Gravidez na adolescência – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 30 Jan 2026 19:14:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Gravidez na adolescência – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Informação que protege o futuro https://spsp.org.br/informacao-que-protege-o-futuro/ Sun, 01 Feb 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54904 ]]>

A gravidez na adolescência ainda é um tema de grande relevância, tanto pelos impactos na vida dos adolescentes e de suas famílias, quanto pelos possíveis riscos à saúde do bebê e da própria adolescente. Apesar da redução observada nos últimos anos, os índices continuam elevados: estima-se uma média de 43,6 nascimentos por mil adolescentes entre 15 e 19 anos, número quase duas vezes maior que o observado em países de renda média-alta.

A adolescência é um período marcado por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Quando a gravidez ocorre nessa fase, surgem desafios importantes, como a interrupção dos estudos, o afastamento do convívio social, dificuldades financeiras e responsabilidades precoces relacionadas à criação e aos cuidados com uma criança.

Assumir a maternidade ou a paternidade exige tempo, apoio emocional e condições adequadas para garantir o desenvolvimento saudável do bebê. Além disso, o adolescente precisa lidar com mudanças significativas na rotina, nos projetos de vida e nas relações sociais. Por isso, a prevenção é fundamental.

O acesso à informação correta e de qualidade sobre sexualidade, métodos contraceptivos e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) contribuem para que os jovens façam escolhas mais conscientes e responsáveis.

A orientação para a prevenção da gravidez precoce na adolescência começa na infância. Familiares que dialogam com os filhos sobre o exercício da sexualidade – prevenção de abuso, primeiras impressões sobre namoro ou sobre o gostar, os primeiros contatos com a intenção de paquera ou “crush”, intimidade com responsabilidade – tendem a lidar melhor com o que chamamos de primeiras experiências no exercício da sexualidade humana.

E elas são precoces em alguns adolescentes. A temática da criação de filhos com escuta e autocuidado está relacionada a maior responsabilidade afetiva de meninos e meninas no início da adolescência.

Dessa maneira, a prevenção da gravidez envolve o cuidado e a responsabilidade de meninos e meninas na jornada do adolescer com saúde. O convívio familiar e a parentalidade consciente traduzem todo o caminho que o jovem irá trilhar de sua sexualidade, inclusive para aqueles que pretendem não exercer a sexualidade em sua vida.

Um aspecto importante da prevenção é a dupla proteção, que consiste no uso do preservativo associado a outro método contraceptivo. Essa estratégia é eficaz tanto na prevenção da gravidez não planejada quanto das ISTs, promovendo maior segurança e cuidado com a saúde.

Também é essencial que o diálogo sobre sexualidade aconteça em diferentes ambientes sociais – escola, nos serviços de saúde e na comunidade – de forma clara, responsável e acolhedora.

Falar sobre o tema sem preconceito e sem pudor excessivo fortalece a confiança, estimula o autocuidado e favorece decisões mais seguras.

Durante a Semana de Prevenção da Gravidez na Adolescência, que acontece de 1º a 8 de fevereiro, reforçamos a importância da educação em saúde, do diálogo aberto entre adolescentes, famílias, escolas e serviços de saúde, além do apoio àqueles que já vivenciam essa realidade.

Prevenir é cuidar do presente e investir no futuro dos nossos jovens e das próximas gerações.

 

Relatoras:
Mariana Telles de Castro
Carolina Maria Soares Cresciulo
Departamento Científico de Adolescência da SPSP

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Diálogo, informação e empatia são o caminho para a prevenção de uma gravidez precoce https://spsp.org.br/dialogo-informacao-e-empatia-sao-o-caminho-para-a-prevencao-de-uma-gravidez-precoce/ Thu, 26 Jun 2025 16:09:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51994 Dia 26 de junho é o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência! Muitos acham a adolescência uma fase difícil de lidar e não imaginam]]>

Dia 26 de junho é o Dia Mundial de Prevenção da Gravidez na Adolescência!

Muitos acham a adolescência uma fase difícil de lidar e não imaginam o que podem fazer para que mulheres não engravidem nessa fase.

