Morte – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 17 Dec 2024 17:18:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Morte – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Importância do cuidado com a saúde masculina https://spsp.org.br/importancia-do-cuidado-com-a-saude-masculina/ Tue, 19 Nov 2024 12:24:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48970 No dia 19 de novembro comemora-se o Dia Internacional do Homem. Você deve estar se perguntando: se o mundo é dos homens, por que eles precisam de um dia de celebração?]]>

No dia 19 de novembro comemora-se o Dia Internacional do Homem. Você deve estar se perguntando: se o mundo é dos homens, por que eles precisam de um dia de celebração? E é justamente pela pressão social dos papéis de gênero e a associação de masculinidade com “ser durão”, não mostrar fraqueza e ter que resolver tudo com violência, que esse dia foi criado: para lembrar a importância do cuidado com a saúde masculina.

O processo de construção da masculinidade inicia-se ainda na infância, sendo influenciado pelo que se observa nos padrões de referência. Esses modelos são ensinados desde tenra idade e reproduzidos principalmente nas relações familiares. Todavia, quando alguns comportamentos nocivos fazem parte de tal constructo, podem desencadear diversos danos. A vulnerabilidade do homem é encoberta e ignorada pelo fenômeno que chamamos de masculinidade tóxica ou machismo, e é uma das principais razões para esse descaso deles com a saúde. Não afeta apenas a saúde física: a masculinidade tóxica é nociva para ambos os sexos, pois os estereótipos e a pressão social para corresponder às expectativas dos papéis de gênero tradicionais, geram doença e sofrimento emocional.

Infelizmente, desde pequenos muitos homens são criados para não dar o devido valor e cuidado à sua saúde e sentimentos: homem não chora! Seja homem! Não seja uma mulherzinha! Engole esse choro! Seus sentimentos são negados e silenciados constantemente.

Como consequência, os homens são mais alvo de violência interpessoal: 95% dos assassinos no mundo são homens. Na adolescência, a taxa de mortalidade dos meninos é quatro vezes maior do que das meninas; a partir dos 13 anos, a taxa de mortalidade dos meninos aumenta (Tabela 1) e o homicídio é a primeira causa de morte em meninos de 15 a 19 anos.

Ao longo da vida, a negligência com a saúde vai se agravando e as taxas de problemas com uso de substâncias, depressão e suicídio aumentam progressivamente no sexo masculino, sendo mais prevalente do que nas mulheres. Entre os homens, a taxa de morte por suicídio em 2019 foi de 10,7 por 100 mil, enquanto entre as mulheres o número foi de 2,9.

Portanto, comportamentos associados ao machismo levam a inúmeras repercussões negativas para os homens e estão associados a menor desempenho acadêmico, menor posição social e renda, insucesso em relacionamentos conjugais e comportamentos antissociais, tais como agressividades, direção agressiva, dirigir embriagado, ter relações sexuais desprotegidas, tendência a estupro e atitudes antipáticas para com mulheres vítimas de agressão sexual.

Estudos demonstram que em países com maior equidade de gênero, os adolescentes são mais felizes e apresentam menos ansiedade e depressão. Os papéis de gênero igualitários estão associados a maior satisfação com a vida e melhores relacionamentos intrafamiliares, com amigos e na escola, para ambos os sexos, com metade de chance de ter depressão e morrer por morte violenta. Para nos tornarmos agentes de mudanças sociais, dentro dos grupos que nos definem, devemos questionar os papéis quanto à sua determinação e funções históricas, e constatar as relações de dominação que reproduzimos uns sobre os outros, permitindo que a consciência de nossos papéis altere a identidade social.

Temos que ensinar aos nossos meninos que pedir ajuda é um ato de coragem. É não desistir da vida.

 

Tabela 1. Número de óbitos no Brasil em 2022 de 0 a 44 anos

Relatora:

Lília D’Souza-Li
Professora Associada do Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial da Prevenção do Suicídio https://spsp.org.br/dia-mundial-da-prevencao-do-suicidio/ Tue, 10 Sep 2024 17:48:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47956 O Dia Mundial da Prevenção do Suicídio ocorre no dia 10 de setembro e visa ampliar a conscientização da população acerca do tema. Esse debate é cada vez mais importante, sendo essa]]>

O Dia Mundial da Prevenção do Suicídio ocorre no dia 10 de setembro e visa ampliar a conscientização da população acerca do tema. Esse debate é cada vez mais importante, sendo essa a percepção da Sociedade de Pediatria de São Paulo, pois o suicídio, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma das principais causas de morte em todo o mundo e, entre jovens de 15 a 29 anos, a quarta causa de morte.

