Leite materno – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 19 May 2025 11:42:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Leite materno – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Um gesto humanitário que alimenta esperança https://spsp.org.br/um-gesto-humanitario-que-alimenta-esperanca/ Mon, 19 May 2025 11:32:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51410 No dia 19 de maio celebramos o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, uma data que reforça a importância da solidariedade entre mulheres e o poder transformador do leite humano]]>

No dia 19 de maio celebramos o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, uma data que reforça a importância da solidariedade entre mulheres e o poder transformador do leite humano para salvar vidas e mudar o futuro de inúmeras crianças.

A campanha deste ano reforça a doação de leite humano com o slogan “Um gesto humanitário que alimenta esperança”. Esperança é o que os bebês que estão em UTIs podem ter ao receber leite materno, pelos inúmeros benefícios que traz para a sua sobrevida e, principalmente, para as que, por algum motivo, estão impossibilitadas de receber o leite da própria mãe.

Doar é simples, seguro e pode ser feito por meio de qualquer Banco de Leite Humano autorizado pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz. Basta estar saudável, não usar drogas, não tomar medicamentos que interfiram na amamentação, estar amamentando o seu filho e extrair o leite excedente. Devem seguir as orientações de higiene e armazenamento fornecidas pela equipe do Banco de Leite Humano.

Mães que produzem leite em excesso podem entrar em contato com um Banco de Leite Humano para realizar a doação, processo que será orientado por profissionais de saúde capacitados. O leite doado passa pelo processo de pasteurização e rigorosos testes de qualidade antes de ser distribuído aos bebês que mais precisam e que estão em UTIs neonatais. A maioria dos bancos de Leite Humano faz a coleta do leite humano excedente na casa da doadora.

Ao doar leite materno, uma mulher contribui diretamente para a saúde de outras crianças, ajuda a reduzir a mortalidade infantil e traz esperança para uma qualidade de vida futura.

Quem quiser contribuir com os bancos de Leite Humano entre em contato com a Rede Brasileira de Banco de Leite Humano pelo site: rblh.fiocruz.br e encontre o Banco de Leite Humano mais próximo.

 

Relatora:
Rosangela Gomes dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Como lidar com o sedentarismo das crianças? Atividade física ou brincar? https://spsp.org.br/como-lidar-com-o-sedentarismo-das-criancas-atividade-fisica-ou-brincar/ Thu, 17 Sep 2020 11:30:00 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3375 Toda criança precisa tomar parte em jogos e brincadeiras que favoreçam seu crescimento e desenvolvimento. A atividade física natural da criança está justamente ligada ao fato de ela poder e ter que brincar.

Brincar implica em praticar atividades físicas, além de estimular funções sensoriais, cognitivas e criativas, indissociáveis no processo de aquisição de recursos mentais e emocionais do indivíduo em crescimento.

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Quando falamos de atividades físicas para crianças é importante destacar que podem ser de pouca ou grande intensidade, com carga ou sobrecarga, esta última compreendida como todo e qualquer peso além do próprio corpo. A sobrecarga é aconselhada apenas a partir dos 12 anos de idade, necessariamente controlada e observada pelo profissional de Educação Física, evitando assim o comprometimento do desenvolvimento físico da criança ou adolescente em crescimento.

Em tempos de isolamento social, sugerem-se brincadeiras e desafios que promovam atividades físicas, estimulando a criança a não se tornar sedentária, e consequentemente, inativa ou preguiçosa.

Como dica, utilize técnicas alegres e provocativas de desafios, que podem substituir a prática formal da atividade física orientada, como: correr, saltar, saltitar, transportar, virar cambalhota, pular corda, andar mais depressa, dançar, subir e descer escadas, ajudar na limpeza da casa, etc.

Lembre-se:

  • Toda atividade divertida deixa um gostinho de quero mais e provoca uma sensação de prazer.
  • É importante ter o acompanhamento e/ou orientação de um profissional de Educação Física, mas na situação de isolamento social, os adultos que acompanham as crianças em suas atividades cotidianas podem supervisionar as atividades físicas sem sobrecarga, criando situações de companheirismo e alegria.

Ao gastar mais energia, quer seja brincando ou fazendo atividade física, trabalhamos um dos pilares do estilo saudável de viver que contribui para a manutenção de um peso adequado.

O padrão alimentar adotado pela família é o segundo pilar que contribui para uma vida saudável. As escolhas alimentares compartilhadas por todos os integrantes da família servem de base para a formação do hábito alimentar da criança. Crianças e adolescentes não devem seguir dietas restritivas ou dietas da moda.

Para poder escolher, é importante a criança conhecer os alimentos. Esta etapa é trabalhosa, mas muito prazerosa também, pois envolve apresentar o alimento e sua história (nome, formato, textura, etc). Na etapa seguinte, mergulhar no universo das cores e sabores, viajando entre o doce, o salgado, o azedo, o amargo. Deve-se fazer da cozinha um espaço de criação, onde os ingredientes dão vida a novas preparações. O processo de aprendizado pode estar recheado de histórias da família, receitas tradicionais, pratos típicos.

Ensinar que cereais, grãos, leguminosas, tubérculos, legumes, verduras, frutas fazem parte da alimentação diária. Da mesma forma, carnes, leite e derivados precisam ser ingeridos todos os dias em função do aporte proteico, ferro e cálcio. Para os vegetarianos e veganos, fontes proteicas vegetais, além dos alimentos ricos em ferro e cálcio. Açúcar, gordura e sal com moderação.

Gerenciar as escolhas é uma lição de casa para toda a vida!

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Relatores:
Luciano F.A. Nardell
Professor de educação física, especialista em Recreação e Jogos, Lazer e Natação.
Dra. Sueli Longo
Nutricionista, especialista em Nutrição em Exercícios Físicos e Esporte.
Dr. Rubens Feferbaum
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo.



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Efeito protetor do leite materno na prevenção da obesidade infantil https://spsp.org.br/efeito-protetor-do-leite-materno-na-prevencao-da-obesidade-infantil/ Thu, 10 Sep 2020 11:30:00 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3377 Campanha Setembro Laranja: combate à obesidade infantil.