A gravidez precoce, desejada ou não, tem como definição aquela que ocorre antes dos 20 anos de idade. Uma fase da vida da mulher em que mudanças físicas, psíquicas e aquisições acadêmicas definirão seu futuro.

Para a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a gravidez precoce continua sendo um dos principais fatores que contribuem para a mortalidade materna e infantil e para o ciclo de doenças e pobreza.

Os fatores de risco para gravidez na adolescência são: baixa escolaridade, menor renda familiar, abandono escolar, falta de companheiro, ausência de planos para o futuro, repetição do padrão familiar (mãe que também engravidou na adolescência), início precoce da atividade sexual, baixa autoestima, abuso de álcool e outras drogas, falta de conhecimento dos métodos contraceptivos, falta de conhecimento a respeito da sexualidade.

A prevenção da gravidez na adolescência começa com educação sexual desde pequenos, dentro da família. A família representa o primeiro núcleo de socialização do indivíduo, de busca de estratégias para resolução de problemas pessoais, financeiros e espirituais; é a primeira fonte de segurança, oferecendo críticas e cobranças que podem ter efeito positivo ou negativo ao longo da vida.

Seguem algumas dicas úteis para pais, responsáveis, professores e educadores:

Em primeiro lugar, sejam empáticos, abertos ao diálogo. Ouçam com atenção o que o adolescente está falando:  deixem que ele/ela fale primeiro e observem o silêncio ou reações quando determinados assuntos aparecem.

Conversem sobre a importância do respeito com o próprio corpo, de construírem a autoimagem, de se aceitarem como são, mudando o que é possível e aceitando o que não se pode mudar, trabalhando assim a resiliência.

Estimule sempre a estudar, fazer planos para o futuro e manter a autoestima elevada.

Sejam claros, sucintos, objetivos nas perguntas e nas respostas. Não inventem, não aumentem, nem menosprezem as informações e os sentimentos.

O adolescente precisa ter direito à informação correta sobre sexualidade e acesso a métodos contraceptivos seguros e eficazes, assim como serviços de saúde confiáveis, confidenciais e acessíveis. E, junto ao médico, podem e devem saber o método de anticoncepção que mais lhes convém.

O envolvimento de pais, mães e responsáveis está ligado ao aumento do bem-estar e da autoestima de crianças e adolescentes, o que previne o consumo de álcool e outras drogas, melhora o desempenho escolar, a capacidade de socialização, diminui o risco de abandono escolar, depressão, pensamentos suicidas e gravidez na adolescência.

Exercer a sexualidade com responsabilidade pode evitar riscos de graus variáveis, como infecções sexualmente transmissíveis e a gravidez precoce. O diálogo, informação, empatia e amor são o caminho para o sucesso!

 

Saiba mais:

Adolescência e sexualidade: visão atual. Coordenadores: Maria Ignez Saito et al. São Paulo: Editora Atheneu, 2016 (Série Atualizações Pediátricas).

Desafios atuais para a saúde e bem-estar dos adolescentes. Editores: Elizete Prescinotti Andrade, Elisiane Elias Mendes Machado, Alexandre Massashi Hirata. 1. edição. Rio de Janeiro: Atheneu, 2024.

 

Relatora:
Elisiane Elias Mendes Machado
Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Riscos da gravidez precoce para a adolescente e seu filho https://spsp.org.br/riscos-da-gravidez-precoce-para-a-adolescente-e-seu-filho/ Fri, 31 Jan 2025 17:27:57 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50047 A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece de 1 a 8 de fevereiro. A gravidez na adolescência é um fenômeno global que possui causas muito bem conhecidas]]>

A Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência acontece de 1 a 8 de fevereiro. A gravidez na adolescência é um fenômeno global que possui causas muito bem conhecidas, assim como consequências sociais, econômicas e para a saúde. Tende a ser maior entre aquelas de menor grau de escolaridade ou menor status econômico e, embora se verifique diminuição na taxa da primeira gravidez, essa ainda se mantém muito alta no Brasil, se comparada a países desenvolvidos.

Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ao considerar meninas entre 10 e 19 anos, o Brasil é um dos países da América Latina com a maior prevalência de gravidez na adolescência (14%), ficando atrás do Paraguai (15%), Equador e Colômbia, ambos com 18%.

