Livro – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 13 Jan 2026 16:09:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Livro – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Ler é um ato silencioso que transforma o mundo https://spsp.org.br/ler-e-um-ato-silencioso-que-transforma-o-mundo/ Wed, 07 Jan 2026 11:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54717 Ler é um ato silencioso que transforma o mundo. A cada página virada, o leitor amplia horizontes, constrói pensamento crítico. A leitura é uma ferramenta poderosa de desenvolvimento huma]]>

Ler é um ato silencioso que transforma o mundo. A cada página virada, o leitor amplia horizontes, constrói pensamento crítico. A leitura é uma ferramenta poderosa de desenvolvimento humano, essencial desde a infância, influenciando a linguagem, a cognição, a criatividade e a formação cidadã.

Vivemos um tempo em que as imagens se impõem antes das palavras. As telas piscam, deslizam e capturam o olhar, enquanto a leitura – lenta, silenciosa e reflexiva – corre o risco de ser deixada de lado. Há, nesse cenário, um motivo legítimo de preocupação. A leitura exige pausa, atenção e profundidade. Ela ensina a sustentar o pensamento, a interpretar sentidos ocultos, a lidar com a complexidade e com o contraditório. Quando é substituída por conteúdos fragmentados, rápidos e predominantemente visuais, perde-se não apenas o hábito de ler, mas a capacidade de pensar com calma, de argumentar e de compreender o mundo em sua totalidade.

O excesso de estímulos visuais pode anestesiar a curiosidade, reduzir a tolerância ao silêncio e enfraquecer o vínculo com a linguagem escrita – base da educação, da ciência e da cidadania. Uma sociedade que lê menos corre o risco de questionar menos, de refletir menos e de aceitar mais facilmente respostas prontas.

As telas podem informar, mas é a leitura que forma.

Feliz Dia do Leitor.

 

Relatora:

Tania Zamataro
Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Um sonho acordado https://spsp.org.br/um-sonho-acordado/ Wed, 07 Jan 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54710 ]]>

“Cansado, acabei cochilando sentado onde estava. Depois de algum tempo, que não sei precisar, me vi percorrendo aquela exposição: fui convidado a adentrar numa sala interativa. O aspecto externo lembrava a capa de um livro. A porta era grande, maior que o tamanho habitual. Tinha uma textura de capa de livro e um cheiro peculiar de papel. Abri a porta lentamente. Uma claridade foi surgindo e, de repente, como se tivesse sido tragado por uma lufada de vento suave, eu estava inserido no interior de um ambiente mágico…. As paredes eram flexíveis e aquela à minha frente permitia que eu a puxasse pela lateral direita e a dobrasse – imediatamente um novo cenário se descortinava. A cada passo que eu dava parecia que adentrava em outro cenário… Era como se estivesse virando páginas de livro vivo e dinâmico.

As páginas – digo, os ambientes – eram largos como campos, ondulavam como tecido vivo. Comecei a caminhar num estranho “sonho acordado”, onde cada passo virava palavra e cada palavra virava mundo.

De repente tropecei – não numa dobra do papel, mas numa pedra enorme, firme, inevitável. Drummond, encostado na margem da página, comentou: “Às vezes, meu amigo, a vida escreve obstáculos para ensinar a ler melhor.” Entendi que algumas leituras não são trilhas, são travessias.

Segui, puxando a ranhura da parede na lateral direita, como quem abre uma porta secreta. O ar mudou: ficou leve, translúcido. Cecília Meireles surgia ali, movendo-se como bruma. “O papel é só a superfície,” disse ela. “O que você lê são partidas, chegadas, retornos.” Senti que aquele espaço entre páginas era como os intervalos da vida – finos, decisivos.

Dando mais um passo, caí dentro de uma cidade feita de letras: ruas tortas, varandas que pareciam vírgulas, sombras que se esticavam como parênteses.
Machado de Assis observava da janela de um sobrado. “Não confie no narrador,” advertiu. “Nem no que você acha que está vendo. Ler é suspeitar.” E a cidade pareceu piscar, como se tudo ali pudesse ser interpretação.

Quando virei a próxima página – digo, puxei a lateral da parede – o mundo se abriu em uma planície vasta, com vento largo e luz de horizontes. Era Érico Veríssimo quem caminhava por ela. “A vida anda sempre adiante,” disse, sem parar o passo. “E os livros são jeitos de caminhar mesmo quando estamos sentados.” Percebi que algumas histórias alimentam a alma.

