Mulheres – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 25 Apr 2025 11:58:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Mulheres – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Conscientização da hemofilia – “Mulheres e garotas também sangram” https://spsp.org.br/conscientizacao-da-hemofilia-mulheres-e-garotas-tambem-sangram/ Thu, 17 Apr 2025 16:44:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51037 Em 17 de abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização da Hemofilia, cujo objetivo é esclarecer as pessoas sobre a hemofilia e outras desordens]]>

Em 17 de abril celebra-se o Dia Mundial de Conscientização da Hemofilia, cujo objetivo é esclarecer as pessoas sobre a hemofilia e outras desordens hemorrágicas. Esse dia é uma homenagem ao aniversário de nascimento de Frank Schnabel, fundador da Federação Mundial de Hemofilia (WFH), entidade que congrega a comunidade de pessoas portadoras, cientistas e profissionais da saúde, todos visando ao avanço e melhoria do cuidado, possibilitando que todos tenham acesso a isso.

A hemofilia é uma doença hereditária, cujos indivíduos não têm a capacidade de impedir o sangramento uma vez que a coagulação está prejudicada, ocorrendo sangramentos desde leves a graves, espontâneos ou após traumas. A hemofilia pode ser A ou B, dependendo do tipo de proteína da coagulação faltante (Fator VIII ou Fator IX, respectivamente).

O diagnóstico precoce é fundamental para uma assistência digna às crianças e para que elas possam ter uma infância plena. O acesso a um tratamento eficaz, que promova redução ou ausência do sangramento e suas sequelas, e que possa integrar o indivíduo na sociedade, é o que se almeja.  Muito se conquistou para a melhoria do cuidado dessas pessoas, principalmente para as crianças nos últimos anos com a profilaxia primária: iniciar a reposição de fator antes de se ter um sangramento. Mas ainda temos um longo caminho a percorrer para que os desafios vivenciados no dia a dia dessas pessoas e suas famílias possam ser enfrentados de forma humana e inclusiva.

Somente com o conhecimento  sobre a hemofilia disseminado para a sociedade em que vivemos e todas as nuances envolvidas, desde diagnóstico precoce, tratamento adequado e suporte da equipe multiprofissional, é que o acesso para todos deixará de ser um slogan e se tornará uma realidade.

As associações de pacientes têm um papel fundamental para construção desse processo e no Brasil temos a Federação Brasileira de Hemofilia, desde 1976, participando ativamente dessa jornada.

Este ano, a campanha de” acesso para todos” escolheu um tema ainda pouco conhecido, que é “Mulheres e garotas também sangram”. (“Access for all: Women and girls bleed too”).

Ao longo dos vários anos, as desordens hemorrágicas nas garotas e nas mulheres foram pouco diagnosticadas e pouco tratadas. As mães de pacientes hemofílicos – portadoras de mutação e que apresentavam sangramento significativo – não eram diagnosticadas. E mesmo outras garotas ou mulheres que apresentavam sangramento de difícil controle (principalmente menstrual) não tinham investigação adequada.  

Dessa forma, o Dia Mundial de Conscientização da Hemofilia é um chamamento à ação, para que todos os envolvidos, como governos, profissionais de saúde e comunidade trabalhem para essa necessidade não atendida, em que as desigualdades no acesso deixem de ser uma realidade.

Que as campanhas envolvendo as mídias possam desmistificar a hemofilia e as demais doenças hemorrágicas, conquistando assim um papel de destaque para o empoderamento das crianças e suas famílias diante desse desafio que é enfrentar diariamente os vários medos que envolvem o desconhecido diante de qualquer tipo de sangramento.

É importante destacar que as crianças devem ser olhadas de forma integral e que qualquer sangramento persistente em mucosas ou articulações, independentemente da história familiar, deve ser visto com atenção pelos profissionais da saúde.

O hematologista pediátrico pode ajudar nessa missão de melhorar o acesso de nossas crianças a um diagnóstico acurado e precoce e assim promover a qualidade de vida e a certeza de uma infância mais feliz.

 

Relatora:
Mônica Veríssimo
Hematologista e Hemoterapeuta Pediátrica do Centro Infantil Boldrini – Campinas (SP)

]]>
A todas as mulheres e meninas: Direitos. Igualdade. Empoderamento https://spsp.org.br/a-todas-as-mulheres-e-meninas-direitos-igualdade-empoderamento/ Fri, 07 Mar 2025 18:42:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50463 Neste dia 8 de março, queremos desejar, a todas as mulheres, um feliz Dia Internacional da Mulher, que em 2025 tem como tema]]>

Neste dia 8 de março, queremos desejar, a todas as mulheres, um feliz Dia Internacional da Mulher, que em 2025 tem como tema “Para todas as mulheres e meninas: Direitos. Igualdade. Empoderamento.” Celebramos, assim, mais que uma data, uma força de ser. Mulheres que cuidam, acalentam, protegem e lutam. Merecem nosso respeito as mulheres que saíram das sombras para gritar e exigir igualdade. Igualdade que ainda está distante. Por isso há aquelas mulheres incansáveis, que inspiram e aspiram por um mundo sem subserviência feminina.

Feliz Dia das Mulheres para as que, além de mulheres, são médicas! Como é difícil equilibrar vida pessoal com uma profissão com tantos desafios, cansaço e dificuldades. Somente com muita paixão e coragem conseguem encher de vida os atendimentos com empatia ímpar, transformando vidas em histórias diferentes.

