Infecções – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 28 Apr 2026 19:18:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Infecções – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Semana Mundial das Imunodeficiências Primárias: o alerta que salva vidas https://spsp.org.br/semana-mundial-das-imunodeficiencias-primarias-o-alerta-que-salva-vidas/ Thu, 23 Apr 2026 17:45:11 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=56521 Aproveitando a Semana Mundial de Conscientização, que ocorre de 22 a 29 de abril, é fundamental discutir abertam]]>

Aproveitando a Semana Mundial de Conscientização, que ocorre de 22 a 29 de abril, é fundamental discutir abertamente os Erros Inatos da Imunidade (EII), historicamente conhecidos como Imunodeficiências Primárias (IDPs). A informação é a ferramenta mais poderosa para tirar milhares de brasileiros da invisibilidade e garantir o tratamento adequado.

O que são, afinal, as Imunodeficiências Primárias?

As IDPs são condições genéticas em que o indivíduo nasce com defeitos no sistema imunológico. Atualmente, existem mais de 500 tipos identificados. Enquanto alguns casos permitem uma vida quase normal até a fase adulta, outros se manifestam de forma gravíssima logo nos primeiros dias de vida, exigindo intervenção imediata para evitar sequelas permanentes.

Os sinais de alerta – quando a dúvida vira diagnóstico:

O grande desafio clínico é que essas doenças agem como “camaleões”, escondendo-se atrás de infecções que parecem comuns. No entanto, existe um limite entre a frequência esperada de doenças na infância e o que deve ser considerado preocupante. Pais e profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais de alerta estabelecidos pela Fundação Jeffrey Modell:

  • Duas ou mais pneumonias no último ano;
  • Quatro ou mais novas otites (infecções de ouvido) em um ano;
  • Sinusites graves e refratárias ao tratamento;
  • Estomatites persistentes ou infecções por fungos na boca e na pele;
  • Uso de antibióticos por dois meses ou mais, sem resposta eficaz;
  • Interrupção no crescimento ou ganho de peso em bebês;
  • Abscessos de repetição na pele ou órgãos internos;
  • Necessidade de antibióticos venosos para tratar infecções que deveriam ser simples;
  • Histórico familiar de imunodeficiência;
  • Ocorrência de uma única infecção grave (como meningite, osteomielite ou sepse).

O tamanho do problema no Brasil:

As estatísticas revelam um cenário preocupante: estima-se que 170 mil brasileiros vivam com algum erro inato da imunidade, mas a vasta maioria — entre 70% e 90% — ainda não possui o diagnóstico correto. Sem saber da condição, esses pacientes enfrentam internações sucessivas e sofrem com sequelas irreversíveis nos pulmões ou ouvidos, quando um diagnóstico precoce poderia mudar drasticamente esse desfecho.

Idade não é barreira:

Diferente do que muitos acreditam, as IDPs não são restritas à idade pediátrica. Determinados defeitos genéticos tornam-se evidentes apenas na adolescência ou fase adulta. Portanto, adultos que apresentem infecções respiratórias graves de repetição também devem buscar investigação especializada com um imunologista.

Diagnóstico e tratamento – existe luz no fim do túnel:

Embora as sequelas da doença sejam severas, o caminho para a identificação é viável e muitas vezes se inicia com exames de sangue acessíveis, como o hemograma e a dosagem de anticorpos (imunoglobulinas). Uma vez diagnosticado, o tratamento evoluiu significativamente:

  • Reposição de imunoglobulina: Fornecimento de anticorpos via infusão (venosa ou subcutânea) para quem não os produz;
  • Antibióticos profiláticos: Uso de doses baixas para prevenir a instalação de bactérias;
  • Transplante de Medula Óssea (TMO): Indicado para casos gravíssimos (como os “bebês da bolha”), podendo representar a cura definitiva ao reiniciar o sistema imunológico.

O poder do diagnóstico precoce:

O diagnóstico correto transforma a vida do paciente, evitando a evasão escolar, aposentadorias precoces por invalidez e o isolamento social. Com o acompanhamento adequado, a pessoa com IDP pode ter uma vida plena, frequentando a escola, trabalhando e praticando esportes.

Esta semana de conscientização visa dar voz a quem está cansado de sempre estar doente. Se você identificou esses sinais em si mesmo ou em alguém próximo, procure ajuda especializada.

Divulgar essa informação é um ato de solidariedade que salva vidas.

 

Relator:
Pérsio Roxo Junior
Secretário do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP


  

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O papel do médico na prevenção antes da concepção https://spsp.org.br/o-papel-do-medico-na-prevencao-antes-da-concepcao/ Tue, 03 Mar 2026 11:38:20 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55266 O Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, instituído em 3 de março, é uma oportunidade estratégica para reflexão e ação na prática médica. Embora muitos defeitos]]>

O Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, instituído em 3 de março, é uma oportunidade estratégica para reflexão e ação na prática médica. Embora muitos defeitos congênitos tenham base genética ou multifatorial, uma parcela significativa deles pode ser prevenida ou ter seu risco reduzido por meio de intervenções realizadas antes mesmo da concepção e no início da gestação.

Nesse contexto, os médicos, especialmente pediatras, obstetras, médicos de família e geneticistas, ocupam um papel central na educação em saúde reprodutiva e no cuidado pré-concepcional.

 

Defeitos do nascimento: um problema relevante de saúde pública

Os defeitos do nascimento estão entre as principais causas de mortalidade infantil, morbidade crônica e deficiência ao longo da vida. Incluem malformações estruturais, alterações metabólicas, genéticas e funcionais, com impacto não apenas para a criança, mas para toda a família e para os sistemas de saúde.

 

Prevenção começa antes da gravidez

  1. Aconselhamento genético e riscos da consanguinidade

O casamento ou união consanguínea é um fator de risco bem estabelecido para doenças genéticas autossômicas recessivas e para defeitos congênitos. Em populações com maior prevalência de consanguinidade, observa-se aumento significativo de malformações, erros inatos do metabolismo e síndromes genéticas raras.

O aconselhamento genético deve ser oferecido de forma ética, clara e não diretiva, especialmente quando há:

  • Grau de parentesco entre os futuros pais
  • História familiar de doenças genéticas, malformações ou óbitos infantis
  • Abortamentos recorrentes ou natimortos

Orientar, informar riscos e discutir alternativas faz parte do cuidado preventivo e humanizado.

