mortalidade infantil – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 17 Oct 2025 11:25:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png mortalidade infantil – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Vacina é vida: um ato de amor e responsabilidade! https://spsp.org.br/vacina-e-vida-um-ato-de-amor-e-responsabilidade/ Fri, 17 Oct 2025 11:25:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53655 Em 17 de outubro comemoramos o Dia Nacional da Vacinação. A data acende um alerta, especialmente frente às dificuldades que temos enfrentado em escala crescente, desde a pandemia]]>

Em 17 de outubro comemoramos o Dia Nacional da Vacinação. A data acende um alerta, especialmente frente às dificuldades que temos enfrentado em escala crescente, desde a pandemia da Covid-19, em relação aos movimentos antivacinas.

Muitas informações falsas têm circulado e assustado os pais, e quando essas declarações vêm de líderes políticos ou profissionais de saúde sem embasamento em literatura científica ou dados mundiais de farmacovigilância, a situação se torna ainda mais preocupante em relação à importância da prevenção por meio da vacinação.

Importante lembrar que a imunização não se trata apenas de uma ação individual e sim coletiva. Vacinar traz consigo amor-próprio e amor ao próximo. Sim, porque a vacina protege quem a recebe e também quem está ao redor e que, por razões variadas, não pode receber a vacina, como bebês em determinadas faixas etárias, pessoas que fazem tratamento oncológico ou reumatológico e idosos.

Muitos pais não sabem, mas a vacinação é apontada como o segundo maior avanço da humanidade em termos de saúde pública, atrás apenas da ampliação da oferta de água potável.

Hoje, vivemos num mundo onde a mortalidade infantil por doenças imunopreveníveis diminuiu de forma significativa, aumentando a nossa expectativa de vida e gerando uma falsa sensação de segurança.

O processo de combate às mortes infantis é ainda mais preocupante frente à queda na cobertura vacinal no Brasil e no mundo, que se agravou no período pós-pandemia.

Desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), diversas estratégias foram implementadas para reduzir a mortalidade infantil e ampliar a expectativa de vida da população. Nesse processo, a política de vacinação, conduzida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), e apoiada pelas Sociedades Científicas, como a Sociedade de Pediatria de São Paulo, Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações, desempenhou papel central, assegurando avanços significativos na qualidade de vida de crianças, adolescentes e suas famílias em todo o Brasil. Além disso, o setor privado de vacinação, bastante qualificado no país, reforça a possibilidade de melhorar a proteção individual, além da proteção coletiva.

Apesar desses resultados, doenças como a poliomielite e o sarampo ainda preocupam, pois são endêmicas em outros países, o que reforça a necessidade de mantermos elevadas coberturas vacinais em todo o território nacional, pois a globalização traz consigo risco de contágio na população não vacinada ou incompletamente vacinada.

Mitos e inverdades precisam ser combatidos com informações seguras e científicas, pois representam risco de adoecimento, sequelas e mortes nas famílias, principalmente “fake news” que relacionam vacinas ao autismo e a outras doenças causadas pelas vacinas de RNAm, vacinas preventivas do câncer, presença de mercúrio ou alumínio nas formulações, sobrecarga do sistema imunológico, entre outras.

Nesse Dia Nacional da Vacinação é importante reforçarmos que:

