Mães – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 23 Sep 2025 16:14:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Mães – SPSP https://spsp.org.br 32 32 O Dia dos Filhos em quatro palavras https://spsp.org.br/o-dia-dos-filhos-em-quatro-palavras/ Tue, 23 Sep 2025 16:14:53 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53283 ]]>

O Dia dos Filhos é celebrado todo dia 23 de setembro. Essa data comemorativa parece um tanto estranha; afinal, todo ser humano é filho (ou filha). Já nasce nessa condição, uma vez que não há vida humana fruto de geração espontânea. Nesse sentido, essa data poderia ser nomeada de ‘Dia do Ser Humano’.

Então, qual é o objetivo dessa comemoração?

A ciência, hoje, nos possibilita gerar descendentes sem que saibamos de que matriz genética o novo ser tenha vindo. As atuais técnicas de inseminação e fertilização garantem o sucesso dessa empreitada. Então, podemos ter filhos (ou filhas) que não sabem quem são seus pais biológicos. Hoje, ainda, necessitamos de um útero de mulher para gerar um novo ser humano. Em teoria e na ficção científica, entretanto, existe a possibilidade de que essa gestação se dê em úteros artificiais. Com o cenário descrito, a figura do(a) genitor(a) pode se tornar confusa e despersonalizada, esmaecendo o protagonismo e o glamour dessa função.

Todos somos filhos(as), porém, nem todos os filhos(as) são pais ou mães.

Uma palavra emerge da ‘desconstrução’ feita acima, neste texto – a palavra CUIDADO. Nossa espécie, diferentemente das outras, não produz descendentes aptos para a vida, plenos para o exercício da sua autonomia. Eles necessitam de cuidados por um período longo até ganharem a sua independência. Outra palavra aflora – DEPENDÊNCIA.

Que ensino, então, deve ser resgatado na data que estamos comemorando?

O que nasce frágil e despreparado necessita de cuidados que devem lhe ser prestados necessariamente, sob o risco de que, em faltando, a vida desse novo ser corre perigo. Há uma relação a ser desenvolvida entre um e outro – o que carece de cuidados e aqueles que os oferecem. Outra palavra surge – RELACIONAMENTO.

Esse relacionamento, entretanto, é um processo peculiar, que deve ser urdido e fundamentado num elemento essencial – AFETO. Essa é mais uma palavra a chamar nossa atenção.

Parece que estas quatro palavras salientadas dão sentido à comemoração deste dia: CUIDADO DEPENDÊNCIA – RELACIONAMENTO – AFETO.

Os filhos são um dom da vida e não uma posse, como bem lembrou o poeta:

“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas do anelo da Vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora estejam convosco, a vós não pertencem.”¹

Filhos nos constrangem a amar e cuidar, educar sem aprisionar. Eles nos convidam a viver o amor de modo inteiro, mesmo nos gestos pequenos – um abraço, uma conversa, uma presença. Outro poeta já nos havia alertado:

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive”²

O Dia dos Filhos tem como objetivo: Valorizar o papel dos filhos na vida familiar; Fortalecer vínculos afetivos entre pais, mães e filhos; Promover momentos de convivência e diálogo dentro da família; Ressaltar a importância do cuidado, da educação e do afeto na relação entre gerações. É, também, uma maneira de incentivar a reflexão sobre os direitos das crianças e adolescentes, aproximando o sentido da comemoração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 

Saiba mais:

  1. O profeta. Khalil Gibran, 1923.
  2. Odes (reunidas na edição de Poemas de Ricardo Reis, 1946. (Fernando Pessoa utilizou nessa obra um de seus heterônimos.)

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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A 34ª Semana Mundial de Aleitamento Materno abre o 9º Agosto Dourado https://spsp.org.br/a-34a-semana-mundial-de-aleitamento-materno-abre-o-9o-agosto-dourado/ Fri, 01 Aug 2025 15:00:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52538 Chegamos à 34ª SMAM – Semana Mundial de Aleitamento Materno, que começou a ser celebrada em 1992. O Brasil não participou da]]>

Chegamos à 34ª SMAM – Semana Mundial de Aleitamento Materno, que começou a ser celebrada em 1992.  O Brasil não participou da primeira semana por não ter sido comunicado a tempo.

No Brasil, o mês de AGOSTO, que é DOURADO desde 2017, representa uma ampliação das oportunidades de programações que vão além da primeira semana (1 a 7 de agosto).

A cada ano, a WABA – World Alliance for Breastfeeding Action (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno) – analisa a situação da amamentação no mundo e define um tema a ser abordado e desenvolvido.

