Indivíduo – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 09 Sep 2025 11:53:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Indivíduo – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Impactos no feto do consumo de álcool pela mulher grávida https://spsp.org.br/impactos-no-feto-do-consumo-de-alcool-pela-mulher-gravida/ Tue, 09 Sep 2025 11:26:14 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53058 Desde 1999, no nono dia do nono mês de cada ano celebra-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). Esse dia tem o grande objetivo de conscientizar toda]]>

Desde 1999, no nono dia do nono mês de cada ano celebra-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). Esse dia tem o grande objetivo de conscientizar toda a sociedade sobre a gravidade dos impactos no embrião e no feto do consumo de álcool pela mulher grávida.

O nono dia do nono mês lembra-nos os nove meses de gestação. Durante esse período, a abstinência total do álcool pelas gestantes é fundamental para impedir o desenvolvimento dos chamados Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), dos quais a Síndrome Alcoólica Fetal representa o quadro mais grave e completo.

Um estudo francês, publicado em 1968, foi o primeiro a descrever um conjunto de malformações físicas, déficits cognitivos, alterações de crescimento e comportamentais em crianças expostas ao álcool na vida intrauterina. Desde então, inúmeras pesquisas cientificas têm alertado sobre as várias consequências deletérias que essa droga lícita pode levar ao embrião/feto. Essas pesquisas também têm afirmado o desconhecimento da existência de algum nível seguro de ingestão de álcool durante a gravidez.

As implicações da SAF/TEAF são amplas e, muitas, irreversíveis, com consequências para o indivíduo afetado, para a sua família e para toda a sociedade.

O indivíduo acometido apresenta manifestações variáveis de acordo com a sua faixa etária. Pode ter malformações craniofaciais, atraso de crescimento e desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem e de memória, déficit de atenção, distúrbios de comportamento e maior vulnerabilidade a problemas psiquiátricos. Graves problemas de convívio social, baixo limiar de frustração, agitação, hiperativação, irritação fácil são comuns. Com frequência apresentam  dificuldade em trabalhar, voltam-se para a criminalidade, têm grande propensão ao uso de álcool e de outras drogas e tornam-se totalmente dependentes de terceiros.

Em nível coletivo, a SAF/TEAF leva a impacto na qualidade de vida das famílias, pela sobrecarga no cuidado e sofrimento psíquico. Traz sobrecarga dos sistemas de saúde e de educação, com a necessidade de suporte pedagógico especial e pelo risco de estigmatização social.

Na saúde pública, a SAF/TEAF é muito subdiagnosticada e negligenciada, causando, a longo prazo, custos expressivos para a assistência médica e para as políticas de inclusão social e escolar.

Muitas das manifestações da SAF/TEAF não têm cura, principalmente as relacionadas ao sistema nervoso central. Assim, os indivíduos afetados e a sua família são obrigados a conviver com elas durante toda a vida.

Apesar da gravidade, a SAF/TEAF é 100% evitável. Para isso, basta que a gestante não consuma álcool em nenhum período gestacional. Assim, a prevenção é a única estratégia e é totalmente eficaz.

A capacitação de profissionais de saúde, no aconselhamento pré-natal e identificação da SAF/TEAF, a elaboração de políticas públicas e a realização de campanhas informativas e educacionais de toda a população são essenciais na promoção da conscientização sobre os riscos do álcool para o embrião e para o feto. Por meio delas, a incidência dessa condição, completamente prevenível, poderá ser diminuída.

A gestação e a infância devem ser protegidas. Temos a responsabilidade de o fazer por meio de informação, suporte e compromisso social com a saúde das gestantes e das futuras gerações. O Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal faz-nos esse convite.

 

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Membro de Núcleo de Estudos sobre os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Promoção da saúde e da qualidade de vida https://spsp.org.br/promocao-da-saude-e-da-qualidade-de-vida/ Sun, 06 Apr 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50869 No dia 6 de abril celebra-se o Dia Nacional de Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida, uma data que tem como objetivo, entre outros, lembrar a importância]]>

No dia 6 de abril celebra-se o Dia Nacional de Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida, uma data que tem como objetivo, entre outros, lembrar a importância de adotarmos uma rotina de vida que inclua hábitos saudáveis.

