neonatologia – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 29 Oct 2021 16:08:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png neonatologia – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Campanha Outubro Verde: para eliminação da sífilis congênita https://spsp.org.br/campanha-outubro-verde-para-eliminacao-da-sifilis-congenita/ Fri, 29 Oct 2021 16:00:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30292 A sífilis congênita é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. O bebê se infecta pela bactéria ainda na vida intrauterina, quando a mãe com sífilis não é diagnosticada.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 29/10/2021


Um grande problema de saúde pública que deve ser enfrentado!

O que é sífilis congênita?

A sífilis congênita é uma doença infectocontagiosa causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. O bebê se infecta pela bactéria ainda na vida intrauterina, quando a mãe com sífilis não é diagnosticada ou não é tratada adequadamente.

Como ocorre a transmissão da sífilis congênita?

A transmissão ocorre pela passagem do Treponema pallidum da mãe para o feto, através da placenta. A taxa de transmissão, no caso da gestante não tratada, pode variar de 10-70%, dependendo da fase da doença que a gestante está. Quanto menor o tempo que ela adquiriu a bactéria, maior será a taxa de transmissão.

Como prevenir a sífilis congênita?

A prevenção pode ser feita com o tratamento adequado da gestante. O difícil é saber se a mãe tem ou não sífilis. Muitas gestantes não sabem que estão com a doença, pois, na maioria das vezes, não apresentam nenhum sinal ou sintoma. Portanto, todas as gestantes devem coletar exame de sangue para sífilis, durante o pré-natal no 1º trimestre e, se possível, no 2º e 3º trimestres de gestação.

Se confirmar a sífilis na gestante, seu tratamento e do parceiro devem ser iniciados o mais rápido possível, com injeção de penicilina. O antibiótico deve ser aplicado no serviço de saúde onde ela faz o pré-natal. Depois, a gestante deverá repetir mensalmente o exame, para avaliar se está curada.

Quando a mãe é tratada adequadamente durante a gestação, especialmente quando iniciou a medicação antes do último mês de gravidez, está prevenindo ou diminuindo o risco do seu filho nascer com sífilis congênita.

Quais os sinais e sintomas do bebê com sífilis congênita?

Os sinais mais frequentes ao nascimento são:

  • Prematuridade
  • Baixo peso
  • Manchas brancas e vermelhas com descamação da pele
  • Descamação das palmas das mãos e plantas dos pés
  • Aumento do fígado e do baço
  • Icterícia
  • Inchaço
  • Rinite mucosanguinolenta
  • Anemia
  • Petéquias (diminuição de plaquetas)
  • Problemas respiratórios, podendo haver pneumonia

Geralmente, essas alterações desaparecem após o tratamento adequado. No entanto, alguns bebês podem apresentar quadros mais graves, com risco de morrer.

É importante salientar que mais de 50% dos bebês irão nascer assintomáticos, evoluindo silenciosamente, com o aparecimento de lesões tardias, muitas vezes irreversíveis mesmo com o tratamento adequado. Estas alterações podem aparecer por volta dos dois anos de idade, afetando o sistema nervoso e se manifestando com retardo mental, convulsões, alterações ósseas, dos dentes superiores, da visão e da audição.

Como saber se o bebê tem sífilis congênita?

Quando o bebê nasce com os sinais descritos acima, deve-se suspeitar de sífilis congênita. Para confirmar o diagnóstico, será necessário coletar exames laboratoriais tanto da mãe, quanto do recém-nascido. O problema é que muitos bebês podem nascer sem sintomas. Nesses casos, o diagnóstico só poderá ser feito através da coleta de exame de sangue do binômio mãe-bebê. Para tentar detectar todos os recém-nascidos com sífilis congênita, na maternidade deve ser coletado exame de sangue para sífilis da mãe e do bebê, cujo resultado deve sair antes da alta hospitalar.

Como tratar o bebê com sífilis congênita?

O tratamento do bebê varia de acordo com o risco de infecção e do comprometimento do sistema nervoso. Será feito com penicilina aplicada na veia ou no músculo, geralmente por 10 dias. O bebê será acompanhado, após a alta hospitalar, com retornos mensais com o pediatra. Serão realizados exames de sangue seriados e avalição do sistema nervoso, da visão e da audição, até os dois anos de idade, para confirmar o tratamento e garantir que não evolua com lesões permanentes.