De partida, é fundamental reforçar que o suicídio tem causa multifatorial, em que interferem elementos psicológicos, sociais e culturais. Entre os fatores de risco para o suicídio mais conhecidos estão: transtornos mentais, dependências químicas, abusos, traumas, perdas econômicas e tentativas anteriores.

Diante desse cenário, é inevitável nos perguntarmos se é possível falar em efetivas medidas de prevenção. Cuidar da saúde mental, não só da criança, mas de todos que a cercam, é o primeiro passo desse caminho. A saúde mental precisa estar ligada aos cuidados cotidianos, onde a presença do cuidador demanda ser além da presença física, uma presença implicada, emocionalmente presente. Esse primeiro cuidado pode contribuir para que mais tarde, na adolescência, mesmo diante de tantos desafios para crescer e construir sua subjetividade, o jovem encontre amparo psíquico que lhe permita fazer escolhas e suportar as adversidades. Não é incomum que casos de bullying estejam conectados e façam parte do cenário de agravamento da saúde mental de um adolescente. O enfrentamento a essas situações sem dúvida é necessário. Para uma criança ou adolescente que experimenta maior dificuldade no enfrentamento de situações de angústia psíquica, o bullying pode se tornar um excesso impossível de ser suportado.

Vivemos em um país marcado por diferenças sociais e econômicas drásticas, no qual o acesso aos recursos de saúde, educação e moradia são muito desiguais, sendo possível assim imaginar o quão desafiador pode ser para muitas famílias administrarem suas exigentes jornadas de trabalhos e ainda assim cuidarem da saúde e bem-estar de seus vínculos familiares. É um enorme desafio!

Quando assistimos entristecidos os casos de suicídio em jovens, surgem as inúmeras perguntas e apontamentos automáticos, culpas e recomendações. Todo cuidado é pouco ao abordarmos tema tão delicado e complexo. Ao observarmos os fatores de risco para o suicídio, surge a recomendação para que jovens que estejam em evidente sofrimento sejam acompanhados e recebam auxílio psicológico. Porém, quando levamos em consideração a adolescência e a velocidade de transformações que ela imprime no indivíduo, podemos considerar que mesmo um jovem aparentemente ‘’bem-sucedido’’ do ponto de vista dos anseios sociais pode estar sofrendo grande pressão. Somadas a isso temos as crescentes exigências dos mercados de trabalho, os apelos estéticos e de consumo (impulsionados e veiculados pelas redes sociais), encaixando o jovem num ‘‘padrão’’: um aluno de alta performance, por exemplo, mas em franco sofrimento, ainda que não aparente. É importante, nesse sentido, nos atentarmos enquanto pais, profissionais de saúde e de educação, para outras formas de adoecimento menos evidentes, mas com grande potencial de risco. Estas situações descritas já são potencialmente deletérias e vêm moldando a forma de ser e sofrer dos jovens e dos adultos na atualidade. Também observamos, com certa frequência, que tanto os pais quanto os profissionais de saúde e de educação se veem perdidos frente aos seus impactos. Há um esgarçamento social em curso, no qual há carência de recursos de amparo no meio social mais amplo. E no desamparo procuramos e precisamos de amparo.

É importante considerar que o desenvolvimento, desde a infância, não se processa de forma linear e que ao longo da vida crianças e adolescentes podem evoluir ou regredir em função do modo como são cuidados e das adversidades que encontram pelo caminho. Crescimento não significa apenas ganhos e é preciso estar atento, porque eles podem dar sinais sutis de que não estão conseguindo elaborar os desafios e as perdas que o crescimento também implica.

Uma dessas vias de expressão de sofrimento é o corpo, que o adolescente utiliza para várias coisas e que está no cerne de sua relação com o mundo, o que podemos constatar não apenas no modo como a imagem é cultuada, mas também nos comportamentos de autolesão, e em última instância, no suicídio.

Na autolesão, o corpo se torna o cenário de expressão dos conflitos internos e de descarga das experiências emocionais dolorosas, o que propicia um alívio momentâneo, frente a vivência de um caos emocional e da dificuldade de transformá-lo em palavras. Com isso, o jovem continua conseguindo se manter agarrado à vida, à realidade que o circunda e ao grupo ao qual pertence. Mas, como o alívio é transitório, o ato tende se repetir, agravando o sofrimento.

