Gagueira – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 24 Mar 2026 14:18:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Gagueira – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Meu filho está gaguejando – e agora? https://spsp.org.br/meu-filho-esta-gaguejando-e-agora/ Thu, 26 Feb 2026 14:22:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55207 O que é gagueira? é uma alteração da fluência da fala, caracterizada por repetições (por exemplo, “-pa-pa-papai”), prolongamentos de sons (“ssssala”) ou bloqueios (pausas em]]>

O que é gagueira? é uma alteração da fluência da fala, caracterizada por repetições (por exemplo, “-pa-pa-papai”), prolongamentos de sons (“ssssala”) ou bloqueios (pausas em que a palavra não sai). É comum em crianças pequenas, enquanto a fala e o controle da linguagem estão em desenvolvimento. Nem toda gagueira na infância vira gagueira persistente (aquela que acompanha a pessoa por mais tempo).

As causas prováveis, baseadas em evidências, incluem

  1. Alteração ou imaturidade do desenvolvimento neurológico: algumas crianças têm um padrão de desenvolvimento da fala mais sensível; há diferenças na forma como o cérebro processa a linguagem e a coordenação motora da fala.
  2. Genética: estudos mostram maior risco em famílias com histórico de gagueira.
  3. Fatores linguísticos e do ambiente: períodos de rápido ganho de linguagem, falar muito rápido ou frases complexas podem sobrecarregar a criança. Não é culpa dos pais, mas o ambiente pode influenciar a expressão.

Fatores emocionais e de temperamento, ansiedade e frustração, eventos estressantes podem agravar a gagueira, mas não são a causa dela.

Eventos estressantes: grandes modificações na vida da criança (mudança, chegada de irmão) podem coincidir com o início, mas também não são a causa da gagueira.

 

Como agir quando a criança começa a gaguejar

  • Manter a calma: reações de nervosismo ou correção imediata aumentam a pressão sobre a criança.
  • Escutar com atenção e paciência: oferecer tempo para que termine, manter contato visual e não completar as palavras.
  • Reduzir a pressa: falar de forma lenta e relaxada com a criança; usar frases curtas e pausas para modelar o ritmo natural.
  • Evitar cobrar falando: “diga certo” ou corrigir a fala durante a conversa. Elogiar tentativas de comunicação, não a fluência.
  • Criar momentos de interação tranquila: leitura conjunta, brincadeiras que valorizem a comunicação sem pressão.
  • Procurar orientação profissional se houver dúvida: foniatras e fonoaudiólogos.

 

Quando se preocupar (procurar avaliação em curto prazo)

  • Início após os 4–5 anos sem sinais de melhora em 3–6 meses.
  • A criança evita falar em situações sociais, demonstra angústia significativa, ou a gagueira aumenta em frequência/intensidade.
  • Há bloqueios longos, esforço evidente, sons cortados ou tremores na fala.
  • Histórico familiar de gagueira persistente.
  • Desenvolvimento da linguagem atrasado, problemas auditivos ou outras condições neurológicas/psicológicas associadas.

 

Quando é razoável aguardar (observação ativa)

  • Início entre 18 meses e 4 anos, especialmente durante um período de rápido desenvolvimento da linguagem.
  • Gagueira intermitente, com intensidade baixa e sem sinais de angústia ou evitação.
  • Melhora observada em semanas a poucos meses. Nesses casos, acompanhamento cuidadoso (monitoramento por pais e, se possível, por fonoaudiólogo) é apropriado. Manter estratégias de comunicação calmas e apoio emocional costumam ajudar.

 

A gagueira na infância é comum e muitas vezes melhora com apoio e tempo. Agir com calma, oferecer um ambiente de fala seguro e buscar avaliação profissional quando houver sinais de risco são as melhores atitudes.

