Gripe – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 09 Feb 2022 14:35:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Gripe – SPSP https://spsp.org.br 32 32 H3N2: Não é só Covid-19 que requer cuidados https://spsp.org.br/h3n2-nao-e-so-covid-19-que-requer-cuidados/ Mon, 20 Dec 2021 17:00:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30842 A cepa H3N2 está contida na vacina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), mas a atual variante, responsável pelo recente surto no Rio de Janeiro e em São Paulo, não é adequadamente coberta pela vacina atual.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 20/12/2021


A cepa H3N2 está contida na vacina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), mas a atual variante, responsável pelo recente surto no Rio de Janeiro e em São Paulo, não é adequadamente coberta pela vacina atual. No entanto, mesmo assim, é importante realizar a vacinação contra a gripe.

Temos duas situações que afetaram sobremaneira este surto. A primeira é que a cobertura vacinal contra a gripe foi muito baixa e isso não só permitiu que muitas pessoas estivessem suscetíveis a contrair infecção pelovírus Influenza, como também resultou na manutenção da circulação do vírus. Junta-se a isso pequenas mudanças nas variantes (no caso a H3N2) que não são adequadamente protegidas pela vacina. A segunda situação é o tempo de eficácia da vacina, que é curto. Ou seja, além de termos permitido que o vírus continuasse circulando, pela baixa cobertura vacinal, neste momento temos pessoas que podem ficar novamente vulneráveis à doença.

A redução das medidas não farmacológicas para proteção contra o Covid-19 (como o uso de máscara, isolamento social e medidas de higiene) acaba por permitir novamente a circulação do vírus influenza, o que está provocando este surto mesmo fora de época.

Pessoas que não foram vacinadas, especialmente aquelas que são de grupos de risco, devem receber a sua dose, pois nada impede que os vírus abrangidos pela vacina não tenham aumento na sua circulação. Demais indivíduos também podem ser vacinados. Não há contraindicação. E, a partir da época correta de vacinação no ano que vem, podem tomar normalmente.

A indicação da vacina contra a gripe é a partir de 6 meses, idade em que foi demonstrada sua eficácia. Gestantes, idosos, crianças (principalmente menores de 2 anos) e grupos de risco são prioritários e devem tomar sua dose caso ainda não tenham recebido este ano, mesmo sendo fora de época, pois temos observado mudanças no perfil epidemiológico dos vírus respiratórios, que têm acontecido muito fora do período mais tradicional. Por isso, temos hoje os prontos-socorros cheios e, no caso das crianças, por vários vírus que não Covid-19 e Influenza.

Vale lembrar que a vacina é feita em duas aplicações, com intervalo de 1 mês em crianças até 9 anos de idade. Se a vacinação for realizada em dezembro de 2021, por exemplo, e a 2° dose em janeiro de 2022, assim que iniciar a campanha contra gripe em 2022 essas crianças já devem ser vacinadas novamente.

Os principais cuidados devem ser o isolamento daqueles confirmados com a infecção ou com suspeita. Usar máscaras novamente ganha importância neste momento, não só para não adquirir a infecção como para evitar a transmissão. Medidas de higiene, cuidados nas escolas e trabalho devem ser tomados sempre.

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Foto: tashatuvango | depositphptps.com.br

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Covid-19: o que você precisa saber https://spsp.org.br/covid-19-o-que-voce-precisa-saber/ Thu, 09 Apr 2020 18:23:10 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3124 O que é?

O coronavírus doença 2019 – ou Covid-19 – é uma infecção específica por um vírus chamado Sars-CoV-2. Esse vírus iniciou a atual pandemia no final do ano de 2019, em Wuhan, na China. Desde então, ele vem se espalhando pelo mundo: Europa, Estados Unidos e, agora, na América Latina e no Brasil.

oksun70 | depositphotos.com

Quais os sintomas?

Os sintomas dessa infecção – chamada de síndrome respiratória – lembram os de uma gripe comum: tosse, espirros, coriza ou congestão nasal, febre, dores musculares e sensação leve de cansaço.

Os casos graves evoluem com dificuldade respiratória, pois a infecção pode acometer os pulmões, causando uma pneumonia viral, com dificuldade de oxigenação e até problemas cardíacos de forma secundária. Isso é mais comum em idosos ou pessoas com outros problemas de saúde, como doenças cardíacas, diabetes, doenças pulmonares e câncer.

