Higiene alimentar – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 30 Jan 2026 14:49:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Higiene alimentar – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Doenças negligenciadas https://spsp.org.br/doencas-negligenciadas/ Fri, 30 Jan 2026 14:47:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54900 ]]>

Talvez a grande questão deste tema seja entender do que estamos falando, quando nos referimos a doenças negligenciadas. Começamos contextualizando que essas infecções são impactantes na população, inclusive pediátrica, mas muitas vezes pouco divulgadas, e com ações para seu controle aquém do que deveríamos ter, seja pelas políticas públicas, nos meios de comunicação ou pelos serviços médicos/hospitalares.

Aqui pretendemos comentar algumas dessas doenças: como devemos iniciar seu reconhecimento e quais medidas iniciais podemos ou devemos realizar.

É fundamental saber, diferente do que muitas pessoas imaginam, que qualquer indivíduo, independentemente do nível socioeconômico, raça, idade e sexo está sujeito a desenvolver essas doenças.

A primeira delas a ser comentada trata-se da tuberculose. Endêmico no Brasil, o Mycobacterium (que são diversos e não só o tuberculosis) primariamente determina doença pulmonar. A tuberculose pulmonar se caracteriza por ser insidiosa, com tosse persistente, febre prolongada mais comum no final do dia e com emagrecimento frequente. Na criança, continua sendo um quadro mais arrastado; entretanto, o comprometimento respiratório é mais rápido e as imagens no Rx nem sempre são características.

A tuberculose também acomete outros órgãos com frequência elevada, como linfonodos (ínguas, gânglios…), ossos, sistema nervoso (meningites), entre outros órgãos.

É necessário, frente a febres pouco elevadas persistentes e emagrecimento ou não ganho de peso no paciente pediátrico, pensar em tuberculose. A disponibilidade de testes mais específicos e com resultados mais rápidos é uma realidade no SUS, facilitando o diagnóstico nas crianças, mas continua sendo mais difícil do que no adulto.

Não podemos nos esquecer das parasitoses, frequentes na população pediátrica. Cuidados de higiene alimentar, saneamento básico, recomendações no preparo dos alimentos e vigilância na produção dos alimentos são determinantes para a ocorrência dessas doenças. As manifestações gastrointestinais, anemia e dores abdominais ganham destaque na apresentação clínica.

Outra doença tão falada nos últimos dois anos, a dengue, teve seu recorde de internações e óbitos no mundo e no Brasil em 2024 (mais de 6 milhões de casos e mais de 6 mil óbitos). Muito pouco tem sido feito para o controle da dengue em relação à orientação da população, ações da saúde pública, incentivo à pesquisa e, mais recentemente, incentivo e orientação à vacinação. É verdade que ainda não há produção da vacina em escala suficiente para atender à demanda do Brasil, mas diversas medidas que deveriam ter sido adotadas foram negligenciadas, principalmente nesta última década.

A dengue se caracteriza por ser uma doença bifásica (que ocorre em duas fases), onde a febre, a dor no corpo e olhos e, eventualmente, as manifestações hemorrágicas iniciais são muito características, mas que, após uma melhora inicial, retorna com maior gravidade, com dores mais intensas, inclusive abdominais e quadros hemorrágicos com maior frequência. Uma segunda infecção pelo vírus da dengue determina maior risco para o desenvolvimento de quadros mais graves.

Os adolescentes estão entre a população que mais frequentemente necessita de internação, e por isso há a estratégia de vacinação nessa população. Apesar dos idosos estarem no grupo de maior ocorrência de óbitos, ainda não há dados adequados para a recomendação vacinal.

Além da dengue, outras doenças têm participação de insetos em sua transmissão, como Zika e Chikungunya. Aqui queremos dar destaque a outras duas doenças, Chagas e Leishmaniose, e algumas condições clínicas pelos próprios insetos, a Pediculose (piolho) e a Escabiose (sarna).

Chagas e Leishmaniose ocorrem em áreas chamadas endêmicas, e determinam doenças sistêmicas (disseminadas). Na doença de Chagas, comprometimentos cardíaco e intestinal ganham destaque, normalmente de evolução insidiosa. Na Leishmaniose, o comprometimento é habitualmente mais rápido e caracterizado por febre, aumento do fígado e do baço e diminuição na produção das séries vermelha (hemácias) e de plaquetas.

A promoção de medidas de saúde, como higiene alimentar, o saneamento básico, a orientação e educação da população sobre essas doenças, assim como seu diagnóstico clínico e laboratorial e tratamento adequados são a base mestra para o controle dessas doenças.

O controle dos focos para Dengue, Chikungunya, Zika, Chagas, Leishmaniose, parasitoses, Escabiose e Tuberculose deve ser meta prioritária em Saúde Pública.

Cabe também a todos nós a busca por informações adequadas, de procedência segura e validada, bem como adoção das medidas corretas para prevenção dessas e tantas outras doenças, para conseguirmos a melhor qualidade possível na saúde das crianças.

