Maconha – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 30 Apr 2026 11:20:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Maconha – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Maconha: o que pouca gente te conta https://spsp.org.br/maconha-o-que-pouca-gente-te-conta/ Wed, 29 Apr 2026 11:10:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56769 A maconha costuma ser vista como algo “leve”, “natural” e sem grandes consequências. Mas a realidade, principalmente para quem ainda está em fase de crescimento, é bem diferen]]>

A maconha costuma ser vista como algo “leve”, “natural” e sem grandes consequências. Mas a realidade, principalmente para quem ainda está em fase de crescimento, é bem diferente. O cérebro de adolescentes e jovens continua em desenvolvimento até por volta dos 25 anos. E é exatamente nesse período que a maconha pode causar mais impacto.

O principal componente, o THC (tetra-hidrocanabinol), interfere em áreas importantes do cérebro, como memória, atenção, tomadas de decisões e controle de emoções.

Nem tudo acontece no momento do uso: alguns efeitos vão surgindo com o tempo, como ansiedade e crises de pânico, desmotivação, alterações de sono etc. Alguns jovens podem ter depressão e quadros psicóticos.

“Mas todo mundo usa…”

Mentira. Nem todo mundo usa! E quem usa, nem sempre está bem. Muitos escondem dificuldades na escola, problemas emocionais, dependência. Sim, dependência! Principalmente em quem iniciou o uso cedo.

Fique atento aos sinais de alerta: precisa usar com frequência, sem interesse por outras coisas, não consegue parar, mesmo querendo.

O uso também aumenta riscos de acidentes (dirigir ou andar de bike), decisões impulsivas e outras situações de risco.

A maconha sai caro – e vira prioridade sem você perceber! No começo parece pouco, mas vira gasto fixo. Dinheiro que poderia ser usado em viagens, esportes, namoro. E quando o uso aumenta, o custo acompanha, sendo que em alguns casos a pessoa começa a priorizar a droga acima de outras coisas.

No fim, você paga não só com dinheiro – mas com oportunidades.

Se você ainda não se convenceu que não é uma boa o uso, aqui vão mais alguns pontos:

  • O uso no Brasil não é liberado. A maconha está ligada à Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006). Porte para uso pessoal não é considerado crime com prisão, mas pode gerar abordagem policial, registro, advertência e comparecimento ao juiz. Pode trazer uma quantidade grande de problemas. E na prática, a distinção entre usuário e traficante nem sempre é clara.
  • Você não sabe nem o que está consumindo. Diferente de um remédio, não existe controle de qualidade. Pode ter concentração muito alta de THC, pode estar misturada a outras substâncias e ter até contaminação com bactérias, etc. Ou seja: você nunca sabe exatamente o que está entrando no seu corpo.

Se você está atrás de boas emoções, vá praticar esportes. Ao se exercitar, seu corpo libera endorfinas (causam sensação de bem-estar e redução da dor), dopamina (origina recompensa e motivação), serotonina (gera melhora do humor). É um prazer progressivo e duradouro, diferentemente do prazer artificial do uso da maconha e sem os efeitos deletérios mencionados acima.

Nem todo prazer vale o preço que cobra depois. Você não precisa de química para ser quem você pode ser.

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Prevenir é sempre o melhor remédio! https://spsp.org.br/prevenir-e-sempre-o-melhor-remedio/ Thu, 20 Feb 2025 11:38:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50299 Em um cenário de crescentes desafios relacionados ao consumo de substâncias, o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo se apresenta como uma oportunidade]]>

Em um cenário de crescentes desafios relacionados ao consumo de substâncias, o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo se apresenta como uma oportunidade indispensável para refletirmos sobre a prevenção do uso indevido de drogas e álcool, sobretudo entre os jovens. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019 do IBGE revelou vários dados sobre o comportamento e a segurança de estudantes de 13 a 17 anos:

