Filho – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 22 Aug 2025 19:13:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Filho – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Para celebrar o Dia dos Pais, recorro a um antigo conto dos irmãos Grimm: João de Ferro https://spsp.org.br/para-celebrar-o-dia-dos-pais-recorro-a-um-antigo-conto-dos-irmaos-grimm-joao-de-ferro/ Fri, 08 Aug 2025 14:27:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52672 Diz a história que, num reino distante, caçadores começaram a desaparecer misteriosamente em uma floresta sombria. Um dia, descobrem a causa]]>

Diz a história que, num reino distante, caçadores começaram a desaparecer misteriosamente em uma floresta sombria. Um dia, descobrem a causa: um ser peludo, com corpo de ferro – ou coberto de pelos espessos – que vive no fundo de um lago. É capturado e trancado em uma jaula no castelo.

Anos depois, o jovem príncipe, ainda menino, deixa cair sua bola dourada dentro da jaula. Para recuperá-la, precisa libertar João de Ferro, usando uma chave escondida debaixo do travesseiro do rei. Para fazer isso, precisa desobedecer a autoridade real e cruzar um limite – este é o começo simbólico de toda iniciação.

O menino liberta João e parte com ele para a floresta. É lá, longe do conforto do castelo, que sua jornada de crescimento começa. João de Ferro o coloca à prova com tarefas desafiadoras. Quando o menino falha, é enviado ao mundo, com a recomendação de aprender com a vida, trabalhar e amadurecer.

Ele vive então uma trajetória de humildade: trabalha como jardineiro, ocultando sua origem real e enfrenta as lutas silenciosas do cotidiano. Com o tempo, revela coragem, sabedoria e virtude. Seu valor é reconhecido, ele se casa com a princesa e assume um novo lugar no mundo.

Ao fim, João de Ferro reaparece: não mais um selvagem, mas um ser livre. Revela-se, enfim, como um rei encantado, que só poderia ser libertado por alguém de coração puro.

Esse conto é uma poderosa metáfora do amadurecimento. Cada um de nós carrega uma floresta interior a ser atravessada. Todos temos um lago escuro onde moram o medo e a coragem. Uma bola dourada que, às vezes se perde. E um João de Ferro que espera ser libertado – não pela força bruta, mas pela escuta amorosa.

Ser pai, ser filho, ser humano… é isso: é crescer por dentro. É errar de verdade. Amar com presença. É voltar do poço, não com ouro nas mãos, mas com sabedoria nos olhos. É aceitar o chamado para entrar em si mesmo, visitar feridas, escutar emoções esquecidas, reconhecer a própria vulnerabilidade – e, ao fazer isso, abrir espaço para o outro também crescer.

Pai não é só quem provê. É quem inicia. Quem compartilha a alma, ensina a amar sem medo e caminha ao lado, sem apagar o passo do filho.

Neste Dia dos Pais, não precisamos celebrar um modelo perfeito ou heroico. Celebremos o pai possível: aquele que se arrisca a estar inteiro, com mãos ainda aprendendo, coração disponível e olhos atentos e cheios.

Porque é nesse gesto – imperfeito, mas real – que a vida se transmite e o amor se faz caminho.

Feliz Dia dos Pais.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Orientação aos pais sobre dislexia: entendendo e apoiando seu filho https://spsp.org.br/orientacao-aos-pais-sobre-dislexia-entendendo-e-apoiando-seu-filho/ Thu, 14 Nov 2024 16:00:54 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48917 A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta a habilidade de ler e processar a linguagem escrita. De acordo com as diretrizes da Classificação Internacional]]>

A dislexia é um transtorno de aprendizagem que afeta a habilidade de ler e processar a linguagem escrita. De acordo com as diretrizes da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), é categorizada como um transtorno específico de aprendizagem, caracterizando-se por dificuldades significativas na leitura e na ortografia, que não são atribuíveis a outros fatores.

