Internet – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 28 Jun 2024 19:46:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Internet – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Adolescentes e redes sociais https://spsp.org.br/adolescentes-e-redes-sociais/ Sun, 30 Jun 2024 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46814 ]]>

Em 30 de junho comemora-se o Dia Mundial das Redes Sociais. As tecnologias de informação e comunicação vêm alterando a maneira de ser e de viver da sociedade e das famílias, configurando-se uma verdadeira revolução na organização social, que diminuiu as distâncias e otimizou o tempo. É natural que pais e educadores de adolescentes, diante desse tema tão complexo, tenham preocupações relativas à segurança sobre o uso dos dispositivos tecnológicos e das novas mídias pelos jovens. O computador ou, mais modernamente, um dispositivo que caiba na mão, como o smartphone (que proporcione a mesma plena experiência de navegação), é um dos bens de consumo mais disseminados e desejados hoje em dia.

Para refletir sobre a maneira como os adolescentes interagem com este mundo e como os responsáveis pelo cuidado e educação desses jovens se posicionam e estabelecem normas para essa interação, é necessário destacar algumas premissas:

  1. Violências, como racismo, homofobia, misoginia, injúria, calúnia ou difamação, dentre tantos outros, são crimes, seja no ambiente on-line ou off-line.
  2. Desde que o mundo é mundo, pais querem (e devem) saber com quem seus filhos estão se relacionando.
  3. Regras e valores existem no mundo e na casa e a tecnologia é apenas mais um componente a ser regrado.

Poderíamos terminar nossas reflexões por aqui: falando que o papel mais importante dos pais e educadores dos dias de hoje é o estímulo para conhecerem juntos aos seus adolescentes esse campo de possibilidades que tem se aberto com o uso das tecnologias.

Vivemos em uma era diferente: inundados por um excesso de informações, submersos num mar de possibilidades e de cliques de fotos, textos, conversas e produtos. É um grande equívoco querer medir esse fenômeno com uma perspectiva saudosista e “tecnofóbica”, quando “tudo antes era melhor”. Por outro lado, é falha a perspectiva de idolatria à tecnologia que considera que todas as necessidades do mundo irão se resolver. Extremos perigosos.

Preferimos ir pelo meio: o mundo virtual e digital está aí, nas nossas mãos e de nossos adolescentes. A internet não é a rede mundial de computadores, a internet é a rede mundial de pessoas conectadas atrás de cada computador.

Indivíduos em grupos tendem a agir de maneira diferente do que fariam isoladamente, muitas vezes adotando comportamentos e crenças do próprio grupo. Um ponto de destaque da relação entre as redes sociais e as características contemporâneas é a “normalização de comportamentos”. De uma maneira bem simples, significa que um comportamento gerado numa rede social passa a ser compreendido pelos seus participantes como habitual e comum. Surpreende-nos o número de curtidas em comunidades que ensinam comportamentos alimentares restritivos e purgativos escondidos dos pais, desafios perigosos de asfixia ou outros hábitos pouco saudáveis de vida. A normalização de comportamentos em redes sociais é um fenômeno influenciado pela busca de aprovação social, pela dinâmica de comportamento de grupo e pelas características intrínsecas das plataformas digitais. Este processo de “normalização” pode ter implicações significativas, tanto positivas quanto negativas, para a sociedade. Por um lado, pode promover a solidariedade e o apoio mútuo; por outro, pode levar à disseminação de comportamentos prejudiciais ou estimuladores de preconceitos e divisões.

O fenômeno do “Fear of Missing Out” (FOMO), ou medo de estar perdendo algo, tornou-se uma questão significativa, especialmente entre adolescentes imersos nas redes sociais. Este conceito reflete a ansiedade e o desconforto gerados pela percepção de que outros podem estar vivenciando eventos, interações ou experiências das quais um indivíduo está ausente. Adolescentes, estando em uma fase crítica de desenvolvimento de identidade e pertencimento social, são particularmente vulneráveis a esse sentimento. A constante exposição a atualizações, fotos e vídeos de amigos e conhecidos participando de atividades aparentemente gratificantes pode criar uma sensação persistente de estar de fora, exacerbando sentimentos de solidão, insatisfação, ansiedade e depressão. Além disso, o FOMO pode contribuir para a deterioração da qualidade do sono, uma vez que muitos adolescentes permanecem on-line até tarde da noite, e para a diminuição da capacidade de concentração e desempenho acadêmico.

Os riscos on-line podem ser divididos em quatro categorias:

Riscos de Conteúdo: indivíduos são expostos a conteúdos indesejáveis e potencialmente prejudiciais (imagens sexuais, publicidade inapropriada, material racista, discriminatório, extremista, violento e fake news, por exemplo).

Riscos de Contato: o sujeito participa de comunicações arriscadas, como com um adulto buscando contato inapropriado, para fins sexuais ou persuasões para participar em comportamentos perigosos.

Riscos de Conduta: quando uma criança ou adolescente se comporta de maneira a contribuir para conteúdo ou contato arriscado, participando ou testemunhando condutas potencialmente danosas (cyberbullying, trollagens, “cancelamentos” e todos os atos com o intuito de causar constrangimento público).

Riscos de Contrato: quando o adolescente “aceita” os termos e condições de um provedor de serviços digitais (marketing exploratório para a idade, roubo de dados, entre outros).

Pais, educadores e profissionais de saúde têm um papel fundamental para as mediações com os adolescentes, para boas escolhas nesses tempos de mobilidade e interação. E nesse contexto, devem orientar, mesmo que se sintam distantes das habilidades tecnológicas, que são eles, os adolescentes, protagonistas da discussão sobre respeito, liberdade, cuidado de si e do próximo, tolerância e diálogo. E, ao enfrentar essas questões, não apenas os adolescentes podem se sentir mais satisfeitos e seguros em sua vida social, mas também capacitados em sua autonomia para construir relações off-line mais autênticas e significativas.