Feliz Dias das Mulheres. Não apenas às médicas que passam por essas dificuldades, mas a todas as mulheres que trabalham e compartilham os mesmos obstáculos. Se em um primeiro momento a mulher conquistou a entrada no mercado de trabalho, conquistou a possibilidade de graduar-se e trabalhar, também recebeu fardos. Seguiu com o legado que algumas tarefas seriam somente dela. Seguiu com a difícil tarefa de lidar com o trabalho doméstico, só que agora cumulado com o labor profissional. Falta tempo para tudo. Faltam muitos avanços, especialmente quando se pensa em maternidade e suas naturais consequências. Falta a divisão da responsabilidade em relação à casa e aos filhos, tarefas assumidas apenas pelas mulheres, gerando injusta sobrecarga física e emocional. Urge que os homens também tenham sua equalitária parcela de responsabilidade pelo trabalho doméstico e cuidado com os filhos, saindo do cômodo papel de auxiliares, quando assim o são.

Apenas com o equilíbrio das relações poderemos celebrar plenamente o “Feliz Dia das Mulheres”.

 

Relatora:
Mônica Lopez Vazquez
Presidente do Departamento Científico de Ginecologia e Obstetrícia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Importância do cuidado com a saúde masculina https://spsp.org.br/importancia-do-cuidado-com-a-saude-masculina/ Tue, 19 Nov 2024 12:24:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48970 No dia 19 de novembro comemora-se o Dia Internacional do Homem. Você deve estar se perguntando: se o mundo é dos homens, por que eles precisam de um dia de celebração?]]>

No dia 19 de novembro comemora-se o Dia Internacional do Homem. Você deve estar se perguntando: se o mundo é dos homens, por que eles precisam de um dia de celebração? E é justamente pela pressão social dos papéis de gênero e a associação de masculinidade com “ser durão”, não mostrar fraqueza e ter que resolver tudo com violência, que esse dia foi criado: para lembrar a importância do cuidado com a saúde masculina.

O processo de construção da masculinidade inicia-se ainda na infância, sendo influenciado pelo que se observa nos padrões de referência. Esses modelos são ensinados desde tenra idade e reproduzidos principalmente nas relações familiares. Todavia, quando alguns comportamentos nocivos fazem parte de tal constructo, podem desencadear diversos danos. A vulnerabilidade do homem é encoberta e ignorada pelo fenômeno que chamamos de masculinidade tóxica ou machismo, e é uma das principais razões para esse descaso deles com a saúde. Não afeta apenas a saúde física: a masculinidade tóxica é nociva para ambos os sexos, pois os estereótipos e a pressão social para corresponder às expectativas dos papéis de gênero tradicionais, geram doença e sofrimento emocional.

Infelizmente, desde pequenos muitos homens são criados para não dar o devido valor e cuidado à sua saúde e sentimentos: homem não chora! Seja homem! Não seja uma mulherzinha! Engole esse choro! Seus sentimentos são negados e silenciados constantemente.

Como consequência, os homens são mais alvo de violência interpessoal: 95% dos assassinos no mundo são homens. Na adolescência, a taxa de mortalidade dos meninos é quatro vezes maior do que das meninas; a partir dos 13 anos, a taxa de mortalidade dos meninos aumenta (Tabela 1) e o homicídio é a primeira causa de morte em meninos de 15 a 19 anos.

Ao longo da vida, a negligência com a saúde vai se agravando e as taxas de problemas com uso de substâncias, depressão e suicídio aumentam progressivamente no sexo masculino, sendo mais prevalente do que nas mulheres. Entre os homens, a taxa de morte por suicídio em 2019 foi de 10,7 por 100 mil, enquanto entre as mulheres o número foi de 2,9.

Portanto, comportamentos associados ao machismo levam a inúmeras repercussões negativas para os homens e estão associados a menor desempenho acadêmico, menor posição social e renda, insucesso em relacionamentos conjugais e comportamentos antissociais, tais como agressividades, direção agressiva, dirigir embriagado, ter relações sexuais desprotegidas, tendência a estupro e atitudes antipáticas para com mulheres vítimas de agressão sexual.

Estudos demonstram que em países com maior equidade de gênero, os adolescentes são mais felizes e apresentam menos ansiedade e depressão. Os papéis de gênero igualitários estão associados a maior satisfação com a vida e melhores relacionamentos intrafamiliares, com amigos e na escola, para ambos os sexos, com metade de chance de ter depressão e morrer por morte violenta. Para nos tornarmos agentes de mudanças sociais, dentro dos grupos que nos definem, devemos questionar os papéis quanto à sua determinação e funções históricas, e constatar as relações de dominação que reproduzimos uns sobre os outros, permitindo que a consciência de nossos papéis altere a identidade social.

Temos que ensinar aos nossos meninos que pedir ajuda é um ato de coragem. É não desistir da vida.

 

Tabela 1. Número de óbitos no Brasil em 2022 de 0 a 44 anos

Relatora:

Lília D’Souza-Li
Professora Associada do Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Importância da lavagem das mãos na prevenção e controle das infecções https://spsp.org.br/importancia-da-lavagem-das-maos-na-prevencao-e-controle-das-infeccoes/ Tue, 15 Oct 2024 14:03:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48486 No dia 15 de outubro é lembrado e comemorado o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, uma data criada com três objetivos principais:]]>

No dia 15 de outubro é lembrado e comemorado o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, uma data criada com três objetivos principais: apoiar uma cultura mundial de lavagem das mãos com sabão, chamar a atenção dos governantes para a importância do ato e aumentar a conscientização sobre os seus benefícios.

A lavagem das mãos é, sem dúvida, a maneira mais simples, eficaz e de maior importância na prevenção e controle da disseminação de infecções virais e bacterianas, devendo ser realizada com frequência durante o dia, pois uma grande quantidade de organismos entra em contato com o nosso corpo inicialmente pela mão.

