Ocular – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 13 Nov 2024 19:06:51 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Ocular – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Ceratocone e a importância do diagnóstico precoce https://spsp.org.br/ceratocone-e-a-importancia-do-diagnostico-precoce/ Mon, 11 Nov 2024 17:57:36 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48891 O Dia Mundial do Ceratocone, 10 de novembro, é um alerta importante sobre essa doença, que atinge a córnea do portador, alterando a sua forma. A córnea é uma estrutura transparente]]>

O Dia Mundial do Ceratocone, 10 de novembro, é um alerta importante sobre essa doença, que atinge a córnea do portador, alterando a sua forma. A córnea é uma estrutura transparente, localizada na parte anterior do globo ocular, ou seja, na frente do olho. Trata-se de um tecido fino, delicado e transparente, que nos permite ou não enxergar com nitidez.

A doença ocular ceratocone causa uma alteração progressiva no formato da córnea, alterando a sua anatomia e provocando distorções na visão. Progressivamente, a visão da criança pode ir diminuindo sem mesmo apresentar algum sinal externo ou sem haver qualquer queixa por parte da criança.

Sua principal característica é a redução progressiva na espessura da parte central da córnea, que é empurrada para frente, formando uma saliência com o formato aproximado de um cone – e é por causa de seu formato que a patologia recebeu o nome de ceratocone.

Nos estágios mais avançados da doença, a córnea pode começar a esbranquiçar e a visão do portador de ceratocone diminui consideravelmente, podendo também ocorrer dor ocular aguda. Por isso, é de fundamental importância determinar um diagnóstico precoce, uma vez que as crianças podem também ser afetadas por essa patologia.

Os sintomas do ceratocone incluem:

  • Visão turva
  • Mudanças frequentes no grau dos óculos ou lentes de contato
  • Sensibilidade à luz
  • Visão dupla
  • Visão distorcida
  • Comprometimento da visão noturna

São inúmeras as causas do ceratocone e ainda não muito bem determinadas, mas sabemos que o fator genético é uma delas, e a doença pode ocorrer sem que haja qualquer sinal. Contudo, existe uma correlação grande do ceratocone com as crianças que são muito alérgicas. Em muitos casos, a alergia ocular pode predispor ao aparecimento do ceratocone, sendo muito importante, nessas situações, um tratamento rápido e eficaz, pois coçar os olhos, principalmente apertando-os com os dedos ou com o dorso da mão, ocasiona muitos danos à córnea, podendo levar a essa doença ocular.

Dessa forma, é preciso evitar que a criança coce os olhos – coçar o olho não é permitido! Existem formas de tratamentos, como colírios, para que o prurido e a coceira diminuam, evitando, assim, que a criança fique esfregando os olhos. Este alerta quanto à alergia ocular é muito importante, pois a doença pode acometer crianças com apenas cinco anos de idade ou até mesmo menores, e essa fase da vida é muito delicada, pois é o período de formação do desenvolvimento visual da criança.

Se o ceratocone ocorrer nessa idade, os danos à visão podem ser irreversíveis; por isso, em casos de alergia ocular dos filhos, é fundamental que os pais procurem o pediatra ou mesmo o oftalmologista pediátrico. E para o caso do ceratocone já estar instalado, dispomos, atualmente, de tratamentos bastante modernos, que podem evitar a progressão da doença.

São procedimentos oftalmológicos que trazem bons resultados se aplicados no momento correto. No início, o ceratocone pode ser tratado apenas com o uso de óculos ou lentes de contato para que a visão seja melhorada. Os casos avançados e extremos podem exigir um transplante de córnea, por isso a importância da detecção e tratamento da doença o mais precocemente possível.

 

Relatora:
Marcia Beatriz Tartarella
Membro do Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma https://spsp.org.br/dia-nacional-de-conscientizacao-e-incentivo-ao-diagnostico-precoce-do-retinoblastoma/ Wed, 18 Sep 2024 14:10:27 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48039 Comemorado em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído pela Lei ]]>

Comemorado em 18 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma foi instituído pela Lei nº 12.637/2012.