 

Relatores:
Benito Lourenço
Maíra Pieri Ribeiro
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Internacional das Redes Sociais – uma carta aberta aos adolescentes https://spsp.org.br/dia-internacional-das-redes-sociais-uma-carta-aberta-aos-adolescentes/ Fri, 30 Jun 2023 12:17:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38046 Você digita a mil por hora com um dedo, dois dedos, passa e rola a imagem, tic toc, tic, tac. Suas mensagens são rápidas, em toques velozes, quase sem tocar a tela]]>

Você digita a mil por hora com um dedo, dois dedos, passa e rola a imagem, tic toc, tic, tac. Suas mensagens são rápidas, em toques velozes, quase sem tocar a tela. Você passa o dia ouvindo áudios, conversando, jogando. Vive na nuvem – e se perde nas nuvens. Talvez você não tenha ideia, mas há muito pouco tempo, toda mensagem era na forma de bilhetes, cartas escritas à mão. O telefone servia para conversar e não para telemarketing. O celular não existia, os jogos eram de cartas e dados. Mas você nasceu na geração internética ou internáutica. Aprendeu a escrever no iPad e fazer contas de matemática nos jogos de computador. Você escuta seus áudios em velocidade 2x para não perder tempo.

A rede de amigos é muito maior que a do grupo da escola. A sua rede alcança o mundo e, com eles, você se conecta à velocidade 5G. E quando a velocidade não te alcança, a culpa é de um wifi sem capacidade, sem possibilidade de manter um jogo decente sem cair.

Você usa seu celular para tudo e ele quase faz parte do seu corpo. Usa-o para a resposta da pergunta do professor, para o seu caminho ser mais rápido e para a sua foto ser harmonizada com a sua vontade.

Mas estamos aqui conversando tudo isto (sim, já sei que você não lê textos longos, mas a diretora me mandou escrever com 2000 palavras e você vai me perdoar) simplesmente porque dia 30 de junho é o Dia Internacional da Rede Social.

Bom, tem dia para tudo, não é mesmo? Então, por que não o dia em que eu comemoro a possibilidade de usar uma rede para saber tudo o que seus amigos estão fazendo a todo momento? Temos a rede para postar fotos, a rede dos vídeos e a do seu canal do YT. E apesar de tímido(a), você não deixa de olhar todas as dancinhas da moda e até a adolescente que canta besteiras no show. Pensando bem, sem rede de apoio, sem uma rede de amigos virtuais, sem você saber “qual a última da Taylor”, o último batidão e o último meme do seu time (que sempre perde), você se sente perdido(a).

Será que você já pensou que seus pais se ressentem de você conversar pouco com eles? (E você sabe que já falou tudo com seus amigos…). Seus pais devem viver contando como era no tempo deles e não faz tanto tempo assim. Mas pensa: eles viram a miniaturização do computador, a invenção do celular, da internet, da TV a cabo, do streaming, do carro elétrico e tanto mais. Você já nasceu na rede social.

Vamos te contar um pouco da história das redes sociais. A primeira rede social do mundo foi a SixDegrees, lançada em 1997, que permitia que os usuários criassem perfis, fizessem amigos e se conectassem com outras pessoas. Saiu do mercado em 2001.

Em 2002, o Friendster foi lançado e se tornou popular em países como Filipinas, Malásia e Cingapura. No mesmo ano, foi criado o Fotolog, que permitia que os usuários compartilhassem fotos e interagissem por meio de comentários. Entretanto, foi o lançamento do MySpace, em 2003, que realmente revolucionou a rede social. O MySpace permitiu que os usuários personalizassem seus perfis, compartilhassem músicas e se conectassem com amigos. A plataforma tornou-se rapidamente muito popular, com milhões de usuários em todo o mundo.

O Orkut, plataforma vinculada ao Google, surgiu em 2004, tornando-se uma das redes sociais mais populares do mundo durante seu auge, com mais de 300 milhões de usuários em todo o planeta. Sua concentração inicial era no público norte-americano, mas rapidamente adquiriu popularidade no Brasil e na Índia, tornando-se a principal rede social para muitos usuários nesses países. Os usuários podiam criar perfis, adicionar amigos, enviar mensagens, compartilhar imagens e participar de comunidades temáticas

Por concorrência com a nova rede Facebook, de Zuckerberg, em 2014 foi totalmente desativada. Em 2004, Mark Zuckerberg e seus colegas de quarto em Harvard criaram o Facebook. Restrito no início apenas a estudantes universitários, rapidamente se espalhou para outras instituições de ensino e, mais tarde, para o público em geral, tornando-se a maior rede social do mundo.

Em 2006, o Twitter foi lançado, introduzindo o conceito de mensagens curtas, (os “tweets”). Ganhou popularidade como uma plataforma de microblogging, permitindo que os usuários compartilhassem pensamentos e notícias em tempo real.

Outra rede social icônica é o LinkedIn, fundada em 2003 e lançada em 2004, que se concentra em conectar profissionais e estabelecer contatos comerciais.

O Instagram, plataforma que permite compartilhar fotos e vídeos, foi lançada em 6 de outubro de 2010. Seu desenvolvimento foi bastante rápido, levando apenas oito semanas antes de ser lançado no sistema operacional móvel da Apple. Em menos de dois anos, em abril de 2012, o Facebook adquiriu o Instagram por US$ 1 bilhão, em dinheiro e ações.

Desde então, o Instagram cresceu em popularidade e se tornou uma das maiores plataformas de mídia social do mundo, com milhões de usuários ativos diariamente.

O YouTube foi fundado em fevereiro de 2005 por três ex-funcionários do PayPal: com o objetivo de permitir que os usuários compartilhassem vídeos on-line. Com sua popularização, tornou-se uma plataforma para os criadores de conteúdo ganharem dinheiro por meio de anúncios e parcerias com marcas, além de auxiliar artistas, músicos e influenciadores digitais a alcançar um público global.

O TikTok foi lançado em setembro de 2016 pela empresa chinesa ByteDance. Em 2017, o aplicativo foi lançado globalmente como uma plataforma de compartilhamento de vídeos curtos, ganhando popularidade rapidamente, especialmente entre os jovens.

Uma das características distintivas do TikTok é seu algoritmo de recomendação, que exibe vídeos personalizados para cada usuário com base em suas preferências e comportamento de visualização.

Outras redes sociais populares que surgiram ao longo dos anos incluem Snapchat, Pinterest e muitas outras.

Todos conhecem bem os benefícios que se tem com as redes sociais. Viajar pelo mundo através da internet, conhecer e reencontrar pessoas, o trabalho home office, ensino remoto, cursos, entretenimentos, pesquisas, respostas imediatas a qualquer tipo de questionamento. E ainda temos a AI (inteligência artificial), que nos faz sonhar em resolver problemas só conversando com as máquinas)!

Recentemente, com a pandemia da Covid-19, a rede social foi a forma de encontro entre pais, filhos e avós, permitindo que participássemos de eventos, aniversários, diminuindo a distância e a saudade imposta pelo momento.

