Novo coronavírus – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 12 May 2021 17:25:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Novo coronavírus – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Retomada segura das escolas https://spsp.org.br/retomada-segura-das-escolas/ Fri, 24 Jul 2020 15:36:32 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3325 Alguns países, confiando em dados encorajadores, embora escassos, começaram em abril a reabrir as escolas: a Dinamarca foi o primeiro, a partir do dia 15, seguida de outros países europeus, Austrália e Canadá ainda em maio.
Na China, a abertura das escolas aconteceu quatro meses após o fechamento, começou pelos estudantes de ensino médio e depois se estendeu ao ensino infantil, fundamental e até superior.
Na França, uma semana após recomeçarem as aulas de forma gradual, começando pelas pré-escolas, ensino fundamental e depois ensino médio, 70 escolas precisaram ser novamente fechadas, devido ao surgimento de novos casos, envolvendo seus membros. Na Coreia do Sul, a volta às aulas começou pelo último ano do ensino médio (com alunos que farão vestibular este ano) e para os outros de forma gradual nas semanas seguintes, porém, poucos dias após a abertura, 200 instituições precisaram ser fechadas por terem surgido mais casos e mais medidas restritivas foram adotadas.


Em alguns destes países existe a norma de que, caso haja um caso confirmado na escola, o aluno infectado ficará afastado da instituição por até três dias após o desaparecimento dos sintomas e a turma dele ficará afastada 10 dias no total. 
Mas o que está claro é que a volta às aulas deve ser gradual em cada país e demanda planejamento, que passa por duas questões importantes: priorizar os mais novos (para os pais voltarem ao trabalho) e os jovens do ensino médio (por conta dos processos seletivos).
Em 10 de julho, o governo de Hong Kong ordenou o fechamento de todas as escolas a partir de 13/07, antecipando o início das férias de verão, por um “aumento exponencial” de casos locais de COVID-19.

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Recomendações importantes

Desinfecção de escolas: com medidas extras de limpeza, desinfecção antes e durante a permanência dos alunos, incluindo superfícies e equipamentos. Há até a recomendação (impossível!) de uso restrito de instalações sanitárias. 
Uso de máscaras: varia para cada país; na China, as crianças utilizam o tempo todo; em Israel, as crianças da 4ª série em diante têm que usar; enquanto na França, as crianças menores foram dispensadas do uso. A exceção é a Dinamarca, onde não se usa máscara em ambientes públicos. Lembrar que dispositivos tipo Face Shield são ineficazes em tempo de exposição moderado a longo.
Controle de temperatura: na China e na Coreia do Sul, os estudantes passam por checagem sistemática da temperatura corporal. Em Pequim, pulseiras inteligentes estão sendo testadas, para aferição em tempo real. Os pais monitoram por meio de aplicativo e, se a temperatura ultrapassar 37ºC, um alerta é enviado para os professores, que são orientados a comunicar a polícia.Cuidado deve ser tomado para evitar a discriminação dos alunos.
Horários diferentes de entrada e saída: Portugal, Finlândia e Israel organizaram os alunos em grupos, para terem horários de aula, intervalos, períodos de alimentação, entrada e saída diferentes entre si. Na Dinamarca, além do citado acima, diferentes portões são utilizados para que a entrada e saída dos grupos não coincidam. E o fluxo de alunos na escola deverá, se possível, ser contínuo.
Higienização das mãos: a lavagem das mãos é exigida em todos os países, em alguns a cada duas horas. Além disso, adotaram outras medidas, como: disponibilização de álcool em gel nas entradas, de antissépticos e desinfetantes, EPIs, sabonete líquido, toalhas de mão nos banheiros e máscaras cirúrgicas.
Grupos menores de alunos: alguns países, como Finlândia e Dinamarca, adotaram esta medida e as escolas de Seul poderão receber apenas um aluno a cada três, os demais terão que seguir com o ensino a distância.
Distanciamento: em geral, as salas de aula foram reorganizadas de maneira que as mesas dos alunos tenham pelo menos um metro de distância entre si (França e Dinamarca). Em Israel essa distância é de dois metros e na Dinamarca o professor deve ficar a dois metros do estudante que senta mais próximo dele. Na Coreia do Sul foram instaladas paredes acrílicas entre os estudantes e destes com os professores. Outras medidas são: fazer marcações no chão, cantinas e refeitórios fechados, almoço e merenda dentro da sala de aula com comida embalada.
Arejar as salas: manter as janelas abertas antes das aulas, durante o intervalo, depois da saída dos alunos e, quando possível, fazer as aulas em locais abertos e ambientes com ventilação natural.
Afastar professores do grupo de risco: em Israel, professores com mais de 65 anos não retomaram as atividades. 
Tendas de desinfecção na entrada: instaladas na China.
Ensino híbrido: com aulas presenciais e online alternadas para todos os estudantes.
Proibições: da entrada dos pais na escola, de reuniões de professores, de excursões e competições, de brinquedos trazidos de casa, do compartilhamento de objetos e de lanches.

E temos que pensar que:

• Vai ser muito difícil que crianças entre dois e cinco anos mantenham as máscaras em seu rosto o dia todo. Provavelmente vão removê-las, trocar de máscara com os coleguinhas, descobrir o nariz, tocar no rosto, mudar a máscara de posição e se contaminar neste processo. 
• Embora relativamente poupadas nesta pandemia, as crianças são possíveis vetores de disseminação para outras crianças e adultos, além de a propensão de colocar coisas na boca poder aumentar muito o risco de propagação da doença.
• O papel das crianças na pandemia ainda é desconhecido, mas as creches e escolas precisam considerar as necessidades dos pais que dependem dos cuidados infantis para poder trabalhar.
• O risco que correm os funcionários destas instituições? Ainda é desconhecido, mas a situação financeira deles não pode ser esquecida!
• O Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano publicou orientações em abril. Entre elas vale ressaltar: medir a temperatura das crianças todos os dias após a chegada (provavelmente enquanto os funcionários estão usando EPI), não usar brinquedos que não possam ser higienizados e maiores de dois anos devem usar máscara de pano. Algumas medidas são impossíveis de serem adotadas, como troca de luvas para medir a temperatura de cada criança na entrada.
• Como garantir que os cuidadores de crianças pequenas lavem os braços e mãos e troquem de roupa a cada vez que manipularem uma criança e tomarem uma cusparada, “babada”, tossida, espirrada, etc? 

Decidindo sobre a reabertura 

Segundo o “Vozes da Educação”, antes de tomar a decisão de reabrir as escolas, governos e gestores escolares, em conjunto, devem avaliar algumas questões essenciais, como: 

  1. O ensino presencial é essencial para aquela comunidade?
  2. Qual a disponibilidade e acessibilidade de ferramentas de qualidade de ensino a distância naquela comunidade?
  3. Por quanto tempo o ensino a distância será sustentável?
  4. Professores e demais profissionais da educação estão preparados para voltar a trabalhar presencialmente, acatando regras sanitárias, administrativas e pedagógicas?
  5. O fechamento das escolas aumentou a vulnerabilidade de alguns estudantes sofrerem violência doméstica e sexual?
  6. O fechamento das escolas comprometeu o fornecimento de serviços como saúde e alimentação?
  7. Como está o cenário de contaminação da região em que se localiza a escola?
  8. As escolas possuem capacidade (financeira, administrativa, logística) de adotar e manter as medidas de segurança necessárias para o combate ao vírus, como distanciamento social e reforço nos hábitos de higiene?