O conceito de ‘qualidade de vida’ é profundamente subjetivo, pois a satisfação com a vida é uma resposta pessoal, que varia de indivíduo para indivíduo. No entanto, há certos elementos comuns que são amplamente reconhecidos como fundamentais para se alcançar um padrão de vida satisfatório, como boas condições de trabalho e lazer, boas relações interpessoais, segurança, e acesso à saúde, educação, mobilidade e outros serviços essenciais.

A qualidade de vida envolve tanto o aspecto individual quanto o coletivo e precisa abranger a totalidade do ser: o corpo, a mente, as emoções e o espírito, o ambiente físico e social.

A vida ideal pode ser considerada uma ilusão. Não temos controle sobre diversos fatores que influenciam o curso da nossa existência, começando pela nossa origem. Não escolhemos onde nascemos, o país em que vivemos, nem a época da história em que chegamos ao mundo. Somos, portanto, condicionados por uma série de fatores que, em última análise, determinam as bases sobre as quais construímos nossas vidas e definimos seu percurso. Alguns desses fatores exercem sua influência já na vida intrauterina, como estão bem destacados no conceito dos 1.000 dias em Pediatria (são os fatores que afetam o feto, o recém-nascido e o lactente, num período que vai da concepção até o final do segundo ano de vida, e que podem ter repercussão na vida futura da criança, do adolescente e do futuro adulto).

A saúde é, sem dúvida, um dos pilares fundamentais da qualidade de vida. Uma boa saúde física e mental permite que a pessoa realize suas atividades diárias com mais energia e disposição. No nível individual, a qualidade de vida é influenciada por escolhas pessoais, como alimentação, exercícios, saúde mental e equilíbrio emocional. O cuidado com o corpo, a mente e o espírito são elementos essenciais para alcançar uma vida satisfatória. Também é importante mencionar que a qualidade de vida está profundamente ligada à capacidade do indivíduo em lidar com as adversidades e de buscar uma vida com propósito, algo que vai além do simples prazer momentâneo.

No contexto coletivo, a qualidade de vida não pode ser dissociada das condições sociais, econômicas e ambientais em que se vive. Assim, a qualidade de vida de um grupo ou sociedade depende de políticas públicas eficazes e de um sistema social que ofereça condições dignas para todos. A busca pela qualidade de vida é uma tarefa complexa, pois envolve diversos fatores que estão além do controle individual. A desigualdade social, a violência, a poluição e outros fatores externos podem influenciar negativamente o bem-estar de uma pessoa ou de uma comunidade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) e seus parceiros no Brasil estão trabalhando para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. São 17 objetivos ambiciosos e interconectados, que abordam os principais desafios de desenvolvimento enfrentados no mundo. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. Estes são os objetivos para os quais as Nações Unidas estão contribuindo, a fim de que possamos atingir a Agenda 2030. É uma agenda de ‘Qualidade de Vida’.

 

Saiba mais:

Agenda 2030: (imgurl:https://th.bing.com/th?id=ODLS.25a33040-f213-4d6b-9a18-b64a1d00f079&w=32&h=32&qlt=91&pcl=fffffa&o=6&pid=1.2 – Pesquisar)

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Encontro com o Especialista debateu o uso da melatonina em pediatria https://spsp.org.br/encontro-com-o-especialista-debateu-o-uso-da-melatonina-em-pediatria/ Fri, 20 Sep 2024 12:47:40 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48068 Texto divulgado em 20/09/2024


No dia 17 de setembro foi realizado o Encontro com o Especialista – Melatonina em Pediatria – Quando usar?, ao vivo, com transmissão pela plataforma Zoom da SPSP. Organizado pela Diretoria de Cursos e Eventos e Departamento Científico (DC) de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da SPSP, o evento, dirigido a pediatras, teve por objetivo discutir quando utilizar a melatonina em pediatria.