  • 22,6% dos estudantes já experimentaram cigarro
  • 26,9% dos estudantes já experimentaram narguilé
  • 16,8% dos estudantes já experimentaram cigarro eletrônico
  • 63,3% dos estudantes já experimentaram bebida alcoólica
  • 13% dos estudantes já experimentaram alguma droga ilícita

Em um contexto em que a adolescência é marcada por intensas transformações físicas e emocionais, a exposição a drogas e ao álcool pode causar consequências devastadoras, afetando não apenas a saúde física, mas também o desenvolvimento psicológico e social dos jovens:

  • Desenvolvimento Cerebral: O cérebro adolescente passa por importantes processos de maturação, especialmente nas áreas de controle de impulsos e funções executivas. A exposição a drogas pode interferir na formação de conexões sinápticas, afetando a aprendizagem, a tomada de decisões e o autocontrole.
  • Risco de Dependência: O sistema de recompensa do cérebro, fortemente influenciado pela dopamina, é particularmente sensível nessa fase, o que aumenta a vulnerabilidade à dependência e ao abuso de substâncias.
  • Consequências a Longo Prazo: Alterações no sistema nervoso central durante o desenvolvimento podem predispor o indivíduo a problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e outros transtornos neuropsiquiátricos.

A falta de informação dos pais e adolescentes é também responsável pelo aumento do uso de drogas. Ainda há um certo clima na sociedade de que o cigarro eletrônico não faz mal à saúde, mas isto não é verdade. As doenças relacionadas ao tabaco estão aparecendo mais cedo e mais intensamente. Será que os pais sabem que o álcool e a maconha podem diminuir o aprendizado e afastar os filhos das escolas? Será que os pais sabem que pode haver destruição cerebral com o uso de álcool e/ou maconha e esta é definitiva? Será que os pais sabem que, depois de grande ingestão de bebida alcoólica, o cérebro encolhe de 2 a 4 mm e demora 7 meses para voltar ao normal?

A Sociedade de Pediatria São Paulo reconhece a ameaça do uso de álcool e drogas na adolescência e apoia a iniciativa do Projeto Dr. Bartô para a prevenção de drogas lícitas e ilícitas.

Aumente seu conhecimento através de literatura médica confiável e tire dúvidas no site: https://www.drbarto.com.br/. Os 12 passos para pais prevenirem o uso de drogas na adolescência são:

  • Passo 1: Família unida e com limites
  • Passo 2: Estimular o diálogo em família
  • Passo 3: Refeição com a família unida
  • Passo 4: Ter o conhecimento do que as crianças fazem no tempo livre
  • Passo 5: Supervisionar os deveres de casa dos filhos
  • Passo 6: Demonstrar que tem orgulho dos filhos
  • Passo 7: Incentivar atividades artísticas, culturais e esportivas
  • Passo 8: Envolvimento em atividades voluntárias e sociais
  • Passo 9: Praticar a espiritualidade
  • Passo 10: Estimular boas amizades
  • Passo 11: Não fumar e não beber em excesso
  • Passo 12: Ser um bom exemplo em todos os sentidos

Em resumo, é fundamental que os pais se mantenham vigilantes e engajados na vida dos seus filhos, criando um ambiente de diálogo aberto e de apoio contínuo, que permita identificar precocemente sinais de risco e oferecer orientações claras sobre os perigos do consumo de drogas. Ao investir em educação, supervisão e comunicação honesta, os responsáveis podem fortalecer a autoestima e a resiliência dos jovens, capacitando-os a fazer escolhas mais conscientes. Dessa forma, o envolvimento parental torna-se um pilar essencial na prevenção do uso de substâncias, contribuindo para o desenvolvimento saudável dos filhos e para a construção de um futuro mais seguro e promissor.

 

Saiba mais:

  1. Brasil. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2020.
  2. Lotufo JPB. Álcool, tabaco, maconha e cigarro eletrônico são drogas pediátricas. 2a edição. 2024.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. 12 Passos. São Paulo: SBP; 2020. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/12_passos_final_06out2020_final_p_sbp_071020__002_.pdf.

