neonatal – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 18 Nov 2022 11:57:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png neonatal – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Leite Humano e Prematuridade https://spsp.org.br/leite-humano-e-prematuridade/ Thu, 17 Nov 2022 14:14:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35509 Recém-nascido pré-termo (RNPT) é aquele que nasce com idade gestacional inferior a 37 semanas. No Brasil, cerca de 11,5% dos nascimentos ocorrem prematuramente, ou seja, 340 mil recém-nascidos (RN) por ano prematuridade é a primeira causa de óbito neonatal em nosso país.]]>

Recém-nascido pré-termo (RNPT) é aquele que nasce com idade gestacional inferior a 37 semanas. No Brasil, cerca de 11,5% dos nascimentos ocorrem prematuramente, ou seja, 340 mil recém-nascidos (RN) por ano. Prematuridade é a primeira causa de óbito neonatal em nosso país.

Novembro é o Mês Internacional de Sensibilização para a Prematuridade, denominado “Novembro Roxo”, pois a cor roxa simboliza Sensibilidade, Individualidade e Transformação. Comemora-se em 17 de novembro o Dia Mundial da Prematuridade, com o objetivo de elaborar estratégias para a redução das taxas de prematuridade.

Os RNPT apresentam maior risco de evoluir com doenças crônicas e cardiovasculares, alterações no padrão de crescimento, atraso no desenvolvimento sensorial, motor e cognitivo. Sua mortalidade é cerca de três ou mais vezes maior quando comparada à de RN de termo.

Dentre as propostas estabelecidas para prevenir ou minimizar os agravos, o uso de leite humano (LH), de preferência da própria mãe, é o padrão ouro de nutrição. O LH produzido por mães de RNPT possui, nas primeiras duas a quatro semanas de lactação, maiores concentrações de nitrogênio, proteínas nutritivas, gorduras e vitaminas, calorias e função imunológica em relação ao leite de mães de RN de termo.

A utilização do leite cru da própria mãe resulta em efeitos benéficos inigualáveis para: digestão e absorção de nutrientes; estímulo da imunidade por proteção direta e ação imunomoduladora; desenvolvimento neurológico e cognitivo; proteção contra sepse (redução de 50%), enterocolite necrosante, displasia broncopulmonar e retinopatia da prematuridade; desenvolvimento do sistema sensório-motor oral e redução de má oclusão dentária em 68%; redução da prevalência de doenças atópicas, alérgicas e autoimunes, de obesidade e doenças do adulto; efeito psicológico na relação mãe-filho. Existe ainda um efeito protetor adicional, através do qual a mãe colonizada pelas bactérias da UTI neonatal pode sintetizar anticorpos específicos contra os patógenos hospitalares e excretá-los no leite.

O colostro, leite produzido até o 7º dia de vida, possui reconhecidas propriedades anti-infecciosas e imunomoduladoras. A colostroterapia, também chamada de colostro precoce, consiste na administração de pequenas alíquotas na cavidade oral, desde as primeiras horas de vida, para proteger os RNPT até o início da nutrição “verdadeira”.

Portanto, conclui-se que alimentar o RNPT com LH, de preferência da própria mãe ou, na falta deste, pasteurizado em banco de leite humano, torna sua trajetória mais suave, resultando em melhor desenvolvimento.

 

Relatora:
Valdenise Martins Laurindo Tuma Calil
Assistente do Centro Neonatal do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Diretora do Banco de Leite Humano do Hospital das Clínicas (FMUSP)
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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O uso do ninho no cuidado do bebê prematuro na unidade neonatal https://spsp.org.br/o-uso-do-ninho-no-cuidado-do-bebe-prematuro-na-unidade-neonatal/ Fri, 16 Oct 2020 13:21:02 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3452 O bebê, antes do nascimento, está protegido pelo útero materno que o acolhe, regula sua temperatura, fornece sua alimentação, permitindo seu crescimento físico e mental e protegendo-o das agitações do meio ambiente externo. Quando ocorre o nascimento prematuro, esse bebê perde a proteção do útero e se depara com condições muito desfavoráveis para o seu desenvolvimento. Muitas vezes ele irá precisar de ajuda para coisas simples como controlar sua temperatura, respirar e se alimentar.

Os profissionais de saúde que cuidam desses pequenos guerreiros, assim como seus pais, precisam ajudá-los a se adaptarem à vida fora do útero e a se organizarem para todas as novas etapas de crescimento e desenvolvimento que estarão por vir.

Arquivo pessoal da Dra Maria Regina Bentlin

Uma dessas formas que ajuda na adaptação, organização, segurança e proteção do prematuro é a utilização do ninho. Ele precisa ser feito de forma adequada, por profissionais habilitados e ser usado apenas na unidade neonatal, no período em que o prematuro vai precisar de toda ajuda para o seu crescimento e desenvolvimento, que deveriam ocorrer dentro do útero, mas que por algum motivo, foi interrompido.

O ninho fica em volta do bebê, desde a cabeça até os pés, como se fosse as paredes do útero. Permite que o bebê fique posicionado com os membros flexionados, na mesma posição que estava dentro do útero, com as mãos juntas no centro do corpo. Essas condições favorecem seu período de sono e seu desenvolvimento. O bebê fica mais tranquilo e organizado no ninho, pronto para enfrentar melhor seus desafios do dia a dia na UTI.

Se o bebê ficar na incubadora sem o ninho poderá sentir dores, ficar mal acomodado, frequentemente com os membros estendidos, sem nenhum apoio, o que vai contra sua posição dentro do útero e faz com que ele gaste mais energia. Isto pode dificultar o seu crescimento, deixá-lo mais irritado, comprometer o seu período de sono e alterar o seu comportamento e até seu desenvolvimento.

Entretanto, é importante saber que o ninho só pode ser utilizado no ambiente controlado do hospital e da maternidade. Em casa, a recomendação de maior segurança é de um berço limpo, sem nenhum apetrecho (ninho, pano, fralda, travesseiro, protetor ou cobertor) que coloque a vida do bebê em risco. Esses objetos podem levar ao sufocamento, asfixia e até mesmo à morte do bebê.

Vocês agora já sabem que o ninho é bom, seguro e ajuda a deixar o bebê mais tranquilo, mas é fundamental que só possa ser usado durante o período de internação, para auxiliá-lo a vencer os desafios iniciais de vida fora do útero.

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Relator:
Dr. Sergio Tadeu Martins Marba
Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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