudicado e, muitas vezes, surgem queixas de dor de cabeça e dispersão. Há repercussões também no comportamento: a miopia, quando não tratada, pode estar associada a uma personalidade introvertida. Hipermetropia e astigmatismo também podem levar a cefaleia, dispersão e pouca disposição para a leitura. Cabe observar também se os olhos da criança estão constantemente vermelhos ou se ela acusa dor na região. Isso pode sugerir a existência de um grupo de doenças como conjuntivite, uveíte e neurite óptica, o que exige tratamento imediato. Erros refrativos, olho seco e até tumores cerebrais também podem provocar dor. Não existe um consenso de quando a criança deve ser avaliada preventivamente quanto à saúde ocular. Mas, como não é fácil cravar em casa se a criança está enxergando bem, sugere-se que a avaliação com o oftalmologista deva ocorrer a cada um ou dois anos. Isso ajuda a detectar precocemente erros refrativos, estrabismo e doenças oculares capazes de prejudicar o desenvolvimento visual da criança. O exame no consultório é objetivo e as crianças não precisam necessariamente falar para serem avaliadas. Para cada idade, existem tabelas apropriadas. ___ Texto produzido pela Dra. Rosa Maria Graziano para o site SAÚDE. Link original: http://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/problemas-de-visao-entre-as-criancas-como-notar-os-sintomas/ Dra. Rosa Maria Graziano é médica, doutora em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo, presidente do Departamento de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Publicado em 18/07/2017. photo credit: EME | Pixabay.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Oftalmopediatra explica no que ficar atento para saber se está tudo bem com os olhos do pequeno.
Por Dra. Rosa Maria Graziano

A visão é o sentido mais importante para o desenvolvimento físico e cognitivo da criança. Gestos e condutas são apreendidos quando ela observa as pessoas ao seu redor. Pensando nisso, pais, pediatras e professores devem ficar atentos ao comportamento dos pequenos, pois um prejuízo no desenvolvimento visual pode ter consequências negativas para o resto da vida.

Os três primeiros meses de vida são considerados o período crítico para esse processo. Entre os 2 e os 3 anos de idade, a criança atinge a visão do adulto. Dos 7 aos 9 anos, o desenvolvimento visual está completo. É mais difícil tratar o que chamamos de ambliopia — popularmente conhecida como “olho preguiçoso” — depois disso.

Mas de que maneira observamos alterações nos olhos dos pequenos?

Existem algumas pistas que permitem ao médico flagrar problemas logo cedo. O Teste do Reflexo Vermelho (TRV), por exemplo, deve ser realizado pelo pediatra no berçário e repetido aos 30 dias, 1 e 3 anos de idade para avaliar alterações da transparência dos meios ópticos do olho e, dessa maneira, detectar a presença de catarata e glaucoma congênitos (quando a criança nasce com esses problemas) ou retinoblastoma (um tumor ocular que aparece ao redor dos 18 meses de vida). Com o tratamento precoce, é possível restabelecer boa parte da visão.

Os pais, por sua vez, podem tirar fotos e observar nelas o reflexo vermelho na área da pupila de seus filhos. Devem ainda analisar a face da criança observando assimetrias ou alterações dos olhos e seus anexos. Existe assimetria facial ou das fendas das pálpebras? As bordas da pálpebra são vermelhas e possuem crostas? Há lacrimejamento ou olhos vermelhos? A pupila é branca, está fora da posição central ou tem tamanhos diferentes?

O que faz suspeitar que a criança pode não enxergar?

Preste atenção se o pequeno apresenta desinteresse por leitura ou é muito disperso, se ele se aproxima muito dos livros, da lousa ou da televisão para enxergar melhor e se costuma apertar os olhos para ver com nitidez.

Dificuldades de aprendizado na escola podem ter uma causa visual — por isso ela deve ser avaliada e afastada. Ainda assim, devemos lembrar que existem outras razões para que isso aconteça, como déficit auditivo, problemas psicológicos ou emocionais e condições como dislexia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

O erro refrativo, que compromete a capacidade visual, está presente em 8% das crianças menores de 4 anos e em 22% das crianças com até 9 anos. Quando os erros refrativos de alto grau não são corrigidos, o mundo da criança é limitado, seu rendimento escolar prejudicado e, muitas vezes, surgem queixas de dor de cabeça e dispersão. Há repercussões também no comportamento: a miopia, quando não tratada, pode estar associada a uma personalidade introvertida. Hipermetropia e astigmatismo também podem levar a cefaleia, dispersão e pouca disposição para a leitura.