Alguns sintomas menos comuns que podem aparecer são: dor de cabeça, dor de garganta, alterações no olfato (dificuldade para sentir cheiros) e alguns apresentam náuseas ou diarreia. Algumas pessoas que entram em contato com o vírus podem não apresentar sintomas – são os chamados casos assintomáticos.

Como se contrai esse vírus?

Pelo que pesquisadores e especialistas conhecem até o momento (abril de 2019), o Sars-CoV-2 parece se espalhar mais facilmente quando as pessoas estão apresentando os sintomas, mas há indícios de que é possível transmitir a doença mesmo sem apresentá-los. A transmissão ocorre principalmente pelas gotículas de saliva e por aerossóis que são expelidos através da tosse e espirros, além da utilização de utensílios comuns, apertos de mão, beijos ou contato com objetos ou superfícies contaminadas.

Adaptado de Sui Hang – medium@arvoreagua

Quanto tempo dura o quadro de gripe?

Para a maioria das pessoas, os sintomas desaparecem dentro de uma a duas semanas, como uma gripe comum, e não geram problemas de saúde crônicos.

E as crianças?

As crianças podem contrair o vírus, mas a apresentação do quadro é em geral mais leve e, mesmo nos casos graves, a recuperação parece ser melhor que em adultos e idosos, principalmente.

Qual o tratamento?

Não há tratamento específico, por isso a prevenção é a melhor forma de se manter saudável.

As pessoas que apresentam sintomas leves e sem falta de ar ou dificuldade para respirar devem se manter em casa, com isolamento social, repouso, hidratação e uso de medicamentos sintomáticos (para tosse e febre). Sempre pode consultar um médico, mas nesse momento o melhor é fazer a consulta pelo telefone, disponível em todo o Brasil, pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também para os profissionais particulares ou conveniados. A pessoa deve ser monitorada a cada um ou dois dias por esse sistema de atendimento.

Os casos que apresentam sintomas mais graves, com falta de ar e dificuldade para respirar, devem consultar o médico presencialmente e, muito provavelmente, serão internados. Esses pacientes serão mantidos em quartos de isolamento e, em alguns casos, irão precisar de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

A PREVENÇÃO É ESSENCIAL!

• Lave as mãos com água e sabão com frequência. Quando isso não for possível, utilize o álcool 70%. As técnicas de lavagem estão bastante difundidas pela mídia e devem ser seguidas rigorosamente, o mesmo valendo para o uso do álcool.
• Evite tocar o rosto (especialmente boca, nariz e olhos) com as mãos.
• Fique longe de pessoas que têm algum sintoma. O isolamento em casa sem o compartilhamento de ambientes, talheres, toalhas, entre outros, é fundamental e será orientado pelo profissional de saúde diante de um caso suspeito.

Pratique o isolamento social. Se onde você vive há casos confirmados, fique em casa!

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Relatora:
Dra. Cátia Regina Branco da Fonseca
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Como funcionam e o que esperar das vacinas de gripe em crianças? https://spsp.org.br/como-funcionam-e-o-que-esperar-das-vacinas-de-gripe-em-criancas/ Fri, 03 Apr 2020 16:44:11 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3104 A gripe é uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza. Ela é muito mais perigosa que o resfriado comum: a cada ano, milhões de crianças ficam doentes com gripe sazonal e, desses, milhares são hospitalizadas por pneumonia e desidratação, além de centenas de mortes. A melhor forma de se prevenir é através da vacinação – ela é segura para qualquer pessoa com seis meses de idade ou mais e protege a criança e as pessoas ao redor dela da infecção e de suas complicações.

belchonock | depositphotos.com

Por que as crianças devem receber a vacina contra a gripe?

As sociedades médicas de todo o mundo recomendam vacinação universal anual contra influenza para todos as crianças com seis meses de idade ou mais, adolescentes, adultos e idosos. O foco especial em crianças existe, pois aquelas com menos de cinco anos de idade – especialmente as menores de dois anos – correm alto risco de desenvolver complicações graves relacionadas à gripe. Além disso, são capazes de transmitir o vírus influenza de forma muito eficiente para indivíduos com alto risco de complicações relacionadas à infecção.

