higiene – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 07 Nov 2025 17:02:01 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png higiene – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Novembrinho Azul – Cuidados com a saúde masculina começa na infância https://spsp.org.br/novembrinho-azul-cuidados-com-a-saude-masculina-comeca-na-infancia/ Thu, 06 Nov 2025 14:34:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54071 Neste mês de novembro, queremos ressaltar que a saúde do homem começa desde a infância: pediatra orientando higiene pessoal e hábitos]]>

Neste mês de novembro, queremos ressaltar que a saúde do homem começa desde a infância: pediatra orientando higiene pessoal e hábitos saudáveis, como alimentação, sono, esporte. Lembrar que o cuidado desde criança vai fazer com que o adulto se preocupe e continue a cuidar de sua saúde.

Por isso nós pediatras e hebiatras (médicos de adolescentes) também nos engajamos nessa campanha e queremos conversar com os pais, crianças e adolescentes sobre prevenção e cuidados.

Toda prevenção de agravos à saúde deve ser iniciada na puericultura. O pediatra tem uma ligação de longa data com os pais, e desse modo pode preparar a família a desenvolver o autocuidado e a falar sobre esses temas de forma mais natural com seus filhos.

 Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)

As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) na adolescência são um problema preocupante, pois muitas vezes não apresentam sintomas, podendo levar a complicações sérias como infertilidade e até câncer, especialmente se não tratadas precocemente. As mais comuns incluem clamídia, gonorreia, sífilis, HPV (Papilomavírus humano) e herpes genitalvírus (Herpes simplex tipo 1 e tipo 2). Além das hepatites B, C e o HIV.

O que torna adolescentes vulneráveis a essas doenças é a falta de informações adequadas, passadas de forma clara e sem julgamentos. Por isso a educação em sexualidade nas escolas e a consulta com o pediatra são tão importantes. Assim como ter acesso a preservativos em locais em que os adolescentes não se sintam expostos ao adquiri-los e manter a carteira de vacinação em dia.

 Como se proteger das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)

Apesar do método mais eficaz de prevenção das ISTs continuar sendo o uso de preservativos, algumas ISTs também devem ser prevenidas por meio de vacinas, disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) e/ou nas clínicas particulares. É o caso das vacinas de HPV e da hepatite B.

 Vacina contra HPV protege contra quatro ou nove sorotipos do vírus

O vírus HPV compreende uma família com muitos subtipos, vários dos quais afetam a região genital, incluindo aqueles responsáveis por desencadear cânceres de colo do útero, vagina, ânus, vulva, pênis e câncer de orofaringe, além de verrugas genitais. A vacina de HPV quadrivalente está disponível no SUS e a de HPV nonavalente nas clínicas particulares.

 Vacina da hepatite B

A hepatite B é uma infecção viral, silenciosa, que prejudica o funcionamento do fígado e, ao longo do tempo, se não for tratada, lesiona consideravelmente os tecidos do órgão, podendo levar a uma cirrose hepática. Transmitida por meio de sangue e fluidos corporais, é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST), uma vez que a transmissão mais comum é a sexual. A vacina de hepatite B encontra-se disponível no SUS e é importante para a proteção.

Existem outras vacinas superimportantes para os adolescentes, como:

Meningite ACWY

A vacina da meningite ACWY previne meningites e infecções generalizadas causadas pela bactéria meningococo dos tipos A, C, W e Y e está disponível no SUS dos 11 aos 14 anos de idade.

Meningite B

A vacina da meningite B previne meningite e infecções generalizadas causadas pela bactéria meningococo do tipo B. Tem em rede privada, sendo feita em duas doses, com intervalo de um a dois meses a partir de três meses de idade.

Vacina DTpa ou DT

Nas unidades de saúde é feita a DT (difteria/tétano) como dose de reforço entre 14 e 15 anos.

Enquanto a DTpa (difteria/tétano/coqueluche) tem a mais a coqueluche e é encontrada em rede privada.

Vacina Qdenga

A vacina contra a dengue previne a infecção causada pelos quatro sorotipos do vírus: Denv-1, Denv-2, Denv-3 e Denv-4.

Indicada para crianças a partir de quatro anos de idade e disponível na rede pública dos 10 aos 14 anos, feita em duas doses com intervalo de três meses.

Vacina da gripe (Influenza)

Vacina contra a gripe: Trivalente encontrada no SUS e a quadrivalente em rede privada.

A importância da higiene íntima masculina e saúde genital

Dados do Sistema Único de Saúde – SUS – revelam que toda semana, em média, nove homens sofrem amputação de pênis no Brasil.