A adoção desse hábito – somada à descoberta das vacinas e dos antibióticos – foi a grande responsável pela queda vertiginosa das mortes por causas naturais no começo do século XX.

Nos nossos organismos existem micro-organismos que vivem em harmonia com nosso corpo, sem nos causar nenhuma doença. Algumas bactérias são essenciais para a manutenção da saúde de vários sistemas, como a microbiota intestinal e o microbioma da pele. Entretanto, também existem micro-organismos que podem causar problemas graves, e é contra esses agentes que devemos nos proteger. 

Até meados de 1800 nem as pessoas, nem os médicos se preocupavam em lavar as mãos – eles iam da dissecação de um cadáver ao parto de uma criança. 

Em 1848, um médico húngaro chamado Ignaz Semmelweis, do Hospital Geral de Viena, manifestou preocupação com esse hábito. Um dos problemas mais dramáticos que passavam as clínicas de obstetrícia era a altíssima incidência da infecção pós-parto. 

Naquela época ainda não haviam sido descobertos os micro-organismos e o médico húngaro decidiu realizar um experimento. Antes dos partos, os médicos deveriam higienizar as mãos e os seus instrumentos com uma solução de cloro. Depois de alguns meses, a taxa de mortalidade de mães após o parto, que era de assustadores 18%, caiu para 1%.

Infelizmente não deram muito crédito ao Dr. Semmelweis na época, e foi apenas nas décadas seguintes, com a evolução das pesquisas sobre micro-organismos, as descobertas de Louis Pasteur, famoso pela pasteurização, e de Robert Koch, com suas pesquisas sobre cólera, tuberculose, antraz e outros patógenos que aumentou a conscientização sobre a necessidade da prática da higienização de mãos, a ser adotada cada vez mais nas instituições hospitalares e pelas pessoas comuns. 

Hoje, lavar as mãos é ato reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais instrumentos contra epidemias e doenças em geral, podendo reduzir em até 40% a contaminação por vírus e bactérias que causam doenças como gripes, conjuntivites, diarreias, Covid, resfriados, estomatites, entre outras. 

Lamentavelmente, atualmente ainda é uma prática difícil de ser implementada. Uma pesquisa realizada com estudantes universitários em 2009, publicada na revista American Journal of Infection Control, mostrou que apenas 69% das mulheres e 43% dos homens lavavam as mãos após urinar, 84% das mulheres e 78% dos homens lavavam as mãos após defecar e, antes de comer — um momento crítico para lavar as mãos -, apenas 10% dos homens e 7% das mulheres lavavam as mãos.

A lavagem das mãos deve ser executada principalmente nas seguintes ocasiões:

  • Antes de preparar ou consumir alimentos;
  • Antes e depois de se entrar em contato com pessoas doentes ou acamadas;
  • Antes e depois de cuidar dos bebês, especialmente após a troca das fraldas;
  • Antes e depois de ir ao banheiro;
  • Depois de espirrar, tossir ou assoar o nariz;
  • Após entrar em contato com animais;
  • Após as crianças brincarem ou retornarem da escola;
  • Assim que chegamos em casa, vindos da rua;
  • Após manipular objetos potencialmente sujos ou contaminados (maçanetas, corrimão, interruptores, celulares, carros, elevadores, carrinhos de supermercado, sacolas de feira, dinheiro, objetos em consultórios médicos ou hospitais, etc.); 
  • Sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas.

 

É muito importante ensinarmos as crianças a lavarem as mãos com frequência, dando exemplos através do nosso comportamento, explicando sobre a existência de micro-organismos que não vemos e que podem nos causar doenças. 

A lavagem correta das mãos precisa seguir alguns passos importantes: deve-se fazer a fricção de toda a superfície das mãos, incluindo as pregas das palmas, o dorso das mãos, a região do polegar e a ponta dos dedos, removendo também a sujeira que fica sob as unhas.

Basta uma lavagem por 20-30 segundos, de forma eficaz com água e sabão e, na falta desses itens, usar álcool em gel 70%. 

Transformar a lavagem das mãos em um hábito frequente pode salvar mais vidas do que qualquer intervenção médica e está ao alcance de todos nós!

Vamos comemorar o Dia Mundial da Lavagem das Mãos ensinando nossos pequenos a importância desse hábito tão simples!

 

Relatora:
Silvia Bardella Marano
Membro dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal https://spsp.org.br/dia-mundial-de-prevencao-da-sindrome-alcoolica-fetal/ Mon, 09 Sep 2024 15:04:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47932 O primeiro Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) ocorreu em 9 de setembro de 1999, pelo empenho do casal canadense Bonnie Buxton e Brian Philcox, que]]>

O primeiro Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) ocorreu em 9 de setembro de 1999, pelo empenho do casal canadense Bonnie Buxton e Brian Philcox, que haviam adotado uma criança com essa síndrome.

A criação desse dia objetivou aumentar a conscientização de toda a população sobre os danos que o consumo de qualquer bebida que contenha álcool, pela mulher grávida, pode causar no feto durante o seu crescimento e desenvolvimento.

O nono dia do nono mês de cada ano foi escolhido de forma intencional, pelo referido casal, como um lembrete para as mulheres sobre a importância de não consumirem álcool durante os nove meses da gestação.

Desde a sua criação, em diversos países, nesse dia comemorativo realizam-se vários eventos que objetivam a educação de toda a população e a prevenção da SAF.

