Mastigação – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 20 Mar 2024 11:42:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Mastigação – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia Mundial da Saúde Bucal – 2024 https://spsp.org.br/dia-mundial-da-saude-bucal-2024/ Wed, 20 Mar 2024 11:42:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=43069 O Dia Mundial da Saúde Bucal foi criado em 20 de março de 2013 para conscientizar a população mundial sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal. A cada três anos, a Federa]]>

O Dia Mundial da Saúde Bucal foi criado em 20 de março de 2013 para conscientizar a população mundial sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal. A cada três anos, a Federação Dentária Internacional (FDI) lança um tema para ser desenvolvido. O tema para o triênio de 2024 a 2026 é “Uma boca feliz é …”.

Segundo estudo da Organização Mundial da Saúde, as doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas e podem estar associadas a problemas graves de saúde, além de causarem dor, desconforto, isolamento social, perda de autoconfiança, entre outros.

A saúde geral do paciente está relacionada com a saúde bucal. Algumas doenças podem se instalar e se agravar pela falta de cuidados odontológicos.

Vamos fazer uma reflexão juntando o tema “uma boca feliz” com o enfoque principal deste blog, de divulgar conhecimentos científicos de saúde da criança e do adolescente?

Será que podemos considerar uma boca feliz somente aquela que não tem cárie ou doenças da gengiva?

Na verdade, não é só isso, pois a saúde bucal compreende não somente a ausência destas condições e outras patologias, mas também um equilíbrio de funções orais, como a fala, mastigação e deglutição.

Uma boca feliz começa desde a gestação. Os dentes de leite já iniciam sua formação no segundo mês de vida intrauterina. Boa alimentação materna e cuidados com a sua saúde favorecem o desenvolvimento saudável da dentição.

Após o nascimento, o aleitamento materno tem um papel importantíssimo, não só para a saúde geral da criança, como também para a saúde bucal. O exercício que a criança realiza durante a amamentação favorece o crescimento e desenvolvimento harmonioso da oclusão, da face, além de preparar músculos e demais estruturas da face para as funções orais.

Durante a introdução da alimentação complementar, é importante haver uma evolução nas texturas e tamanhos dos alimentos, para que a criança inicie o treinamento da mastigação que, nesta fase, mesmo sem ter dentes erupcionados, precisa aprender a colocar e levar a comida de um lado para outro na boca.

O nascimento dos primeiros dentes implica em duas condutas importantes: 1. Visitar o cirurgião-dentista, de preferência o odontopediatra; 2. Iniciar a limpeza dos dentes com escova de cabeça pequena, cerdas macias e pasta de dentes com 1.100 partes por milhão (ppm) de flúor, sendo a quantidade da pasta equivalente a um grão de arroz para essa idade.

A conscientização das famílias sobre o impacto negativo do uso da mamadeira e chupeta faz parte da manutenção para uma “boca feliz”. Estes hábitos mantidos por tempo prolongado afetam fortemente a posição dos dentes, a deglutição, mastigação, fonação e podem aumentar o risco de a criança sofrer traumatismo dentários.

Conforme a criança vai crescendo, o monitoramento e acompanhamento do odontopediatra propiciará o desenvolvimento de “uma boca feliz” até a idade adulta. Várias situações podem ocorrer durante a troca dos dentes de leite (decíduos) pelos permanentes e, quando diagnosticadas precocemente, poderão favorecer o desenvolvimento saudável da boca.

A educação e conscientização da família é fundamental para conquista de “uma boca feliz”! Quando a promoção da saúde bucal segue no período da gestação, o resultado será uma família que cuida de seus filhos desde o início de forma saudável e ao longo da vida.

Hoje é possível viver sem a maioria das doenças bucais, que podem e devem ser prevenidas, de forma simples e com baixo custo, por meio da conscientização e de orientações atualizadas!