  • Inúmeros estudos científicos bem conduzidos comprovam que não há relação entre nenhuma vacina e o transtorno do espectro autista (TEA), como é conhecido o autismo. O trabalho publicado que deu origem a essa questão foi contestado pela comunidade científica por ter graves falhas metodológicas, sendo o autor acusado de fraudar informações apresentadas no estudo e receber pagamento de escritórios de advocacia envolvidos em processos por compensação de danos vacinais. O autor teve seu registro cassado e a revista Lancet excluiu o trabalho de seus arquivos e a maioria dos colaboradores solicitou a retirada de seus nomes da publicação. Apesar de todas as evidências científicas, grupos antivacinistas ainda reproduzem o discurso, que induz muitas famílias à hesitação ou à recusa vacinal.
  • A relação entre o timerosal, substância à base de mercúrio presente em vacinas multidoses desde 1930, e o autismo, também foi amplamente investigada e descartada. O tipo de composto utilizado (etilmercúrio) é degradado e expelido rapidamente do organismo, portanto, não acumula nos órgãos ou corpo, nem traz qualquer prejuízo à saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS), a Food and Drugs Administration (FDA), a Academia Americana de Pediatria (AAP), entre outros regulatórios, já emitiram posicionamentos positivos sobre a segurança do timerosal nas vacinas.
  • Compostos de alumínio, utilizados como adjuvante em algumas vacinas inativadas, não estão associados ao aumento do risco de distúrbios do neurodesenvolvimento, doenças autoimunes crônicas ou quadros alérgicos e atópicos. Vale destacar que a exposição humana ao alumínio é frequente, uma vez que o metal está presente no solo, em chás e ervas, temperos, utensílios de cozinha, latinhas de bebidas, creme dental, cosméticos e até mesmo na água tratada.
  • O uso de vacinas combinadas e a aplicação de várias vacinas no mesmo momento para prevenção de mais de uma doença não é capaz de sobrecarregar o sistema imunológico. O número de antígenos com o qual o organismo entra em contato devido à vacinação é muito inferior à exposição que acontece naturalmente no dia a dia.
  • A vacina contra hepatite B administrada já nas primeiras horas após o nascimento tem o objetivo de evitar a doença caso o vírus seja transmitido da mãe para o filho durante a gestação, parto ou por meio da amamentação. Nove entre dez recém-nascidos infectados pelo vírus da hepatite B, não vacinados, desenvolvem a forma crônica da doença, que pode evoluir com gravidade e levar à cirrose ou ao câncer de fígado, geralmente na adolescência ou vida adulta.
  • Vacinas de RNAm não alteram o cromossomo nem o DNA das pessoas. Elas usam uma molécula de RNA mensageiro envolta em pequenas partículas de gordura, para levar instruções às células e gerar uma resposta imunológica.

Apesar da tecnologia de RNA mensageiro ser estudada há décadas, a aplicação dela só teve repercussão mundial quando foi utilizada para a produção da vacina Covid-19, criando especulações e desinformação. A vacinação contra a Covid-19 teve grande impacto na redução da morbimortalidade da doença, evitando milhares de óbitos e internações no mundo, desde a sua introdução no ano de 2021.

Mas a função do RNA mensageiro vai além; a tecnologia abre a perspectiva de que vários tipos de câncer que não respondem bem aos tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia, Aids, doenças genéticas raras ou outros distúrbios associados a proteínas ausentes ou que não funcionem corretamente possam ser tratados.

 

Avaliação das coberturas vacinais

A análise recente das coberturas vacinais evidencia avanços significativos no país, com destaque para o período a partir de 2023, quando se observou incremento consistente em diversas vacinas ofertadas para os menores de 2 anos, porém ainda precisamos melhorar.

Esses progressos reforçam a pertinência das ações realizadas, como também a oportunidade estratégica para ampliar o acesso, reduzir desigualdades e assegurar maior homogeneidade das coberturas vacinais no país.

 

Objetivos principais do Dia Nacional da Vacinação:

  • Ampliar o acesso da população de crianças e adolescentes à vacinação, conforme o Calendário Nacional de Vacinação;
  • Contribuir na redução da incidência das doenças imunopreveníveis;
  • Enfrentar a hesitação vacinal com ações de comunicação e mobilização social;
  • Oportunizar a vacinação contra epidemias (febre amarela, dengue, sarampo, etc.) em locais de risco;
  • Possibilitar o resgate de crianças e adolescentes não vacinados;
  • Proporcionar a vacinação de adultos e idosos, especialmente quando acompanham as crianças ao posto de vacinação;
  • Monitorar casos de doenças imunopreveníveis já erradicadas no mundo;
  • Manter o status de eliminação da poliomielite e do sarampo no Brasil e no mundo;
  • Realizar o monitoramento da segurança das vacinas;
  • Combater informações falsas, oferecendo referências científicas acessíveis e claras para tranquilizar a população.

O Dia Nacional da Vacinação é uma excelente oportunidade para relembrarmos quantas vidas têm sido salvas, quantas sequelas têm sido evitadas, quanto sofrimento e preocupação desapareceram, desde que as vacinas surgiram.

 

Relatora:

Silvia Bardella
Pediatra e Infectopediatra
Membro do Departamento Científico de Imunizações da SPSP

]]>
“Vendem-se sapatos de bebês, nunca usados” https://spsp.org.br/vendem-se-sapatos-de-bebes-nunca-usados/ Mon, 22 Aug 2022 13:50:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33965 O título deste texto é uma tradução livre daquele que é considerado o conto mais curto que já foi escrito, atribuído a Ernest Hemingway. Tem apenas seis palavras na língua original: “For sale]]>

O título deste texto é uma tradução livre daquele que é considerado o conto mais curto que já foi escrito, atribuído a Ernest Hemingway. Tem apenas seis palavras na língua original: “For sale: baby shoes, never worn”.