A página seguinte exalava música. Notas escorriam pelas margens como tinta viva. Vinicius de Moraes surgia dedilhando um violão feito de palavras. “Leia como quem ama”, aconselhou. “Só assim o texto te devolve inteiro.” Senti que havia livros que ensinavam a respirar mais fundo.

Na dobra da última página, quase escondida na sombra, uma mulher caminhava devagar, como quem costura pensamentos. Carla Madeira ergueu os olhos: “O livro te atravessa enquanto você o atravessa”, disse. “Somos feitos dos fios que encontramos.” 

Atravessei, então, para a página final. No centro daquela parede estava escrito: “as leituras nos constituem”.

Em comemoração ao Dia do Leitor.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Ler é travessia https://spsp.org.br/ler-e-travessia/ Wed, 29 Oct 2025 11:58:49 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53951 ]]>

A leitura de um livro é, antes de tudo, uma permissão. Uma dádiva que o autor oferece, abrindo uma passagem para que você atravesse o limiar de seu mundo. Mas é também um convite e, como todo convite, pede resposta. A porta está entreaberta, mas é preciso querer entrar. Entram apenas os dispostos.

A imagem da porta é profundamente sugestiva para pensar o livro. Diferentemente da janela, que permite espiar o interior sem se comprometer, mantendo o observador do lado de fora, a porta exige gesto e decisão. É preciso tocar a maçaneta, empurrar, atravessar o umbral. Há esforço. Há escolha. Assim é a leitura: um movimento ativo, uma travessia. Não basta ver; é preciso entrar.

E ao entrar, o leitor é acolhido por um território novo – um espaço antes interditado, onde cada frase abre caminhos, cada página revela paisagens inéditas. O livro é casa e labirinto, abrigo e aventura. Pode ser tranquilo e repousante, mas também estranho e desafiador. Em toda leitura há sempre um pouco de risco e de deslumbramento.

Talvez, mais que uma porta, o livro seja um portal. Ao abri-lo, não apenas se acessa um outro ambiente, mas um outro mundo. A leitura não amplia apenas o horizonte – ela o desloca. Revela novas formas de ver, de sentir, de compreender. O que era velho, se renova. O que parecia simples, ganha profundidade. O que antes era enigma, se ilumina. Ler é reaprender a ver o mundo – e, muitas vezes, a si mesmo.

Cada autor, ao publicar seu livro, concede antecipadamente essa permissão silenciosa: entre, veja, percorra, descubra.

Cabe a nós aceitarmos o convite, girar a maçaneta e atravessar o portal.

Celebremos, portanto, o Dia Nacional do Livro da forma mais genuína e viva possível: lendo. Porque cada leitura é um ato de travessia – e cada travessia, um novo começo.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

 

 

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Contos de fadas – uma dádiva de amor https://spsp.org.br/contos-de-fadas-uma-dadiva-de-amor/ Thu, 05 Sep 2024 15:29:29 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47884 ]]>

Muitos contos de fadas começam com a famosa expressão “Era uma vez…”, acrescida de alguma outra qualificação: “num certo país distante…”, ou “numa época em que os animais falavam…”. “Esses começos sugerem que o que se segue não pertence ao aqui e agora que conhecemos (…) simboliza que estamos deixando o mundo concreto da realidade comum”. A lógica e a causalidade normais estão suspensas. É exatamente por essa peculiaridade que os contos de fadas nos levam, sem nos apercebermos, ao universo do nosso inconsciente, que é igualmente estranho, distante. O conto de fadas leva a criança “para dentro” da história e, através da identificação com algum dos personagens e/ou situações, ocorrem crescimento e amadurecimento.

“Quando todos os anseios da criança passam a ser corporificados numa fada boa; seus desejos destrutivos, numa bruxa má; seus medos, num lobo voraz; as exigências de sua consciência, num homem sábio encontrado numa aventura; sua raiva ciumenta, em algum animal que ataca seus rivais – então ela pode começar a organizar suas tendências contraditórias.” (pg. 95).