Mas como nem tudo são benefícios, existem alguns prejuízos que você não pode deixar passar despercebidos, como a falta do contato físico: o beijo, o abraço, o aconchego.

O isolamento dos adolescentes em seus quartos, no seu mundinho, faz com que os pais não tenham acesso ao que é visto, deixando-os mais exposto às notícias falsas (fake news), uso inadequado da imagem, uso e abuso da sexualidade, bullying, cyberbullying (abuso) e até ao estupro virtual.

Você que acha que não vive fora da tela, longe de seu celular, lembre sempre dos problemas de saúde pelo abuso do uso da internet, como a dependência das telas, levando a problemas do sono, irritabilidade, ansiedade, depressão, transtornos alimentares, sedentarismo (falta de atividade física), sobrepeso, obesidade, alteração de colesterol, triglicérides e problemas visuais.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o menor número de horas de tela possível: tolerância zero para crianças de zero a 2 anos; apenas 1 hora para crianças de 2 a 5 anos; 2 horas para crianças de 5 a 10 anos e 3 horas para adolescentes de 10 a 18 anos. Lembrar que quando se fala em telas, significa celular, computadores, tablets, televisão, videogame. Seu uso deve ser dividido entre estudo e trabalhos escolares e o lazer.

De alguma forma os familiares têm de ter algum controle e os sites visitados têm que ser vistos pelos pais, até mesmo para orientação do conteúdo visitado e bloqueio de sites inadequados para a idade.

Bem, agora você já sabe que é membro de uma rede mundial, e mesmo que muito atrativa, não é seu mundo total. Que tal fazer uma reflexão após tudo isso que acabou de ler?

Com um click você conhece o mundo, pessoas, coisas que nunca imaginou, mas já parou para se olhar? Você se conhece bem? Conhece as pessoas que mais ama e convivem com você?

Quantas vezes você está triste e posta como se fosse a pessoa mais feliz do mundo? Pra quê? Por quê? Você seguramente não é a única pessoa que faz isto.

Seja você mesmo(a), “se aceite” com seus erros e acertos, abrace, beije, ame, seja feliz!

Existe todo um mundo real a ser descoberto, tocado e sentido. Uma rede real de amigos e familiares que aguardam ansiosamente por ter você mais presente.

 

Relatores:

Mauro Fisberg
Coordenador do CENDA (Centro de Excelência em Nutrição e Dificuldades Alimentares do Instituto PENSI, FJLES, Sabará Hospital Infantil)
Professor Associado Doutor do Setor de Medicina do Adolescente, Pediatria, Escola Paulista de Medicina UNIFESP
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Maíra Pieri Ribeiro
Coordenadora e fundadora do Ambulatório de Hebiatria da PUC Campinas Professora de Pediatria da Faculdade São Leopoldo Mandic (SP)
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Elisiane Elias Mendes Machado
Coordenadora da Saúde da Criança e do Adolescente de Osasco (SP)
Vice-Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Do homo habilis ao homo ciberneticus https://spsp.org.br/do-homo-habilis-ao-homo-ciberneticus/ Wed, 17 May 2023 17:23:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37452 A evolução do ser humano como espécie sempre está atrelada a uma conquista “tecnológica”. Ao dominar o fogo conseguimos amenizar o frio, cozinhar alimentos, proteger-nos de animais]]>

A evolução do ser humano como espécie sempre está atrelada a uma conquista “tecnológica”. Ao dominar o fogo conseguimos amenizar o frio, cozinhar alimentos, proteger-nos de animais ferozes, moldar o ferro, o barro e a argila. Ao dominar o plantio das sementes, fixamo-nos na terra, criamos a agricultura, deixamos de ser nômades, facilitamos o surgimento das cidades. Ao descobrir a escrita facilitamos a comunicação, criamos um meio de perpetuar a cultura. Ao descobrir a prensa, criamos livros, jornais e revistas. Ao criar a roda, possibilitamos o surgimento de novos meios de locomoção. Ao criar a máquina a vapor, desenvolvemos locomotivas e navios. Ao criar o telégrafo, facilitamos a comunicação, encurtamos distâncias. Ao dominar a eletricidade, criamos a lâmpada, desenvolvemos a televisão, o rádio, a sétima arte, etc.

A cada nova descoberta evoluímos. De hominídeos para Homo sapiens sapiens, uma jornada de pelo menos seis milhões de anos. Uma conquista gera outra; um conhecimento gera outro.

Esse impulso extraordinário de criatividade e curiosidade leva o homem a ser descobridor de mistérios. O possível está em sua mente – basta pensar algo novo que se tornará realidade concreta em algum momento. As histórias em quadrinhos, as séries de animações para a TV, os livros de ficção científica, foram grandes precursores, profetizaram um amanhã que hoje desfrutamos. A WEB, a internet, já tinham sido vislumbradas muitos anos antes do seu aparecimento, incrivelmente, pelos “Jetsons”, ou pelos tripulantes da “Enterprise”.

O computador (1944) e a Web (1993) nos transformaram. O uso da internet, desde a sua comercialização na década de 1990, foi mudando o jeito de como fazemos diversas coisas, desde a nossa forma de comunicação até o nosso trabalho.

Quando comemoramos o Dia Mundial da Internet estabelecido pela ONU no ano de 2006, convém refletirmos sobre os avanços que a inteligência humana nos proporciona. A data em questão – 17 de maio – é, também, o Dia Internacional das Telecomunicações, criado por conta da expansão do telégrafo em 1865.

O outro lado da medalha: a maravilha da internet esconde perigos. Cito alguns cuidados que devem ser tomados pelas famílias para preservar os filhos de riscos ao navegar pela internet:

