Feto – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 09 Sep 2026 16:09:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Feto – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Uma data para reforçar cuidados que devem ser diários https://spsp.org.br/uma-data-para-reforcar-cuidados-que-devem-ser-diarios/ Wed, 09 Sep 2026 16:09:49 +0000 https://spsp.org.br/?p=58947 Mais uma vez, somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) — entre os quais a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) representa o quadro mais grave e completo — podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, o dia 9 de setembro é celebrado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal. Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa exposta ao álcool durante o desenvolvimento uterino. Quando uma gestante consome álcool etílico (etanol), a substância atravessa a placenta e atinge diretamente o embrião ou feto. Essa droga lícita, presente em bebidas alcoólicas e também em preparações culinárias que as utilizam, interfere na multiplicação, organização e maturação celular. Com isso, o álcool pode comprometer o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, afetando principalmente o cérebro, cuja formação se inicia nas primeiras semanas de gestação e se estende até o período extrauterino. A exposição ao álcool na gestação pode causar sequelas permanentes. Além das malformações congênitas, a criança com TEAF pode apresentar atrasos em diversas áreas do neurodesenvolvimento, incluindo atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle de impulsos e emoções, linguagem, habilidades sociais e autonomia para atividades cotidianas. Muitas dessas dificuldades só se manifestam com o crescimento e acabam sendo erroneamente atribuídas a preguiça, desobediência ou desinteresse. Frequentemente, essas crianças são rotuladas como “mal-educadas”, quando, na realidade, possuem um cérebro com funcionamento atípico e, portanto, elas necessitam de compreensão para ser devidamente apoiadas ao longo de sua trajetória, já que o transtorno não tem cura. Não existe quantidade de álcool segura para o desenvolvimento fetal, assim como não há período da gestação em que o consumo seja isento de riscos. Como cada organismo é único e reage de forma particular, torna-se impossível prever a gravidade das repercussões ou quais indivíduos serão afetados. Diante disso, a conduta ideal é a abstinência total de álcool durante toda a gravidez. Caso a gestante já tenha consumido alguma dose, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Cessar o consumo reduz a exposição contínua do feto, atenuando significativamente a gravidade dos riscos. Nenhuma mulher deve ou precisa passar por esse processo sem apoio. Auxiliar a gestante a manter-se sóbria, oferecer opções de bebidas não alcoólicas de forma natural, reduzir as pressões sociais para o consumo e dialogar abertamente sobre o tema são atitudes preventivas que cabem aos parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e a toda sociedade. Nesse cenário, os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, exercem um papel essencial ao acolher e orientar a mulher com respeito, sensibilidade e sem julgamentos. Como grande parte das gestações não é planejada ou descoberta de imediato, debater o uso de álcool e a saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é um cuidado preventivo essencial para a saúde materna e infantil. Trata-se de uma medida indispensável para evitar danos que possam comprometer o indivíduo por toda a sua existência. O dia 9 de setembro transcende a conscientização temporária; é um convite para consolidar cuidados cotidianos: Relatora: Maria dos Anjos MesquitaVice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP]]>

Mais uma vez, somos lembrados de que os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) — entre os quais a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) representa o quadro mais grave e completo — podem ser totalmente prevenidos. Em nível global, o dia 9 de setembro é celebrado como o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Os TEAF podem se manifestar em qualquer pessoa exposta ao álcool durante o desenvolvimento uterino. Quando uma gestante consome álcool etílico (etanol), a substância atravessa a placenta e atinge diretamente o embrião ou feto. Essa droga lícita, presente em bebidas alcoólicas e também em preparações culinárias que as utilizam, interfere na multiplicação, organização e maturação celular. Com isso, o álcool pode comprometer o desenvolvimento anatômico e funcional de diferentes órgãos, afetando principalmente o cérebro, cuja formação se inicia nas primeiras semanas de gestação e se estende até o período extrauterino.

A exposição ao álcool na gestação pode causar sequelas permanentes. Além das malformações congênitas, a criança com TEAF pode apresentar atrasos em diversas áreas do neurodesenvolvimento, incluindo atenção, aprendizado, memória, comportamento, controle de impulsos e emoções, linguagem, habilidades sociais e autonomia para atividades cotidianas. Muitas dessas dificuldades só se manifestam com o crescimento e acabam sendo erroneamente atribuídas a preguiça, desobediência ou desinteresse. Frequentemente, essas crianças são rotuladas como “mal-educadas”, quando, na realidade, possuem um cérebro com funcionamento atípico e, portanto, elas necessitam de compreensão para ser devidamente apoiadas ao longo de sua trajetória, já que o transtorno não tem cura.

