Óculos – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 04 Sep 2026 16:20:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Óculos – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Miopia em crianças: quando enxergar de longe começa a ficar difícil https://spsp.org.br/miopia-em-criancas-quando-enxergar-de-longe-comeca-a-ficar-dificil/ Fri, 04 Sep 2026 16:19:03 +0000 https://spsp.org.br/?p=58911 “Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.” “Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.” “Será que prejudica passar muito tempo no celular?” Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança. A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola. A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida. Como saber se uma criança está ficando míope? Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”. Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito. Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta: É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão. E o celular? Ele causa miopia? Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem. A resposta não é simplesmente “sim”. O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre. Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos. Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre. Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes. Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia. Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural. E se a criança já tem miopia? Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante. Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental. Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais. Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças. O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família: •Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias. •Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.  •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos. •Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar. •Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando. Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”. Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares. A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado. No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas. Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

“Meu filho está apertando os olhos para enxergar a lousa.”

“Ele quer assistir TV bem próximo da televisão.”

“Será que prejudica passar muito tempo no celular?”

Essas são dúvidas bastante comuns entre os pais. E podem indicar e ser sinais de que é hora de avaliar a visão da criança.

A miopia é uma condição visual na qual a criança consegue ver bem os objetos próximos, mas tem dificuldade para enxergar os que estão mais distantes. Por isso, uma criança míope pode ler um livro ou usar o celular sem problemas, mas ter dificuldade para ver o que está escrito na lousa da escola.

A miopia está se tornando cada vez mais comum entre crianças e adolescentes em várias partes do mundo. E isso merece atenção, porque quanto mais cedo a miopia aparece e quanto mais ela aumenta ao longo da infância, maior pode ser o grau no futuro. Altos graus de miopia estão associados a um maior risco de problemas oculares ao longo da vida.

Como saber se uma criança está ficando míope?

Nem sempre a criança vai chegar aos pais e dizer: “não estou enxergando bem”.

Ela pode simplesmente achar que todo mundo enxerga daquele jeito.

Por isso, alguns comportamentos podem servir de alerta:

  • apertar os olhos para enxergar de longe;
  • aproximar-se muito da televisão ou de outros objetos;
  • ter dificuldade para enxergar a lousa na escola;
  • sentar cada vez mais perto da tela;
  • apresentar dores de cabeça ou cansaço visual;
  • perder o interesse por atividades que dependem da visão de longe;
  • apresentar queda no rendimento escolar.

É importante lembrar que esses sinais não significam necessariamente que a criança tenha miopia. Eles apenas mostram que vale a pena avaliar a visão.

E o celular? Ele causa miopia?

Essa é provavelmente uma das perguntas que os pais mais fazem.

A resposta não é simplesmente “sim”.

O aumento do uso de celulares, tablets e computadores faz parte de uma mudança maior no estilo de vida das crianças. Hoje elas passam mais tempo dentro de casa, realizando atividades de perto (usando celular) e menos tempo brincando ao ar livre.

Estudos indicam que passar pouco tempo ao ar livre é um dos fatores mais relacionados ao desenvolvimento da miopia. Atividades de perto por muito tempo, como usar o celular ou ler, também podem estar ligadas ao risco, principalmente quando feitas por longos períodos e muito perto dos olhos.

Por isso, mais do que simplesmente proibir o celular, precisamos ajudar as crianças a encontrar um equilíbrio entre atividades de perto e tempo ao ar livre.

Brincar ao ar livre faz bem para os olhos. Essa talvez seja uma das recomendações mais simples e importantes.

Incentivar a criança a brincar, caminhar, praticar esportes ou simplesmente passar tempo ao ar livre durante o dia – a recomendação é passar entre 90 minutos a 2 horas por dia ao ar livre – pode ajudar a prevenir ou atrasar e reduzir o risco de desenvolver miopia.

Não precisa ser uma atividade específica. O importante é sair de casa e passar tempo em ambientes externos, com luz natural.

E se a criança já tem miopia?

Nesse caso, o acompanhamento é ainda mais importante.

Ter miopia não significa apenas precisar de óculos. Em algumas crianças, o grau pode aumentar rapidamente durante os anos escolares. Por isso, o acompanhamento com o oftalmologista é fundamental.