 

  1. Uso de ácido fólico: uma intervenção simples e altamente eficaz

A suplementação de ácido fólico é uma das medidas preventivas mais bem documentadas na medicina. Seu uso adequado reduz de forma significativa o risco de defeitos do tubo neural, como espinha bífida e anencefalia.

Recomendações gerais:

  • Iniciar pelo menos 30 dias antes da concepção idealmente dois meses se o casal estiver tentando engravidar
  • Manter até o final do primeiro trimestre
  • Dose padrão: 400 mcg/dia
  • Doses maiores podem ser indicadas em situações específicas (história prévia de defeitos do tubo neural, diabetes, obesidade, epilepsia, uso de anticonvulsivantes, mutações em genes do metabolismo do folato)

Esse é um exemplo claro de como prevenção custa pouco e impacta muito.

 

  1. Preparar-se para conceber: saúde parental importa!

A concepção de um filho saudável começa com a saúde do casal. A consulta pré-concepcional deve ser incentivada como parte do cuidado médico de rotina.

Pontos essenciais incluem:

  • Controle de doenças crônicas (diabetes, hipertensão, epilepsia, doenças autoimunes)
  • Revisão de medicamentos potencialmente teratogênicos
  • Atualização vacinal
  • Avaliação nutricional e do estado de micronutrientes
  • Orientação sobre cessação de álcool, tabaco e outras substâncias
  • Redução de exposições ambientais e ocupacionais nocivas

A saúde paterna também merece atenção: idade avançada, tabagismo, álcool, obesidade e exposições ambientais podem impactar a qualidade espermática e o risco de alterações genéticas e epigenéticas.

 

  1. Vacinação materna e prevenção de malformações secundárias a infecções

Infecções adquiridas na gestação representam causa relevante e potencialmente evitável de malformações congênitas. A síndrome da rubéola congênita, toxoplasmose congênita, sífilis congênita, as complicações associadas ao vírus da varicela, a infecção por citomegalovírus e outras infecções do grupo STORCH exemplificam o impacto teratogênico de agentes infecciosos.

As letras da sigla STORCH representam as seguintes doenças:

S – Sífilis (congênita)

T – Toxoplasmose (Toxoplasma gondii)

O – Outras infecções (HIV, varicela-zóster, parvovírus B19, hepatite B, zika vírus, Chagas)

R – Rubéola

C – Citomegalovírus (CMV)

H – Herpes Simples (HSV)

A vacinação adequada antes da concepção – e, quando indicado, durante a gestação – constitui estratégia essencial de prevenção primária.

Recomenda-se:

  • Verificação e atualização do status vacinal no período pré-concepcional, garantindo a administração de vacinas com vírus vivos atenuados (como rubéola e varicela) e respeitando o intervalo adequado para a concepção.
  • Administração de vacinas recomendadas durante a gestação, como influenza e dTpa, conforme calendários oficiais
  • Orientação clara quanto à segurança e aos benefícios da imunização materna

A prevenção de infecções maternas é, portanto, uma medida concreta de redução do risco de malformações estruturais, déficits neurológicos e outras sequelas congênitas.

 

O médico como agente de prevenção e transformação

Falar sobre defeitos do nascimento não deve se limitar ao diagnóstico pós-natal. O verdadeiro impacto ocorre quando o médico atua antes do problema existir, promovendo educação, planejamento reprodutivo consciente e intervindo na prevenção.

No Dia Mundial dos Defeitos do Nascimento, o convite é claro: menos foco apenas na correção, mais ênfase na prevenção.

Preparar famílias para gerar filhos é, também, uma das formas mais nobres de cuidar da próxima geração.

 

Relatora:
Patrícia Salmona
Médica Pediatra e Geneticista
Presidente do Departamento Científico de Genética da SPSP

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Avaliação auditiva – Recomendações atuais para recém-nascidos e crianças maiores https://spsp.org.br/avaliacao-auditiva-recomendacoes-atuais-para-recem-nascidos-e-criancas-maiores/ Thu, 02 Oct 2025 18:10:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53384 Por que a audição do seu filho é tão importante? Vamos conversar sobre um tema fundamental para o desenvolvimento saudável das]]>

Por que a audição do seu filho é tão importante?

Vamos conversar sobre um tema fundamental para o desenvolvimento saudável das crianças: a audição.

A capacidade de ouvir é a porta de entrada para a linguagem, a fala, a aprendizagem e a interação social. Quando uma deficiência auditiva não é identificada e tratada precocemente, pode impactar significativamente a vida da criança. Hoje em dia, com os avanços da medicina, temos condições de detectar problemas auditivos nos primeiros dias de vida e intervir de maneira eficaz.

O objetivo principal deste texto é esclarecer, de forma simples e prática, as principais causas da perda auditiva, os indicadores de risco que pediatras e famílias devem observar, os exames de triagem disponíveis e as opções de tratamento.

 

Entendendo a perda auditiva: tipos e causas

Antes de tudo, é importante saber que existem diferentes tipos de perda auditiva:

  • Perda Auditiva Condutiva: Ocorre quando há um problema no ouvido externo ou médio que impede que o som seja conduzido adequadamente até o ouvido interno. Pode ser causada por acúmulo de cera, infecções (otite) ou malformações. Muitas vezes, esse tipo de perda é temporário e tratável com medicamentos ou cirurgia.
  • Perda Auditiva Sensorioneural: É a mais comum das perdas permanentes. Acontece quando há dano no ouvido interno (cóclea) ou no nervo que leva o som ao cérebro. Geralmente é irreversível, mas, com o uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares, pode ser reabilitada.
  • Perda Auditiva Mista: Como o nome sugere, é uma combinação das duas anteriores.
  • Espectro da Neuropatia Auditiva (ENA): Nesse caso, a cóclea pode estar funcionando, mas o nervo auditivo não transmite o sinal sonoro corretamente ao cérebro. É uma condição mais complexa, que requer avaliação especializada.

E o que pode causar essas perdas? As causas são divididas entre congênitas (presentes ao nascimento) e adquiridas (que surgem após o nascimento).

 

Sinais de alerta: os indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA)

Os especialistas criaram uma lista de situações que aumentam a chance de uma criança ter perda auditiva. São os chamados indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA). Se seu filho se enquadra em algum deles, é preciso redobrar a atenção e garantir que a avaliação auditiva seja feita o quanto antes.

Os principais IRDA são:

A preocupação dos pais é o IRDA mais importante!