Medidas simples como uma higienização adequada evitam a maioria das afecções que acometem os homens.

A limpeza adequada do pênis com água e sabão, puxando o prepúcio para higiene da glande, deve ser realizada todos os dias e após prática sexual para quem já iniciou atividade sexual.

Como higienizar o pênis?

A lavagem é simples e deve ser feita com água e sabão, na hora do banho. Para limpar o pênis, o adolescente precisa afastar o prepúcio e expor a cabeça do órgão, conhecida como glande. Muitas vezes a urina que fica embaixo da pele (prepúcio) é ácida e pode causar inflamação, caso não tenha uma boa higienização.

A lavagem feita com água e sabão minimiza o risco de se ter um tumor de pênis ou doença mais grave.

Outro tópico importante é a saúde dos testículos

O alerta é: inchaço inexplicável e dor deve ser imediatamente avaliado pelo médico. Existem doenças como a torção de testículo que, se não resolvida em poucas horas, pode levar à perda do órgão.

A avaliação periódica é importante: a avaliação com o médico de adolescentes pode prevenir infertilidade na vida adulta, pois algumas doenças, como a varicocele, causada pelo mau funcionamento das válvulas das veias, podem levar ao acúmulo de sangue e à dilatação local.

A produção de espermatozoides pode ser prejudicada. Na maioria das vezes é indolor e é a principal causa de infertilidade em homens adultos.

Fimose

A fimose é uma condição em que o prepúcio (pele que recobre o pênis) não se expõe, ou seja, não pode ser retraído, o que dificulta a exposição da glande (cabeça do pênis).

Ela é uma situação fisiológica que se resolve até a idade de três anos com uma higiene adequada. Até os três anos de idade, metade dos meninos já retraem o prepúcio e na adolescência quase todos já resolvem.

A fimose, se não tratada, pode evoluir para câncer de pênis e outras doenças; o tratamento é cirúrgico.

Enfim, essas e muitas outras orientações podem ser dadas pelo médico de adolescente, encaminhando se necessário para o especialista.

 

Relatoras:

Carolina Maria Soares Cresciulo
Elisiane Elias Mendes Machado
Elizete Prescinotti Andrade
Maíra Pieri
Departamento Científico de Adolescência da SPSP

]]>
15 de outubro – Dia Mundial da Lavagem das Mãos https://spsp.org.br/15-de-outubro-dia-mundial-da-lavagem-das-maos/ Mon, 16 Oct 2023 19:17:04 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40195 Lavar as mãos! Lavar as mãos! Lavar as mãos! Muitas pessoas ainda não acreditam na importância deste simples ato! ]]>

Lavar as mãos! Lavar as mãos! Lavar as mãos!

Muitas pessoas ainda não acreditam na importância deste simples ato! Então, vamos contextualizar esse assunto para obtermos a devida importância.

Em 1846, na Hungria, um residente chefe da clínica puerperal (Ignaz Semmelweis) observou que a mortalidade por febre puerperal era três vezes maior na clínica onde os alunos faziam as autópsias e cirurgias, em comparação com a clínica onde era realizado o treinamento das enfermeiras parteiras. À época ele atribuiu essa circunstância às “partículas cadavéricas”… Hoje, simplesmente, bactérias! E o único ato que ele instituiu para o controle dessa elevada taxa de mortalidade foi… lavar as mãos!!! E teve êxito!

Depois dessa invenção (!!!), diversos estudos e metanálises conseguiram, de maneira robusta, confirmar a importância desse ato que parece tão banal.

Todos os bundles (pacotes de medidas) para controle de infecção hospitalar, obrigatoriamente, passam pelo treinamento do corpo clínico em como lavar as mãos. Sim, existe inclusive técnica adequada para a eficácia da lavagem das mãos!

Durante a pandemia pelo coronavírus, novamente comprovamos essa técnica tão fundamental.

Mas não só em ambiente hospitalar: devemos lembrar de outros tantos eventos que assolam nossa população, como as infecções pelo vírus sincicial respiratório (uma das principais causas de mortalidade em lactentes), as gastroenterites, as parasitoses (importância da higiene dos alimentos).

Ter um ambiente limpo é fundamental para uma população com melhor qualidade de saúde e a higiene das mãos é a pedra fundamental para isso!

Então viva o dia 15 de outubro, Dia Mundial da Lavagem das Mãos! E vamos celebrar… lavando muito bem as mãos!!!