 

Relatoras:
Adriana Catia Mazzoni
Cristina Giovannetti Del Conte
Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial da Saúde Oral – 20 de março https://spsp.org.br/dia-mundial-da-saude-oral-20-de-marco/ Mon, 20 Mar 2023 11:46:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36535 O Dia Mundial da Saúde Oral é comemorado no dia 20 de março, com o objetivo principal de lançar campanhas com foco na saúde oral.]]>

O Dia Mundial da Saúde Oral é comemorado no dia 20 de março, com o objetivo principal de lançar campanhas com foco na saúde oral. Dessa forma, governantes de todo o mundo, associações voltadas para os cuidados da saúde e o público em geral são chamados para trabalharem juntos, a fim de aumentar a conscientização global sobre a prevenção e o controle de doenças bucais e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Esse dia foi instituído pela FDI (Federação Dentária Internacional) em 2013 e, desde então, a cada três anos, um tema específico de ação é definido e direciona as atividades. O tema escolhido para o período de 2021-2023 é “Tenha orgulho da sua boca, para uma vida inteira de sorriso”!

Por meio da filosofia preventiva denominada PRIMEIROS MIL DIAS, que acompanha as famílias desde a gestação até o segundo ano de vida, este é considerado um período importante do crescimento e desenvolvimento da criança, para a introdução de atitudes e ações favoráveis, tanto para a saúde geral da criança, como para a saúde oral, através do crescimento harmonioso dos arcos dentais e da face.

O odontopediatra tem um papel fundamental no envolvimento do núcleo familiar em relação às orientações, desde a prevenção das doenças da gengiva e dos dentes (cárie dentária), bem como da promoção de funções orais fundamentais, como mastigação, fonação e deglutição.

 

Dicas durante a gestação:

– mantenha uma alimentação balanceada;
– mantenha a higiene oral diária;
– realize consulta com seu dentista para controle;
– procure um odontopediatra para receber as orientações iniciais.

 

Dicas durante os dois primeiros anos de vida:

– amamentação exclusiva até o 6º mês de vida;
– assim que nascerem os primeiros dentes, comece a escovar com escova pequena e pasta de dente com flúor, no volume equivalente a meio grão de arroz;
– alimentação sem açúcar;
– durante a alimentação de transição, forneça alimentos com texturas diferentes, para a criança exercitar a mastigação;
– procure o odontopediatra.

 

Convidamos todos a abraçarem essa campanha de valorização da saúde oral desde a gestação, para propiciar uma melhor qualidade de vida para seu filho(a)!

 

Saiba mais:

https://www.spsp.org.br/2021/02/24/cuidados-com-a-saude-oral-nos-primeiros-mil-dias-do-bebe-em-tempos-de-pandemia/

https://www.spsp.org.br/2020/08/13/amamente-pelo-seu-bebe-por-voce-e-pelo-planeta/

https://www.spsp.org.br/2020/02/19/desenvolvimento-dos-habitos-alimentares-na-primeira-infancia/

 

Relatoras:
Cristina G. Del Conte
Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

