Intoxicação – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 27 Jan 2023 16:54:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Intoxicação – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia de Combate à Poluição por Agrotóxicos – 11 de janeiro https://spsp.org.br/dia-de-combate-a-poluicao-por-agrotoxicos-11-de-janeiro/ Wed, 11 Jan 2023 11:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35923 Tema polêmico. Há vantagens e desvantagens. Riscos e benefícios. Há, certamente, necessidade de controle e monitoramento do uso desses produtos]]>

Tema polêmico. Há vantagens e desvantagens. Riscos e benefícios. Há, certamente, necessidade de controle e monitoramento do uso desses produtos. A tragédia ocorrida em 1984 em Bhopal, na Índia, quando do vazamento de uma fábrica de agrotóxicos da Carbide Union, atual Dow Chemical, que provocou a morte de cerca de 10 mil pessoas, nos convida a refletir.

A população humana até o 1º século da era cristã crescia em torno de 2% a cada 1.000 anos. Esse período de baixo crescimento demográfico logo foi alterado. Em 1804, a população era de 1 bilhão, em novembro de 2022, de 8 bilhões. Atualmente, a população mundial está crescendo a uma taxa de 2% ao ano e precisa de apenas 35 anos para dobrar.

A teoria demográfica desenvolvida pelo economista inglês e sacerdote anglicano Thomas Robert Malthus (1766-1834), no final do século XVIII, em plena Revolução Industrial, sustenta que a população cresce mais rápido (em progressão geométrica) do que a produção de alimentos (em progressão aritmética), sinalizando, assim, a inevitável falta de alimentos para todos.

Malthus foi contemporâneo de vários pensadores iluministas, como David Hume e Jean-Jacques Rousseau. Os iluministas defendiam que a humanidade estava destinada à evolução permanente e poderia alcançar a felicidade plena através da ciência e que esta seria capaz de resolver qualquer problema humano, inclusive esse da alimentação para todos os habitantes da Terra. Foi entre o pessimismo malthusiano e o otimismo iluminista que a ciência propiciou o aparecimento, entre tantos avanços, dos agrotóxicos.

Os agrotóxicos são produtos químicos largamente utilizados no setor de produção agrícola, garantindo a produtividade das lavouras, pois seu uso preserva as espécies cultivadas, ao combater pragas e doenças que atacam as lavouras. São também conhecidos como pesticidas ou defensivos agrícolas, intervindo na atividade biológica dos seres vivos.

Os agrotóxicos podem ser classificados segundo a natureza da praga que irão combater: Fungicidas: combatem os fungos; Inseticidas: combatem os insetos; Herbicidas: combatem as plantas; Rodenticidas: combatem os roedores; Acaricidas: combatem os ácaros; Formicidas: combatem as formigas e Fumigantes: combatem as bactérias.

Em relação aos danos à saúde humana, os agrotóxicos são classificados segundo a sua toxicidade. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica-os em quatro classes, diferenciadas por cores e pelo grau de letalidade de cada um. No Brasil, os agrotóxicos apresentam em seus rótulos a classificação toxicológica, que aponta o potencial de risco à saúde. Confira:

– Classe I – extremamente tóxicos, podem ser fatais ao contato, ingestão ou inalação (em vermelho);

– Classe II – altamente tóxicos, podem causar intoxicações e doenças crônicas caso haja contato, ingestão ou inalação (em amarelo);

– Classe III – medianamente tóxicos, podem vir a ser nocivos caso haja contato, ingestão ou inalação (em azul) e

– Classe IV – pouco tóxicos, não apresentam risco e nem recomendações (em verde).

Para combater a fome decorrente da II Guerra Mundial surgiu a chamada Revolução Verde, que alavancou o incremento de novas tecnologias nas práticas agrícolas e o uso dos agrotóxicos, visando ao aumento da produtividade e à expansão do setor agroindustrial. A modernização da agricultura, associada aos latifúndios e às monoculturas (soja, cana-de-açúcar, milho, algodão), fez com que os agrotóxicos passassem a ser intensamente utilizados nas lavouras. O plantio de uma única espécie favorece o ciclo de pragas e doenças.

No Brasil, o clima é outro fator contribuinte para o uso em larga escala de agrotóxicos. Em boa parte de nosso território não há períodos de baixa temperatura, o que favorece o ciclo de pragas e doenças na lavoura.