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Uma data estranha – O Dia do Cotonete https://spsp.org.br/uma-data-estranha-o-dia-do-cotonete/ Fri, 24 Jun 2022 19:20:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33095 ]]>

Episódio 12: “- Vó, por que a gente tem cera nos ouvidos? Parece que não serve pra nada… só entope o ouvido e suja o nosso dedo.

– Se o corpo a produz é porque deve ter alguma utilidade, respondeu a vovó.”

 A resposta simplista da vovó, provavelmente, não satisfaça a curiosidade do neto(a), todavia, contém sabedoria. Considerar que nosso organismo tem partes, segmentos, estruturas desnecessárias seria um pouco de prepotência ou arrogância. Podemos achar que não sejam vitais para a economia do organismo, porém, ainda assim, teria sentido na história evolutiva desse mesmo organismo.

A atenção aos cuidados de higiene pessoal é o principal mote desta data – Dia do Cotonete, que se comemora em 25 de junho. Limpar os ouvidos é um sinal de higienização, porém, não deve se alinhar como um ato semelhante à lavagem das mãos, ao banho diário, ao escovar dos dentes. A cera do ouvido é fundamental para manter a saúde do sistema auditivo, não deve ser encarada como sujeira. O cerume tem função de proteção e prevenção:

  1. Lubrifica a pele evitando a descamação.
  2. Evita o prurido.
  3. Impede a entrada de bactérias, fungos, insetos, vírus, corpos estranhos, água e por isso é tão importante. Não pode ser totalmente retirada. O cerume tem um PH ligeiramente ácido e contém lisozima que é bactericida.
  4. A limpeza dos ouvidos com hastes flexíveis ou qualquer outro objeto pontiagudo a fim de remover o cerume, pode causar uma lesão ao conduto auditivo, que é muito sensível. Além de otites externas e sangramentos, pode ocorrer a lesão da membrana timpânica, também. Em casos extremos a surdez é uma complicação possível.
  5. O organismo tem um processo eficiente de autolimpeza, sem precisar de ajuda externa, na grande maioria das vezes.
  6. Todas as pessoas produzem cera; algumas mais e outras menos.
  7. Os cotonetes podem piorar a situação ao empurrar a cera para o fundo do canal auditivo, próximo do tímpano.
  8. No caso dos indivíduos que produzem cera em excesso ou possuem o canal auditivo muito estreito, o cerume pode tampar o canal e causar dificuldades na audição e zumbido. Nesses casos é preciso retirar a cera, mas o processo deve ser feito por um especialista, que fará uma lavagem ou aspiração com equipamentos que não irão agredir os ouvidos.
  9. A limpeza continuada do meato acústico externo com cotonete ou outros objetos pontudos, pode ser indutor de mais produção de cerume.
  10. Após o banho, o ideal é enxugar bem o ouvido com uma toalha, sem introduzir nada nos canais auditivos, limpando somente até onde o dedo alcançar. A umidade contribui para o crescimento de organismos como Pseudomonas aeruginosaStaphylococcus, que são os agentes mais comuns em otites externas.

 

Relator:
Fernando M. F. Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: adriano gadini | pixabay.com

]]>
O “umbigo” caiu! O que eu faço agora, doutor? https://spsp.org.br/o-umbigo-caiu-o-que-eu-faco-agora-doutor/ Thu, 08 Apr 2021 20:51:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=27965 Mãe e filha entraram no consultório para tirar uma dúvida crucial. No caso, a filha era a mãe do paciente - um lindo recém-nascido de 8 dias de vida, que estava no colo da avó (a mãe da mãe). ]]>

Episódio 5: O “umbigo” caiu! O que eu faço agora, doutor?

