Gênero – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 06 May 2025 17:38:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Gênero – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Igualdade, inclusão e respeito https://spsp.org.br/igualdade-inclusao-e-respeito/ Sat, 01 Mar 2025 10:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50418 ]]>

O Dia Mundial da Discriminação Zero, celebrado em 1º de março, foi instituído pelo UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) em 2014. A data tem o objetivo de promover igualdade, inclusão e respeito aos direitos humanos, independentemente de gênero, raça, orientação sexual, condição de saúde ou qualquer outra característica.

O símbolo da campanha é uma borboleta, representando transformação e liberdade. A iniciativa incentiva indivíduos, comunidades e governos a adotarem práticas mais inclusivas e a combaterem qualquer tipo de discriminação.

Que a borboleta não voe para longe do alcance das nossas vistas.

A questão da discriminação ganha ainda mais relevância no contexto geopolítico atual, onde há um crescimento de movimentos nacionalistas, políticas identitárias excludentes e certo retrocesso no ideal do multiculturalismo que, nas últimas décadas, foi um modelo de coexistência pacífica, valorizando a diversidade e garantindo espaço para diferentes culturas, religiões e modos de vida dentro das sociedades.

No entanto, muitos governos estão se afastando desse ideário, adotando posturas mais fechadas, pautadas em nacionalismo, protecionismo e discursos de “identidade nacional”, que frequentemente excluem minorias e imigrantes.

Podemos listar algumas razões.

O aumento dos fluxos migratórios, impulsionados por guerras, crises climáticas e desigualdades econômicas, gerou reações adversas em muitos países. Em vez de políticas de acolhimento, há um endurecimento de fronteiras e o crescimento de retóricas xenófobas. Cresce o medo do “outro”, que alimenta o discurso de alguns líderes populistas, caracterizado pela óptica do “eu contra eles”, que apresenta as minorias como ameaça à estabilidade econômica, cultural e social. É o famoso “bode expiatório”.

Em algumas partes do mundo, há um claro enfraquecimento de instituições que protegiam direitos fundamentais. Leis que garantiam igualdade de gênero, proteção a refugiados e combate ao racismo estão sendo revogadas ou enfraquecidas.

A internet potencializou bolhas ideológicas e discursos de ódio, dificultando o diálogo e promovendo a polarização social. Movimentos extremistas encontram terreno fértil para disseminar preconceitos e teorias da conspiração, que deslegitimam a convivência multicultural.

O fim do multiculturalismo na política não significa necessariamente que as sociedades deixarão de ser diversas, mas pode indicar um desafio maior na promoção da inclusão e no combate à discriminação. Isso torna datas como o Dia Mundial da Discriminação Zero ainda mais importantes, pois reforçam a necessidade de resistência e de ações concretas para garantir que direitos fundamentais não sejam desmontados.

Fernando Pessoa (sob o heterônimo Bernardo Soares) escreveu em ‘Metamorfose’: “Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa; e, porque passa, morre”. A vida é movimento e transformação, por certo. É um processo contínuo que demanda sabedoria e vigilância. A lagarta gera a borboleta, que precisa de espaço para voar, apesar das barreiras que nos cercam.

 

Saiba mais:

– O Dia Mundial da Discriminação Zero, celebrado em 1º de março, foi instituído pelo UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS)

Fonte:

Fonte:  UNAIDS Brasil https://unaids.org.br › zero-discriminacao

– Fernando Pessoa (sob o heterônimo Bernardo de Campos) escreveu em ‘Metamorfose’: PESSOA, F. Livro do Desassossego, por Bernardo Soares. Vol. II. Mem Martins: Europa-América, 1986.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Importância do cuidado com a saúde masculina https://spsp.org.br/importancia-do-cuidado-com-a-saude-masculina/ Tue, 19 Nov 2024 12:24:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48970 No dia 19 de novembro comemora-se o Dia Internacional do Homem. Você deve estar se perguntando: se o mundo é dos homens, por que eles precisam de um dia de celebração?]]>

No dia 19 de novembro comemora-se o Dia Internacional do Homem. Você deve estar se perguntando: se o mundo é dos homens, por que eles precisam de um dia de celebração? E é justamente pela pressão social dos papéis de gênero e a associação de masculinidade com “ser durão”, não mostrar fraqueza e ter que resolver tudo com violência, que esse dia foi criado: para lembrar a importância do cuidado com a saúde masculina.