Certamente os agrotóxicos possuem papel fundamental na expansão do agronegócio e, consequentemente, no favorecimento da economia e também na oferta de alimentos no mundo. Contudo, o uso excessivo ou incorreto desses produtos químicos pode trazer diversos prejuízos ao meio ambiente, como, por exemplo, a contaminação do solo e dos recursos hídricos, a intoxicação de animais, bem como o desaparecimento de espécies de insetos, que contribuem para o equilíbrio do ecossistema e a contaminação dos alimentos consumidos pela população. Outro problema relacionado com o mau uso dos agrotóxicos relaciona-se a agravos à saúde humana.

O Brasil é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo, desde 2016, segundo dados divulgados pela Anvisa. Foram usados, no Brasil, em 2017, aproximadamente 540 mil toneladas de agrotóxicos, o dobro do que foi usado em 2010, segundo pesquisas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O uso de agrotóxicos é regulado pela Lei de Agrotóxicos nº 7.802, de 1989, regulamentada pelo Decreto nº 4.074, de 2002. Essa lei contém restrições a esse uso, bem como define quais, quanto e por quem ele pode ser feito. No início de 2019, essa lei sofreu alterações e prevê a liberação de agrotóxicos pelo Ministério da Agricultura, impedindo que órgãos como Ibama e Anvisa interfiram. Houve, então, uma flexibilização das regras de produção, comercialização e distribuição de agrotóxicos. Nesse mesmo ano, o Ministério da Agricultura aprovou o registro de agrotóxicos de elevada toxicidade no país. Alguns — que foram banidos de países como China, Estados Unidos e países da União Europeia —, têm sido utilizados em território nacional.

Vantagens e desvantagens do uso de agrotóxicos:

  1. Vantagens: A utilização correta e em dosagens recomendadas de agrotóxicos garante o controle de pragas e doenças que prejudicam as plantações. O controle de pragas e doenças garante a produtividade das lavouras. O uso de agrotóxicos melhora a qualidade visual dos produtos cultivados. Geralmente, os preços dos produtos nos quais foram utilizados agrotóxicos são menores em relação aos preços de produtos orgânicos.
  2. Desvantagens: Agrotóxicos armazenados em ambientes inadequados podem oferecer riscos à saúde, incluindo mortes. O uso incorreto e em doses não recomendadas de agrotóxicos está associado a diversos problemas de saúde, que podem ser agudos, como: irritação na pele, tosse, coriza, ardências, desidratação, vômitos, diarreia, náuseas, alergias, dores no peito, falta de ar, e dores estomacais; ou crônicos, como: insônia, esquecimento, impotência, dificuldade em gerar filhos, abortos, convulsões, depressão, malformações no feto e potencial desenvolvimento de cânceres e tumores. O uso incorreto dos agrotóxicos também está associado a problemas ambientais, como contaminação do solo, dos recursos hídricos e também da fauna e flora, contaminação de alimentos, desequilíbrio ambiental, empobrecimento de nutrientes no solo, com consequente infertilidade, desenvolvimento de resistência das pragas aos produtos e extermínio dos predadores naturais.

Os trabalhadores rurais são grupo de risco para esse tipo de intoxicação, quer pelo contato direto com os produtos, quer pela desinformação sobre os riscos, ou, ainda, pelo uso inadequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Outros sinais de alerta: em vários alimentos de uso cotidiano foram detectados níveis importantes de contaminação com agrotóxicos, em pesquisas feitas pela Anvisa. Por exemplo: laranja, abacaxi, couve, uva, morango, pimentão, cenoura, em alimentos de origem animal, como os ovos, as carnes, o leite – incluindo, até mesmo, o leite materno.

É recomendável que se lave pelo menos duas vezes o alimento e se remova a casca; que se compre hortaliças, frutas e legumes em locais confiáveis, onde é mais certo ter fiscalização e não haver fraudes em relação à certificação da qualidade do produto orgânico.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia Nacional de Prevenção de Acidentes na Infância https://spsp.org.br/dia-nacional-de-prevencao-de-acidentes-na-infancia/ Wed, 31 Aug 2022 19:52:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34161 No Brasil, o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes na Infância é celebrado em 30 de agosto. Acidentes de trânsito, afogamentos, queimaduras, quedas e envenenamentos ferem, incapacitam]]>

 No Brasil, o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes na Infância é celebrado em 30 de agosto. Acidentes de trânsito, afogamentos, queimaduras, quedas e envenenamentos ferem, incapacitam ou matam milhões de crianças em todo o mundo todos os dias. A boa notícia é que cerca de 90% dos casos que resultam em morte e internação podem ser evitados com algumas medidas simples.