Mãe e filha entraram no consultório para tirar uma dúvida crucial. No caso, a filha era a mãe do paciente – um lindo recém-nascido de 8 dias de vida, que estava no colo da avó (a mãe da mãe).
A mais importante e angustiante das dúvidas, para aquela avó, foi a pergunta que deu início à nossa conversa: – Doutor, eu até trouxe comigo, neste vidrinho aqui (e mostrou o recipiente). O umbigo do meu netinho caiu hoje… ele estava por um fio e depois do banho, ao colocar a fralda, ele caiu.
Interajo, naturalmente, dizendo: – Caiu no tempo habitual…
Não houve oportunidade para mais comentários, logo, a avó emendou:
– E, agora, doutor, o que vamos fazer? Minha filha queria jogar o “coitadinho” no lixo. Eu não deixei.
– A senhora está se referindo ao coitadinho do coto umbilical, é claro! Tentei fazer uma brincadeira para descontrair, mas fui malsucedido.
– Claro, doutor!  Como é que se joga no lixo uma “coisa viva” que é do meu neto?!
Nós pediatras costumamos vivenciar episódios assim. A preocupação quanto ao que fazer com o coto umbilical reflete o que está no imaginário popular, em especial, das gerações mais velhas.
O rol de simpatias é variado: o “umbigo” deveria ser enterrado nos pés de uma roseira para que a criança cresça bonita e saudável; deveria ser enterrado junto a uma bananeira para que o bebê tenha muito dinheiro no futuro; se enterrar junto a uma porteira de fazenda, será fazendeiro; se jogar no mar, serámarinheiro; se guardar com você, o seu filho ficará sempre por perto; se jogar no lixo, um rato pode pegar o “umbigo” e vai se tornar ladrão quando crescer.
Os mais novos já se desvencilham das crenças e buscam razões baseadas na ciência e no seu contínuo progresso, para justificar a guarda do cordão umbilical, pois pensam que nele estão células que no futuro poderão ajudar o próprio indivíduo em alguma enfermidade.
O “umbigo” simboliza a dependência do bebê à sua mãe – pelo cordão umbilical recebe alimento, oxigênio, enfim, tudo que necessita. Há uma sensação de controle, de segurança. O corte do cordão rompe esse mundo idealizado, como se agora o filho ficasse desprotegido e entregue a sua própria sorte, aqui fora. É a primeira de muitas outras separações necessárias para o desenvolvimento desse outro ser, que é único, que só vai ganhar alteridade e maturidade, exatamente nesse processo de individuação.
O “umbigo”, que na verdade é a cicatriz restante do corte do cordão umbilical, é a ferida dessa separação; ele lembra os pais, de forma mais intensa as mães, dessa impotência de controle. Anuncia de forma estridente que aquele bebê não será mais deles, mas do mundo. Pode ser por isso que pareça ser tão difícil lidar com o umbigo, pois ele reflete a complexidade que envolve o cuidar de uma vida.
Ao final, quem caiu não foi o “umbigo”, ele é o que fica. Quem caiu foi o resquício do cordão umbilical que fora cortado ao nascimento – o coto umbilical mumificado, um tecido já morto.
O “universo umbilical” é cheio de mitos, medos e histórias (como a do “mal dos sete dias”) e de polêmicas, até teológicas, como a que envolve a pintura de Adão feita por Michelangelo na Capela Sistina. Nesta arte, Adão tem umbigo, o que foi criticado pelos teólogos, pois, pela narrativa bíblica, ele não foi gerado em ventre de mulher, portanto não houve placenta.
Essa cicatriz no corpo humano e na de todos os mamíferos (com exceção do ornitorrinco e do canguru), por estar na parte central do corpo, remete à ideia de centralidade. Embora a palavra signifique protuberância, ele pode ser fundo, representando uma concavidade. Apenas 10% dos umbigos são proeminentes, o restante é mais fundo – o que é esteticamente mais aceito.
A seguir desbravaremos um pouco mais deste universo curioso.

Relator:
Fernando Manuel Freitas de Oliveira
Membro da Comissão de Ensino e Pesquisa da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

A limpeza da região umbilical

A limpeza da região umbilical é importante para evitar infecção. Logo nos primeiros dias de vida, o cordão é gelatinoso, depois seca progressivamente, mumifica entre o 3º ou 4º dia e cai habitualmente entre o 6º e 15º dia de vida.A utilização de antissépticos no coto umbilical ainda é polêmica na literatura, mas sabe-se que o uso da clorexidina 0,5% é eficaz na redução da colonização e da infecção, mas atrasa a mumificação. Já o uso do álcool 70% acelera a mumificação, mas não interfere na colonização.

A Organização Mundial da Saúde recomenda manter a região do coto sempre seca para facilitar a cicatrização e sempre limpa para evitar infecção. A limpeza do coto deverá ser realizada várias vezes ao dia, principalmente após troca de fraldas, com água e sabonete neutro. Depois de secá-lo bem, o uso de um cotonete com álcool 70% em todo umbigo ajudará na cicatrização.

Importante salientar que o produto deve sempre ser armazenado em frasco de uso individual. Situações de preocupação incluem: o atraso na queda do coto umbilical, após a terceira semana de vida, que pode ser manifestação de outras doenças como o hipotireoidismo congênito e as imunodeficiências primárias; a infecção, caracterizada pela presença de secreção purulenta na região do coto, edema e hiperemia da parede abdominal. Nesses casos a avaliação do pediatra é imprescindível para o diagnóstico e conduta adequados. 