O processo de construção da masculinidade inicia-se ainda na infância, sendo influenciado pelo que se observa nos padrões de referência. Esses modelos são ensinados desde tenra idade e reproduzidos principalmente nas relações familiares. Todavia, quando alguns comportamentos nocivos fazem parte de tal constructo, podem desencadear diversos danos. A vulnerabilidade do homem é encoberta e ignorada pelo fenômeno que chamamos de masculinidade tóxica ou machismo, e é uma das principais razões para esse descaso deles com a saúde. Não afeta apenas a saúde física: a masculinidade tóxica é nociva para ambos os sexos, pois os estereótipos e a pressão social para corresponder às expectativas dos papéis de gênero tradicionais, geram doença e sofrimento emocional.

Infelizmente, desde pequenos muitos homens são criados para não dar o devido valor e cuidado à sua saúde e sentimentos: homem não chora! Seja homem! Não seja uma mulherzinha! Engole esse choro! Seus sentimentos são negados e silenciados constantemente.

Como consequência, os homens são mais alvo de violência interpessoal: 95% dos assassinos no mundo são homens. Na adolescência, a taxa de mortalidade dos meninos é quatro vezes maior do que das meninas; a partir dos 13 anos, a taxa de mortalidade dos meninos aumenta (Tabela 1) e o homicídio é a primeira causa de morte em meninos de 15 a 19 anos.

Ao longo da vida, a negligência com a saúde vai se agravando e as taxas de problemas com uso de substâncias, depressão e suicídio aumentam progressivamente no sexo masculino, sendo mais prevalente do que nas mulheres. Entre os homens, a taxa de morte por suicídio em 2019 foi de 10,7 por 100 mil, enquanto entre as mulheres o número foi de 2,9.

Portanto, comportamentos associados ao machismo levam a inúmeras repercussões negativas para os homens e estão associados a menor desempenho acadêmico, menor posição social e renda, insucesso em relacionamentos conjugais e comportamentos antissociais, tais como agressividades, direção agressiva, dirigir embriagado, ter relações sexuais desprotegidas, tendência a estupro e atitudes antipáticas para com mulheres vítimas de agressão sexual.

Estudos demonstram que em países com maior equidade de gênero, os adolescentes são mais felizes e apresentam menos ansiedade e depressão. Os papéis de gênero igualitários estão associados a maior satisfação com a vida e melhores relacionamentos intrafamiliares, com amigos e na escola, para ambos os sexos, com metade de chance de ter depressão e morrer por morte violenta. Para nos tornarmos agentes de mudanças sociais, dentro dos grupos que nos definem, devemos questionar os papéis quanto à sua determinação e funções históricas, e constatar as relações de dominação que reproduzimos uns sobre os outros, permitindo que a consciência de nossos papéis altere a identidade social.

Temos que ensinar aos nossos meninos que pedir ajuda é um ato de coragem. É não desistir da vida.

 

Tabela 1. Número de óbitos no Brasil em 2022 de 0 a 44 anos

Relatora:

Lília D’Souza-Li
Professora Associada do Departamento de Pediatria, Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Internacional do Homem https://spsp.org.br/dia-internacional-do-homem/ Sun, 19 Nov 2023 18:08:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40784 “O que é ser homem hoje?” “A vida nos interroga” – esta frase, utilizada reiteradamente por Victor Frankl, criador da Logoterapia, é sempre instigante, pois nos convida à reflexão. A vida pergunta]]>

 “O que é ser homem hoje?”

“A vida nos interroga” – esta frase, utilizada reiteradamente por Victor Frankl, criador da Logoterapia, é sempre instigante, pois nos convida à reflexão. A vida pergunta. Temos que responder individualmente – como pessoa e coletivamente – como espécie humana.