A dislexia é uma condição neurológica que afeta a capacidade de decodificar palavras e compreender textos. Não está relacionada à inteligência. Crianças com dislexia podem ser muito inteligentes e criativas, mas podem encontrar desafios ao lidar com a leitura.

É essencial que as famílias busquem intervenções educacionais precoces e baseadas em evidências. As terapias e programas educacionais devem incluir instrução específica em decodificação, treinamento de fluência, vocabulário e compreensão. A intervenção precoce e a referência a profissionais qualificados são cruciais para alcançar os melhores resultados possíveis.

O ambiente familiar e o estilo parental também desempenham um papel significativo. Um ambiente de alfabetização em casa deve incluir atividades de leitura regulares e de qualidade entre pais e filhos. Estilos parentais que demonstram calor emocional e evitam superproteção e criação ansiosa estão associados a melhores resultados em aprendizagem acadêmica.

Estudos indicam que a dislexia está frequentemente associada a dificuldades no processamento auditivo básico, especialmente na percepção de sons da fala. A integração audiovisual, que envolve a combinação de informações auditivas e visuais, também é prejudicada em indivíduos com dislexia. Esses déficits auditivos podem ser melhorados com treinamento audiovisual, o que sugere uma plasticidade do sistema auditivo em resposta a intervenções específicas.

Portanto, enquanto a dislexia não é causada por problemas visuais, há evidências de que alterações no processamento auditivo desempenham um papel significativo na manifestação dos sintomas da dislexia. Intervenções educacionais baseadas em evidências que abordam essas dificuldades auditivas podem ser benéficas para indivíduos com dislexia.

Além disso, é importante desmistificar a relação entre dislexia e problemas de visão. Embora problemas de visão possam coexistir com a dislexia, eles não são mais prevalentes do que na população geral e não são a causa da dislexia. Terapias visuais, como exercícios oculares, não têm eficácia comprovada no tratamento da dislexia e podem atrasar a aplicação de intervenções eficazes.

Os sinais de dislexia podem aparecer na infância, mas muitas vezes são reconhecidos mais tarde, quando as demandas escolares aumentam.

Sinais comuns de dislexia:

  • Dificuldade em associar sons às letras.
  • Dificuldade em reconhecer letras e palavras.
  • Leitura lenta e com muitos erros.
  • Problemas para compreender o que é lido ou escrito.
  • Dificuldades na soletração e na escrita.
  • Frustrações quando se trata de atividades relacionadas à leitura.

Como apoiar seu filho:

  1. Informe-se: Conheça mais sobre a dislexia, suas causas e como ela se manifesta. O entendimento é fundamental para lidar com a situação de forma adequada.
  2. Busque avaliação profissional: Caso você perceba dificuldades de aprendizagem, é essencial procurar avaliação com um profissional qualificado, converse com seu pediatra, ele pode orientar e encaminhar para uma avaliação foniátrica. Descartar outras causas de transtorno de aprendizagem, como alterações visuais, auditivas e intelectuais é muito importante, pois o diagnóstico preciso ajudará na escolha das melhores intervenções.
  3. Comunique-se com a escola: É importante manter um diálogo aberto com os professores e a escola. Informe-os sobre o diagnóstico e discuta a implementação de estratégias de ensino adaptativas, como o uso de leituras em voz alta ou a utilização de tecnologias assistivas.
  4. Crie um ambiente positivo: Incentive a leitura em casa, oferecendo livros que sejam interessantes para seu filho e tornando a leitura uma atividade agradável. Valorize os esforços e conquistas dele, por menores que sejam.
  5. Mantenha paciência e apoio: O aprendizado pode ser mais desafiador, e pode levar tempo para que seu filho desenvolva habilidades de leitura. Esteja ao lado dele, oferecendo apoio emocional e ajudando-o a lidar com a frustração que pode surgir.

A dislexia é parte da jornada de aprendizado do seu filho, e com as intervenções corretas e o ambiente de apoio, ele pode alcançar seu potencial pleno durante o processo educativo. O amor, a compreensão e a paciência são essenciais enquanto vocês navegam por esse processo.