Coordenado por Cristiane Fumo dos Santos, presidente do DC de Medicina do Sono na Criança e no Adolescente da SPSP, que coordenou e moderou a mesa, o Encontro com o Especialista contou, ainda, com a participação de Clarissa Bueno, vice-presidente do DC de Medicina do Sono na Criança e no Adolescente.

Com um público de 34 espectadores, os temas discutidos no evento foram Conceitos básicos em medicina do sono e Afinal, quais as indicações de melatonina em pediatria?. Ao término da atividade, as especialistas responderam dúvidas do público enviadas pelo chat.

A gravação deste Encontro com o Especialista está disponível no portal SPSP Educa (www.spspeduca.org.br).

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Tudo começa em casa https://spsp.org.br/tudo-comeca-em-casa/ Wed, 15 May 2024 18:05:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46094 O título deste breve texto em comemoração ao Dia Internacional da Família, celebrado em 15 de maio, é uma homenagem ao pediatra e psicanalista Donald Winnicott. Seu legado contém inúmeras publicações sobre a importância que a família tem no processo de amadurecimento de um indivíduo, incluindo o livro homônimo Tudo começa em casa. 1 Para esse importante autor, a família é a base estruturante da condição de um indivíduo se tornar uma pessoa, com condições plenas de se socializar e manter relações de respeito e consideração com um outro. Em sua teoria do desenvolvimento emocional primitivo, o bebê nasce em um estado físico e psíquico de absoluta dependência, sem nenhuma condição de sobrevivência sem que um adulto totalmente disponível possa se ocupar de seus cuidados essenciais. O bebê, nesse primeiro estágio, experimenta a sensação de estar aos pedaços, como se seu corpo não fosse uma unidade. A angústia é de desamparo e somente os braços de um cuidador que possa se identificar com suas necessidades, vai permitir que ele viva a experiência de estar contido por uma pele. Em geral é a mãe quem ocupa essa função e se dedica plenamente ao bebê durante os primeiros meses de vida. Ela precisa estar muito perto e atenta, numa relação quase fusional, tal a adaptação que estabelece com ele, que inclui um estado de regressão aos seus próprios registros inconscientes de ter sido um bebê. De acordo com Winnicott, a mãe no último mês de gestação e durante o puerpério adquire uma condição especial para essa função, a preocupação materna primária, que é um estado de regressão e identificação com o bebê, quase como uma “doença”. Uma doença saudável de mães saudáveis. Porém, se a mãe ocupa um lugar protagonista junto ao bebê, só pode exercer plenamente essa função e entrar nesse estado mental primitivo se houver um suporte que a sustente também. É essa a tarefa do pai ou de alguém que ocupe esse lugar de função paterna. Refiro-me à função de guardião do ambiente mãe-bebê, para que ele tenha um mínimo de desconfortos. O estado emocional do bebê é de extrema fragilidade e não pode sofrer grandes abalos, que nessa fase representam ameaças à sua existência psíquica. Portanto, esse terceiro, que é o pai ou substituto, precisa cuidar do ambiente e do suprimento para quem se ocupa do bebê na função mãe. Toda essa configuração vai mudando à medida que o bebê cresce e vai adquirindo condições mais estruturadas de lidar com desconfortos, dores, frustrações e, principalmente, com a ausência gradativa da mãe. Essa mudança de etapa e readaptação do ambiente familiar às novas necessidades do bebê é o que vai construindo a condição para o indivíduo se desenvolver plenamente e alcançar o estágio de independência. Na primeira infância, independência significa autonomias básicas de andar, comer, dormir em seu quarto e cama, separar-se dos pais por períodos maiores. A mesma estrutura desse modelo que vemos durante os dois primeiros anos de vida da criança vai se repetir ao longo de sua vida e permitir que na idade adulta esse filho possa sair de casa e construir sua própria vida adulta e uma nova família. A família é a base e o modelo fundamental para que cada indivíduo seja um “sujeito”, com plenas condições de se relacionar com seus grupos e desenvolver relações de intimidade. Quando algo não vai bem nas relações familiares, há um comprometimento nessas condições de desenvolvimento das crianças, complicando também seus futuros descendentes. É a estabilidade familiar que oferece o continente seguro para a saúde de seus membros. Isso não significa que não existam conflitos, que são parte de uma vida saudável. Nos conflitos familiares, a criança e o adolescente aprendem a se relacionar e desenvolver ferramentas de articulação com um outro. É preciso aprender a lidar com frustrações, ceder, negociar, atender às demandas da realidade e não apenas das expectativas pessoais. Adultos saudáveis e responsáveis podem ser os pilares de uma organização familiar que favoreça o desenvolvimento contínuo de seus membros. O grupo familiar então serve de base para as relações nos grupos mais amplos da sociedade. Conhecemos algumas das razões que fazem essa longa e exigente tarefa – o trabalho dos pais de compreender os filhos – valer a pena! E, de fato, acreditamos que esse trabalho provê a única base real para a sociedade, sendo o único fator para a tendência democrática do sistema social de um país.2 (Winnicott, 1986 – pág. 98) A vivência dos conflitos familiares oferece a possibilidade de lidar internamente com emoções intensas e transbordantes em um ambiente seguro e amoroso. Para tanto, é fundamental que os pais possam ser capazes de sustentar as leis que organizam o convívio grupal e ajudar os filhos na experiência da frustração que deriva dos limites que a realidade impõe aos desejos individuais. Atualmente há um equívoco no que tange à educação dos filhos, que é a ideia de que os pais devam buscar um mínimo de incômodo aos filhos, evitando a todo custo expressões de tristeza, dor, raiva, tomadas como emoções “negativas”. Com essa premissa, temos cada vez mais crianças e jovens que não desenvolvem condições de lidar com a realidade e seus infortúnios. Isso pode gerar um sentimento de vazio e impotência, contribuindo para várias patologias, como a depressão, que pode até levar ao suicídio. A depressão não é necessariamente negativa, como muito bem desenvolveu Winnicott em seu artigo O valor da depressão. Paradoxalmente, esse estado pode ser a condição de um processo de desenvolvimento, desde que possa ser vivido e superado dentro de um ambiente que acolha e suporte as dores que nele estão contidas. A família é uma referência para isso. Se a pessoa que sofre pode contar com um sentimento amoroso de sustentação, a depressão pode evoluir para um processo de cura, como afirmou Winnicott.3 Muito poderia ser ainda desenvolvido sobre o valor da estrutura familiar para o desenvolvimento saudável de uma pessoa, mas o assunto de tão rico e vasto não pode se esgotar em tão poucas...]]>

