Liberdade – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 10 Dec 2024 16:18:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Liberdade – SPSP https://spsp.org.br 32 32 A Paz Universal e os Direitos Humanos https://spsp.org.br/a-paz-universal-e-os-direitos-humanos/ Tue, 10 Dec 2024 16:18:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=49431 “Haverá um futuro em que as nações viverão em harmonia… Eles converterão suas espadas em arados e suas lanças em foices (…), criando um ambiente em que a realidade é transformada]]>

“Haverá um futuro em que as nações viverão em harmonia… Eles converterão suas espadas em arados e suas lanças em foices (…), criando um ambiente em que a realidade é transformada e o impossível se tornará possível: O lobo vai brincar com o cordeiro, e o leopardo vai dormir com o cabrito. O bezerro e o leão comerão no mesmo cocho, e uma criança será capaz de cuidar deles…”.

A ‘Paz Universal’ é desejo de todos, que foi expresso com intensa beleza poética e profundidade metafórica neste trecho extraído de um dos livros sagrados da humanidade, com especial interesse para as três religiões abraâmicas – Isaías.2:4 e 11:6.9.

A “utopia” de alcançar a Paz Universal se assemelha a um horizonte que, quanto mais caminhamos em sua direção, mais parece se afastar; no entanto, precisamos continuar em seu encalço. Sem diálogo entre os homens, não haverá paz entre as nações.

A grande mesa moderna de negociações e de conversas se chama ONU – a Organização das Nações Unidas, que desempenha um papel central na promoção e proteção dos direitos humanos globais. Por meio de seus órgãos, como o Conselho de Direitos Humanos e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a organização monitora violações, apoia países na implementação de normas e fomenta diálogos para resolver crises humanitárias.

O Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro, marca a adoção da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948. Esse documento histórico estabelece direitos e liberdades fundamentais que devem ser garantidos a todas as pessoas, independentemente de nacionalidade, raça, gênero, religião ou outra condição.

Dias como este, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, têm como objetivo chamar a atenção para causas globais, educar a população e mobilizar ações. Essas datas são oportunidades para todos refletirem sobre os avanços e desafios na proteção de direitos.

Apesar das dificuldades, o sistema internacional conseguiu avanços significativos. A proibição da tortura, o maior reconhecimento dos direitos das mulheres, a melhoria na proteção dos direitos das pessoas LGBTQIA+ em muitos países são exemplos de progresso. No entanto, violações maciças, como a perseguição de minorias, a falta de liberdade de expressão e a crise climática mostram que ainda há muito a ser feito.

Sem liberdade, justiça, equidade e respeito à dignidade humana, jamais alcançaremos a tão desejada ‘Paz Universal’. Esse é um caminho que deve ser perseguido com sabedoria e coragem.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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O caminho da escravidão à liberdade https://spsp.org.br/o-caminho-da-escravidao-a-liberdade/ Wed, 20 Nov 2024 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48991 A escravidão de africanos começou a ganhar força em meados do século XV, com o início do tráfico transatlântico de escravizados, um sistema brutal que perdurou por cerca de 400 anos]]>

A escravidão de africanos começou a ganhar força em meados do século XV, com o início do tráfico transatlântico de escravizados, um sistema brutal que perdurou por cerca de 400 anos. A escravidão no Brasil começou oficialmente no início do período colonial, por volta de 1530, com a chegada dos primeiros colonizadores portugueses. Estima-se que aproximadamente 4,8 milhões de africanos foram trazidos ao Brasil ao longo dos mais de 300 anos de escravidão, o que fez do Brasil o país que mais recebeu pessoas escravizadas no mundo.

Os homens negros africanos viraram escravos, pela força do colonizador, em diversos países. Não nasceram escravos. Nesse ato, revela-se uma das principais mazelas da escravidão: destituir o homem negro e a mulher negra da sua humanidade.

Frederik Douglass, nascido em Maryland em 1817, filho de mãe escrava e pai desconhecido, tornou-se um grande orador e uma voz contundente contra a escravidão na América do Norte. Com uma frase lapidar, Douglass denunciou essa mazela: “Vocês já viram como um homem virou escravo. Agora vocês verão como um escravo virou homem”.1 

O sacerdote Desmond Tutu, na África do Sul, uma forte liderança contra a segregação racial, juntamente a Nelson Mandela, disse em 1960: “É uma regra terrível, inexorável, que uma pessoa não pode negar a humanidade de uma outra sem diminuir a própria.”

Zumbi dos Palmares é uma figura central na história da resistência negra no Brasil. Ele foi o líder do Quilombo dos Palmares, o maior e mais duradouro quilombo do período colonial, localizado na região onde hoje é o Estado de Alagoas. Zumbi nasceu livre em 1655 em Palmares, mas foi capturado e entregue a um padre, por quem foi batizado e educado. Aos 15 anos, no entanto, fugiu e retornou ao quilombo, onde se tornou um guerreiro e, mais tarde, o líder da resistência contra as forças coloniais. Zumbi é celebrado por sua coragem e liderança, pois lutou até sua morte em 20 de novembro de 1695, para defender a liberdade de Palmares e a autonomia dos quilombos.