Quem está em risco?

Todas as crianças, devido a sua natureza curiosa e necessidade de explorar o ambiente. As crianças de até quatro anos de idade são mais propensas a ter acidentes em casa e as maiores, nas ruas e escola. Os meninos correm mais riscos que as meninas.

Onde ocorrem os acidentes?

Podem acontecer em qualquer lugar, dentro e ao redor da casa, mas os lugares mais comuns incluem a cozinha, o banheiro e as escadas. Os acidentes na cozinha e nas escadas costumam ser os mais graves. Os acidentes de trânsito são responsáveis por muitos casos de internações e morte.

O que causa acidente?

Existem riscos potenciais em todas as casas, como água quente, produtos químicos domésticos, lareiras, objetos pontiagudos. Alguns projetos de casas, como varandas e escadas abertas, também podem contribuir.

Quanto menor a criança, menor sua capacidade de avaliar os riscos que todas essas coisas representam. Sua curiosidade, entretanto, pode levá-las a situações de risco. Os tipos de acidentes que acontecem estão muitas vezes ligados a sua idade e ao seu nível de desenvolvimento. Os bebês são totalmente dependentes de um adulto e os acidentes acontecem por um momento de distração.

O uso cada vez maior de telas pelos adultos tem sido causa frequente de desatenção e acidentes nesta faixa etária. À medida que as crianças crescem, elas podem andar e se movimentar, alcançar coisas mais altas, escalar e encontrar objetos escondidos. Com sua recém-descoberta sensação de liberdade e movimento, as crianças podem se mover rapidamente e acidentes podem acontecer em questão de segundos. Crianças maiores e adolescentes estão mais sujeitos a acidentes na escola, em parques e jogos.

 Como os acidentes podem ser prevenidos?

– Supervisione sempre as crianças e nunca subestime o seu desenvolvimento.

– É importante identificar as situações de risco da casa e modificar o ambiente, tornando-o mais seguro. O uso de “sistemas de retenção” (bebê-conforto, cadeirinhas, booster) nos automóveis de acordo com a idade é obrigatório.

– Ensine sempre às crianças medidas de prevenção.

 Algumas dicas para prevenir os acidentes comuns

  1. Sufocamento: alimentar a criança sentada à mesa ou em cadeira alta; cortar os alimentos em pedaços pequenos; ter cuidado com objetos muito pequenos, como amendoim, caroços de frutas, balas duras, botões, moedas, baterias em disco e outros (especial atenção a bexigas, uvas, tomate-cereja, que se aspirados, amoldam-se na via aérea e são de difícil extração); brinquedos devem ser apropriados para cada idade e não devem destacar partes pequenas; não usar talco perto de crianças; não usar cordão ou presilha de chupeta ao redor do pescoço; não deixar sacos plásticos ao alcance das crianças; usar lençóis, mantas e cobertores bem presos ao colchão.
  2. Afogamentos: jamais deixar a criança sozinha durante o banho, principalmente quando estiver utilizando banheira; nunca deixar baldes, bacias ou tanques com água ao alcance das crianças; frequentar piscinas somente com vigilância contínua de um adulto, ficando as menores de cinco anos ou as mais velhas que não sabem nadar a uma distância de um braço de um adulto na água.
  3. Quedas: não usar andadores; instalar grades ou redes de proteção nas janelas de andares altos; instalar portões com tranca em escadas.
  4. Queimaduras: preferencialmente, medir a temperatura da água do banho com um termômetro ou, em sua ausência, testar a temperatura da água do banho com o cotovelo ou dorso da mão; sempre verificar a temperatura de mamadeiras e outros alimentos quentes; não manusear líquidos ou alimentos quentes com a criança no colo; esconder fósforos, velas e isqueiros e produtos inflamáveis; não fumar dentro da casa.
  5. Intoxicações: não utilizar medicamentos sem orientação médica; nunca utilizar produtos “clandestinos”; seguir as orientações do fabricante para o uso adequado dos produtos; preferir produtos químicos que tenham embalagens com tampa de segurança para crianças; manter os produtos em sua embalagem original e nunca reutilizar frascos; conhecer bem as plantas da casa e dos jardins, e não manter dentro de casa plantas que são consideradas tóxicas, como comigo-ninguém-pode, costela-de-adão, saia-branca, espada-de-são-Jorge, chapéu-de-Napoleão e outras.