Há múltiplos entendimentos ou interpretações sobre o que este conto sugere. Pessoalmente, remeteu-me a esta imagem, bastante dramática: “sapatinhos de um enxoval de RN que nunca foi utilizado porque a criança não sobreviveu”. Cena de um luto prematuro. Cena de uma tragédia familiar.

Os sapatinhos foram o mote para escrever sobre este tema: a taxa de mortalidade infantil no Brasil. Tal qual a dramaticidade do conto é a tragédia de mortes prematuras que poderiam ser evitadas: “duas a cada três mortes de crianças com menos de 1 ano de idade no Brasil poderiam ter sido evitadas com medidas básicas de atenção à saúde” (Fiocruz, publicado em 11/05/2022).

Essas medidas incluem pré-natal adequado, incentivo à amamentação, incentivo à vacinação. Estamos regredindo, uma vez que em 2015 o Brasil alcançou e comemorou um dos objetivos do milênio, que era o de reduzir pela metade as mortes infantis.

A taxa de mortalidade infantil no Brasil, medida pelo número de mortes antes de completar um ano de idade, chegou a ficar em 12,4. A tabela abaixo revela o aumento desses números.

Taxa de Mortalidade Infantil no Brasil. Fonte: Boletim Epidemiológico. Secretaria de Vigilância em Saúde. MS. Volume 52/0utubro 2021.

Ano   1990 2015 2016 2017/2019
Taxa   47,1 13,3 14,0 13,3

 

A doença do “sarampo” é emblemática para expressar a deterioração de conquistas anteriores no campo da saúde pública. A região das Américas, após ter sido declarada, em 2016, a primeira região livre do sarampo, voltou em 2017 a conviver com essa doença. A Venezuela enfrenta desde julho de 2017 um surto de sarampo, sendo a maioria dos casos provenientes do Estado de Bolívar. A situação sociopolítica e econômica enfrentada pelo país ocasionou um intenso movimento migratório, que contribuiu para a propagação do vírus para outras áreas geográficas.

Brasil, desde fevereiro de 2018, também enfrenta um surto de sarampo (genótipo D8, circulante na Venezuela desde 2017). No ano de 2019, o Brasil perdeu a certificação de “país livre do vírus do sarampo”, dando início a novos surtos, com a confirmação de 20.901 casos da doença. Em 2020 foram confirmados 8.448 casos e, em 2021, até a Semana Epidemiológica (SE) 52, foram confirmados dois óbitos por sarampo no Estado do Amapá, ambos em crianças menores de um ano – uma delas com 7 meses de idade, não vacinada (com orientação da Dose Zero em Estados com surto) e sem comorbidades e a outra com quatro meses de idade (não indicada vacinação, por ser menor de seis meses), nascida de parto prematuro, gemelar, baixo peso, com síndrome de Down e pertencente à terra indígena Waiãpi.

 

Saiba mais:

 

  1. Nikola Budanovic, “For sale, baby shoes, never worn”: Tracing the history of the shortest story ever told. Sep 24, 2017. Disponível em: https://www.thevintagenews.com/2017/09/24/for-sale-baby-shoes-never-worn-tracing-the-history-of-the-shortest-story-ever-told/?chrome=1
  1. “Duas a cada três mortes de crianças com menos de 1 ano de idade no Brasil poderiam ter sido evitadas com medidas básicas de atenção à saúde” (Fiocruz. Publicado 11/05/2022 pela RedeBrasilAtual). Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2022/05/brasil.
  2. Taxa de Mortalidade Infantil no Brasil. Fonte: Boletim Epidemiológico. Secretaria de Vigilância em Saúde. MS. Volume 52/0utubro 2021.
  3. Boletim Epidemiológico 03. Secretaria de Vigilância em Saúde. Volume 53/Jan.2022.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: @wirestock/br.freepik.com

]]>
Semana Nacional de Prevenção de Gravidez na Adolescência: Informações para os pais e responsáveis https://spsp.org.br/semana-nacional-de-prevencao-de-gravidez-na-adolescencia-informacoes-para-os-pais-e-responsaveis/ Fri, 05 Feb 2021 16:49:31 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3593 De 1 a 8 de fevereiro, acontece no Brasil a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pela Lei nº 13.798/2019, para conscientização, prevenção e redução dos números de casos no Brasil.

Alguns fatos são claros (ou deveriam ser!) quando analisamos a questão da gravidez na adolescência:

O que contribui para que ocorra com tanta frequência?