No Brasil, os movimentos abolicionistas ganharam força especialmente a partir do século XIX, quando ativistas, intelectuais, ex-escravizados e outros setores da sociedade começaram a lutar pela abolição. Esse processo ocorreu de forma gradual. Seguindo o exemplo da Inglaterra, que em 1807 estabeleceu a Lei Britânica de Abolição do Comércio de Escravos, o Brasil promulgou a Lei Eusébio de Queirós (1850), que proibia o tráfico de escravizados da África para o Brasil, embora ele tenha continuado de forma ilegal. Nos 38 anos seguintes, aprovaram-se outras leis: Lei do Ventre Livre (1871), que determinou que os filhos de mulheres escravizadas, nascidos a partir daquela data, seriam livres; Lei dos Sexagenários (1885), que libertou pessoas escravizadas com mais de 60 anos de idade.  Esse movimento abolicionista culmina na promulgação da Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888, pela princesa Isabel, que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil. O país foi o último das Américas a abolir o sistema escravocrata.

No Dia da Consciência Negra, que homenageia a vida de Zumbi dos Palmares, na data de sua morte, o país recorda sua história e dignifica todos aqueles que resistiram e contribuíram para a extinção da escravidão no Brasil. Um primeiro passo, no caminho da liberdade, foi dado. Cabe-nos continuar caminhando por essa estrada, lembrando que:

“A diversidade sem a ideia de humanidade universal isolaria todos nós, deixaria-nos com poucas possibilidades de contato. Uma aprimora a outra. E quando essas premissas somem em uma sociedade opressiva, normalmente somem juntas. Regimes que desrespeitam as diferenças humanas também tendem a ser incapazes de reconhecer os ‘espelhos’ universais nas vidas humanas, através dos quais enxergamos nós mesmos e os outros.”2

 

Saiba mais:

  1. Frederik Douglass,1817-1895.
  2. Sarah Bakewell, in: Humanamente Possível. Sete séculos de pensamento humanista. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004, p. 187.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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10 de dezembro: Dia Internacional dos Direitos Humanos https://spsp.org.br/10-de-dezembro-dia-internacional-dos-direitos-humanos/ Mon, 11 Dec 2023 17:50:50 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=41218 O que são os direitos humanos? São direitos que possuímos simplesmente porque existimos como seres humanos – não são concedidos por nenhum Estado]]>

O que são os direitos humanos?

São direitos que possuímos simplesmente porque existimos como seres humanos – não são concedidos por nenhum Estado, são universais e inerentes a todos nós, independentemente de nacionalidade, sexo, origem nacional ou étnica, cor, religião, língua, opinião política, origem nacional ou social, propriedade, nascimento ou qualquer outra situação.

Eles vão desde os mais fundamentais – o direito à vida – até aqueles que fazem a vida valer a pena, como os direitos à alimentação, à educação, ao trabalho, à saúde e à liberdade. ​

Os direitos humanos devem ser universais; isso significa que “todos têm igualmente direito aos direitos humanos”. Entretanto, como indivíduos, devemos respeitar e defender também os direitos humanos dos outros.

O Dia Internacional dos Direitos Humanos é comemorado todos os anos em 10 de dezembro – dia em que a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou, em 1948, em Paris, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, quando estabeleceu, pela primeira vez, que os direitos humanos fundamentais devem ser universalmente protegidos.

Isto foi resultado da experiência da Segunda Guerra Mundial e, após seu término e a criação das Nações Unidas, a comunidade internacional prometeu nunca mais permitir que atrocidades como as daquele conflito voltassem a acontecer.

Todos os Estados ratificaram pelo menos 1 dos 9 tratados fundamentais de direitos humanos, bem como 1 dos 9 protocolos opcionais, 80% deles ratificaram 4 ou mais – isto significa que os Estados têm obrigações e deveres ao abrigo do direito internacional de respeitar, proteger e fazer cumprir os direitos humanos.

Você sabia que a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é o documento mais traduzido do mundo, disponível em mais de 500 idiomas?

O ano de 2023 marca o 75º aniversário deste compromisso global e que consagra os direitos inalienáveis a que todos têm direito enquanto seres humanos. O tema de 2023 é: Liberdade, Igualdade e Justiça para todos.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a DUDH serviu de base para um sistema em expansão de proteção dos direitos humanos, que hoje se concentra também em grupos vulneráveis, como pessoas com deficiência, povos indígenas e migrantes.

Mas o mundo tem enfrentado cada vez mais desafios, como as pandemias, conflitos, guerras, terrorismo, desigualdades, sistema financeiro global falido, racismo e alterações climáticas – entre outros, e temos que contar com a DUDH e seus valores consagrados para fornecer orientações para as ações coletivas e que não deixem ninguém para trás.