  1. Tomar cuidado com a exposição das crianças nas fotos: existem pessoas que encontram esses conteúdos e os divulgam em sites de pedofilia ou de prostituição infantil. Restringir suas redes sociais para que somente amigos possam ver suas publicações. Instrua seus filhos a não usar a webcam e não trocar fotos ou informações sobre a família.
  2. Proteger as informações pessoais: os golpistas podem se aproveitar dos dados, independentemente da fonte. Tome cuidado ao expor o endereço, o nome da escola dos seus filhos, os locais que a família costuma frequentar. É importante orientar a criança a não compartilhar informações pessoais na internet, nem se cadastrar em sites desconhecidos.
  3. Monitorar o acesso dos filhos à internet: as crianças não dispõem de repertório suficiente para escolherem sozinhas o que pode ser visto na internet e, por isso, é importante monitorar o acesso. A família deve acompanhar essa interação para garantir que a criança entre em contato apenas com o que é saudável. Dependendo da idade dos filhos, é melhor que eles acessem a internet apenas em locais visíveis, o que torna mais fácil acompanhar o que está sendo feito e visto. Ainda que esteja em um site ou canal direcionado a crianças, é importante ter a presença de um adulto, pois é possível que apareçam propagandas e outros conteúdos que tirem a criança da página, levando a locais inapropriados.
  4. Verificar com quais pessoas as crianças têm contato on-line: infelizmente, nem todos são verdadeiros no ambiente das redes sociais; muitos adultos se fazem passar por crianças e procuram outras para conversar. É importante orientar as crianças a conversarem apenas com familiares e amigos conhecidos. É fundamental que elas não troquem mensagens com estranhos.
  5. Avaliar o tipo de conteúdo que os filhos estão consumindo: talvez os materiais acessados não sejam ofensivos ou perigosos, mas também podem não ser relevantes ou interessantes para o desenvolvimento das crianças. Cuidado com jogos e desafios que circulam na rede.
  6. Estabelecer um limite de tempo para o uso da internet: o desafio é saber equilibrar o tempo de exposição a esses conteúdos, de maneira que não prejudique o desenvolvimento e as demais atividades que precisam ser feitas durante o dia. É interessante estabelecer quanto tempo seus filhos podem utilizar o celular, o computador e outros dispositivos. O acesso às tecnologias é importante, mas é preciso ter tempo para as brincadeiras com os amigos, as atividades ao ar livre e outras diversões.
  7. Dialogar sobre os hábitos: o diálogo em casa é eficiente e contribui para que as crianças compreendam os riscos que a internet oferece e saibam lidar com situações em que os responsáveis não estão próximos. O diálogo cria uma relação de confiança.

Riscos ainda mais difíceis de serem avaliados estão ocultos no que chamamos de Inteligência Artificial (IA). Não foi à toa que uma plêiade de pensadores de nomeada pediu, recentemente, uma pausa por seis meses para avaliação sobre o desenvolvimento das pesquisas com IA (ChatGPT – robô virtual que responde a várias perguntas, realiza tarefas por escrito, conversa de maneira fluída e até dá conselhos sobre problemas pessoais). Que “mundo novo” estamos criando, só o futuro nos esclarecerá. Hoje, o medo pode nos paralisar, a arrogância pode nos destruir, a moderação e a ética, entretanto, podem nos amparar. Uma certeza podemos ter – a tecnologia sempre continuará nos transformando.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Um “caldeirão de palavras” https://spsp.org.br/um-caldeirao-de-palavras/ Thu, 30 Jun 2022 11:55:27 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33155 ]]>

Instagram, Facebook, YouTube, WhattsApp, Tik Tok, Messenger, Linkedin, Pinterest, Twitter, Snapchat, Wechat, Douyin, Sina Weibo, Telegram, Kuaishou, Reddit… Estas são algumas das mais famosas redes sociais espalhadas pelo mundo. Desde meados da década de 1990, a internet teve um enorme impacto sobre a cultura e o comércio mundiais, provindos pelo aumento da comunicação através de e-mailsmensagens instantâneas, “telefonemas” VoIP, chamadas de vídeo interativas, com a World Wide Web e seus fóruns de discussãoblogsredes sociais e sites de compras online. Quantidades crescentes de dados são transmitidos em velocidades cada vez mais elevadas.

O mundo ficou menor por causa deste extraordinário meio de comunicação entre os seres humanos.  Claro que há sempre o “lado bom e o lado ruim”.  Não é o escopo deste artigo fazer uma análise aprofundada sobre o tema. Queremos ressaltar apenas alguns aspectos que não podemos relegar para um segundo plano:

  1. O bom uso dessa ferramenta requer maturidade emocional, por isso, crianças, em especial, necessitam ser “educadas” no uso dessa ferramenta. Isso pressupõe que o celular, um tablet ou um computador não são “brinquedos”. São ferramentas educacionais, instrumentos de interação social, linguagem de inserção no mercado de trabalho.
  2. As redes sociais são um grande “espaço público”. Sua privacidade está exposta. Nessa ágora moderna, cada imagem ou palavra, ganha status de “eternidade”. Elas são “armas” ou “armadilhas”, se usadas inadequadamente.
  3. A omissão de pais ou responsáveis na supervisão e na educação de seus filhos para com o uso dessa ferramenta é inadmissível. O preço dessa omissão pode ser muito alto.
  4. A adicção por Internet é a nova doença deste século, isto porque as mídias sociais têm o mesmo potencial para viciar que as drogas, o álcool e o cigarro. Nos Estados Unidos, é empregado o termo fear of missing out que, em português, significa “medo de ficar de fora”. Por isso, as pessoas passam horas em “atualizações de status”, um hábito que, além de prejudicial à mente, nada lhes acrescenta. Os efeitos do consumo descontrolado de redes sociais não se limitam somente ao gasto de um tempo que poderia ser dedicado a outras tarefas. Mais do que isso: se não tratada, a adicção à Internet resulta em prejuízos emocionais significativos e pode aumentar a vulnerabilidade aos seguintes problemas: impulsividade; ansiedade excessiva; transtornos de humor; consumo de substâncias; hostilidade e comportamento agressivo; transtorno de déficit de atenção e hiperatividade; solidão, baixa autoestima e tendência a atitudes suicidas; cyberbullying.
  5. O uso saudável das mídias sociais envolve os seguintes cuidados:  limitar o tempo de exposição; priorizar páginas que agreguem valor; evitar a exibição de intimidades na Internet; filtrar a fonte e avaliar a veracidade das informações divulgadas; não espalhar memes nem conteúdos de cunho preconceituoso ou imoral; estimular o respeito ao próximo e não disseminar o cyberbullying; monitorar os sites que as crianças e adolescentes costumam visitar.

Dia 30 de junho se comemora o Dia Mundial das Redes Sociais.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: 9k_gCYLoH2g_jeremy-bezanger I unsplash

 

 

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“Aldeia global” e o “Admirável mundo novo”  https://spsp.org.br/aldeia-global-e-o-admiravel-mundo-novo/ Tue, 17 May 2022 18:22:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32523 No dia 17 de maio se comemora o Dia Mundial da Internet - a rede mundial de comunicação que tornou a previsão de Marsh Mcluhan ainda mais verdadeira: o mundo virou uma aldeia global. Tudo parece online, próximo e instantâneo]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 17/05/2022


No dia 17 de maio se comemora o Dia Mundial da Internet – a rede mundial de comunicação que tornou a previsão de Marsh Mcluhan ainda mais verdadeira: o mundo virou uma aldeia global. Tudo parece online, próximo e instantâneo. A data visa trazer uma reflexão sobre as potencialidades e desafios das novas tecnologias na vida dos cidadãos deste Admirável mundo novo. Foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em janeiro de 2006 e é também conhecida como o Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação.