Hoje existem diferentes estratégias para o controle da progressão da miopia, incluindo algumas lentes especiais para óculos, lentes de contato específicas e tratamentos medicamentosos, que serão prescritos pelo oftalmologista infantil quando indicado. Seu uso depende da idade da criança, do grau, da velocidade de progressão e de outras características individuais.

Por isso, não existe uma única solução que sirva para todas as crianças.

O que os pais podem fazer? Algumas atitudes simples podem fazer parte da rotina da família:

•Mais tempo ao ar livre: incentive a criança a brincar e praticar atividades fora de casa, se possível todos os dias.

•Pausas nas atividades de perto: durante o uso de telas, leitura ou estudos, faça pausas regulares e evite longos períodos contínuos olhando para perto.

 •Distância adequada: livros, cadernos e telas não devem ficar excessivamente próximos dos olhos.

•Óculos quando prescritos: se a criança precisa de correção, é importante utilizar os óculos conforme a orientação do oftalmologista. Usar óculos não faz a miopia aumentar.

•Acompanhamento: crianças com miopia precisam ser acompanhadas regularmente para verificar se o grau está estável ou aumentando.

Cuidar da visão é cuidar do futuro. A miopia não deve ser encarada apenas como uma questão de “colocar óculos”.

Quando aparece muito cedo ou evolui rapidamente, ela merece acompanhamento porque o aumento excessivo da miopia pode elevar, no futuro, o risco de algumas doenças oculares.

A boa notícia é que hoje sabemos muito mais sobre miopia do que sabíamos alguns anos atrás. E algumas medidas são simples, seguras e fazem parte de uma infância mais saudável: menos tempo em atividades de perto, mais brincadeiras ao ar livre e acompanhamento oftalmológico adequado.

No fim das contas, cuidar da visão da criança para evitar a miopia é ajudar a montar uma rotina mais equilibrada, com espaço para estudar, brincar, usar a tecnologia, descansar e, claro, garantir momentos ao ar livre, longe das telas.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), International Myopia Institute (IMI) e Sociedade Brasileira de Pediatria.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Saúde visual de crianças e adolescentes: cuidados essenciais para um desenvolvimento saudável https://spsp.org.br/saude-visual-de-criancas-e-adolescentes-cuidados-essenciais-para-um-desenvolvimento-saudavel/ Thu, 10 Jul 2025 16:12:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52206 O Dia da Saúde Ocular é celebrado todos os anos no dia 10 de julho. A visão é um dos sentidos mais importantes para]]>

O Dia da Saúde Ocular é celebrado todos os anos no dia 10 de julho. A visão é um dos sentidos mais importantes para o desenvolvimento humano. Desde o nascimento, até o final da adolescência, os olhos passam por diversas etapas de amadurecimento, sendo essenciais para o aprendizado, a socialização, a autonomia e a qualidade de vida. Garantir que crianças e adolescentes tenham uma boa saúde visual vai muito além de prevenir doenças: trata-se de proporcionar oportunidades para que eles cresçam com segurança, confiança e bem-estar.

Desde os primeiros dias de vida, é fundamental que os pais e cuidadores estejam atentos à saúde ocular dos pequenos. O primeiro exame oftalmológico, o teste do reflexo vermelho – popularmente conhecido como teste do olhinho – deve ser realizado ainda na maternidade. Ele é simples, rápido e pode detectar alterações graves, como catarata congênita, glaucoma e até tumores oculares.

É recomendável que entre seis meses e um ano de idade a criança passe por uma avaliação completa com um oftalmologista infantil. Mesmo que nenhum sintoma esteja presente, os exames devem ser realizados anualmente ou conforme a orientação médica, pois diversas doenças oculares se desenvolvem de forma silenciosa e só se manifestam quando já estão avançadas.