 

Relatora:

Sulene Pirana

Médica Otorrinolaringologista com Área de Atuação em Foniatria e Medicina do Sono

Membro do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP

Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP

 

 

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22 de outubro: Dia Internacional da Gagueira https://spsp.org.br/22-de-outubro-dia-internacional-da-gagueira/ Sun, 22 Oct 2023 19:57:03 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40356 Falar é externar seu eu – emoções, desejos – mesmo sem ver, apenas escutando a voz, podemos identificar várias características das pessoas.]]>

Falar é externar seu eu – emoções, desejos – mesmo sem ver, apenas escutando a voz, podemos identificar várias características das pessoas. A fala deve sair fluente, sem esforço… o foco principal deve ser na mensagem e não na forma.

E quando a fala está alterada? Há prejuízo na comunicação, o ouvinte foca mais em como está a fala do que no conteúdo. A gagueira, uma alteração da fluência da fala, com quebras, repetições, pausas, movimentos associados, chama muito a atenção para o interlocutor, gera julgamento… muitas vezes a pessoa que gagueja é vista como insegura, incapaz, sem controle emocional. Durante muitas décadas supôs-se, sem base científica, que era criada quando os pais chamavam a atenção dos filhos para a disfluência da fala, de que estes supostamente não teriam consciência. Wendel Johnson, que teve grande influência, era defensor da teoria de que “a gagueira começa no ouvido dos pais e não na boca da criança”. Isto fez com que a orientação dada era a de que não se devia chamar a atenção para os momentos de disfluência, deviam ignorar, sendo considerado normal gaguejar até os 5 anos de idade.

Por muitos anos a gagueira foi considerada uma alteração emocional. Hoje sabemos que não é assim; a gagueira é um transtorno do neurodesenvolvimento, perturbação do funcionamento das áreas cerebrais responsáveis pela temporalização da fala, afetando seu ritmo e coordenação. Sua manifestação é intermitente: pode ficar dias, semanas sem se manifestar e em outros momentos ser muito acentuada.

Suas causas ainda não são completamente compreendidas, há combinação de fatores genéticos e ambientais, inclusive infecciosos, que podem desencadear as disfluências. É importante notar que não está relacionada à inteligência ou capacidade cognitiva da pessoa. Muitos indivíduos são altamente inteligentes e bem-sucedidos em sua vida pessoal e profissional.

Tem início nos primeiros anos da infância, tanto em meninos quanto em meninas. A maioria vai ter resolução espontânea da gagueira e nenhum tratamento é necessário. Porém devemos ficar atentos aos fatores que aumentam muito a chance de cronificação (persistência dos sintomas): ser menino, instalação gradual da gagueira, história familiar com outras pessoas que gaguejam, especialmente se forem do sexo masculino, outras alterações de fala e linguagem associadas, início após os três anos de idade, história familiar, tensões musculares durante a fala, alterações emocionais, mais de duas repetições por episódio e início da terapia fonoaudiológica após 1 ano do início dos sintomas.

Nos casos com fatores de risco, uma investigação médica e fonoterapia devem ser iniciadas o mais breve possível. Pois o tratamento é benéfico em qualquer idade.

O Dia Internacional da Gagueira é celebrado em 22 de outubro; tem por objetivo aumentar a conscientização sobre a gagueira e promover a compreensão e aceitação das pessoas que gaguejam.

Lembre-se que cada criança é única e o que funciona para uma pode não funcionar para outra. O apoio da família é fundamental para ajudar as crianças a lidar com a gagueira e desenvolver habilidades de fala mais fluentes.

Como os pais, familiares e professores podem apoiar as crianças que gaguejam?