Cabe observar também se os olhos da criança estão constantemente vermelhos ou se ela acusa dor na região. Isso pode sugerir a existência de um grupo de doenças como conjuntivite, uveíte e neurite óptica, o que exige tratamento imediato. Erros refrativos, olho seco e até tumores cerebrais também podem provocar dor.

Não existe um consenso de quando a criança deve ser avaliada preventivamente quanto à saúde ocular. Mas, como não é fácil cravar em casa se a criança está enxergando bem, sugere-se que a avaliação com o oftalmologista deva ocorrer a cada um ou dois anos. Isso ajuda a detectar precocemente erros refrativos, estrabismo e doenças oculares capazes de prejudicar o desenvolvimento visual da criança. O exame no consultório é objetivo e as crianças não precisam necessariamente falar para serem avaliadas. Para cada idade, existem tabelas apropriadas.

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Texto produzido pela Dra. Rosa Maria Graziano para o site SAÚDE.
Link original: http://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/problemas-de-visao-entre-as-criancas-como-notar-os-sintomas/

Dra. Rosa Maria Graziano é médica, doutora em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo, presidente do Departamento de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 18/07/2017.
photo credit: EME | Pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Exposição precoce às tecnologias pode ser prejudicial https://spsp.org.br/exposicao-precoce-as-tecnologias-pode-ser-prejudicial/ Thu, 22 Jun 2017 18:30:45 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1708 De acordo com dados do Painel Nacional de Televisão, realizado pelo Ibope, crianças e adolescentes passam cinco horas e trinta e cinco minutos em frente à televisão, em média. Levantamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil aponta que 82% dos jovens acessam internet pelo celular diariamente. Os números estão na contramão do recomendado pela Academia Americana de Pediatria (AAP), cuja orientação é de, no máximo, duas horas diárias – aos menores de dois anos, contraindica-se o uso de qualquer tipo de dispositivo eletrônico. Assunto controverso entre pais e médicos, e já existindo uma tendência da AAP para rever suas recomendações em 2016, de forma a mais que limitar o tempo de uso, faz-se importante avaliar o conteúdo e participar destas atividades com a criança, pois a internet hoje apresenta muitos sites e jogos com conteúdo educacional. Os pais devem avaliar com bom senso a forma como as crianças utilizam seu tempo, mesclando atividades ao ar livre e mídias digitais. A Dra. Rosa Maria Graziano, presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), explica que observar objetos em curta distância leva a acomodação (ação do cristalino para fixar algo que está perto) e “existem evidências de que tal postura pode levar as crianças em desenvolvimento visual a evoluírem com tendência à miopia”. “Entretanto, o hábito de permanecer muito próximo ao aparelho ou de livros pode indicar a presença de erros refrativos”, afirma. Dessa forma, os pais devem prestar atenção aos hábitos dos filhos a fim de identificar tais comportamentos que podem indicar alguns problemas, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia. A Organização Mundial de Saúde estima que 100 mil crianças brasileiras apresentem alguma deficiência visual; por isso, os exames oftalmológicos preventivos são fundamentais. Questionada sobre a saúde ocular e os danos que este contato frequente com as mídias digitais pode acarretar, a oftalmologista afirma que assistir TV por estar posicionada a distância maior que os celulares e tablets pode ser melhor para assistir vídeos ou jogos, pois necessita menor efeito acomodativo. Cada vez mais cedo Pesquisa do Centro de Estudos Sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação denuncia que o manejo de smatphones e tablets começa cada vez mais precocemente. Aos nove anos, 24% das crianças têm celular; aos seis, 16%; aos cinco, 7%. Dra. Rosa informa que, mundialmente, trabalhos mostram que jovens de cidades grandes apresentam maior porcentagem de erros refrativos do que as que vivem no interior. O uso de dispositivos eletrônicos e a falta de sol podem explicar este cenário. “Atualmente, a criança encontra nesses aparelhos formas de comunicação e lazer, assim, pouco saem para brincar ao ar livre. Desta forma, recomendamos o bom senso para modular esse uso, intercalando com atividades em espaço aberto. Contudo, é importante não demonizar esses estímulos tecnológicos, considerando que são interessantes para o desenvolvimento intelectual e pessoal”, destaca. Piscar Outro aspecto pertinente de ser observado é o piscar, importante mecanismo para lubrificar a córnea e a conjuntiva. “Durante a leitura, a frequência do piscar involuntário diminui, acarretando ressecamento, ardor e desconforto visual. Ao ler, em computador ou não, a pessoa deve piscar voluntariamente, fazer pausas e usar lágrimas artificiais”, recomenda a especialista. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 22/06/2017. photo credit: Ben_Kerckx | Pixabay.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