Como funcionam as vacinas contra a gripe?

As vacinas contra gripe são produzidas usando pequenos fragmentos de vírus inativados (denominadas fragmentadas inativadas) ou usando partículas projetadas para parecer com um vírus da gripe no sistema imunológico (chamadas subunitárias). Dessa forma, não são capazes de causar gripe no indivíduo vacinado, mas estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos cerca de duas semanas após a vacinação. Esses anticorpos fornecerão proteção unicamente contra os vírus que estão na vacina.

Os tipos de vírus contidos nas vacinas podem variar conforme o país e os produtos disponíveis em um determinado ano. Algumas das vacinas protegem contra quatro vírus da gripe diferentes, sendo chamadas quadrivalentes ou tetravalentes: dois vírus influenza A (um H1N1 e um H3N2) e dois vírus influenza B. Existem também algumas vacinas contra gripe que protegem contra três vírus diferentes, sendo chamadas trivalentes: dois vírus influenza A (um H1N1 e um H3N2) e um vírus influenza B. Na rede pública, este é o único tipo de vacina disponível até o momento.

Por que, diferentemente das outras vacinas do calendário de imunizações, devo vacinar contra gripe todos os anos?

Crianças entre seis meses e nove anos que tomam a vacina da gripe pela primeira vez devem receber duas doses com intervalo de, pelo menos, 30 dias entre elas. A partir dos anos seguintes, uma dose da vacina contra a gripe é necessária a cada ano por dois motivos. Primeiro porque, apesar da proteção imunológica de uma pessoa pela vacinação ser mais robusta nos 3-4 meses após a vacinação, ela diminui consideravelmente ao longo do tempo. Isso significa que, se a criança for vacinada em março/abril, a proteção será significativamente menor a partir de setembro/outubro do mesmo ano. Portanto, é necessária uma dose anual antes do período de circulação do vírus (preferencialmente em março) para uma proteção ideal em cada temporada de gripe. Segundo: como os vírus da gripe mudam constantemente, as vacinas contra influenza costumam sofrer atualizações de uma estação para a outra, de acordo com os vírus que circularam com maior frequência na temporada anterior. Assim, embora alguns indivíduos vacinados contra a gripe retenham a imunidade protetora de uma estação para a outra, isso é menos provável quando o tipo de vírus circulante muda.

Quais são os grupos considerados de risco para evoluírem com infecção grave por influenza e suas complicações?

Crianças menores de cinco anos de idade e idosos (acima de 65 anos) ocupam posição de destaque entre os indivíduos de risco aumentado. Gestantes e puérperas, trabalhadores em área de saúde, indígenas e professores também são grupos prioritários. Além disso, as seguintes condições clínicas se aplicam a todas as faixas etárias: doença respiratória crônica (incluindo asma), doença cardíaca crônica (incluindo cardiopatias congênitas), diabetes, doença neurológica crônica, imunossupressão (de qualquer tipo e causa), obesidade, doença renal crônica, doença hepática crônica, trissomias (alterações genéticas dos cromossomos) e transplantados.

O que posso esperar das vacinas contra a gripe nas crianças?

As vacinas contra gripe têm um excelente histórico de segurança. Centenas de milhões de brasileiros receberam vacinas contra a gripe com segurança nos últimos 40 anos, além de extensas pesquisas reforçando o seu perfil de segurança. Os efeitos colaterais comuns da vacina contra a gripe são geralmente leves e autolimitados (<72h) e incluem:
• Dor, vermelhidão e/ou inchaço no local da injeção
• Dor de cabeça
• Febre (em geral baixa)
• Náusea
• Dores musculares

Como outras injeções, pode ocasionalmente causar desmaios, especialmente em crianças maiores e adolescentes. Assim como em qualquer vacina, fique atento para condições incomuns como febre alta, alterações de comportamento ou sinais de reação alérgica grave após a vacinação. Reações alérgicas potencialmente fatais são extremamente raras e provavelmente aconteceriam de alguns minutos a algumas horas após a administração da vacina.