O suicídio é o desfecho mais grave da junção entre um excesso de dor, de perturbação e de pressão emocional, de falta de sentido no viver, e revela um enfraquecimento dos vínculos reais do jovem com as pessoas que lhe são significativas e que poderiam lhe proporcionar os recursos de proteção.

Os recursos de proteção são construídos no meio familiar e social e estão intimamente relacionados com os vínculos afetivos na família, na escola e na comunidade na qual o jovem se insere, mas também estão atrelados às percepções e senso de si que ele constrói desde a infância: os sentimentos de autoestima, autoconfiança, as perspectivas de futuro e as habilidades afetivas, sociais e cognitivas.

O principal fator de proteção é o sentimento de estar conectado, numa relação de intimidade e confiança, bem-estar e apoio, de referência para as escolhas e enfrentamento dos desafios que a vida coloca. Em suma, saber que pode contar com alguém, ao longo do percurso da vida e não apenas nos momentos de crise ou de enorme sofrimento.

Ter um sentido para a vida previne e protege do suicídio.

 

Relatoras:
Cristiane da Silva Geraldo Folino
Flávia Schimith Escrivão
Vera da Penha M. Ferrari Rego Barros
Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio https://spsp.org.br/dia-mundial-de-prevencao-ao-suicidio-2/ Mon, 11 Sep 2023 18:40:41 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39255 O dia 10 de setembro é destinado mundialmente à prevenção do suicídio. Conscientizar a população e os profissionais de saúde é importante pois, segundo dados da OMS – Organização]]>

O dia 10 de setembro é destinado mundialmente à prevenção do suicídio. Conscientizar a população e os profissionais de saúde é importante pois, segundo dados da OMS – Organização Mundial da Saúde, em 2018, o suicídio foi a causa de 56% das mortes violentas no mundo, sendo que, no Brasil, entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio figura como segunda maior causa de morte. Outro recorte, pertinente ao Município de São Paulo, recentemente publicado no jornal Folha de S. Paulo, na edição de 25/8/2023, dá conta de que, no primeiro semestre deste ano, o número de tentativas de suicídio e casos de autoagressão foi 82% maior se comparado ao mesmo período no ano de 2019. Essas transformações tornaram o dia a dia dos profissionais de saúde mais desafiador, tornando o suicídio uma questão de saúde pública.

O suicídio é um acontecimento de extrema complexidade e de causa multifatorial. O que observamos no dia a dia da clínica em saúde mental é que é um tema que não admite respostas óbvias e uniformes. Atribuir o suicídio a um evento único na vida da pessoa, como, por exemplo, ao término de um relacionamento, é uma leitura ingênua. Podemos elencar alguns fatores correlacionados a maior risco de suicídio: tentativas anteriores, dependência química, transtornos mentais, histórico de abusos e traumas.  

Não é possível antever um suicídio, mas podemos auxiliar a todos que estão envolvidos na vida das crianças e adolescentes a cuidarem, desde o início da infância, preventivamente, de situações que levem a pessoa a um momento de tamanha dor, a ponto de ela sentir que está “sem saída”, enxergando no suicídio a única opção para lidar com suas angústias. O Estado, a escola, as famílias, pediatras e os profissionais de saúde mental se tornam, nesse sentido, as redes de proteção e auxílio aos jovens, contribuindo para que eles lidem melhor com as adversidades inerentes ao seu desenvolvimento.

Pensando nos aspectos de prevenção, famílias e pediatras podem observar com atenção situações durante a infância indicativas de um maior sofrimento mental, que podem ganhar expressão em sintomas tais como as compulsões (por comida, jogos, uso de telas, uso de álcool, cigarro e outras drogas), comportamentos autolesivos, transtornos alimentares e de ansiedade, desinvestimento e isolamento excessivo da própria família e de amigos, envolvimento em bullying, tanto como autor, quanto como vítima. Esses sinais podem ganhar colorido mais intenso na adolescência, período que envolve uma série de transformações de ordem física e mental. Aumento da impulsividade de forma geral, somado a maior exigência em demandas acadêmicas (vestibular, escolha da futura profissão), bem como as descobertas e vivências sexuais, todas situações que, concomitantes, demandam, em um curto espaço de tempo, uma transformação e maturidade enormes.

Todos os sintomas elencados acima podem ser interpretados como dificuldade de elaboração de sentimentos, os quais indicam a ocorrência de um sofrimento maior. Uma importante orientação aos pais, em relação à prevenção das situações-limite em saúde mental, é que não deixem para depois esse tipo de cuidado: não esperem até que uma situação se agrave para contarem com ajuda de profissionais de saúde mental. Não é possível, a nenhuma família, impedir um filho de viver as adversidades inerentes e que surgem na vida de qualquer criança, porém é possível ajudá-lo a construir recursos para lidar com suas angústias de uma maneira mais saudável.

