Hipercolesterolemia familiar – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 26 Aug 2026 13:22:09 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Hipercolesterolemia familiar – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Colesterol alto também é coisa de criança: a prevenção começa na infância https://spsp.org.br/colesterol-alto-tambem-e-coisa-de-crianca-a-prevencao-comeca-na-infancia/ Fri, 07 Aug 2026 13:54:13 +0000 https://spsp.org.br/?p=58126 Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares. O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor. Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão. No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo. Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável. Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior. Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas. Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra. A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico. Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida. Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente. A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo. Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural. Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário. O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro. Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável. Relatoras: Natália Tonon DominguesMédica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESPMembro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSPMembro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP Lygia Mendes dos Santos BörderMédica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público EstadualVice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSPMembro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Quando pensamos em colesterol alto, é natural imaginar um problema que aparece apenas na vida adulta. No entanto, essa alteração também pode estar presente na infância e na adolescência, geralmente de forma silenciosa. É justamente por não causar sintomas que o colesterol elevado costuma passar despercebido, tornando o diagnóstico precoce um importante aliado na prevenção das doenças cardiovasculares.

O colesterol é uma gordura essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D, entre outras funções. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Ao longo dos anos, esse excesso pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo o desenvolvimento da aterosclerose. Já o HDL, chamado de “colesterol bom”, ajuda a retirar parte dessa gordura da circulação e exerce um efeito protetor.

Hoje sabemos que a aterosclerose, responsável por infartos e acidentes vasculares cerebrais na vida adulta, pode começar ainda na infância. Embora os sintomas só apareçam décadas depois, os fatores de risco costumam estar presentes desde cedo. Por isso, cuidar da saúde cardiovascular das crianças significa investir na saúde dos adultos que elas se tornarão.

No consultório, é comum que pais e responsáveis se surpreendam quando um exame de sangue revela colesterol elevado em uma criança aparentemente saudável. Afinal, ela brinca, corre, cresce normalmente e não sente absolutamente nada. Diferentemente de muitas doenças, o colesterol alto quase nunca dá sinais de alerta. Na maioria das vezes, ele é descoberto durante uma consulta de rotina ou quando o pediatra investiga um histórico familiar sugestivo.

Essa situação é mais frequente do que muitos imaginam. Estima-se que cerca de uma em cada cinco crianças e adolescentes apresente alguma alteração no perfil lipídico. O aumento da obesidade infantil, do sedentarismo e do consumo de alimentos ultraprocessados contribui para esse cenário. Entretanto, nem sempre a alimentação é a principal responsável.

Existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, em que a criança já nasce com níveis elevados de colesterol LDL. Nesses casos, mesmo sendo magra, praticando atividade física e mantendo uma alimentação equilibrada, ela pode apresentar colesterol alto. Sem diagnóstico e tratamento adequados, o risco de desenvolver doença cardiovascular precocemente é significativamente maior.

Por esse motivo, conhecer o histórico de saúde da família é fundamental. Casos de colesterol muito elevado, infarto ou acidente vascular cerebral em idade precoce podem indicar a necessidade de uma investigação antecipada. Além disso, algumas condições aumentam o risco de alterações no colesterol, como excesso de peso, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença renal crônica e outras doenças crônicas.

Atualmente, recomenda-se que todas as crianças realizem uma avaliação do perfil lipídico entre 9 e 11 anos de idade, repetindo o rastreamento entre 17 e 21 anos. Nos casos em que existem fatores de risco ou história familiar importante, essa investigação pode ser indicada mais cedo, sempre com orientação do pediatra.

A recomendação do rastreamento universal existe porque muitas crianças com colesterol elevado não apresentam obesidade, não têm sintomas e sequer possuem um histórico familiar conhecido. Se apenas aquelas consideradas de maior risco fossem investigadas, um número importante de crianças permaneceria sem diagnóstico.

Quando uma alteração é identificada, o primeiro passo do tratamento é promover mudanças no estilo de vida. Mais do que restringir alimentos, o objetivo é construir hábitos saudáveis que possam acompanhar a criança por toda a vida.

Uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, leite e derivados, carnes magras e peixes, deve fazer parte da rotina familiar. Em contrapartida, refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, salgadinhos, biscoitos recheados, doces e outros alimentos ultraprocessados devem ser consumidos apenas ocasionalmente.

A prática regular de atividade física é outro pilar fundamental. Não é preciso que a criança seja atleta: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, correr, dançar, nadar ou jogar bola já traz benefícios importantes para o coração. Da mesma forma, reduzir o tempo de telas favorece um estilo de vida mais ativo.

Talvez a mensagem mais importante seja que nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Alimentação saudável, atividade física e uma rotina equilibrada são construídas dentro de casa. Quando toda a família participa, as mudanças deixam de ser uma obrigação e passam a fazer parte do dia a dia de forma natural.

Em algumas situações, especialmente na hipercolesterolemia familiar, as mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar os níveis de colesterol. Nesses casos, o acompanhamento especializado é essencial para definir o momento adequado de iniciar o tratamento medicamentoso, quando necessário.

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, é uma oportunidade para lembrar que a prevenção das doenças cardiovasculares começa muito antes da vida adulta. Conhecer o histórico familiar, manter consultas regulares com o pediatra, realizar os exames quando indicados e incentivar hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida são atitudes capazes de reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares no futuro.

Cuidar do colesterol na infância vai muito além de evitar um exame alterado. É oferecer às crianças a oportunidade de crescer com mais saúde e construir, desde cedo, um futuro com um coração mais saudável.

Relatoras:

Natália Tonon Domingues
Médica Pediatra e Endocrinologista Pediátrica pela Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB-UNESP)
Mestrado e Doutorado pela FMB-UNESP
Membro dos Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Endocrinologia e Nutrição da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos da Prática de Atividade Física e Esportes da SPSP

Lygia Mendes dos Santos Börder
Médica Pediatra pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP)
Mestre em Ciências da Saúde pelo IAMSPE – Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da SPSP
Membro do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Colesterol alto também pode ser problema de criança https://spsp.org.br/colesterol-alto-tambem-pode-ser-problema-de-crianca-2/ Tue, 12 Dec 2017 17:10:17 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1896 Médica alerta para a condição que aumenta o risco cardiovascular mesmo na infância e explica como é possível contê-la do princípio. Por Dra. Louise Cominato Embora seja mais comum na idade adulta, o aumento dos níveis de colesterol ou triglicérides no sangue não raro já tem início na infância. E representa uma ameaça à saúde, uma vez que está diretamente associado ao maior risco de infarto e acidente vascular cerebral. Inclusive porque, ainda nessa fase da vida, já pode começar a formação de placas de gordura nas artérias, fenômeno que levará às doenças cardiovasculares no futuro. Um quadro em particular chama atenção nesse contexto: a hipercolesterolemia familiar (HF), doença caracterizada por altos níveis de colesterol logo na infância. Existem duas formas do problema. Estima-se que a versão heterozigótica, mais leve, afeta uma em cada 200 a 500 crianças. Em geral, os níveis de colesterol no sangue ficam em torno de 350 e 550 mg/dl. Falamos de indivíduos que provavelmente terão doença cardiovascular antes dos 50 anos se não tratados adequadamente. Já a segunda a versão, a forma homozigótica, é uma doença mais rara e grave. Ocorre um caso a cada 1 milhão de indivíduos, podendo acontecer na proporção de um para 30 mil em determinadas populações. Os valores de colesterol total, nesse caso, podem ultrapassar 1 000 mg/dl – só o LDL (o colesterol “ruim”) chega a superar 500 mg/dl. Esses indivíduos, se não controlados precocemente, apresentarão doença cardiovascular antes até dos 20 anos de idade. Além do risco às artérias, esse grupo pode sofrer com xantomas, lesões de pele originárias do excesso de gordura circulante. Atualmente, os consensos nacionais e internacionais sugerem que a primeira dosagem de colesterol na infância seja feita em toda a criança entre 9 e 11 anos. Elas deveriam passar por uma triagem para a HF. Em crianças com obesidade, diabetes, problemas renais ou autoimunes, assim como naquelas com histórico familiar de doença cardiovascular precoce (antes dos 50 anos), se recomenda que os exames de colesterol sejam feitos a partir dos 2 anos de idade. A suspeita de maior risco pode surgir no consultório do pediatra, que, principalmente nos episódios de HF, deve remanejar o pequeno paciente a um especialista. O tratamento inicial se baseia em mudanças de estilo de vida, como aumento da prática de atividade física, adequação da dieta (pobre em gorduras e rica em fibras) e controle do peso. Se essas medidas não surtirem efeito, deve ser iniciado o tratamento com remédios. O objetivo é manter o LDL-colesterol, mais perigoso aos vasos, abaixo de 130 mg/dl. O diagnóstico e o tratamento precoce compõem um requisito fundamental para que essas crianças não tenham a qualidade e a expectativa de vida prejudicadas pela doença cardiovascular. ___ Texto produzido pela Dra. Louise Cominato para o site SAÚDE. Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/colesterol-alto-tambem-pode-ser-problema-de-crianca/ A Dra. Louise Cominato é endocrinologista pediátrica e secretária do Departamento de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Publicado em 12/12/2017. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Médica alerta para a condição que aumenta o risco cardiovascular mesmo na infância e explica como é possível contê-la do princípio.
Por Dra. Louise Cominato