 

Saiba mais:

. Médicos sem fronteiras. Acesso em https://www.msf.org.br/noticias/5-doencas-negligenciadas-que-afetam-milhoes-de-pessoas-todos-os-anos/

. Ministério da Saúde. Brasil. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/ministerio-da-saude-divulga-boletim-epidemiologico-sobre-o-impacto-das-doencas-tropicais-negligenciadas-nas-criancas#:~:text=A%20an%C3%A1lise%20dos%20dados%20epidemiol%C3%B3gicos,das%20Na%C3%A7%C3%B5es%20Unidas%20(ONU).

. Agência Fiocruz de notícias. Acesso em https://agencia.fiocruz.br/doen%C3%A7as-negligenciadas

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Dicas práticas para uma alimentação saudável durante a quarentena https://spsp.org.br/dicas-praticas-para-uma-alimentacao-saudavel-durante-a-quarentena/ Tue, 12 May 2020 17:55:12 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3207 Devido à pandemia da Covid-19, as crianças têm permanecido em casa por mais tempo, condição que é uma oportunidade para pais, cuidadores e ensino escolar à distância de incentivá-las a terem um maior contato com os alimentos, visando a formação e manutenção de bons hábitos.

A criança pode participar do processo da elaboração das refeições, desde a higienização até o preparo final – atividades que podem ser realizadas por diferentes faixas etárias, sob a coordenação de um adulto e que incentivam práticas alimentares mais saudáveis.

Esse momento é propício para estimular e incentivar o maior consumo de verduras, legumes, frutas, cereais (arroz, milho, trigo), leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, ervilha). Além disso, é preciso evitar o consumo de alimentos de alta densidade calórica e baixo valor nutricional, ricos em sal, açúcar e gordura, como os refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e algumas “comidas prontas” ou enviadas por delivery.

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A família deve proporcionar às crianças as primeiras experiências com os alimentos, que podem ser decisivas para uma aceitação variada e para adquirir hábitos saudáveis em médio e longo prazo.

O ambiente onde a criança vive e o estímulo que lhe é dado para se relacionar com os alimentos – variedade de sabores, cores e texturas, manipulação e preparo – é que vão determinar sua autonomia em relação às escolhas mais adequadas.

Algumas orientações práticas

Antes de iniciar o preparo, cuidados com a higiene alimentar:

  • antes de realizar as refeições e/ou manipular os alimentos, lavar as mãos com água e sabão. Quando não houver essa possibilidade, utilizar álcool gel a 70%;
  • para alimentos que serão consumidos crus, como os vegetais folhosos e frutas, a recomendação é remover as folhas externas ou danificadas, separar uma a uma, lavá-las com água tratada abundante e deixá-las em imersão, por 15 minutos, em uma solução de água sanitária (uma colher de sopa diluída em um litro de água), lavando-as depois com água tratada corrente novamente.

Dicas para alimentação saudável:

  • incentivar o consumo de frutas, verduras e legumes, cereais, tubérculos, leguminosas, carnes, ovos e leite;
  • hidratar-se adequadamente: aumentar o consumo de água;
  • quando possível, permitir e ajudar a criança a montar o seu prato de forma atrativa e colorida com diferentes tipos de alimentos;
  • comer com regularidade em horários estabelecidos e com atenção, isto é, devagar e saboreando os alimentos e preparações;
  • comer com calma em horários e ambiente apropriados em conjunto com os demais membros da família, isento de distrações;
  • evitar realizar refeições na presença de telinhas (ou telões!), como televisão, computador, celular, tablet;
  • evitar lanchinhos ou beliscar entre as refeições.

Como incentivar crianças e adolescentes a uma alimentação saudável:

  • dar o exemplo e servir de modelo: os pais devem consumir os mesmos alimentos oferecidos às crianças;
  • disponibilizar frutas, verduras e legumes nas refeições junto aos alimentos preferidos, tornando-os acessíveis (lavados, descascados, picados e conservados em geladeira quando perecíveis);
  • fazer receitas simples com a participação das crianças, como saladas de verduras, legumes e de frutas. Essa interação é importante para estimular o contato, principalmente, com novos alimentos;
  • oferecer o mesmo alimento em diferentes formas de preparação e apresentação (ex: cenoura – adicionar a bolos, sucos, arroz, omelete, molhos. Oferecer ralada, fatiada, cozida, crua, etc);
  • compreender que, por vezes, a criança pode estar sem fome ou indisposta para comer;
  • oferecer água com frequência e evitar bebidas açucaradas;
  • limitar a oferta de alimentos industrializados como biscoitos, sorvetes, carnes processadas (hambúrguer, salsicha, etc), salgadinhos.

O que não deve ser feito:

  • obrigar ou forçar a criança a comer, o que pode gerar conflitos;
  • “chantagear” a criança. Exemplo: “se comer todo o legume, vai ganhar a sobremesa”;
  • substituir o alimento recusado por outro de preferência da criança;
  • desistir de oferecer o alimento após poucas tentativas;
  • substituir a refeição por pães, biscoitos, leite, em caso de inapetência;
  • obrigar o filho a terminar o prato quando ele não quer mais ou não permitir que ele repita algo, quando pede mais.

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Relator:
Dr. Rubens Feferbaum
Departamento Científico de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Colaboração:
Nutricionistas Ana Paula Alves Reis, Adriana Servilha Gandolfo e Patrícia Zamberlan



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