É importante ressaltar que uma tentativa de suicídio pode representar não apenas a vontade de colocar fim a um sofrimento extremo, como também a comunicação de um sofrimento, um pedido urgente de ajuda. A todos os envolvidos em situações-limite como essas, sejam famílias, pediatras ou escola, é fundamental cuidar para também não se moverem por angústia, não fazerem movimentos bruscos e impulsivos, algo que esse tipo de situação grave inevitavelmente mobiliza.

É também necessário cuidar para que um jovem que passou por tal situação não seja estigmatizado, pois isso pode contribuir para uma maior dificuldade em se conectar com aqueles que estão lhe oferecendo ajuda, aumentando seu isolamento e desespero. O maior fator de contribuição nesses casos é cuidar inicialmente para que essa pessoa seja amparada e esteja fora de risco, para que então, estabilizada a situação, seu sofrimento seja devidamente escutado.

Quem passa por tal experiência deve ter a oportunidade de se conectar a profissionais de saúde que o auxiliem, construindo novas possibilidades de enfrentamento de suas dores, transtornos mentais e sintomas. É fundamental que a família da pessoa que tentou suicídio seja incluída no tratamento pós-evento, pois os familiares também precisarão construir outros caminhos, novas formas de ajudar e reconhecer os sinais de sofrimento de seus filhos, além de lidar com a própria angústia e sofrimento que tais situações geram neles.

 

Relatora:
Flavia Schimith Escrivão
Psicóloga Especialista em Psicologia Clínica e Psicanalista.
Membro dos Núcleos de Estudos de Saúde Mental e de Depressão entre Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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25 de julho – Dia Mundial de Prevenção do Afogamento https://spsp.org.br/25-de-julho-dia-mundial-de-prevencao-do-afogamento/ Tue, 25 Jul 2023 18:37:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38770 Mais de 2,5 milhões de pessoas morreram afogadas no mundo nos últimos 10 anos, sendo 90% das mortes em países de baixa e média renda, atingindo principalme]]>

Mais de 2,5 milhões de pessoas morreram afogadas no mundo nos últimos 10 anos, sendo 90% das mortes em países de baixa e média renda, atingindo principalmente indivíduos jovens. O afogamento é uma das 10 principais causas de morte de crianças e jovens de 1 a 24 anos em todas as regiões do mundo.

A Assembleia da ONU adotou uma resolução histórica na prevenção global de afogamento, em 28 de abril de 2021: reconhecendo-o como uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, estabeleceu o dia 25/07 como Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, data a ser considerada anualmente pelos 193 Estados Membros. Deve-se considerar a data como uma oportunidade para promover mensagens e ações de conscientização e prevenção.

Uma “epidemia silenciosa de mortes evitáveis”, o afogamento mata em média 26 pessoas por hora, ou 650 por dia, no mundo: “Qualquer um pode se afogar, mas ninguém deveria.”

Da conscientização da escala do problema ao reconhecimento e promoção de soluções testadas para prevenir o afogamento, a OMS coordenará ações baseadas em seis intervenções básicas:

  1. Treinamento de espectadores leigos em técnicas de resgate seguro e ressuscitação;
  2. Definição e cumprimento de regulamentos de segurança no transporte aquático;
  3. Melhoria no gerenciamento de risco de inundações em nível local e nacional;
  4. Instalação de barreiras que controlem o acesso à água;
  5. Fornecimento de locais seguros (creches adequadas), longe de água para crianças pré-escolares;
  6. Ensino de crianças em idade escolar da técnica da natação, da segurança na água e do resgate seguro.

O avanço na prevenção do afogamento requer que políticos, sociedade civil, saúde, indivíduos em posição de financiar intervenções e ações de prevenção de afogamento trabalhem juntos, falando “a mesma língua”. Todos e qualquer um podem fazer algo para evitar o afogamento.

Mantenha você e sua família seguros dentro ou ao redor da água. Torne-se um defensor da causa. A SPSP, através do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente, abraçou a ideia e lançou a campanha “Não se afogue”!

Divulguem as mensagens, conversem entre rodas de amigos, nas comunidades, escolas, sobre os riscos e as soluções para que as pessoas NÂO SE AFOGUEM!