O título deste breve texto em comemoração ao Dia Internacional da Família, celebrado em 15 de maio, é uma homenagem ao pediatra e psicanalista Donald Winnicott. Seu legado contém inúmeras publicações sobre a importância que a família tem no processo de amadurecimento de um indivíduo, incluindo o livro homônimo Tudo começa em casa. 1

Para esse importante autor, a família é a base estruturante da condição de um indivíduo se tornar uma pessoa, com condições plenas de se socializar e manter relações de respeito e consideração com um outro.

Em sua teoria do desenvolvimento emocional primitivo, o bebê nasce em um estado físico e psíquico de absoluta dependência, sem nenhuma condição de sobrevivência sem que um adulto totalmente disponível possa se ocupar de seus cuidados essenciais. O bebê, nesse primeiro estágio, experimenta a sensação de estar aos pedaços, como se seu corpo não fosse uma unidade. A angústia é de desamparo e somente os braços de um cuidador que possa se identificar com suas necessidades, vai permitir que ele viva a experiência de estar contido por uma pele.

Em geral é a mãe quem ocupa essa função e se dedica plenamente ao bebê durante os primeiros meses de vida. Ela precisa estar muito perto e atenta, numa relação quase fusional, tal a adaptação que estabelece com ele, que inclui um estado de regressão aos seus próprios registros inconscientes de ter sido um bebê.