  • Busque orientação profissional: Se você suspeita que seu filho está gaguejando, é importante procurar a orientação de um foniatra ou fonoaudiólogo. Eles podem avaliar a gravidade do problema e criar um plano de tratamento adequado.
  • Evite pressionar a criança: É fundamental não pressionar a criança a falar mais devagar ou corrigir sua fala constantemente. Isso pode aumentar a ansiedade e agravar a gagueira.
  • Ouça com paciência: Dê atenção às palavras da criança e demonstre interesse pelo que ela está dizendo. Isso ajuda a reduzir o estresse e a pressão associados à fala.
  • Fale com calma e devagar: Modelar uma fala tranquila e pausada pode ser útil. Fale naturalmente, mas evite apressar a conversa.
  • Evite interrupções: Não interrompa a criança enquanto ela está falando. Permita que ela termine suas frases e pense no que quer dizer.
  • Crie um ambiente de apoio: Incentive a autoestima da criança e seu senso de confiança. Ajude-a a entender que a gagueira não a torna menos valiosa como pessoa.
  • Pratique a escuta ativa: Faça perguntas abertas e mostre interesse genuíno pelo que seu filho tem a dizer. Isso pode ajudar a reduzir a pressão e a ansiedade associadas à fala.
  • Estabeleça uma rotina de prática: Se o fonoaudiólogo recomendar exercícios ou técnicas para praticar em casa, siga a orientação e crie uma rotina regular para praticar com seu filho.
  • Esteja atento a mudanças emocionais: A gagueira pode ser uma fonte de estresse para as crianças. Esteja atento a quaisquer mudanças emocionais ou comportamentais e converse com um profissional de saúde, se necessário.
  • Mantenha-se informado: Aprenda sobre a gagueira e como melhor apoiar seu filho. Há muitas organizações e recursos disponíveis para pais de crianças que gaguejam.

 

Relatora:
Sulene Pirana
Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia 22 de outubro – Dia Internacional de Atenção à Gagueira https://spsp.org.br/dia-22-de-outubro-dia-internacional-de-atencao-a-gagueira/ Fri, 21 Oct 2022 16:50:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35054 ]]>

Estima-se que 1% da população brasileira tenha algo em comum com estas pessoas muito famosas: Bruce Willis, Samuel L. Jackson, Winston Churchill, Nicole Kidman, Julia Roberts, Anthony Quinn, Isaac Newton, Anthony Hopkins, Marilyn Monroe, Elvis Presley. O problema desse grupo de pessoas é tão antigo que a Bíblia dá conta de que Moisés “era tardo em falar”; a história retrata o grande orador grego Demóstenes tendo que colocar pedrinhas na boca para superar o seu problema. De que estamos falando? Da gagueira.

A gagueira na infância é um distúrbio da fala caracterizado pela repetição ou prolongamento/demora na hora de emitir alguns sons; ocorre uma alteração no tempo de execução das sílabas, das palavras e das frases, interferindo assim na fluência da fala (interrupções involuntárias) e na comunicação da pessoa.

A origem do quadro é multifatorial, incluindo aspectos genéticos, o que explicaria o aparecimento, em maior número, de casos de gagueira em uma mesma família. Outra teoria imputa como causa o funcionamento incorreto dos núcleos da base. Essa região do cérebro é a responsável por realizar a intercomunicação das áreas cerebrais que tornam possível a realização de atos motores complexos. É importante enfatizar que os fatores emocionais podem ser agravantes, mas não os causadores da gagueira. Há uma maior incidência no sexo masculino.

Pessoas com este distúrbio sabem o que querem dizer, mas não conseguem realizar o ajuste de tempo e a duração dos sons. Esse descompasso ocasiona os prolongamentos, as repetições de emissões ou as pausas na fala a partir de sons de risco – explicar melhor o que são sons de risco. Além disso, pessoas com gagueira podem ser fluentes no canto, declamações de poemas e outras atividades correlatas. Isso se justifica pelo fato de que a região cerebral estimulada na fala não espontânea é diferente daquela a cargo da fala de sincronia. Exemplos de brasileiros conhecidos: o cantor Nelson Gonçalves e os artistas Murilo Benício e Malvino Salvador.