Essas análises podem ajudar os governos e os gestores a determinar quais devem reabrir, quais séries devem retornar primeiro e/ou se vai haver aulas todos os dias, por exemplo.
Aqui no Brasil, a necessidade de repensar a vida escolar a partir de agora deveria estar ancorada em várias questões:
As imensasdesigualdades sociais e de educação que vivemos muito antes da eclosão desta pandemia. 
• As funções da escola, de prover a única refeição decente diária de muitas crianças. Lembramos que para uma parcela significativa dos alunos a refeição na escola é a maior fonte de calorias e nutrientes.
• Alunos mais desfavorecidos são mais afetados: em casa sem acesso a computador, Internet e local para estudar, além da falta de saneamento básico e água encanada.
• Será que a escola está proporcionando a educação a distância (EAD) ideal para TODOS os alunos? O aprendizado está adequado? E na retomada, como será a avaliação do conteúdo passado durante a quarentena? 
• A ONG “Todos Pela Educação” tem feito debates para discutir a volta às aulas, sendo consenso geral que é preciso escutar os professores.
• A questão dos alunos com necessidades especiais: segundo o Instituto Rodrigo Mendes, aulas em vídeo na Internet são o caminho certo para a exclusão e neste modelo de ensino precisa-se identificar as barreiras para o aprendizado, promover acessibilidade, garantir a segurança e máscaras transparentes para os intérpretes de Libras.
Este momento pode ser aproveitado para a implantação da Educação em Saúde, como tema transversal no currículo, mas que raramente é abordado em sala de aula como deveria ser feito. Um caminho seria a aproximação de pediatras e profissionais da área da saúde com os pais e as equipes escolares.
Cabe a todos nós contribuir para que a retomada ocorra em segurança e que as escolas envolvam seus protagonistas principais: professores, alunos e suas famílias. Nesta situação na qual não se sabe quase nada a respeito deste vírus e seus riscos, vai ser muito difícil – mas não impossível – decidir sobre as melhores práticas para as instituições de educação.

Leia mais:

1- Vozes da Educação. Educação e coronavírus. Reabertura das Escolas. Parte 1. Disponível em: https://www.institutounibanco.org.br/wp-content/uploads/2020/05/Reabertura-das-escolas-Parte-1.pdf
2- Todos pela Educação. Nota técnica: o retorno às aulas presenciais no contexto da pandemia da COVID-19. Maio 2020. Disponível em: https://www.todospelaeducacao.org.br/_uploads/_posts/433.pdf?119411076
3- Instituto Rodrigo Mendes. Protocolos para educação inclusiva durante a pandemia da COVID-19. Um sobrevoo por 23 países e organismos internacionais. Disponível em: https://institutorodrigomendes.org.br/wp-content/uploads/2020/07/protocolos-educacao-inclusiva-durante-pandemia.pdf
4- Graziela Balardim. Retomada das aulas no mundo: veja as medidas que estão sendo tomadas pelas escolas que já reabriram em outros países. Disponível em: https://www.clipescola.com/retomada-das-aulas-no-mundo/

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Relatores:
Renata D. Waksman
Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Departamento de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Fausto Flor Carvalho
Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Sabe quais são as semelhanças entre a pandemia do coronavírus e a endemia das drogas? https://spsp.org.br/sabe-quais-sao-as-semelhancas-entre-a-pandemia-do-coronavirus-e-a-endemia-das-drogas/ Fri, 24 Jul 2020 14:40:22 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3319 Observando como as pessoas estão tratando o problema da COVID-19, achei muitas semelhanças com a luta contra as drogas lícitas (álcool e tabaco) e ilícitas também.

1.  Muitos não acreditam que há realmente uma doença que está matando muitos no mundo todo, apesar de o Brasil ser responsável por aproximadamente 13% das mortes mundiais. A semelhança é que muitos não acreditam que as drogas também são responsáveis por destruição de vidas no Brasil e no mundo e se entregam a elas com muita facilidade.

2. Ainda se vê muita gente sem máscaras e nem um pouco preocupada com o distanciamento entre as pessoas, vide a abertura dos bares no Rio de Janeiro. A semelhança é que também se vê uso de drogas recreacionais, esporádicas, aos finais de semana, aumentando a chance de se ter dependência, partindo para o uso nocivo.

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3.  A COVID-19 abre portas para as doenças crônicas matarem o indivíduo (hipertensão, diabetes, asma) e as drogas lícitas abrem portas para as drogas ilícitas.

4. Presenciei, no início da implantação da Lei ambiente fechado livre do tabaco (2009), uma gestante pedir para o senhor da mesa do lado apagar o cigarro e ele não o fez, ela saiu do restaurante e ele fez questão de apagar o seu cigarro no café que ela havia deixado na mesa, como ato de agressão. Para me afastar de uma conhecida que estava andando sem máscara, eu atravessei a rua e fui para a calçada em frente, ela me respondeu: “eu não mordo!” e eu pensei: “não morde, mas transmite vírus”. As pessoas não pensam nesta possibilidade.

5. Obviamente, muitos não vão se prevenir adequadamente, não vão se infectar ou terão a forma leve da doença e vão achar que tudo era besteira, esquecendo-se do número de doentes e mortos que tivemos. A semelhança com as drogas é que muitos vão usá-las e vão sentir prazer, esquecendo-se daqueles que se tornarão alcoólatras, que desenvolverão surtos psicóticos, ficarão esquizofrênicos ou serão “mortos vivos”.

6. Sabemos que enquanto não tivermos pelo menos uma vacina, a prevenção é a única saída. Com a droga a prevenção é a primeira saída, já que poucos conseguem largá-la sem ter consequências e sequelas.

O aconselhamento breve, um bate papo frequente de orientação são as máscaras e isolamento contra a droga. Gastemos tempo com nossas famílias, pois esta é a vacina para a prevenção das drogas. Não menosprezem o poder viciante delas, inclusive das drogas lícitas e da maconha, que pode causar lesões cerebrais irreversíveis. Mudem seus hábitos, diminuam o consumo de bebida alcoólica em sua casa, parem de fumar e deem o exemplo.

A COVID-19 vai passar, mas a questão de álcool e outras drogas vai continuar destruindo lares. Pensemos nisto com carinho. A prioridade atual é esta pandemia, mas há outras questões também, que não podem ser esquecidas.

Quer ajudar na prevenção do uso e consumo de álcool e outras drogas?  Acesse o site www.drbarto.com.br.

Ali está o que você pode fazer. Um grande abraço a todos.