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Relator:
Dr. Daniel Jarovsky
Departamento Científico de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo

abril azul - confianca nas vacinas


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Circulação antecipada do vírus influenza A-H1N1 em 2016 https://spsp.org.br/circulacao-antecipada-do-virus-influenza-a-h1n1-em-2016/ Wed, 30 Mar 2016 13:47:49 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=1115 Neste início de ano fomos surpreendidos pela circulação antecipada do vírus influenza: apenas no município de São Paulo foram notificados, nas primeiras semanas do ano, 103 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O número de casos de influenza A- do tipo H1N1 já é três vezes maior quando comparado a igual período de 2015. Os surtos de vírus influenza (que geralmente ocorrem entre os meses de maio e agosto) foram registrados mais cedo em 2016, podendo ser observados em diversas escolas públicas e privadas e nas estatísticas dos serviços sentinela. Os dados do Ministério da Saúde, até o dia 5 de março de 2016, também corroboram esta informação: foram notificados 1.189 casos de SRAG. Entre as amostras já processadas, 21,1% foram por influenza. Dentre os casos de influenza, a grande maioria – 83,2% – foi o A, tipo H1N1 pdm09. Gripe A gripe é uma doença aguda contagiosa e de início abrupto, que provoca febre alta, dores musculares, dores de cabeça, sintomas respiratórios como tosse e coriza, mal-estar geral e, em algumas pessoas, vômitos e diarreia. A gripe ocorre em surtos, principalmente nos meses do outono e inverno. É sempre importante lembrar que a gripe é causada somente pelo vírus influenza e não deve ser confundida com os resfriados comuns e com outras infecções respiratórias virais. Apesar de ser, na maioria das vezes, doença benigna e autolimitada, pode evoluir com complicações, como a pneumonia, e levar a hospitalização, especialmente em determinados grupos mais vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e pessoas portadoras de deficiência na imunidade. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, por meio de partículas aéreas formadas pela tosse e/ou espirro, além da transmissão ao tocar objetos contaminados com os vírus e depois colocar a mão na boca, olhos ou nariz. Os vírus dos tipos A e B, os maiores responsáveis pelas epidemias sazonais, podem apresentar mutações frequentes e são facilmente transmitidos em casas, creches, escolas e em ambientes fechados ou semifechados. Definições • O período de incubação do vírus da gripe, ou seja, o tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas, pode variar de 1 a 7 dias. • Período de transmissibilidade do vírus – inicia-se 24 horas antes do início dos sintomas, sendo a transmissão máxima nos três primeiros dias do sintomas. Em crianças, especialmente as pequenas, o período de transmissibilidade costuma ser mais prolongado. • Síndrome gripal: febre alta (até 40ºC) de aparecimento súbito, com duração de 3 a 5 dias, cefaleia, dor muscular, dor de garganta, tosse. Cansaço é o sintoma mais comum, podendo durar, com a tosse, por até 3 semanas. • SRAG: dificuldade para respirar e risco de morte (pneumonia é a complicação mais observada). O Informe Técnico da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza foi divulgado em 11 de março, no portal da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), e o Ministério da Saúde promoverá a campanha de 30 de abril a 20 de maio, com dia de mobilização nacional em 30 de abril. Grupos de risco (prioridades nessa campanha) para vacinação • Crianças de seis meses a cinco anos incompletos; • Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade, sob medidas socioeducativas; • Gestantes (em qualquer fase da gestação) e puérperas (até 45 dias após o parto); • Indivíduos com 60 anos ou mais de idade; • Povos indígenas; • Trabalhadores da área da saúde; • População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional; • Portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais. A vacina disponibilizada na campanha do Ministério da Saúde é produzida pelo Instituto Butantan e Instituto Butantan/Sanofi Pasteur-França. Ela será composta de três cepas: • A/California/7/2009 (H1N1) pdm09 • A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2) • B/Brisbane/60/2008 (linhagem Victoria) As clínicas privadas contarão com as vacinas trivalente (já disponíveis em algumas clínicas) e quadrivalente, que neste ano também apresenta mudanças: • A/California/7/2009 (H1N1) pdm09 • A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2) • B/Brisbane/60/2008 (linhagem Victoria) • B/Phuket/3073/2013 (Yamagata) Esquema vacinal orientado pelo Ministério da Saúde • 6 a 35 meses de idade: 2 doses de 0,25 ml (meia dose) com intervalo mínimo de 4 semanas (30 dias após a 1ª dose) • 3 a 8 anos de idade: 2 doses 0,5 ml com intervalo mínimo de 4 semanas (30 dias após a 1ª dose) • A partir de 9 anos de idade e adultos: 1 dose única – 0,5 ml. Observações • Criança que já recebeu uma ou duas doses em 2015, deve receber apenas 1 dose em 2016; • Crianças de seis meses a nove anos incompletos que não receberam vacina em 2015 (serão vacinadas pela primeira vez), devem receber uma segunda dose (30 dias após a primeira dose); • Aplicação é intramuscular. Precauções e contraindicações • Doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro. • Quem tem história de alergia a ovo, que apresente apenas urticária após a exposição, pode receber a vacina da influenza, observando-se o indivíduo vacinado por, pelo menos, 30 minutos em ambiente com condições de atendimento de reações anafiláticas. • A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores, bem como a qualquer componente da vacina ou alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados. • Reações anafiláticas graves a doses anteriores também contraindicam doses subsequentes. Informe Técnico – Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza – 2016: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/11/informe-tecnico-campanha-vacinacao-influenza-2016.pdf ___ Relatores: Dr. Moises Chencinski Departamento de Pediatria Ambulatorial da SPSP Dr. Marco Aurélio Safadi Comitê Permanente de Assessoria de Imunizações da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e do Ministério da Saúde do Brasil; Professor adjunto de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.   Publicado em 30/03/2016. photo credit: Fredleonero | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta...]]>