Entre os principais fatores relacionados a esta incidência tão alta, temos: renda familiar insuficiente e baixa, educação deficiente ou abandono dos estudos, oportunidades limitadas para ingresso no mercado de trabalho, perpetuação do ciclo da pobreza, falta de informações sobre saúde, direitos sexuais e reprodutivos e aumento da violência sexual.

vadimphoto | depositphoto.com

E quanto aos pais, cuidadores e responsáveis por estes adolescentes, o que podem fazer para orientá-los e ajudá-los a prevenir a gravidez?

Seguem algumas dicas, adaptadas de: Nelson, P.T. (Ed) (2012). 10 Tips for Parents in Families Matter! A Series for Parents of School-Aged Youth. Newark, DE: Cooperative Extension, University of Delaware.

1- Conversem com seus filhos desde cedo, de forma honesta, aberta e numa linguagem clara e sucinta. Não esperem que perguntem espontaneamente, iniciem a conversa. Escutem com atenção o que eles têm a dizer, se entenderam o que foi falado e o que gostariam mais de saber. Importante destacar as diferenças entre amor e sexo, como funcionam os relacionamentos e todas as partes do corpo. É importante que saibam os valores e crenças de vocês e que estão à disposição para conversar sobre tudo que estão pensando ou quais são suas preocupações.

2- Supervisionem e monitorem as atividades de seus filhos. Saibam onde estão o tempo todo ou se estão sendo supervisionados por adultos atentos e responsáveis. É melhor serem acusados de intrometidos e enxeridos, do que de pais que não se importam!

3- Conheçam e convivam com os amigos de seus filhos e suas famílias. Tenham sempre em mente a enorme influência que seus pares podem exercer. Estimulem seus filhos a convidar amigos para vir em casa e conversem com eles regularmente. Conversem com os pais dos amigos sobre as regras e expectativas com relação aos filhos.

4- Saibam o que seus filhos estão assistindo, lendo e ouvindo. Sejam “alfabetizados em mídia”. Como é impossível controlar totalmente o que veem e ouvem, ensinem a pensar de forma crítica, conversem sobre o que estão aprendendo com o que assistem e as músicas que ouvem. É aconselhável não terem TV e os celulares serem desligados e deixados fora do quarto nos momentos de descanso.

5- Ajudem seus filhos adolescentes a terem opções para o futuro que sejam muito mais atraentes do que a gravidez precoce e a paternidade. Façam com que percebam que tornar-se pai ou mãe pode atrapalhar seus planos e sonhos. Estejam ao lado deles para definir metas reais e significativas para o futuro. Conversem sobre o que precisam fazer para alcançar seus objetivos e ajudem-nos a alcançá-los.

6- Enfatizem o quanto vocês valorizam a educação. Definam expectativas para o desempenho escolar de seus filhos, acompanhem a vida escolar deles e intervenham logo se não vão bem na escola – o fracasso e abandono escolar são importantes fatores de risco para a paternidade adolescente.

7- Sejam claros sobre seus próprios valores e atitudes sexuais. Será muito mais fácil conversar com os filhos pensando em algumas questões, como: sua opinião sobre adolescentes em idade escolar sexualmente ativos e tornando-se pais; o que pensam de namoro precoce; sobre adolescentes que namoram pessoas mais velhas ou mais jovens do que eles (mais do que 2 anos); quem deve definir os limites no relacionamento e como isso deve ser feito; o que acham de adolescentes que usam anticoncepcionais; apoiam ou não serem sexualmente ativos na adolescência; o que pensam sobre a abstinência sexual nesta fase. E imaginem se as respostas de vocês a estas questões vão afetar o que vai ser dito a seus filhos.

8- Esforcem-se para que o relacionamento entre vocês seja de confiança e respeito mútuos, caloroso e afetuoso, mas firme na disciplina e rico na comunicação. Escutem com atenção o que seus filhos dizem e atente-se ao que eles fazem, reforçando sempre que devem se sentir bem com isso. Não comparem uma criança com outra, deixem ela saber que é única. Tentem fazer pelo menos uma refeição em família todos os dias. Usem o tempo juntos para conversar e não para discutir ou ficar nas mídias sociais.

9- Estejam preparados para responder, de forma clara e franca, a perguntas do tipo: Como vou saber que estou apaixonado? Quando estarei pronto para o sexo? O sexo vai me aproximar do meu namorado(a)? Fazer sexo vai me tornar mais popular? Como posso dizer que não quero fazer sexo, sem ferir os sentimentos ou perder a pessoa? Como reagir quando for pressionado para fazer sexo? Devo usar qual método de contracepção? Qual é o mais seguro e que funciona melhor? Posso engravidar na primeira vez?

E quais seriam as respostas mais adequadas?