A cultura é, ao mesmo tempo, a lente com a qual interpretamos e compreendemos este assunto, quanto ao viés determinante das diversas opiniões sobre o tema. Dentre as inúmeras perguntas que a vida nos faz, está esta: “Que é ser homem hoje?” A palavra homem aqui, se refere a gênero e não à espécie humana.

A resposta não é simples e nem óbvia.

Para analisar esta pergunta, duas aves podem nos ajudar: o Guará – brasileira, encontrada principalmente nos manguezais da costa setentrional da América do Sul e o Flamingo – encontrado em várias partes do mundo.

Ambos biologicamente nasceram com características próprias que identificam cada espécie e, no entanto, a grande marca identificadora, que sobressai para os olhares externos, é a sua cor, que não é característica biológica, mas sim sua “marca registrada”. Esse fenótipo é fruto do ecossistema em que habitam, da disponibilidade da comida rica em caroteno, dada pela oferta generosa de crustáceos nos mangues – para os guarás, e de algas e crustáceos, nos alagados, lagoas, manguezais, estuários e algumas regiões beira-mar – para os flamingos. A grande quantidade presente desse pigmento (caroteno) na dieta é a responsável pela cor avermelhada dessas aves.

No caso dos humanos, a biologia não explica uma série muito grande de peculiaridades da nossa espécie, nem do nosso comportamento. A cultura – fruto da linguagem – gera símbolos que auxiliam a conhecer e interpretar o mundo, a vida. Esse fato explica por que a resposta àquela pergunta acima é complexa. É através da lente da cultura que essa resposta poderá ser dada.

Fica implícita na pergunta “O que é ser homem hoje?”, a possibilidade de entender que o homem de ontem é diferente do homem de hoje e, por inferência, este também será diverso do homem de amanhã. Esta pergunta se refere à questão comportamental do homem e não ao seu aspecto biológico evolutivo. Em outras palavras: quais são os papéis do homem na sociedade de hoje? Aqui entra o universo da cultura.

A construção da masculinidade é complexa e multifacetada, sendo moldada por normas culturais, crenças, valores e expectativas em uma determinada sociedade e num determinado tempo. O que é considerado “masculino” em uma cultura pode ser diferente do que é valorizado em outra.

Ser homem na ‘cultura antiga’ consistia em ser o provedor econômico da família; ser o protetor da família – se necessário, “dar porrada”; ser o macho reprodutor e pegador; tomar a iniciativa nas relações sexuais; ser conquistador; fazer os trabalhos braçais; ser o tomador de decisões; impor regras e colocar limites para o outro e para si mesmo; enfrentar, racionalmente, situações e tentar não se desesperar; conquistar respeito e admiração (poder); ter corpo robusto e falar com voz grossa; ser valente e corajoso; ser livre, astuto e dono de si.

Através desse estereótipo, culturalmente construído, foi gestado um fruto indesejado, que colhemos à larga, nos dias de hoje – o feminicídio, o abuso e assédio sexual, a homofobia, a pedofilia, a segregação de gênero, entre outras mazelas.

“O Homem com H”, da música de Antônio Barros, de 1981, magistralmente interpretada por Ney Matogrosso à época da banda “Secos & Molhados”, retrata muito bem esse estereótipo da cultura dita “machista”:

“Nunca vi rastro de cobra / Nem couro de lobisomem / Se correr o bicho pega / Se ficar o bicho come / Porque eu sou é home / Porque eu sou é home / Menino eu sou é home / Menino eu sou é home / E como sou!

Quando eu estava pra nascer / De vez em quando eu ouvia / Eu ouvia a mãe dizer / Ai meu Deus como eu queria / Que esse cabra fosse home /
Cabra macho pra danar / Ah! Mamãe aqui estou eu / Mamãe aqui estou eu / Sou homem com H / E como sou!

Eu sou homem com H / E com H sou muito home / Se você quer duvidar
Olhe bem pelo meu nome / Já tô quase namorando / Namorando pra casar

Ah! Maria diz que eu sou / Maria diz que eu sou / Sou homem com H
E como sou!