Neste início de ano fomos surpreendidos pela circulação antecipada do vírus influenza: apenas no município de São Paulo foram notificados, nas primeiras semanas do ano, 103 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). O número de casos de influenza A- do tipo H1N1 já é três vezes maior quando comparado a igual período de 2015.

Os surtos de vírus influenza (que geralmente ocorrem entre os meses de maio e agosto) foram registrados mais cedo em 2016, podendo ser observados em diversas escolas públicas e privadas e nas estatísticas dos serviços sentinela. Os dados do Ministério da Saúde, até o dia 5 de março de 2016, também corroboram esta informação: foram notificados 1.189 casos de SRAG. Entre as amostras já processadas, 21,1% foram por influenza. Dentre os casos de influenza, a grande maioria – 83,2% – foi o A, tipo H1N1 pdm09.

Gripe
A gripe é uma doença aguda contagiosa e de início abrupto, que provoca febre alta, dores musculares, dores de cabeça, sintomas respiratórios como tosse e coriza, mal-estar geral e, em algumas pessoas, vômitos e diarreia. A gripe ocorre em surtos, principalmente nos meses do outono e inverno.

É sempre importante lembrar que a gripe é causada somente pelo vírus influenza e não deve ser confundida com os resfriados comuns e com outras infecções respiratórias virais. Apesar de ser, na maioria das vezes, doença benigna e autolimitada, pode evoluir com complicações, como a pneumonia, e levar a hospitalização, especialmente em determinados grupos mais vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e pessoas portadoras de deficiência na imunidade.

A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, por meio de partículas aéreas formadas pela tosse e/ou espirro, além da transmissão ao tocar objetos contaminados com os vírus e depois colocar a mão na boca, olhos ou nariz. Os vírus dos tipos A e B, os maiores responsáveis pelas epidemias sazonais, podem apresentar mutações frequentes e são facilmente transmitidos em casas, creches, escolas e em ambientes fechados ou semifechados.

Definições
• O período de incubação do vírus da gripe, ou seja, o tempo que decorre entre o momento em que uma pessoa é infectada e o aparecimento dos primeiros sintomas, pode variar de 1 a 7 dias.
• Período de transmissibilidade do vírus – inicia-se 24 horas antes do início dos sintomas, sendo a transmissão máxima nos três primeiros dias do sintomas. Em crianças, especialmente as pequenas, o período de transmissibilidade costuma ser mais prolongado.
• Síndrome gripal: febre alta (até 40ºC) de aparecimento súbito, com duração de 3 a 5 dias, cefaleia, dor muscular, dor de garganta, tosse. Cansaço é o sintoma mais comum, podendo durar, com a tosse, por até 3 semanas.
• SRAG: dificuldade para respirar e risco de morte (pneumonia é a complicação mais observada).