Patricia Camacho Roulet
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

Ana Maria P. Guimarães de Araujo
Secretária do Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Desenvolvimento dos hábitos alimentares na primeira infância https://spsp.org.br/desenvolvimento-dos-habitos-alimentares-na-primeira-infancia/ Wed, 19 Feb 2020 18:58:18 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3014 A prevenção de doenças cardiovasculares, anemia e obesidade começa na vida intrauterina. Uma alimentação cuidadosa durante a gestação, amamentação e primeira infância possibilita o crescimento e desenvolvimento adequados do bebê e contribui para a formação de hábitos alimentares saudáveis para toda a vida. Nos primeiros seis meses de vida, o leite materno é o alimento mais completo e indicado para os bebês. O aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e mantido até os dois anos de idade ou mais, desde que tenha a função nutritiva e respeite a vontade da criança e da mãe. Após o sexto mês de vida, a alimentação complementar deve ser introduzida. A alimentação é uma atividade que envolve muitas estruturas do corpo humano e a coordenação de todo o sistema neuromuscular. O aleitamento materno estimula a respiração nasal e correta sucção, favorecendo o crescimento harmônico da boca e da face, importante para a mastigação. Ele ainda expõe a criança a uma ampla experiência sensorial, facilitando a aceitação da alimentação complementar. Ao completar seis meses, a criança apresenta maturidade para receber novos alimentos, em diferentes apresentações e texturas, na forma de alimentação complementar. Nessa idade, essa passa a preencher as necessidades nutricionais, até então supridas integralmente pelo aleitamento materno ou artificial, garantindo a manutenção do crescimento adequado e permitindo que a criança alcance o padrão alimentar da família a partir dos 12 meses. A mastigação é uma função aprendida e o alimento oferecido em diferentes texturas é o responsável pelo seu desenvolvimento. Mesmo sem a presença dos dentes, a criança amassa e tritura os alimentos com a ajuda da gengiva, que já se encontra rígida pela proximidade da erupção dos dentes. No começo, ela apresenta movimentos irregulares em resposta a oferta de alimentos na forma de papas e pequenos pedaços, que evoluem para movimentos em ciclos com a oferta de alimentos mais consistentes, em pedaços maiores, crus, com casca ou bagaço (foto). Os alimentos devem ser ofertados de maneira lenta e progressiva, respeitando os hábitos culturais e regionais. A criança pode apresentar resistência as novas texturas, odores, sabores e utensílios. É fundamental que a família tenha conhecimento das dificuldades e apresente um cardápio saudável, variado, saboroso, rico em alimentos “in natura”, com o mínimo de alimentos processados e conservantes (corantes, estabilizantes, adoçantes e outros ingredientes industriais) e com baixo teor de sal e gorduras. Vale lembrar que a criança não deve ser exposta ao açúcar até os dois anos de idade e que a água deve ser a fonte de hidratação. Sucos naturais não devem ser ofertados no primeiro ano de vida e a partir de então, consumidos com moderação. Sucos artificiais, refrescos e refrigerantes devem ser sempre evitados, pois além de atrapalharem o apetite, não são saudáveis. A oferta dos alimentos nos dois primeiros anos de vida merece uma atenção especial e deve ser feita com cautela. A família desempenha o papel de “modelo alimentar” das crianças em relação ao que comer (qualidade, variedade e quantidade) e como comer (local, número e duração das refeições, ambiente tranquilo, companhia, etc.). Nessa fase, é essencial identificar e respeitar os sinais de fome e saciedade. A criança pode parar de comer quando está saciada, por estar distraída com o ambiente ou por querer descansar, voltando a comer em seguida. O importante é não forçá-la a comer, associar prêmios ao raspar o prato, ceder a chantagens ou trocar refeições por lanches ou guloseimas. Hábitos estabelecidos na infância serão o alicerce da alimentação saudável ao longo da vida. ___Relatora:Vera Regina Mello DishchekenianGrupo de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

A prevenção de doenças cardiovasculares, anemia e obesidade começa na vida intrauterina. Uma alimentação cuidadosa durante a gestação, amamentação e primeira infância possibilita o crescimento e desenvolvimento adequados do bebê e contribui para a formação de hábitos alimentares saudáveis para toda a vida.

Nos primeiros seis meses de vida, o leite materno é o alimento mais completo e indicado para os bebês. O aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e mantido até os dois anos de idade ou mais, desde que tenha a função nutritiva e respeite a vontade da criança e da mãe. Após o sexto mês de vida, a alimentação complementar deve ser introduzida.

A alimentação é uma atividade que envolve muitas estruturas do corpo humano e a coordenação de todo o sistema neuromuscular. O aleitamento materno estimula a respiração nasal e correta sucção, favorecendo o crescimento harmônico da boca e da face, importante para a mastigação. Ele ainda expõe a criança a uma ampla experiência sensorial, facilitando a aceitação da alimentação complementar.

Ao completar seis meses, a criança apresenta maturidade para receber novos alimentos, em diferentes apresentações e texturas, na forma de alimentação complementar. Nessa idade, essa passa a preencher as necessidades nutricionais, até então supridas integralmente pelo aleitamento materno ou artificial, garantindo a manutenção do crescimento adequado e permitindo que a criança alcance o padrão alimentar da família a partir dos 12 meses.

A mastigação é uma função aprendida e o alimento oferecido em diferentes texturas é o responsável pelo seu desenvolvimento. Mesmo sem a presença dos dentes, a criança amassa e tritura os alimentos com a ajuda da gengiva, que já se encontra rígida pela proximidade da erupção dos dentes. No começo, ela apresenta movimentos irregulares em resposta a oferta de alimentos na forma de papas e pequenos pedaços, que evoluem para movimentos em ciclos com a oferta de alimentos mais consistentes, em pedaços maiores, crus, com casca ou bagaço (foto).

