Morte súbita – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 16 May 2025 16:19:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Morte súbita – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Ambiente de sono seguro: cobertores vestíveis são mais seguros https://spsp.org.br/ambiente-de-sono-seguro-cobertores-vestiveis-sao-mais-seguros/ Fri, 16 May 2025 16:18:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51393 Garantir um ambiente de sono seguro para bebês é essencial para a segurança e bem-estar dos pequenos. Um dos principais cuidados está na escolha ]]>

Garantir um ambiente de sono seguro para bebês é essencial para a segurança e bem-estar dos pequenos. Um dos principais cuidados está na escolha do que o bebê vai usar durante o sono, especialmente em relação a cobertores e roupas de cama. Um dos itens mais recomendados é o cobertor vestível, também conhecido como “saco de dormir”, que pode ser uma alternativa mais segura aos cobertores tradicionais.

O que é um cobertor vestível?

O cobertor vestível é uma peça de roupa que o bebê usa durante o sono, funcionando como um cobertor, mas de forma mais segura. Ele cobre o bebê como um saco, permitindo liberdade para os movimentos das pernas, enquanto mantém o corpo aquecido sem o risco de sufocação, estrangulamento ou superaquecimento, algo que pode acontecer com cobertores comuns.

Em geral possuem um zíper ou uma série de botões de pressão, normalmente na frente, tornando extremamente fácil vestir. O design do cobertor vestível impede que ele se desloque durante a noite, garantindo que o bebê fique coberto sem o perigo de sufocamento. Os braços devem ser livres para o caso de o bebê rolar, poder voltar para a posição original. Os sacos de dormir podem ser usados desde recém-nascido até os dois anos de idade, sendo importante verificar o tamanho adequado para o bebê.

 

Por que os cobertores vestíveis são mais seguros?

  • Redução do risco de sufocamento: Cobertores e edredons soltos podem cobrir o rosto do bebê, aumentando o risco de sufocamento. Com os cobertores vestíveis, o bebê fica sempre coberto de forma segura, sem o risco de se enroscar.
  • Prevenção do superaquecimento: Bebês têm maior dificuldade em regular a temperatura do corpo. Cobertores pesados ou roupas de cama excessivas podem causar superaquecimento, o que está associado ao risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI).
  • Facilidade de uso: Ao contrário dos cobertores tradicionais, que podem se deslocar facilmente, o cobertor vestível mantém o bebê aquecido sem que os pais precisem se preocupar em ajustar durante a noite. Além disso, muitos modelos têm fechos que tornam fácil colocar e tirar o bebê de forma rápida, sem interrupções no sono.

Outras dicas para um ambiente de sono seguro

Além de optar por um cobertor vestível, existem outras práticas recomendadas para garantir um ambiente de sono seguro para o bebê:

  1. Crianças menores de 1 ano devem ser colocadas para dormir de “barriga para cima”: A posição de dormir é fundamental para reduzir o risco de SMSI. O bebê deve sempre ser colocado para dormir de “barriga para cima“ em qualquer sono.
  2. Usar um colchão firme: Evite colchões muito macios, que podem aumentar o risco de asfixia. O colchão deve ser firme e bem ajustado ao berço, plano e sem inclinação. O lençol deve ser preso ao colchão com elástico.
  3. Evitar objetos no berço: Não coloque travesseiros, protetores de berço, brinquedos ou cobertores soltos no berço. Estes itens podem representar um risco de sufocamento ou estrangulamento.
  4. Escolher berço certificado pelo “INMETRO”. Os berços certificados garantem que passaram por testes de segurança e qualidade.
  5. Manter a temperatura do ambiente confortável: O quarto do bebê deve ter uma temperatura amena. Evite agasalhar demais o bebê, já que o superaquecimento é um risco para a saúde dele.
  6. Compartilhar o quarto, mas não a mesma cama. É recomendado que o bebê compartilhe o quarto com os pais até pelo menos 6 meses, mas nunca a mesma cama. O compartilhamento de sofás e poltronas é muito perigoso, aumentando consideravelmente o risco de morte.
  7. O aleitamento materno tem efeito protetor contra a morte súbita. Quanto maior o tempo de amamentação, maior a proteção contra a morte súbita.
  8. Evitar tabagismo, consumo de álcool ou drogas ilícitas na gestação ou parto. Estes fatores estão relacionados a mortes de bebês durante o sono.

 

Ao seguir essas orientações, os pais podem garantir que o ambiente de sono do bebê seja o mais seguro possível, reduzindo os riscos e promovendo uma boa noite de descanso para o pequeno. Lembre-se, a segurança no sono do bebê é uma prioridade e deve ser levada a sério desde os primeiros dias de vida.

 

Relatora:

Sarah Saul
Vice-Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Ambiente de sono seguro https://spsp.org.br/ambiente-de-sono-seguro/ Fri, 05 Aug 2022 14:46:34 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33627 ]]>

O medo de que o bebê morra dormindo vem “tirando o sono” de mães há muito tempo. E com razão! Há relatos de morte de lactentes durante o sono “desde sempre”, incluindo passagens bíblicas a respeito.