Já foram temas da Semana Mundial a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC – o primeiro, em 1992), a mulher trabalhadora, amamentação na primeira hora de vida, o Código Internacional de Marketing de Substitutos do Leite Materno. Alguns deles foram levantados e discutidos, mais de uma vez, como a ecologia e a sustentabilidade:

1997 – Amamentar é um ato ecológico.

2016 – Presente saudável. Futuro sustentável.

2020 – Apoie o aleitamento materno por um planeta saudável.

Agora, em 2025, impulsionados por questões climáticas e abordando redes de apoio sustentáveis, retomamos essas temáticas anteriores. O tema que será privilegiado no Brasil é:

“Priorize a amamentação. Crie Redes de Apoio Sustentáveis”.

O Action Folder (Plano de Ação) da WABA propõe, inicialmente, quatro ações fundamentais:

  • Informar as pessoas sobre seu papel na criação de ambientes sustentáveis e de apoio à amamentação;
  • Promover ações que criem sistemas de apoio à amamentação, contribuindo para um ambiente sustentável;
  • Consolidar o apoio contínuo à amamentação como um componente vital para criar um ambiente sustentável;
  • Interagir com indivíduos e organizações visando melhorar a colaboração e o apoio à amamentação.

Segundo o documento Action Folder:

Um sistema de apoio à amamentação sustentável é uma abordagem de toda a sociedade que garanta que cada mãe tenha o apoio, o ambiente e os recursos para amamentar com sucesso, desde o parto até os dois primeiros anos de vida da criança ou mais.”

A sustentabilidade é um conceito que vai além, mas inclui o tempo, a duração.

Nesse sentido, a proposta é que esse apoio à amamentação comece no pré-natal, prossiga na maternidade e após a alta, até dois anos ou mais (período recomendado pela Organização Mundial da Saúde – OMS) para o aleitamento materno, sendo exclusivo nos primeiros seis meses), através de orientação de uma equipe multiprofissional capacitada.

Através desse suporte contínuo, inclusivo, sem limites geográficos, sociais, econômicos, raciais, as mães que amamentam poderão superar desafios como a volta ao trabalho, o marketing antiético que bombardeia as famílias com desinformação e as “fake news”.

De acordo com o Action Folder: “Uma cadeia acolhedora e contínua de apoio à amamentação.”

E, como já demonstrado em outras SMAM, e reafirmado nesta, é fundamental que tenhamos como propostas de ações:

– Implementação de Políticas e Monitoramento;

– Sistema de Saúde Integrado;

– Ampliação do Apoio à Amamentação no Local de Trabalho;

– Promoção de Normas Sociais em Toda a Sociedade e em Todas as Gerações;

– Empoderamento das Comunidades para Garantir Acesso Local;

– Sustentabilidade Ambiental e Climática, Conectando a Amamentação à Saúde do Planeta.

Essas movimentações conjuntas, mesmo a longo prazo, visam criar possibilidades de continuidade para beneficiar os bebês (lactentes), as mães (lactantes), as famílias, a sociedade, protegendo o meio ambiente. Afinal, amamentar é um direito de mães e bebês.

Mas as chances de sucesso aumentam quando se associam legislação e políticas públicas e em locais de trabalho, um sistema de saúde preparado, recursos e grupos na comunidade.

É importante ressaltar que o aleitamento materno deve ser abordado como tema e com ações diárias, durante o ano todo. A Semana Mundial e o Agosto Dourado são apenas oportunidades de impulsionar e consolidar o aleitamento materno no Brasil.

 

Relator:
Moises Chencinski
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Amamentação:  Apoio em todas as situações https://spsp.org.br/amamentacao-apoio-em-todas-as-situacoes/ Thu, 01 Aug 2024 12:29:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47358 A Semana Mundial de Amamentação iniciou suas comemorações no ano de 1992, a partir da Declaração de Innocenti de 1990. Este documento reconhece o direito fundamental]]>

A Semana Mundial de Aleitamento Materno iniciou suas comemorações no ano de 1992, a partir da Declaração de Innocenti de 1990. Este documento reconhece o direito fundamental de mães amamentarem e bebês serem amamentados como fator importante para saúde e bem-estar de ambos.

Em 2024 a WABA (Word Alliance for Breastfeeding Action), que é uma rede global de indivíduos e organizações dedicadas à proteção, promoção e apoio à amamentação em todo o mundo, e a IBFAN Brasil (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network), que têm lutado por um mundo sem pressões comerciais, para que as mulheres possam tomar decisões informadas quanto à alimentação infantil de forma adequada. Estas organizações trazem como tema deste ano, no Agosto Dourado, o APOIO À AMAMENTAÇÃO EM TODAS AS SITUAÇÕES, reduzindo as desigualdades. 