 

Saiba mais:

https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/prevencao-de-acidentes/

https://www.pediatraorienta.org.br/category/seguranca/

https://www.pediatraorienta.org.br/acidentes-de-transito-com-criancas-e-jovens-como-prevenir/

 

Relatora:
Sarah Saul
Departamento de Segurança Infantil da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 Foto: @bearfotos / br.freepik.com

 

 

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Orientações para evitar intoxicações https://spsp.org.br/orientacoes-para-evitar-intoxicacoes/ Tue, 01 Dec 2020 22:15:05 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3523 Campanha Dezembro Vermelho – prevenção de acidentes na infância e adolescência.

Recentemente, a Anvisa notificou um crescimento dos casos de intoxicações por produtos de limpeza e desinfetantes em residências. Nos últimos meses, estivemos mais restritos ao lar, e aumentamos nossos cuidados com higienização e desinfecção a fim de evitar a disseminação da Covid-19. Pensando nisso, resolvemos trazer um alerta sobre o assunto, pois as crianças pequenas são as principais vítimas desse tipo de acidente.
Intoxicações são frequentes na infância, principalmente nos pequenos entre 1 e 4 anos de idade, época em que são curiosos, já têm alguma autonomia para explorar o ambiente, mas não têm discernimento dos perigos.

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Os principais causadores de intoxicações são os medicamentos, seguidos de produtos sanitários e de limpeza. Em seguida, temos os acidentes com animais peçonhentos (como escorpiões) e cosméticos. Para protegermos nossas crianças, além de sempre as deixarmos sob a supervisão de um adulto responsável, podemos tomar algumas atitudes que são muito importantes, pois bastam alguns minutinhos de distração para que um acidente potencialmente fatal aconteça:

1- Lavar as mãos das crianças com água e sabonete é a forma de higienização mais recomendada e equivale ao uso de álcool a 70%. Restrinja a utilização do álcool às situações em que a lavagem das mãos não for possível. Mantenha o álcool gel fora do alcance das crianças, longe do fogo e do calor.
2- Guarde produtos de limpeza e inseticidas longe de alimentos e de medicamentos, e fora do alcance das crianças
3- Mantenha os produtos em suas embalagens originais. Nunca coloque produtos de limpeza, querosene, gasolina ou alvejantes em embalagens de refrigerante ou suco.
4- Com relação aos remédios, os cuidados são vários:

*Mantenha-os em lugar seguro e trancado, fora do alcance das crianças. Lembre-se que pílulas coloridas, embalagens e garrafas bonitas, com odor e sabor adocicados, são muito atraentes para elas.

*Prefira medicamentos em embalagens com trava de segurança (aquela que torna difícil a abertura para uma criança de até 5 anos, mas é fácil para um adulto).

*Leia sempre o rótulo ou a bula antes de administrar medicamentos.
*Evite tomar remédios na frente das crianças e deixe claro que não se trata de uma bala.
*Não dê remédios no escuro, a fim de evitar administração indevida
*Não utilize medicamentos sem orientação médica e mantenha-os nas embalagens originais com a bula
*Cuidado com remédios de uso infantil e adulto com embalagens parecidas. Erro de identificação pode causar intoxicação grave
*Nunca jogue a embalagem com o seu conteúdo na lixeira
*Nunca use medicamento com prazo de validade vencido

E por fim, não podemos deixar de falar sobre as plantas tóxicas, pois muitas delas estão em nossos jardins, vasos e já foram encontradas até em creches (por exemplo: aroeira, antúrio, espada de São Jorge, alamanda, azaleia e comigo-ninguém-pode).

Ensine sempre as crianças a não colocar plantas na boca e conheça a vegetação de sua casa e arredores. Em caso de acidente, retire da boca da criança o que resta da planta, guardando para identificação, e enxague com água corrente. Ligue para o Centro de Controle de Intoxicações da sua região. Ah, e não faça remédios ou chás caseiros com plantas sem orientação médica.