O retinoblastoma é um tumor embrionário raro que se origina na retina, sendo o tumor maligno intraocular mais frequente encontrado nas crianças, na faixa etária de 0 a 5 anos de idade. Não existe diferença nas taxas de ocorrência entre o sexo feminino e o masculino, entre raças ou entre o olho direito e o esquerdo.

O reflexo ocular normal é vermelho; quando é visto branco, é chamado de leucocoria (leukos: branco, kore: pupila). A doença pode acometer um olho (60% dos casos) ou os dois olhos (40% dos casos).

Algumas outras doenças oculares pediátricas se apresentam com leucocoria, entre elas: catarata, uveíte e retinopatia da prematuridade.

O sinal mais frequente do retinoblastoma é a leucocoria, acometendo até 60% dos casos. Outro sinal é o desvio ocular (estrabismo). Toda criança com leucocoria e estrabismo deve ser encaminhada para avaliação oftalmológica.

O diagnóstico é feito quando se suspeita de retinoblastoma:

  1. Exame de fundo de olho sob anestesia, examinando minuciosamente os dois olhos.
  2. Ressonância nuclear magnética (RNM) de crânio e órbita, muito importante para a avaliação do comprometimento fora do olho, além de ser útil no diagnóstico diferencial entre retinoblastoma e outras doenças oculares.

O tratamento do retinoblastoma é realizado por cirurgia e ou quimioterapia. O planejamento é individualizado e devemos levar em consideração a idade do paciente, se é unilateral ou bilateral, extensão e localização da doença.

Lesões iniciais são mais facilmente tratadas e isto resulta em uma taxa maior de cura com preservação do globo ocular e da visão. O diagnóstico precoce do retinoblastoma é fundamental para diminuir o número de sequelas e mortes pela doença.

Com o objetivo de conscientizar a população e os médicos sobre a importância do diagnóstico precoce do retinoblastoma e da saúde ocular na infância, os jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin Leifert criaram a campanha DE OLHO NOS OHINHOS, que desde 2022 impactou milhões de pessoas.

 A campanha tem o apoio de muitas entidades médicas do Brasil. Neste ano, no dia 21 de setembro, a campanha de conscientização estará presente em mais de 50 cidades brasileiras e convidamos todos a participar.

 

Relatora:

Carla Renata Donato Macedo
Membro do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: Arquivo pessoal Dra. Carla Renata Donato Macedo (imagem de paciente com retinoblastoma com presença do reflexo branco pupilar – leucocoria – em olho esquerdo)

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Glaucoma congênito e a importância da triagem oftalmológica em recém-nascidos https://spsp.org.br/glaucoma-congenito-e-a-importancia-da-triagem-oftalmologica-em-recem-nascidos/ Fri, 26 May 2023 15:51:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37576 Todo bebê deve ser avaliado para se detectar o glaucoma congênito. Esta condição rara, mas potencialmente gra]]>

Todo bebê deve ser avaliado para se detectar o glaucoma congênito. Esta condição rara, mas potencialmente grave, ocorre quando o olho não se desenvolve normalmente e a pressão dentro do olho aumenta, danificando o nervo óptico. Se não tratado a tempo, o glaucoma congênito pode levar à cegueira. Por isso, é importante que os bebês sejam examinados para se detectar o glaucoma congênito o mais cedo possível.

O glaucoma congênito é uma doença ocular grave, que muitas vezes é assintomático, ou seja, os sintomas podem não ser perceptíveis, tornando mais difícil seu diagnóstico, especialmente em recém-nascidos, que geralmente se desenvolve durante o período pré-natal ou no nascimento.