Segundo estas instituições, a SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno) está apoiada em 4 pilares que são:

Informar: sobre as desigualdades existentes no apoio à amamentação e sobre os seus indicadores.

Promover: ações para reduzir as desigualdades no apoio à amamentação com foco em grupos de apoio.  

Consolidar: a amamentação como um fator que contribui para diminuir as diferenças na sociedade.

Envolver: líderes como pessoas e organizações para colaborar e apoiar a amamentação.

Inúmeras são as situações em que as mães e os bebês precisam de apoio. 

Dentre as situações em que as lactantes devem ser apoiadas, temos:  as mulheres que trabalham de maneira formal e informal na volta ao trabalho; as mães de prematuros; nas crises climáticas (enchentes, tufões, terremotos etc.); nas diferenças de gênero e raça e várias outras situações cujo apoio é fundamental para que o aleitamento materno seja exclusivo até o sexto mês e complementado até dois anos ou mais, segundo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que podemos fazer? 

Para a mulher trabalhadora formal, devemos promover legislações que permitam que amamentem, exclusivamente, até o sexto mês, além de trabalhar com sindicalistas para informar aos trabalhadores sobre os seus direitos.  Para as trabalhadoras informais, é necessário fornecer locais para que elas possam amamentar e coletar o seu leite perto do local de trabalho, assim como receber ajuda financeira para que possam permanecer mais tempo em casa com seus filhos.

Para as mães de prematuros, o apoio nas maternidades, para evitar o desmame precoce, é de fundamental importância para que os bebês possam sair de alta em aleitamento materno exclusivo. Este apoio passa por orientações sobre a importância da amamentação, estimular que os bebês prematuros possam ir de forma precoce para o seio materno e estimulação à coleta frequente do leite materno para que a produção láctea da mãe não diminua.

Nas crises climáticas, os profissionais da saúde devem ficar atentos ao assédio das indústrias de fórmulas infantis nas doações e distribuições de forma indiscriminadas. Devemos ficar atentos ao Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno (NBCAL) que regulamenta a distribuição de fórmulas.

Nos casos de diferenças racial e social, que existam sistemas públicos que ofereçam grupos de apoio à mulher e às suas famílias com informações oportunas e precisas, bem como apoio prático e emocional para promover a amamentação ideal na iniciação e estimulação à manutenção do aleitamento materno.  

O aleitamento materno é um dos melhores investimentos em Saúde Global. Ao intervir para que possamos prolongar a amamentação, melhoraremos a saúde e sobrevivência de mães e crianças e teremos a melhoria do meio ambiente, que ficarão mais livres de resíduos e substâncias tóxicas.    

ESTE MATERIAL FOI ELABORADO A PARTIR DO SITE DA WABA E DA IBFAN BRASIL.

Saiba mais:

– WABA (Word Alliance for Breastfeeding Action). https://waba.org.my/

– IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network). http://www.ibfan.org.br/site/

 

Relatora:
Rosângela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/dia-mundial-de-prevencao-da-gravidez-na-adolescencia/ Tue, 26 Sep 2023 19:40:43 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39475 A gravidez na adolescência ou gravidez precoce, é aquela que ocorre antes dos 20 anos. Independentemente de ser planejada, desejada ou não, causará]]>

A gravidez na adolescência ou gravidez precoce, é aquela que ocorre antes dos 20 anos. Independentemente de ser planejada, desejada ou não, causará sempre repercussões negativas para a saúde física e psíquica da adolescente, repercutindo também no recém-nascido. O ônus de uma gravidez na adolescência, embora recaia tanto para o adolescente quanto para a adolescente, será sempre maior para a gestante e sua família.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, por dia, 1.043 adolescentes se tornam mães no Brasil; por hora, são 44 bebês que nascem de mães adolescentes, sendo que dessas, duas têm idade entre 10 e 14 anos. A taxa está caindo, mas ainda é muito alta.

E por que engravidar antes dos 20 anos causa tantos problemas?

Nessa fase da vida, nosso corpo cresce e se desenvolve, preparando-se para a vida adulta. Usando o cálcio como exemplo: na puberdade ocorre seu acúmulo nos ossos. Caso ocorra uma gravidez, o desenvolvimento do feto ao recrutar o cálcio materno, impedirá que se deposite no osso da adolescente, aumentando o risco de osteoporose quando ela estiver na menopausa. Além disso, as demandas psicológicas, sociais e acadêmicas da adolescência, que não são poucas nesses dias atuais, serão sobrecarregadas pelo estresse de estar grávida. Dessas demandas, a primeira a ser impactada será a acadêmica, expressa pelo abandono escolar. Para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a gravidez precoce continua sendo um dos principais fatores que contribuem para a mortalidade materna e infantil e para o ciclo de doenças e pobreza.