 

Relatores:

Denise Swei Lo
João Paulo Lotufo
Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-as-drogas-e-ao-alcoolismo/ Tue, 20 Feb 2024 18:19:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42733 O álcool é a droga mais utilizada entre nós e os grandes problemas estão em seu consumo excessivo e no início precoce. Já é muito falado sobre o início de uso]]>

O álcool é a droga mais utilizada entre nós e os grandes problemas estão em seu consumo excessivo e no início precoce.

Já é muito falado sobre o início de uso de álcool e outras drogas antes do cérebro estar todo formado, e isto ocorre até os 21 anos; um pouquinho ainda até os 25 anos.

Qualquer droga iniciada antes da formação do cérebro pode acarretar maior dependência e complicações. Por isso, nos EUA o álcool é liberado após os 21 anos, mas no Brasil é aos 18 anos. A indústria é a mesma, mas o respeito às regras e ao bom senso aqui não existe, pois, semelhante à indústria do tabaco e hoje do cigarro eletrônico, as propagandas são voltadas às crianças e aos adolescentes.

O filho de um amigo, aos 8 anos perguntou ao pai o que era ser “brameiro”, pois a propaganda da cerveja por um jogador de futebol dizia: “O MEU SUCESSO É PORQUE EU SOU BRAMEIRO”. ISTO EM HORÁRIO DE CRIANÇA VER TELEVISÃO E LIGADA AO ESPORTE. Essa propaganda foi retirada do ar dois meses depois, quando o estrago já estava feito.

O cigarro eletrônico (CE) é outra moda entre os jovens. Perto de 20% deles já o experimentaram. Estaremos produzindo um exército de dependentes de nicotina, pois o CE tem mais nicotina que o cigarro normal. O veículo que vaporiza a nicotina tem glicerol e outras substâncias que são cancerígenas e produzem uma doença inflamatória em nível pulmonar. A população não tem noção do malefício que isso pode trazer, pois as fake news influenciam mais os jovens de hoje. Por isso temos um livreto sobre CE, que se encontra também no site www.drbarto.com.br: Livreto-Cigarros-Eletronicos.pdf – Google Drive.

A maconha é a droga que os jovens acham que faz menos mal, mas ignoram que ela tem até 5 vezes mais cancerígenos do que o tabaco. Mas a maconha pode lesar a memória e o aprendizado, criando alguns “noias”; infelizmente todo mundo conhece um. Não se percebe a lesão cerebral, mas ela pode aparecer e é irreversível.

Como diminuir estes riscos?

  1. O exemplo dos pais é fundamental. Ensinar seu filho a beber antes dos 18 anos aumenta a chance de ele beber com os amigos e aí a quantidade será outra. Quanto de bebida alcoólica você serve em suas festas de família?
  2. Família unida com limites, coisa que está faltando hoje em dia. Isto começa desde cedo, pois se você não coloca limites no dia a dia, não conseguirá fazê-lo aos 14 ou 15 anos de idade. Ser pai é diferente de ser amigão.
  3. Diálogo na família diminui 60% a experimentação de álcool ou outras drogas. Evite usar o celular nas refeições.
  4. Envolvimento com atividades esportivas e culturais diminuiu em muito o problema de drogas na Islândia. Lá ainda fizeram um toque de recolher com os jovens. Poderiam estar nas ruas à noite apenas acompanhados dos pais. Limites novamente. Imagine isso aqui!
  5. Espiritualidade também é um fator protetor.
  6. Bons amigos. Saiba onde está seu filho, com quem e fazendo o quê. Traga os amigos de seus filhos para dentro de casa. Descubra com quem eles andam.
  7. Pais que não fumam e não bebem diminuem respectivamente em 50% e 25% o uso de drogas entre seus filhos.