Maria Regina Bentlin
Presidente do Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: aynur_sib | depositphotos.com.br

]]>
Acidentes por animais peçonhentos: como prevenir e o que fazer https://spsp.org.br/acidentes-por-animais-peconhentos-como-prevenir-e-o-que-fazer/ Thu, 08 Oct 2020 12:45:32 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3429 Animais peçonhentos são aqueles que produzem peçonha (veneno) e têm condições naturais para injetá-la em presas ou predadores.
Nos últimos anos, foram registrados no Brasil cerca de 140 mil acidentes por animais peçonhentos, dentre serpentes, aranhas, escorpiões, lagartas, abelhas e outros em menor proporção.
Esses acidentes são mais comuns nos meses de verão, devido ao calor, umidade e período de reprodução. Manter a higiene e limpeza é fundamental, uma vez que lixo e entulhos podem servir de abrigo para muitos destes animais, além de funcionarem como chamariz para sua alimentação.

andrey bezuglov | depositphotos.com

Devido ao alto número de ocorrências, esse tipo de acidente foi incluído na Lista de Notificação Compulsória do Brasil, ou seja, todos os casos devem ser notificados ao Governo Federal imediatamente após a confirmação. Essa medida ajuda a traçar ações para prevenção.
O acidente ofídico é aquele causado pela picada de serpentes. Divide-se em quatro tipos, dependendo da serpente (jararaca, cascavel, surucucu e coral verdadeira) e causam diferentes manifestações clínicas: inchaço, vermelhidão, manchas arroxeadas, dor ou dormência no local da picada. Além disso, as vítimas também podem apresentar alterações na urina, pálpebras caídas, vômito, diarreia, dor abdominal e sangramento nas gengivas. Dependendo da quantidade de veneno injetado e do tamanho da cobra, os sintomas podem ser mais ou menos graves.

O que fazer em caso de acidente

  • Procure atendimento médico imediatamente.
  • Informe ao profissional de saúde o máximo possível de características do animal, como: tipo, cor, tamanho, etc.
  • Se possível – e caso não atrase a ida do paciente ao atendimento médico – lave o local da picada com água e sabão, mantenha a vítima em repouso e com o membro acometido elevado até a chegada ao pronto-socorro.
  • Se a picada ou ferroada foi na extremidade do corpo (braço, mão, perna e pé), retire acessórios que possam comprimir e comprometer a circulação de sangue como anéis, fitas e calçados.
  • O que NÃO fazer: NÃO amarrar (torniquete) o membro acometido, NÃO cortar e/ou aplicar qualquer tipo de substância (pó de café, álcool, entre outros) no local da picada; NÃO tentar sugar o veneno (isto apenas aumenta a chance de infecção local).
    A utilização de antídotos (conhecidos como “soro”) será indicada pelo médico, durante o atendimento da vítima, baseada em protocolos disponíveis no site do Ministério da Saúde e que são constantemente atualizados.

Como prevenir

O risco de acidentes com animais peçonhentos pode ser reduzido tomando-se algumas medidas gerais:

  • Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem.
  • Examinar calçados, roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-los.
  • Afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários.
  • Não acumular entulhos e materiais de construção.
  • Limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de parede.
  • Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés.
  • Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos.
  • Manter limpos os locais próximos das casas, jardins, quintais, paióis e celeiros.
  • Evitar plantas tipo trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada.
  • Limpar terrenos baldios, pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas.
  • Cuidado ao se aproximar da vegetação, gramados e jardins no amanhecer e entardecer, pois é nesse momento que as serpentes estão em maior atividade.
  • Não acampar próximo a áreas onde há roedores (plantações, pastos ou matos) e, por conseguinte, maior número de serpentes.
  • Evitar piqueniques às margens de rios, lagos ou lagoas e não se encostar em barrancos durante pescarias ou outras atividades.
  • Combater roedores e insetos, principalmente baratas (são alimentos para escorpiões e aranhas).
  • Se encontrar um animal peçonhento, afaste-se com cuidado e evite assustá-lo ou tocá-lo (mesmo que pareça morto!). Procure a autoridade de saúde local para orientações.

___
Relatores:
Dra. Andréa M. A. Fraga
Dr. Fernando Belluomini
Dra. Andressa Oliveira Peixoto
Departamento Científico de Emergências da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>