Os alimentos devem ser ofertados de maneira lenta e progressiva, respeitando os hábitos culturais e regionais. A criança pode apresentar resistência as novas texturas, odores, sabores e utensílios. É fundamental que a família tenha conhecimento das dificuldades e apresente um cardápio saudável, variado, saboroso, rico em alimentos “in natura”, com o mínimo de alimentos processados e conservantes (corantes, estabilizantes, adoçantes e outros ingredientes industriais) e com baixo teor de sal e gorduras. Vale lembrar que a criança não deve ser exposta ao açúcar até os dois anos de idade e que a água deve ser a fonte de hidratação. Sucos naturais não devem ser ofertados no primeiro ano de vida e a partir de então, consumidos com moderação. Sucos artificiais, refrescos e refrigerantes devem ser sempre evitados, pois além de atrapalharem o apetite, não são saudáveis.

A oferta dos alimentos nos dois primeiros anos de vida merece uma atenção especial e deve ser feita com cautela. A família desempenha o papel de “modelo alimentar” das crianças em relação ao que comer (qualidade, variedade e quantidade) e como comer (local, número e duração das refeições, ambiente tranquilo, companhia, etc.). Nessa fase, é essencial identificar e respeitar os sinais de fome e saciedade. A criança pode parar de comer quando está saciada, por estar distraída com o ambiente ou por querer descansar, voltando a comer em seguida. O importante é não forçá-la a comer, associar prêmios ao raspar o prato, ceder a chantagens ou trocar refeições por lanches ou guloseimas.

Hábitos estabelecidos na infância serão o alicerce da alimentação saudável ao longo da vida.