De acordo com Winnicott, a mãe no último mês de gestação e durante o puerpério adquire uma condição especial para essa função, a preocupação materna primária, que é um estado de regressão e identificação com o bebê, quase como uma “doença”. Uma doença saudável de mães saudáveis.

Porém, se a mãe ocupa um lugar protagonista junto ao bebê, só pode exercer plenamente essa função e entrar nesse estado mental primitivo se houver um suporte que a sustente também. É essa a tarefa do pai ou de alguém que ocupe esse lugar de função paterna.

Refiro-me à função de guardião do ambiente mãe-bebê, para que ele tenha um mínimo de desconfortos. O estado emocional do bebê é de extrema fragilidade e não pode sofrer grandes abalos, que nessa fase representam ameaças à sua existência psíquica. Portanto, esse terceiro, que é o pai ou substituto, precisa cuidar do ambiente e do suprimento para quem se ocupa do bebê na função mãe.

Toda essa configuração vai mudando à medida que o bebê cresce e vai adquirindo condições mais estruturadas de lidar com desconfortos, dores, frustrações e, principalmente, com a ausência gradativa da mãe.

Essa mudança de etapa e readaptação do ambiente familiar às novas necessidades do bebê é o que vai construindo a condição para o indivíduo se desenvolver plenamente e alcançar o estágio de independência.

Na primeira infância, independência significa autonomias básicas de andar, comer, dormir em seu quarto e cama, separar-se dos pais por períodos maiores.

A mesma estrutura desse modelo que vemos durante os dois primeiros anos de vida da criança vai se repetir ao longo de sua vida e permitir que na idade adulta esse filho possa sair de casa e construir sua própria vida adulta e uma nova família.

A família é a base e o modelo fundamental para que cada indivíduo seja um “sujeito”, com plenas condições de se relacionar com seus grupos e desenvolver relações de intimidade. Quando algo não vai bem nas relações familiares, há um comprometimento nessas condições de desenvolvimento das crianças, complicando também seus futuros descendentes.

É a estabilidade familiar que oferece o continente seguro para a saúde de seus membros. Isso não significa que não existam conflitos, que são parte de uma vida saudável. Nos conflitos familiares, a criança e o adolescente aprendem a se relacionar e desenvolver ferramentas de articulação com um outro. É preciso aprender a lidar com frustrações, ceder, negociar, atender às demandas da realidade e não apenas das expectativas pessoais. Adultos saudáveis e responsáveis podem ser os pilares de uma organização familiar que favoreça o desenvolvimento contínuo de seus membros. O grupo familiar então serve de base para as relações nos grupos mais amplos da sociedade.

Conhecemos algumas das razões que fazem essa longa e exigente tarefa – o trabalho dos pais de compreender os filhos – valer a pena! E, de fato, acreditamos que esse trabalho provê a única base real para a sociedade, sendo o único fator para a tendência democrática do sistema social de um país.2 (Winnicott, 1986 – pág. 98)

A vivência dos conflitos familiares oferece a possibilidade de lidar internamente com emoções intensas e transbordantes em um ambiente seguro e amoroso. Para tanto, é fundamental que os pais possam ser capazes de sustentar as leis que organizam o convívio grupal e ajudar os filhos na experiência da frustração que deriva dos limites que a realidade impõe aos desejos individuais.

Atualmente há um equívoco no que tange à educação dos filhos, que é a ideia de que os pais devam buscar um mínimo de incômodo aos filhos, evitando a todo custo expressões de tristeza, dor, raiva, tomadas como emoções “negativas”. Com essa premissa, temos cada vez mais crianças e jovens que não desenvolvem condições de lidar com a realidade e seus infortúnios. Isso pode gerar um sentimento de vazio e impotência, contribuindo para várias patologias, como a depressão, que pode até levar ao suicídio.