A denominação mais adequada é GRAVIDEZ PRECOCE, pois acontece em uma fase da vida da mulher na qual seu organismo está num período de intensas mudanças físicas, psíquicas e sociais, e para que se desenvolva plenamente, tais mudanças precisam acontecer com o menor número possível de intercorrências – e uma gravidez é uma grande intercorrência no desenvolvimento.

Estudos recentes demonstram que a gravidez em uma mulher adulta acarreta mudanças no cérebro semelhantes às que ocorrem na adolescência. Resumidamente, há uma diminuição da substância cinzenta, entre outras alterações significativas, possivelmente mediada pelos hormônios da gravidez. Adolescentes já estão naturalmente passando por mudanças relevantes no cérebro, iniciadas na puberdade e que se estendem até 20 anos ou mais. Neste sentido, gestantes adolescentes têm uma sobreposição de estímulos hormonais no cérebro.

Figura 1. Alterações no cérebro durante a adolescência

A massa cinzenta se reduz e a massa branca aumenta, fazendo com que as conexões cerebrais sejam mais específicas e mais rápidas. Essas alterações se iniciam no início da puberdade na região posterior do cérebro (occipital) e progridem para a região frontal (região mais elaborada do cérebro).

 

Figura 2. Alterações que ocorrem no cérebro de gestantes adultas, mostrando que a substância cinzenta também diminui

Carmona et al. A comparative analysis of cerebral morphometric changes. Hum Brain Mapp. 2019 May;40(7):2143-2152

 

Riscos intrauterinos para filhos de mães adolescentes 

É possível inferir que essa sobreposição de alterações no cérebro da mãe adolescente (i.e., alterações do cérebro adolescente somadas às alterações do cérebro materno), acrescida de pressões sociais e familiares, bem como as incertezas em relação ao futuro, podem gerar um estresse muito intenso (e tóxico), afetando de forma significativa o cérebro da adolescente e do feto.

Quando a mãe está sob estresse, seu corpo libera hormônios como o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios podem atravessar a placenta e afetar o desenvolvimento do cérebro do feto, interferindo na formação de sinapses, que são as conexões entre os neurônios. Essas alterações podem impactar a comunicação neuronal e, consequentemente, o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

Crianças expostas a altos níveis de estresse intrauterino podem ter maior risco de desenvolver problemas emocionais e comportamentais, como ansiedade e dificuldades de atenção à medida que crescem. E podem apresentar um aumento da vulnerabilidade a transtornos mentais na adolescência e na idade adulta.*

Para a gestante adolescente os riscos são amplos

As adolescentes já estão naturalmente em uma fase de crescimento e desenvolvimento e a gravidez precoce pode interferir nesse processo. Elas podem enfrentar complicações como hipertensão gestacional, anemia e pré-eclâmpsia, entre outras complicações relevantes.

  1. A gravidez em adolescentes está associada a um maior risco de parto prematuro, o que pode levar a complicações para o bebê, como baixo peso ao nascer e problemas de saúde a longo prazo.
  2. As adolescentes podem ter uma taxa mais alta de abortos espontâneos, especialmente se não receberem cuidados pré-natais adequados.
  3. Muitas adolescentes podem não ter uma nutrição adequada durante a gravidez, o que pode impactar tanto a saúde da mãe quanto a do bebê. Uma alimentação inadequada pode resultar em deficiências nutricionais que afetam o desenvolvimento fetal. Para a adolescente há risco de uma menor aquisição de massa óssea, o que aumenta o risco de osteoporose na pós-menopausa.
  4. A gravidez na adolescência, além de limitar o desenvolvimento social da adolescente, pode causar estresse, ansiedade e depressão. A pressão social e as mudanças na vida podem ser difíceis de lidar, resultando em problemas de saúde mental.
  5. Muitas mães adolescentes enfrentam dificuldades financeiras, falta de apoio familiar e estigmas sociais, o que pode impactar ainda mais a sua saúde e bem-estar da mãe e do bebê.
  6. A gravidez pode interromper os estudos e limitar as oportunidades de carreira da adolescente, afetando seu futuro econômico e social.
  7. Mães adolescentes têm maior chance de trabalhar do que adolescentes não grávidas; entretanto, em sua maioria são empregos informais. E se comparadas a mulheres que tiveram filhos após os 20 anos, recebem 28% menos de salário.
  8. A gravidez na adolescência pode levar ao isolamento social, com a jovem mãe se afastando de amigos e atividades sociais, o que pode aumentar a sensação de solidão e depressão.