O fundador da Psicanálise – Freud, diz “que só o homem consegue extrair um sentido da sua existência”. Isso pressupõe que o mundo real seja reconhecido e identificado, com suas dores e alegrias. Isso vale para crianças, também; entretanto, uma crença prevalente entre os pais é que a criança deve ser poupada, sempre, de situações que lhe tragam desagrado ou dificuldades – é querer que uma criança viva numa bolha de proteção absoluta. É um engano.

“… a mensagem que os contos de fadas transmitem à criança de forma variada é que a luta contra dificuldades na vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana – mas que, se a pessoa não se intimida e se defronta com as provações, pode conseguir dominar os obstáculos e, ao fim, poderá emergir vitoriosa”. (pg.15)

Por essa razão, Lewis Carrol chamou os contos de fadas de uma “dádiva de amor”.

Ler ou ouvir um conto de fadas tem o poder de incentivar a imaginação da criança. Não é necessário nenhum livro supercolorido, com paisagens em 3D, ou desenhos e mais desenhos. Essa sofisticação pode até roubar aquilo que a própria história poderia suscitar na imaginação da criança.

Siga o gênio!!!

“Se você quer que crianças sejam inteligentes, leia contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas”. Albert Einstein

 

Saiba mais:

As páginas assinaladas no corpo deste texto se referem ao livro, que recomendo fortemente a leitura: A psicanálise dos contos de fadas. Bruno Bettelheim; tradução Arlene Caetano. 44ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.

 

Relator:

Fernando MF Oliveira

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Não precisamos voltar ao tempo das cavernas! https://spsp.org.br/nao-precisamos-voltar-ao-tempo-das-cavernas/ Wed, 29 May 2024 14:19:34 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46281 Este texto me inspirou pela leitura de um livro, cujo título é provocador: A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças.* Desenvolvido por Michel Desmurget]]>

Este texto me inspirou pela leitura de um livro, cujo título é provocador: A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças.*

Desenvolvido por Michel Desmurget, neurocientista francês, suas opiniões estão embasadas em centenas de publicações científicas, repletas de dados estatísticos e meta-análises. Trabalho de fôlego. Suas teses contrariam muitos interesses e despertam um coro inflamado das vozes dos que discordam.

Sublinho dois pontos importantes nesse livro:

  1. Quanto mais aumenta o tempo de uso das telas (isso inclui tipicamente a televisão, os videogames, os telefones celulares, o tablet e o computador), mais as notas escolares caem!

Escreve o autor: “em seu conjunto, a literatura científica demonstra de forma límpida e convergente que o tempo passado diante de telas domésticas afeta negativamente o bom desempenho escolar. Independentemente de gênero, idade, classe de origem e/ou protocolos de análises, a duração do consumo é associada de forma desfavorável à performance estudantil. Dito de outro modo, quanto mais tempo as crianças, adolescentes e estudantes passam com seus brinquedos digitais, mais as notas despencam. (…) De fato, os resultados mostram com extrema clareza que o enquadramento estrito de utilizações digitais recreativas, em prol de práticas extraescolares consideradas positivas (deveres de casa, leitura, música, atividades físicas, etc.,) é uma característica distintiva quase unânime das famílias cujos filhos apresentam um elevado grau de performance escolar”.

Você pode aquilatar a importância do tempo gasto diante das telas visualizando a tabela abaixo, que analisa o tempo médio de exposição às telas por dia:

 

Idade Tempo médio por dia Total em
1 ano
Equivalência
< 2
anos
50 minutos, ou 8% do tempo de vigília; ou 15% do tempo livre da criança > 600
horas
Tempo aproximado de 1 ano letivo em escola infantil na Califórnia
2-8
anos
2h45 >>1.000
horas
Aproximadamente equivalente ao tempo de 6-7 anos letivos completos; ou, 460 dias de vida desperta (1 ano e 3 meses); Ou, tempo de estudo necessário para se tornar um hábil violinista
9-12
anos
4h45 >1.700
horas
Tempo aproximado de 2 anos letivos, ou 1 ano de trabalho de um assalariado em tempo integral
13-18 anos 7h22
45% do tempo normal de vigília, ou 30% do dia
2.680 horas
(112 dias)
3 anos letivos

 

  1. Esse mesmo “ladrão de tempo” – as telas, além de afetar o rendimento escolar, pode provocar: transtornos no sono, aumentar o sedentarismo, expor a criança e o adolescente a conteúdos “perigosos” (sexo, violência, tabagismo, álcool, etc.), afetar a memória, a cognição e o controle emocional.