O Informe Técnico da Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza foi divulgado em 11 de março, no portal da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), e o Ministério da Saúde promoverá a campanha de 30 de abril a 20 de maio, com dia de mobilização nacional em 30 de abril.

Grupos de risco (prioridades nessa campanha) para vacinação
• Crianças de seis meses a cinco anos incompletos;
• Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade, sob medidas socioeducativas;
• Gestantes (em qualquer fase da gestação) e puérperas (até 45 dias após o parto);
• Indivíduos com 60 anos ou mais de idade;
• Povos indígenas;
• Trabalhadores da área da saúde;
• População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional;
• Portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais.

A vacina disponibilizada na campanha do Ministério da Saúde é produzida pelo Instituto Butantan e Instituto Butantan/Sanofi Pasteur-França. Ela será composta de três cepas:
• A/California/7/2009 (H1N1) pdm09
• A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2)
• B/Brisbane/60/2008 (linhagem Victoria)

As clínicas privadas contarão com as vacinas trivalente (já disponíveis em algumas clínicas) e quadrivalente, que neste ano também apresenta mudanças:
• A/California/7/2009 (H1N1) pdm09
• A/Hong Kong/4891/2014 (H3N2)
• B/Brisbane/60/2008 (linhagem Victoria)
• B/Phuket/3073/2013 (Yamagata)

Esquema vacinal orientado pelo Ministério da Saúde
• 6 a 35 meses de idade: 2 doses de 0,25 ml (meia dose) com intervalo mínimo de 4 semanas (30 dias após a 1ª dose)
• 3 a 8 anos de idade: 2 doses 0,5 ml com intervalo mínimo de 4 semanas (30 dias após a 1ª dose)
• A partir de 9 anos de idade e adultos: 1 dose única – 0,5 ml.

Observações
• Criança que já recebeu uma ou duas doses em 2015, deve receber apenas 1 dose em 2016;
• Crianças de seis meses a nove anos incompletos que não receberam vacina em 2015 (serão vacinadas pela primeira vez), devem receber uma segunda dose (30 dias após a primeira dose);
• Aplicação é intramuscular.

Precauções e contraindicações
• Doenças agudas febris moderadas ou graves recomenda-se adiar a vacinação até a resolução do quadro.
• Quem tem história de alergia a ovo, que apresente apenas urticária após a exposição, pode receber a vacina da influenza, observando-se o indivíduo vacinado por, pelo menos, 30 minutos em ambiente com condições de atendimento de reações anafiláticas.
• A vacina é contraindicada para pessoas com história de reação anafilática prévia em doses anteriores, bem como a qualquer componente da vacina ou alergia grave relacionada a ovo de galinha e seus derivados.
• Reações anafiláticas graves a doses anteriores também contraindicam doses subsequentes.

Informe Técnico – Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza – 2016:
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/11/informe-tecnico-campanha-vacinacao-influenza-2016.pdf

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Relatores:
Dr. Moises Chencinski
Departamento de Pediatria Ambulatorial da SPSP
Dr. Marco Aurélio Safadi
Comitê Permanente de Assessoria de Imunizações da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e do Ministério da Saúde do Brasil; Professor adjunto de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

 