 

Relatora:
Sulene Pirana

Secretária do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-as-drogas-e-ao-alcoolismo/ Tue, 20 Feb 2024 18:19:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42733 O álcool é a droga mais utilizada entre nós e os grandes problemas estão em seu consumo excessivo e no início precoce. Já é muito falado sobre o início de uso]]>

O álcool é a droga mais utilizada entre nós e os grandes problemas estão em seu consumo excessivo e no início precoce.

Já é muito falado sobre o início de uso de álcool e outras drogas antes do cérebro estar todo formado, e isto ocorre até os 21 anos; um pouquinho ainda até os 25 anos.

Qualquer droga iniciada antes da formação do cérebro pode acarretar maior dependência e complicações. Por isso, nos EUA o álcool é liberado após os 21 anos, mas no Brasil é aos 18 anos. A indústria é a mesma, mas o respeito às regras e ao bom senso aqui não existe, pois, semelhante à indústria do tabaco e hoje do cigarro eletrônico, as propagandas são voltadas às crianças e aos adolescentes.

O filho de um amigo, aos 8 anos perguntou ao pai o que era ser “brameiro”, pois a propaganda da cerveja por um jogador de futebol dizia: “O MEU SUCESSO É PORQUE EU SOU BRAMEIRO”. ISTO EM HORÁRIO DE CRIANÇA VER TELEVISÃO E LIGADA AO ESPORTE. Essa propaganda foi retirada do ar dois meses depois, quando o estrago já estava feito.

O cigarro eletrônico (CE) é outra moda entre os jovens. Perto de 20% deles já o experimentaram. Estaremos produzindo um exército de dependentes de nicotina, pois o CE tem mais nicotina que o cigarro normal. O veículo que vaporiza a nicotina tem glicerol e outras substâncias que são cancerígenas e produzem uma doença inflamatória em nível pulmonar. A população não tem noção do malefício que isso pode trazer, pois as fake news influenciam mais os jovens de hoje. Por isso temos um livreto sobre CE, que se encontra também no site www.drbarto.com.br: Livreto-Cigarros-Eletronicos.pdf – Google Drive.

A maconha é a droga que os jovens acham que faz menos mal, mas ignoram que ela tem até 5 vezes mais cancerígenos do que o tabaco. Mas a maconha pode lesar a memória e o aprendizado, criando alguns “noias”; infelizmente todo mundo conhece um. Não se percebe a lesão cerebral, mas ela pode aparecer e é irreversível.

Como diminuir estes riscos?

  1. O exemplo dos pais é fundamental. Ensinar seu filho a beber antes dos 18 anos aumenta a chance de ele beber com os amigos e aí a quantidade será outra. Quanto de bebida alcoólica você serve em suas festas de família?
  2. Família unida com limites, coisa que está faltando hoje em dia. Isto começa desde cedo, pois se você não coloca limites no dia a dia, não conseguirá fazê-lo aos 14 ou 15 anos de idade. Ser pai é diferente de ser amigão.
  3. Diálogo na família diminui 60% a experimentação de álcool ou outras drogas. Evite usar o celular nas refeições.
  4. Envolvimento com atividades esportivas e culturais diminuiu em muito o problema de drogas na Islândia. Lá ainda fizeram um toque de recolher com os jovens. Poderiam estar nas ruas à noite apenas acompanhados dos pais. Limites novamente. Imagine isso aqui!
  5. Espiritualidade também é um fator protetor.
  6. Bons amigos. Saiba onde está seu filho, com quem e fazendo o quê. Traga os amigos de seus filhos para dentro de casa. Descubra com quem eles andam.
  7. Pais que não fumam e não bebem diminuem respectivamente em 50% e 25% o uso de drogas entre seus filhos.

Estas dicas encontram-se no livro 12 passos do projeto Dr Bartô de prevenção de álcool e outras drogas. Os jovens e crianças têm muito acesso às fake news pela internet, por isso os sites www.drbarto.com.br e drbarto.46graus.com devem ser consultados para aumentar o conhecimento de drogas pelos pais, para que eles possam orientar melhor seus filhos.