A obesidade é considerada hoje um problema de saúde pública, pois sua prevalência tem aumentado em diversos países e em todas as faixas etárias. Crianças têm maior risco de se tornarem adultos obesos e de desenvolverem todas as condições mórbidas associadas à obesidade, incluindo menor expectativa e pior qualidade de vida.
Há muito se procura uma forma de prevenir a obesidade. Hoje, por meio de estudos que envolvem complexos conhecimentos da epigenética, sabemos que a prevenção deve ser iniciada já no pré-natal e inclui a alimentação saudável da mãe.
Após o nascimento o efeito protetor de maior impacto contra obesidade é o aleitamento materno.

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Até poucos anos atrás, a boa nutrição era relacionada ao ganho de peso acelerado logo após o nascimento. Era uma meta desejada para crianças prematuras, de baixo peso ao nascimento, e até mesmo para crianças nascidas no período de 37 semanas. Muitas vezes o aleitamento materno era suspenso em prol dessa pretensão, porém, hoje em dia, com o conhecimento do perfil proteico do leite humano, sabemos que proteína adaptada a nossa espécie nos protege da obesidade. O rápido ganho de peso no primeiro ano de vida está associado à obesidade na primeira infância e na vida adulta.

O aleitamento materno protege por toda a vida

O que somos como indivíduos está relacionado com o ambiente que interage com nossa genética. Durante o período intrauterino e na primeira infância, nossos órgãos e sistemas estão se desenvolvendo e se adaptam facilmente a estímulos bons e ruins. Efeitos benéficos de comportamentos saudáveis, como o aleitamento materno, podem nos proteger de efeitos danosos do ambiente por toda a vida. Os conhecimentos atuais comprovam essa proteção.
O leite humano interfere na expressão gênica da criança (através de um mecanismo chamado “metilação”), “silenciando” os genes ruins. Outra forma de proteção é melhorar a maneira que os genes serão lidos e, conforme comprovado recentemente, os micro RNAs existentes no leite influenciam na formação dos órgãos, melhorando o desenvolvimento neuropsicomotor e promovendo redução da obesidade. Esses micro RNAs funcionam como uma comunicação celular entre a mãe e a criança e são encontrados tanto no colostro como no leite maduro, mas em concentrações diferentes. Vale lembrar que o leite de vaca tem o micro RNA da vaca enquanto as fórmulas não possuem micro RNAs.

Outros mecanismos ajudam na ação de prevenção da obesidade, como, por exemplo, pela presença de uma substância chamada leptina, que controla a saciedade, isto é, a criança aprende a parar de comer quando já está satisfeita.

Estamos falando de um “alimento vivo”, que promove crescimento e desenvolvimento saudáveis. Para cada mês de aleitamento materno, associa-se uma redução de 4% no risco de desenvolvimento de excesso de peso.

Há muitos anos temos falado dessas qualidades do leite humano: promoção da saúde, prevenção de doenças ao longo da vida, mas, só com essas novas descobertas, essas qualidades foram formalmente esclarecidas. Esses conhecimentos fortalecem e justificam a premissa que o leite materno é inigualável e que é impossível reproduzir sua composição e o efeito protetor da amamentação em qualquer outro alimento.

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Relatores:
Dra. Marisa Aprile
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
Dr. Rubens Feferbaum
Presidente do Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo.



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Amamentação e sustentabilidade é possível e desejável https://spsp.org.br/amamentacao-e-sustentabilidade-e-possivel-e-desejavel/ Mon, 17 Aug 2020 11:30:00 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3361 A amamentação até os dois anos de idade, exclusiva até os seis meses, como preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), traz muitos benefícios para as crianças, como a redução da mortalidade em 13% até cinco anos de idade, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade, sem contar o aumento dos laços entre mãe e filho. Gradativamente se comprova, também, que o aleitamento materno exclusivo traz grandes benefícios não somente para a economia, mas também para o meio ambiente.

O plástico, um derivado do processamento do petróleo, combustível fóssil, é componente importante na fabricação de mamadeiras e chupetas. Em 2011, foi aprovada a proibição do bisfenol, conhecido como BPA. Ele é integrante de alguns polímeros, como o policarbonato, usados na confecção desses acessórios. Estudos comprovam os efeitos nocivos do uso dessas substâncias, como: alteração dos hormônios da tireoide, liberação de insulina pelo pâncreas, proliferação das células de gordura, com doses nanomolares, ou seja, doses extremamente pequenas, as quais são inferiores à suposta dose segura de ingestão diária.

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Além disso, o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, com 11 milhões de toneladas anuais, mas apenas 1,2% é reciclado. Para efeito de comparação, a Indonésia, quinto maior consumidor de plástico, recicla 3,66%, o que também é bem abaixo da média global de reciclagem (cerca de 9%).

A licença-maternidade, período em que a mãe pode se ausentar do seu trabalho, com as garantias da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), é de 4 meses para a maioria das mulheres, o que dificulta a prática recomendada de aleitamento materno exclusivo até o 6º mês.

Atualmente, apenas 39% dos recém-nascidos ao redor do mundo recebem alimentação exclusiva com leite materno até o 6º mês. Quando isso não acontece, os bebês consomem água, fórmulas e outros complementos, o que pode causar infecções, desequilíbrios nutricionais e outros transtornos.

O texto do Projeto de Lei (PL) 2765/2020 prevê a ampliação da licença-maternidade para 180 dias para todas as mães. No cenário atual, considerando a necessidade do isolamento social e entendendo a vulnerabilidade dos bebês e suas mães neste contexto, é preciso garantir condições para que as mulheres permaneçam em licença-maternidade até os seis meses de vida dos bebês. Isto também seria uma forma de assegurar o período mínimo desejado de aleitamento materno, uma vez que a volta da mulher ao posto de trabalho, na maioria das vezes, é delicada devido à dificuldade de criar uma rotina de extração de leite para garantir a oferta na sua ausência.

Por um lado, fazer com que todas as empresas aumentem a licença maternidade para seis meses requer investimentos consideráveis. O Banco Mundial estima que, para os próximos 10 anos, serão necessários US$24,1 bilhões para que os benefícios trabalhistas sejam mantidos na íntegra, sobretudo nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento.

A OMS estabeleceu a meta de aumentar o percentual de crianças em aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida para 50% até 2025. Com esta meta, haveria um total de 105 milhões de recém-nascidos com alimentação exclusivamente feita por leite materno. O retorno deste investimento seria da ordem de US$298 bilhões para os próximos 10 anos, sobretudo em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, o que reduziria a mortalidade infantil. Em suma, cada US$1 investido gera uma economia de US$35.