Os principais sintomas que podem ser percebidos são: utilização de interjeições, sons prolongados, nervosismo e ansiedade na construção de palavras e sons, ansiedade no começo de discursos, movimentos involuntários, como tremores faciais ou piscar de olhos, diminuição da capacidade de se comunicar (tendência a economizar as palavras em uma frase, falar devagar ou pausadamente). 

 

O diagnóstico precoce e o começo do tratamento com a ajuda de um profissional de Fonoaudiologia são estratégias essenciais para evitar um quadro crônico. A gagueira infantil pode ser percebida entre os dois e três anos, que corresponde ao período de desenvolvimento da fala, através do aparecimento de alguns sinais frequentes, como dificuldade para concluir uma palavra e prolongamento de sílabas, por exemplo.

A participação dos pais e demais adultos que interagem com a criança representa papel importante para o tratamento da criança:

– É necessário ser um bom ouvinte, ou seja, escutar o que a criança tem a falar sem deixá-la ansiosa ou tentar adivinhar o que ela tem a dizer;

– Estimulá-la a conversar sobre assuntos fáceis e que sejam do agrado dela;

– Criar ambientes descontraídos, tranquilos e relaxados;

– Não reagir negativamente quando a criança gaguejar – trata-se de uma ação involuntária.

A música, em geral, é um fator de conforto, enlevo, alegria. É, também, instrumento de acolhimento e respeito. Por essa razão, convoco Noel Rosa para terminar este texto através da composição “Gago apaixonado”:

“Mu-mu-mulher, em mim fi-fizeste um estrago
Eu de nervoso estou-tou fi-ficando gago
Não po-posso com a cru-crueldade da saudade
Que que mal-maldade, vi-vivo sem afago”.

 

Saiba mais: Clique aqui

 