Estas dicas encontram-se no livro 12 passos do projeto Dr Bartô de prevenção de álcool e outras drogas. Os jovens e crianças têm muito acesso às fake news pela internet, por isso os sites www.drbarto.com.br e drbarto.46graus.com devem ser consultados para aumentar o conhecimento de drogas pelos pais, para que eles possam orientar melhor seus filhos.

O Aconselhamento Breve (AB) semanal é uma boa forma de discutir estes assuntos com nossos jovens. Há um programa de AB por vídeos, que pode ser acessado em https://drbarto.46graus.com/videos – neste dia 20 de fevereiro, Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, fica a sugestão: envie um vídeo toda semana ao seu filho e discuta por alguns minutos aquela mensagem.

 

Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB) e convidado pela Comissão de Drogas Lícitas e Ilícitas do Conselho Federal de Medicina
Responsável pelo Projeto Dr. Bartô e os Doutores da Saúde – Projeto de Prevenção de Drogas no Ensino Fundamental e Médio

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Álcool, cigarro eletrônico, maconha? Que droga! https://spsp.org.br/alcool-cigarro-eletronico-maconha-que-droga/ Mon, 28 Aug 2023 19:52:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39145 Neste mês, um pecuarista e seu filho morreram em um acidente aéreo em Rondônia. Um vídeo que circulou dois dias antes nas redes sociais mostra este]]>

Neste mês, um pecuarista e seu filho morreram em um acidente aéreo em Rondônia. Um vídeo que circulou dois dias antes nas redes sociais mostra este senhor de 42 anos bebendo cerveja e instruindo seu filho, de apenas 12 anos, a pilotar um avião bimotor. No vídeo, o pai está bebendo uma cerveja e coloca a garrafa entre suas pernas para instruir seu filho a pilotar o avião (é bom destacar que é proibido pilotar qualquer tipo de avião sem a devida autorização, instrução e formação para tal e que, no Brasil, a pilotagem só é permitida a partir dos 16 anos). Ainda no vídeo, é possível ver o pai usando a mão para esconder a matrícula do avião, para que não fosse identificado pelas autoridades. Os dois morreram no último sábado, 29, após um acidente aéreo no interior de Rondônia.

Uma jovem de 22 anos foi abandonada, desacordada, por um motorista de aplicativo na porta de casa no Bairro Santo André, na Região Noroeste de Belo Horizonte, na madrugada de domingo (30/7). Foi estuprada em seguida. O crime chama a atenção pela sucessão de erros que culminaram no estupro da jovem, como apontam os investigadores do caso. Conforme o boletim de ocorrência, no sábado (29/7), a vítima estava em um evento de pagode que aconteceu no Mineirão, na Região da Pampulha, quando, por volta das 2h decidiu ir embora. Ela teria ingerido grande quantidade de bebida alcoólica e, na volta do show, seus amigos a colocaram, sozinha, em um carro de aplicativo e compartilharam a localização da viagem com o irmão dela. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) afirmou que, além do agressor, outras pessoas serão investigadas e podem ser responsabilizadas pelo caso. Entre elas estão o motorista de aplicativo, o motociclista que passou pelo local e ajudou a retirar a vítima do carro e deixá-la no meio-fio, e o amigo que a colocou no carro, sozinha. Por tê-la deixado nessa situação, o motorista pode responder pela omissão de socorro.

Na minha opinião, nos dois casos há um agravante que não foi discutido ou responsabilizado: a ingestão de bebida alcoólica, que colocou ambos em situação de vulnerabilidade.

Não se omite a responsabilidade de um pai que permite um filho menor de idade ter o controle de um avião em voo, tapando o número de série da aeronave e usando bebida alcoólica, ridicularizando a legislação em questão. Não se omite a responsabilidade dos amigos da outra jovem, do motorista que a abandonou na rua, mas pouco se discute a regulamentação da bebida alcoólica, ou responsabilização dos que vendem ou fornecem bebida alcoólica em excesso para outros. Não somos contra a bebida alcoólica, mas sim somos contra a falta de regulamentação do seu uso no Brasil, como é feito em outros países. A impunidade característica do nosso meio estimula excessos, que levam a situações de risco.