O Aconselhamento Breve (AB) semanal é uma boa forma de discutir estes assuntos com nossos jovens. Há um programa de AB por vídeos, que pode ser acessado em https://drbarto.46graus.com/videos – neste dia 20 de fevereiro, Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, fica a sugestão: envie um vídeo toda semana ao seu filho e discuta por alguns minutos aquela mensagem.

 

Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB) e convidado pela Comissão de Drogas Lícitas e Ilícitas do Conselho Federal de Medicina
Responsável pelo Projeto Dr. Bartô e os Doutores da Saúde – Projeto de Prevenção de Drogas no Ensino Fundamental e Médio

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10/11 – Dia Nacional de Prevenção e Combate da Surdez https://spsp.org.br/10-11-dia-nacional-de-prevencao-e-combate-da-surdez/ Fri, 10 Nov 2023 17:29:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40643 Definir o que é ouvir ou escutar é extremamente complexo, pois esta capacidade se adapta a muitas funções banais e importantes do nosso dia a dia.]]>

Definir o que é ouvir ou escutar é extremamente complexo, pois esta capacidade se adapta a muitas funções banais e importantes do nosso dia a dia. Consultando o dicionário, pode-se observar quantos significados há de ouvir, inclusive com sentidos opostos. O som produzido pela fala carinhosa da mãe pode induzir o sono em seu bebê, enquanto os gritos produzidos por ele podem facilmente tirar a mãe de seu sono tranquilo. O som pode transmitir segurança, medo ou pavor.

Ouvir, para o ser humano, implica fala; dois indivíduos ouvintes e falantes implicam troca. Pode-se ouvir e aprender, como também ensinar. O indivíduo ouvinte tem acesso ao mundo intelectual dos homens, onde a maioria das informações entre dois indivíduos são trocadas oralmente.

Já o não ouvir significa banir o indivíduo desse meio, privá-lo dessas trocas, interferindo no seu desenvolvimento e na formulação da sua linguagem interior e exterior. Interfere também de maneira definitiva na estrutura familiar e no meio em que o indivíduo vive, na maioria das vezes de forma negativa, pelas dificuldades e preconceitos que acarreta.

A prevenção da surdez em crianças envolve cuidados que pais e cuidadores podem tomar desde o nascimento, para garantir que seus filhos desenvolvam uma audição saudável.

Aqui estão algumas orientações importantes:

  • Pré-natal:

A realização das consultas de pré-natal é fundamental para acompanhar o bom desenvolvimento do seu bebê. Realizar testes sorológicos, aconselhamento genético nos casos de perda auditiva familiar presentes desde o nascimento ou que acometeram crianças pequenas na família, são fundamentais.

  • Teste da audição ao nascimento:

O teste da orelhinha (triagem auditiva neonatal universal) é um procedimento padrão obrigatório por lei e que deve ser realizado em todos os recém-nascidos, para identificar problemas auditivos precocemente. Certifique-se de que o teste seja realizado e, se algum problema for detectado, siga as orientações dos profissionais de saúde.

  • Amamentação:

A amamentação é benéfica para a saúde geral do bebê, incluindo a audição. O leite materno oferece proteção contra infecções e inflamações que podem afetar os ouvidos.

  • Vacinas e cuidados de saúde:

Manter as crianças saudáveis é fundamental para prevenir infecções que possam afetar a audição (como por exemplo sarampo, rubéola, caxumba, meningite). Certifique-se de que seu filho receba todas as vacinas recomendadas que constam do calendário vacinal proposto pela Sociedade de Pediatria. E faça as consultas médicas regulares de seu filho. Seu pediatra sabe o que é melhor para cada idade de seu filho.

  • Evitar exposição a ruídos altos:

Proteja os ouvidos de seu filho de ruídos intensos, como música alta, fones de ouvido em volume excessivo, brinquedos e máquinas barulhentas. Use protetores auriculares, se necessário, durante eventos barulhentos, como shows ou festas.