Crianças pequenas nem sempre conseguem comunicar que não estão enxergando bem. Cabe aos pais e responsáveis observar alguns sinais, como o hábito de aproximar objetos do rosto, tropeçar com frequência, coçar ou esfregar os olhos constantemente, lacrimejamento sem motivo aparente, sensibilidade à luz, olhos vermelhos, queixa de dores de cabeça frequentes, rendimento escolar abaixo do esperado ou desinteresse por atividades que exigem atenção visual. O desvio de um ou ambos os olhos, conhecido como estrabismo, também é um sinal de alerta. Em qualquer um desses casos, a avaliação oftalmológica deve ser realizada o mais rápido possível.

Um dos grandes desafios da saúde ocular infantil nos dias atuais é o uso excessivo de telas. O contato precoce e prolongado com celulares, tablets e computadores tem sido associado a um aumento significativo de casos de miopia. Além disso, o tempo prolongado focando em curta distância causa fadiga ocular, olhos secos e dores de cabeça, além de miopia. Por isso, é fundamental limitar o uso de telas de acordo com a idade da criança. Até os dois anos, o ideal é evitar totalmente a exposição. Entre dois e cinco anos, o tempo deve ser restrito a, no máximo, uma hora por dia, sempre com supervisão e conteúdo apropriado. A partir dos seis anos, até os dez anos, o uso pode ser mais flexível, de até duas horas por dia, com supervisão, mas deve incluir pausas frequentes — uma boa regra é a do 20-20-20: a cada 20 minutos de uso de tela, olhar por 20 segundos para algo a 6 metros de distância (que correspondem a 20 pés).

Para além das telas, atividades ao ar livre devem ser estimuladas e é uma das estratégias mais eficazes na prevenção da miopia e no fortalecimento da visão. Pesquisas apontam que o contato diário com a luz natural estimula substâncias nos olhos que ajudam a evitar o crescimento exagerado do globo ocular, que é a principal causa do aumento da miopia. Por isso, brincadeiras ao ar livre, como correr, andar de bicicleta, explorar a natureza ou simplesmente brincar no quintal são altamente recomendadas. De uma a duas horas por dia de exposição à luz solar natural, em horários adequados, já faz uma diferença significativa.

A alimentação também desempenha um papel importante na saúde visual. Uma dieta rica em vitaminas A, C e E, além de ômega-3, luteína, zeaxantina e zinco, favorece o bom funcionamento da retina e protege contra diversas doenças. Alimentos como cenoura, abóbora, espinafre, brócolis, manga, peixes, ovos e sementes devem fazer parte da alimentação das crianças. Além disso, manter a hidratação adequada é fundamental, especialmente em ambientes com ar condicionado ou para crianças que fazem uso frequente de dispositivos eletrônicos, já que estes contribuem para a síndrome do olho seco.

A prevenção de acidentes também deve ser levada em consideração. Brinquedos com pontas, objetos cortantes, produtos químicos e materiais escolares podem causar lesões graves nos olhos. É importante orientar as crianças sobre os riscos e garantir um ambiente seguro para brincadeiras. Em atividades esportivas ou em laboratórios escolares, o uso de óculos de proteção é indispensável.

Outro ponto fundamental é evitar a automedicação. Colírios, pomadas e qualquer tipo de medicamento oftálmico devem ser utilizados apenas com prescrição médica. Substâncias aparentemente inofensivas podem causar alergias, intoxicações ou agravar o quadro clínico. Da mesma forma, o uso de óculos deve ser feito somente com a orientação de um oftalmologista. Óculos com grau inadequado ou armações mal ajustadas podem piorar a visão e causar desconforto.

Promover a saúde visual na infância é garantir que a criança tenha as melhores condições para aprender, brincar, explorar o mundo e se desenvolver com plenitude. Os pais e cuidadores têm papel fundamental nesse processo, seja oferecendo estímulos adequados, acompanhando o uso de tecnologias, incentivando hábitos saudáveis ou levando a criança ao oftalmologista de forma preventiva. A visão é uma janela para o mundo e merece toda a nossa atenção.