Relatora:
Tania Zamataro
Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Um terreno que ninguém quer pisar https://spsp.org.br/um-terreno-que-ninguem-quer-pisar/ Wed, 12 Apr 2023 19:28:11 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36948 O poder curativo e analgésico de uma ‘assoprada’ de mãe sobre um arranhão ou sobre o local de uma pancadinha qualquer, que um filho tenha sofrido, tem um tempo de eficácia restrito na vida de]]>

O poder curativo e analgésico de uma ‘assoprada’ de mãe sobre um arranhão ou sobre o local de uma pancadinha qualquer, que um filho tenha sofrido, tem um tempo de eficácia restrito na vida de uma criança. É igualmente limitado como a crença que a criança tem em Papai Noel ou no Coelhinho da Páscoa ou na fada do dente. Esse tempo simbólico, da fantasia, do ‘faz de conta’, da magia, é traço característico da primeira infância (até 6 anos de idade). Gradativamente, o pensamento concreto vai perdendo densidade. Na adolescência, o pensamento abstrato, próprio ao adulto, vai ganhando espaço.

É importante entender essas variações de percepção do mundo pela criança, especialmente quando há necessidade de se lidar com perdas, sejam elas de um brinquedo de estimação, ou de um animal da família e, em particular, da morte de um familiar próximo.

O luto infantil é um tema desafiador para uma família. Como e quando dar a notícia terrível sobre a morte de um parente muito querido? A criança deve ou não assistir à cerimônia de enterro?

Algumas premissas básicas:

  • A criança é capaz de perceber a ausência de alguém querido e as reações dos adultos à sua volta.
  • A criança vive no mesmo mundo que os adultos, estando, portanto, sujeita às mesmas vulnerabilidades, incertezas e possibilidades de sofrimento.
  • O tempo de luto é um tempo de sentimentos e experiências; por isso, é totalmente individual, tem a sua própria cronologia e, em cada indivíduo, a sua singularidade.
  • O luto infantil é diferente do luto do adulto porque o desenvolvimento psicoemocional da criança ainda está acontecendo, por isso se estende ao longo do período de seu crescimento e amadurecimento.
  • A criança pode se sentir desamparada, solitária, se os adultos não a ajudarem a entender a situação. Esse silêncio pode contribuir para que interprete de forma errada, por exemplo: sentir-se culpada pela pessoa querida ter partido.
  • O luto é um processo natural, não é uma doença. Pode, entretanto, ser “complicado”, seja pelo prolongamento do sofrimento, seja pela sua ausência.
  • As eventuais alterações de comportamento da criança, tanto no ambiente intrafamiliar, quanto na escola ou nos espaços sociais que frequenta, são de fundamental valor para indicar aos pais a necessidade de buscar o auxílio de um profissional da área de psicologia infantil.

Caminhando nesse terreno que ninguém quer pisar.

Com o medo de aumentar o sofrimento da criança, tentando protegê-la ou na crença de que ela é incapaz de entender o que está acontecendo, os adultos evitam falar sobre morte com a criança. É um erro, pois o falar sobre o assunto ajuda a elaborar a perda.

Nessa conversa, sempre difícil mas necessária, é condição básica que o adulto seja verdadeiro e claro. Não deve esconder seus próprios sentimentos, nem ter receio de manifestá-los. É importante, acima de tudo, criar um espaço amoroso, de acolhimento, para que a criança possa verbalizar o que está sentindo, expor a sua percepção sobre aquele momento. É fundamental usar as palavras corretas, como “morreu” e “morte”. Muito cuidado com termos como “viajou”, “partiu”, “virou uma estrelinha” ou “Papai do Céu a levou para morar com ele”, pois talvez gerem confusão e falsas expectativas para a criança. Satisfaça a curiosidade da criança quanto aos detalhes do ocorrido, sempre, adequando sua fala à capacidade de entendimento inerente à faixa etária em que ela está. Não é preciso saber as respostas para todas as perguntas que possam surgir. Mas é importante deixar claro que o corpo não funciona mais depois da morte. Não há problema em dizer à criança “não sei”, ou “nunca pensei sobre isso” e abrir espaço para a construção conjunta de um entendimento. (*)

 

Saiba mais

(*) recomendamos para o aprofundamento do assunto: “Cartilha de orientações sobre o luto das crianças [livro eletrônico]: grupo de estudos em luto. [Alessandra Aguiar Vieira, Leila Costa Volpon, Paula da Silva Kioroglo Reine; ilustração Marina da Costa Marques]. Ribeirão Preto, SP: Ed. dos Autores, 2022. PDF”.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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