Com esses cuidados em mente e aplicando essas orientações em sua casa, protegeremos as crianças e vamos ajudar a diminuir esses tristes acidentes com intoxicação.

Você sabia? Geralmente as intoxicações acontecem nos horários que antecedem as refeições (entre 10:00h-12:00h e 17:00h-20:00h), ou quando há alteração na rotina da casa (mudança, comemorações e festas, ou quando recebemos visitas) 

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Relatora
Regina Carnaúba
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Slime e seus riscos https://spsp.org.br/slime-e-seus-riscos/ Mon, 03 Jun 2019 21:37:04 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2775 Slime é a “onda do momento” e envolve muita brincadeira e diversão, mas não isentas de riscos. No Brasil e em outros países, há relatos de intoxicações pelos ingredientes utilizados no produto, uma massa “colorida e gosmenta” que pode ser comprada pronta ou feita em casa. Existem diversas receitas para o slime caseiro (incluindo vários tutoriais no YouTube), cada uma buscando desenvolver diferentes cores, texturas e temas. Muitos dos ingredientes são relativamente benignos, mas alguns apresentam riscos significativos de toxicidade. A receita combina ingredientes comuns, como cola branca escolar, água e uma substância ativadora que muda as características da cola, tornando-a elástica sem deixar que ela endureça. Podem ser adicionados corantes, espuma de barbear, glitter, esmalte, fragrâncias, miçangas, enfim, uma série de ingredientes que “personificam” o slime. A substância ativadora – o ácido bórico – geralmente é usada na forma do bórax em pó, mas também pode entrar na receita através do uso de soluções para lente de contato, água boricada ou detergentes. Em sua maioria, os casos de intoxicação estão relacionados à ingestão das substâncias por crianças pequenas, pets e também quem manipula o produto e coloca a mão suja na boca. Em baixas doses, o ácido bórico não costuma oferecer riscos à saúde, porém, por ser muito bem absorvido no sistema digestório, quantidades maiores podem causar vômitos, dor abdominal, diarreia, alterações neurológicas (dor de cabeça, irritabilidade ou sonolência profunda), queda da pressão arterial e até a morte. Pode, ainda, ser absorvido por inalação, pelas mucosas (passar a mão suja nos olhos), ou através da pele machucada. Casos de dermatites estão sendo reportados no mundo todo. Não apenas o ácido bórico pode causar irritação na pele, como vários outros ingredientes utilizados, como o lauril sulfato de sódio, componente da espuma de barbear. A exposição constante da pele a essas substâncias pode levar ao aparecimento de vermelhidão local, coceira ou sensação de queimação, descamação, vesículas e, em casos mais crônicos, pode deixar a pele mais grossa e rígida, além de causar alterações nas unhas e até o desprendimento das mesmas. O slime pode ser uma brincadeira saudável se forem seguidas normas de segurança para sua manipulação e preparo: • crianças e adolescentes devem ser supervisionados o tempo todo por um adulto atento; • deve-se evitar o uso dos ingredientes mais tóxicos (bórax, bicarbonato de sódio); • ao manipular e preparar o produto, usar material descartável (talheres, espátulas, pratos); • usar luvas (de preferência descartáveis e que não contenham látex, que podem ser substituídas por luvas de nitrilo ou silicone); • mesmo que não manipulem todos os produtos, após terminar a brincadeira (e toda vez que mexerem no slime) todos devem lavar muito bem as mãos e braços com água e sabão; • armazenar o slime e os ingredientes em local apropriado e seguro (longe de crianças pequenas e pets); • por último, mas não menos importante, limitar o tempo para confeccionar e brincar com o slime. ___ Relatores: Dra. Tania M. R. Zamataro Dra. Renata D. Waksman Departamento Científico de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo Publicado em 4/06/2019. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Slime é a “onda do momento” e envolve muita brincadeira e diversão, mas não isentas de riscos. No Brasil e em outros países, há relatos de intoxicações pelos ingredientes utilizados no produto, uma massa “colorida e gosmenta” que pode ser comprada pronta ou feita em casa.

slime

amphoto | depositphotos.com

Existem diversas receitas para o slime caseiro (incluindo vários tutoriais no YouTube), cada uma buscando desenvolver diferentes cores, texturas e temas. Muitos dos ingredientes são relativamente benignos, mas alguns apresentam riscos significativos de toxicidade.
A receita combina ingredientes comuns, como cola branca escolar, água e uma substância ativadora que muda as características da cola, tornando-a elástica sem deixar que ela endureça. Podem ser adicionados corantes, espuma de barbear, glitter, esmalte, fragrâncias, miçangas, enfim, uma série de ingredientes que “personificam” o slime. A substância ativadora – o ácido bórico – geralmente é usada na forma do bórax em pó, mas também pode entrar na receita através do uso de soluções para lente de contato, água boricada ou detergentes.