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Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Coordenador do Grupo de Trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) chora em apelo contra a COVID-19: “Por que é tão difícil para os humanos se unirem?” https://spsp.org.br/diretor-da-organizacao-mundial-da-saude-oms-chora-em-apelo-contra-a-covid-19-por-que-e-tao-dificil-para-os-humanos-se-unirem/ Tue, 21 Jul 2020 12:54:26 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3311 Com 12 milhões de pessoas contaminadas pela COVID-19 e 550 mil mortos no planeta até o dia 9 de julho, o diretor da OMS fez um apelo emocionado ao mundo.  Tedros Adhanom Ghebreyesus chorou por estar vivendo um estresse muito grande. A pandemia do novo coronavírus segue fora de controle e, em prantos, pediu unidade para a humanidade, dias depois de os Estados Unidos entrarem com pedido formal de saída da OMS: “A grande ameaça que enfrentamos agora não é o vírus em si, mas a ameaça é a falta de liderança e solidariedade em níveis globais e nacionais”.
Em um discurso emotivo, Tedros Adhanom declarou: “Esta é uma tragédia que está nos fazendo sentir falta de nossos amigos que estão morrendo. E não podemos enfrentar essa pandemia com um mundo dividido”.
O mesmo acontece com as drogas. É um tema frequente, mas as pessoas acabam se acostumando com ele, que passa a ser considerado normal.

michal jarmoluk | pixabay

Tedros Adhanom indagou em seu discurso: “Por que é tão difícil para os humanos se unirem, para lutar contra um inimigo comum?” A pandemia “é uma prova de solidariedade e liderança global” e voltou a pedir a unidade de todos os países. “Isso está matando pessoas de forma indiscriminada. Não podemos ser capazes de identificar um inimigo comum? Não podemos entender que as divisões ou separações entre nós são realmente vantajosas para o vírus? A única maneira é estarmos juntos.”
Além do novo coronavírus, temos o problema das drogas, que é endêmico no Brasil. Vi pessoas chorarem a perda de entes queridos e há um em especial que vai ficar guardado na memória para sempre: jovem de 21 anos saiu de casa terça-feira à noite para colocar gasolina e não retornou. A comunidade o procurou por três dias e só foi encontrá-lo na sexta-feira num necrotério com um tiro na cabeça. Vi o pai deste garoto enterrá-lo no sábado e pregar no domingo em sua Igreja – era o presbítero. Ele disse que continuaria sua peregrinação na terra que era divulgar a palavra de Deus, pois o que faltou para os assassinos de seu filho era o que ele pregava.
Muitas pessoas choram, porque seus parentes estão na Cracolândia de um lado para outro, outros choram de tristeza quando nos procuram, pois o filho está preso ou em surto psicótico e outros também choram, mas de alegria, porque conseguem largar as drogas, quer seja o tabaco, quer seja a cocaína ou o álcool, pois o esforço é muito grande.
O choro de Adhanom ocorreu no momento em que os EUA anunciaram abandonar a OMS. Nosso choro acontece no momento em que o combate às drogas perde espaço para a pandemia e é um pouco esquecido nos noticiários, mas continua contaminando os nossos jovens. Choramos por isso, mas não desistimos de combatê-lo.

Cinco itens são fundamentais para evitarmos estes problemas:

1. Família estar unida e com limites. Limites estão em extinção na humanidade.
2. Ter Espiritualidade é um dos fatores que evita a iniciação precoce do uso de drogas. Não importa qual, mas tem relação com o propósito e sentido para a vida.
3. Manter atividades culturais e esportivas, aliadas a um controle familiar de horário e cobranças foi o que fez diminuir a iniciação no uso de álcool e drogas da juventude na Islândia, projeto este copiado por 20 países.
4. Ter atividades sociais: é muito importante a família ter pelo menos um projeto social e inserir seus filhos. A vida não é só balada. A ajuda ao próximo, principalmente nos dias de hoje, é fundamental.
5. Cultivar boas amizades: onde está seu filho, com quem e fazendo o quê?

Acesse e consulte material a respeito destes assuntos:

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Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Coordenador do Grupo de Trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Como falar com as crianças sobre o coronavírus? https://spsp.org.br/como-falar-com-as-criancas-sobre-o-coronavirus/ Mon, 06 Jul 2020 20:40:46 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3299 Em tempos de pandemia, são levantadas muitas questões sobre o que dizer ou não a uma criança acerca da Covid-19. É natural que surjam dúvidas e ansiedades sobre como abordar um capítulo tão triste da história, o qual não poderemos propositalmente “pular”, tal como fazemos quando queremos proteger os filhos de algo cruel como uma notícia da TV. Afinal, as restrições ao convívio social e até mesmo o comprometimento da saúde de amigos e parentes atingiram diretamente nossas crianças, tornando o assunto incontornável.
Pensei ser interessante contextualizar que os jovens dessa pandemia nasceram em um mundo em que ser feliz e ter qualidade de vida são imperativos que se aplicam à tarefa de tornar os filhos felizes, a qual muitos pais confundem com não frustrar as crianças e elas não aprenderem a tolerar frustrações, como se elas não pudessem suportar contrariedades e percalços inerentes à vida de qualquer ser humano.

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Desde a primeira semana de confinamento da pandemia, foi frequente ouvir nos grupos de WhatsApp de mães e pais de escolas particulares de São Paulo sobre a preocupação a respeito de como ficariam as aulas e o conteúdo que as crianças teriam que cumprir neste ano. Críticas à escola, discussões, ameaças de cancelamentos de matrícula, tudo isso na primeira semana. Quem protegeria as crianças de terem qualquer perda? Quem poderia salvar o ano letivo? De fato, se pensarmos na agenda lotada dessas crianças, parar parece uma tragédia, quase um crime.

Qual o impacto emocional para as crianças?

É evidente que toda essa situação preocupa muito e merece reflexão, porém tão importante quanto o comprometimento da normalidade do dia a dia escolar, é pensar em como essas crianças entenderão a gravidade do que acontece no mundo neste exato momento. Quais impactos emocionais estariam sentindo em suas vidas? Ouvindo os pais em desespero com questões escolares, eu me perguntava se a grande angústia deles, na verdade, não seria a de não poderem suportar esse acidente de percurso nos maiores planos que fizeram aos filhos? Ou por estarem extremamente preocupados com o que farão com seus filhos em casa? Ou ainda suportar lidar com o fato de que agora estamos todos sendo frustrados e mergulhados em uma situação de bastante descontrole que não sabemos como terminará? Esse último elemento que agrega imensa angústia a qualquer um de nós.
Na última semana, ouvi de uma paciente, preocupada a esse respeito e que perguntou ao filho, se ele pudesse estar em qualquer lugar do mundo, onde seria? Ficou tocada com a resposta: “No recreio da minha escola, com meus amigos”. A colocação desse menino me fez pensar que a grande perda para as crianças talvez seja a ausência do outro, do amigo, do abraço, da corrida no pátio, de jogar bola no recreio, da liberdade.
Ainda que a condição mais favorável das classes média e média alta permita aos pais proteger os filhos de boa parte dos sofrimentos derivados da vulnerabilidade econômica e social, invariavelmente sempre existirão dois incontornáveis inimigos: a doença e a morte. São vilões democráticos e que na pandemia chegaram sem pedir licença, atingindo todos os países do mundo de uma única vez. Essa é a notícia que teremos que dar aos nossos filhos e pacientes: estamos diante de algo imponderável, que não poderá ser censurado ou esquecido de forma deliberada, para que todos sigamos sem perdas, como se nada tivesse acontecido.