Este é o ponto número um por um motivo muito simples: os pais são os maiores especialistas em seus filhos. Se você, mãe ou pai, tem qualquer preocupação sobre a audição, a fala ou o desenvolvimento da linguagem do seu bebê ou criança, mesmo que ela tenha passado na triagem auditiva neonatal, deve procurar um especialista (otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo) imediatamente. Nunca ignore seu instinto.

Histórico familiar

Se existe na família (pais, irmãos, avós, tios) algum caso de surdez ou perda auditiva permanente que começou na infância, o risco é maior. Muitas formas de perda auditiva são hereditárias.

Problemas durante a gravidez e o parto:

  • Internação em UTI Neonatal por mais de 5 dias: Bebês nesta situação têm um risco aumentado. Os motivos são vários: uso de ventilação mecânica, medicamentos, prematuridade, entre outros.
  • Peso de nascimento muito baixo (menos de 1.500 gramas): Bebês prematuros e com baixo peso são mais vulneráveis.
  • Complicações no parto: Como falta de oxigênio (anoxia perinatal), Apgar baixo (nota abaixo de 4 no 1º minuto ou 6 no 5º minuto), ou icterícia grave que necessitou de tratamento especial (exsanguinotransfusão).
  • Infecções congênitas (as famosas “infecções da gestação”): Durante a gravidez, algumas infecções podem ser transmitidas para o bebê e causar problemas, incluindo a perda auditiva. O grupo é conhecido pela sigla STORCH+Z, sendo:
  • Sífilis
  • Toxoplasmose
  • Rubéola (felizmente, o Brasil eliminou a rubéola em 2015!)
  • Citomegalovírus (CMV) – uma das causas mais comuns de perda auditiva adquirida na infância
  • Herpes
  • HIV
  • Zika Vírus

O pré-natal é fundamental para prevenir, diagnosticar e tratar essas infecções.

Características físicas e síndromes

  • Anomalias craniofaciais: Bebês com lábio leporino/fenda palatina, microtia (orelha malformada), apêndices pré-auriculares (pequenas “bolinhas” perto da orelha) têm maior risco.
  • Síndromes genéticas conhecidas: Algumas síndromes, como Down, Waardenburg, Usher e outras, frequentemente estão associadas à perda auditiva.

Uso de medicamentos ototóxicos

Certos medicamentos, embora necessários para tratar infecções graves ou câncer, podem prejudicar a audição. Os principais são alguns antibióticos e quimioterápicos.

Causas adquiridas na infância

  • Infecções graves: Meningite bacteriana é uma causa muito importante de perda auditiva pós-natal. Manter a carteira de vacinação em dia é a melhor prevenção!
  • Traumatismo craniano: Pancadas fortes na cabeça podem lesionar o ouvido.
  • Otite média secretora (OMS): Extremamente comum na infância, é o acúmulo de líquido atrás do tímpano. Pode causar perda auditiva condutiva temporária. Se persistir por mais de três meses, pode precisar de tratamento com cirurgia para colocar tubo de ventilação.

 

A triagem auditiva neonatal: o primeiro e fundamental exame

Todas as crianças devem fazer o teste da orelhinha ainda na maternidade, preferencialmente nas primeiras 48 horas de vida. É um exame rápido, indolor e que não incomoda o bebê.

  • Como é feito? Coloca-se uma pequena sonda no canal auditivo do bebê, que emite sons e capta a resposta do ouvido interno (as “emissões otoacústicas evocadas”).
  • E se o bebê “falhar” no teste? Isso não significa que ele é surdo. Pode ser que havia líquido no ouvido ou o bebê estava se mexendo muito. O importante é repetir o teste em até um mês. Se a falha persistir, a criança deve ser encaminhada para uma avaliação audiológica completa.

Lembre-se: Passar no teste da orelhinha é ótimo, mas não descarta 100% a possibilidade de uma perda auditiva se desenvolver mais tarde. Por isso, a observação contínua dos pais é insubstituível.

 

O que esperar da consulta com o especialista (otorrinolaringologista)

Se houver suspeita de perda auditiva, o médico fará uma avaliação completa:

  • Histórico detalhado: Perguntará sobre a gravidez, o parto, a triagem auditiva, o desenvolvimento da criança e o histórico familiar.
  • Exame físico minucioso: Olhará as orelhas, o rosto e a cabeça do bebê em busca de sinais que possam estar associados à perda auditiva.
  • Solicitação de exames: Pode pedir exames de sangue (para investigar infecções congênitas), exames de imagem (como tomografia) e, o mais importante, exames audiológicos específicos para a idade da criança.

 

Opções de tratamento e reabilitação:

O diagnóstico de perda auditiva não é o fim da linha. Pelo contrário, é o início de uma jornada de reabilitação com resultados fantásticos, especialmente quando iniciada cedo. As opções dependem do tipo e grau da perda:

  • Aparelhos de amplificação sonora individual (AASI)

São os conhecidos aparelhos auditivos. Eles amplificam o som e são a primeira opção para a maioria das crianças com perda auditiva sensorioneural. A adaptação deve ser feita por um fonoaudiólogo especializado.

  • Próteses auditivas ancoradas no osso (PAAO)

Indicadas para casos em que o som não consegue chegar ao ouvido interno pela via normal, como em algumas malformações de orelha ou após cirurgias. Elas vibram o osso do crânio, que por sua vez estimula a cóclea diretamente.

  • Implante coclear

É uma tecnologia incrível para crianças com perdas auditivas severas a profundas, que não se beneficiam suficientemente dos aparelhos convencionais. É um dispositivo eletrônico implantado cirurgicamente que substitui a função da cóclea danificada, enviando sinais elétricos diretamente para o nervo auditivo.

  • A idade importa: O ideal é que o implante seja feito antes dos 12 meses de vida, pois o cérebro está no período de maior plasticidade para aprender a ouvir. Os resultados em termos de desenvolvimento de linguagem são espetaculares.
  • É um processo: Após a cirurgia, a criança precisa de uma intensa terapia fonoaudiológica para aprender a interpretar os sons que agora consegue ouvir.

Outros implantes

Existem também implantes de orelha média e até implantes no tronco cerebral para casos muito específicos em que o implante coclear não é possível.

 

O papel da família e a importância da intervenção precoce

A família é o pilar mais importante da reabilitação. O envolvimento dos pais no processo de terapia, a criação de um ambiente rico em estímulos sonoros e linguísticos, muito amor e paciência fazem toda a diferença.