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Relatora:
Vera Regina Mello Dishchekenian
Grupo de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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A importância da mastigação para o desenvolvimento facial https://spsp.org.br/a-importancia-da-mastigacao-para-o-desenvolvimento-facial-2/ Thu, 01 Oct 2015 15:42:30 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=992 A mastigação é uma função muito importante para o desenvolvimento facial (e geral) da criança. Ela é uma função aprendida e desenvolvida ao longo de toda a vida, responsável por quebrar os alimentos em pedaços menores para facilitar a digestão e absorção dos nutrientes. A criança deve aprender desde cedo a comer mastigando muito bem os alimentos. O exercício desenvolvido na mastigação envolve estruturas como dentes, língua, músculos, ossos e articulações que trabalham de maneira conjunta, possibilitando o desenvolvimento harmonioso das estruturas da face. A alimentação moderna, com texturas mais pastosas e menos consistentes, tem prejudicado essa função tão importante para o desenvolvimento infantil. O aleitamento materno é o alicerce para uma mastigação saudável e desenvolvimento da face e da boca. Ao nascimento, o bebê apresenta um reflexo natural para a sucção e assim, inicia sua alimentação numa função alimentar basicamente de engolir. Ao sugar o leite do seio materno a criança estimula o crescimento harmonioso da face e prepara a boca, bochechas, língua, ossos e músculos para receber alimentos em novas texturas no futuro. Por volta dos 6 meses, a criança já apresenta maturidade fisiológica e neurológica para receber alimentos em novas consistências, além da líquida. Ela consegue manter a cabeça equilibrada em relação ao tronco, e seu desenvolvimento global já permite uma melhor movimentação da mandíbula para melhor exercer a função de mastigação. Nessa fase podem ser oferecidos novos alimentos por meio de colher. A alimentação complementar ou de transição compreende a oferta de outros alimentos, além do leite materno, que são preparados especialmente para a criança. A introdução desses alimentos, além de oferecer novos nutrientes para o crescimento e desenvolvimento adequados, permite que a criança alcance progressivamente os hábitos alimentares da família. Esse é um período de adaptação da criança à oferta de alimentos em novas texturas, sabores, odores e cores e exige muita dedicação e participação da família. A erupção dos primeiros dentes anteriores superiores e inferiores promove uma grande alteração na posição e relação entre a maxila e mandíbula. O contato entre os dentes e deles com o alimento estimula a percepção da posição espacial da mandíbula ao arco inferior, que antes não tinha nenhum referencial para se posicionar. Desta forma, o contato dos dentes anteriores estabelece uma orientação vertical importante que gera estímulos de crescimento ósseo dos arcos. Nessa fase, a criança aprende a mastigar utilizando os dentes, pois começa a cortar ou “rasgar” os alimentos e fazer movimentos mastigatórios de abertura e fechamento. Essa forma inicial de mastigar e cortar os alimentos evolui para a mastigação convencional com a erupção dos molares. A evolução da textura alimentar ocorre de maneira gradativa. O alimento líquido dá espaço ao pastoso, oferecido inicialmente na forma de papa de frutas e papa salgada a partir dos 6 meses. Elas devem ser amassadas com o garfo e ofertadas na forma de purê. Não é recomendado usar peneira, liquidificador ou centrífuga, para a conservação das fibras dos alimentos. Papas espessas fornecem mais energia por porção quando comparadas às sopas ralas e líquidas. Frutas devem ser oferecidas amassadas e depois em pedaços na mão, para a criança explorar suas características. Carnes devem ser bem cozidas e ofertadas na forma moída, picada, amassada ou desfiada, desde as primeiras papas salgadas. A textura deve evoluir para papas menos amassadas e com pedaços maiores, acompanhando a aceitação da criança (veja imagem abaixo). É fundamental oferecer alimentos em novas consistências até os 10 meses de vida, visto que a introdução tardia parece estar associada com pior aceitação e maior dificuldade mastigatória. Ao completar um ano, a criança deve estar apta a receber a alimentação da família. Nesse período, devem ser evitados alimentos industrializados, ricos em gordura e açúcar, que conferem maciez, crocância e baixo teor de fibras e consequente baixo ou nenhum esforço mastigatório. Assim, podemos afirmar que as diferentes texturas dos alimentos promovem o estímulo e o “treino” gradativo do aprendizado da mastigação, que estimula os músculos e os movimentos de lateralidade da mandíbula, para promover o crescimento ósseo da face. Esses estímulos dependem principalmente dos volumes do bolo alimentar, de sua textura, dos níveis salivares, da força de mastigação e do refinamento dos contatos entre os dentes. Quando isso não ocorre e a textura dos alimentos não exige esforço mastigatório suficiente, podemos comprometer o crescimento ósseo da face ou gerar um crescimento assimétrico, responsável por problemas ortodônticos futuros, como falta de espaço para os dentes permanentes, mordidas cruzadas uni ou bilaterais e baixa motricidade oral com prejuízo na produção de sons.   Evolução da consistência das primeiras papas salgadas, (A) papa muito bem amassada com garfo, com consistência de pirão, indicada a partir do sexto mês; (B) papa pouco amassada com garfo, com textura não homogênea; (C) alimentos bem cozidos e cortados em pequenos pedaços, para facilitar a mastigação. Autoria: Vera R. M. Dishchekenian. ___ Relatoras: Dra. Silvia Chedid Dra. Vera Regina Mello Dishchekenian Membros do Grupo de Saúde Oral da SPSP. Publicado em 1/10/2015. photo credit: Gewoldi | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A mastigação é uma função muito importante para o desenvolvimento facial (e geral) da criança. Ela é uma função aprendida e desenvolvida ao longo de toda a vida, responsável por quebrar os alimentos em pedaços menores para facilitar a digestão e absorção dos nutrientes.

A criança deve aprender desde cedo a comer mastigando muito bem os alimentos. O exercício desenvolvido na mastigação envolve estruturas como dentes, língua, músculos, ossos e articulações que trabalham de maneira conjunta, possibilitando o desenvolvimento harmonioso das estruturas da face. A alimentação moderna, com texturas mais pastosas e menos consistentes, tem prejudicado essa função tão importante para o desenvolvimento infantil.

O aleitamento materno é o alicerce para uma mastigação saudável e desenvolvimento da face e da boca. Ao nascimento, o bebê apresenta um reflexo natural para a sucção e assim, inicia sua alimentação numa função alimentar basicamente de engolir. Ao sugar o leite do seio materno a criança estimula o crescimento harmonioso da face e prepara a boca, bochechas, língua, ossos e músculos para receber alimentos em novas texturas no futuro.