Relator:
Fernando MF Oliveira

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Retrospectiva Momento Saúde: desenvolvimento da fala https://spsp.org.br/retrospectiva-momento-saude-desenvolvimento-da-fala/ Wed, 12 Dec 2018 17:30:18 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2380 Apresentamos – nesta época de férias – uma retrospectiva de todos os artigos publicados em nossa coluna Momento Saúde, criada em 2017 pela equipe do blog Pediatra Orienta para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Republicando sobre: Atraso no desenvolvimento da fala   Errando, acertando… falando! A fala é uma importante manifestação da linguagem (ideias, pensamentos, sentimentos) e depende de um complexo sistema integrativo entre audição e motricidade oral. As primeiras emissões surgem ao redor de 7-8 meses, com o balbucio, e vão evoluindo até o aparecimento das primeiras palavras entre 12 e 18 meses. Aos dois anos, a criança deve ter um vocabulário mínimo de seis a oito palavras, aos três anos usa sentenças e sua fala deve ser compreensível para um estranho. A articulação estará perfeita até o quinto ano de vida. Cerca de 10% das crianças apresenta algum tipo de alteração da produção motora da fala – os transtornos articulatórios – dificuldades na realização de um ou mais sons da língua. Outras alterações podem ocorrer na fluência da fala – a gagueira – quando aparecem repetições, prolongamentos e bloqueios. A apraxia da fala é o quadro em que a programação motora da fala no cérebro está alterada, levando a falhas graves na articulação dos sons, podendo tornar a fala ininteligível. Essas alterações devem ser avaliadas o mais precocemente possível para possibilitar a distinção entre o que é apenas um processo normal dentro da aquisição da fala ou alterações e atrasos do desenvolvimento. Autismo e linguagem A linguagem é o meio pelo qual os seres humanos estabelecem relações sociais, conexões emocionais e profissionais. O transtorno do espectro autista afeta primordialmente a capacidade de estabelecer relações sociais. Sendo assim, tanto a linguagem verbal quanto a não verbal (gestos, expressões faciais, entonação) estarão afetadas. Os autistas têm uma comunicação ineficaz porque não conseguem adaptar a mensagem às necessidades do ouvinte e perceber as sutis informações não verbais, ironias, piadas. Podem adquirir e reconhecer o significado de muitas palavras, mas sua linguagem está limitada a significados concretos. Tendem a compreender a informação de forma literal. Muitas crianças com autismo não desenvolvem a linguagem oral e quase 65% apresentam apraxia de fala (falha na articulação dos sons). O diagnóstico envolve a diferenciação entre autismo e distúrbios de linguagem, onde a interação social também pode estar prejudicada pela dificuldade de entendimento da fala da criança. A avaliação e reabilitação devem centrar nas necessidades comunicativas e sociais levando em consideração os ambientes da vida cotidiana do indivíduo: família, escola e trabalho. Ouvindo e falando A ligação entre ouvir e falar é bem estabelecida. Sabemos que a integridade do sistema auditivo é uma das condições fundamentais para que a fala se desenvolva. Assim como a linguagem, são a comunicação interpessoal e o aprendizado. A criança já é capaz de ouvir desde a vida intrauterina. Ouvindo, a criança começa a estabelecer uma comunicação com a mãe e outros ao seu redor que vai se moldando com o passar do tempo em palavras e orações. A maioria das crianças hoje é submetida ao teste da orelhinha, ainda na maternidade. É apenas uma triagem da integridade da audição naquele momento. Outros problemas auditivos podem aparecer nos primeiros anos de vida comprometendo a audição. Mesmo perdas auditivas leves podem estar associadas ao desenvolvimento das habilidades de comunicação receptiva e expressiva, problemas de aprendizado, dificuldade de comunicação e isolamento, assim como trocas de fonemas na fala e prejuízo do vocabulário. Na presença de atrasos no desenvolvimento da fala é fundamental a avaliação auditiva. A criança nem sempre entende o que ouve Essa situação é uma queixa frequente e caracteriza Distúrbio do Processamento Auditivo (DPA): condição que torna difícil reconhecer diferenças sutis entre sons das palavras e afeta a habilidade de processar/compreender o que se fala. Esse distúrbio afeta a comunicação (atraso no desenvolvimento da fala) e a memória auditiva, trazendo dificuldade em compreender ordens complexas, que se estendem aos problemas escolares, como alfabetização, leitura, soletramento, compreensão de problemas, etc. As crianças apresentam dificuldade nas relações sociais, problemas em contar histórias ou piadas e evitam conversas longas, principalmente ao telefone. Solicitam a repetição do que se fala, usam “Ah”, “Que?”. São, em geral, crianças distraídas, com pobre habilidade musical, dificuldades em decorar letras musicais, ritmos. As causas vão além da perda auditiva, destacando-se, ainda, a prematuridade, baixo peso ao nascer, distúrbios neurológicos, otites de repetição etc. São comumente associadas a perda auditiva o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e a dislexia. Os testes de diagnóstico devem ser realizados acima dos seis anos.   ___ Relator: Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP. Republicado em 12/12/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

otorrinolaringologiaApresentamos – nesta época de férias – uma retrospectiva de todos os artigos publicados em nossa coluna Momento Saúde, criada em 2017 pela equipe do blog Pediatra Orienta para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples.

Republicando sobre:
Atraso no desenvolvimento da fala

 

Errando, acertando… falando!

A fala é uma importante manifestação da linguagem (ideias, pensamentos, sentimentos) e depende de um complexo sistema integrativo entre audição e motricidade oral. As primeiras emissões surgem ao redor de 7-8 meses, com o balbucio, e vão evoluindo até o aparecimento das primeiras palavras entre 12 e 18 meses. Aos dois anos, a criança deve ter um vocabulário mínimo de seis a oito palavras, aos três anos usa sentenças e sua fala deve ser compreensível para um estranho. A articulação estará perfeita até o quinto ano de vida.

Cerca de 10% das crianças apresenta algum tipo de alteração da produção motora da fala – os transtornos articulatórios – dificuldades na realização de um ou mais sons da língua. Outras alterações podem ocorrer na fluência da fala – a gagueira – quando aparecem repetições, prolongamentos e bloqueios. A apraxia da fala é o quadro em que a programação motora da fala no cérebro está alterada, levando a falhas graves na articulação dos sons, podendo tornar a fala ininteligível.