Esteja atento aos sinais de angústia e necessida de conversar

Se antigamente os velórios eram realizados em casa e as crianças eram parte do cenário inevitável e natural da morte, hoje muitas crianças só entram em contato com ela mais tarde na vida. O fato é que a pandemia chegou e subverterá justamente a forma como morremos e lidamos com a morte. É impossível poupar os jovens de tais notícias. Por outro lado, temos em nossas mãos uma grande oportunidade de observar como cada criança lidará com essa nova realidade. Será importante estarmos atentos aos sinais de angústia, aos sintomas e a necessidade de falar sobre a morte e a doença, que surgirão de qualquer forma, dependendo da faixa etária. Em crianças pequenas, por exemplo, a angústia em seu entorno, característica desse período, pode produzir retrocessos em habilidades consolidadas, como, por exemplo, voltar a fazer xixi na cama e pedir a mamadeira, fatos que podem ser a expressão de toda tensão familiar.
Nesse período, podem aparecer também angústias difusas e escamoteadas e que ganham outras facetas, outros nomes: o medo de ficar sozinho, a necessidade de ficar colado ao pai e/ou a mãe o dia todo, pavor em sair na rua, medo de dormir sozinho, são exemplos que qualquer profissional que cuida de crianças escuta cotidianamente, mas que nas últimas semanas vêm se intensificando. Nesse momento, penso ser importante não silenciar ou distrair as crianças e os jovens, mas ter a coragem e dignidade de atravessar com eles período tão triste.

Na hora de conversar, considere a idade da criança

Evidente que cada criança, dependendo de sua idade, deve ser exposta às notícias de acordo com a possibilidade de compreensão e elaboração da angústia. Com crianças bem pequenas não devemos apresentar as agruras da pandemia, como caixões em fila ou coisas do tipo, e mesmo com as mais velhas devemos preservar certas imagens e situações. Por outro lado, diante das constatações e perguntas das crianças mais velhas sobre desfechos piores, não devemos nos esquivar em dar esse triste dado de realidade. Essa será uma ocasião para mostrarmos a elas como lidar com tanta dor e incerteza e manter a esperança, tarefa que será individual e intransferível. Lidar com tais angústias precocemente nos parece cruel, porém essa experiência pode se traduzir em importante ferramenta para o enfrentamento da frustração e da adversidade. Teremos a oportunidade de refletir sobre como a felicidade é uma aspiração que, em qualquer biografia, estará mesclada à dor e ao sofrimento, que tudo isso faz parte da vida, que capítulos tristes, tal como nas histórias infantis, podem ser parte de uma vida feliz e, que a tristeza e a alegria coexistem o tempo todo. Tirar lições e conclusões sobre os impactos dessa pandemia é impossível, pois ela ainda está viva e faz parte do nosso presente. O que sabemos por ora é que ela nos trouxe medo extremo, uma impotência maior ainda e uma incerteza que por alguns momentos parece engolir toda esperança. Ora, se não sabemos como lidar com todos esses sentimentos e fatos, talvez seja melhor usarmos esse tempo para refletir, observar, aprender, ao invés de, como seres pós-modernos que somos, sairmos concluindo ou cobrando coisas, seja da escola, de nossos filhos e até de nós mesmos. Graças à pandemia, ganhamos uma oportunidade sem precedentes na história recente de ficarmos juntos dos nossos filhos por longos períodos, suportando dividir a dor, o receio, o tédio e os momentos de alegria. Nossas crianças conhecerão novos capítulos felizes se soubermos aguardar, refletir, suportar a angústia, conversar e preservar nossos vínculos solidários. A grande questão é: essas são tarefas árduas para todos nós, seres individualistas e acostumados à velocidade da luz e à felicidade ao alcance de uma curtida.

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Relator
Dra. Flavia Schimith Escrivão
Departamento Científico de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Volta às aulas: orientações práticas para a vida escolar no “novo normal” https://spsp.org.br/volta-as-aulas-orientacoes-praticas-para-a-vida-escolar-no-novo-normal/ Wed, 01 Jul 2020 14:36:51 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3295 Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 01/07/2020

Como praticamente todos os aspectos da vida cotidiana, a vida escolar de nossas crianças foi afetada com a pandemia da COVID-19. Subitamente, as aulas foram suspensas, as férias antecipadas em alguns casos e a retomada dos estudos por meio remoto através da tecnologia. Pais e filhos passaram a conviver em um ambiente único, com a casa se tornando local não apenas de trabalho, o chamado home office, mas também de aprendizagem e estudo.

O papel do professor, tão desvalorizado em nossa sociedade, foi, aos poucos, sendo reconhecido pela maioria dos pais, ao estudarem com seus filhos e perceberem a dificuldade da transmissão do saber e do conhecimento, especialmente a esta geração tão bombardeada com estímulos. Limites precisaram ser colocados e, em muitos casos, houve aumento da ansiedade e conflitos relacionais.

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Neste contexto, como pensar sobre a volta às aulas? Quais os cuidados que devemos tomar? Como será o papel da escola e do professor neste momento chamado de “novo normal”?

Devemos analisar os aspectos pedagógicos, psicológicos, sociais e sanitários do retorno às aulas. Muitas são as dúvidas e nem todas as respostas estão claras ainda. Mas vamos procurar trazer algumas orientações.

Quanto aos aspectos pedagógicos, é importante centralizar esforços em celebrar a resiliência dos alunos, buscando integrar as diversas situações vividas e, através da discussão das práticas adotadas no ensino a distância, procurar equilibrar os alunos de modo mais homogêneo, sem descaracterizar a individualidade de cada aluno. É um momento muito oportuno para que os pais se aproximem da escola e conheçam melhor o conteúdo, a forma de ensino, as metas, o relacionamento da criança e do adolescente com a equipe escolar. Será fundamental repensar os espaços pedagógicos e redefinir as prioridades na retomada da vida escolar. Lembrem-se: todo mundo foi afetado pela pandemia!

Em relação aos aspectos psicológicos, teremos várias crianças e adolescentes tomados por sentimentos como medo, pânico, dificuldade de readaptação. Será um momento oportuno para que a equipe escolar trabalhe atividades nas quais seus alunos possam exprimir sentimentos, angústias e medos a fim de auxiliar a recuperação emocional. Importante ter um olhar sobre a violência doméstica, que pode ter se intensificado com a questão do distanciamento social. Nem sempre as equipes escolares têm capacitação para lidar com este tipo de questão e é necessária a aproximação dos serviços de saúde às escolas.