Aldous Huxley previra, há mais de 80 anos: “a ditadura perfeita,(…) uma prisão sem muros da qual os prisioneiros não sonhariam escapar; um sistema de escravidão em que, graças ao consumo e ao entretenimento, os escravos amariam a própria servidão”.

 

O smartphone, dentre as telas, é uma daquelas prisões sem muros, talvez a mais “eficiente”.

O autor Michel Desmurget, fazendo um comentário ácido sobre o tema, diz: “Essa plataforma de distração em massa concentra a integralidade (ou quase) das funções digitais recreativas. Ela permite acessar todos os tipos de conteúdos audiovisuais, jogar videogames, surfar na Internet, trocar fotos, imagens e mensagens, conectar-se às redes sociais, etc.; e permite tudo isso sem a menor restrição de tempo ou lugar. O smartphone nos segue o tempo todo, sem fraquejar nem nos dar trégua. Quanto mais os aplicativos se tornam “inteligentes”, mais eles substituem nossa reflexão e mais nos ajudam a nos tornar idiotas. Eles já escolhem nossos restaurantes, selecionam as informações que nos são acessíveis, separam as publicidades que nos são enviadas, determinam os trajetos que devemos seguir, propõem respostas automáticas a algumas de nossas interrogações verbais às mensagens que nos são enviadas, “domesticam” nossos filhos desde o maternal, etc. Com um pouco mais de empenho, eles acabarão pensando no nosso lugar.”

As estatísticas servem para perceber tendências, avaliar riscos. Ajudam a fazer escolhas, a traçar caminhos. Elas não determinam, em nível do indivíduo, absolutamente nada. Por isso, para cada afirmação feita, você pode encontrar exemplos que são contrários; isso não invalida a preocupação com os dados obtidos, nem afirma que os resultados apontados não sejam significantes. Toda regra tem exceção. A exceção confirma a regra. Devemos interpretar as afirmações do livro citado, seguindo esse caminho.

Em resumo, o livro recomenda, para as famílias, regras básicas e desafiadoras que vão na “contramão do sistema”. Orientações referendadas, também, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com discretas variações quanto ao tempo restritivo de exposição às telas por faixas etárias.

A SBP publicou em 2016 e atualizou em 2020 o Manual de Orientação “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”, organizado pelo Departamento Científico de Adolescência. O mesmo recomenda que se deve:

  • Evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente;
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre dois e cinco anos;
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma ou duas horas por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre seis e 10 anos;
  • Limitar o tempo de telas e jogos de videogames a duas ou três horas por dia, sempre com supervisão; nunca “virar a noite” jogando, para adolescentes com idades entre 11 e 18 anos;
  • Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar uma a duas horas antes de dormir;
  • Oferecer como alternativas: atividades esportivas, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza, sempre com supervisão responsável;
  • Criar regras saudáveis para o uso de equipamentos e aplicativos digitais, além das regras de segurança, senhas e filtros apropriados para toda a família, incluindo momentos de desconexão e mais convivência familiar;
  • Encontros com desconhecidos on-line ou off-line devem ser evitados; saber com quem e onde seu filho está, e o que está jogando ou sobre conteúdos de risco transmitidos (mensagens, vídeos ou webcam), é responsabilidade legal dos pais/cuidadores;
  • Conteúdos ou vídeos com teor de violência, abusos, exploração sexual, nudez, pornografia ou produções inadequadas e danosas ao desenvolvimento cerebral e mental de crianças e adolescentes, postados por cyber criminosos devem ser denunciados e retirados pelas empresas de entretenimento ou publicidade responsáveis.

 

NÃO PRECISAMOS VOLTAR AO TEMPO DAS CAVERNAS!

 PRECISAMOS, APENAS, USAR DE MANEIRA INTELIGENTE AS EXTRAORDINÁRIAS FERRAMENTAS DIGITAIS DISPONÍVEIS HOJE.

 

Saiba mais:

* A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças. Michel Desmurget. São Paulo: Vestígio, 2023.