Mamães, vamos juntos aumentar essa economia e, ao mesmo tempo, beneficiar a saúde das crianças, das famílias, da sociedade e do planeta, de forma sustentável para essa e para as próximas gerações?

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Relatores:
Patricia Maranon Terrível
Fernanda Gois Brandão dos Santos
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de pediatria de São Paulo



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Amamente: pelo seu bebê, por você e pelo planeta https://spsp.org.br/amamente-pelo-seu-bebe-por-voce-e-pelo-planeta/ Thu, 13 Aug 2020 12:26:05 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3357 O leite materno é, sem dúvida, o melhor alimento para o seu bebê. Além dos benefícios para ele, a amamentação também traz proteção para a saúde materna. Nesse ano, o slogan da Semana Mundial de Aleitamento Materno é “Apoie o aleitamento materno para um planeta saudável”.

Somente o leite materno tem a quantidade e a proporção de nutrientes adequadas às necessidades do bebê para cada momento de sua vida, pois se trata de um alimento vivo, com capacidade de mudar e adaptar sua composição ao longo do tempo. 

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Além disso, amamentar fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, melhora a imunidade, reduz a mortalidade infantil e a incidência de alergias e doenças crônicas como a obesidade, hipertensão e diabetes. Também diminui o risco de infecções intestinais e respiratórias, previne cáries e má oclusão e é um dos principais fatores que pode proteger o bebê da Síndrome da Morte Súbita do Lactente.

Estudos demonstraram que crianças que foram amamentadas têm mais chances de amamentar seus filhos no futuro, comprovando que o aleitamento materno também favorece um hábito alimentar e de vida mais saudável para as próximas gerações.

Para a mãe, amamentar reduz o risco de desenvolver diabetes tipo 2, câncer de mama, ovário e endométrio, além de facilitar a perda de peso pós-parto. Para a família, tem a vantagem de ser de graça, já na temperatura ideal para o bebê e sem risco de contaminação externa por bicos ou mamadeiras. 

Outros estudos comprovaram que crianças que foram amamentadas têm melhores empregos e salários maiores na vida adulta.

E qual o impacto da amamentação para o nosso planeta? 

O leite materno é um alimento natural e de fonte renovável, não gera resíduos e nem poluição ambiental. Com o uso e incentivo das fórmulas infantis, milhões de latas de metal e rótulos de papel são produzidos e descartados no meio ambiente, além de fomentar a indústria de plásticos para produção de bicos e mamadeiras que, mais cedo ou mais tarde, acabarão em aterros sanitários, lixões ou em nossos oceanos.

A forma de produção, embalagem e distribuição dessas fórmulas contribui para o aquecimento global e dificulta atingir as metas mundiais preconizadas de redução de danos ao ambiente, pois contribui com o (ou para o) aumento da pegada de carbono.

O leite materno, em contrapartida, é entregue diretamente ao consumidor final, sem necessidade de embalagens ou processos industriais geradores de poluição. O ato de amamentar protege o planeta de forma direta, por ser um alimento sustentável, e indireta, através da geração de adultos mais saudáveis, seguros e com maior equilíbrio emocional, que certamente vão contribuir para o desenvolvimento de um planeta mais saudável. 

Essas evidências sustentam as atuais recomendações de que as crianças sejam amamentadas em livre demanda desde a sala de parto até os dois anos ou mais e de forma exclusiva até o 6º mês de vida.

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Relatores:
Karina Rinaldo
Ligia Vigeta
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Doe leite, doe vida – 19 de maio: Dia Internacional de Doação de Leite Humano https://spsp.org.br/doe-leite-doe-vida-19-de-maio-dia-internacional-de-doacao-de-leite-humano/ Tue, 19 May 2020 21:53:13 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3247 As primeiras comemorações pelo Dia Nacional de Doação de Leite Humano aconteceram em 1º de outubro de 2004 e, a partir da lei nº 13227, de 12 de dezembro de 2015, oficialmente passamos a comemorar, anualmente, no dia 19 de maio.

Há 10 anos, a Rede Global de Bancos de Leite Humano (BLH) comemora nesta data o Dia Internacional de Doação de Leite Humano, para sensibilizar gestantes, puérperas e nutrizes sobre esse ato solidário, que contribui para salvar vidas de recém-nascidos prematuros e doentes internados em Unidades Neonatais.

Especialmente em 2020, um momento de tantas dúvidas e poucas certezas com a pandemia da Covid-19, sabemos o quanto é necessário e importante para esses prematuros que os estoques dos BLH estejam abastecidos.

Quem pode doar?

Toda mulher que estiver amamentando e tiver leite excedente, independente do volume, poderá entrar em contato com um BLH na sua região para fazer um cadastro e receber as orientações e os cuidados necessários para coleta e armazenamento do leite.

Quanto mais leite é retirado (para doação ou sugado pelo seu bebê), mais leite é produzido. Um litro de leite materno doado pode alimentar até 10 recém-nascidos por dia. E, dependendo do peso do prematuro, um (1) ml já é o suficiente para nutri-lo cada vez que for alimentado.

Para ser doadora, a nutriz deverá estar saudável, não ser portadora de doença infectocontagiosa e nem fazer uso de medicamento que seja incompatível com a amamentação. Assim, nesse momento, mães que sejam Covid positivas ou sintomáticas podem amamentar seus filhos (não existe comprovação de transmissão através do leite materno), mas não podem doar seu leite.

O que acontece com o leite que é doado?

Conforme as recomendações oficiais, toda vez que chega um leite doado a um BLH ele é analisado, pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade. Só então ele é distribuído de acordo com as necessidades de cada recém-nascido internado e da sua fase de desenvolvimento.

Os estudos mostram que os bebês prematuros e/ou com patologias que recebem leite humano quando não podem ser amamentados têm mais chances de se recuperar, melhorar seu ganho de peso, se proteger de infecções e ter uma vida mais saudável.

Preciso ir ao BLH ou eles podem vir até minha casa?

As duas situações são possíveis.

Para começar, entre em contato com o BLH mais próximo por telefone. A candidata poderá realizar um cadastro de doadora e receberá todas as orientações necessárias para a coleta e armazenamento do leite que ela irá retirar. Os dados serão analisados por uma equipe e, se for considerada apta, o processo será regularizado.