Essas alterações devem ser avaliadas o mais precocemente possível para possibilitar a distinção entre o que é apenas um processo normal dentro da aquisição da fala ou alterações e atrasos do desenvolvimento.

Autismo e linguagem

A linguagem é o meio pelo qual os seres humanos estabelecem relações sociais, conexões emocionais e profissionais. O transtorno do espectro autista afeta primordialmente a capacidade de estabelecer relações sociais. Sendo assim, tanto a linguagem verbal quanto a não verbal (gestos, expressões faciais, entonação) estarão afetadas.

Os autistas têm uma comunicação ineficaz porque não conseguem adaptar a mensagem às necessidades do ouvinte e perceber as sutis informações não verbais, ironias, piadas. Podem adquirir e reconhecer o significado de muitas palavras, mas sua linguagem está limitada a significados concretos. Tendem a compreender a informação de forma literal.

Muitas crianças com autismo não desenvolvem a linguagem oral e quase 65% apresentam apraxia de fala (falha na articulação dos sons).
O diagnóstico envolve a diferenciação entre autismo e distúrbios de linguagem, onde a interação social também pode estar prejudicada pela dificuldade de entendimento da fala da criança.

A avaliação e reabilitação devem centrar nas necessidades comunicativas e sociais levando em consideração os ambientes da vida cotidiana do indivíduo: família, escola e trabalho.

Ouvindo e falando

A ligação entre ouvir e falar é bem estabelecida. Sabemos que a integridade do sistema auditivo é uma das condições fundamentais para que a fala se desenvolva. Assim como a linguagem, são a comunicação interpessoal e o aprendizado. A criança já é capaz de ouvir desde a vida intrauterina. Ouvindo, a criança começa a estabelecer uma comunicação com a mãe e outros ao seu redor que vai se moldando com o passar do tempo em palavras e orações.

A maioria das crianças hoje é submetida ao teste da orelhinha, ainda na maternidade. É apenas uma triagem da integridade da audição naquele momento. Outros problemas auditivos podem aparecer nos primeiros anos de vida comprometendo a audição. Mesmo perdas auditivas leves podem estar associadas ao desenvolvimento das habilidades de comunicação receptiva e expressiva, problemas de aprendizado, dificuldade de comunicação e isolamento, assim como trocas de fonemas na fala e prejuízo do vocabulário.

Na presença de atrasos no desenvolvimento da fala é fundamental a avaliação auditiva.

A criança nem sempre entende o que ouve

Essa situação é uma queixa frequente e caracteriza Distúrbio do Processamento Auditivo (DPA): condição que torna difícil reconhecer diferenças sutis entre sons das palavras e afeta a habilidade de processar/compreender o que se fala. Esse distúrbio afeta a comunicação (atraso no desenvolvimento da fala) e a memória auditiva, trazendo dificuldade em compreender ordens complexas, que se estendem aos problemas escolares, como alfabetização, leitura, soletramento, compreensão de problemas, etc.

As crianças apresentam dificuldade nas relações sociais, problemas em contar histórias ou piadas e evitam conversas longas, principalmente ao telefone. Solicitam a repetição do que se fala, usam “Ah”, “Que?”. São, em geral, crianças distraídas, com pobre habilidade musical, dificuldades em decorar letras musicais, ritmos.

As causas vão além da perda auditiva, destacando-se, ainda, a prematuridade, baixo peso ao nascer, distúrbios neurológicos, otites de repetição etc.

São comumente associadas a perda auditiva o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e a dislexia. Os testes de diagnóstico devem ser realizados acima dos seis anos.

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Relator:
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP.