O exemplo dos pais é um fator importantíssimo na orientação das crianças e dos jovens. Se o pai não cumpre as normas legais da sociedade, haverá muita chance dos filhos também não seguirem. Isto vale não só em relação às drogas, mas a toda a educação dos nossos filhos.

O cigarro eletrônico está tomando um vulto grande demais para que não nos coloquemos na prevenção de algo que faz mal à saúde, tanto ou mais do que o cigarro normal, porque ele está sendo utilizado pela juventude, que acredita que não vicia e desconhece o efeito maléfico que pode produzir. É a mesma situação dos nossos avós com o cigarro normal!

Em relação à liberação do porte de maconha, acho incrível que não se faça ao mesmo tempo uma ampla campanha sobre o possível malefício que ela pode trazer, com os mesmos problemas pulmonares do cigarro e a possível lesão cerebral irreversível que pode produzir.

Nossos políticos tentam tapar o sol com a peneira, retardando ou engavetando qualquer possibilidade de regulamentação do uso de álcool no Brasil, fechando os olhos para a proibição do cigarro eletrônico, proibido no país, mas não fiscalizado, e aprovando a descriminalização do porte de maconha sem ampla campanha de orientação.

Exemplos não faltam: Amsterdã tem zonas livres do álcool, do tabaco e da maconha; nos EUA não se consome bebida alcoólica na rua e antes dos 21 anos e nós continuamos vendendo bebida na rua, onde o menor de idade a compra sem pudores.

O uso das drogas começa dentro de casa. Abramos os olhos. Prevenção é tudo!

 

Relator:
João Paulo Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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26 de junho – Dia Internacional Contra o Abuso e Tráfico de Drogas https://spsp.org.br/26-de-junho-dia-internacional-contra-o-abuso-e-trafico-de-drogas/ Mon, 26 Jun 2023 19:04:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37954 No Dia Internacional Contra o Abuso e Tráfico de Drogas não temos muito a comemorar. A droga está cada vez mais perto das crianças e suas famílias.]]>

No Dia Internacional Contra o Abuso e Tráfico de Drogas não temos muito a comemorar. A droga está cada vez mais perto das crianças e suas famílias. A maconha e o cigarro eletrônico parecem ser a nova moda entre os jovens, misturadas ao álcool. A experimentação de álcool e outras drogas começa cada vez mais cedo e tem início dentro de casa.

Quando perguntam quando começar a falar sobre drogas em casa, eu digo que se deve começar na gravidez – ou seja, se a mãe ou o pai fumam, devemos orientá-los a parar, se ingerem bebidas alcoólicas, a gestante tem que parar e o futuro pai, em solidariedade, parar também! Devem ter em mente que não há dose segura de álcool.

Não existe idade para falar sobre drogas com os filhos.

Para crianças menores, o exemplo dos pais é a melhor maneira de se “comunicar” com os filhos. É a atitude principal para evitar que seus filhos utilizem drogas.

Quanto de bebida alcoólica você serve em sua festa de família?

Para as crianças do Fundamental 1, contar histórias, discutir vídeos ou até algumas propagandas que passam na TV vale a pena, mas a postura dos pais quanto ao álcool e drogas ainda é o principal fator de proteção das crianças. Para essa faixa etária, recomendo o programa Dr. Bartô e os Doutores da Saúde, que têm um material rico em “contação” de histórias e livretos que podem ser utilizados (https://www.drbarto.com.br/quem-somos/livretos/).