No que se refere à questão sanitária, o distanciamento social será imprescindível, assim como uso de máscaras e lavagem das mãos. Provavelmente teremos que ter rodízio de alunos e olhar com cuidado especial a questão da ventilação e renovação do ar nos espaços fechados, assim como nas salas de aulas e nos laboratórios. Um cuidado adicional será o de olhar com atenção especial àqueles alunos que têm na merenda escolar sua principal refeição. Verificar as necessidades das famílias e trabalhar para que tenham o mínimo de condição para alimentar as crianças é uma questão humanitária ainda muito importante em nossos dias.

Respostas e fórmulas prontas não existem, mas, mais do que nunca, precisamos todos trabalhar para a construção de um ambiente de ensino-aprendizagem que seja acolhedor, confortável e principalmente efetivo em construir cidadãos preparados para os desafios que vem por aí. E pensarmos também em criar cidadãos críticos, responsáveis, cientes de seu papel social, com menos preocupação na competição e no individualismo.

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Relator:
Dr. Fausto Flor Carvalho
Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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O medo da COVID-19 afasta as crianças de consultas com pediatras ou emergências https://spsp.org.br/o-medo-da-covid-19-afasta-as-criancas-de-consultas-com-pediatras-ou-emergencias/ Fri, 26 Jun 2020 20:04:28 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3293 Crianças podem pegar e transmitir o coronavírus, mas raramente de forma grave e, se seu filho estiver doente, há uma grande chance de ser outra doença, que não COVID-19.

Um dos papéis do pediatra é garantir que as crianças tenham avaliação, investigação e diagnóstico rapidamente, para que o tratamento específico, quando for necessário, comece assim que possível, ou seja, tomar os cuidados adequados, no momento e no local certos.

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No entanto, surgem relatos que, nos dias de hoje, muitos pais estão hesitantes ou esperando demais para procurar atendimento médico quando seu filho está doente ou se sofreu algum acidente ou trauma. Menos crianças são trazidas aos consultórios pediátricos ou aos serviços de emergência com condições muitas vezes sérias e, quando chegam, estão em situação grave. Segundo o Center of Diseases Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos, os atendimentos em pronto-socorro para emergências não-COVID-19 caíram 42% durante a pandemia, sendo as reduções mais acentuadas entre menores de 14 anos. Em 2019, 12% de todas as visitas ao departamento de emergência ocorreram em menores de 10 anos, em comparação com 6% durante o mesmo período deste ano, durante a quarentena.

E por que isso acontece? Alguns pais não procuram ajuda por estarem preocupados em pegar COVID-19 no consultório ou no hospital, ou que seu filho contraia a doença. Há quem assuma que tudo é causado pelo coronavírus e, por ser criança, vai melhorar logo. Outros acham que podem cuidar em casa, minimizando os riscos, até quando seu filho tem alguma doença crônica, ou que situações como cortes, fraturas e queimaduras vão sarar logo, sem necessidade de atendimento médico.

Levar o filho ao hospital pode ser uma experiência estressante, mas, ao contrário do que muitos pensam, o serviço de emergência ainda é um lugar muito seguro, especialmente para crianças, apesar da pandemia. A sala de espera lotada não é mais a realidade no momento e a maioria dos hospitais segue práticas rigorosas para impedir a propagação do vírus entre pacientes e funcionários,  ressaltando que  todos devem usar  máscara o tempo todo enquanto estiverem no hospital; praticar o distanciamento social (de 1,5 metro entre as pessoas); isolar todos os pacientes suspeitos e positivos de COVID-19 em áreas privadas; minimizar o contato através de um sistema de triagem, incluindo admissão e transferência direta no hospital; evitar o serviço de emergência sempre que possível; visitação limitada (uma só pessoa para pacientes com até 18 anos); testar todos os pacientes admitidos para o setor de COVID-19 (na emergência, na  observação e internados) e limpeza/ higienização regulares de todas as superfícies e salas.

O que os pais podem fazer?

  • Entre em contato com seu pediatra e verifique se a consulta deverá ser presencial ou por teleconsulta, através de outras mídias (aplicativos como: WhatsApp, FaceTime, Zoom, Webex, Skype, Google Meet, etc.).
  • Nessas consultas de telemedicina, podem ser obtidas orientações para vocês e seus filhos sobre alimentação, imunizações, desenvolvimento. Além disso, podem ser feitas solicitações de exames laboratoriais, receitas simples, de controle especial e de orientações gerais.
  • A maioria dos consultórios está aberta e adotando medidas extras para garantir que você e seus filhos fiquem seguros. Alguns consultórios separaram as crianças que “estão bem” das que “estão doentes” e agendam recém-nascidos e bebês pequenos nos primeiros horários.
  • Algumas situações demandam atendimento presencial, como consultas de recém-nascido e bebês pequenos, monitoração de crescimento, pressão arterial e outros sinais vitais e tratamento de doenças, lesões e/ou infecções.

O que fazer se o seu filho ficar doente

Se a criança foi exposta ao coronavírus ou vocês estão preocupados com os sintomas que apresenta, entrem imediatamente em contato com o pediatra. Sabemos que às vezes é difícil descrever como está a criança ou o quanto doente está e seu pediatra, conhecendo a família, vai fazer algumas perguntas e, de acordo com as respostas, poderá orientar algumas medidas iniciais a serem tomadas, os sinais de alerta ou de piora e quando deverão ir para o hospital.

Quando devem ir ao Serviço de Emergência

De acordo com as orientações elaboradas pelos The Royal College of Paediatrics and Child Health (RCPCH), no Reino Unido, através de um sistema de semáforo nas cores vermelha, âmbar (alaranjada) e verde, os pais devem avaliar quando devem procurar atendimento médico e de que tipo, se a criança está doente ou sofreu um acidente.

Seguem as recomendações, adaptadas para a nossa realidade:

SINAL VERMELHO

Seu filho apresenta ou está com:

  • Pele e mucosas pálidas, frias ou extremidades e lábios roxos (cianose).
  • Erupção cutânea que não desaparece com a pressão (manchas vermelhas ou roxas).
  • Respiração com paradas ou pausas (apneia), irregular, gemente, com som como “um grunhido”, grande desconforto.
  • Nível de consciência: agitação, irritabilidade, choro inconsolável, letárgico (difícil de ser acordado), sonolência ou falta de resposta.
  • Convulsão
  • Dor testicular em meninos.

O QUE FAZER: ir ao Serviço de Emergência mais próximo.        