Publicado em 30/03/2016.
photo credit: Fredleonero | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Mel e tosse noturna https://spsp.org.br/mel-e-tosse-noturna/ Fri, 24 Jan 2014 02:40:23 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=437 Estudo publicado na revista americana Pediatrics comparou os efeitos de uma dose única de mel com os efeitos do placebo na tosse noturna e dificuldade para dormir associadas à infecções do trato respiratório (ITR) na infância. Foi feito um levantamento com os pais de 300 crianças, de 1 a 5 anos, com ITR e tosse noturna. No primeiro dia da pesquisa nenhuma medicação foi oferecida antes de dormir; no dia seguinte foi oferecida a preparação do estudo: uma única dose de 10 g de mel ou placebo administrado 30 minutos antes da hora de deitar. Os pesquisadores avaliaram a frequência e a gravidade da tosse, a natureza do incômodo da tosse e a qualidade do sono da criança e dos pais. Nos dois grupos – placebo e mel – houve melhoria significativa desde a noite antes do tratamento para a noite de tratamento. No entanto, a melhora foi maior no grupo de crianças que recebeu mel, o que significa que o mel pode ser tratamento para a tosse e dificuldade de sono associados à ITR na infância. Pediatrics, 6 de agosto de 2012 http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2012/08/01/peds.2011-3075.abstract Comentários: Dra. Sonia Mayumi Chiba Departamento Científico de Pneumologia da SPSP Este artigo avaliou o uso do mel na tosse noturna provocada pelas infecções respiratórias das vias aéreas superiores causados por vírus, conhecidas como resfriados ou gripes. Neste estudo foi feita comparação entre três grupos de crianças que receberam à noite uma única dose de mel de diferentes sabores, e um grupo que recebeu placebo (um extrato parecido com mel). Todos os grupos de crianças que receberam mel e placebo melhoraram da tosse noturna e na qualidade do sono. Mas nas crianças que tomaram mel os resultados foram superiores. A melhora da tosse poderia ser decorrente da evolução natural dos resfriados, uma vez que sintomas da doença como febre, tosse e nariz entupido melhoram com o tempo, mesmo sem medicações. Este trabalho apresenta algumas limitações, como a avaliação de uma dose de 10g de mel, oferecida para as crianças antes de deitar e a observação da tosse ter ocorrido apenas numa única noite. É um período de observação considerado curto. Seria importante um estudo com tempo maior de duração, que incluísse mais doses de mel, oferecidas por mais dias para os grupos de crianças. Nessas condições, provavelmente os resultados poderiam ser mais confiáveis. Consideramos que antes de recomendar o uso do mel no combate da tosse para crianças com resfriados/gripes, ainda são necessários mais estudos que demonstrem sua eficácia. __ Publicado em 24/01/2014. photo credit: Barol16 | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

dreamstime_xs_22841493Estudo publicado na revista americana Pediatrics comparou os efeitos de uma dose única de mel com os efeitos do placebo na tosse noturna e dificuldade para dormir associadas à infecções do trato respiratório (ITR) na infância. Foi feito um levantamento com os pais de 300 crianças, de 1 a 5 anos, com ITR e tosse noturna. No primeiro dia da pesquisa nenhuma medicação foi oferecida antes de dormir; no dia seguinte foi oferecida a preparação do estudo: uma única dose de 10 g de mel ou placebo administrado 30 minutos antes da hora de deitar. Os pesquisadores avaliaram a frequência e a gravidade da tosse, a natureza do incômodo da tosse e a qualidade do sono da criança e dos pais. Nos dois grupos – placebo e mel – houve melhoria significativa desde a noite antes do tratamento para a noite de tratamento. No entanto, a melhora foi maior no grupo de crianças que recebeu mel, o que significa que o mel pode ser tratamento para a tosse e dificuldade de sono associados à ITR na infância.

Pediatrics, 6 de agosto de 2012
http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2012/08/01/peds.2011-3075.abstract

Comentários:
Dra. Sonia Mayumi Chiba
Departamento Científico de Pneumologia da SPSP

Este artigo avaliou o uso do mel na tosse noturna provocada pelas infecções respiratórias das vias aéreas superiores causados por vírus, conhecidas como resfriados ou gripes. Neste estudo foi feita comparação entre três grupos de crianças que receberam à noite uma única dose de mel de diferentes sabores, e um grupo que recebeu placebo (um extrato parecido com mel). Todos os grupos de crianças que receberam mel e placebo melhoraram da tosse noturna e na qualidade do sono. Mas nas crianças que tomaram mel os resultados foram superiores. A melhora da tosse poderia ser decorrente da evolução natural dos resfriados, uma vez que sintomas da doença como febre, tosse e nariz entupido melhoram com o tempo, mesmo sem medicações.

Este trabalho apresenta algumas limitações, como a avaliação de uma dose de 10g de mel, oferecida para as crianças antes de deitar e a observação da tosse ter ocorrido apenas numa única noite. É um período de observação considerado curto. Seria importante um estudo com tempo maior de duração, que incluísse mais doses de mel, oferecidas por mais dias para os grupos de crianças. Nessas condições, provavelmente os resultados poderiam ser mais confiáveis.

Consideramos que antes de recomendar o uso do mel no combate da tosse para crianças com resfriados/gripes, ainda são necessários mais estudos que demonstrem sua eficácia.

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Publicado em 24/01/2014.
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