Para enfrentarmos esse grande desafio, que é a eliminação da sífilis congênita, são necessários a conscientização e o envolvimento dos profissionais da saúde, das gestantes e seus familiares. A gestante deve realizar todos os exames solicitados desde o 1º trimestre e, caso tenha sífilis, fazer o tratamento correto. Essa medida poderá prevenir a doença no seu filho.

Venha fazer parte dessa campanha – Outubro verde!

Relatora:
Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Coordenadora da Campanha Outubro Verde: combate à sífilis congênita – Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: andrew lozovyi | depositphotos.com

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Meu bebê nasceu prematuro, e agora? https://spsp.org.br/meu-bebe-nasceu-prematuro-e-agora/ Thu, 12 Nov 2020 17:25:55 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3499 O nascimento do bebê é um momento muito esperado, idealizado e sonhado. Mas, infelizmente, nem tudo acontece como planejado e algumas vezes precisamos lidar com situações inesperadas, como a chegada de um filho prematuro.

Nem todos os bebês prematuros passarão por uma internação em UTI, mas grande parte deles poderá precisar, principalmente se a gestação for menor de 35 semanas (final do oitavo mês). Mesmo os bebês que ficam com as mãe em alojamento conjunto podem apresentar mais dificuldades pela imaturidade de seus sistemas: sucção pode ser mais difícil, por exemplo, e icterícia (aquele amarelinho da pele e olhos do bebê) mais frequente, o que podem determinar um período de internação maior do que os 2 ou 3 dias habituais após o parto.

andreas wohlfahrt | pixabay.com

E se o bebê precisar ir para a UTI?

É muito difícil prever quando o bebê terá alta; conforme o bebê amadurece, ele passa a respirar sem precisar de ajuda, sugar com mais eficiência e começa a recuperar seu peso e, assim, sua volta para casa fica mais segura. Em geral, para o bebê ter alta, precisa estar respirando sozinho e sem a necessidade de oxigênio, precisa estar se alimentando adequadamente pela boca (e preferencialmente mamando no seio da mãe) e ter um peso mínimo que varia de hospital para hospital, mas em geral esse peso é por volta de dois quilos. Todos os bebês perdem peso após o parto e levam alguns dias para sua recuperação. Nos prematuros esse processo costuma levar mais tempo. A icterícia, que precisa ser controlada e a avaliação de outras situações relativas à imaturidade do recém-nascido podem alterar os critérios e o tempo da alta. Cada caso é um caso e precisa ser analisado individualmente pela equipe do hospital.

O que os pais podem fazer?

É uma fase e vai passar. Estar junto ao bebê é importante e pode trazer emoções controversas. Assim como você quer levar seu bebê prematuro para casa, existe a consciência de que ele precisa ainda de suporte médico e que o hospital ainda é o lugar mais seguro para ele. Converse com a equipe do hospital para saber como tirar o seu leite para oferecer ao bebê e como o pai pode incentivar a mãe nesse sentido. O leite da própria mãe é o melhor alimento para o bebê, mesmo que ele não possa receber esse leite em um primeiro momento. A presença dos pais, sua voz, seu toque também são muito importantes na recuperação do bebê e fazem toda a diferença no tratamento que ele está recebendo no hospital. A equipe do hospital estará com vocês para compartilhar cuidados do bebê e ajudar na alimentação, na troca de fralda, banho e em outros cuidados.

Rede de apoio

O cuidado de um bebê, prematuro ou não, requer que a mãe seja acolhida e apoiada. Além da família, a equipe que está com seu bebê no hospital pode fazer parte de uma grande rede de apoio. Aproveite o tempo de internação para esclarecer sempre suas dúvidas.

Muitas vezes mães e/ou pais na mesma situação ajudam a lidar com todas os desafios que podem surgir (empatia), mesmo sabendo que seu bebê é único sua evolução não será igual a de outros bebês.  

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Relatora:
Daniela Testoni Costa Nobre
Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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