De todas as substâncias de abuso, como maconha, cocaína e heroína, o álcool é o que produz efeitos comportamentais mais graves no feto. Isso é preocupante, não só em nível mundial, como no Brasil, onde se estima que cerca de 15%-25% das gestantes consumam bebidas alcoólicas.

Todo o álcool consumido pela gestante passa para o feto pela placenta e, em uma hora, a quantidade dessa droga no sangue do feto é igual à da mãe. Como o feto não tem as enzimas necessárias para metabolizá-lo, o álcool fica muito tempo no corpo, até retornar ao organismo materno e ser eliminado.

O álcool pode causar alterações no funcionamento, divisão e no crescimento das células. Todas as células do feto podem sofrer os seus danos, mas os que mais sofrem são os neurônios.

A SAF representa o quadro mais grave e completo dos chamados Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF). Este espectro abrange todas as manifestações físicas (inclusive malformações de diversos órgãos), cognitivas, comportamentais e de desenvolvimento, de leves a severas, que os indivíduos podem apresentar se expostos ao álcool na vida intrauterina.

Os pacientes com SAF apresentam características faciais distintas, problemas de crescimento e graves disfunções neurocomportamentais, que, embora possam ter manifestações variáveis de acordo com a idade, não têm cura e os obrigará a conviver com elas por toda a vida.

Os indivíduos com TEAF, inclusive os com SAF, podem apresentar graves deficiências intelectuais, problemas de aprendizagem e de convívio. Podem ser agitados, hiperativos, irritar-se com facilidade, terem baixo limiar de frustração, voltarem-se para a criminalidade e terem grande propensão ao uso de álcool e de outras drogas.

A gravidade e o tipo das lesões causadas no embrião e no feto pelo álcool dependem da dose e da frequência do consumo desta droga lícita pela grávida, do estágio do desenvolvimento do concepto no momento da exposição, da genética materna e fetal, do estado nutricional e da qualidade de alimentação materna. Não depende do tipo de bebida alcoólica, pois todas elas contêm álcool.

Temos que lembrar que o álcool pode estar presente em outras apresentações além das bebidas alcoólicas. Ele pode estar presente nos sacolés alcoólicos, nos chás Kombucha e Jun, em algumas cervejas rotuladas como “sem álcool’, bombons e, como mais recentemente divulgado, em pães. Pode ser usado como solvente do narguilé e, neste caso, ser absorvido para o organismo pelos pulmões.

O diagnóstico da SAF, e de todas as variações do TEAF, não é fácil e exige a participação de profissionais de várias áreas da saúde para que seja feito.

Não existe nenhum tratamento específico para a SAF e TEAF, ou seja, não existe a cura. As terapias existentes apenas abrandam as suas manifestações e são voltadas para o que cada paciente apresenta. Estas devem ser precoces, com a finalidade de melhorar o desenvolvimento da criança e proporcionar uma vida mais saudável e independente no seu futuro.

Não se conhece se existe alguma dose segura de consumo de álcool pela gestante, incapaz de levar a algum dano ao feto. Porém, sabe-se que não só a SAF, como também qualquer sinal e sintoma dentro do TEAF, são totalmente evitáveis, se a grávida não consumir nenhuma quantidade de álcool ao longo de toda a gestação. Essa simples atitude prevenirá o desenvolvimento não só da SAF como também do TEAF, garantindo a possibilidade da criança ter uma vida mais saudável.

Assim, importantes órgãos nacionais e internacionais recomendam a abstinência de álcool a todas as mulheres grávidas, que desejam ou que tenham risco de engravidar.

Frente à gravidade do TEAF, não só as grávidas, como toda a população, precisam estar informadas sobre os perigos que o álcool consumido durante a gravidez pode causar ao feto. Alertar, educar, informar e orientar são os objetivos do Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita

Membro do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido (SAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Amamentação:  Apoio em todas as situações https://spsp.org.br/amamentacao-apoio-em-todas-as-situacoes/ Thu, 01 Aug 2024 12:29:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47358 A Semana Mundial de Amamentação iniciou suas comemorações no ano de 1992, a partir da Declaração de Innocenti de 1990. Este documento reconhece o direito fundamental]]>

A Semana Mundial de Aleitamento Materno iniciou suas comemorações no ano de 1992, a partir da Declaração de Innocenti de 1990. Este documento reconhece o direito fundamental de mães amamentarem e bebês serem amamentados como fator importante para saúde e bem-estar de ambos.

Em 2024 a WABA (Word Alliance for Breastfeeding Action), que é uma rede global de indivíduos e organizações dedicadas à proteção, promoção e apoio à amamentação em todo o mundo, e a IBFAN Brasil (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network), que têm lutado por um mundo sem pressões comerciais, para que as mulheres possam tomar decisões informadas quanto à alimentação infantil de forma adequada. Estas organizações trazem como tema deste ano, no Agosto Dourado, o APOIO À AMAMENTAÇÃO EM TODAS AS SITUAÇÕES, reduzindo as desigualdades. 

Segundo estas instituições, a SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno) está apoiada em 4 pilares que são:

Informar: sobre as desigualdades existentes no apoio à amamentação e sobre os seus indicadores.

Promover: ações para reduzir as desigualdades no apoio à amamentação com foco em grupos de apoio.  

Consolidar: a amamentação como um fator que contribui para diminuir as diferenças na sociedade.

Envolver: líderes como pessoas e organizações para colaborar e apoiar a amamentação.

Inúmeras são as situações em que as mães e os bebês precisam de apoio. 