  • Cuidado com as infecções do ouvido:

Infecções da orelha média podem ser prejudiciais para a audição. Esteja atento a sinais de infecção, como dor no ouvido, febre e irritabilidade, e procure tratamento médico sempre que necessário. Mesmo na ausência de infecções ativas a criança poderá estar com a audição prejudicada. Portanto, faça audiometria todos os anos até seu filho completar os sete anos. A partir daí o número de infecções de ouvido nas crianças diminui drasticamente.

  • Evite o uso de cotonetes:

Não use cotonetes para limpar os ouvidos das crianças, pois isso pode empurrar cera ou objetos estranhos para dentro do canal auditivo, causando danos. A orelha externa não precisa ser limpa – a cera da orelha não é sujeira; é proteção!

  • Educação sobre ruído:

Ensine seus filhos sobre os perigos do ruído alto, fones de ouvido em volumes elevados e a importância de proteger a audição. Use jogos e atividades educacionais para tornar o aprendizado divertido.

  • Verificação da audição:

Realize verificações periódicas da audição de seu filho, especialmente se houver histórico de problemas auditivos na família. Isso pode ajudar a identificar problemas precocemente.

  • Desenvolvimento da linguagem:

Estimule o desenvolvimento da linguagem de seu filho, já que a audição desempenha um papel fundamental na aquisição da linguagem. Converse, leia e cante para seu filho desde cedo.

  • Consulta a um especialista:

Se você suspeitar de problemas auditivos em seu filho, consulte um otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo, parceiros do seu pediatra. Quanto mais cedo os problemas forem identificados, mais eficaz será o tratamento.

Lembre-se de que a prevenção da surdez começa na barriga da mãe e é um esforço contínuo. A conscientização e a educação dos pais e cuidadores desempenham um papel crucial na proteção da audição das nossas crianças.

 

Relator:
Manoel de Nóbrega
Presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Álcool, cigarro eletrônico, maconha? Que droga! https://spsp.org.br/alcool-cigarro-eletronico-maconha-que-droga/ Mon, 28 Aug 2023 19:52:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39145 Neste mês, um pecuarista e seu filho morreram em um acidente aéreo em Rondônia. Um vídeo que circulou dois dias antes nas redes sociais mostra este]]>

Neste mês, um pecuarista e seu filho morreram em um acidente aéreo em Rondônia. Um vídeo que circulou dois dias antes nas redes sociais mostra este senhor de 42 anos bebendo cerveja e instruindo seu filho, de apenas 12 anos, a pilotar um avião bimotor. No vídeo, o pai está bebendo uma cerveja e coloca a garrafa entre suas pernas para instruir seu filho a pilotar o avião (é bom destacar que é proibido pilotar qualquer tipo de avião sem a devida autorização, instrução e formação para tal e que, no Brasil, a pilotagem só é permitida a partir dos 16 anos). Ainda no vídeo, é possível ver o pai usando a mão para esconder a matrícula do avião, para que não fosse identificado pelas autoridades. Os dois morreram no último sábado, 29, após um acidente aéreo no interior de Rondônia.

Uma jovem de 22 anos foi abandonada, desacordada, por um motorista de aplicativo na porta de casa no Bairro Santo André, na Região Noroeste de Belo Horizonte, na madrugada de domingo (30/7). Foi estuprada em seguida. O crime chama a atenção pela sucessão de erros que culminaram no estupro da jovem, como apontam os investigadores do caso. Conforme o boletim de ocorrência, no sábado (29/7), a vítima estava em um evento de pagode que aconteceu no Mineirão, na Região da Pampulha, quando, por volta das 2h decidiu ir embora. Ela teria ingerido grande quantidade de bebida alcoólica e, na volta do show, seus amigos a colocaram, sozinha, em um carro de aplicativo e compartilharam a localização da viagem com o irmão dela. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) afirmou que, além do agressor, outras pessoas serão investigadas e podem ser responsabilizadas pelo caso. Entre elas estão o motorista de aplicativo, o motociclista que passou pelo local e ajudou a retirar a vítima do carro e deixá-la no meio-fio, e o amigo que a colocou no carro, sozinha. Por tê-la deixado nessa situação, o motorista pode responder pela omissão de socorro.