A internet originou-se na segunda guerra mundial e, nos finais dos anos 60, tinha como objetivo criar um canal de comunicação restrito aos serviços militares norte-americanos.

O advento da internet originou uma grande mudança no cotidiano das pessoas, na forma como comunicam entre si, como procuram e recebem informação, compram bens e serviços, entre muitas outras ações do dia a dia.

Assim como a faca que corta o bolo pode servir para matar alguém, a internet tem seus convenientes e maravilhas, seus inconvenientes e mazelas. Os pais devem alertar os filhos sobre os riscos que esta ferramenta extraordinária da comunicação humana pode representar – é importante e necessário conversar sobre o “lado escuro da internet”, alertá-los sobre as armadilhas e as possíveis consequências. Esclarecê-los que há gente de má índole pescando nesse oceano de comunicação querendo fisgá-los, nem sempre com boas intenções – muito cuidado com o phishing.

É necessário diálogo e vigilância, estabelecer regras claras e limites nítidos para o uso da internet, como tempo de uso (o excesso de horas de navegação é prejudicial à saúde), horário para utilização (lembrem que os pedófilos gostam da noite para “dar o bote”).

 

Os alertas que se seguem são importantes para passar e reforçar para os filhos:

  1. Pensar antes de postar: ensinem seus filhos a pensar antes de postar (para não se arrependerem mais tarde), especialmente se for algo que ofenda os outros. Façam com que eles entendam que sempre há consequências para suas ações, mesmo que sejam “apenas” online. O limite da liberdade de expressão é sempre o dano que causa ao outro.
  2. Adicionar desconhecidos nas redes sociais: a invasão da privacidade é um grande risco. Ao adicionar um desconhecido a seu Facebook ou Instagram, a criança e o adolescente permitem que ele tenha acesso a informações que colocam na página. Assim, por meio de fotos e publicações, é fácil descobrir onde estudam, em que bairro moram, qual é a profissão dos pais e outros hábitos da família.
  3. Desenvolver relacionamento com estranhos: os predadores virtuais são capazes de reconhecer vítimas indefesas e entrar em contato com elas por meio de mensagens instantâneas e salas de bate-papo. Após a primeira conversa, passam a seduzi-las com atenção, ternura e gentileza. Assim, especialmente as crianças, passam a ver no indivíduo um amigo e confidente, o que pode levar a encontros perigosos.
  4. Acessar links suspeitos: para os adultos, pode parecer óbvio que links que prometem coisas surpreendentes são falsos, mas para as crianças, que são mais ingênuas, nem sempre. Ao clicar neles, seu filho poderá deixar o acesso livre para hackers invadirem o dispositivo eletrônico e terem acesso a uma série de informações da família.
  5. Ser vítima do cyberbullying: que é uma forma de assédio e agressão que ocorre entre colegas e pares da mesma faixa etária; utilizam mensagens ou imagens cruéis, para que sejam vistas por mais pessoas. A rápida propagação e sua permanência na internet aumentam e prolongam a agressão contra a vítima, podendo levar a sérias consequências psicológicas. O happy slapping é uma variante de cyberbullying, que ocorre quando uma ou várias pessoas agridem um indivíduo enquanto o incidente é gravado para ser transmitido nas redes sociais. O objetivo é “tirar sarro” da vítima.
  1. Abuso sexual de crianças e adolescentes na internet ou grooming: esta ameaça refere-se a todas as formas de abuso sexual facilitadas por tecnologias da informação e/ou divulgadas através da mídia online. Inclui o uso de imagens ou materiais que documentam a exploração sexual com a intenção de produzir, disseminar, comprar e vender. Outra modalidade é o sexting – definidocomo a autoprodução de imagens sexuais, com a troca de imagens ou vídeos com conteúdo sexual, por meio de telefones e/ou da internet (mensagens, e-mails, redes sociais). Também pode ser considerado como uma forma de assédio sexual, em que uma criança ou um adolescente é pressionado a enviar uma foto para o “parceiro”, que a propaga sem o seu consentimento. É um caminho para a sextorsão (sextortion) – chantagear crianças ou adolescentes por meio de mensagens intimidadoras e ameaçar propagar imagens sexuais ou vídeos gerados pelas próprias vítimas. A intenção do extorsionista é continuar com a exploração sexual e/ou ter relações sexuais com a vítima.
  2. Não comprar pelo aplicativo sem a aprovação dos pais: embora a maioria dos jogos possa ser baixada gratuitamente, há alguns que estimulam as compras no aplicativo para obter reforços ou atingir novos níveis. Orientem seus filhos a primeiro pedir permissão, se quiserem fazer compras ou, melhor ainda, removam a possibilidade de fazer compras online, introduzindo restrições em seus dispositivos.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: natasha fedorova | depositphotos.com

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Um alerta sobre a trend da vez: dry-scooping https://spsp.org.br/um-alerta-sobre-a-trend-da-vez-dry-scooping/ Fri, 22 Oct 2021 14:57:23 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30158 A palavra “trend”, ou tendência, seria um “Desafio” que viraliza nas redes sociais, estimulando outros usuários a repetir tal comportamento. A tendência da vez, na rede social TikTok, é conhecida como “dry-scooping”. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 22/10/2021


A palavra “trend”, ou tendência, seria um “Desafio” que viraliza nas redes sociais, estimulando outros usuários a repetir tal comportamento.

A tendência da vez, principalmente na rede social TikTok, é conhecida como “dry-scooping”. Tal desafio consiste em ingerir o pó para preparo de “shakes” pré-treino sem diluí-lo. Supostamente, essa prática traria benefícios, uma vez que a ingestão do pó seco promove uma absorção mais rápida dos componentes do produto, potencializando seus efeitos. E é exatamente aí que mora o perigo.

Os produtos pré-treino, em geral, contêm grandes quantidades de aminoácidos e cafeína. Com a absorção mais rápida do pó, além de aumentar os riscos de problemas renais, os efeitos colaterais da cafeína ficam mais intensos, causando crises de ansiedade, cefaleia, náuseas, dor no peito, taquicardia e arritmias. E se já não bastasse isso, existe o risco de asfixia e sufocação pela aspiração do pó.