Relator:
Marcelo Alexandre A. C. Costa
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Ceratocone e a importância do diagnóstico precoce https://spsp.org.br/ceratocone-e-a-importancia-do-diagnostico-precoce/ Mon, 11 Nov 2024 17:57:36 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48891 O Dia Mundial do Ceratocone, 10 de novembro, é um alerta importante sobre essa doença, que atinge a córnea do portador, alterando a sua forma. A córnea é uma estrutura transparente]]>

O Dia Mundial do Ceratocone, 10 de novembro, é um alerta importante sobre essa doença, que atinge a córnea do portador, alterando a sua forma. A córnea é uma estrutura transparente, localizada na parte anterior do globo ocular, ou seja, na frente do olho. Trata-se de um tecido fino, delicado e transparente, que nos permite ou não enxergar com nitidez.

A doença ocular ceratocone causa uma alteração progressiva no formato da córnea, alterando a sua anatomia e provocando distorções na visão. Progressivamente, a visão da criança pode ir diminuindo sem mesmo apresentar algum sinal externo ou sem haver qualquer queixa por parte da criança.

Sua principal característica é a redução progressiva na espessura da parte central da córnea, que é empurrada para frente, formando uma saliência com o formato aproximado de um cone – e é por causa de seu formato que a patologia recebeu o nome de ceratocone.

Nos estágios mais avançados da doença, a córnea pode começar a esbranquiçar e a visão do portador de ceratocone diminui consideravelmente, podendo também ocorrer dor ocular aguda. Por isso, é de fundamental importância determinar um diagnóstico precoce, uma vez que as crianças podem também ser afetadas por essa patologia.

Os sintomas do ceratocone incluem:

  • Visão turva
  • Mudanças frequentes no grau dos óculos ou lentes de contato
  • Sensibilidade à luz
  • Visão dupla
  • Visão distorcida
  • Comprometimento da visão noturna

São inúmeras as causas do ceratocone e ainda não muito bem determinadas, mas sabemos que o fator genético é uma delas, e a doença pode ocorrer sem que haja qualquer sinal. Contudo, existe uma correlação grande do ceratocone com as crianças que são muito alérgicas. Em muitos casos, a alergia ocular pode predispor ao aparecimento do ceratocone, sendo muito importante, nessas situações, um tratamento rápido e eficaz, pois coçar os olhos, principalmente apertando-os com os dedos ou com o dorso da mão, ocasiona muitos danos à córnea, podendo levar a essa doença ocular.

Dessa forma, é preciso evitar que a criança coce os olhos – coçar o olho não é permitido! Existem formas de tratamentos, como colírios, para que o prurido e a coceira diminuam, evitando, assim, que a criança fique esfregando os olhos. Este alerta quanto à alergia ocular é muito importante, pois a doença pode acometer crianças com apenas cinco anos de idade ou até mesmo menores, e essa fase da vida é muito delicada, pois é o período de formação do desenvolvimento visual da criança.

Se o ceratocone ocorrer nessa idade, os danos à visão podem ser irreversíveis; por isso, em casos de alergia ocular dos filhos, é fundamental que os pais procurem o pediatra ou mesmo o oftalmologista pediátrico. E para o caso do ceratocone já estar instalado, dispomos, atualmente, de tratamentos bastante modernos, que podem evitar a progressão da doença.

São procedimentos oftalmológicos que trazem bons resultados se aplicados no momento correto. No início, o ceratocone pode ser tratado apenas com o uso de óculos ou lentes de contato para que a visão seja melhorada. Os casos avançados e extremos podem exigir um transplante de córnea, por isso a importância da detecção e tratamento da doença o mais precocemente possível.

 

Relatora:
Marcia Beatriz Tartarella
Membro do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Internacional da Conscientização do Albinismo https://spsp.org.br/dia-internacional-da-conscientizacao-do-albinismo/ Thu, 13 Jun 2024 15:45:30 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46634 O albinismo é uma condição genética, congênita, rara, que se caracteriza pela ausência total ou parcial da pigmentação da pele, dos pelos e olhos. Sua incidência é de 1:20.000 nasci]]>

O albinismo é uma condição genética, congênita, rara, que se caracteriza pela ausência total ou parcial da pigmentação da pele, dos pelos e olhos.

Sua incidência é de 1:20.000 nascidos vivos, portanto considerada uma doença rara.