E, segundo a Diretora-Geral da UNESCO, Audrey Azoulay: “Os princípios consagrados na Declaração são tão relevantes hoje como eram em 1948. Celebrar este dia lembra-nos que não podem ser considerados garantidos e que a sua salvaguarda exige um compromisso diário. Precisamos defender os nossos próprios direitos e os dos outros. Podemos agir nas nossas vidas cotidianas, para defender os direitos que nos protegem a todos e, assim, promover o parentesco de todos os seres humanos”.

Parafraseando Fernando Manoel de Oliveira, coordenador do nosso blog e autor do texto que comemorou essa data em 2022: “Aprendemos, como espécie, que para sobreviver a interdependência é vital. A história aponta, também, para inúmeros e dramáticos exemplos de atrocidades que um ser humano é capaz de submeter o outro(s). Precisamos não só de sabedoria, mas também de leis e mecanismos institucionais que balizem os direitos individuais e coletivos”.

E, com um dia de atraso, estas mensagens devem ser perenes e estar sempre em nossas mentes: que nossos esforços e iniciativas sejam diários e contínuos!

 

Saiba mais:

– What are human rights? Disponível em: https://www.ohchr.org/en/what-are-human-rights

– UNESCO. Disponível em: https://www.unesco.org/en/days/human-rights

– International Human Rights Day around the world in 2023. Disponível em: https://www.officeholidays.com/holidays/international-human-rights-day

-The Universal Declaration of Human Rights turns 75. Disponível em: https://www.un.org/en/observances/human-rights-day

 

Relatora:
Renata D Waksman
Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

 

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10 de dezembro – Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos https://spsp.org.br/10-de-dezembro-dia-da-declaracao-universal-dos-direitos-humanos/ Fri, 09 Dec 2022 15:55:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35837 Viver em sociedade tem alguns inconvenientes, por exemplo, “os outros”. Porém, se não existissem “os outros”, a vida de cada um seria inviável, porque ninguém “se basta a si mes]]>

Viver em sociedade tem alguns inconvenientes, por exemplo, “os outros”. Porém, se não existissem “os outros”, a vida de cada um seria inviável, porque ninguém “se basta a si mesmo”. Aprendemos na jornada evolutiva que a nossa força está no fato de sermos gregários (que preferimos viver em sociedade, sociáveis). Aprendemos, como espécie, que para sobreviver essa interdependência é vital. Apesar de a história confirmar este fato, ela aponta, também, para inúmeros e dramáticos exemplos de atrocidades que um ser humano é capaz de submeter o outro(s).

Por isso, para viver em sociedade se exige sabedoria. Vale lembrar estas palavras do teólogo Ed René Kivitz: “Viver é uma arte que se aprende (…). Vivemos entre o necessário e o contingente. Necessário é aquilo que é inevitável (…). Contingente é aquilo que não faz diferença se é ou não é, se acontece ou não acontece (…). Entre o necessário e o contingente está a ética (…), esse espaço onde somos chamados a fazer escolhas e tomar decisões. E é justamente para viver nesse espaço … que precisamos de sabedoria.”*

Precisamos não só de sabedoria, mas também de leis e mecanismos institucionais que balizem os direitos individuais e coletivos. Adentramos em inúmeras questões delicadas: liberdade, justiça, autonomia, estado mínimo, estado totalitário, meritocracia, assistencialismo, dignidade humana, fraternidade, altruísmo, valor da vida, igualdade, equidade, economia, ecossistema, etc., etc., etc…

A vida é complexa, daí ser pontilhada por marcos evolutivos e por conquistas no âmbito do bem comum.

O Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma data para ser lembrada e comemorada, porque nasceu após muito sangue ser derramado em duas guerras mundiais, muitas lágrimas vertidas, muita estupidez demonstrada, muitos crimes contra a dignidade da pessoa humana serem impetrados, como no holocausto nazista e nas experiências médicas deploráveis e inaceitáveis. A humanidade, atônita, deu um passo importante para o congraçamento, através da criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945, que fomentou as discussões para a criação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, apresentada e promulgada em 10 de dezembro de 1948. A data comemorativa, em 10 de dezembro, foi oficializada em 1950.

Os três primeiros artigos dessa Declaração já sintetizam o espírito dessa carta**:

Artigo 1°

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2°

Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Artigo 3°

Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

A vida é desafiante, nada fácil e pode, por vezes, ser injusta. Entretanto, traz experiências extraordinárias: ela nos permite contemplar a beleza, o sorriso de uma criança, a experiência de amar.

A vida é um mistério que nossas mentes não são capazes de discernir em sua inteireza e profundidade. Resta-nos a observação silenciosa, o deslumbramento, a gratidão. Perante a vida cabe-nos, também, o cuidado.

Celebremos a vida em paz e em harmoniosa convivência – essa é uma conquista que exige, dia a dia, empenho e vigilância.

 

Saiba mais:

*Kivitz ER. Sobre Viver: 365 fragmentos de sabedoria dos Provérbios. São Paulo: Mundo Cristão; 2017.

**Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos

 

Relator:

Fernando MF Oliveira

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP.

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