Para a mulher, ter um filho antes dos 20 anos se relaciona com uma diminuição na escolaridade em 1,3 anos de estudos. Aumenta a chance de ela entrar para o mercado de trabalho mais precocemente, mas esse ingresso, na grande maioria das vezes, ocorrerá por meio do trabalho informal, que exige menos habilidades e é mais flexível no tempo. No entanto, empregos informais não têm a proteção e os benefícios que os formais têm. Comparando os rendimentos de mães adolescentes com mães que tiveram o primeiro filho após os 20 anos, observa-se uma redução de 28% no salário médio por hora. Ainda, se forem pretas ou pardas, bem como aquelas que vivem nas regiões mais pobres do Brasil, as probabilidades de trabalharem e terem salários significativamente mais baixos serão maiores ainda.

Gestação precoce está associada a riscos obstétricos maiores, principalmente em gestantes com menos de 15 anos. Existem maiores chances de anemia, hipertensão na gestação, incluindo pré-eclâmpsia e eclâmpsia, partos prematuros, recém-nascidos pequenos para a idade gestacional e retardo de crescimento fetal. Para quem engravida antes dos 20 anos e tem um bebê prematuro, a chance de na próxima gravidez isso voltar a acontecer é de 37%, enquanto se isso ocorrer em uma gestante com mais de 20 anos, essa chance é de 8%.

Quanto aos recém-nascidos de mães adolescentes, em decorrência dos problemas acima, eles podem ter nota de nascimento (Apgar) menor que 5, com maior chance de precisarem ficar na UTI neonatal e apresentarem problemas crônicos de saúde, pela prematuridade, baixo peso ou pela necessidade de ventilação mecânica nos primeiros dias de vida. Ainda podem apresentar anomalias ou síndromes congênitas (síndrome de Down, defeitos do tubo neural, gastrosquise entre outras).

Como os pais, professores e a sociedade podem atuar para prevenir a gestação precoce?

Em casa: mantenha diálogo com os filhos sobre sexualidade e meios de prevenção. O ideal é iniciar o tema por volta dos 10 anos, adequando o diálogo à compreensão de seu filho. Os ensinamentos sobre prevenção, para serem mais efetivos, deverão ser feitos antes que o(a) adolescente inicie suas atividades sexuais. Dessa forma, saberão o que e como devem fazer quando chegar a hora de tornar a vida sexual ativa, diferentemente daqueles que não tiveram contato ou conversa nenhuma sobre o assunto. É importante que saibam sobre o risco de infecções sexualmente transmissíveis e como se prevenir. Se os pais não se sentirem seguros para falar sobre o tema com sua filha, deverão conversar com seu pediatra e pedir orientações.

Nas escolas: a educação em sexualidade deve fazer parte do currículo de todas as escolas. Ela possibilita que adolescentes cuidem de sua saúde e façam escolhas saudáveis, que repercutirão para a vida deles e para a sociedade. As escolas podem fazer parcerias com profissionais de saúde, que esclarecerão os riscos da gravidez precoce e poderão falar sobre métodos contraceptivos e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis.

Caso uma adolescente engravide, é importante ajudá-la a não abandonar os estudos e protegê-la de bullying, o que é relatado por muitas estudantes que engravidam.

Direitos da gestante que estuda

No Brasil, a Lei nº 6.202/1975 garante à estudante grávida o direito à licença maternidade sem prejuízo do período escolar. A partir do oitavo mês de gestação, a gestante estudante poderá cumprir os compromissos escolares em casa, de acordo com o Decreto-Lei nº 1.044/1969. Além disso, o início e o fim do período de afastamento serão determinados por atestado médico a ser apresentado à direção da escola. E, finalmente, é assegurado às estudantes grávidas o direito à prestação dos exames finais.

Sociedade: O que previne a gravidez precoce de forma mais eficaz é a perspectiva de um futuro feliz. À sociedade, cabe propiciar aos adolescentes a possibilidade de completar os estudos e realizar seus projetos de vida.