Os pais, professores e os pediatras devem fornecer informações corretas sobre sexualidade e prevenção da gravidez precoce. Falar sobre sexualidade, prevenção de gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis não induz adolescentes a iniciarem a vida sexual mais precocemente!

Pediatras têm papel fundamental nessa prevenção: têm a capacidade de atuar na diminuição da primeira gestação precoce. Precisam orientar tanto a família quanto os adolescentes sobre métodos contraceptivos e prescrevê-los quando indicado.

A prevenção não se restringe às adolescentes: todos os adolescentes sempre devem participar dessas orientações.

As gestantes adolescentes devem ser informadas sobre seus direitos referentes aos estudos e devem ser encorajadas e apoiadas a continuar estudando.

Saiba mais:

* Prenatal developmental origins of behavior and mental health: the influence of maternal stress in pregnancy. The influence of maternal stress in pregnancy. Neuroscience and Biobehavioral Reviews. 2020;117:26-64.

Relatora:
Elizete Prescinotti Andrade
Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/dia-mundial-da-prevencao-da-gravidez-na-adolescencia/ Tue, 27 Sep 2022 18:23:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34638 No dia 26 de setembro, em mais de 70 países da Europa, Ásia e América Latina, celebra-se o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data tem como objetivo incentivar a reflexão]]>

No dia 26 de setembro, em mais de 70 países da Europa, Ásia e América Latina, celebra-se o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data tem como objetivo incentivar a reflexão e difundir informações sobre medidas preventivas e educativas para a redução da gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis na adolescência.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que 377.655 partos realizados no ano de 2020 foram de mães com idade entre 10 e 19 anos. Isso significa que em torno de um em cada sete bebês é filho de mães adolescentes: a cada hora nascem 43 bebês, filhos de mães adolescentes, e a cada 30 minutos, uma menina de 10 a 14 anos torna-se mãe.

Apesar da redução das taxas de gravidez na adolescência em comparação aos anos anteriores, ela segue pior do que em outros países latino-americanos, segundo os dados do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) para América Latina e Caribe. A repetição de gravidez na adolescência também é frequente e, na falta de acompanhamento pós-parto, pode ocorrer em torno de 30% no primeiro ano e até 50% no segundo ano.

A falta de informações sobre o corpo, a sexualidade e os direitos sexuais e reprodutivos, bem como a dificuldade de acesso ao sistema de saúde, incluindo os métodos contraceptivos, são os principais fatores para a ocorrência de gravidez na adolescência. Vale destacar ainda a qualidade dos programas de educação sexual nas escolas, os tabus e preconceitos sobre a sexualidade e a falta de diálogo dos jovens com seus pais, familiares, professores e educadores.

É de fundamental importância “interrogar” se diversos tipos de violência, como a sexual, possam estar envolvidos direta ou indiretamente com essas gestações, o que constitui um problema de saúde e de direitos humanos, com consequências biológicas, psicológicas e sociais significativas.

A interrupção ou o abandono escolar, o atraso ou a inserção não qualificada no mundo do trabalho, a maternidade sem o apoio emocional e financeiro do parceiro e até mesmo da família, e uma continuidade do ciclo intergeracional de pobreza e desigualdade representam as consequências sociais mais frequentes de uma gravidez não planejada na adolescência.

A educação sexual, tanto individual quanto coletiva, nas escolas, famílias, serviços de saúde e centros comunitários é um dos maiores fatores de prevenção. Educação sexual não significa ensinar crianças e adolescentes a praticarem sexo, e sim ensinar e orientar sobre métodos contraceptivos, tratar a sexualidade e a saúde reprodutiva não só sob abordagem biológica, mas também como uma relação ao convívio de respeito entre os iguais, atividade sexual com responsabilidade e respeito, proteção contra gravidez inoportuna, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e defesa contra a violência sexual.