Se lembrarmos que tais “shakes” pré-treino são direcionados ao público adulto, fica claro que seu uso inadequado se torna ainda mais perigoso se praticado por adolescentes e crianças, frequentadores assíduos de redes sociais como o TikTok e muito influenciados pelos “Desafios”.

A Academia Americana de Pediatria já se pronunciou a respeito dos riscos do “dry-scooping” e a SPSP reitera esse alerta aos pais, informando os riscos de tal prática e lembrando que o consumo de produtos pré e pós-treinos devem ser feitos sempre sob orientação médica ou de nutricionista.

Aproveitamos a oportunidade também para lembrar que todo acesso de crianças à internet deverá ter a supervisão de um adulto capaz de filtrar e orientar sobre os conteúdos presentes na rede. E reforçar aos pais de adolescentes que estar disponível ao diálogo é muitas vezes a melhor forma de prevenção.

Relatora:
Regina Carnaúba
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: taras malyarevich | depositphotos.com

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Elsa satânica? Um alerta sobre segurança da criança na internet https://spsp.org.br/elsa-satanica-um-alerta-sobre-seguranca-da-crianca-na-internet/ Thu, 25 Mar 2021 19:20:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=27883 Apesar de redes sociais como Tik Tok, Instagram e Snapchat serem proibidas para menores de 13 anos, sabemos que o acesso a essas plataformas é de difícil controle, mesmo as crianças não tendo contas. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 25/03/2021

Apesar de redes sociais como Tik Tok, Instagram e Snapchat serem proibidas para menores de 13 anos, sabemos que o acesso a essas plataformas é de difícil controle. Mesmo que as crianças não tenham contas, podem chegar até elas vídeos vindos dessas mídias, inclusive através de mensagens por WhatsApp.

Um comediante, cujo foco é o público adulto, fez vídeos utilizando um filtro da “princesa Elsa” dirigindo-se a crianças, incitando brincadeiras de cunho “satânico”. Nesse caso, o autor dos vídeos foi intimado a retirar esse material do ar.

Porém, trata-se de uma questão recorrente. Já vivemos outras trends como Momo, Baleia Azul e jogo de asfixia. Mídias sociais não são para crianças: elas não têm maturidade nem discernimento para escolherem um conteúdo adequado, estão sujeitas a “sugestões” que o próprio aplicativo faz para elas e, muitas vezes, sofrem consequências fatais por sua imaturidade.

Especialmente em um ano no qual crianças e adolescentes foram “jogados para as telas”, a supervisão dos pais em relação ao conteúdo consumido é essencial.

Seguem algumas dicas para monitorar o uso de aplicativos pelas crianças e adolescentes:

  1. Eduque-se e conheça os aplicativos: entenda como funcionam, veja quem as crianças seguem e por quem são seguidas, cheque as configurações de privacidade.
  2. Mantenha “combinados” em relação ao uso, antes de baixar os aplicativos.
  3. Explique que tudo que se posta ou que se repassa poderá ter consequências persistentes.
  4. Comunique-se com frequência e monitore as atividades das mídias.

É preciso consciência das famílias sobre os perigos constantes que o mundo da internet oferece às crianças.


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Relatora:
Luciana Issa
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: natacha fedorova | depositphotos.com

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Segurança de crianças e adolescentes na internet https://spsp.org.br/seguranca-de-criancas-e-adolescentes-na-internet-2/ Mon, 30 Sep 2013 14:52:42 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=197 A influência da mídia na vida de todos nós e, principalmente, na das crianças e adolescentes, é muito grande. Inicialmente o problema relacionava-se à televisão, mas com o advento da Internet, esta passou, também, a ocupar lugar de destaque como veículo formador de opiniões. Todos os dias milhares de crianças e adolescentes surfam pela World Wide Web e a cada um cabe escolher aquilo que deseja ler, ver ou ouvir, não se controlando e nem é possível fazê-lo, a qualidade de tudo que é publicado. As crianças podem desfrutar de grandes benefícios ao usar a rede como rica ferramenta educacional e também de lazer sadio, mas são justamente elas, por serem crédulas e curiosas, as presas mais fáceis de criminosos e exploradores de toda sorte. Os adolescentes, muito mais que as crianças menores, constituem um grupo de risco particularmente importante visto estarem expostos a discussões on-line, onde buscam novos relacionamentos e, até mesmo, atividade sexual, além de terem uma supervisão muito mais difícil. A falsa sensação de segurança que o anonimato propicia faz com que os diálogos frequentemente se tornem mais pessoais e íntimos do que se tornariam numa conversa face a face com estranhos. O fato de que centenas de crimes têm sido cometidos on-line não constitui razão suficiente para tentar impedir o acesso das crianças à rede – elas irão usar, e muito, as suas habilidades no computador em atividades futuras, parecendo ser uma estratégia muito mais interessante e eficaz, instruí-las quanto aos benefícios e perigos que o cyberspace oferece, do mesmo modo que se ensinam medidas de segurança para aquelas que vão à escola ou simplesmente brincar na rua. Pais modernos devem estar a par dos riscos a que seus filhos ficam expostos ao surfar pela Internet: 1. Exposição a material inapropriado: sexual (milhares de fotos, vídeos mostrando toda sorte de perversões), violento, odioso, que encorajam atividades perigosas ou ilegais, ideológico, vulgar etc. 2. Violência física: a criança pode passar informações on-line que coloquem em risco a sua segurança e a de sua família, por exemplo, fornecendo dados pessoais como seu nome, colégio onde estuda, endereço, profissão dos pais, características de sua casa, marcando encontros etc. 3. Legais e financeiros: há também a possibilidade de cometer crimes como realizar compras com o cartão de crédito, movimentar aplicações e contas bancárias, participar de leilões, jogar em cassinos virtuais, invadir sites, colar em provas etc. 4. Oportunidade para experimentar jogos eletrônicos extremamente violentos: e inclusive de fazer download de versões para demonstração. 5. Exposição à comunidade: embora a maioria das pessoas navegando pela WWW seja bem intencionada, muitos não o são, podendo tratar-se de ladrões, assassinos, traficantes e usuários de drogas, membros de seitas e ordens diversas, de gangs, que exploram a violência, o sexo, o jogo, as drogas e os vícios em geral. Particularmente importante é o grupo dos pedófilos cuja ação através da Internet é extremamente grande: a pedofilia é uma forma de exteriorização pervertida da sexualidade humana, onde as características da infância constituem atração sexual, para um adulto ou adolescente, homem ou mulher, pertencente a todas as camadas sociais e com maturidade psicossexual mais adiantada que a de sua vítima. Esta atração compulsiva e incoercível leva o(a) pedófilo(a) à busca constante de situações que o(a) coloque em contato direto com crianças ou pré-adolescentes, de idades pré-eleitas como de preferência, para transformá-los em objetos de gratificação sexual. 6. Exposição ao SEXTING: forma de comunicação eletrônica que vem crescendo entre os adolescentes e, muitas vezes, entre crianças menores, que usam seus aparelhos eletrônicos, como celulares, câmeras fotográficas, emails, comunicadores instantâneos e sites de relacionamento, para produzir e enviar fotos sensuais ou eróticas de seu corpo, ou mesmo textos eróticos com convites e insinuações sexuais. Muitos adolescentes já envolvidos pelo abuso sexual usam desta forma de contato com outras crianças e adolescentes para aliciar novas vítimas para seus abusadores ou exploradores sexuais. Os pais devem estar atentos a alguns sinais de alarme que podem sugerir o uso indevido da Internet: 1. Uso excessivo, especialmente em altas horas da noite; 2. Uso de chat – salas de conversação – sem moderadores e sobre temas obscuros. Estas salas de conferência oferecem grande perigo por expor a criança a trocas não desejadas e imprevisíveis; 3. Download – baixa para o computador – de grande quantidade de arquivos de figuras, provavelmente, pornográficas; 4. Encontros com pessoas estranhas sem uma explicação razoável; 5. Quando conectado o filho procura esconder ou fechar rapidamente a tela quando alguém se aproxima; 6. Evidências de que conheceu alguém on line , mas prefere não falar deste novo “amigo(a)”. Outras evidências podem levar a suspeita de que uma criança ou adolescente possa estar sofrendo alguma forma de abuso, aqui entendido como qualquer forma de maltrato físico, emocional ou sexual – como o aparecimento de: Agressividade excessiva, desproporcional ao momento vivido; Marcas de chupadas e mordidas e outras lesões de pele auto-infligidas; Crises histéricas; Distúrbios de fala e de sono; Sentimentos negativos em relação a si próprio; Faltas à escola ou queda abrupta de rendimento; Comportamento destrutivo; Dificuldade em permanecer sozinho na companhia de algumas pessoas; Mudanças súbitas de personalidade; Utilização de termos pouco usuais ou novos nomes para partes do corpo. * Lembrar que alguns destes sinais e sintomas ocorrem em outras situações como em usuários de drogas, por exemplo. O que os pais podem fazer: 1. Ensinar aos seus filhos os riscos que eles correm usando a Internet, ao marcar encontros com desconhecidos, ao fornecer informações pessoais, ao frequentar salas de conversação etc. 2. Navegar juntamente com eles, orientando-os sobre aquilo que está acontecendo e para isso é necessário que se interessar pela Internet e parar de achar que ela é coisa para a nova geração. 3. Manter o computador em uma sala de uso comum da casa, limitando o tempo de sua utilização. 4. Controlar o tempo que seus filhos passam on-line. 5. Verificar por onde seus filhos têm passeado quando estão sozinhos, o que pode ser feito consultando o histórico de acessos. 6. Escolher um...]]>