Saiba mais:

https://www.paho.org/pt/topicos/saude-do-adolescente

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Adolescencia_-_21621c-GPA_-_Prevencao_Gravidez_Adolescencia.pdf

 

Relatores:
Elizete Prescinotti Andrade
Carlos Alberto Landi
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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Mitos e verdades sobre o consumo de álcool na gravidez https://spsp.org.br/mitos-e-verdades-sobre-o-consumo-de-alcool-na-gravidez/ Wed, 23 Aug 2023 19:24:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39110 Apesar de atualmente a conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas por gestantes ser maior e haver mais divulgação sobre o tema, muitas mulhe]]>

Apesar de atualmente a conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas por gestantes ser maior e haver mais divulgação sobre o tema, muitas mulheres ainda desconhecem a gravidade dos riscos à saúde do bebê da exposição pré-natal ao álcool e acreditam que beber eventualmente não oferece prejuízos.

No Brasil, estima-se que 15% das gestantes consomem bebidas alcoólicas, enquanto na região das Américas a prevalência é de 11,2% e, globalmente, de 9,8%. Além disso, mais brasileiras em idade fértil estão bebendo, o que representa um sinal de alerta. Por isso, para chamar a atenção de gestantes e futuras mães, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), por meio do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido, e o CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (uma das principais referências no Brasil sobre este tema), esclarecem cinco mitos e verdades sobre a ingestão alcoólica na gravidez.

  1. O consumo de álcool na gestação não afeta a saúde da gestante.

MITO: A própria gestante consumidora de álcool está sujeita a consequências sérias, tais como diminuição dos reflexos, aumento da acidez gástrica e maior risco de broncoaspiração. Além disso, o álcool interfere no apetite da grávida, levando-a à má nutrição, provocando constrição dos vasos da placenta, tendo como consequência a dificuldade na passagem de nutrientes e oxigênio para o feto. Esses efeitos resultam em restrição do crescimento fetal e ocorrência de malformações congênitas.

  1. Mesmo o consumo eventual de bebida alcoólica pode causar danos ao feto.

 VERDADE: Não há evidências científicas que indiquem se há alguma quantidade segura de consumo; portanto, a gestante deve se abster completamente de todo tipo de bebida alcoólica durante toda a gravidez. O álcool atravessa a placenta, o que permite que, em pouco tempo, a concentração dessa substância no sangue fetal se torne equivalente à materna. Entretanto, o organismo do feto – ainda em formação – não consegue metabolizar o álcool, que permanece no seu sangue por mais tempo, até ser eliminado pela circulação materna. O consumo de álcool na gestação é a principal causa de deficiência mental não congênita, sendo a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) a forma mais grave.

  1. A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) é algo raro e não deve preocupar a gestante.

MITO: Estima-se que a frequência de SAF entre crianças e jovens na população geral ultrapassa 1% em 76 países, incluindo o Brasil. No entanto, nem 1% das crianças afetadas são diagnosticadas. Além da SAF, podem ocorrer disfunções mais sutis, englobadas no Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (em inglês, FASD – Fetal Alcohol Spectrum Disorders), como malformações da face e/ou de outros órgãos, como coração, rins, membros, distúrbios do desenvolvimento do cérebro.

  1. Grávidas podem ingerir bebidas de baixo teor alcoólico ou “zero álcool”.

MITO: Bebidas de baixo teor alcoólico possuem uma certa quantidade de álcool, até mesmo as “zero álcool”. De acordo com a legislação brasileira, bebidas zero álcool podem ter no máximo 0,5% de álcool em sua composição, portanto não é recomendável seu consumo. No entanto, estudos internacionais mostraram que essas bebidas podem conter nível maior de etanol do que o indicado nos rótulos, podendo chegar a 1,8% de teor alcoólico. Ainda sobre bebidas, um outro alerta é sobre o kombucha, bebida fermentada feita a partir do chá verde ou chá preto, açúcar e uma cultura de leveduras e bactérias, conhecida como SCOBY. No processo de fermentação são produzidos ácido acético, gás carbônico e outros compostos, que dão ao kombucha um sabor ácido e ligeiramente adocicado. Se os processos de produção e armazenamento forem adequados, a bebida não deve apresentar teor alcoólico superior a 0,5%. Mas se eles não forem devidamente controlados, como numa produção caseira, a quantidade de álcool pode aumentar. De qualquer forma, seu consumo é contraindicado durante a gestação

  1. Crianças diagnosticadas com problemas de aprendizado ou distúrbios de comportamento podem ser vítimas da exposição pré-natal ao álcool.

VERDADE: Além da SAF e da FASD, também há evidências de que o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode ser reflexo do consumo de álcool na gestação, estando presente em 50% a 80% das crianças afetadas. Outros comprometimentos cognitivos são frequentes, como os problemas no aprendizado de matemática, atrasos na linguagem e motricidade, dificuldades de integração e comunicação, além de risco aumentado de doenças psiquiátricas na vida adulta.