Estudos mostram que crianças com perda auditiva identificada e tratada antes dos 6 meses de idade desenvolvem habilidades de linguagem muito melhores do que aquelas identificadas tardiamente. Cada dia conta!

Conclusão: fique atento e converse com seu pediatra

A audição é um sentido precioso. Conhecer os indicadores de risco e acompanhar de perto o desenvolvimento do seu filho são as melhores formas de garantir que qualquer problema seja detectado a tempo.

Em resumo:

  1. Faça o teste da orelhinha no recém-nascido.
  2. Observe os marcos do desenvolvimento da fala e da audição.
  3. Conheça os IRDA e, se seu filho se enquadrar em algum, converse com o pediatra.
  4. Confie no seu instinto: se desconfiar de algo, procure ajuda especializada sem demora.

A medicina avança a cada dia, e as possibilidades de reabilitação auditiva são vastas e cheias de sucesso. Com informação, cuidado e apoio, seu filho terá todas as ferramentas para desenvolver todo o seu potencial.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta com o pediatra ou otorrinolaringologista. Para qualquer dúvida específica sobre a saúde do seu filho, procure sempre um profissional de saúde.

 

Relator:
Manoel de Nóbrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP

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Qualidade de vida da criança em cuidado domiciliar https://spsp.org.br/qualidade-de-vida-da-crianca-em-cuidado-domiciliar/ Fri, 04 Jul 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52113 A qualidade de vida em Atenção Domiciliar (Home Care) pode ser melhor do que em ambiente hospitalar. A internação domiciliar é capaz de oferecer um atendimento]]>

A qualidade de vida em Atenção Domiciliar (Home Care) pode ser melhor do que em ambiente hospitalar. A internação domiciliar é capaz de oferecer um atendimento individualizado e personalizado, adaptado às necessidades específicas do paciente, da família e do ambiente em que vivem, gerando adesão ao cuidado e bons resultados assistenciais.

Por que considerar a internação domiciliar?

  1. Conforto e privacidade:

A criança sente-se mais à vontade em casa, pela familiaridade do ambiente e a possibilidade de manter suas rotinas e hábitos. Este contexto favorável é capaz de diminuir o estresse e a ansiedade e proporcionar sensação de segurança e tranquilidade.

O ambiente acolhedor apoia positivamente no eficaz controle da dor e de sintomas desagradáveis, gerando impactos positivos para a saúde do paciente.

  1. Menor risco de infecções:

A internação domiciliar reduz a exposição a germes e bactérias hospitalares, diminuindo o risco de infecções. No ambiente domiciliar existe apenas um paciente, os profissionais cuidam apenas daquele paciente e não circulam de leitos em leitos, de forma que existe uma “barreira física” para transmissão de agentes infecciosos, como vírus e bactérias, fato que ficou bastante evidente na pandemia. Quando se fala em transmissão de infecção não existe dúvida: o lugar mais seguro para o paciente é em casa.

  1. Maior autonomia e independência do pequeno paciente:

Estar em casa permite que o paciente tenha autonomia e independência máxima dentro das possibilidades da sua condição de saúde, o que contribui para a saúde mental e desenvolvimento neuropsicomotor da criança.

  1. Envolvimento da família:

Os familiares podem participar mais ativamente do cuidado e do tratamento, proporcionando suporte emocional e promovendo um ambiente positivo para a cura que fortalece os laços e contribui para a recuperação do paciente. O vínculo e apoio dos pais têm papel crucial no desenvolvimento de toda criança, e a internação domiciliar potencializa esse vínculo para aqueles que mantêm necessidades contínuas de cuidados de saúde.

  1. Acompanhamento individualizado e personalizado:

A Atenção Domiciliar possui uma equipe interdisciplinar, composta por médicos pediatras, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistente social, nutricionista, entre outros. Essa equipe de saúde atua de forma integrada, com foco no paciente, visando construir um plano de cuidado personalizado para as necessidades individuais do paciente, o que pode melhorar a resposta ao tratamento, a recuperação, o desfecho clínico e a satisfação do paciente e família. 

  1. Redução do estresse e fadiga:

A Atenção Domiciliar reduz a necessidade de deslocamentos frequentes, reduzindo o estresse e a fadiga associados às viagens para hospitais ou clínicas para consultas, exames e terapias. 

  1. Humanização do atendimento:

Em domicílio é mantida a interação da criança com os membros da família, amigos, animais de estimação, brinquedos, etc., o que permite um cuidado mais humanizado, que tem como um dos pilares o bem-estar e a qualidade de vida do paciente e seus familiares. 

  1. Melhoria na resposta ao tratamento:

A equipe que atende em domicílio é submetida a capacitação técnica contínua, através de programas de educação continuada. A atuação dessa equipe capacitada de forma interdisciplinar e centrada no paciente, em associação a um ambiente confortável e acolhedor e ao apoio da família, contribui positivamente para uma melhor resposta ao tratamento e uma recuperação mais rápida. 

O acompanhamento contínuo das crianças em domicílio, através de múltiplas visitas domiciliares e de monitoramento periódico, ajuda na prevenção de complicações e identificação precoce de descompensações clínicas.

Quem são os pacientes habitualmente atendidos em domicílio no Brasil?

  1. Crianças com doenças crônicas, que tornam o paciente dependente de cuidado, como:
  • Doenças neurológicas, doenças cardíacas e respiratórias
  • Doenças neuromusculares: atrofia muscular espinhal (AME), distrofia muscular de Duchenne, entre outras
  • Sequelas ou complicações de prematuridade
  1. Pacientes com doenças agudas como:
  • Bronquiolite
  • Crise asmática
  • Infecção urinária, pneumonia e outras infecções
  1. Pacientes em cuidados paliativos, oncológicos e não oncológicos:
  2. Pacientes com indicação para administração de medicamentos parenterais ou nutrição parenteral

Quais são os principais recursos disponíveis no Atendimento Domiciliar?

  • Equipe multiprofissional – visitas domiciliares de médicos pediatras, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, assistente social, nutricionista, terapeuta ocupacional;
  • Técnico de Enfermagem em atendimento pontual ou turnos de plantão de 12 ou 24 h;
  • Equipamentos: oxímetro, aspirador, ventiladores mecânicos, bomba de infusão, etc.;
  • Administração de medicação por via oral, por sonda ou gastrostomia, por via subcutânea e endovenosa;
  • Administração de nutrição parenteral;
  • Cuidados com a pele e ostomias;
  • Atendimento de Emergência.