Dentre as situações em que as lactantes devem ser apoiadas, temos:  as mulheres que trabalham de maneira formal e informal na volta ao trabalho; as mães de prematuros; nas crises climáticas (enchentes, tufões, terremotos etc.); nas diferenças de gênero e raça e várias outras situações cujo apoio é fundamental para que o aleitamento materno seja exclusivo até o sexto mês e complementado até dois anos ou mais, segundo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que podemos fazer? 

Para a mulher trabalhadora formal, devemos promover legislações que permitam que amamentem, exclusivamente, até o sexto mês, além de trabalhar com sindicalistas para informar aos trabalhadores sobre os seus direitos.  Para as trabalhadoras informais, é necessário fornecer locais para que elas possam amamentar e coletar o seu leite perto do local de trabalho, assim como receber ajuda financeira para que possam permanecer mais tempo em casa com seus filhos.

Para as mães de prematuros, o apoio nas maternidades, para evitar o desmame precoce, é de fundamental importância para que os bebês possam sair de alta em aleitamento materno exclusivo. Este apoio passa por orientações sobre a importância da amamentação, estimular que os bebês prematuros possam ir de forma precoce para o seio materno e estimulação à coleta frequente do leite materno para que a produção láctea da mãe não diminua.

Nas crises climáticas, os profissionais da saúde devem ficar atentos ao assédio das indústrias de fórmulas infantis nas doações e distribuições de forma indiscriminadas. Devemos ficar atentos ao Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno (NBCAL) que regulamenta a distribuição de fórmulas.

Nos casos de diferenças racial e social, que existam sistemas públicos que ofereçam grupos de apoio à mulher e às suas famílias com informações oportunas e precisas, bem como apoio prático e emocional para promover a amamentação ideal na iniciação e estimulação à manutenção do aleitamento materno.  

O aleitamento materno é um dos melhores investimentos em Saúde Global. Ao intervir para que possamos prolongar a amamentação, melhoraremos a saúde e sobrevivência de mães e crianças e teremos a melhoria do meio ambiente, que ficarão mais livres de resíduos e substâncias tóxicas.    

ESTE MATERIAL FOI ELABORADO A PARTIR DO SITE DA WABA E DA IBFAN BRASIL.

Saiba mais:

– WABA (Word Alliance for Breastfeeding Action). https://waba.org.my/

– IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network). http://www.ibfan.org.br/site/

 

Relatora:
Rosângela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Mitos e verdades sobre o consumo de álcool na gravidez https://spsp.org.br/mitos-e-verdades-sobre-o-consumo-de-alcool-na-gravidez/ Wed, 23 Aug 2023 19:24:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39110 Apesar de atualmente a conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas por gestantes ser maior e haver mais divulgação sobre o tema, muitas mulhe]]>

Apesar de atualmente a conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas por gestantes ser maior e haver mais divulgação sobre o tema, muitas mulheres ainda desconhecem a gravidade dos riscos à saúde do bebê da exposição pré-natal ao álcool e acreditam que beber eventualmente não oferece prejuízos.

No Brasil, estima-se que 15% das gestantes consomem bebidas alcoólicas, enquanto na região das Américas a prevalência é de 11,2% e, globalmente, de 9,8%. Além disso, mais brasileiras em idade fértil estão bebendo, o que representa um sinal de alerta. Por isso, para chamar a atenção de gestantes e futuras mães, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), por meio do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido, e o CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (uma das principais referências no Brasil sobre este tema), esclarecem cinco mitos e verdades sobre a ingestão alcoólica na gravidez.

  1. O consumo de álcool na gestação não afeta a saúde da gestante.

MITO: A própria gestante consumidora de álcool está sujeita a consequências sérias, tais como diminuição dos reflexos, aumento da acidez gástrica e maior risco de broncoaspiração. Além disso, o álcool interfere no apetite da grávida, levando-a à má nutrição, provocando constrição dos vasos da placenta, tendo como consequência a dificuldade na passagem de nutrientes e oxigênio para o feto. Esses efeitos resultam em restrição do crescimento fetal e ocorrência de malformações congênitas.

  1. Mesmo o consumo eventual de bebida alcoólica pode causar danos ao feto.

 VERDADE: Não há evidências científicas que indiquem se há alguma quantidade segura de consumo; portanto, a gestante deve se abster completamente de todo tipo de bebida alcoólica durante toda a gravidez. O álcool atravessa a placenta, o que permite que, em pouco tempo, a concentração dessa substância no sangue fetal se torne equivalente à materna. Entretanto, o organismo do feto – ainda em formação – não consegue metabolizar o álcool, que permanece no seu sangue por mais tempo, até ser eliminado pela circulação materna. O consumo de álcool na gestação é a principal causa de deficiência mental não congênita, sendo a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) a forma mais grave.

  1. A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) é algo raro e não deve preocupar a gestante.

MITO: Estima-se que a frequência de SAF entre crianças e jovens na população geral ultrapassa 1% em 76 países, incluindo o Brasil. No entanto, nem 1% das crianças afetadas são diagnosticadas. Além da SAF, podem ocorrer disfunções mais sutis, englobadas no Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (em inglês, FASD – Fetal Alcohol Spectrum Disorders), como malformações da face e/ou de outros órgãos, como coração, rins, membros, distúrbios do desenvolvimento do cérebro.