Antes de começar a doar, a nutriz aprende como coletar o leite e recebe materiais como gorro, máscara, etiquetas e frascos de vidro esterilizados com tampa plástica.

A cidade é dividida em zonas que são visitadas ao menos uma vez por semana. A cada visita, a doadora receberá novos frascos esterilizados vazios e entregará a sua doação de leite. Todo transporte do leite é realizado em caixas isotérmicas (que mantém a temperatura) e com gelo reciclável, garantindo assim a qualidade do seu leite.

Em momento de tantos heróis e heroínas, nós, pediatras, queremos agradecer as doadoras que, mesmo nesse momento de pandemia, mesmo com o “FIQUE EM CASA”, reservam um pouco de tempo para colher seu leite e doar para um BLH.

Todos os Bancos de Leite Humano do Brasil esperam continuar contando com a solidariedade de todas as mulheres que se dispõem a doar seu leite excedente e que também continuam a incentivar outras mulheres a se tornarem doadoras.

Caso queira ser uma doadora, entre em contato com um BLH através dos dados que constam no site da Rede Brasileira de Banco de Leite Humano. Com certeza encontrará um Banco de Leite de um hospital necessitando de sua doação.

DOE LEITE, DOE VIDA.

#FiqueEmCasa e apoie essa ideia!

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Relatores:
Dra. Maria José Guardia Mattar
Dra. Rosangela Gomes dos Santos
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Desenvolvimento dos hábitos alimentares na primeira infância https://spsp.org.br/desenvolvimento-dos-habitos-alimentares-na-primeira-infancia/ Wed, 19 Feb 2020 18:58:18 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3014 A prevenção de doenças cardiovasculares, anemia e obesidade começa na vida intrauterina. Uma alimentação cuidadosa durante a gestação, amamentação e primeira infância possibilita o crescimento e desenvolvimento adequados do bebê e contribui para a formação de hábitos alimentares saudáveis para toda a vida. Nos primeiros seis meses de vida, o leite materno é o alimento mais completo e indicado para os bebês. O aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e mantido até os dois anos de idade ou mais, desde que tenha a função nutritiva e respeite a vontade da criança e da mãe. Após o sexto mês de vida, a alimentação complementar deve ser introduzida. A alimentação é uma atividade que envolve muitas estruturas do corpo humano e a coordenação de todo o sistema neuromuscular. O aleitamento materno estimula a respiração nasal e correta sucção, favorecendo o crescimento harmônico da boca e da face, importante para a mastigação. Ele ainda expõe a criança a uma ampla experiência sensorial, facilitando a aceitação da alimentação complementar. Ao completar seis meses, a criança apresenta maturidade para receber novos alimentos, em diferentes apresentações e texturas, na forma de alimentação complementar. Nessa idade, essa passa a preencher as necessidades nutricionais, até então supridas integralmente pelo aleitamento materno ou artificial, garantindo a manutenção do crescimento adequado e permitindo que a criança alcance o padrão alimentar da família a partir dos 12 meses. A mastigação é uma função aprendida e o alimento oferecido em diferentes texturas é o responsável pelo seu desenvolvimento. Mesmo sem a presença dos dentes, a criança amassa e tritura os alimentos com a ajuda da gengiva, que já se encontra rígida pela proximidade da erupção dos dentes. No começo, ela apresenta movimentos irregulares em resposta a oferta de alimentos na forma de papas e pequenos pedaços, que evoluem para movimentos em ciclos com a oferta de alimentos mais consistentes, em pedaços maiores, crus, com casca ou bagaço (foto). Os alimentos devem ser ofertados de maneira lenta e progressiva, respeitando os hábitos culturais e regionais. A criança pode apresentar resistência as novas texturas, odores, sabores e utensílios. É fundamental que a família tenha conhecimento das dificuldades e apresente um cardápio saudável, variado, saboroso, rico em alimentos “in natura”, com o mínimo de alimentos processados e conservantes (corantes, estabilizantes, adoçantes e outros ingredientes industriais) e com baixo teor de sal e gorduras. Vale lembrar que a criança não deve ser exposta ao açúcar até os dois anos de idade e que a água deve ser a fonte de hidratação. Sucos naturais não devem ser ofertados no primeiro ano de vida e a partir de então, consumidos com moderação. Sucos artificiais, refrescos e refrigerantes devem ser sempre evitados, pois além de atrapalharem o apetite, não são saudáveis. A oferta dos alimentos nos dois primeiros anos de vida merece uma atenção especial e deve ser feita com cautela. A família desempenha o papel de “modelo alimentar” das crianças em relação ao que comer (qualidade, variedade e quantidade) e como comer (local, número e duração das refeições, ambiente tranquilo, companhia, etc.). Nessa fase, é essencial identificar e respeitar os sinais de fome e saciedade. A criança pode parar de comer quando está saciada, por estar distraída com o ambiente ou por querer descansar, voltando a comer em seguida. O importante é não forçá-la a comer, associar prêmios ao raspar o prato, ceder a chantagens ou trocar refeições por lanches ou guloseimas. Hábitos estabelecidos na infância serão o alicerce da alimentação saudável ao longo da vida. ___Relatora:Vera Regina Mello DishchekenianGrupo de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo]]>

A prevenção de doenças cardiovasculares, anemia e obesidade começa na vida intrauterina. Uma alimentação cuidadosa durante a gestação, amamentação e primeira infância possibilita o crescimento e desenvolvimento adequados do bebê e contribui para a formação de hábitos alimentares saudáveis para toda a vida.

Nos primeiros seis meses de vida, o leite materno é o alimento mais completo e indicado para os bebês. O aleitamento materno deve ser exclusivo até o sexto mês e mantido até os dois anos de idade ou mais, desde que tenha a função nutritiva e respeite a vontade da criança e da mãe. Após o sexto mês de vida, a alimentação complementar deve ser introduzida.

A alimentação é uma atividade que envolve muitas estruturas do corpo humano e a coordenação de todo o sistema neuromuscular. O aleitamento materno estimula a respiração nasal e correta sucção, favorecendo o crescimento harmônico da boca e da face, importante para a mastigação. Ele ainda expõe a criança a uma ampla experiência sensorial, facilitando a aceitação da alimentação complementar.