A morte súbita infantil inesperada (do inglês: sudden unexpected infant death, ou SUID) é um termo usado para descrever a morte de um bebê com menos de 1 ano de idade, como o próprio nome diz, inesperada. Após investigação, uma SUID pode ser identificada como morte por sufocamento ou estrangulamento acidental na cama e nos lençóis, infecção, engasgo, lesão ou disfunção cardíaca ou metabólica. Quando não se identifica a causa, considera-se síndrome da morte súbita do lactente (SMSL).

Não se sabe ao certo o que leva à SMSL; o modelo de triplo risco é utilizado para explicar a síndrome: uma criança aparentemente saudável, com alterações nas respostas excitatórias, polimorfismo genético (imperceptíveis a “olho nu”) sofre um estímulo externo, em um período crítico de vida. É a principal causa de óbito de lactentes de 1 a 12 meses de vida, sendo o período de maior risco o de 2 a 4 meses de vida (91% dos casos ocorrem entre 1 e 6 meses de vida). Fatores de risco: meninos (♂), filhos de mães com menos de 18 anos de idade, filhos de mães que fumaram, ingeriram álcool ou usaram drogas na gestação, mães que fizeram pré-natal tardiamente ou não fizeram, bebês com baixo peso ao nascimento, pré-termos, etc.

Desde a campanha back to sleep, iniciada na década de 1990, muitas vidinhas foram salvas com o reposicionamento dos bebês para dormirem com as costas em uma superfície firme (“barriga para cima”). Mesmo assim, dados americanos mostram que ainda há morte inesperada de 3.400 bebês menores de 1 ano de idade todos os anos, nos EUA. Dados brasileiros são mais difíceis de ser obtidos, mas não são menores as taxas de óbito, com certeza. E por que ainda morrem tantos bebês? Seria desinformação???

A velocidade com que as informações se disseminam na atualidade é espantosa, tanto para o bem, como para o mal. Fake news se disseminam rapidamente como verdades, opiniões de pessoas despreparadas, sem embasamento científico algum, também ganham tons de verdades absolutas em segundos… Ah, esses blogs…

Vamos aproveitar essa velocidade e disseminar conceitos bem estabelecidos!

 

Um ambiente de sono seguro reduz o risco de todas as mortes infantis relacionadas ao sono:

  1. Coloque o bebê para dormir de barriga para cima em todas as sonecas e no sono da noite. Bebês que já “rolam” e mudam de posição à noite, em um ambiente seguro, não há necessidade de serem desvirados.
  2. Use uma superfície firme e plana para dormir, não reclinada, de preferência o berço, que tenha o selo de conformidade (no Brasil, do INMETRO). Se o bebê adormecer no “bebê conforto”, carrinho, cadeirinha de balanço, etc., você deve removê-lo para uma superfície firme, para que ele durma de barriga para cima, principalmente se for menor que quatro meses de vida.
  3. Certifique-se de que o colchão se encaixe perfeitamente no berço, não deixando espaços.
  4. Não se deve usar objetos macios na área de sono do bebê, tais como travesseiros, brinquedos, “naninhas”, cobertores, edredons ou roupas de cama soltas. Não utilize protetor de berço. Mesmo aqueles de malha, finos, podem se soltar e causar estrangulamento. Não use ninhos! Se estiver frio, vista o bebê com várias camadas de roupa ou use o saco de dormir para bebês. Não ponha gorro para dormir. Luvas, só as que não se soltam da roupa.
  5. Não superaqueça o bebê. Isso aumenta a chance de SMSL.
  6. Nunca durma com seu bebê na mesma cama! Com base nas evidências, a Academia Americana de Pediatria, entre outras, não recomenda o compartilhamento da cama com o bebê em nenhuma circunstância! Se a pessoa que estiver na mesma cama que o bebê tiver alteração de estado de alerta, se for fumante atual ou se a cama for uma superfície mais macia, o risco de óbito aumenta em dez vezes.
  7. Não colocar mais do que um bebê para dormir no mesmo berço (isso inclui gêmeos e outros múltiplos).

Sofás e poltronas são lugares perigosos para o sono: aumentam de 22 a 67 vezes o risco de SMSL.

 

Outras formas de diminuir o risco de SMSL:

  1. Amamente seu filho. Quanto mais tempo o bebê receber leite materno, maior será a proteção.
  2. Tente dar chupeta para o bebê na hora da soneca ou no sono da noite. Comprovadamente, isso diminui o risco de SMSL, mesmo que a chupeta caia durante a noite.* Se o bebê estiver sendo amamentado, certifique-se de que a amamentação esteja bem estabelecida antes de oferecer a chupeta. Não pendure a chupeta no pescoço ou prenda na roupa do bebê.
  3. Faça o pré-natal de forma regular e evite o uso de substâncias tóxicas durante a gravidez e após o nascimento do bebê.
  4. Faça o tummy time no bebê acordado, sempre com supervisão de um adulto.
  5. Agende e vá às consultas de Puericultura de seu bebê e vacine-o sempre conforme o calendário.

Não se deixe levar por modismos: pergunte ao seu pediatra, informe-se sobre segurança. Para que arriscar?? Mesmo que a chance de acontecer algo ruim seja baixa, será mesmo que o risco vale a pena ser corrido?????

Pense nisso….

Durma em paz.

*Saiba mais

Should breastfeeding babies be given pacifiers?

 

Relatora:
Tania Zamataro
Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: bruno135 | depositphotos.com

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