O atendimento domiciliar pediátrico é uma estratégia eficaz para oferecer cuidados de baixa, média e alta complexidade, assegurando intervenções seguras, personalizadas e centradas na criança e família.

 

Relatora:
Valentina Rinaldi V. D. Estrada
Membro do Departamento Científico de Atenção Domiciliar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Asma – conhecimento, cuidado e qualidade de vida! https://spsp.org.br/asma-conhecimento-cuidado-e-qualidade-de-vida/ Sat, 21 Jun 2025 12:55:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51860 Hoje, 21 de junho, celebramos o Dia Nacional de Controle da AsmaTrata-se de uma oportunidade importante para lembrar que, mesmo sendo uma doença crônica, a asma pode]]>


Hoje, 21 de junho, celebramos o Dia Nacional de Controle da Asma
Trata-se de uma oportunidade importante para lembrar que, mesmo sendo uma doença crônica, a asma pode (e deve) ser bem controlada.

Asma: cada paciente, uma história diferente
A asma não tem cura, mas tem tratamento! E hoje falamos muito em medicina de precisão: um tratamento feito sob medida para cada pessoa, levando em conta as características de sua doença.
Desde os casos leves — que podem ser controlados com medidas simples e medicamentos preventivos — até os casos mais graves, em que, se necessário, o médico pode indicar o uso de imunobiológicos: medicamentos modernos e altamente eficazes para quem tem asma grave não controlada.

Olhar o paciente como um todo: as comorbidades importam!
Para controlar bem a asma, precisamos cuidar de todo o corpo. Muitas vezes, a rinite alérgica — que causa espirros, coriza e congestão nasal — passa despercebida ou mal controlada. Mas ela pode agravar muito a asma se não for tratada.
Além disso, a obesidade, cada vez mais comum na infância e na adolescência, também pode dificultar o controle da asma e aumentar a frequência das crises. Por isso, o cuidado com o peso saudável desde cedo é fundamental.

Atividade física: um grande aliado
Incentivar as crianças (e adultos!) a se manterem ativas desde cedo é um dos pilares no manejo da asma.
A prática regular de exercícios melhora o condicionamento pulmonar e ajuda a reduzir o uso de medicamentos.
Sedentarismo e asma não combinam!

Vacinas em dia, sempre!
Outro ponto importante no cuidado com a asma é manter a carteira de vacinação atualizada.
A vacina contra a gripe, por exemplo, deve ser feita todos os anos.
As infecções respiratórias são um dos principais gatilhos de crises de asma, e prevenir essas infecções ajuda muito a manter a doença sob controle.

A asma ao longo da vida
A asma pode se manifestar de formas diferentes ao longo da vida. É mais comum em meninos na infância, e na fase adulta torna-se mais frequente nas mulheres.
Felizmente, com o avanço da ciência, já há estudos mostrando que, em alguns casos, pode haver até mesmo remissão da doença.
A medicina personalizada tem um papel fundamental para entendermos melhor cada paciente e as diferentes formas de expressão da asma.

O futuro é promissor
Embora a asma ainda não tenha cura, o conhecimento científico e os avanços da medicina de precisão nos trazem cada vez mais opções para personalizar o tratamento, controlar os sintomas, reduzir crises e melhorar a qualidade de vida.

No Dia Nacional de Controle da Asma, vamos reforçar uma mensagem importante: asma controlada significa liberdade, segurança e qualidade de vida. Procure seu médico, siga o tratamento, mantenha-se ativo e cuide de sua saúde integralmente. Respirar bem é viver bem!

#DiaNacionalDeControleDaAsma #AsmaTemControle #MedicinaDePrecisão #VacinasEmDia #AtividadeFísica #RiniteControlada #ObesidadeInfantil #QualidadeDeVida

Relatora:
Marina Buarque de Almeida
Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Importância da lavagem das mãos na prevenção e controle das infecções https://spsp.org.br/importancia-da-lavagem-das-maos-na-prevencao-e-controle-das-infeccoes/ Tue, 15 Oct 2024 14:03:37 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48486 No dia 15 de outubro é lembrado e comemorado o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, uma data criada com três objetivos principais:]]>

No dia 15 de outubro é lembrado e comemorado o Dia Mundial da Lavagem das Mãos, uma data criada com três objetivos principais: apoiar uma cultura mundial de lavagem das mãos com sabão, chamar a atenção dos governantes para a importância do ato e aumentar a conscientização sobre os seus benefícios.

A lavagem das mãos é, sem dúvida, a maneira mais simples, eficaz e de maior importância na prevenção e controle da disseminação de infecções virais e bacterianas, devendo ser realizada com frequência durante o dia, pois uma grande quantidade de organismos entra em contato com o nosso corpo inicialmente pela mão.

A adoção desse hábito – somada à descoberta das vacinas e dos antibióticos – foi a grande responsável pela queda vertiginosa das mortes por causas naturais no começo do século XX.

Nos nossos organismos existem micro-organismos que vivem em harmonia com nosso corpo, sem nos causar nenhuma doença. Algumas bactérias são essenciais para a manutenção da saúde de vários sistemas, como a microbiota intestinal e o microbioma da pele. Entretanto, também existem micro-organismos que podem causar problemas graves, e é contra esses agentes que devemos nos proteger. 

Até meados de 1800 nem as pessoas, nem os médicos se preocupavam em lavar as mãos – eles iam da dissecação de um cadáver ao parto de uma criança. 

Em 1848, um médico húngaro chamado Ignaz Semmelweis, do Hospital Geral de Viena, manifestou preocupação com esse hábito. Um dos problemas mais dramáticos que passavam as clínicas de obstetrícia era a altíssima incidência da infecção pós-parto. 

Naquela época ainda não haviam sido descobertos os micro-organismos e o médico húngaro decidiu realizar um experimento. Antes dos partos, os médicos deveriam higienizar as mãos e os seus instrumentos com uma solução de cloro. Depois de alguns meses, a taxa de mortalidade de mães após o parto, que era de assustadores 18%, caiu para 1%.

Infelizmente não deram muito crédito ao Dr. Semmelweis na época, e foi apenas nas décadas seguintes, com a evolução das pesquisas sobre micro-organismos, as descobertas de Louis Pasteur, famoso pela pasteurização, e de Robert Koch, com suas pesquisas sobre cólera, tuberculose, antraz e outros patógenos que aumentou a conscientização sobre a necessidade da prática da higienização de mãos, a ser adotada cada vez mais nas instituições hospitalares e pelas pessoas comuns. 