Ao completar seis meses, a criança apresenta maturidade para receber novos alimentos, em diferentes apresentações e texturas, na forma de alimentação complementar. Nessa idade, essa passa a preencher as necessidades nutricionais, até então supridas integralmente pelo aleitamento materno ou artificial, garantindo a manutenção do crescimento adequado e permitindo que a criança alcance o padrão alimentar da família a partir dos 12 meses.

A mastigação é uma função aprendida e o alimento oferecido em diferentes texturas é o responsável pelo seu desenvolvimento. Mesmo sem a presença dos dentes, a criança amassa e tritura os alimentos com a ajuda da gengiva, que já se encontra rígida pela proximidade da erupção dos dentes. No começo, ela apresenta movimentos irregulares em resposta a oferta de alimentos na forma de papas e pequenos pedaços, que evoluem para movimentos em ciclos com a oferta de alimentos mais consistentes, em pedaços maiores, crus, com casca ou bagaço (foto).

Os alimentos devem ser ofertados de maneira lenta e progressiva, respeitando os hábitos culturais e regionais. A criança pode apresentar resistência as novas texturas, odores, sabores e utensílios. É fundamental que a família tenha conhecimento das dificuldades e apresente um cardápio saudável, variado, saboroso, rico em alimentos “in natura”, com o mínimo de alimentos processados e conservantes (corantes, estabilizantes, adoçantes e outros ingredientes industriais) e com baixo teor de sal e gorduras. Vale lembrar que a criança não deve ser exposta ao açúcar até os dois anos de idade e que a água deve ser a fonte de hidratação. Sucos naturais não devem ser ofertados no primeiro ano de vida e a partir de então, consumidos com moderação. Sucos artificiais, refrescos e refrigerantes devem ser sempre evitados, pois além de atrapalharem o apetite, não são saudáveis.

A oferta dos alimentos nos dois primeiros anos de vida merece uma atenção especial e deve ser feita com cautela. A família desempenha o papel de “modelo alimentar” das crianças em relação ao que comer (qualidade, variedade e quantidade) e como comer (local, número e duração das refeições, ambiente tranquilo, companhia, etc.). Nessa fase, é essencial identificar e respeitar os sinais de fome e saciedade. A criança pode parar de comer quando está saciada, por estar distraída com o ambiente ou por querer descansar, voltando a comer em seguida. O importante é não forçá-la a comer, associar prêmios ao raspar o prato, ceder a chantagens ou trocar refeições por lanches ou guloseimas.

Hábitos estabelecidos na infância serão o alicerce da alimentação saudável ao longo da vida.

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Relatora:
Vera Regina Mello Dishchekenian
Grupo de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Juntos pela amamentação: Agosto Dourado https://spsp.org.br/juntos-pela-amamentacao-agosto-dourado-2/ Thu, 01 Aug 2019 14:45:31 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2884 A amamentação foi um dos primeiros temas a serem selecionados para fazer parte das campanhas mensais da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). O coordenador das Campanhas da SPSP, Claudio Barsanti, lembra que, dentre tantos assuntos importantes, definir apenas doze temas – um para cada mês do ano – foi um grande desafio. “Certamente o aleitamento materno não poderia ficar de fora, tendo em vista os inúmeros benefícios da amamentação, não somente na primeira fase da vida, mas também na saúde futura. Hoje sabemos que muitas doenças crônicas, alergias ou alterações orgânicas podem ser evitadas ou terem os riscos reduzidos graças ao ato de amamentar”, ressalta Barsanti. “Embora exista a possibilidade de uma alimentação que não seja o leite materno, esta escolha deve ser sempre exceção. A regra é a amamentação que, entre outras vantagens, cria um elo de amor entre a mãe e o bebê”, acrescenta o coordenador. A Organização Mundial da Saúde traçou como meta alcançar o ano de 2025 com pelo menos 50% de aleitamento exclusivo até os seis meses de vida. Certamente a campanha da SPSP abraça esse propósito e visa, inclusive, contribuir para que essa meta seja superada. Aleitamento materno no Brasil “Em 2017, a Revista de Saúde Pública divulgou um artigo sobre a tendência de indicadores do aleitamento materno no Brasil em três décadas. A publicação reuniu os últimos dados disponíveis dos inquéritos nacionais sobre o aleitamento materno que datam 1986, 1996, 2006 e 2013. As conclusões do estudo apontaram uma tendência ascendente nos indicadores de aleitamento materno no País até 2006, com estabilização a partir dessa data. O resultado pode ser considerado um alerta para que novas estratégias sejam traçadas e os indicadores de aleitamento materno se mantenham em uma linha ascendente”, relata Moises Chencinski, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SPSP. Uma pesquisa nacional sobre alimentação, intitulada Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), está sendo realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense, e conta com a parceria de dezenas de outras universidades e instituições públicas de todo o Brasil. “O ENANI é uma pesquisa científica para avaliar crianças menores de cinco anos quanto as práticas de aleitamento materno, de consumo alimentar, do estado nutricional e as deficiências de micronutrientes. Serão visitados os domicílios de famílias em todas as regiões do Brasil, incluindo as zonas rural e urbana. Os resultados dessa pesquisa provavelmente estarão concluídos em 2020”, informa Chencinski. Aleitamento materno no mundo Anualmente, a WABA (World Alliance for Breastfeeding Action) define o slogan da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). A iniciativa tem o intuito de sensibilizar e mobilizar a população mundial em relação aos diversos assuntos relacionados ao aleitamento materno, bem como criar desafios e propostas. A campanha Agosto Dourado da SPSP procura alinhar sua programação com o conteúdo escolhido para a SMAM. Moises Chencinski ressalta que a SMAM vem sendo realizada desde 1992 e, ao longo desses anos, tem abordado importantes assuntos, tais como maternidade, paternidade, questões trabalhistas, redes de apoio a amamentação, entre muitos outros. “Cada tema definido para a SMAM é disseminado para todo o mundo e cada país o traduz para o seu idioma e reenvia para a instituição organizadora, a fim de que todos possam trabalhar de forma conjunta. Em 2019, o foco será a proteção social parental equitativa em todas as suas formas para ajudar as mulheres a amamentar de forma mais exitosa”, explica o pediatra. Acompanhando o tema proposto, a campanha da SPSP irá abordar o respeito ao trabalho da mulher e a equidade de gêneros considerando melhores condições salariais, de modo que as mulheres possam contribuir de forma mais dinâmica na vida financeira da família, permitindo ao pai que participe mais nos cuidados da criança e da casa. A campanha visa abranger tanto profissionais da saúde quanto a sociedade em geral. “Para o primeiro público faremos encontros, reuniões e jornadas específicas sobre o tema, discutindo aspectos fisiológicos, naturais e legais relacionados à amamentação. Para a população em geral, faremos divulgações através da imprensa e outras atividades que estão sendo planejadas, inclusive com participação dos médicos para orientação e esclarecimento”, adianta Claudio Barsanti.]]>