SINAL ÂMBAR

Se seu filho tem um dos seguintes sinais ou sintomas:

  • Febre de 38º C ou superior em recém-nascidos e bebês com menos de 3 meses de idade, temperatura acima de 39ºC em bebês de 3 a 6 meses de idade e febre acima de 38ºC por mais de 5 dias para todos os lactentes e crianças.
  • Dificuldade para respirar, batimento das asas do nariz, contração dos músculos no pescoço, abaixo ou entre as costelas, crise grave de asma.
  • Dor abdominal severa e persistente.
  • Desidratação (boca seca, olhos fundos, chora sem lágrimas, sonolento ou urinando menos do que o habitual), vômitos repetidos ou logo após ingerir algum líquido e recusa de qualquer líquido ou sólido, episódios de diarreia.
  • Muita sonolência, dificuldade de ser acordado ou irritabilidade (sem estar com febre).
  • Tremores ou dores musculares.
  • Urina ou evacuação com sangue.
  • Qualquer lesão em algum membro causando movimento reduzido, dor persistente.
  • Lesão na cabeça causando choro persistente ou sonolência.
  • Está piorando ou se vocês estão preocupados.

O QUE FAZER: entrar em contato com o pediatra ou serviço de emergência; se não conseguirem rapidamente ou se os sintomas persistirem por quatro horas, levar a criança ao Serviço de Emergência mais próximo.

SINAL VERDE

Se nenhum dos sintomas ou sinais acima estiver presente:

O QUE FAZER: entrar em contato com o pediatra ou serviço de emergência, aguardar resposta e continuar prestando assistência em casa. Se os sintomas mudarem ou aumentarem, entrar em contato com o pediatra. E, se não for possível, ir ao Serviço de Emergência que estão acostumados.

Confiem em seus instintos e, se for possível, entrem em contato com seu pediatra primeiro, para ajudar por telefone, ao orientar e coordenar os cuidados, sem que haja necessidade de levar a criança ao hospital.

Sabemos que realmente estão assustados. Nós pediatras estamos por aqui, prontos para ajudá-los a cuidar de seu filho, mantendo todos seguros. Nosso trabalho é prestar assistência às crianças e adolescentes e continuaremos a fazê-lo durante toda a pandemia.

Leituras adicionais:
1- Royal College of Paediatrics and Child Health. Advice for parents when your child is unwell or injured during coronavirus. England: RCPCH; 2020. Disponível em: https://www.rcpch.ac.uk/sites/default/files/2020-04/covid19_advice_for_parents_when_child_unwell_or_injured_poster.pdf
2- Jennifer Shu. Is it OK to call my pediatrician during COVID-19? FAAP. Disponível em: https://www.healthychildren.org/English/tips-tools/ask-the-pediatrician/Pages/Is-it-OK-to-call-the-pediatrician-during-COVID-19-even-if-Im-not-sure-my-child-is-sick.aspx
3- ER visits for non-Covid emergencies have dropped 42% during the pandemic, CDC says. Disponível em: https://whnt.com/news/coronavirus/cdc-says-er-visits-have-dropped-42-percent-during-covid-19-pandemic/

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Relator:
Dra. Renata D. Waksman
Vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência contra Crianças e Adolescentes e do blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Vai acabar a quarentena. E agora? https://spsp.org.br/vai-acabar-a-quarentena-e-agora/ Fri, 19 Jun 2020 14:06:26 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3288 Com o vislumbre do final da quarentena, há um relaxamento natural e progressivo das medidas de isolamento social. Em paralelo, a previsão é de que o retorno às aulas presenciais ocorra apenas em agosto, ainda que escalonado (a definir).
Sendo assim, como flexibilizar, com segurança, saídas e passeios para as crianças? Com o retorno dos pais ao trabalho, com quem deixar as crianças em casa?
Os cuidados com a higiene e a etiqueta respiratória adotados durante o período de quarentena continuam valendo: lavagem das mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos (ou, se não for possível, uso de álcool em gel), manter a casa ventilada, tirar os sapatos ao entrar em casa, uso de lenços descartáveis para higiene nasal, cobrir o rosto ao tossir ou espirrar, etc.

Cuidados necessários nos passeios

Em relação aos passeios, os cuidados devem começar mesmo antes de sair de casa. Crianças acima de dois anos devem usar máscaras, desde que não haja contraindicações (ver quadro abaixo). Deve-se conversar com a criança sobre a importância da máscara e dos cuidados com seu uso antes de sair de casa. Importante que qualquer pessoa sintomática não saia de casa, a não ser que seja para atendimento médico.
No caso de uso de elevadores, atender ao cuidado de entrar somente se vazio. Evitar que crianças toquem paredes, botões e portas e todos devem higienizar as mãos ao saírem do elevador, pois pode haver contágio através do toque em superfícies contaminadas. Atenção redobrada ao uso de aparelhos celulares enquanto estiverem fora de casa: eles devem ser mantidos higienizados.
Passeios ao ar livre, parques e praças são sempre bem-vindos. Escolher locais onde o distanciamento social seja possível, evitando sempre aglomerações. No momento, não se recomenda que crianças brinquem com outras de famílias diferentes.
Parquinhos e playgrounds não são indicados, tanto por ser impossível manter os cuidados com as superfícies, quanto por geralmente estarem mais cheios, impossibilitando o distanciamento social.
Manter lactentes e pré-escolares no carrinho (ou cangurus) pode ser uma boa maneira de criar um espaço seguro enquanto passeiam.
O uso de piscinas é possível, desde que o distanciamento social seja respeitado, uma vez que não há evidência de contágio através de água tratada.

A volta dos pais ao trabalho

Algumas famílias terão a necessidade da presença de funcionários em casa para que possam retornar ao trabalho, já que creches e escolas ainda não estarão funcionando.
Para diminuir os riscos, tanto para os funcionários quanto para as famílias, é aconselhável o uso de máscaras, além de roupas e calçados separados para uso domiciliar e fora dele. Objetos pessoais como carteiras, bolsas, chaves e celulares devem estar guardados em um local específico. Outra medida para aumentar a segurança nesse processo seria planejar turnos alternativos, que propiciem aos funcionários evitar o transporte público nos horários de maior aglomeração. Havendo a possibilidade, considerar o uso de transporte individual alternativo, como aplicativos de transporte ou táxi.
Haverá um período de adaptação na retomada das atividades, inclusive na questão de sociabilização da criança, seja com amigos ou com familiares. Os cuidados no contato com os avós devem ser mantidos e, caso a opção seja visitá-los, as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras devem ser reforçados. Os adolescentes devem ser orientados a manter o autocuidado mesmo quando seu grupo tiver conduta diferente da preconizada pela família.
Importante que a decisões sejam feitas com cautela e segurança. Dessa maneira, protegemos nossas crianças, nossas famílias e, consequentemente, nossa comunidade.

USO DE MÁSCARAS

  • Deve ser usada durante todo o período fora de casa, respeitando os protocolos de higiene e distanciamento social.
  • Uso indicado para maiores de dois anos, sendo que de dois a cinco anos o uso correto dependerá da maturidade de cada criança.
  • Cuidado individualizado no uso em crianças portadoras de deficiências.
  • Não utilizar em crianças com dificuldade respiratória.
  • A máscara caseira deve ser feita com três camadas de tecido, sendo a camada exterior impermeável e a camada próxima ao rosto de tecido tipo algodão.
  • Deve cobrir boca e nariz e estar ajustada ao rosto.
  • Trocar a máscara a cada duas horas e sempre que molhar ou sujar.
  • Lavar a máscara após uso.