A depressão não é necessariamente negativa, como muito bem desenvolveu Winnicott em seu artigo O valor da depressão. Paradoxalmente, esse estado pode ser a condição de um processo de desenvolvimento, desde que possa ser vivido e superado dentro de um ambiente que acolha e suporte as dores que nele estão contidas. A família é uma referência para isso. Se a pessoa que sofre pode contar com um sentimento amoroso de sustentação, a depressão pode evoluir para um processo de cura, como afirmou Winnicott.3

Muito poderia ser ainda desenvolvido sobre o valor da estrutura familiar para o desenvolvimento saudável de uma pessoa, mas o assunto de tão rico e vasto não pode se esgotar em tão poucas linhas. Fica então a mensagem central dessa importância e o necessário olhar para que a sociedade contribua para o trabalho fundamental do qual cabe à família se ocupar.

Saiba mais:

  1. Winnicott D. Tudo começa em casa, 1996, Editora Martins Fontes.
  2. Winnicott D. A contribuição da mãe para a sociedade. In: Tudo começa em casa, 1996, Editora Martins Fontes.
  3. Winnicott D. O valor da depressão. In: Tudo começa em casa, 1996, Editora Martins Fontes.

 

Relatora:
Denise de Sousa Feliciano
Presidente do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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10/11 – Dia Nacional de Prevenção e Combate da Surdez https://spsp.org.br/10-11-dia-nacional-de-prevencao-e-combate-da-surdez/ Fri, 10 Nov 2023 17:29:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40643 Definir o que é ouvir ou escutar é extremamente complexo, pois esta capacidade se adapta a muitas funções banais e importantes do nosso dia a dia.]]>

Definir o que é ouvir ou escutar é extremamente complexo, pois esta capacidade se adapta a muitas funções banais e importantes do nosso dia a dia. Consultando o dicionário, pode-se observar quantos significados há de ouvir, inclusive com sentidos opostos. O som produzido pela fala carinhosa da mãe pode induzir o sono em seu bebê, enquanto os gritos produzidos por ele podem facilmente tirar a mãe de seu sono tranquilo. O som pode transmitir segurança, medo ou pavor.

Ouvir, para o ser humano, implica fala; dois indivíduos ouvintes e falantes implicam troca. Pode-se ouvir e aprender, como também ensinar. O indivíduo ouvinte tem acesso ao mundo intelectual dos homens, onde a maioria das informações entre dois indivíduos são trocadas oralmente.

Já o não ouvir significa banir o indivíduo desse meio, privá-lo dessas trocas, interferindo no seu desenvolvimento e na formulação da sua linguagem interior e exterior. Interfere também de maneira definitiva na estrutura familiar e no meio em que o indivíduo vive, na maioria das vezes de forma negativa, pelas dificuldades e preconceitos que acarreta.

A prevenção da surdez em crianças envolve cuidados que pais e cuidadores podem tomar desde o nascimento, para garantir que seus filhos desenvolvam uma audição saudável.

Aqui estão algumas orientações importantes:

  • Pré-natal:

A realização das consultas de pré-natal é fundamental para acompanhar o bom desenvolvimento do seu bebê. Realizar testes sorológicos, aconselhamento genético nos casos de perda auditiva familiar presentes desde o nascimento ou que acometeram crianças pequenas na família, são fundamentais.

  • Teste da audição ao nascimento:

O teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal universal) é um procedimento padrão obrigatório por lei e que deve ser realizado em todos os recém-nascidos, para identificar problemas auditivos precocemente. Certifique-se de que o teste seja realizado e, se algum problema for detectado, siga as orientações dos profissionais de saúde.

  • Amamentação:

A amamentação é benéfica para a saúde geral do bebê, incluindo a audição. O leite materno oferece proteção contra infecções e inflamações que podem afetar os ouvidos.