Por volta dos 6 meses, a criança já apresenta maturidade fisiológica e neurológica para receber alimentos em novas consistências, além da líquida. Ela consegue manter a cabeça equilibrada em relação ao tronco, e seu desenvolvimento global já permite uma melhor movimentação da mandíbula para melhor exercer a função de mastigação. Nessa fase podem ser oferecidos novos alimentos por meio de colher.

A alimentação complementar ou de transição compreende a oferta de outros alimentos, além do leite materno, que são preparados especialmente para a criança. A introdução desses alimentos, além de oferecer novos nutrientes para o crescimento e desenvolvimento adequados, permite que a criança alcance progressivamente os hábitos alimentares da família. Esse é um período de adaptação da criança à oferta de alimentos em novas texturas, sabores, odores e cores e exige muita dedicação e participação da família.

A erupção dos primeiros dentes anteriores superiores e inferiores promove uma grande alteração na posição e relação entre a maxila e mandíbula. O contato entre os dentes e deles com o alimento estimula a percepção da posição espacial da mandíbula ao arco inferior, que antes não tinha nenhum referencial para se posicionar. Desta forma, o contato dos dentes anteriores estabelece uma orientação vertical importante que gera estímulos de crescimento ósseo dos arcos. Nessa fase, a criança aprende a mastigar utilizando os dentes, pois começa a cortar ou “rasgar” os alimentos e fazer movimentos mastigatórios de abertura e fechamento. Essa forma inicial de mastigar e cortar os alimentos evolui para a mastigação convencional com a erupção dos molares.

A evolução da textura alimentar ocorre de maneira gradativa. O alimento líquido dá espaço ao pastoso, oferecido inicialmente na forma de papa de frutas e papa salgada a partir dos 6 meses. Elas devem ser amassadas com o garfo e ofertadas na forma de purê. Não é recomendado usar peneira, liquidificador ou centrífuga, para a conservação das fibras dos alimentos. Papas espessas fornecem mais energia por porção quando comparadas às sopas ralas e líquidas.

Frutas devem ser oferecidas amassadas e depois em pedaços na mão, para a criança explorar suas características. Carnes devem ser bem cozidas e ofertadas na forma moída, picada, amassada ou desfiada, desde as primeiras papas salgadas. A textura deve evoluir para papas menos amassadas e com pedaços maiores, acompanhando a aceitação da criança (veja imagem abaixo).

É fundamental oferecer alimentos em novas consistências até os 10 meses de vida, visto que a introdução tardia parece estar associada com pior aceitação e maior dificuldade mastigatória. Ao completar um ano, a criança deve estar apta a receber a alimentação da família. Nesse período, devem ser evitados alimentos industrializados, ricos em gordura e açúcar, que conferem maciez, crocância e baixo teor de fibras e consequente baixo ou nenhum esforço mastigatório.

Assim, podemos afirmar que as diferentes texturas dos alimentos promovem o estímulo e o “treino” gradativo do aprendizado da mastigação, que estimula os músculos e os movimentos de lateralidade da mandíbula, para promover o crescimento ósseo da face. Esses estímulos dependem principalmente dos volumes do bolo alimentar, de sua textura, dos níveis salivares, da força de mastigação e do refinamento dos contatos entre os dentes. Quando isso não ocorre e a textura dos alimentos não exige esforço mastigatório suficiente, podemos comprometer o crescimento ósseo da face ou gerar um crescimento assimétrico, responsável por problemas ortodônticos futuros, como falta de espaço para os dentes permanentes, mordidas cruzadas uni ou bilaterais e baixa motricidade oral com prejuízo na produção de sons.

 

EvolucaoComidaEvolução da consistência das primeiras papas salgadas, (A) papa muito bem amassada com garfo, com consistência de pirão, indicada a partir do sexto mês; (B) papa pouco amassada com garfo, com textura não homogênea; (C) alimentos bem cozidos e cortados em pequenos pedaços, para facilitar a mastigação.
Autoria: Vera R. M. Dishchekenian.

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Relatoras:
Dra. Silvia Chedid
Dra. Vera Regina Mello Dishchekenian
Membros do Grupo de Saúde Oral da SPSP.

Publicado em 1/10/2015.
photo credit: Gewoldi | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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