Hoje, lavar as mãos é ato reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais instrumentos contra epidemias e doenças em geral, podendo reduzir em até 40% a contaminação por vírus e bactérias que causam doenças como gripes, conjuntivites, diarreias, Covid, resfriados, estomatites, entre outras. 

Lamentavelmente, atualmente ainda é uma prática difícil de ser implementada. Uma pesquisa realizada com estudantes universitários em 2009, publicada na revista American Journal of Infection Control, mostrou que apenas 69% das mulheres e 43% dos homens lavavam as mãos após urinar, 84% das mulheres e 78% dos homens lavavam as mãos após defecar e, antes de comer — um momento crítico para lavar as mãos -, apenas 10% dos homens e 7% das mulheres lavavam as mãos.

A lavagem das mãos deve ser executada principalmente nas seguintes ocasiões:

  • Antes de preparar ou consumir alimentos;
  • Antes e depois de se entrar em contato com pessoas doentes ou acamadas;
  • Antes e depois de cuidar dos bebês, especialmente após a troca das fraldas;
  • Antes e depois de ir ao banheiro;
  • Depois de espirrar, tossir ou assoar o nariz;
  • Após entrar em contato com animais;
  • Após as crianças brincarem ou retornarem da escola;
  • Assim que chegamos em casa, vindos da rua;
  • Após manipular objetos potencialmente sujos ou contaminados (maçanetas, corrimão, interruptores, celulares, carros, elevadores, carrinhos de supermercado, sacolas de feira, dinheiro, objetos em consultórios médicos ou hospitais, etc.); 
  • Sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas.

 

É muito importante ensinarmos as crianças a lavarem as mãos com frequência, dando exemplos através do nosso comportamento, explicando sobre a existência de micro-organismos que não vemos e que podem nos causar doenças. 

A lavagem correta das mãos precisa seguir alguns passos importantes: deve-se fazer a fricção de toda a superfície das mãos, incluindo as pregas das palmas, o dorso das mãos, a região do polegar e a ponta dos dedos, removendo também a sujeira que fica sob as unhas.

Basta uma lavagem por 20-30 segundos, de forma eficaz com água e sabão e, na falta desses itens, usar álcool em gel 70%. 

Transformar a lavagem das mãos em um hábito frequente pode salvar mais vidas do que qualquer intervenção médica e está ao alcance de todos nós!

Vamos comemorar o Dia Mundial da Lavagem das Mãos ensinando nossos pequenos a importância desse hábito tão simples!

 

Relatora:
Silvia Bardella Marano
Membro dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial do Rim 2024: Saúde Renal para Todos! https://spsp.org.br/dia-mundial-do-rim-2024-saude-renal-para-todos/ Thu, 14 Mar 2024 11:29:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=43007 O Dia Mundial do Rim é celebrado anualmente na segunda quinta-feira do mês de março, desde 2006. Foi idealizado pela Sociedade Internacional]]>

O Dia Mundial do Rim é celebrado anualmente na segunda quinta-feira do mês de março, desde 2006. Foi idealizado pela Sociedade Internacional de Nefrologia e, posteriormente, amparado por várias entidades. A Campanha do Dia Mundial do Rim tem como objetivo alertar e promover a conscientização da sociedade com informações sobre as doenças renais e a importância de sua prevenção, diagnóstico precoce e tratamento especializado e adequado.

Em 2024, será comemorado no dia 14 de março e o tema será “Saúde Renal para Todos! Promovendo o acesso equitativo aos cuidados e ao tratamento!”

A possibilidade de acesso universal e gratuito aos serviços médicos é fundamental para a promoção da saúde de qualquer população. A infraestrutura e a disponibilidade equitativa e de qualidade, ampla e sem barreiras financeiras são essenciais para uma sociedade que foca a cidadania plena e humanitária. Essa infraestrutura inclui acesso à assistência primária e secundária, a disponibilidade de diagnóstico adequado e precoce, a abordagem de casos de alta complexidade e a oferta de medicações e terapias específicas para casos especiais.

A “saúde renal para todos” pode ser vista como uma “cadeia” muito ampla e que envolve várias necessidades e responsabilidades. Entre elas, a estruturação de logística e acessibilidade geográfica facilitada aos serviços de saúde, a capacitação de todos os profissionais envolvidos, a educação e a conscientização da população sobre as doenças renais e o acesso em tempo adequado ao tratamento.

Neste ponto, é importante ressaltar que muitas crianças portadoras de doenças renais não apresentam sintomas ou estes são discretos ou inespecíficos. Desta forma, a identificação de cenários e fatores de risco é fundamental para um direcionamento diagnóstico racional. Nestes cenários, lembramos das anomalias congênitas do rim e do trato urinário, das doenças genéticas e hereditárias e de outras condições adquiridas. Entre as condições relacionadas, lembramos das uropatias obstrutivas (muitas vezes já detectadas na gestação), glomerulopatias, distúrbios miccionais, bexiga neurogênica, tubulopatias, cálculos renais, complicações renais relacionadas com a prematuridade, entre outras. Algumas das manifestações relacionadas com as doenças renais incluem infecções urinárias de repetição, alterações do volume urinário (tanto urinar pouco como em excesso), alterações do padrão ou da dinâmica da micção, presença anormal de sangue e proteínas na urina, hipertensão arterial, inchaço nos olhos ou nos pés, anemia persistente, dificuldades de crescimento, alterações ósseas, entre outras.

Várias doenças sistêmicas também podem comprometer secundariamente os rins, tais como diabetes melito, vasculites, cardiopatias, doenças imunológicas, entre outras. Além disso, em várias condições agudas e de gravidade, os rins constantemente são comprometidos, o que aumenta a importância do acesso a essas informações, o seu reconhecimento precoce e o tratamento adequado.

Desta forma, o acesso ao diagnóstico é essencial e, em crianças, envolve particularidades de interpretação dos exames de sangue, urina e imagem. Entre os exames de sangue, a creatinina sérica deve ser utilizada com critérios em crianças, considerando os métodos de análise disponíveis, a faixa etária, o sexo, a massa muscular, o estado de hidratação, entre outros fatores.

O tratamento das doenças renais envolve, muitas vezes, a necessidade de medicações especiais e essenciais, tais como o tratamento e/ou a prevenção de infecções urinárias, controle da pressão arterial, redução da proteinúria, uso de imunossupressores especiais, etc. Esta estratégia auxilia não só na prevenção de inúmeras complicações orgânicas, como também na evolução para falência crônica dos rins.