  • Vacinas e cuidados de saúde:

Manter as crianças saudáveis é fundamental para prevenir infecções que possam afetar a audição (como por exemplo sarampo, rubéola, caxumba, meningite). Certifique-se de que seu filho receba todas as vacinas recomendadas que constam do calendário vacinal proposto pela Sociedade de Pediatria. E faça as consultas médicas regulares de seu filho. Seu pediatra sabe o que é melhor para cada idade de seu filho.

  • Evitar exposição a ruídos altos:

Proteja os ouvidos de seu filho de ruídos intensos, como música alta, fones de ouvido em volume excessivo, brinquedos e máquinas barulhentas. Use protetores auriculares, se necessário, durante eventos barulhentos, como shows ou festas.

  • Cuidado com as infecções do ouvido:

Infecções da orelha média podem ser prejudiciais para a audição. Esteja atento a sinais de infecção, como dor no ouvido, febre e irritabilidade, e procure tratamento médico sempre que necessário. Mesmo na ausência de infecções ativas a criança poderá estar com a audição prejudicada. Portanto, faça audiometria todos os anos até seu filho completar os sete anos. A partir daí o número de infecções de ouvido nas crianças diminui drasticamente.

  • Evite o uso de cotonetes:

Não use cotonetes para limpar os ouvidos das crianças, pois isso pode empurrar cera ou objetos estranhos para dentro do canal auditivo, causando danos. A orelha externa não precisa ser limpa – a cera da orelha não é sujeira; é proteção!

  • Educação sobre ruído:

Ensine seus filhos sobre os perigos do ruído alto, fones de ouvido em volumes elevados e a importância de proteger a audição. Use jogos e atividades educacionais para tornar o aprendizado divertido.

  • Verificação da audição:

Realize verificações periódicas da audição de seu filho, especialmente se houver histórico de problemas auditivos na família. Isso pode ajudar a identificar problemas precocemente.

  • Desenvolvimento da linguagem:

Estimule o desenvolvimento da linguagem de seu filho, já que a audição desempenha um papel fundamental na aquisição da linguagem. Converse, leia e cante para seu filho desde cedo.

  • Consulta a um especialista:

Se você suspeitar de problemas auditivos em seu filho, consulte um otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo, parceiros do seu pediatra. Quanto mais cedo os problemas forem identificados, mais eficaz será o tratamento.

Lembre-se de que a prevenção da surdez começa na barriga da mãe e é um esforço contínuo. A conscientização e a educação dos pais e cuidadores desempenham um papel crucial na proteção da audição das nossas crianças.

 

Relator:
Manoel de Nóbrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia do Cirurgião-Dentista e Dia Nacional da Saúde Bucal https://spsp.org.br/dia-do-cirurgiao-dentista-e-dia-nacional-da-saude-bucal/ Wed, 25 Oct 2023 17:32:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40390 No dia 25 de outubro oficializou-se no Brasil a data comemorativa ao Dia do Cirurgião-Dentista (e também da Saúde Bucal) como forma de homenagear a]]>


No dia 25 de outubro oficializou-se no Brasil a data comemorativa ao Dia do Cirurgião-Dentista (e também da Saúde Bucal) como forma de homenagear a história da criação da primeira Faculdade de Odontologia no Brasil e aos dedicados profissionais voltados à saúde oral.

 

A Organização Mundial da Saúde define a saúde oral como um estado livre de dor crônica oral e facial, câncer oral e de garganta, infecção e inflamação oral, doença periodontal, cárie dentária, perda dentária e outras doenças e distúrbios que limitam a capacidade de um indivíduo em morder, mastigar, sorrir e falar. A saúde oral interfere com a saúde geral do indivíduo, causando impactos em seu bem-estar e qualidade de vida!

Desse modo, as ações odontológicas preventivas e curativas são fundamentais, pois têm o objetivo de aumentar o acesso aos cuidados orais e melhorar a saúde oral da população, bem como sua saúde geral. A atenção precoce do paciente, com abordagem iniciando desde a gestação e nos primeiros anos de vida, propicia um momento ímpar de estabelecer ações de promoção de saúde e a instalação de hábitos saudáveis.