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Relatores:    
Dra. Luciana Issa
Dra. Regina Sílvia Costa Carnaúba
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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COVID-19 – Como proteger os bebês do contágio? https://spsp.org.br/covid-19-como-proteger-os-bebes-do-contagio/ Thu, 18 Jun 2020 22:19:20 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3284 Nesta época que vivemos, com a pandemia do novo coronavírus, muito se discute sobre qual a melhor forma de proteção do contágio, quer seja para os profissionais da saúde, quer seja para a população em geral. Algo que se deveria discutir também é: como devemos proteger os recém-nascidos?

Como parte do EPI (equipamento de proteção individual), utilizado pelas pessoas atuantes na linha de frente ao combate à COVID-19, é usado o escudo facial feito com acetato, que em conjunto com a máscara cirúrgica e demais itens, é um grande aliado no impedimento do contágio com as secreções dos pacientes infectados. A falta deste utensílio faz com que as chances de contaminação por parte dos atuantes na linha de frente sejam maiores, uma vez que a máscara (tais como N95 ou PFF2, as mais usadas nas instituições de saúde) protegem apenas as vias aéreas e, como foi percebido, basta o simples contato das gotículas em qualquer parte da pele para que haja o contato com o vírus. Em se tratando de salas de parto, os cuidados e procedimentos de segurança são ainda mais rigorosos.

Fonte: arquivo do autor

Alguns fatores nos fazem compreender sobre o porquê de tais medidas: os bebês são alvos potenciais de germes e vírus que estejam circulando no ar; cerca de 15% das mulheres grávidas que possuem sintomas de coronavírus são assintomáticas; ainda há dificuldades em se notar se há algum tipo de transmissão da mãe para o bebê, mesmo que pelo leite materno. Devido as alterações estruturais de muitos hospitais e demais instituições médicas para atender potenciais pacientes sintomáticos, algumas maternidades concentraram consideravelmente os partos realizados, bem como as rotinas comumente conhecidas das maternidades foram duramente modificadas, como a circulação de pessoas, o maior tempo juntos de mãe e bebê, bem como forte restrição no que tange a visitas.

E como protegemos os pequeninos após seu nascimento?

O uso de máscaras, diferentemente do prescrito para adultos, não é recomendado até os 2 anos de idade, segundo informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, porque as vias aéreas nesta idade são menores e, consequentemente, existe o risco de sufocamento, aliado ao fato de que as crianças ainda não estão aptas a manipularem as máscaras por conta própria. Além disso, o tamanho da máscara dificilmente fica adequado ao rosto dos bebês, bem como há grande possibilidade deles as tocarem, propiciando o contágio por outros orifícios. Os recém-nascidos costumam babar, consequentemente sujando estes equipamentos e, por último, o fato de que o incômodo de uma máscara pode irritar as crianças.

Pensando nisso, o Praram 9 Hospital, em Bangkok, na Tailândia, começou a ceder escudos para os recém-nascidos, num tamanho capaz de proteger o rosto, em sua totalidade, bem como metade de seu corpo. Isso começou quando as enfermeiras tomaram conhecimento que a mãe retornaria para sua casa de transporte público. Preocupadas com os riscos de contágio, produziram artesanalmente o primeiro escudo.

No Brasil, temos iniciativas semelhantes, nas cidades de Recife, Natal e Caxias do Sul. A grande diferença destes escudos para aqueles usados em adultos é como fixar nas frágeis cabeças dos bebês. Para isto, ajustes nas hastes foram feitos para trazer maior firmeza e comodidade. O uso do escudo permite que pais possam transitar com seus filhos, em casos estritamente necessários, tais como consultas médicas e vacinações necessárias, de acordo com a faixa etária da criança.

Olhando um outro aspecto, citamos acima que as medidas protetivas se intensificaram em todos os meios médicos, nada diferente quando falamos de salas de parto. As medidas de distanciamento físico (que é o que realmente vivemos) tomadas por estados e municípios, bem como as recomendações já comumente feitas pelos pediatras no que diz respeito sobre quais locais os recém-nascidos podem frequentar, como o cuidado com exposição ao sol, no devido horário, é a melhor forma de proteção dos bebês. A situação atual requer maior regramento no que tange ajustar a rotina da família, permanecendo por mais tempo nos lares e entendemos que é um desafio. Sabemos que é a fase da vida onde as crianças estão em descoberta do mundo, onde o contato e a intimidade com o seio familiar são cruciais. Sem contar que a higiene, fator sempre observado nesta época, está com requisitos ainda maiores, inclusive nos adultos. Lavar as mãos com água e sabão (na falta, por estar na rua, álcool em gel), não usar a mesma roupa da rua em casa, higienizar itens e/ou alimentos vindos de fora, deixar calçados do lado de fora da casa são ações que minimizam as chances de qualquer contágio com o novo coronavírus. E com a clareza de que isto é um momento e irá passar.

Finalizando, é muito importante que nos cuidemos como um todo e, no caso das crianças, fiquem em casa! Se for preciso sair, procuremos usar os recursos possíveis para diminuir as chances de contágio, quer seja com um lençol, um pano suave ou mesmo o escudo facial. Assim, nossos anjinhos estarão sempre seguros.

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Relatora:
Dra. Patricia Marañon Terrível
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Dicas para manter o sorriso das crianças saudável durante a pandemia https://spsp.org.br/dicas-para-manter-o-sorriso-das-criancas-saudavel-durante-a-pandemia/ Fri, 05 Jun 2020 19:48:33 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3280 A doença COVID-19 que acomete todo o planeta mudou drasticamente nossa rotina! E tudo parece mais complicado para as pessoas que estão confinadas em casa com crianças. Com o intuito de conciliar home office e atenção às crianças, alguns problemas podem surgir, tais como: descuido na higiene bucal, ingestão de alimentos açucarados com mais frequência, além de acidentes domésticos que podem colocar em risco as crianças.