Em algumas situações de injúria renal aguda e em casos avançados de doença renal crônica, pode ocorrer a necessidade de terapias de suporte renal (métodos dialíticos e/ou transplante renal). Neste sentido, a participação de uma equipe multiprofissional de saúde é essencial para a boa condução destes graves cenários, estabelecendo o diagnóstico correto, a abordagem terapêutica adequada e evitando efeitos adversos e complicações potenciais preveníveis. O nefrologista pediátrico está capacitado para a interpretação adequada dos exames relacionados ao diagnóstico, o uso destas medicações e das terapias complexas relacionadas.

Além do papel dos serviços privados, os recursos e as políticas integradas de saúde de todas as esferas do governo são essenciais para o acesso igualitário e universal das famílias, garantia de viabilidade do diagnóstico precoce, medidas preventivas, disponibilidade e oferta de medicações e terapêuticas específicas para as doenças renais.

Todas estas ações são vitais para a “saúde renal” e para a justiça social!

Relator:
Olberes Vitor Braga de Andrade
Membro do Departamento Científico da Nefrologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Baixa visão ou deficiência visual na criança https://spsp.org.br/baixa-visao-ou-deficiencia-visual-na-crianca/ Wed, 13 Dec 2023 18:16:44 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42195 O Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual, comemorado em 13 de dezembro, foi criado com o intuito de combater o preconceito e a discriminação, além de]]>

O Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual, comemorado em 13 de dezembro, foi criado com o intuito de combater o preconceito e a discriminação, além de buscar a garantia de direitos e a inclusão das pessoas com deficiência visual na sociedade. Antes chamado de o “Dia do Cego”, sua nomenclatura foi modificada, uma vez que a deficiência visual não se trata apenas de cegueira, mas também de baixa visão.

E o que é uma baixa visão?

É uma visão reduzida que não pode ser corrigida com óculos convencionais, lentes de contato, medicação ou cirurgia.

Muitas vezes pode ser tratada ou minimizada, daí a importância da avaliação precoce.

Quando não há alterações no período gestacional, parto ou pós-parto é recomendada avaliação oftalmológica por volta dos seis meses de vida, mas quando há indicação é realizada muitas vezes já na maternidade, com exames de fundo de olho.

O que pode levar à baixa visão?

Alterações genéticas (como por exemplo glaucoma congênito, catarata congênita, atrofia do nervo óptico ou da retina), infecções congênitas (infecções durante a gestação, como citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola), falta de oxigenação ao nascer (quando o bebê demora para respirar ao nascimento), uso de substâncias tóxicas, complicações durante o parto (partos demorados ou traumas), prematuridade ou alterações pós-nascimento (meningites, acidentes com traumatismo craniano, afogamentos, parada cardiorrespiratória, convulsões prolongadas).

Normalmente, quando o paciente é portador de baixa visão, a avaliação e o acompanhamento deverão ser multidisciplinares (oftalmologista, pediatra, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, ortoptista, psicólogo, pedagogo).

O tratamento poderá ser feito com uso de óculos especiais, auxílios ópticos (lupas e telelupas), tampão quando houver estrabismo ou ambliopia (olho preguiçoso), estimulação visual e sensorial, cirurgias (catarata congênita, glaucoma congênito, alterações corneanas, estrabismos), biofeedback (quando houver alterações no campo visual, nistagmo (são movimentos involuntários e repetitivos dos olhos) com posições anômalas da cabeça.

Avaliação precoce para o melhor tratamento, acompanhamento, habilitação e inclusão são fundamentais para o total desenvolvimento da criança com deficiência visual.

 

Relatoras:
Nilce Kamida
Márcia Keiko Tabuse
Departamento Científico de Oftalmologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial de Luta Contra a Aids https://spsp.org.br/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-2/ Fri, 01 Dec 2023 14:41:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40988 Dia 1º de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, não apenas lembrando e comemorando]]>

Dia 1º de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, não apenas lembrando e comemorando os avanços alcançados com o manejo da doença, mas também na luta contra o preconceito, o estigma e a discriminação das pessoas que vivem com HIV, melhorando dessa forma a compreensão da população sobre o vírus e suas repercussões, reconhecendo-o como um problema de saúde pública global.

Em todos esses anos de história, e já se vão quatro décadas, a doença assumiu novo perfil, tornando-se uma doença crônica controlável, graças à melhoria significativa da terapia antirretroviral que, desde o fim da década de 1990, consegue controlar de forma muito eficaz o vírus HIV, além do manejo e monitoramento mais precisos, com melhores exames laboratoriais e do investimento em medidas de proteção a esses pacientes, com uso de tratamento precoce e universal a todas as pessoas que vivem com HIV (independentemente de terem ou não manifestações da doença), prevenção de infecções oportunistas, além de vacinação ampla para diversas doenças. Tanto adultos quanto crianças que vivem com HIV se beneficiaram muito dessas mudanças, tornando os tratamentos mais simples de serem seguidos.

O último levantamento da OMS/UNAIDS contabiliza 39 milhões de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV no ano de 2022, com cerca de 35 mil novas infecções/ano em pessoas entre 15 e 24 anos. No Brasil, temos nas quatro décadas, 1.523.339 casos de HIV/Aids notificados, abrangendo todas as faixas etárias.

O relatório global divulgado este ano pela OMS/UNAIDS trouxe a proposta de eliminação da Aids como ameaça à saúde pública global até 2030, relatando que esse caminho ajudará o mundo a estar mais bem preparado para enfrentar futuras pandemias e a avançar no progresso em direção à conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O Brasil participa da proposta e tem se esforçado para que ela seja alcançada. Uma das grandes conquistas foi a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, ou seja, aquela transmitida da mãe para o filho, através da gestação, parto ou aleitamento materno, em 28 municípios, ressaltando aqui que a eliminação não é a erradicação da situação, mas sim atingir patamares muito baixos de transmissão, próximos de zero, que permitem essa certificação.

Todos os investimentos em conscientização e prevenção, além dos avanços no manejo da doença, devem ser amplamente divulgados à população, com o objetivo de redução de novas infecções.

Evidências científicas recentes corroboram a afirmação de que pessoas vivendo com HIV em terapia antirretroviral e com carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem o vírus HIV por via sexual. Hoje utiliza-se o termo Indetectável = Intransmissível, consenso entre os cientistas que vem sendo amplamente utilizado mundialmente por instituições de referência sobre o HIV.