Neste mês de outubro, o Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo congratula todos os cirurgiões-dentistas brasileiros por suas ações científicas e clínicas que promovem saúde oral com alta relevância nacional e internacional.

Os melhores desejos aos cirurgiões-dentistas, que proporcionam sorrisos saudáveis em todos os ciclos da vida do indivíduo!


Relatora:
Dóris Rocha Ruiz

Revisão:
Ana Maria Guimarães
Cristina Giovannetti Del Conte
Núcleo de Estudos de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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21/9, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: como construir soluções transformadoras para um desenvolvimento infantil inclusivo https://spsp.org.br/21-9-dia-nacional-de-luta-da-pessoa-com-deficiencia-como-construir-solucoes-transformadoras-para-um-desenvolvimento-infantil-inclusivo/ Wed, 20 Sep 2023 18:39:29 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39386 Datas comemorativas são ocasiões-chave para discutirmos temas que trazem]]>

Datas comemorativas são ocasiões-chave para discutirmos temas que trazem preocupação para uma parcela da sociedade. Além de comemorar e reiterar conquistas, falar sobre deficiência nesses momentos é uma oportunidade de construir e aumentar a visibilidade do assunto, para que esforços e recursos, públicos e privados, sejam direcionados aos problemas existentes.

A pandemia do coronavírus 19 ressaltou ainda mais as complexidades de um mundo ainda com extensas disparidades. Vivemos diferentes crises e, em todos os cenários, são as populações mais vulneráveis que frequentemente são deixadas de lado. A construção de uma sociedade mais acessível, pautada pela equidade e empatia em relação à diversidade humana, depende da busca por soluções inclusivas nos mais diversos campos, tendo como início a infância: o potencial inerente ao desenvolvimento infantil é chave para um futuro mais inclusivo.

O centro de qualquer discussão sobre pessoas com deficiência deve incluir a participação ativa de diversos grupos com necessidades específicas, respeitando o princípio fundamental que diz «nada sobre nós, sem nós», lema de conscientização em campanhas de diferentes países e instituições.

Estima-se que há no mundo mais de 20 milhões de pessoas abaixo de 18 anos com algum tipo de deficiência. Uma deficiência é uma condição ou função que traz prejuízos sensoriais ou cognitivos na relação do indivíduo com o ambiente. Os domínios principais que reduzem a interação individual com seu cotidiano podem estar relacionados às dificuldades físicas ou de mobilidade, de visão, de audição, cognitivas ou de aprendizado e psicológicas.

O escopo do trabalho do pediatra tem sua base no indivíduo. É necessário enxergar a deficiência como uma característica e não como algo que impõe limites ou define destino. Desde o momento em que se comunicam os diagnósticos às famílias, passando por toda a trajetória de conversas e orientações aos responsáveis, o pediatra exerce um papel modificador no que concerne ao desenvolvimento da criança e suas potencialidades.

Assim, a proposta pediátrica de cuidado deve ter como marcos:

  • Aumentar o entendimento familiar com respeito à deficiência e às necessidades específicas de seu filho;
  • Criar uma cultura com foco em habilidades e engajar o desenvolvimento das mesmas;
  • Divulgar informações corretas e embasadas na ciência, desmistificando falas capacitistas sobre a deficiência;
  • Ampliar a visão sobre a diversidade, entendendo a deficiência como algo inerente à vida humana;
  • Enxergar a infância como um mar de possibilidades, onde não há como entender, independente da deficiência, se há limites e onde estão;
  • Facilitar, durante a infância de todas as crianças, a construção da habilidade de enxergar as diferenças de forma positiva; 
  • Disseminar terminologias corretas e promover a linguagem simples. A linguagem é uma ferramenta poderosa na criação de entendimento, sedimentação de tolerância e oportunidade.

Neste Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, desejamos que ninguém fique para trás e que a Pediatria seja líder no caminho de um futuro inclusivo. 

 

Relatora:
Anna Dominguez Bohn
Pediatra e Vice-Presidente do Núcleo de Estudos sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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