Estima-se que aproximadamente 1 em cada 5.000 crianças nascidas nos EUA tenham glaucoma congênito. A triagem oftalmológica é muito importante e é a melhor maneira para se detectar precocemente o glaucoma congênito e iniciar o tratamento adequado, logo sendo mais eficaz.

Essa triagem deve ser realizada logo após o nascimento, pois pode detectar precocemente qualquer problema ocular, evitando a perda da visão. E pode ser realizada por um médico oftalmologista ou um pediatra.

O que é o glaucoma congênito?

O glaucoma congênito é uma doença ocular rara, que afeta bebês e crianças pequenas.

Essa condição ocorre quando o olho não se desenvolve normalmente, resultando em um aumento na pressão dentro do olho, ou seja, é caracterizado pelo aumento da pressão intraocular, que pode levar a lesão do nervo óptico e à perda permanente da visão.

O glaucoma congênito ocorre quando o fluxo de líquido (chamado humor aquoso) que é produzido na parte anterior do olho não flui para fora corretamente através do sistema de drenagem para manter a pressão intraocular adequada. No entanto, em bebês com glaucoma congênito, o sistema de drenagem não se desenvolveu corretamente, o que leva a um acúmulo de fluido e aumento da pressão intraocular.

Se não tratado, isso pode levar a danos irreversíveis às células nervosas na parte posterior do olho (chamada retina) e à perda permanente da visão.

O glaucoma congênito é responsável por cerca de 1 a 2 casos de cegueira congênita em cada 10.000 nascimentos.

Quais são os sintomas do glaucoma congênito?
O glaucoma congênito geralmente não apresenta sintomas, e por isso é importante que os recém-nascidos sejam avaliados para se detectar a doença precocemente.

Se os sintomas estiverem presentes, eles podem incluir lacrimejamento excessivo, sensibilidade à luz, vermelhidão e aumento do tamanho do globo ocular; além disso, olhos vermelhos, inchaço e dor ao toque ou movimento dos olhos.

À medida que a pressão intraocular aumenta, a visão da criança pode ficar embaçada ou distorcida, e a córnea pode ficar embaçada ou opaca.

Como é detectado?

A triagem oftalmológica é a melhor maneira de detectar o glaucoma congênito.

Nessa triagem, os profissionais de saúde olham para o olho do bebê para avaliar se o olho está em boas condições.

Se o olho apresentar algum sinal de glaucoma, o bebê deve ser encaminhado para um oftalmologista para exames oftalmológicos completos, incluindo medição da pressão intraocular e avaliação do nervo óptico.

Quais são os tratamentos?

O tratamento do glaucoma congênito é baseado na causa subjacente.

Se a causa for desconhecida, o oftalmologista pode optar por abordagens cirúrgicas ou medicamentosas para melhorar o sistema de drenagem ou remover parte do tecido do olho para reduzir a pressão.

Se o glaucoma congênito for causado por uma anomalia congênita, o tratamento pode incluir cirurgia reconstrutiva.

É importante lembrar que quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhores serão os resultados do tratamento. O tratamento precoce é fundamental para evitar danos permanentes à visão.

Por isso, é importante que os bebês sejam submetidos à triagem oftalmológica o mais cedo possível (nos primeiros meses de vida), para se detectar o glaucoma congênito antes que possa causar danos aos olhos.

Conclusão

O glaucoma congênito é uma condição ocular grave, que pode levar à cegueira se não tratado a tempo. Embora seja uma condição rara, é importante estar ciente dos sintomas e procurar ajuda médica imediatamente se houver suspeita de um problema ocular em um bebê ou criança pequena.

 Por isso, é importante que os bebês sejam examinados para detectar o glaucoma congênito o mais cedo possível. A triagem oftalmológica é a melhor maneira de detectar esta condição.

Se o glaucoma congênito for detectado precocemente, o tratamento pode ser mais eficaz e ajudar a preservar a visão e melhorar a qualidade de vida da criança.

 

Relator:
Marcelo Alexandre A. C. Costa
Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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