Republicado em 12/12/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Momento Saúde: atraso no desenvolvimento da fala https://spsp.org.br/momento-saude-atraso-no-desenvolvimento-da-fala/ Wed, 21 Mar 2018 18:35:53 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1993 A coluna Momento Saúde foi criada para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Com uma postagem por semana, esta coluna será seu momento de dicas, alertas e cuidados. O assunto é: atraso no desenvolvimento da fala: quando investigar?   Errando, acertando… falando! A fala é uma importante manifestação da linguagem (ideias, pensamentos, sentimentos) e depende de um complexo sistema integrativo entre audição e motricidade oral. As primeiras emissões surgem ao redor de 7-8 meses, com o balbucio, e vão evoluindo até o aparecimento das primeiras palavras entre 12 e 18 meses. Aos dois anos, a criança deve ter um vocabulário mínimo de seis a oito palavras, aos três anos usa sentenças e sua fala deve ser compreensível para um estranho. A articulação estará perfeita até o quinto ano de vida. Cerca de 10% das crianças apresenta algum tipo de alteração da produção motora da fala – os transtornos articulatórios – dificuldades na realização de um ou mais sons da língua. Outras alterações podem ocorrer na fluência da fala – a gagueira – quando aparecem repetições, prolongamentos e bloqueios. A apraxia da fala é o quadro em que a programação motora da fala no cérebro está alterada, levando a falhas graves na articulação dos sons, podendo tornar a fala ininteligível. Essas alterações devem ser avaliadas o mais precocemente possível para possibilitar a distinção entre o que é apenas um processo normal dentro da aquisição da fala ou alterações e atrasos do desenvolvimento. ___ Relator: Dra. Sulene Pirana Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP. Publicado em 21/03/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

otorrinolaringologiaA coluna Momento Saúde foi criada para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Com uma postagem por semana, esta coluna será seu momento de dicas, alertas e cuidados.

O assunto é:
atraso no desenvolvimento da fala: quando investigar?

 

Errando, acertando… falando!

A fala é uma importante manifestação da linguagem (ideias, pensamentos, sentimentos) e depende de um complexo sistema integrativo entre audição e motricidade oral. As primeiras emissões surgem ao redor de 7-8 meses, com o balbucio, e vão evoluindo até o aparecimento das primeiras palavras entre 12 e 18 meses. Aos dois anos, a criança deve ter um vocabulário mínimo de seis a oito palavras, aos três anos usa sentenças e sua fala deve ser compreensível para um estranho. A articulação estará perfeita até o quinto ano de vida.

Cerca de 10% das crianças apresenta algum tipo de alteração da produção motora da fala – os transtornos articulatórios – dificuldades na realização de um ou mais sons da língua. Outras alterações podem ocorrer na fluência da fala – a gagueira – quando aparecem repetições, prolongamentos e bloqueios. A apraxia da fala é o quadro em que a programação motora da fala no cérebro está alterada, levando a falhas graves na articulação dos sons, podendo tornar a fala ininteligível.

Essas alterações devem ser avaliadas o mais precocemente possível para possibilitar a distinção entre o que é apenas um processo normal dentro da aquisição da fala ou alterações e atrasos do desenvolvimento.

Free-Photos | Pixabay

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Relator:
Dra. Sulene Pirana
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SPSP.