Em sua maioria, os casos de intoxicação estão relacionados à ingestão das substâncias por crianças pequenas, pets e também quem manipula o produto e coloca a mão suja na boca. Em baixas doses, o ácido bórico não costuma oferecer riscos à saúde, porém, por ser muito bem absorvido no sistema digestório, quantidades maiores podem causar vômitos, dor abdominal, diarreia, alterações neurológicas (dor de cabeça, irritabilidade ou sonolência profunda), queda da pressão arterial e até a morte. Pode, ainda, ser absorvido por inalação, pelas mucosas (passar a mão suja nos olhos), ou através da pele machucada.

Casos de dermatites estão sendo reportados no mundo todo. Não apenas o ácido bórico pode causar irritação na pele, como vários outros ingredientes utilizados, como o lauril sulfato de sódio, componente da espuma de barbear. A exposição constante da pele a essas substâncias pode levar ao aparecimento de vermelhidão local, coceira ou sensação de queimação, descamação, vesículas e, em casos mais crônicos, pode deixar a pele mais grossa e rígida, além de causar alterações nas unhas e até o desprendimento das mesmas.

O slime pode ser uma brincadeira saudável se forem seguidas normas de segurança para sua manipulação e preparo:
• crianças e adolescentes devem ser supervisionados o tempo todo por um adulto atento;
• deve-se evitar o uso dos ingredientes mais tóxicos (bórax, bicarbonato de sódio);
• ao manipular e preparar o produto, usar material descartável (talheres, espátulas, pratos);
• usar luvas (de preferência descartáveis e que não contenham látex, que podem ser substituídas por luvas de nitrilo ou silicone);
• mesmo que não manipulem todos os produtos, após terminar a brincadeira (e toda vez que mexerem no slime) todos devem lavar muito bem as mãos e braços com água e sabão;
• armazenar o slime e os ingredientes em local apropriado e seguro (longe de crianças pequenas e pets);
• por último, mas não menos importante, limitar o tempo para confeccionar e brincar com o slime.

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Relatores:
Dra. Tania M. R. Zamataro
Dra. Renata D. Waksman
Departamento Científico de Segurança da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Publicado em 4/06/2019.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Cuidado com intoxicações https://spsp.org.br/cuidado-com-intoxicacoes/ Wed, 29 Jan 2014 02:40:02 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=443 A exposição a substâncias tóxicas é muito comum na infância, particularmente nos primeiros anos de vida. Os produtos que mais frequentemente levam as intoxicações incluem: produtos de limpeza, analgésicos, cosméticos e plantas. Os medicamentos que causam o maior número de mortes, no caso de intoxicações, incluem: analgésicos, antidepressivos, sedativos, hipnóticos, estimulantes, drogas ilícitas, drogas cardiovasculares e álcool. A principal medida de segurança com relação a medicamentos ainda é a barreira passiva, isto é, a adoção de tampas de segurança, principalmente nos frascos de medicamentos que atuam no sistema nervoso central. Os padrões de intoxicações variam com o sexo e a idade: até a adolescência pode não ocorrer predominância de sexo, mas entre adolescentes ocorre com maior frequência no sexo feminino e, com o aumento da idade, assumem caráter intencional. Orientações Estar ciente da interação entre o desenvolvimento da criança e o risco de intoxicações; Os adultos devem estar orientados a reconhecer em suas casas áreas de risco sabidamente conhecidas, afastando a criança do contato com: produtos químicos e de limpeza, medicamentos, plantas, inseticidas, instrumentos de jardinagem etc.; Todas as embalagens originais devem ser mantidas; Produtos “perigosos” devem ser colocados em armários altos e trancados; Não ter em casa substâncias tóxicas e venenos; Medicamentos não mais utilizados, com as embalagens abertas e com data de validade vencida devem ser descartados; Medicamentos não mais utilizados, com as embalagens abertas e com data de validade vencida, devem ser descartados; Grande parte das intoxicações por medicamentos ocorre quando a criança, em visita a alguma pessoa que toma regularmente alguma medicação e não possui o hábito de guardá-la, principalmente por não ter crianças em casa, ingere inadvertidamente tal medicação. Segurança com relação aos medicamentos As principais recomendações de segurança com relação aos medicamentos, responsáveis por 60% das intoxicações exógenas em crianças de 1 a 5 anos, são: Somente comprar um medicamento quando receitado pelo pediatra; Nunca aceitar substituições sem autorização do pediatra; Ler com atenção a receita do médico e usar como está prescrito; Não administrar medicamentos por conta própria ou por conselho de pessoas leigas; Respeitar o horário determinado pelo médico; Nunca tomar ou administrar um medicamento no escuro; Não enganar a criança ao administrar um medicamento: não dizer que é doce ou gostoso; Guardar sempre o medicamento em armário trancado a chave; Não colocar no mesmo armário medicamentos junto com alimentos ou produtos químicos de uso doméstico; Descartar restos de medicamentos vencidos, inclusive seu recipiente. ___ Relatora: Dra. Regina M. C. Gikas Departamento Científico de Segurança da SPSP Publicado em 29/01/2014. photo credit: Kaarsten | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