De acordo com dados do Painel Nacional de Televisão, realizado pelo Ibope, crianças e adolescentes passam cinco horas e trinta e cinco minutos em frente à televisão, em média. Levantamento do Comitê Gestor da Internet no Brasil aponta que 82% dos jovens acessam internet pelo celular diariamente. Os números estão na contramão do recomendado pela Academia Americana de Pediatria (AAP), cuja orientação é de, no máximo, duas horas diárias – aos menores de dois anos, contraindica-se o uso de qualquer tipo de dispositivo eletrônico.

Assunto controverso entre pais e médicos, e já existindo uma tendência da AAP para rever suas recomendações em 2016, de forma a mais que limitar o tempo de uso, faz-se importante avaliar o conteúdo e participar destas atividades com a criança, pois a internet hoje apresenta muitos sites e jogos com conteúdo educacional. Os pais devem avaliar com bom senso a forma como as crianças utilizam seu tempo, mesclando atividades ao ar livre e mídias digitais.

A Dra. Rosa Maria Graziano, presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), explica que observar objetos em curta distância leva a acomodação (ação do cristalino para fixar algo que está perto) e “existem evidências de que tal postura pode levar as crianças em desenvolvimento visual a evoluírem com tendência à miopia”. “Entretanto, o hábito de permanecer muito próximo ao aparelho ou de livros pode indicar a presença de erros refrativos”, afirma. Dessa forma, os pais devem prestar atenção aos hábitos dos filhos a fim de identificar tais comportamentos que podem indicar alguns problemas, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia.

A Organização Mundial de Saúde estima que 100 mil crianças brasileiras apresentem alguma deficiência visual; por isso, os exames oftalmológicos preventivos são fundamentais.

Questionada sobre a saúde ocular e os danos que este contato frequente com as mídias digitais pode acarretar, a oftalmologista afirma que assistir TV por estar posicionada a distância maior que os celulares e tablets pode ser melhor para assistir vídeos ou jogos, pois necessita menor efeito acomodativo.

Cada vez mais cedo
Pesquisa do Centro de Estudos Sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação denuncia que o manejo de smatphones e tablets começa cada vez mais precocemente. Aos nove anos, 24% das crianças têm celular; aos seis, 16%; aos cinco, 7%. Dra. Rosa informa que, mundialmente, trabalhos mostram que jovens de cidades grandes apresentam maior porcentagem de erros refrativos do que as que vivem no interior. O uso de dispositivos eletrônicos e a falta de sol podem explicar este cenário.

“Atualmente, a criança encontra nesses aparelhos formas de comunicação e lazer, assim, pouco saem para brincar ao ar livre. Desta forma, recomendamos o bom senso para modular esse uso, intercalando com atividades em espaço aberto. Contudo, é importante não demonizar esses estímulos tecnológicos, considerando que são interessantes para o desenvolvimento intelectual e pessoal”, destaca.

Piscar
Outro aspecto pertinente de ser observado é o piscar, importante mecanismo para lubrificar a córnea e a conjuntiva. “Durante a leitura, a frequência do piscar involuntário diminui, acarretando ressecamento, ardor e desconforto visual. Ao ler, em computador ou não, a pessoa deve piscar voluntariamente, fazer pausas e usar lágrimas artificiais”, recomenda a especialista.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 22/06/2017.
photo credit: Ben_Kerckx | Pixabay.com

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