Já no Fundamental 2, temos material sobre drogas ilícitas: maconha, narguilé, cigarro eletrônico, apropriados para essa faixa etária; em um projeto piloto (https://drbarto.46graus.com/), as famílias que discutiam o assunto de drogas em casa tinham 60% a menos experimentação de cigarro, álcool, maconha e crack do que aquelas que não conversavam sobre este assunto.

Conversar em casa melhora muito o relacionamento familiar e o alerta para estas questões. Não podemos deixar de abordar estes assuntos, uma vez que antes dos 10 anos já há experimentação de álcool, tabaco, maconha, etc.

Os erros mais comuns que acontecem nas famílias são:

  • o pai que quer ensinar seu filho a beber com 13 anos – se o filho bebe com o pai, vai beber com os amigos, e aí, geralmente, a quantidade é outra;
  • o pai que introduz a maconha para ser um cara legal, jovem, participante do grupo dos filhos.

Isso tudo não pode ser indicado. Lembro que, em todas as faixas etárias, o exemplo dentro de casa e a discussão de assuntos em família são bons protetores.

Portanto, invista na sua família para que tenhamos algo a comemorar no próximo ano no Dia Internacional Contra o Abuso e Tráfico de Drogas.

 

Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB)
Responsável pelo Projeto Antitabágico do Hospital Universitário da USP
Responsável pelo Projeto Dr. Bartô e os Doutores da Saúde – Projeto de Prevenção de Drogas no Ensino Fundamental e Médio
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP

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Importação de remédio derivado de maconha para criança com epilepsia https://spsp.org.br/importacao-de-remedio-derivado-de-maconha-para-crianca-com-epilepsia/ Fri, 11 Apr 2014 06:00:05 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=573 O jornal Folha de São Paulo de 3 de abril de 2014 publicou a matéria Justiça autoriza importação de remédio derivado de maconha para criança com epilepsia (veja a versão on-line aqui), na qual comenta sobre um paciente que conseguiu uma liminar para usar e importar medicamento derivado da maconha. Veja abaixo, comentário do presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Dr. Mario Roberto Hirschheimer, e da Dra. Livia Cunha Elkis, do Departamento Científico de Neurologia da SPSP. A propósito do uso da maconha A planta Cannabis sativa (nome científico da maconha) contém em torno de 80 canabinoides, dos quais dois são os mais abundantes: o delta 9 tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol. Esse último sem ação psicoativa e com provável efeito promissor para várias doenças neurológicas. Uma Revisão Sistemática da Literatura Médica realizada pelo Centro Cochrane, publicada em junho de 2012, incluiu quatro ensaios clínicos randomizados controlados do uso medicinal da Cannabis sativa e mostrou que tais estudos não permitem tirar conclusões a respeito da eficácia e segurança do seu uso no tratamento da epilepsia em crianças e adolescentes. A pergunta que podemos fazer: é válido os pais exporem seus filhos a fármacos ainda não aprovados? O que podemos afirmar é que, no momento, não há evidências científicas de que o canabidiol é um medicamento eficaz e seguro para a epilepsia ou outras doenças neurológicas. O maior problema se refere a percepção do efeito colateral em crianças pequenas, que podem ter associado atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, complicando a percepção da família ou do médico. Uma criança de 7-8 anos pode informar uma cefaleia, mas não descreve precisamente suas características como dor em queimação ou dor pulsátil. Será que uma criança de 1-2 anos pode informar uma ansiedade discreta ou moderada e nós, médicos, ou os seus pais, vamos entender esse sintoma subjetivo, e então avaliar a retirada da medicação? Outro fator a ser considerado é o desenvolvimento da estrutura cerebral da criança. O balanço da excitabilidade dos neurotransmissores nos primeiros 4-5 anos de vida segue um padrão diferente dos adultos, e vai se modificando a medida que certas vias vão se mielinizando. Nós, médicos, precisamos saber mais sobre isto antes do uso do CDB, já que a ação deste é direta nos neurotransmissores e, em adultos, a maconha foi descrita como desencadeante de psicose. A única forma de se estudar um composto é seguir as normas já estabelecidas, que sabemos que são boas. Em primeiro lugar, vamos estudar em adultos, que podem nos informar melhor os efeitos colaterais. Não podemos expor nossas crianças ao empirismo, vamos tentar fazer um esforço global e estudar esse composto de forma mais acelerada. A preocupação da SPSP referente ao caso publicado na matéria da Folha de São Paulo é que muitos pais recorram a este tratamento sem orientações específicas e acabem por prejudicar ainda mais a situação de seus filhos. Dra. Livia Cunha ElkisDepartamento Científico de Neurologia da SPSP Dr. Mario Roberto HirschheimerPresidente da SPSP ___Publicado em 11/04/2014. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O jornal Folha de São Paulo de 3 de abril de 2014 publicou a matéria Justiça autoriza importação de remédio derivado de maconha para criança com epilepsia (veja a versão on-line aqui), na qual comenta sobre um paciente que conseguiu uma liminar para usar e importar medicamento derivado da maconha. Veja abaixo, comentário do presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Dr. Mario Roberto Hirschheimer, e da Dra. Livia Cunha Elkis, do Departamento Científico de Neurologia da SPSP.