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Nesse momento, a recomendação do Conselho Federal de Odontologia é para que somente sejam realizados atendimentos de urgência, por isso é interessante tomar alguns cuidados a fim de evitar a necessidade de atendimento odontológico. Fiquem em casa e sigam essas dicas:

  1. Higiene bucal: escovar os dentes da criança após as refeições principais com dentifrício (pasta de dente) fluoretado infantil (1.100ppm de flúor), colocando pouca quantidade na escova e orientando a criança para não engolir o creme dental. O flúor ingerido em excesso pode causar alterações no esmalte dental em formação (fluorose). Importante:  não esquecer de limpar a língua, escovando de dentro para fora. Escovas de cerdas macias e cabeça pequena são ideais para a higiene e devem ser guardadas secas sem que encostem nas escovas de outros familiares.  O fio dental deve ser usado diariamente para a remoção da placa bacteriana entre os dentes.
  2. Caso a criança use aparelho ortopédico funcional (móvel), este também deverá ser higienizado com creme dental.
  3. Alimentação: não deixar a criança comer o tempo todo, principalmente alimentos doces, que são mais prejudiciais aos dentes, além de diminuir o apetite para as refeições principais. Lembrar que: lesão de cárie causa dor e haverá necessidade de procurar o odontopediatra, portanto preferir alimentos saudáveis e naturais para oferecer ao seu filho.
  4. Açúcar, o grande vilão! A sacarose é o açúcar mais cariogênico (que provoca cáries dentárias) e se for ingerida na forma pegajosa (como bolachas recheadas, balas) permanecerá mais tempo em contato com o dente, aumentando os riscos de ataque bacteriano. O ideal é evitar esses alimentos, mas se forem ingeridos, os dentes precisam ser bem escovados.
  5. Sucos, atenção! São muito ácidos e concentrados em açúcar. A água é o melhor “suco natural” para hidratar o organismo. Dê preferência às frutas frescas e evite refrigerantes.
    Traumas dentais: as crianças estão sujeitas a quedas, principalmente aquelas que estão começando a andar e não têm noção do perigo. Nas crianças maiores, brincadeiras mais violentas, de grande impacto, podem causar acidentes e comprometer os dentes permanentes anteriores (dentes da frente). Nesses casos, há necessidade de procurar o especialista imediatamente, pois o prognóstico do caso será mais favorável quando o atendimento for feito no menor espaço de tempo possível.

O que pode ser feito em casa, antes de levar a criança ao odontopediatra:

– tranquilidade é a palavra de ordem, ficar calmo auxilia no manejo da criança;
– limpar lábios e bochechas que estejam com vestígios de sangue;
– em caso de fratura dental, verificar se encontra o fragmento dental, que deverá ser colocado em um frasco com leite ou soro fisiológico;
– se os pais perceberem a falta do dente, é importante procurá-lo, pois ele pode ter sido expulso da cavidade bucal (avulsão dental). Se o dente for encontrado, pegá-lo pela coroa dental, lavar em água corrente e colocar imediatamente dentro de um frasco com leite ou soro fisiológico. Via de regra, os dentes decíduos (dentes de leite), diferentemente dos permanentes, não são reimplantados na arcada dentária, mas o profissional terá melhores condições de avaliar cada caso individualmente.
Os dentes decíduos serão substituídos pelos permanentes, mas isso não quer dizer que eles não precisem de cuidados. Eles têm um importante papel na mastigação, no desenvolvimento da fala e deglutição das crianças pequenas. Assim, manter um sorriso saudável é fundamental para o desenvolvimento adequado da criança. Em caso de dúvidas, procure o odontopediatra.

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Relator:
Dra. Ana Maria Peixoto Guimarães de Araújo
Grupo de Trabalho de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Um alerta sobre a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica https://spsp.org.br/um-alerta-sobre-a-sindrome-inflamatoria-multissistemica-pediatrica/ Wed, 27 May 2020 22:59:39 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3259 A pandemia global da COVID-19 tem causado muitos casos graves e mortes entre adultos e idosos com comorbidades, mas, entre crianças e adolescentes, na maioria das vezes, a doença é assintomática ou apresenta sintomas leves da infecção.
Entretanto, algumas crianças ou adolescentes podem desenvolver manifestações clínicas graves. É um novo fenômeno, chamado de “síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica”.

milkos | depositphotos.com

O que é essa síndrome?

É uma situação clínica, na qual ocorre uma intensa inflamação de vários sistemas do corpo: dos vasos sanguíneos (vasculites), causando extravasamento (vazamento) de líquidos e seu acúmulo nos pulmões, coração, rins e outros órgãos, além de diminuição da pressão arterial (quadro de choque).
Em alguns países, inclusive no Brasil, nas últimas semanas, infelizmente tem havido alguns casos em crianças e adolescentes desta síndrome, que tem em comum algumas características da Doença de Kawasaki (vasculite aguda rara, cujo diagnóstico baseia-se na presença de febre persistente, quadro de erupção cutânea, aumento de gânglios, conjuntivite com vermelhidão nos olhos, inflamação nas mucosas, alterações nas extremidades e sua principal complicação são os aneurismas das artérias coronárias) e da Síndrome do Choque Tóxico (causada por algumas bactérias que produzem toxinas, ocorre disfunção de múltiplos órgãos e instabilidade da pressão arterial, com choque).
O que chama a atenção nesses casos é que as crianças ou adolescentes tem nos exames para SARS-CoV-2: PCR positivo numa minoria dos casos e sorologia (IgG) positiva em sua maioria; além disso, sua faixa etária é mais alta do que a dos pacientes com Doença de Kawasaki.

Quais são os sintomas que a maioria dessas crianças apresenta?

A COVID-19 pode infectar os pacientes não apenas pelo trato respiratório, na forma de gotículas de ar, mas também pelo trato digestório, por contato ou transmissão fecal-oral.
Os sintomas iniciais podem ser gastrointestinais, com dor abdominal, vômitos e diarreia e pode haver ausência de sintomas respiratórios nesta fase. Entretanto, com o passar dos dias os sintomas envolvem inflamações na pele, sangue, coração e veias: febre, cefaleia, confusão mental, erupção na pele, descamação, hipotensão e disfunção de múltiplos órgãos.
Sintomas que servem de alerta: dores abdominais, gastrointestinais e inflamação cardíaca

O que pode gerar confusão frente aos sintomas?

Alguns fatores interferem negativamente para a detecção precoce dessa síndrome em crianças, principalmente em sua fase inicial: não apresentar sintomas respiratórios (que seriam os esperados), estar com febre ou com alguma outra doença. É importante lembrar que esta síndrome causa uma reação inflamatória atípica e desproporcional a uma infecção banal.

E o que os pais podem fazer?

  • Primeiro de tudo, mantenham a calma! Considerem que o número de casos é muito pequeno;
  • Fiquem atentos aos sintomas de alarme, tanto pela COVID-19, como de outras doenças que possam justificar o atendimento em pronto socorro;
  • Se estiverem preocupados com algum sintoma que seu filho esteja apresentando, ou se estiver com alguns dos citados acima, entrem em contato com seu pediatra. Caso não seja possível, dirijam-se ao serviço de urgências pediátricas que tenha estrutura de internação em unidade de cuidados intensivos;
  • Estes conhecimentos possibilitam o diagnóstico precoce de doenças que requerem intervenção imediata, não só nos casos do novo coronavírus. 

Lembrar que: o reconhecimento precoce e o tratamento definitivo são fundamentais para melhorar os resultados e sobrevida dos pacientes dessa síndrome grave, que pode requerer cuidados intensivos, para abordar as múltiplas insuficiências, com destaque para: coração, pulmões e rins.

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Relatores:
Dra. Renata D. Waksman
Vice-Presidente da SPSP e Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP
Dr. Eitan N. Berezin
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP



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