  1. Grávidas podem ingerir bebidas de baixo teor alcoólico ou “zero álcool”.

MITO: Bebidas de baixo teor alcoólico possuem uma certa quantidade de álcool, até mesmo as “zero álcool”. De acordo com a legislação brasileira, bebidas zero álcool podem ter no máximo 0,5% de álcool em sua composição, portanto não é recomendável seu consumo. No entanto, estudos internacionais mostraram que essas bebidas podem conter nível maior de etanol do que o indicado nos rótulos, podendo chegar a 1,8% de teor alcoólico. Ainda sobre bebidas, um outro alerta é sobre o kombucha, bebida fermentada feita a partir do chá verde ou chá preto, açúcar e uma cultura de leveduras e bactérias, conhecida como SCOBY. No processo de fermentação são produzidos ácido acético, gás carbônico e outros compostos, que dão ao kombucha um sabor ácido e ligeiramente adocicado. Se os processos de produção e armazenamento forem adequados, a bebida não deve apresentar teor alcoólico superior a 0,5%. Mas se eles não forem devidamente controlados, como numa produção caseira, a quantidade de álcool pode aumentar. De qualquer forma, seu consumo é contraindicado durante a gestação

  1. Crianças diagnosticadas com problemas de aprendizado ou distúrbios de comportamento podem ser vítimas da exposição pré-natal ao álcool.

VERDADE: Além da SAF e da FASD, também há evidências de que o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode ser reflexo do consumo de álcool na gestação, estando presente em 50% a 80% das crianças afetadas. Outros comprometimentos cognitivos são frequentes, como os problemas no aprendizado de matemática, atrasos na linguagem e motricidade, dificuldades de integração e comunicação, além de risco aumentado de doenças psiquiátricas na vida adulta.

O álcool é considerado atualmente a principal causa de deficiência mental e de anomalias congênitas: 5% a 10% dos fetos expostos ao álcool durante a gestação apresentarão prejuízos em seu desenvolvimento. É algo totalmente evitável! Portanto, mulheres grávidas ou que desejam engravidar não devem beber álcool, em qualquer quantidade e em qualquer fase da gestação.

 

Relatora:
Helenilce de Paula Fiod Costa
Presidente do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido (SAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Você sabia que existe uma Semana Mundial de Aleitamento Materno? https://spsp.org.br/voce-sabia-que-existe-uma-semana-mundial-de-aleitamento-materno/ Tue, 01 Aug 2023 19:16:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38874 Em 2023 celebramos a 32ª Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que acontece entre os dias 1º e 7 de agosto e tem como tema: “APOIE]]>

Em 2023 celebramos a 32ª Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que acontece entre os dias 1º e 7 de agosto e tem como tema: “APOIE A AMAMENTAÇÃO. FAÇA A DIFERENÇA PARA MÃES E PAIS QUE TRABALHAM”.

No Brasil, a lei federal nº 13.435/17 institui o mês de agosto como o Mês do Aleitamento Materno, criando assim o AGOSTO DOURADO (o leite materno é considerado o padrão ouro da alimentação infantil), desde 2017.

O ponto de partida para a criação da SMAM foi uma reunião (“Amamentação na década de 1990: uma Iniciativa Global“), realizada em Florença, na Itália, de 30 de julho a 1º de agosto de 1990, no Spedale degli Innocenti (Hospital dos Inocentes), com a presença de formuladores de políticas da OMS/UNICEF, copatrocinada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (A.I.D.) e a Autoridade Internacional de Desenvolvimento da Suécia (SIDA), com uma proposta de ações até 1995.

O resultado desse encontro foi a Declaração de Innocenti, assinada por 40 representantes de 30 países, do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), OMS, FAO (Organização para Alimentação e Agricultura), do Banco Mundial e outras instituições.

Em fevereiro de 1991 foi criada a WABA (World Alliance for Breastfeeding Action), em uma reunião de ONGs (IBFAN, La Leche League, ILCA, ABM, entre outras), com a ideia inicial de celebrar um dia (1º de agosto, pela data da assinatura da Declaração de Innocenti), para reforçar a importância do aleitamento materno e discutir formas de implementar a sua prática de forma ampla. Assim, o que começou com um dia (1º de agosto), passou a uma semana em 1992 e, no Brasil, desde 2017, tem um mês (agosto) dedicado à proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno.

A cada ano, a WABA estabelece um tema a ser trabalhado mundialmente, cria um slogan e uma proposta de ações para que cada país aplique dentro de sua cultura, suas características sociais e econômicas, mas sempre com a intenção de proteger, promover e apoiar a amamentação. Assim, a 1ª SMAM foi oficializada em 1992, com o tema: “Iniciativa Hospitais Amigos da Criança”.

Muito se fala sobre a Declaração de Innocenti, mas a imensa maioria dos profissionais de saúde materno-infantil desconhece o seu teor. Esse documento de 1990 traz, já na sua essência, grande parte das propostas que se discutem ano após ano, incluindo a de 2023 sobre as condições de trabalho para as mães, especialmente quando voltam de sua licença-maternidade.

Muitos foram os temas das Semanas Mundiais definidos pela WABA, desde a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (1992 e 2010), passando pelos direitos da mulher no trabalho (1993, 2015 e agora em 2023), pelo Código Internacional de Substitutos do Leite Materno (1994 e 2006) e por questões a respeito da era da informação, rede de apoio, saúde materno-infantil, aleitamento materno na primeira hora de vida, exclusivo até o sexto mês e a introdução de novos alimentos.

E assim, ano a ano, se levanta uma nova frente de resistência e de luta, mas sem que se deixem de lado as temáticas anteriores. Vale ressaltar que o aleitamento materno aparece como coadjuvante e parceiro em outras datas representativas durante o ano, como no OUTUBRO ROSA, de prevenção ao câncer de mama, pela proteção conferida através do leite humano. O NOVEMBRO ROXO, mês dedicado à prematuridade, também reforça a importância do leite humano como melhor forma de nutrição para diminuir os quadros de doenças e oferecer maior chance de alta mais precoce para as díades mães-bebês. Em 19 de maio celebra-se o Dia Nacional e Mundial de Doação de Leite Humano, destacando a importância da nossa Rede de Bancos de Leite Humano, a maior do mundo, que inclusive exporta tecnologia para muitos países. “Um pequeno gesto pode alimentar um grande sonho: Doe leite materno”. Esse foi o tema oficial da campanha deste ano.

O Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo lançou um e-book: “30 anos de história da Semana Mundial de Aleitamento Materno”. Nesse documento, estão os temas de cada ano, com uma explicação sobre as ações propostas pela WABA e aplicadas no Brasil desde 1991, sobre o início da caminhada, até 2021, com a 30ª SMAM.

A amamentação é um processo único que:

  • fornece nutrição ideal para bebês e contribui para seu crescimento e desenvolvimento saudáveis;
  • reduz a incidência e gravidade de doenças infecciosas, diminuindo assim a morbimortalidade infantil;
  • contribui para a saúde da mulher, ao reduzir o risco de câncer de mama e ovário, ao aumentar o espaçamento entre as gestações;
  • fornece benefícios sociais e econômicos para a família e a nação;
  • proporciona à maioria das mulheres uma sensação de satisfação quando realizada com sucesso.

 

Pesquisas recentes descobriram que:

  • esses benefícios aumentam com o aumento da exclusividade da amamentação durante os primeiros seis meses de vida e, posteriormente, com o aumento da duração da amamentação com alimentos complementares;
  • as intervenções do programa podem resultar em mudanças positivas no comportamento da amamentação.

Como meta global para a saúde e nutrição materno-infantil ideais, todas as mulheres devem poder praticar a amamentação exclusiva e todos os bebês devem ser alimentados exclusivamente com leite materno desde o nascimento até os 4-6 meses de idade. Depois disso, as crianças devem continuar a ser amamentadas, até dois anos de idade ou mais, e receber alimentos complementares apropriados e adequados. Esse ideal de alimentação infantil deve ser alcançado criando um ambiente apropriado de conscientização e apoio para que as mulheres possam amamentar dessa maneira.”

Esses são alguns trechos da Declaração de Innocenti sobre a proteção, promoção e apoio à amamentação (vale a leitura na íntegra), que trazem informações interessantes sobre o aleitamento materno, o leite humano e as propostas para a compreensão dos desafios que as mães superam quando querem amamentar seus filhos.

E essa é uma responsabilidade de todos nós, governo e suas políticas públicas; empresas e licenças maternidade e paternidade, com salas de apoio à amamentação; da sociedade, sem preconceitos; das mídias e das redes sociais, com informação científica ética, atualizada e sem fake news; das escolas, desde o fundamental até as universidades, com educação continuada sobre o tema; dos profissionais de saúde materno-infantil, com estudos constantes, prática ética, sem conflitos de interesse; da família e redes de apoio, permitindo que a díade mãe-bebê se beneficie do padrão ouro da alimentação infantil.

Relator:
Moises Chencinski
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

]]>
19 de maio – Dia Nacional e Mundial de Doação de Leite Humano https://spsp.org.br/19-de-maio-dia-nacional-e-mundial-de-doacao-de-leite-humano/ Fri, 19 May 2023 19:35:41 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37496 O Brasil, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI- 2019), é considerado uma referência para o aleitamento materno, porque desde]]>

O Brasil, segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI- 2019), é considerado uma referência para o aleitamento materno, porque desde a década de 1980 várias ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, com a participação dos governos, sociedade civil e organizações não governamentais, contribuíram para aumentar a duração mediana do aleitamento, de três meses, nos anos 1970, para mais de um ano (16 meses).

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH) tem como principal missão a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento materno, à saúde da mulher e da criança, bem como a mobilização pela doação de leite humano. Este ano, com a frase “UM PEQUENO GESTO PODE ALIMENTAR UM GRANDE SONHO: DOE LEITE”, os Bancos de Leite Humano (BLH) do Brasil querem aumentar a captação de leite humano para beneficiar mais prematuros.

A produção excessiva de leite materno e dificuldades na amamentação estão entre os relatos mais frequentes das mulheres que procuram ajuda nos bancos de leite. Nestes casos, após terem recebido auxílio, muitas mulheres optam por ajudar a salvar vidas. Qualquer volume é importante, um litro de leite doado pode alimentar 10 recém-nascidos internados nas unidades neonatais por dia.

Pela legislação RDC 171, que regulamenta a Rede Brasileira de Banco de Leite Humano, a doadora, além do excesso de produção de leite, deve ser saudável, não fumar ou usar bebidas alcoólicas, não apresentar doenças infectocontagiosas, não usar drogas e medicamentos que impossibilitem a doação de leite.

Todo leite doado passa pelo processo de coleta, é analisado no BLH, pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade antes de ser ofertado a uma criança prematura internada em uma unidade neonatal, conforme rege a legislação.

Quer ser uma doadora de leite? Acesse o site da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano/FIOCRUZ, escolha a região e o Estado onde você reside, faça contato telefônico com o BLH mais próximo de sua residência, que lhe dará todas as informações necessárias. Não se preocupe com ter que levar o leite extraído, porque será retirado em sua residência.

Com a doação, não faltará leite para o seu filho, porque a produção de leite humano obedece à lei da demanda, ou seja, quanto mais leite é retirado (para doação ou sugado pelo seu bebê), mais leite será produzido. Tenha certeza de que os prematuros agradecem!

A Sociedade de Pediatria de São Paulo apoia esta campanha e incentiva todas as mulheres a amamentar.