A amamentação foi um dos primeiros temas a serem selecionados para fazer parte das campanhas mensais da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). O coordenador das Campanhas da SPSP, Claudio Barsanti, lembra que, dentre tantos assuntos importantes, definir apenas doze temas – um para cada mês do ano – foi um grande desafio. “Certamente o aleitamento materno não poderia ficar de fora, tendo em vista os inúmeros benefícios da amamentação, não somente na primeira fase da vida, mas também na saúde futura. Hoje sabemos que muitas doenças crônicas, alergias ou alterações orgânicas podem ser evitadas ou terem os riscos reduzidos graças ao ato de amamentar”, ressalta Barsanti. “Embora exista a possibilidade de uma alimentação que não seja o leite materno, esta escolha deve ser sempre exceção. A regra é a amamentação que, entre outras vantagens, cria um elo de amor entre a mãe e o bebê”, acrescenta o coordenador.

agosto dourado

A Organização Mundial da Saúde traçou como meta alcançar o ano de 2025 com pelo menos 50% de aleitamento exclusivo até os seis meses de vida. Certamente a campanha da SPSP abraça esse propósito e visa, inclusive, contribuir para que essa meta seja superada.

Aleitamento materno no Brasil

“Em 2017, a Revista de Saúde Pública divulgou um artigo sobre a tendência de indicadores do aleitamento materno no Brasil em três décadas. A publicação reuniu os últimos dados disponíveis dos inquéritos nacionais sobre o aleitamento materno que datam 1986, 1996, 2006 e 2013. As conclusões do estudo apontaram uma tendência ascendente nos indicadores de aleitamento materno no País até 2006, com estabilização a partir dessa data. O resultado pode ser considerado um alerta para que novas estratégias sejam traçadas e os indicadores de aleitamento materno se mantenham em uma linha ascendente”, relata Moises Chencinski, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SPSP.

Uma pesquisa nacional sobre alimentação, intitulada Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), está sendo realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense, e conta com a parceria de dezenas de outras universidades e instituições públicas de todo o Brasil. “O ENANI é uma pesquisa científica para avaliar crianças menores de cinco anos quanto as práticas de aleitamento materno, de consumo alimentar, do estado nutricional e as deficiências de micronutrientes. Serão visitados os domicílios de famílias em todas as regiões do Brasil, incluindo as zonas rural e urbana. Os resultados dessa pesquisa provavelmente estarão concluídos em 2020”, informa Chencinski.

Aleitamento materno no mundo

Anualmente, a WABA (World Alliance for Breastfeeding Action) define o slogan da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). A iniciativa tem o intuito de sensibilizar e mobilizar a população mundial em relação aos diversos assuntos relacionados ao aleitamento materno, bem como criar desafios e propostas. A campanha Agosto Dourado da SPSP procura alinhar sua programação com o conteúdo escolhido para a SMAM.

Moises Chencinski ressalta que a SMAM vem sendo realizada desde 1992 e, ao longo desses anos, tem abordado importantes assuntos, tais como maternidade, paternidade, questões trabalhistas, redes de apoio a amamentação, entre muitos outros. “Cada tema definido para a SMAM é disseminado para todo o mundo e cada país o traduz para o seu idioma e reenvia para a instituição organizadora, a fim de que todos possam trabalhar de forma conjunta. Em 2019, o foco será a proteção social parental equitativa em todas as suas formas para ajudar as mulheres a amamentar de forma mais exitosa”, explica o pediatra.

Acompanhando o tema proposto, a campanha da SPSP irá abordar o respeito ao trabalho da mulher e a equidade de gêneros considerando melhores condições salariais, de modo que as mulheres possam contribuir de forma mais dinâmica na vida financeira da família, permitindo ao pai que participe mais nos cuidados da criança e da casa.

A campanha visa abranger tanto profissionais da saúde quanto a sociedade em geral. “Para o primeiro público faremos encontros, reuniões e jornadas específicas sobre o tema, discutindo aspectos fisiológicos, naturais e legais relacionados à amamentação. Para a população em geral, faremos divulgações através da imprensa e outras atividades que estão sendo planejadas, inclusive com participação dos médicos para orientação e esclarecimento”, adianta Claudio Barsanti.