O álcool é considerado atualmente a principal causa de deficiência mental e de anomalias congênitas: 5% a 10% dos fetos expostos ao álcool durante a gestação apresentarão prejuízos em seu desenvolvimento. É algo totalmente evitável! Portanto, mulheres grávidas ou que desejam engravidar não devem beber álcool, em qualquer quantidade e em qualquer fase da gestação.

 

Relatora:
Helenilce de Paula Fiod Costa
Presidente do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido (SAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional para a Redução da Mortalidade Materna https://spsp.org.br/dia-nacional-para-a-reducao-da-mortalidade-materna/ Fri, 26 May 2023 18:32:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37586 No dia 28 de maio comemoramos o Dia Nacional para a Redução da Mortalidade Materna, uma data estabelecida há 14 anos. Trata-se de uma celebração an]]>

No dia 28 de maio comemoramos o Dia Nacional para a Redução da Mortalidade Materna, uma data estabelecida há 14 anos. Trata-se de uma celebração anual dedicada a aumentar a conscientização sobre a importância de se reduzir as taxas de mortalidade materna e melhorar a saúde e o bem-estar das mães no Brasil.

A mortalidade materna refere-se à morte de uma mulher durante a gravidez, parto ou até 42 dias após o parto, geralmente devido a complicações relacionadas à gravidez ou cuidados de saúde inadequados. Essa data tem como objetivo promover diversas iniciativas e estratégias para enfrentar os fatores que contribuem para as mortes maternas, incluindo a melhoria da infraestrutura de saúde, garantir que profissionais de saúde qualificados estejam disponíveis durante a gravidez e o parto (incluindo a presença do neonatologista na sala de parto), fornecer cuidados pré-natais e pós-natais adequados, melhorar os serviços obstétricos de emergência e aumentar o acesso a serviços de planejamento familiar e saúde reprodutiva.

No nosso país, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem contribuído de forma significativa no enfrentamento dos desafios impostos pela gravidez e o parto, particularmente permitindo o acesso a serviços de saúde de qualidade para a população de baixa renda.

Neste dia, não apenas as organizações governamentais, mas também as sociedades médicas, incluindo a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), se organizam para promover campanhas e programas educacionais para informar e educar o público sobre as causas e consequências da mortalidade materna. Essas atividades visam aumentar a conscientização, promover o diálogo e incentivar a implementação de intervenções e políticas eficazes para reduzir as taxas de mortalidade materna e proteger a vida das mães e de seus filhos.

 

Relator:
Celso Moura Rebello
Presidente do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Leite Humano e Prematuridade https://spsp.org.br/leite-humano-e-prematuridade/ Thu, 17 Nov 2022 14:14:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35509 Recém-nascido pré-termo (RNPT) é aquele que nasce com idade gestacional inferior a 37 semanas. No Brasil, cerca de 11,5% dos nascimentos ocorrem prematuramente, ou seja, 340 mil recém-nascidos (RN) por ano prematuridade é a primeira causa de óbito neonatal em nosso país.]]>

Recém-nascido pré-termo (RNPT) é aquele que nasce com idade gestacional inferior a 37 semanas. No Brasil, cerca de 11,5% dos nascimentos ocorrem prematuramente, ou seja, 340 mil recém-nascidos (RN) por ano. Prematuridade é a primeira causa de óbito neonatal em nosso país.

Novembro é o Mês Internacional de Sensibilização para a Prematuridade, denominado “Novembro Roxo”, pois a cor roxa simboliza Sensibilidade, Individualidade e Transformação. Comemora-se em 17 de novembro o Dia Mundial da Prematuridade, com o objetivo de elaborar estratégias para a redução das taxas de prematuridade.

Os RNPT apresentam maior risco de evoluir com doenças crônicas e cardiovasculares, alterações no padrão de crescimento, atraso no desenvolvimento sensorial, motor e cognitivo. Sua mortalidade é cerca de três ou mais vezes maior quando comparada à de RN de termo.

Dentre as propostas estabelecidas para prevenir ou minimizar os agravos, o uso de leite humano (LH), de preferência da própria mãe, é o padrão ouro de nutrição. O LH produzido por mães de RNPT possui, nas primeiras duas a quatro semanas de lactação, maiores concentrações de nitrogênio, proteínas nutritivas, gorduras e vitaminas, calorias e função imunológica em relação ao leite de mães de RN de termo.