herbal hemp | pixabay.com

A propósito do uso da maconha

A planta Cannabis sativa (nome científico da maconha) contém em torno de 80 canabinoides, dos quais dois são os mais abundantes: o delta 9 tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol. Esse último sem ação psicoativa e com provável efeito promissor para várias doenças neurológicas.

Uma Revisão Sistemática da Literatura Médica realizada pelo Centro Cochrane, publicada em junho de 2012, incluiu quatro ensaios clínicos randomizados controlados do uso medicinal da Cannabis sativa e mostrou que tais estudos não permitem tirar conclusões a respeito da eficácia e segurança do seu uso no tratamento da epilepsia em crianças e adolescentes.

A pergunta que podemos fazer: é válido os pais exporem seus filhos a fármacos ainda não aprovados? O que podemos afirmar é que, no momento, não há evidências científicas de que o canabidiol é um medicamento eficaz e seguro para a epilepsia ou outras doenças neurológicas. O maior problema se refere a percepção do efeito colateral em crianças pequenas, que podem ter associado atraso do desenvolvimento neuropsicomotor, complicando a percepção da família ou do médico. Uma criança de 7-8 anos pode informar uma cefaleia, mas não descreve precisamente suas características como dor em queimação ou dor pulsátil. Será que uma criança de 1-2 anos pode informar uma ansiedade discreta ou moderada e nós, médicos, ou os seus pais, vamos entender esse sintoma subjetivo, e então avaliar a retirada da medicação?

Outro fator a ser considerado é o desenvolvimento da estrutura cerebral da criança. O balanço da excitabilidade dos neurotransmissores nos primeiros 4-5 anos de vida segue um padrão diferente dos adultos, e vai se modificando a medida que certas vias vão se mielinizando. Nós, médicos, precisamos saber mais sobre isto antes do uso do CDB, já que a ação deste é direta nos neurotransmissores e, em adultos, a maconha foi descrita como desencadeante de psicose.

A única forma de se estudar um composto é seguir as normas já estabelecidas, que sabemos que são boas. Em primeiro lugar, vamos estudar em adultos, que podem nos informar melhor os efeitos colaterais. Não podemos expor nossas crianças ao empirismo, vamos tentar fazer um esforço global e estudar esse composto de forma mais acelerada. A preocupação da SPSP referente ao caso publicado na matéria da Folha de São Paulo é que muitos pais recorram a este tratamento sem orientações específicas e acabem por prejudicar ainda mais a situação de seus filhos.

Dra. Livia Cunha Elkis
Departamento Científico de Neurologia da SPSP

Dr. Mario Roberto Hirschheimer
Presidente da SPSP

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Publicado em 11/04/2014.


Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.



Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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