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Generosidade tem nome: doação de leite https://spsp.org.br/generosidade-tem-nome-doacao-de-leite/ Fri, 17 May 2019 18:57:05 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2577 A doação de leite é um gesto simples de generosidade que pode ajudar crianças prematuras O brasileiro é generoso. Basta chegar o frio e lá vai ele doar roupas e cobertores para quem não conhece, mas sabe que precisa. Chega notícia de uma catástrofe e ele coleta água, alimentos não perecíveis e encaminha aos necessitados. Então, o que falta para que essa generosidade se estenda aos prematuros? O Brasil tem a maior rede de bancos de leite humano (rBLH) do mundo e até exporta tecnologia para mais de 30 países. Mas você sabia que falta leite em nossos estoques no País todo? São Paulo é o estado com a maior concentração de Bancos de Leite Humano (59 unidades). Nos últimos 10 anos, apesar de termos um aumento de volume de leite humano coletado e de 16% no número de doadoras, a oferta foi menor do que a necessidade dos prematuros em nosso Estado (60.000 bebês/ano). Os estoques de leite humano se mantêm baixos, principalmente em época de férias. O trabalho das equipes dos bancos de leite é árduo e não para nunca: eles capacitam os profissionais, sensibilizam os gestores hospitalares, precisam do apoio da rede básica de atenção à saúde e colaboram com o cumprimento das leis de proteção ao aleitamento materno, surgindo como política pública de saúde, com necessidade de investimento para ampliação e manutenção da Rede de Bancos de Leite Humano. Vale sempre lembrar que o leite em excesso que uma mãe tem ou é “jogado fora” (ai que dó!) ou, se ficar parado nas mamas, pode levar a ingurgitamento mamário (leite empedrado), ducto bloqueado, mastite e abscesso mamário (ai que dor!), correndo risco até de desmame precoce. A informação sobre doação de leite precisa ser divulgada, começando no pré-natal, passando por uma consulta com o pediatra a partir da 32° semana de gestação, nas maternidades, quando o bebê nasce, junto com a adequada orientação da mamada. Depois, nas consultas de puericultura (acompanhamento do bebê saudável) nos consultórios e nas unidades de saúde, os profissionais devem orientar sobre a importância da doação. Acompanhe o raciocínio e veja se isso não aconteceu com você ou alguém que você conhece: Uma mulher trabalhadora que amamenta vai voltar ao trabalho (não importa se aos 2, 3, 4 ou 6 meses após o parto). Aí ela é orientada a retirar seu leite para deixar em casa (12 horas na geladeira e/ou 15 horas congelado). Ela está ansiosa, não tem orientação adequada. Vai à internet, às redes sociais, ao Google e lê ou vê vídeos sobre como fazer. Ela tenta. E… sai muito pouco, ou não sai. Resultado? 1. Ansiedade, tristeza, desânimo. Ela acha que não vai ter leite suficiente para deixar para seu bebê; 2. Ela não quer nem imaginar que seu bebê possa passar fome; 3. Sem apoio e sem orientação, ela oferece, com muita dor no coração, até mesmo antes da volta ao trabalho, mamadeira com fórmula infantil (que é leite de vaca ou cabra). Vamos analisar outra situação: Uma mulher trabalhadora que amamenta recebe informações sobre doação de leite e apoio desde o pré-natal. Na maternidade é orientada sobre como retirar o seu leite, nas consultas de Puericultura ela tira suas dúvidas sobre a doação e é preparada até pelo banco de leite (que trabalha de portas abertas, recebendo mulheres para esclarecimentos). Ela entendeu que a doação é do excesso de leite, após amamentar seu filho, e muitos bancos de leite vão até a sua casa, orientam, avaliam e buscam, periodicamente, o leite que foi armazenado. Quinze dias antes dessa mulher-mãe voltar ao trabalho, sabendo a técnica adequada, tendo a certeza de que ela tem leite para seu filho e ainda para doação (de qualquer quantidade de leite que seja), recebendo informação e apoio, ao invés de doar o leite para o BLH ela passa a reservar para seu filho. Em qual dessas situações parece mais provável que a amamentação possa se manter exclusiva até o sexto mês, com a mãe saindo para trabalhar mais segura e mais confiante? Então vamos celebrar o dia 19 de maio, Dia Mundial da Doação de Leite Humano, como mais um ato de brasileiros que têm a generosidade no seu sangue e no seu leite. Para se tornar doadora é muito simples. Se a mulher é saudável, se está amamentando seu bebê e sobra leite nas mamas, ao invés de desprezar o excedente, pode seguir as normas higiênico-sanitárias para coleta de leite humano: • usar um recipiente de vidro esterilizado, • armazenar em congelador por até 15 dias, • ligar para o banco de leite humano mais próximo de sua residência. A lista completa dos BLH do Brasil está no site www.rblh.fiocruz.br junto com orientações para coleta. Vamos repetir como um mantra o tema deste ano: DOE LEITE MATERNO. ALIMENTE A VIDA! ___ Relatores: Dra. Andrea Penha Spinola Fernandes Dr. Moises Chencinski Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A doação de leite é um gesto simples de generosidade que pode ajudar crianças prematuras

O brasileiro é generoso. Basta chegar o frio e lá vai ele doar roupas e cobertores para quem não conhece, mas sabe que precisa. Chega notícia de uma catástrofe e ele coleta água, alimentos não perecíveis e encaminha aos necessitados. Então, o que falta para que essa generosidade se estenda aos prematuros?

O Brasil tem a maior rede de bancos de leite humano (rBLH) do mundo e até exporta tecnologia para mais de 30 países. Mas você sabia que falta leite em nossos estoques no País todo?

São Paulo é o estado com a maior concentração de Bancos de Leite Humano (59 unidades). Nos últimos 10 anos, apesar de termos um aumento de volume de leite humano coletado e de 16% no número de doadoras, a oferta foi menor do que a necessidade dos prematuros em nosso Estado (60.000 bebês/ano). Os estoques de leite humano se mantêm baixos, principalmente em época de férias.

HollyGirl18 | Pixabay

O trabalho das equipes dos bancos de leite é árduo e não para nunca: eles capacitam os profissionais, sensibilizam os gestores hospitalares, precisam do apoio da rede básica de atenção à saúde e colaboram com o cumprimento das leis de proteção ao aleitamento materno, surgindo como política pública de saúde, com necessidade de investimento para ampliação e manutenção da Rede de Bancos de Leite Humano.

Vale sempre lembrar que o leite em excesso que uma mãe tem ou é “jogado fora” (ai que dó!) ou, se ficar parado nas mamas, pode levar a ingurgitamento mamário (leite empedrado), ducto bloqueado, mastite e abscesso mamário (ai que dor!), correndo risco até de desmame precoce.

A informação sobre doação de leite precisa ser divulgada, começando no pré-natal, passando por uma consulta com o pediatra a partir da 32° semana de gestação, nas maternidades, quando o bebê nasce, junto com a adequada orientação da mamada. Depois, nas consultas de puericultura (acompanhamento do bebê saudável) nos consultórios e nas unidades de saúde, os profissionais devem orientar sobre a importância da doação.

Acompanhe o raciocínio e veja se isso não aconteceu com você ou alguém que você conhece:
Uma mulher trabalhadora que amamenta vai voltar ao trabalho (não importa se aos 2, 3, 4 ou 6 meses após o parto). Aí ela é orientada a retirar seu leite para deixar em casa (12 horas na geladeira e/ou 15 horas congelado). Ela está ansiosa, não tem orientação adequada. Vai à internet, às redes sociais, ao Google e lê ou vê vídeos sobre como fazer. Ela tenta. E… sai muito pouco, ou não sai.
Resultado?
1. Ansiedade, tristeza, desânimo. Ela acha que não vai ter leite suficiente para deixar para seu bebê;
2. Ela não quer nem imaginar que seu bebê possa passar fome;
3. Sem apoio e sem orientação, ela oferece, com muita dor no coração, até mesmo antes da volta ao trabalho, mamadeira com fórmula infantil (que é leite de vaca ou cabra).