Na minha opinião, nos dois casos há um agravante que não foi discutido ou responsabilizado: a ingestão de bebida alcoólica, que colocou ambos em situação de vulnerabilidade.

Não se omite a responsabilidade de um pai que permite um filho menor de idade ter o controle de um avião em voo, tapando o número de série da aeronave e usando bebida alcoólica, ridicularizando a legislação em questão. Não se omite a responsabilidade dos amigos da outra jovem, do motorista que a abandonou na rua, mas pouco se discute a regulamentação da bebida alcoólica, ou responsabilização dos que vendem ou fornecem bebida alcoólica em excesso para outros. Não somos contra a bebida alcoólica, mas sim somos contra a falta de regulamentação do seu uso no Brasil, como é feito em outros países. A impunidade característica do nosso meio estimula excessos, que levam a situações de risco.

O exemplo dos pais é um fator importantíssimo na orientação das crianças e dos jovens. Se o pai não cumpre as normas legais da sociedade, haverá muita chance dos filhos também não seguirem. Isto vale não só em relação às drogas, mas a toda a educação dos nossos filhos.

O cigarro eletrônico está tomando um vulto grande demais para que não nos coloquemos na prevenção de algo que faz mal à saúde, tanto ou mais do que o cigarro normal, porque ele está sendo utilizado pela juventude, que acredita que não vicia e desconhece o efeito maléfico que pode produzir. É a mesma situação dos nossos avós com o cigarro normal!

Em relação à liberação do porte de maconha, acho incrível que não se faça ao mesmo tempo uma ampla campanha sobre o possível malefício que ela pode trazer, com os mesmos problemas pulmonares do cigarro e a possível lesão cerebral irreversível que pode produzir.

Nossos políticos tentam tapar o sol com a peneira, retardando ou engavetando qualquer possibilidade de regulamentação do uso de álcool no Brasil, fechando os olhos para a proibição do cigarro eletrônico, proibido no país, mas não fiscalizado, e aprovando a descriminalização do porte de maconha sem ampla campanha de orientação.

Exemplos não faltam: Amsterdã tem zonas livres do álcool, do tabaco e da maconha; nos EUA não se consome bebida alcoólica na rua e antes dos 21 anos e nós continuamos vendendo bebida na rua, onde o menor de idade a compra sem pudores.

O uso das drogas começa dentro de casa. Abramos os olhos. Prevenção é tudo!

 

Relator:
João Paulo Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial da Gestante https://spsp.org.br/dia-mundial-da-gestante/ Wed, 16 Aug 2023 19:47:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39008 Em 15 de agosto é celebrado o Dia Mundial da Gestante, desde 1914. É uma data que nos faz lembrar que toda gestante precisa de atenção e cuidados especiais para o seu bem-estar e do seu]]>

Em 15 de agosto é celebrado o Dia Mundial da Gestante, desde 1914. É uma data que nos faz lembrar que toda gestante precisa de atenção e cuidados especiais para o seu bem-estar e do seu filho. O pré-natal é uma assistência preventiva e terapêutica que associada à assistência adequada ao parto diminui os índices de morbidade e mortalidade materno-fetal.

As consultas no pré-natal devem começar logo que o casal resolve engravidar, porque muitas doenças prévias podem levar a risco para o binômio mãe-filho. O Ministério da Saúde do Brasil orienta que a gestante faça no mínimo 6 consultas ao longo da gravidez; entretanto, é desejável que ela faça 1 consulta por mês até o sétimo mês, depois a cada 15 dias no oitavo mês e no último mês semanalmente, segundo a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Durante as consultas de pré-natal devem ser solicitados exames de sangue, como tipagem sanguínea, hemograma, glicemia de jejum e teste de tolerância a glicose, sorologias para sífilis, toxoplasmose, hepatites, rubéola, HIV, covid, exame de urina e cultura e ultrassonografia no primeiro trimestre e outro entre 20-24 semanas, para verificar o crescimento do feto e anormalidades em seus órgãos.