A utilização do leite cru da própria mãe resulta em efeitos benéficos inigualáveis para: digestão e absorção de nutrientes; estímulo da imunidade por proteção direta e ação imunomoduladora; desenvolvimento neurológico e cognitivo; proteção contra sepse (redução de 50%), enterocolite necrosante, displasia broncopulmonar e retinopatia da prematuridade; desenvolvimento do sistema sensório-motor oral e redução de má oclusão dentária em 68%; redução da prevalência de doenças atópicas, alérgicas e autoimunes, de obesidade e doenças do adulto; efeito psicológico na relação mãe-filho. Existe ainda um efeito protetor adicional, através do qual a mãe colonizada pelas bactérias da UTI neonatal pode sintetizar anticorpos específicos contra os patógenos hospitalares e excretá-los no leite.

O colostro, leite produzido até o 7º dia de vida, possui reconhecidas propriedades anti-infecciosas e imunomoduladoras. A colostroterapia, também chamada de colostro precoce, consiste na administração de pequenas alíquotas na cavidade oral, desde as primeiras horas de vida, para proteger os RNPT até o início da nutrição “verdadeira”.

Portanto, conclui-se que alimentar o RNPT com LH, de preferência da própria mãe ou, na falta deste, pasteurizado em banco de leite humano, torna sua trajetória mais suave, resultando em melhor desenvolvimento.

 

Relatora:
Valdenise Martins Laurindo Tuma Calil
Assistente do Centro Neonatal do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Diretora do Banco de Leite Humano do Hospital das Clínicas (FMUSP)
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo 

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Homenagem dos pediatras ao Dia das Mães https://spsp.org.br/homenagem-dos-pediatras-ao-dia-das-maes/ Fri, 06 May 2022 12:58:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32393 Recebam a gratidão destes filhos e pediatras, como expressão do carinho desta categoria de profissionais da saúde. Feliz Dia das Mães!]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 06/05/2022


Queremos homenagear todas as mães. Todas as mulheres que tiveram e têm o privilégio de cuidar de uma ou mais vidas e assumiram o difícil papel de ser mãe. Que nos pedem informações, algumas singelas, outras difíceis. Para algumas, nossas respostas parecem enigmas de complexa interpretação, para outras, são confirmações do que já sabiam ou intuíam. Todas elas, no entanto, com suas dúvidas incríveis ou triviais, com seus medos, suas inseguranças, possuem uma infindável capacidade de amar.
Recebam a gratidão destes filhos e pediatras, como expressão do carinho desta categoria de profissionais da saúde, que tem o agraciado dever de cuidar dos filhos de cada uma de vocês. Missão que nos define e nos gratifica.

Feliz Dia das Mães para todas!

Foto: dmyrto_z | depositphotos.com

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Amamentação e sustentabilidade é possível e desejável https://spsp.org.br/amamentacao-e-sustentabilidade-e-possivel-e-desejavel/ Mon, 17 Aug 2020 11:30:00 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3361 A amamentação até os dois anos de idade, exclusiva até os seis meses, como preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), traz muitos benefícios para as crianças, como a redução da mortalidade em 13% até cinco anos de idade, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade, sem contar o aumento dos laços entre mãe e filho. Gradativamente se comprova, também, que o aleitamento materno exclusivo traz grandes benefícios não somente para a economia, mas também para o meio ambiente.

O plástico, um derivado do processamento do petróleo, combustível fóssil, é componente importante na fabricação de mamadeiras e chupetas. Em 2011, foi aprovada a proibição do bisfenol, conhecido como BPA. Ele é integrante de alguns polímeros, como o policarbonato, usados na confecção desses acessórios. Estudos comprovam os efeitos nocivos do uso dessas substâncias, como: alteração dos hormônios da tireoide, liberação de insulina pelo pâncreas, proliferação das células de gordura, com doses nanomolares, ou seja, doses extremamente pequenas, as quais são inferiores à suposta dose segura de ingestão diária.

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Além disso, o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, com 11 milhões de toneladas anuais, mas apenas 1,2% é reciclado. Para efeito de comparação, a Indonésia, quinto maior consumidor de plástico, recicla 3,66%, o que também é bem abaixo da média global de reciclagem (cerca de 9%).

A licença-maternidade, período em que a mãe pode se ausentar do seu trabalho, com as garantias da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), é de 4 meses para a maioria das mulheres, o que dificulta a prática recomendada de aleitamento materno exclusivo até o 6º mês.

Atualmente, apenas 39% dos recém-nascidos ao redor do mundo recebem alimentação exclusiva com leite materno até o 6º mês. Quando isso não acontece, os bebês consomem água, fórmulas e outros complementos, o que pode causar infecções, desequilíbrios nutricionais e outros transtornos.