Pais/famílias demonstrem seu amor e respeito aos seus filhos, sendo claros e sinceros. Ajudem a lidar com as mudanças que estão acontecendo na adolescência, estando abertos e conversando com seus filhos sobre os sentimentos, a autoestima, dúvidas, incluindo a sexualidade. Busquem informações ou auxílios com materiais de apoio (filmes, séries, livros, cartilhas ou outros recursos, tendo cuidado com as informações falsas, as famosas fake news!) e, se necessário, procurem uma ajuda especializada para aconselhamento e acompanhamento.

Adolescentes e jovens demonstrem seu amor e respeito aos seus pais e à sua família. Estejam abertos e conversem com eles sobre seus sentimentos, suas dúvidas, incluindo a sexualidade. Busquem informações ou auxílios com materiais de apoio (filmes, séries, livros, cartilhas ou outros recursos, tendo cuidado com as informações falsas, as famosas fake news!) e, se necessário, procurem uma ajuda especializada para aconselhamento e acompanhamento.

Façam valer os seus direitos ao respeito, à segurança, o acesso às informações, às orientações, à educação de qualidade e ao sistema de saúde, incluindo o acesso aos métodos contraceptivos.

 

Relator:
Alexandre Massashi Hirata
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: @tirachardz / www.freepik.com

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Gravidez, infecções sexualmente transmissíveis e a estratégia da abstinência sexual entre adolescentes https://spsp.org.br/gravidez-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-e-a-estrategia-da-abstinencia-sexual-entre-adolescentes/ Fri, 21 Feb 2020 18:17:00 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3032 Um cenário ainda preocupante se apresenta para os profissionais que cuidam dos adolescentes brasileiros: em 2017 houve 480.923 nascidos vivos de mães adolescentes (10 a 19 anos), que representam 16,4% de todos os nascimentos que ocorreram no território nacional. Os números reais de gravidezes são, seguramente, maiores quando se computam as que resultaram em abortamento. Segundo relatório do Banco Mundial, publicado em 2013, o Brasil encontra-se entre os “top 50” dos países com maior número de gestações entre adolescentes, com indicadores próximos ao Sudão, Azerbaijão e Burundi, uma posição, portanto, nada gloriosa ou confortável. Não menos preocupante é a situação das infecções transmitidas por via sexual (IST) entre adolescentes e jovens, que se apresentam em número crescente, inversamente às demais faixas etárias.

Embora somente a abstinência garanta a ausência de qualquer tipo de risco relacionado à atividade sexual, a orientação que apenas nela se fundamenta mostra-se falha, considerando o início precoce de muitos jovens e o contexto social pós-moderno. Isso é demonstrado por várias pesquisas científicas. Ainda assim, é papel dos profissionais que atendem adolescentes, dos educadores e dos pais, discutir com o jovem, em bases éticas e destituídas de julgamentos preconcebidos, o melhor momento para o início da atividade sexual. Para alguns adolescentes, a postergação do início da vida sexual pode ser claramente entendida e vir a constituir-se em sua opção contraceptiva, dentro da discussão sobre o exercício saudável da sexualidade. Entretanto, para aqueles que optam por iniciar a vida sexual, deve-se prover orientação preventiva pertinente, com a apresentação e a ampla oferta de métodos contraceptivos efetivos para a proteção dos adolescentes tanto contra gravidez quanto contra IST.

photographee | depositphotos.com

Falham, também, as estratégias que se fundamentam apenas na informação sobre métodos de proteção; dessa forma, possuir informações sobre a transmissão do HIV, por exemplo, por si só não é suficiente para compreender como os jovens praticam a prevenção. Como exemplo, os diferentes motivos relatados para a não utilização de preservativo ilustram como as normas de gênero e envolvimento afetivo conduzem meninas a “confiarem” nos parceiros, fixos ou eventuais, e os meninos a “confiarem” somente nas namoradas. Há muito tempo se sabe, também, que alguns dos fatores que aumentam a vulnerabilidade de adolescentes à gravidez, ISTs e AIDS incluem a pobreza e a violência, assim como a falta de habilidades para se proteger, implicadas em normas sociais, como sexismo.