medium_8403389430A influência da mídia na vida de todos nós e, principalmente, na das crianças e adolescentes, é muito grande. Inicialmente o problema relacionava-se à televisão, mas com o advento da Internet, esta passou, também, a ocupar lugar de destaque como veículo formador de opiniões. Todos os dias milhares de crianças e adolescentes surfam pela World Wide Web e a cada um cabe escolher aquilo que deseja ler, ver ou ouvir, não se controlando e nem é possível fazê-lo, a qualidade de tudo que é publicado.

As crianças podem desfrutar de grandes benefícios ao usar a rede como rica ferramenta educacional e também de lazer sadio, mas são justamente elas, por serem crédulas e curiosas, as presas mais fáceis de criminosos e exploradores de toda sorte. Os adolescentes, muito mais que as crianças menores, constituem um grupo de risco particularmente importante visto estarem expostos a discussões on-line, onde buscam novos relacionamentos e, até mesmo, atividade sexual, além de terem uma supervisão muito mais difícil. A falsa sensação de segurança que o anonimato propicia faz com que os diálogos frequentemente se tornem mais pessoais e íntimos do que se tornariam numa conversa face a face com estranhos.

O fato de que centenas de crimes têm sido cometidos on-line não constitui razão suficiente para tentar impedir o acesso das crianças à rede – elas irão usar, e muito, as suas habilidades no computador em atividades futuras, parecendo ser uma estratégia muito mais interessante e eficaz, instruí-las quanto aos benefícios e perigos que o cyberspace oferece, do mesmo modo que se ensinam medidas de segurança para aquelas que vão à escola ou simplesmente brincar na rua.

Pais modernos devem estar a par dos riscos a que seus filhos ficam expostos ao surfar pela Internet:

1. Exposição a material inapropriado: sexual (milhares de fotos, vídeos mostrando toda sorte de perversões), violento, odioso, que encorajam atividades perigosas ou ilegais, ideológico, vulgar etc.

2. Violência física: a criança pode passar informações on-line que coloquem em risco a sua segurança e a de sua família, por exemplo, fornecendo dados pessoais como seu nome, colégio onde estuda, endereço, profissão dos pais, características de sua casa, marcando encontros etc.

3. Legais e financeiros: há também a possibilidade de cometer crimes como realizar compras com o cartão de crédito, movimentar aplicações e contas bancárias, participar de leilões, jogar em cassinos virtuais, invadir sites, colar em provas etc.

4. Oportunidade para experimentar jogos eletrônicos extremamente violentos: e inclusive de fazer download de versões para demonstração.

5. Exposição à comunidade: embora a maioria das pessoas navegando pela WWW seja bem intencionada, muitos não o são, podendo tratar-se de ladrões, assassinos, traficantes e usuários de drogas, membros de seitas e ordens diversas, de gangs, que exploram a violência, o sexo, o jogo, as drogas e os vícios em geral. Particularmente importante é o grupo dos pedófilos cuja ação através da Internet é extremamente grande: a pedofilia é uma forma de exteriorização pervertida da sexualidade humana, onde as características da infância constituem atração sexual, para um adulto ou adolescente, homem ou mulher, pertencente a todas as camadas sociais e com maturidade psicossexual mais adiantada que a de sua vítima. Esta atração compulsiva e incoercível leva o(a) pedófilo(a) à busca constante de situações que o(a) coloque em contato direto com crianças ou pré-adolescentes, de idades pré-eleitas como de preferência, para transformá-los em objetos de gratificação sexual.