Cobra! Home! / Pega! Come!”

O homem, antes de mais nada, é “ser humano” e, como tal, possui fragilidades, pontos fortes e fracos. Nos dias atuais é “coisa de homem”: entrar em contato com as emoções e buscar um encontro genuíno com o outro, que pode ser o filho, o amigo, a mulher; permitir-se deliberar não ‘paquerar ou ficar’ por obrigação, não pagar todas as contas e, mesmo assim, continuar se sentindo um homem forte e não um ‘frouxo’; ser sensível aos sentimentos dos outros, perceber as sutilezas das relações humanas, ser empático; participar na criação dos filhos e nas tarefas domésticas; respeitar e promover a igualdade de gênero.

Finalizo com a música “Man in the Mirror“, de Michael Jackson, que fala da importância de refletir sobre si mesmo e fazer mudanças pessoais para tornar o mundo um lugar melhor:

“I’m starting with the man in the mirror / I’m asking him to change his ways / And no message could’ve been any clearer / If they wanna make the world a better place / Take a look at yourself and then make a change.”

“Estou começando com o homem no espelho / Estou pedindo a ele que mude de atitude / E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara / Se eles querem fazer do mundo um lugar melhor / Dê uma olhada em si mesmo e faça uma mudança.” (tradução livre)

Este é um chamamento para que busquemos uma sociedade mais justa e igualitária.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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1º de dezembro – Dia Mundial de Luta Contra a Aids https://spsp.org.br/1o-de-dezembro-dia-mundial-de-luta-contra-a-aids/ Thu, 01 Dec 2022 11:31:38 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35733 Temos vivenciado momentos difíceis em relação à saúde, seja pela pandemia pelo coronavírus, seja pela enorme quantidade de outros vírus que “enlouqueceram” desde 2021, com mudanças]]>

Temos vivenciado momentos difíceis em relação à saúde, seja pela pandemia pelo coronavírus, seja pela enorme quantidade de outros vírus que “enlouqueceram” desde 2021, com mudanças na sazonalidade, provocando epidemias fora de época, como o Vírus Sincicial Respiratório (de atenção fundamental para as crianças, principalmente as menores) e o Influenza. Mas não podemos esquecer de um vírus em particular, que desde as décadas de 80 e 90 trouxe uma enormidade de problemas, inclusive gerando intolerância de gênero, que é o HIV.

Importante mencionarmos que, de situações de intolerância de gênero, hoje o principal grupo acometido pelo HIV são os heterossexuais, ou seja, a população dominante de gênero. E isto representa um risco para outra população, que sequer tem a prerrogativa do gênero para sua contaminação, que são os recém-nascidos.

Lógico que não devemos tirar nossos olhos das crianças e adolescentes que podem se contaminar por uso de drogas e relações sexuais (hoje o risco nas transfusões é mínimo, devido à triagem no sangue dos doadores), e cabe a todos nós a orientação e o cuidado com estes indivíduos que estão começando suas vidas e, certamente, ainda não têm o discernimento suficiente para entender os riscos de seus atos. Precisamos estar lado a lado com eles, não para reprimi-los, mas para que tenham um caminho com o mínimo de riscos possível.

Mas gostaríamos também de comentar dos recém-nascidos, o que significa falarmos das gestantes.

É essencial que tenhamos cuidados completos no pré-natal, com as consultas e os exames para investigação, não só do HIV, mas de diversas outras doenças, como sífilis e hepatites. O Brasil tem se esforçado para a erradicação do HIV (e sífilis) de transmissão da mãe para o recém-nascido e muitas cidades, inclusive, serão homenageadas no dia 1/12 por conseguirem esse feito!

Nascer com qualquer doença é algo que jamais iremos querer para nossas crianças, e o pré-natal correto é um grande passo que podemos, e devemos, fazer para permitir qualidade de vida para essas crianças no início de suas vidas!

Relator:
Marcelo Otsuka
Vice-Presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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