Embora seja mais comum na idade adulta, o aumento dos níveis de colesterol ou triglicérides no sangue não raro já tem início na infância. E representa uma ameaça à saúde, uma vez que está diretamente associado ao maior risco de infarto e acidente vascular cerebral. Inclusive porque, ainda nessa fase da vida, já pode começar a formação de placas de gordura nas artérias, fenômeno que levará às doenças cardiovasculares no futuro.

digihanger | Pixabay

Um quadro em particular chama atenção nesse contexto: a hipercolesterolemia familiar (HF), doença caracterizada por altos níveis de colesterol logo na infância. Existem duas formas do problema. Estima-se que a versão heterozigótica, mais leve, afeta uma em cada 200 a 500 crianças. Em geral, os níveis de colesterol no sangue ficam em torno de 350 e 550 mg/dl. Falamos de indivíduos que provavelmente terão doença cardiovascular antes dos 50 anos se não tratados adequadamente.

Já a segunda a versão, a forma homozigótica, é uma doença mais rara e grave. Ocorre um caso a cada 1 milhão de indivíduos, podendo acontecer na proporção de um para 30 mil em determinadas populações.

Os valores de colesterol total, nesse caso, podem ultrapassar 1 000 mg/dl – só o LDL (o colesterol “ruim”) chega a superar 500 mg/dl. Esses indivíduos, se não controlados precocemente, apresentarão doença cardiovascular antes até dos 20 anos de idade. Além do risco às artérias, esse grupo pode sofrer com xantomas, lesões de pele originárias do excesso de gordura circulante.

Atualmente, os consensos nacionais e internacionais sugerem que a primeira dosagem de colesterol na infância seja feita em toda a criança entre 9 e 11 anos. Elas deveriam passar por uma triagem para a HF. Em crianças com obesidade, diabetes, problemas renais ou autoimunes, assim como naquelas com histórico familiar de doença cardiovascular precoce (antes dos 50 anos), se recomenda que os exames de colesterol sejam feitos a partir dos 2 anos de idade.

A suspeita de maior risco pode surgir no consultório do pediatra, que, principalmente nos episódios de HF, deve remanejar o pequeno paciente a um especialista. O tratamento inicial se baseia em mudanças de estilo de vida, como aumento da prática de atividade física, adequação da dieta (pobre em gorduras e rica em fibras) e controle do peso.

Se essas medidas não surtirem efeito, deve ser iniciado o tratamento com remédios. O objetivo é manter o LDL-colesterol, mais perigoso aos vasos, abaixo de 130 mg/dl.

O diagnóstico e o tratamento precoce compõem um requisito fundamental para que essas crianças não tenham a qualidade e a expectativa de vida prejudicadas pela doença cardiovascular.

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Texto produzido pela Dra. Louise Cominato para o site SAÚDE.
Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/colesterol-alto-tambem-pode-ser-problema-de-crianca/

A Dra. Louise Cominato é endocrinologista pediátrica e secretária do Departamento de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 12/12/2017.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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