De uma maneira geral, o albinismo ocorre em consequência a uma alteração na enzima tirosinase envolvida na produção de melanina. Mais profundamente, existem 19 genes envolvidos no albinismo e, em cada um desses genes, diferentes mutações podem ocorrer, determinando, desse modo, diferentes manifestações clínicas. Assim, temos um espectro clínico do albinismo que pode variar muito de uma pessoa para outra.

A melanina se distribui por todo o corpo, dando cor amarronzada de nossas peles, confere proteção à pele, cabelos, pelos e coloração à íris dos olhos. Além do que, a melanina funciona como agente protetor contra os raios ultravioleta do sol.

Tipos de albinismo 

  1. Oculocutâneo (completo/total) – em que há o acometimento da pele- olhos-pelos.
  2. Ocular – somente os olhos sofrem da despigmentação; e os problemas de visão são mais graves; no albinismo ocular, a cor da íris pode variar de azul a verde e, em alguns casos, castanho-claro.

 As complicações nos preocupam no albinismo e merecem atenção redobrada:

câncer de pele, deficiência visual severa, queimaduras solares, hipovitaminose D. 

O albinismo é associado com um número de alterações oftalmológicas, como: erros de refração, tais quais astigmatismo, estrabismo, miopia, hipermetropia, além de fotofobia, nistagmo, baixa visão. 

Todos os indivíduos albinos terão algum grau de comprometimento visual provocado pela falta de melanina, que é muito importante para a preservação da função do nervo óptico e desenvolvimento da visão. Essas modificações da estrutura e do funcionamento ocular é que desencadeiam os problemas visuais.

A falta de pigmentação da pele faz com que o organismo fique mais suscetível a queimaduras solares e cânceres de pele.

A exposição ao sol não produz o bronzeamento e acaba por causar queimaduras de graus variados.

Assim, muitos albinos preferem a noite para desenvolvimento de suas atividades, daí o nome filhos da lua. Muitos indivíduos albinos sofrem dificuldades de adaptação social e emocional.

Muitos casos de albinismo são diagnosticados nos primeiros dias de vida, levando em conta as alterações na pigmentação da pele, dos cabelos, cílios e sobrancelhas. No entanto, o exame oftalmológico minucioso é o instrumento mais importante para o diagnóstico clínico do albinismo.

Porém, não podemos esquecer dos exames genéticos moleculares, que podem ser requisitados a fim de determinar as mutações e estabelecer os diagnósticos diferenciais e aconselhamento genético.

Por isso é indicada a pesquisa molecular para definição exata do tipo de mutação. No entanto, esse exame não está disponível no sistema público de saúde brasileiro por enquanto.

Em resumo, o diagnóstico genético é de fundamental importância na abordagem dos pacientes albinos. Por meio da pesquisa molecular poderemos realizar a classificação dos subtipos, o que não é possível unicamente pela avaliação clínica fenotípica diagnosticar os casos não evidentes clinicamente, promover aconselhamento genético adequado e identificar as formas sindrômicas.

Os recursos terapêuticos recomendados na infância e ao longo da vida são vários:

1 – Uso de lentes corretivas

2 – Tampões e óculos para corrigir o estrabismo;

3 – Óculos escuros com proteção UV para controle da fotofobia e para proteger a retina dos raios ultravioleta;

4 – Existem lentes especiais que escurecem à medida que a claridade aumenta, que podem ser muito úteis no dia a dia dos albinos;

5 – O acompanhamento por um oftalmologista e dermatologista é mandatório e deve ser iniciado precocemente;

6 – Pelo menos uma vez por ano, a pessoa albina deve passar pela avaliação de um dermatologista, mas os cuidados com a pele precisam ser permanentes; 

7 – É fundamental evitar a exposição solar, especialmente entre 10 e 16 horas;

8 – Usar protetor solar (no mínimo FPS 30), que deve ser reaplicado (a cada 2 horas), várias vezes por dia, mesmo nos dias nublados;

9 – Uso de roupas com proteção UV;

10 – A suplementação de vitamina D é necessária.

 

O albinismo não é contagioso, não compromete o desenvolvimento físico ou intelectual desses indivíduos. Infelizmente, muitos são cercados de mitos e preconceitos que têm impacto negativo sobre sua autoestima e sociabilidade.