A construção da cidadania é condição básica para o desenvolvimento das ações de educação sexual e preventiva. Para isso, os direitos fundamentais do adolescente definidos na legislação, em especial no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), devem ser assegurados pelas instituições públicas e pela sociedade civil. Essa opção ético-política respalda-se na evidência de como a promoção de direitos pode diminuir a vulnerabilidade ao adoecimento. Deveriam ser de amplo conhecimento os subsídios legais que estabelecem direitos, por exemplo, para adolescentes utilizarem o serviço de saúde em condições de sigilo e privacidade.

O direito de o jovem viver a sexualidade de forma consciente e consensual é pouco discutido. Os direitos só podem ser plenamente realizados na medida em que se avance no sentido das equidades de gênero, de orientação sexual, racial, étnica, de classe social e que sejam fortalecidas a autonomia e a participação de adolescentes e jovens na construção de seus projetos de vida.

O sentido e os efeitos da gravidez nas adolescentes, por exemplo, esquadrinham, muitas vezes, a relação estabelecida por elas com seu corpo e seus horizontes. Se a adolescente não encontra formas de ressignificar o sentido dado pela gravidez e seus “benefícios”, poderá ter dificuldades na prevenção.

A importância do diálogo

Certamente, uma das maiores dificuldades na educação em sexualidade reside na precária (ou ausente) comunicação entre educador e educando acerca de um assunto considerado privado e íntimo, atravessado por valores morais. Expressões dessa falta de sintonia no diálogo podem ser facilmente observadas no modo como se fala de prevenção: são raras as ações de educação em sexualidade em que há efetivamente oportunidades para adolescentes discutirem abertamente, por exemplo, dificuldades de negociação do uso de preservativo ou como o desejo e o prazer podem ser conciliados com a prática de sexo seguro.

Os serviços de saúde podem estar mais próximos aos adolescentes. Tanto pelo silêncio como pelo tratamento formal/protocolar e, evidentemente, por posturas julgadoras a respeito da sexualidade dos jovens no contexto do atendimento, são percebidos como não amigáveis. Profissionais devem ser qualificados a fim de superar a moralização da sexualidade dos jovens. Tal julgamento se daria, principalmente, em função de os profissionais manifestarem, direta ou indiretamente, posturas que sinalizam desaprovação quanto ao fato de os jovens terem vida sexual.  Enfim, nos serviços de saúde, os adolescentes não devem ser tratados como objetos de intervenção profissional, com a simples pretensão de modelagem de seu comportamento.

Dessa forma, jovens equipados com os conhecimentos, habilidades e serviços adequados poderão fazer escolhas informadas quanto a decisões, práticas ou políticas que os afetem em relação à gravidez e às IST/AIDS.

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Relator
Dr. Benito Lourenço
Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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“Fadiga do Preservativo”: a crise dos métodos contraceptivos e da proteção na adolescência https://spsp.org.br/fadiga-do-preservativo-a-crise-dos-metodos-contraceptivos-e-da-protecao-na-adolescencia/ Thu, 08 Sep 2016 13:10:19 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1361 Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez. Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém, sob a ótica emocional e cognitiva, ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas. Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção. Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”. “Talvez os adolescentes já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes relacionados à questão. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica. Além de não demonstrar medo das DSTs, Dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros de contracepção e para evitar doenças também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo, portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez e não em uma questão de direitos e decisões”, alerta. Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias – pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável. “Prevenir gravidez na adolescência é um processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio, estarão melhor capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui o hebiatra. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 08/09/2016. photo credit: Phil Date | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Stripey 3Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez.

Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém, sob a ótica emocional e cognitiva, ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas. Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção.

Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”. “Talvez os adolescentes já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes relacionados à questão. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica.

Além de não demonstrar medo das DSTs, Dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros de contracepção e para evitar doenças também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo, portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez e não em uma questão de direitos e decisões”, alerta.

Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias – pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável.

“Prevenir gravidez na adolescência é um processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio, estarão melhor capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui o hebiatra.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 08/09/2016.
photo credit: Phil Date | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
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