Vamos analisar outra situação:
Uma mulher trabalhadora que amamenta recebe informações sobre doação de leite e apoio desde o pré-natal. Na maternidade é orientada sobre como retirar o seu leite, nas consultas de Puericultura ela tira suas dúvidas sobre a doação e é preparada até pelo banco de leite (que trabalha de portas abertas, recebendo mulheres para esclarecimentos). Ela entendeu que a doação é do excesso de leite, após amamentar seu filho, e muitos bancos de leite vão até a sua casa, orientam, avaliam e buscam, periodicamente, o leite que foi armazenado.

Quinze dias antes dessa mulher-mãe voltar ao trabalho, sabendo a técnica adequada, tendo a certeza de que ela tem leite para seu filho e ainda para doação (de qualquer quantidade de leite que seja), recebendo informação e apoio, ao invés de doar o leite para o BLH ela passa a reservar para seu filho.

Em qual dessas situações parece mais provável que a amamentação possa se manter exclusiva até o sexto mês, com a mãe saindo para trabalhar mais segura e mais confiante?

Então vamos celebrar o dia 19 de maio, Dia Mundial da Doação de Leite Humano, como mais um ato de brasileiros que têm a generosidade no seu sangue e no seu leite.

Para se tornar doadora é muito simples. Se a mulher é saudável, se está amamentando seu bebê e sobra leite nas mamas, ao invés de desprezar o excedente, pode seguir as normas higiênico-sanitárias para coleta de leite humano:
• usar um recipiente de vidro esterilizado,
• armazenar em congelador por até 15 dias,
• ligar para o banco de leite humano mais próximo de sua residência.

A lista completa dos BLH do Brasil está no site www.rblh.fiocruz.br junto com orientações para coleta.

Vamos repetir como um mantra o tema deste ano:
DOE LEITE MATERNO. ALIMENTE A VIDA!

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Relatores:
Dra. Andrea Penha Spinola Fernandes
Dr. Moises Chencinski
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Hiperlactação – quando nem sempre produzir muito leite é o melhor! https://spsp.org.br/hiperlactacao-quando-nem-sempre-produzir-muito-leite-e-o-melhor/ Thu, 25 Apr 2019 18:10:36 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2529 A hiperlactação pode ser definida como o excesso de oferta de leite materno, acima das necessidades do bebê. Vários hormônios estão envolvidos na lactação, mas dois hormônios têm papel especial: a prolactina, responsável pela síntese e liberação do leite e a ocitocina, responsável pela saída do leite produzido.

evgenyataman | depositphotos.com

A hiperlactação pode ser frequente no início da amamentação, durando cerca de 30 a 40 dias, quando então começa a regular a produção de leite de acordo com a necessidade do bebê.

O excesso de leite pode produzir sintomas diversos que devem ser informados ao obstetra e pediatra para avaliação e orientação à mãe:
• desconforto mamário com dores em agulhada;
• enchimento rápido da mama logo após o término da mamada;
• áreas mais sensíveis e nódulos;
• mamas vazam leite durante e entre as mamadas.

Em relação ao bebê pode-se observar:
• solicitam a toda hora, mesmo escorrendo leite da boca durante a mamada;
• fezes explosivas, aquosas;
• com o leite saindo em jato, com muita pressão, o bebê se estica, chora, arqueia, se “afoga”, então engasga e tosse; assim, acaba por recusar a mamada.
• regurgitação, flatulência;
• pode ganhar menos peso pela mamada incompleta e pelo maior consumo de leite anterior (leite que é ejetado no início da mamada, rico em água, sais minerais e lactose, com menor teor calórico).

Sem uma avaliação cuidadosa, a hiperlactação pode ser confundida com outras situações como:
• o baixo ganho de peso ser interpretado como “fome”, com consequente introdução de complemento (fórmula infantil);
• refluxo gastroesofágico (vômitos e engasgos);
• pela mamada reduzida e a ingestão maior de leite anterior (rico em lactose), há um aumento de gases com cólica. Pode ser confundido com alergia à proteína do leite de vaca e, apesar de extremamente raro, intolerância à lactose.

A técnica inadequada de amamentação – com esvaziamento incompleto das mamas, mamadas frequentes, horários pré-determinados, uso de chupetas e de complementos alimentares – predispõe o aparecimento de complicações da lactação.

Tratamento

O tratamento tem o objetivo de diminuir a produção do leite. Os níveis de prolactina de mães amamentando são extremamente variáveis. A melhora dos casos costuma ser espontânea, porém algumas medidas ajudam no equilíbrio da produção de leite materno:
• extrair o leite, mas somente o necessário, pois quanto mais se retira, mais leite será produzido;
• evitar compressas quentes, pois podem estimular a produção;
• aplicação de compressas geladas após as mamadas para diminuir o pico de prolactina;
• alguns medicamentos podem aumentar a produção e volume de leite, portanto é essencial relatar ao obstetra e ao pediatra quais medicamentos está tomando;
• o suporte emocional e medidas que visem dar maior conforto à mãe não podem ser negligenciados: o bem-estar da nutriz é muito importante.

Alguns cuidados colaboram para tranquilidade da mamãe e do bebê na hora da mamada, tornando-a mais eficaz e prazerosa:
• massagear as mamas antes das mamadas, fazendo apoio com uma das mãos;
• posicionar o bebê para uma correta sucção;
• oferecer apenas uma mama em cada mamada, deixando o bebê decidir quando parar;
• oferecer a mama apenas após o reflexo de ejeção, diminuindo, assim, o fluxo que a criança receberá inicialmente;
• extrair o leite que restou nas mamas, com ordenha elétrica ou manual;
• evitar pular mamadas;
• evitar complemento, como chupeta, mamadeiras e intermediários.

Consulte sempre seu pediatra para obter ajuda e aconselhamento.

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Relatores:
Dra. Isis Dulce Pezzuol
Dr. Moises Chencinski
Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 25/04/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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