Mal – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 24 Mar 2026 14:19:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Mal – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Como dizer não sem passar vergonha https://spsp.org.br/como-dizer-nao-sem-passar-vergonha/ Thu, 19 Feb 2026 18:20:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55129 Você já fez algo só pra não ficar de fora? Entendo… Medo de ser zoado, de parecer fraco, de perder amigos… A pressão do grupo é comum, mas ceder não é obrigatório. Se você não]]>

Você já fez algo só pra não ficar de fora?

Entendo… Medo de ser zoado, de parecer fraco, de perder amigos…

A pressão do grupo é comum, mas ceder não é obrigatório. Se você não concorda com o que é proposto, não faça. Vergonha não é dizer não: é falar ou fazer algo só para agradar aos outros.

Dizer “não” é habilidade – e pode ser treinada. Vamos lá, então, para algumas dicas de como fazer sem “passar vergonha”!

Primeiro: você não precisa se explicar. Quanto menos justificativas, menos pressão. Responda diretamente:

“Tô fora.”

“Não curto.”

“Hoje não.”

“Vou passar.”

Se houver insistência, use a técnica do disco quebrado:

“Valeu, mas não quero.”
“Sério, não quero.”
“Já falei que não.”

Você pode usar saídas estratégicas, como colocar a culpa nos pais! Funciona bem!!!

“Meus pais são surtados com isso.”

“Se eu chegar com cheiro, tô morto.”

“Minha mãe rastreia meu celular.”

Isso vale também para mudanças de decisões. Se você topou fazer algo e percebe que está errado, que poderá causar problemas para você ou para outras pessoas, recue!

Não é pagar mico ou ser fraco. Pior do que mudar de ideia é fazer algo que você não queira ou não ache certo. Ser forte, ter personalidade, é saber sair de uma situação que não combina com você.

Lembre-se que você tem uma vida inteira pela frente. Dizer não, não afasta amigos: afasta problemas! Muitas coisas não serão proibidas pra sempre.
São arriscadas agora. Calma! Divirta-se sem “se fazer mal” e sem fazer mal aos outros!

De olho no vício

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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“A vítima está sempre alheia ao mal” https://spsp.org.br/a-vitima-esta-sempre-alheia-ao-mal/ Fri, 14 Apr 2023 13:56:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37002 ]]>

Esta frase me veio à mente sob o impacto das más notícias recentes – a absurdidade da tragédia na creche de Blumenau mexe com o mais íntimo de cada um, deixando-nos indefesos, sem chão, estarrecidos. Crianças em uma creche, apenas sendo crianças. Brincando, dormindo, comendo, vivendo em plenitude o momento como crianças normais. Todas indefesas, alheias ao mal. Foram ceifadas da vida por um cutelo atroz.

Nietzsche nos adverte que “A crueldade é um dos prazeres mais antigos da humanidade”. O filósofo descarrega nessa frase seu niilismo, e o reforça nesta outra: “O homem é o animal mais cruel”. Retratou também esse dilema de outra forma: “Temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade” – verdade, aqui, é sinônimo de “realidade dos fatos”.

Expressa assim, simbolicamente, na palavra arte, o outro lado da moeda – a mão que mata é também a mão que cria beleza. “A vida bate e estraçalha a alma e a arte nos lembra que você tem uma” – a frase de Stella Adler sintetiza esse pensamento.

Na palavra arte queremos expressar a esperança na transcendência que também permeia o caráter humano, capaz de gerar bondade, altruísmo, compaixão, que nos faz ficar indignados perante a perpetração do mal e nos impele a nos solidarizar com as famílias enlutadas.

Perplexidade e indignação.

A tragédia de Blumenau sinaliza, entretanto, que a sociedade não pode permanecer alheia ao mal. Há certos males que são previsíveis quanto à possibilidade da sua ocorrência – para estes podemos exercer a cautela antecipatória.

É tempo de reflexão para gerar ações preventivas, porque esse episódio, infelizmente, não foi único – foi uma repetição de outros anteriores.

O problema é complexo e de causas multifatoriais. Talvez as causas mais primevas estejam vinculadas ao modo como valorizamos a vida humana e como desenvolvemos as relações interpessoais. Onde falta o respeito ao outro, impera a desigualdade, prospera a violência.

Como pediatras sabemos que esse agressor pode ter sido – na infância ou adolescência – vítima de violência, seja em casa, seja por seus pares (bullying). Essas situações podem se estender para a vida adulta ao fincar raízes na psiquê do indivíduo. Modelam a mente e comportamentos.

E o que pode ser feito?

  • Não podemos ficar calados frente a suspeita de que alguma criança ou adolescente está sendo vítima de violência doméstica;
  • É importante que, através da Inteligência Artificial, se desenvolvam algoritmos que possam auxiliar a polícia a rastrear comportamentos “estranhos” nas mídias sociais;
  • É fundamental que as famílias sejam instrumentalizadas para que possam supervisionar e controlar o uso da internet pelos filhos (com quem conversam, quais os assuntos, em quais jogos e desafios estão interessados);
  • É necessário que se cuide da segurança mínima no ambiente escolar: acesso restrito, barreiras físicas – muros, catracas, câmeras de vigilância, policiamento preventivo (Ronda Escolar), detectores de metal (conforme a possibilidade local);
  • É crucial que os pais cuidem da guarda das armas que tenham em suas casas (o ideal seria nem as ter).

Não podemos ficar alheios ao mal!

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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