** Manual de Orientação – Departamento de Adolescência. Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital. nº 1, Outubro de 2016. Disponível em:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/11/19166d-MOrient-Saude-Crian-e-Adolesc.pdf

Manual de Orientação. Grupo de Trabalho Saúde na Era Digital (2019-2021). #MENOS TELAS #MAIS SAÚDE. Dezembro de 2019. Disponível em:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/_22246c-ManOrient_-__MenosTelas__MaisSaude.pdf

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia do Leitor https://spsp.org.br/dia-do-leitor/ Sun, 07 Jan 2024 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42298 Os caligramas fazem parte da poesia visual. As palavras criam uma imagem que expressa visualmente o que as próprias mencionam, ou desejariam dizer. “Quem mal lê… mal ouve, mal fala, mal vê.” ]]>

Os caligramas fazem parte da poesia visual. As palavras criam uma imagem que expressa visualmente o que as próprias mencionam, ou desejariam dizer.

“Quem mal lê… mal ouve, mal fala, mal vê.” Monteiro Lobato

“A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.” André Maurois

“Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar.” Rubem Alves

“Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como o corpo que não come.” Victor Hugo

No Dia do Leitor, queremos chamar a atenção para alguns dos grandes desafios que o país enfrenta, em particular, nessa área da leitura.

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é uma organização internacional com sede na França e composta por 38 países membros, que tem o objetivo de promover o progresso econômico, o comércio mundial e o bem-estar social, estabelecendo padrões para esse desenvolvimento. Segundo esse organismo de cooperação internacional, a habilidade de leitura é definida como a “capacidade de entender, usar e refletir sobre textos escritos de modo a conquistar objetivos, desenvolver conhecimento e potencial e participar da sociedade”.

Em uma escala de 1 a 6, o nível de leitura considerado básico é o 2 – estágio em que os estudantes “começam a demonstrar competências que vão lhes permitir participar de modo efetivo e produtivo na vida como estudantes, trabalhadores e cidadãos”.

Em 1997, foi criado e desenvolvido um instrumento para avaliação global dos estudantes – o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) – na sigla em inglês, patrocinado pela OCDE. No Pisa 2018, os alunos brasileiros pontuaram, em média, 413 em leitura (para efeitos comparativos, a China, que encabeça o ranking, pontuou 555 nesse quesito). O Brasil manteve-se praticamente estagnado na última década. Essa média esconde disparidades sociais acentuadas. A proporção de jovens da camada mais pobre que conseguiu alcançar o nível 2 em leitura do Pisa foi 55% menor do que a de jovens brasileiros de renda mais alta. No Brasil, apenas um terço (33%) dos estudantes havia sido capaz de distinguir fatos de opiniões em uma das perguntas aplicadas no Pisa. O “abismo cultural”, entre estudantes de classes sociais mais avantajadas e os mais pobres em todo o mundo, está aumentando.

O exame, chamado PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study), avalia a capacidade de leitura de alunos do 4º ano do ensino fundamental. O teste avalia a capacidade das crianças compreenderem textos, estabelecerem conexões entre as informações lidas e desenvolverem um senso crítico a respeito de um conteúdo. É uma prova aplicada para alunos das redes pública e privada, com questões dissertativas e mais complexas do que as usadas nos exames nacionais de leitura, como o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica). Os resultados do PIRLS realizado no final de 2021 foram divulgados no começo de março de 2023. O Brasil ficou na 39ª posição entre 43 países, atrás de nações pobres, como Azerbaijão e Uzbequistão: 38% dos estudantes brasileiros não dominavam as habilidades mais básicas de leitura. Só 13% foram classificados, segundo a avaliação, como proficientes.

Na pesquisa Alfabetiza Brasil, do Ministério da Educação (MEC), 56,4% das crianças brasileiras não estão alfabetizadas. Apenas 4 em cada 10 crianças do 2º ano do ensino fundamental estavam alfabetizadas no país em 2021. O levantamento mostrou ainda uma queda na porcentagem de alfabetização infantil em comparação com 2019, quando mais de 6 crianças em cada 10 eram consideradas alfabetizadas.

Concluo, parafraseando Monteiro Lobato: “Quem mal lê… mal ouve, mal fala, mal vê, mal compete no mercado de trabalho.”

Dia de ler é todo dia.

 

Saiba mais:

  1. Dados do último relatório da OCDE, divulgado em 16/09/2023.
  2. Pesquisa Alfabetiza Brasil (2021), do Ministério da Educação (MEC).

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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