Outro grande avanço é a possibilidade de que mulheres vivendo com HIV em terapia antirretroviral regular e carga viral indetectável engravidem normalmente, sem risco de transmissão do vírus para seus filhos. Essa grande notícia tem possibilitado a realização de sonhos das mulheres que vivem com HIV, tranquilizando-as a constituir suas famílias com crianças sem o vírus.

Como última e importante mensagem gostaríamos de lembrar que é recomendada também a testagem regular de mulheres negativas para o HIV que estejam em aleitamento materno. Temos de recordar que essas também são sexualmente ativas e apresentam risco de infecção, assim como a população geral. Havendo infecção nessa fase, o aleitamento deve ser imediatamente suspenso e a criança submetida ao tratamento profilático.

Devemos divulgar e veicular de forma ampla o assunto HIV/Aids não apenas neste 1º de dezembro, mas sempre e em todas as oportunidades. Isso facilita tanto a reflexão sobre as medidas de proteção para novas infecções, quanto o acolhimento e menor discriminação de quem vive com HIV.

 

Saiba mais:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/dezembro/ministerio-da-saude-certifica-municipios-por-eliminacao-da-transmissao-vertical-de-hiv-e-sifilis

 

Relatoras:
Daniela Vinhas Bertolini
Flavia Jacqueline Almeida
Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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10/11 – Dia Nacional de Prevenção e Combate da Surdez https://spsp.org.br/10-11-dia-nacional-de-prevencao-e-combate-da-surdez/ Fri, 10 Nov 2023 17:29:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40643 Definir o que é ouvir ou escutar é extremamente complexo, pois esta capacidade se adapta a muitas funções banais e importantes do nosso dia a dia.]]>

Definir o que é ouvir ou escutar é extremamente complexo, pois esta capacidade se adapta a muitas funções banais e importantes do nosso dia a dia. Consultando o dicionário, pode-se observar quantos significados há de ouvir, inclusive com sentidos opostos. O som produzido pela fala carinhosa da mãe pode induzir o sono em seu bebê, enquanto os gritos produzidos por ele podem facilmente tirar a mãe de seu sono tranquilo. O som pode transmitir segurança, medo ou pavor.

Ouvir, para o ser humano, implica fala; dois indivíduos ouvintes e falantes implicam troca. Pode-se ouvir e aprender, como também ensinar. O indivíduo ouvinte tem acesso ao mundo intelectual dos homens, onde a maioria das informações entre dois indivíduos são trocadas oralmente.

Já o não ouvir significa banir o indivíduo desse meio, privá-lo dessas trocas, interferindo no seu desenvolvimento e na formulação da sua linguagem interior e exterior. Interfere também de maneira definitiva na estrutura familiar e no meio em que o indivíduo vive, na maioria das vezes de forma negativa, pelas dificuldades e preconceitos que acarreta.

A prevenção da surdez em crianças envolve cuidados que pais e cuidadores podem tomar desde o nascimento, para garantir que seus filhos desenvolvam uma audição saudável.

Aqui estão algumas orientações importantes:

  • Pré-natal:

A realização das consultas de pré-natal é fundamental para acompanhar o bom desenvolvimento do seu bebê. Realizar testes sorológicos, aconselhamento genético nos casos de perda auditiva familiar presentes desde o nascimento ou que acometeram crianças pequenas na família, são fundamentais.

  • Teste da audição ao nascimento:

O teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal universal) é um procedimento padrão obrigatório por lei e que deve ser realizado em todos os recém-nascidos, para identificar problemas auditivos precocemente. Certifique-se de que o teste seja realizado e, se algum problema for detectado, siga as orientações dos profissionais de saúde.

  • Amamentação:

A amamentação é benéfica para a saúde geral do bebê, incluindo a audição. O leite materno oferece proteção contra infecções e inflamações que podem afetar os ouvidos.

  • Vacinas e cuidados de saúde:

Manter as crianças saudáveis é fundamental para prevenir infecções que possam afetar a audição (como por exemplo sarampo, rubéola, caxumba, meningite). Certifique-se de que seu filho receba todas as vacinas recomendadas que constam do calendário vacinal proposto pela Sociedade de Pediatria. E faça as consultas médicas regulares de seu filho. Seu pediatra sabe o que é melhor para cada idade de seu filho.

  • Evitar exposição a ruídos altos:

Proteja os ouvidos de seu filho de ruídos intensos, como música alta, fones de ouvido em volume excessivo, brinquedos e máquinas barulhentas. Use protetores auriculares, se necessário, durante eventos barulhentos, como shows ou festas.

  • Cuidado com as infecções do ouvido:

Infecções da orelha média podem ser prejudiciais para a audição. Esteja atento a sinais de infecção, como dor no ouvido, febre e irritabilidade, e procure tratamento médico sempre que necessário. Mesmo na ausência de infecções ativas a criança poderá estar com a audição prejudicada. Portanto, faça audiometria todos os anos até seu filho completar os sete anos. A partir daí o número de infecções de ouvido nas crianças diminui drasticamente.

  • Evite o uso de cotonetes:

Não use cotonetes para limpar os ouvidos das crianças, pois isso pode empurrar cera ou objetos estranhos para dentro do canal auditivo, causando danos. A orelha externa não precisa ser limpa – a cera da orelha não é sujeira; é proteção!

  • Educação sobre ruído:

Ensine seus filhos sobre os perigos do ruído alto, fones de ouvido em volumes elevados e a importância de proteger a audição. Use jogos e atividades educacionais para tornar o aprendizado divertido.

  • Verificação da audição:

Realize verificações periódicas da audição de seu filho, especialmente se houver histórico de problemas auditivos na família. Isso pode ajudar a identificar problemas precocemente.

  • Desenvolvimento da linguagem:

Estimule o desenvolvimento da linguagem de seu filho, já que a audição desempenha um papel fundamental na aquisição da linguagem. Converse, leia e cante para seu filho desde cedo.

  • Consulta a um especialista:

Se você suspeitar de problemas auditivos em seu filho, consulte um otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo, parceiros do seu pediatra. Quanto mais cedo os problemas forem identificados, mais eficaz será o tratamento.

Lembre-se de que a prevenção da surdez começa na barriga da mãe e é um esforço contínuo. A conscientização e a educação dos pais e cuidadores desempenham um papel crucial na proteção da audição das nossas crianças.

 

Relator:
Manoel de Nóbrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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