O texto do Projeto de Lei (PL) 2765/2020 prevê a ampliação da licença-maternidade para 180 dias para todas as mães. No cenário atual, considerando a necessidade do isolamento social e entendendo a vulnerabilidade dos bebês e suas mães neste contexto, é preciso garantir condições para que as mulheres permaneçam em licença-maternidade até os seis meses de vida dos bebês. Isto também seria uma forma de assegurar o período mínimo desejado de aleitamento materno, uma vez que a volta da mulher ao posto de trabalho, na maioria das vezes, é delicada devido à dificuldade de criar uma rotina de extração de leite para garantir a oferta na sua ausência.

Por um lado, fazer com que todas as empresas aumentem a licença maternidade para seis meses requer investimentos consideráveis. O Banco Mundial estima que, para os próximos 10 anos, serão necessários US$24,1 bilhões para que os benefícios trabalhistas sejam mantidos na íntegra, sobretudo nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.

A OMS estabeleceu a meta de aumentar o percentual de crianças em aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida para 50% até 2025. Com esta meta, haveria um total de 105 milhões de recém-nascidos com alimentação exclusivamente feita por leite materno. O retorno deste investimento seria da ordem de US$298 bilhões para os próximos 10 anos, sobretudo em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, o que reduziria a mortalidade infantil. Em suma, cada US$1 investido gera uma economia de US$35.

Mamães, vamos juntos aumentar essa economia e, ao mesmo tempo, beneficiar a saúde das crianças, das famílias, da sociedade e do planeta, de forma sustentável para essa e para as próximas gerações?

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Relatores:
Patricia Maranon Terrível
Fernanda Gois Brandão dos Santos
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de pediatria de São Paulo



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Amamente: pelo seu bebê, por você e pelo planeta https://spsp.org.br/amamente-pelo-seu-bebe-por-voce-e-pelo-planeta/ Thu, 13 Aug 2020 12:26:05 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3357 O leite materno é, sem dúvida, o melhor alimento para o seu bebê. Além dos benefícios para ele, a amamentação também traz proteção para a saúde materna. Nesse ano, o slogan da Semana Mundial de Aleitamento Materno é “Apoie o aleitamento materno para um planeta saudável”.

Somente o leite materno tem a quantidade e a proporção de nutrientes adequadas às necessidades do bebê para cada momento de sua vida, pois se trata de um alimento vivo, com capacidade de mudar e adaptar sua composição ao longo do tempo. 

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Além disso, amamentar fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, melhora a imunidade, reduz a mortalidade infantil e a incidência de alergias e doenças crônicas como a obesidade, hipertensão e diabetes. Também diminui o risco de infecções intestinais e respiratórias, previne cáries e má oclusão e é um dos principais fatores que pode proteger o bebê da Síndrome da Morte Súbita do Lactente.

Estudos demonstraram que crianças que foram amamentadas têm mais chances de amamentar seus filhos no futuro, comprovando que o aleitamento materno também favorece um hábito alimentar e de vida mais saudável para as próximas gerações.

Para a mãe, amamentar reduz o risco de desenvolver diabetes tipo 2, câncer de mama, ovário e endométrio, além de facilitar a perda de peso pós-parto. Para a família, tem a vantagem de ser de graça, já na temperatura ideal para o bebê e sem risco de contaminação externa por bicos ou mamadeiras. 

Outros estudos comprovaram que crianças que foram amamentadas têm melhores empregos e salários maiores na vida adulta.

E qual o impacto da amamentação para o nosso planeta? 

O leite materno é um alimento natural e de fonte renovável, não gera resíduos e nem poluição ambiental. Com o uso e incentivo das fórmulas infantis, milhões de latas de metal e rótulos de papel são produzidos e descartados no meio ambiente, além de fomentar a indústria de plásticos para produção de bicos e mamadeiras que, mais cedo ou mais tarde, acabarão em aterros sanitários, lixões ou em nossos oceanos.

A forma de produção, embalagem e distribuição dessas fórmulas contribui para o aquecimento global e dificulta atingir as metas mundiais preconizadas de redução de danos ao ambiente, pois contribui com o (ou para o) aumento da pegada de carbono.

O leite materno, em contrapartida, é entregue diretamente ao consumidor final, sem necessidade de embalagens ou processos industriais geradores de poluição. O ato de amamentar protege o planeta de forma direta, por ser um alimento sustentável, e indireta, através da geração de adultos mais saudáveis, seguros e com maior equilíbrio emocional, que certamente vão contribuir para o desenvolvimento de um planeta mais saudável. 

Essas evidências sustentam as atuais recomendações de que as crianças sejam amamentadas em livre demanda desde a sala de parto até os dois anos ou mais e de forma exclusiva até o 6º mês de vida.

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Relatores:
Karina Rinaldo
Ligia Vigeta
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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