Publicado em 21/03/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
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Você respeita a voz de quem gagueja? https://spsp.org.br/voce-respeita-a-voz-de-quem-gagueja/ Wed, 24 Jul 2013 20:02:33 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=38 No dia 22 de outubro de 2011 comemora-se o Dia Internacional de Atenção à Gagueira. A voz representa a pessoa, seus valores, sua cultura. As pessoas que gaguejam muitas vezes se silenciam, sufocam sua voz por temerem as reações dos outros. Essas reações vão desde gentis tentativas de correção, tais como: calma , respire, fale devagar, até chacotas e imitações grosseiras que humilham. Em uma relação em que a voz é sufocada, a pessoa deixa de ser ela mesma. Com isso, deixa de opinar e de se posicionar como poderia e como gostaria, deixando de dar sua contribuição, que talvez fosse realmente importante. A gagueira não impede a pessoa de ter um discurso, de projetar sua voz e pode ser encarada como uma marca, uma característica. A experiência de pessoas com gagueira mostra que ao assumi-la fica mais fácil lidar consigo e com as outras pessoas. Além disso, quem convive com pessoas que gaguejam logo percebe que quanto mais se é receptivo ao seu discurso mais ele flui. No acolhimento há respeito pela pessoa. É importante que cada um de nós colabore para desenvolver uma sociedade em que se respeitem os modos de ser de cada um e se dê voz a todos, independentemente do seu modo de falar. Uma sociedade que inclui ao invés de excluir. O respeito ao modo de falar aumenta a fluência tanto de quem gagueja como de quem não o faz. Ao escutar deve-se privilegiar o conteúdo da mensagem não a sua forma. Isso não significa que a gagueira não tenha tratamento. A pessoa ou família deve procurar um FONOAUDIÓLOGO especializado em problemas de fluência da fala. A psicoterapia também pode ajudar muito. ___ Relatoras: Dra. Miriam Ribeiro de Faria Silveira Presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da SPSP. Dra. Renata Silveira Martinez Dias Fonoaudióloga responsável pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fluência de Fala da PUC de São Paulo Referências: Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fluência de Fala da PUC de São Paulo e Instituto CEFAC – Ação Social em Saúde e Educação Coordenador: Dra. Silvia Friedman www.gagueiraesubjetividade.info Publicado no site da SPSP em 28/11/2011. photo credit: Cayusa via photopin cc Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

medium_2194119780No dia 22 de outubro de 2011 comemora-se o Dia Internacional de Atenção à Gagueira.

A voz representa a pessoa, seus valores, sua cultura. As pessoas que gaguejam muitas vezes se silenciam, sufocam sua voz por temerem as reações dos outros. Essas reações vão desde gentis tentativas de correção, tais como: calma , respire, fale devagar, até chacotas e imitações grosseiras que humilham.

Em uma relação em que a voz é sufocada, a pessoa deixa de ser ela mesma. Com isso, deixa de opinar e de se posicionar como poderia e como gostaria, deixando de dar sua contribuição, que talvez fosse realmente importante.

A gagueira não impede a pessoa de ter um discurso, de projetar sua voz e pode ser encarada como uma marca, uma característica. A experiência de pessoas com gagueira mostra que ao assumi-la fica mais fácil lidar consigo e com as outras pessoas. Além disso, quem convive com pessoas que gaguejam logo percebe que quanto mais se é receptivo ao seu discurso mais ele flui.

No acolhimento há respeito pela pessoa. É importante que cada um de nós colabore para desenvolver uma sociedade em que se respeitem os modos de ser de cada um e se dê voz a todos, independentemente do seu modo de falar. Uma sociedade que inclui ao invés de excluir. O respeito ao modo de falar aumenta a fluência tanto de quem gagueja como de quem não o faz. Ao escutar deve-se privilegiar o conteúdo da mensagem não a sua forma.

Isso não significa que a gagueira não tenha tratamento. A pessoa ou família deve procurar um FONOAUDIÓLOGO especializado em problemas de fluência da fala. A psicoterapia também pode ajudar muito.

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Relatoras:
Dra. Miriam Ribeiro de Faria Silveira
Presidente do Departamento Científico de Saúde Mental da SPSP.
Dra. Renata Silveira Martinez Dias
Fonoaudióloga responsável pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fluência de Fala da PUC de São Paulo

Referências:
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Fluência de Fala da PUC de São Paulo e Instituto CEFAC – Ação Social em Saúde e Educação
Coordenador: Dra. Silvia Friedman
www.gagueiraesubjetividade.info

Publicado no site da SPSP em 28/11/2011.
photo credit: Cayusa via photopin cc

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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