 

Por isso, é preciso que a criança albina desde pequena aprenda:

  • A cuidar do próprio corpo, evitando a exposição ao sol e usando protetor solar o tempo todo;
  • A lidar com os desafios que pode enfrentar nos relacionamentos;
  • A desenvolver habilidades que a ajudem a superar a deficiência visual. Por exemplo, sentar-se nas carteiras da frente da sala de aula, longe de focos de luz muito fortes, usar lupas para aumentar o tamanho das letras, são estratégias que revertem em benefício do aluno e em seu rendimento escolar.

 O albinismo é hereditário, e transmite-se de duas formas distintas:

  1. Autossômica recessiva;
  2. Autossômica dominante.

Assim, o aconselhamento genético e evitar casamento consanguíneo é importante.

Apesar de não termos cura, o acompanhamento clínico já está bem estabilizado, e trabalhar preventivamente, rastreando as patologias que podem vir a aparecer com maior frequência, é a base desse acompanhamento.

Ainda atualmente, especialmente em países africanos, existem casos de albinos sendo mortos e seus corpos usados em rituais. Outro sério problema é a falsa crença de que relações sexuais com uma mulher albina iriam curar a Aids, crença essa que acarreta estupros e, consequentemente, infecções de HIV.

Lembrando que dia 13/6 é o Dia Internacional da Conscientização do Albinismo e este texto traz luz às questões de preconceito, cuidados e a luta em disseminar informações sérias referentes ao albinismo.

 

Relatora:
Patrícia Salmona
Pediatra e Geneticista Clínica
Secretária do Departamento Científico de Genética da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Baixa visão ou deficiência visual na criança https://spsp.org.br/baixa-visao-ou-deficiencia-visual-na-crianca/ Wed, 13 Dec 2023 18:16:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42195 O Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual, comemorado em 13 de dezembro, foi criado com o intuito de combater o preconceito e a discriminação, além de]]>

O Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual, comemorado em 13 de dezembro, foi criado com o intuito de combater o preconceito e a discriminação, além de buscar a garantia de direitos e a inclusão das pessoas com deficiência visual na sociedade. Antes chamado de o “Dia do Cego”, sua nomenclatura foi modificada, uma vez que a deficiência visual não se trata apenas de cegueira, mas também de baixa visão.

E o que é uma baixa visão?

É uma visão reduzida que não pode ser corrigida com óculos convencionais, lentes de contato, medicação ou cirurgia.

Muitas vezes pode ser tratada ou minimizada, daí a importância da avaliação precoce.

Quando não há alterações no período gestacional, parto ou pós-parto é recomendada avaliação oftalmológica por volta dos seis meses de vida, mas quando há indicação é realizada muitas vezes já na maternidade, com exames de fundo de olho.

O que pode levar à baixa visão?

Alterações genéticas (como por exemplo glaucoma congênito, catarata congênita, atrofia do nervo óptico ou da retina), infecções congênitas (infecções durante a gestação, como citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola), falta de oxigenação ao nascer (quando o bebê demora para respirar ao nascimento), uso de substâncias tóxicas, complicações durante o parto (partos demorados ou traumas), prematuridade ou alterações pós-nascimento (meningites, acidentes com traumatismo craniano, afogamentos, parada cardiorrespiratória, convulsões prolongadas).

Normalmente, quando o paciente é portador de baixa visão, a avaliação e o acompanhamento deverão ser multidisciplinares (oftalmologista, pediatra, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, ortoptista, psicólogo, pedagogo).

O tratamento poderá ser feito com uso de óculos especiais, auxílios ópticos (lupas e telelupas), tampão quando houver estrabismo ou ambliopia (olho preguiçoso), estimulação visual e sensorial, cirurgias (catarata congênita, glaucoma congênito, alterações corneanas, estrabismos), biofeedback (quando houver alterações no campo visual, nistagmo (são movimentos involuntários e repetitivos dos olhos) com posições anômalas da cabeça.

Avaliação precoce para o melhor tratamento, acompanhamento, habilitação e inclusão são fundamentais para o total desenvolvimento da criança com deficiência visual.

 

Relatoras:
Nilce Kamida
Márcia Keiko Tabuse
Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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