Não temos como saber, uma vez que cada família e todos os seus membros podem ter diferentes valores, crenças, ideais, noções de respeito, empatia, honestidade e autonomia e usam, em menor ou maior grau, as lições e experiências de vida como aprendizado, tentando manter relações saudáveis e convivência em harmonia.

As respostas mais “pé no chão” poderiam ser:

“Acho os riscos de AIDS, outras doenças sexualmente transmissíveis e de gravidez muito grandes. Vocês precisam ter maturidade e saber se proteger sempre que fizerem sexo, até que se sintam prontos e preparados para ter um filho”.

“Pense à frente como você poderá lidar com diferentes situações – tem um plano? Estará preparado? Vai usar medidas de proteção e anticoncepção? Se sua ideia for dizer não, terá força suficiente para mantê-la? Como vai lidar e negociar com tudo isso?”

“Fazer sexo não é o preço que você deve pagar por um relacionamento íntimo. É natural e normal ter desejos sexuais e pensar em sexo. Não é normal engravidar sem estarem preparados e prontos para isso; ter um bebê não transforma um menino em homem ou uma menina em mulher”.

E lançamos duas afirmações de peso, para que reflitam sobre elas:

– Falar com os filhos sobre sexo não vai incentivá-los a se tornarem sexualmente ativos;
– Crianças de todas as idades desejam um relacionamento próximo com seus pais e anseiam por sua ajuda, aprovação e apoio.

Relatores:
Renata D Waksman
Moises Chencinski
Coordenadores do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Semana Nacional de Prevenção de Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/semana-nacional-de-prevencao-de-gravidez-na-adolescencia/ Wed, 03 Feb 2021 18:16:27 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3588 A gravidez na adolescência continua sendo grande responsável pela mortalidade materna e infantil, com complicações relacionadas à gestação e ao parto como a principal causa de morte de meninas de 15 a 19 anos em todo o mundo.

Ao se analisar as taxas de gravidez, no Brasil é de 68,4 por 1000 adolescentes, acima da média global (46 por 1000) e da América Latina (65,5 por 1000), segundo publicação na revista The Lancet.

Em países onde o aborto é proibido ou altamente restrito, muitas adolescentes, para quem a gravidez não foi planejada, acabam recorrendo a procedimentos inseguros, colocando sua saúde e sua vida em risco (cerca de 3,9 milhões de abortos inseguros/ano em adolescentes de 15 a 19 anos nos países em desenvolvimento).

andrew lozovyi | depositphotos.com

De 1 a 8 de fevereiro acontece no Brasil a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pela Lei nº 13.798/2019, para conscientização, prevenção e redução destes números.

Segundo dados do SIDRA (Sistema IBGE de Recuperação Automática), em 2019, 2.812.030 nascidos vivos foram registrados no Brasil, entre os quais 13% deste total (1 em cada 7,5 partos) são filhos de mães com idades entre 15 e 19 anos e 0,60% (16.707) nascimentos registrados de mães menores de 15 anos.

Entre as principais consequências dessas taxas, vale ressaltar os efeitos sociais e econômicos negativos para as meninas, para suas famílias e suas comunidades no que diz respeito à alta incidência de interrupção da vida escolar, rejeição por parte das famílias e colegas, vivência social não esperada, maior vulnerabilidade, bem como maior probabilidade de sofrer violência, ainda mais em famílias de baixa renda.

Adolescentes grávidas também enfrentam riscos e complicações à saúde devido a seus corpos imaturos. Além disso, bebês nascidos de mães mais jovens também correm maior risco.

Clinicamente, é observado aumento do número de partos prematuros, bebês de baixo peso e de mortes perinatais (50% a mais quando comparadas com as mães entre 20 a 29 anos). Além disso, ocorre redução das taxas de aleitamento materno.

A dificuldade de acesso ao sistema de saúde, associada às consequências sociais e de dinâmicas familiares dessa situação, produz um panorama desafiador e assustador para todos os profissionais da área da saúde e para as políticas públicas que buscam atuar sobre essas estatísticas.

Não há como negar que a informação ainda não atinge adequadamente os adolescentes e temas como sexualidade e contracepção não são abordados de forma eficaz na prevenção da gravidez.

Assim, educação sexual nas escolas e uma assistência ginecológica das adolescentes mais ampla e acessível, antes da iniciação da vida sexual ativa, são ferramentas fundamentais para se conscientizar essa população.

Meios de comunicação amplamente utilizados por adolescentes, como mídias sociais e tecnologia, podem divulgar campanhas de prevenção, que irão chegar à maioria da população jovem.

___
Relatores: 
Moises Chencinski
Renata D. Waksman
Coordenadores do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>