 

Relatora:
Rosângela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Dia Internacional da Mulher – 8 de março https://spsp.org.br/dia-internacional-da-mulher-8-de-marco/ Wed, 08 Mar 2023 18:02:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36445 Este não é um artigo escrito de “mulher para mulher”. Não precisei também resgatar meu lado anima para escrevê-lo. Como homem e pediatra, registro]]>

Este não é um artigo escrito de “mulher para mulher”. Não precisei também resgatar meu lado anima para escrevê-lo. Como homem e pediatra, registro aqui algumas palavras sobre esta data…

As origens do Dia Internacional da Mulher remontam ao início do século passado. Movimentos reivindicatórios surgiram tanto nos EUA (fevereiro de 1909), quanto na Rússia (8 de março de 1917) e em outros lugares da Europa (Alemanha, 1910), solicitando remuneração mais justa, diminuição da jornada de trabalho (16 horas na época), férias. Na sequência, surgiu o pedido de direito ao voto. Enfim, os movimentos civis por direitos sempre nascem de uma discriminação, de uma marginalização. Pressupõem uma partilha de poder desigual (há sempre um agente opressor) e uma visão que classifica as pessoas diferentes em desiguais, algumas têm privilégios que outras não devem ter.

Um pouco da história das lutas das mulheres no Brasil:

  • 1827: meninas são liberadas para que frequentassem colégios, enfim, estudassem além da alfabetização.
  • 1879: mulheres podem ser aceitas em faculdades, no ensino superior.
  • 1887: surge a primeira médica brasileira – Rita Lobato Freitas, formada pela Faculdade de Medicina da Bahia. Ela foi a segunda na América Latina.
  • 1919: resolução de salários iguais para homens e mulheres é aprovada.
  • 1923: a enfermagem começa no Brasil através da Escola de Enfermagem Ana Nery.
  • 1934: mulheres conquistam o direito de votar. O voto feminino passa a ser regulamentado no país, para mulheres de todas as rendas, origens ou estado civil.
  • 1962: é criado o Estatuto da Mulher Casada. Em 27 de agosto, a Lei nº 4.212/1962 permitiu que mulheres casadas não precisassem mais da autorização do marido para trabalhar.
  • 1977: a Lei do Divórcio é aprovada no dia 26 de dezembro, a Lei nº 6.515 foi sancionada.
  • 1980: as Forças Armadas passam a aceitar também mulheres na carreira militar.
  • 1985: surge a primeira Delegacia da Mulher. A DEAM (Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher) surge em São Paulo e, logo depois, outras unidades começam a ser implantadas em outros Estados.
  • 2002: “Falta de virgindade” deixa de ser crime. O Código Civil retirou o artigo que dizia que um homem podia pedir a anulação do casamento caso descobrisse que a esposa não era virgem.
  • 2006: é criada a Lei Maria da Penha. A Lei nº 11.340 foi sancionada para combater a violência contra a mulher.

As mulheres, ao longo da história, tiveram que lutar para que fossem vistas de modo diferente e pudessem se inserir na sociedade, desempenhando diversos papéis sociais jamais imaginados. Qual é o perfil de mulher que o século XXI, que mal começou, necessita? Certamente não é aquele das “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque; nem tampouco da “Amélia – a mulher de verdade”, de Ataulfo Alves, ou da “mulher virtuosa”, do texto de Salomão no livro de Provérbios. Estas descrevem facetas do feminino para um tempo específico. Cada época haverá de ajudar a configurar o perfil de mulher adequado ao seu universo.

Somos todos – homens e mulheres – metamorfoses ambulantes, já disse o “Maluco Beleza”. O mundo atual, complexo, veloz e cambiante, exige esse comportamento de lagarta. Portanto, é importante que se assegure:

  1. total liberdade para que a mulher se insira no mercado de trabalho;
  2. que tenha garantido o direito de ser cidadã, na pólis, como qualquer outro indivíduo dessa mesma sociedade;
  3. que lhe sejam oferecidas oportunidades iguais para o seu desenvolvimento como pessoa.

Lembro, ainda, uma lista de direitos defendidos enfaticamente pela SPSP:

  1. um período de amamentação estendido pós-parto, assegurando-se o posto de trabalho ocupado pela mulher;
  2. a garantia de que no período crucial dos 1.000 dias de cada filho, sejam-lhe garantidos, de maneira adequada: pré-natal e atenção ao parto; cuidados ao recém-nascido e seguimento de puericultura; creche para os filhos, para que possa trabalhar em paz e produtivamente.

Quero homenagear as pediatras. Nossas colegas de profissão, brilhantes e dedicadas, que fazem malabarismos para conciliar uma atividade exigente e cansativa, com a dupla jornada do lar e da maternidade. Saúdo aquelas que se dedicam ao estudo acadêmico e contribuem com a sua inteligência para a riqueza acumulada do conhecimento e desenvolvimento da medicina e, em especial, da pediatria. Ao saudá-las, quero homenagear todas as mulheres. Finalizo resgatando da memória uma história singular e real: “a mulher, em sua singeleza de coração, em sua gratidão incontida e sincera, trouxe um bolo em agradecimento à equipe do hospital onde seu filho foi bem acolhido e tratado. Ao final da degustação, com o sorriso largo, de “canto a canto do rosto”, aquela mulher, orgulhosíssima, disse: “eu que fiz”, e acrescentou, amparando e elevando os seios para cima, “com este leite aqui”. E aí deu o produto mais sublime que era capaz de produzir.

As mulheres são capazes de nos surpreender, sempre e de muitas maneiras. “Benditos somos nós, homens, entre as mulheres”. Amém.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

]]>