É importante que a gestante tenha esquema de vacinação completo, definido pelo Ministério da Saúde. O apoio paterno e inclusão dos pais neste cuidado é fundamental. E que o obstetra aborde como reconhecer os sinais de início do trabalho de parto e oriente o momento certo de procurar assistência médico-hospitalar.

Fale sobre as possibilidades de analgesia que amenizam os desconfortos do trabalho de parto e a possibilidade de analgesia farmacológica ou uma combinação com anestesia peridural. A analgesia de parto deveria estar disponível a todas as parturientes no nosso meio. É crucial orientar as mães durante o pré-natal sobre a importância da amamentação, lembrando que o sucesso depende da motivação, estímulo e habilidades técnicas: maneira de posicionar o recém-nascido, garantir pega adequada, estabelecer o intervalo entre as mamadas, entre outros. É um momento de muitos desafios, em que a gestante precisará de apoio e informações corretas.

“Proteger a gravidez significa proteger toda a Sociedade”, segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo.

 

Relatora:
Helenilce de Paula Fiod Costa
Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais https://spsp.org.br/dia-mundial-de-luta-contra-as-hepatites-virais/ Fri, 28 Jul 2023 16:08:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=38820 Hoje, 28 de julho, comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, com a finalidade de conscientização sobre a importância da prevenção]]>

Hoje, 28 de julho, comemora-se o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, com a finalidade de conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce para tratamento adequado. Isso porque, infelizmente, as hepatites virais ainda são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

Hepatite é o nome que se dá à inflamação das células do fígado. Hepatite viral é a inflamação provocada pelas infecções por vírus (sendo os mais frequentes os vírus responsáveis pelas hepatites A, B, C, D e E. Mas também temos o citomegalovírus, vírus Epstein-Barr, adenovírus, coronavírus).

Na maioria das vezes não há aparecimento de sintomas. Porém, quando eles estão presentes, podem se manifestar como: náuseas ou vômitos, cansaço, mal-estar, febre, falta de apetite, urina escura e fezes mais claras, ou até mesmo brancas. Na presença de sintomas que sugiram hepatite, é importante procurar o médico. Algumas formas têm tratamento específico.

Em nosso país, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus AB e C. Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na Região Norte do país) e o vírus da hepatite E.

As hepatites A e E podem ser prevenidas. Elas acontecem por via fecal-oral, ou seja, por meio de água ou alimento contaminados. Por isso, é importante caprichar na lavagem de mãos (especialmente antes de manipular alimentos e depois de ir ao banheiro), consumir apenas água tratada e higienizar corretamente os alimentos. Ambos os vírus provocam inflamação aguda, mas temporária, no fígado. O próprio organismo resolve a inflamação na maioria das vezes, porém alguns casos evoluem para insuficiência hepática ou falência do fígado. A vacina da hepatite A já está disponível no Calendário Básico de Vacinação.

As infecções causadas pelos vírus B ou C frequentemente se tornam crônicas. Contudo, por nem sempre apresentarem sintomas, grande parte das pessoas desconhece ter a infecção. Isso faz com que a doença possa evoluir por muito tempo sem diagnóstico. O avanço da infecção compromete o fígado, sendo causa de fibrose avançada ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e necessidade de transplante do órgão. 

A vacina contra o tipo B também faz parte do calendário de vacinação infantil.

Vamos prevenir! Não esqueça da importância da higiene das mãos e dos alimentos e do consumo de água filtrada. Mantenha o calendário vacinal de seu filho em dia. E lembre-se: levar seu filho às consultas de rotina com o pediatra é um ato de amor!

 

Relatora:
Adriana Maria Alves de Tommaso
Presidente do Departamento Científico de Hepatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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