6. Exposição ao SEXTING: forma de comunicação eletrônica que vem crescendo entre os adolescentes e, muitas vezes, entre crianças menores, que usam seus aparelhos eletrônicos, como celulares, câmeras fotográficas, emails, comunicadores instantâneos e sites de relacionamento, para produzir e enviar fotos sensuais ou eróticas de seu corpo, ou mesmo textos eróticos com convites e insinuações sexuais. Muitos adolescentes já envolvidos pelo abuso sexual usam desta forma de contato com outras crianças e adolescentes para aliciar novas vítimas para seus abusadores ou exploradores sexuais.

Os pais devem estar atentos a alguns sinais de alarme que podem sugerir o uso indevido da Internet:

1. Uso excessivo, especialmente em altas horas da noite;
2. Uso de chat – salas de conversação – sem moderadores e sobre temas obscuros. Estas salas de conferência oferecem grande perigo por expor a criança a trocas não desejadas e imprevisíveis;
3. Download – baixa para o computador – de grande quantidade de arquivos de figuras, provavelmente, pornográficas;
4. Encontros com pessoas estranhas sem uma explicação razoável;
5. Quando conectado o filho procura esconder ou fechar rapidamente a tela quando alguém se aproxima;
6. Evidências de que conheceu alguém on line , mas prefere não falar deste novo “amigo(a)”.

Outras evidências podem levar a suspeita de que uma criança ou adolescente possa estar sofrendo alguma forma de abuso, aqui entendido como qualquer forma de maltrato físico, emocional ou sexual – como o aparecimento de:

  • Agressividade excessiva, desproporcional ao momento vivido;
  • Marcas de chupadas e mordidas e outras lesões de pele auto-infligidas;
  • Crises histéricas;
  • Distúrbios de fala e de sono;
  • Sentimentos negativos em relação a si próprio;
  • Faltas à escola ou queda abrupta de rendimento;
  • Comportamento destrutivo;
  • Dificuldade em permanecer sozinho na companhia de algumas pessoas;
  • Mudanças súbitas de personalidade;
  • Utilização de termos pouco usuais ou novos nomes para partes do corpo.

* Lembrar que alguns destes sinais e sintomas ocorrem em outras situações como em usuários de drogas, por exemplo.

O que os pais podem fazer:

1. Ensinar aos seus filhos os riscos que eles correm usando a Internet, ao marcar encontros com desconhecidos, ao fornecer informações pessoais, ao frequentar salas de conversação etc.

2. Navegar juntamente com eles, orientando-os sobre aquilo que está acontecendo e para isso é necessário que se interessar pela Internet e parar de achar que ela é coisa para a nova geração.

3. Manter o computador em uma sala de uso comum da casa, limitando o tempo de sua utilização.

4. Controlar o tempo que seus filhos passam on-line.

5. Verificar por onde seus filhos têm passeado quando estão sozinhos, o que pode ser feito consultando o histórico de acessos.

6. Escolher um provedor que ofereça recursos para bloquear áreas não desejadas.

7. Conhecer e instalar softwares que permitem controlar e limitar o acesso a sites inconvenientes.

8. Considerar compartilhar o seu e-mail com seus filhos.

9. Postergar a doação de telefones celulares, escolhendo modelos com poucos recursos.

Regras básicas para os filhos:

  • Nunca fornecer a sua senha para outras pessoas conhecidas ou não;
  • Jamais revelar informações pessoais como seu nome, onde você mora ou os nomes de seus pais e irmãos, o número do seu telefone e qual é sua escola;
  • Jamais enviar fotografias suas ou de sua família a desconhecidos através da Internet;
  • Não dar prosseguimento a conversas que o façam sentir-se desconfortável ou que se tornaram demasiadamente pessoais.
  • Desconfiar da insistência de algumas pessoas em saber detalhes de sua vida, como gostos, lugares que frequenta, informando seus pais se isto ocorrer;
  • Informe-os também se receber comunicações ameaçadoras ou com linguajar baixo;
  • Nunca concordar em se encontrar com alguém que você conheceu através da Internet sem o conhecimento de seus pais.
  • Não aceitar produtos ou oportunidades oferecidos através da Internet.
  • Nunca preencher cadastros on-line – questionários com informações pessoais – sem a aprovação de seus pais;
  • Lembrar-se de que as pessoas na Internet podem ser qualquer um, em qualquer lugar e que nem sempre são o que e quem dizem ser;
  • Cuide de você e de sua família.

* Sugere-se imprimir estas regras e afixá-las ao computador, para que a todo momento sejam lembradas.

O que se deve saber sobre a Lei brasileira a respeito da pedofilia e abuso sexual de crianças e adolescentes.

A pedofilia no Brasil não tem tipificação de crime, mas sim a violência sexual que a caracteriza e, pela nova lei que trata dos crimes contra dignidade sexual, de nº12 015 de 2009, entre outros artigos, “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos”, é considerado estupro! Esta lei cria a figura do vulnerável, que seriam aqueles menores de 14 anos, portadores de algum tipo de deficiência ou impedimento para sua defesa.

Os pedófilos eventualmente presos devem ser monitorados continuamente após a libertação, pois pelo caráter compulsivo e obsessivo do distúrbio que apresentam, tendem a continuar sua atuação por toda a vida.

Outras leis estão sendo propostas para tentar abarcar os novos meios para aliciamento e abuso de crianças e adolescentes, como as que controlam sites e acessos à pornografia infantil via internet.

Proteger é preciso: denuncie

Em situações em que se suspeite de que alguma criança ou adolescente esteja sendo vítima de alguma forma de violência, notifique as autoridades competentes para desencadear a avaliação desta situação e também para promovera as medidas de tratamento e proteção necessárias.

Rede INSAFE – http://www.diadainternetsegura.org.br/site/sid2012
SaferNet Brasil – http://www.safernet.org.br/site/denunciar
Comitê Gestor da Internet no Brasil – http://www.cgi.br
Secretaria de Direitos Humanos – http://www.sedh.gov.br/
Telefone nacional disque denúncia: 100

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Relator:
Dr. Ulysses Dória Filho
Membro da Comissão de Relações Comunitárias da SPSP (2010-2012); Assessor de Internet da SPSP (2004-2006).

Publicado no site da SPSP em 25/09/2012.
photo credit: Nicola since 1972 via photopin cc

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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