dreamstime_xs_22113349A exposição a substâncias tóxicas é muito comum na infância, particularmente nos primeiros anos de vida.

Os produtos que mais frequentemente levam as intoxicações incluem: produtos de limpeza, analgésicos, cosméticos e plantas. Os medicamentos que causam o maior número de mortes, no caso de intoxicações, incluem: analgésicos, antidepressivos, sedativos, hipnóticos, estimulantes, drogas ilícitas, drogas cardiovasculares e álcool.

A principal medida de segurança com relação a medicamentos ainda é a barreira passiva, isto é, a adoção de tampas de segurança, principalmente nos frascos de medicamentos que atuam no sistema nervoso central.

Os padrões de intoxicações variam com o sexo e a idade: até a adolescência pode não ocorrer predominância de sexo, mas entre adolescentes ocorre com maior frequência no sexo feminino e, com o aumento da idade, assumem caráter intencional.

Orientações

  • Estar ciente da interação entre o desenvolvimento da criança e o risco de intoxicações;
  • Os adultos devem estar orientados a reconhecer em suas casas áreas de risco sabidamente conhecidas, afastando a criança do contato com: produtos químicos e de limpeza, medicamentos, plantas, inseticidas, instrumentos de jardinagem etc.;
  • Todas as embalagens originais devem ser mantidas;
  • Produtos “perigosos” devem ser colocados em armários altos e trancados;
  • Não ter em casa substâncias tóxicas e venenos;
  • Medicamentos não mais utilizados, com as embalagens abertas e com data de validade vencida devem ser descartados;
  • Medicamentos não mais utilizados, com as embalagens abertas e com data de validade vencida, devem ser descartados;
  • Grande parte das intoxicações por medicamentos ocorre quando a criança, em visita a alguma pessoa que toma regularmente alguma medicação e não possui o hábito de guardá-la, principalmente por não ter crianças em casa, ingere inadvertidamente tal medicação.

Segurança com relação aos medicamentos

As principais recomendações de segurança com relação aos medicamentos, responsáveis por 60% das intoxicações exógenas em crianças de 1 a 5 anos, são:

  • Somente comprar um medicamento quando receitado pelo pediatra;
  • Nunca aceitar substituições sem autorização do pediatra;
  • Ler com atenção a receita do médico e usar como está prescrito;
  • Não administrar medicamentos por conta própria ou por conselho de pessoas leigas;
  • Respeitar o horário determinado pelo médico;
  • Nunca tomar ou administrar um medicamento no escuro;
  • Não enganar a criança ao administrar um medicamento: não dizer que é doce ou gostoso;
  • Guardar sempre o medicamento em armário trancado a chave;
  • Não colocar no mesmo armário medicamentos junto com alimentos ou produtos químicos de uso doméstico;
  • Descartar restos de medicamentos vencidos, inclusive seu recipiente.

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Relatora:
Dra. Regina M. C. Gikas
Departamento Científico de Segurança da SPSP

Publicado em 29/01/2014.
photo credit: Kaarsten | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
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