Não existe quantidade de álcool segura para o desenvolvimento fetal, assim como não há período da gestação em que o consumo seja isento de riscos. Como cada organismo é único e reage de forma particular, torna-se impossível prever a gravidade das repercussões ou quais indivíduos serão afetados. Diante disso, a conduta ideal é a abstinência total de álcool durante toda a gravidez. Caso a gestante já tenha consumido alguma dose, a recomendação é interromper o uso imediatamente. Cessar o consumo reduz a exposição contínua do feto, atenuando significativamente a gravidade dos riscos.

Nenhuma mulher deve ou precisa passar por esse processo sem apoio. Auxiliar a gestante a manter-se sóbria, oferecer opções de bebidas não alcoólicas de forma natural, reduzir as pressões sociais para o consumo e dialogar abertamente sobre o tema são atitudes preventivas que cabem aos parceiros, familiares, amigos, profissionais de saúde e a toda sociedade. Nesse cenário, os profissionais de saúde, especialmente os pediatras, exercem um papel essencial ao acolher e orientar a mulher com respeito, sensibilidade e sem julgamentos.

Como grande parte das gestações não é planejada ou descoberta de imediato, debater o uso de álcool e a saúde reprodutiva com mulheres em idade fértil é um cuidado preventivo essencial para a saúde materna e infantil. Trata-se de uma medida indispensável para evitar danos que possam comprometer o indivíduo por toda a sua existência.

O dia 9 de setembro transcende a conscientização temporária; é um convite para consolidar cuidados cotidianos:

  • Álcool e gestação não combinam.
  • Não existe quantidade nem momento seguro de consumo de álcool durante a gestação.
  • Informação não julga. Ela pode proteger vidas.
  • Prevenção começa antes da primeira dose. O cuidado é necessário por toda a vida.
  • Prevenir os TEAF, entre eles a SAF, é uma responsabilidade compartilhada.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos dos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Sífilis na gestante e sífilis congênita: a urgência da prevenção materno-fetal https://spsp.org.br/sifilis-na-gestante-e-sifilis-congenita-a-urgencia-da-prevencao-materno-fetal/ Sat, 18 Oct 2025 12:04:16 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53680 A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora seja uma doença com tratamento]]>

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), causada pela bactéria Treponema pallidum. Embora seja uma doença com tratamento simples e eficaz (geralmente com penicilina), sua presença durante a gestação representa um grave risco para a saúde do bebê, podendo levar à sífilis congênita.

 Sífilis na gestante: um risco silencioso

Quando a sífilis afeta a gestante, a bactéria pode atravessar a placenta em qualquer fase da gravidez e infectar o feto. Muitas vezes, a sífilis materna pode ser assintomática ou apresentar sintomas leves (como feridas ou manchas na pele, que desaparecem sozinhas), levando a gestante a desconhecer a infecção. Isso torna o rastreamento pré-natal uma etapa crucial.

As consequências da sífilis não tratada na gestação são sérias e incluem:

  • Abortamento espontâneo ou natimorto (morte fetal).
  • Parto prematuro.
  • Hidropsia fetal (acúmulo de líquido em vários órgãos do feto).

 

Sífilis congênita: as consequências para o bebê

A sífilis congênita ocorre quando o bebê é infectado pela mãe durante a gestação. A doença pode se manifestar de diversas formas e em diferentes momentos após o nascimento.

Em alguns casos, o bebê pode nascer sem sinais visíveis da doença. No entanto, sem tratamento adequado, a sífilis congênita pode causar lesões graves e irreversíveis, como:

  • Problemas ósseos e articulares.
  • Anemia e icterícia (pele e olhos amarelados).
  • Neurossífilis (infecção do sistema nervoso central), podendo causar meningite.
  • Alterações dentárias e oftalmológicas (visão).
  • Surdez ou atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, manifestando-se anos após o nascimento.

 

A importância crítica da prevenção materno-fetal

A transmissão da sífilis da mãe para o bebê é totalmente evitável. A prevenção reside em três pilares fundamentais: diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento do parceiro.

  1. Diagnóstico oportuno e universal:
    • Toda gestante deve ser testada para sífilis já na primeira consulta do pré-natal.
    • O teste deve ser repetido no segundo e no terceiro trimestres da gestação e, novamente, no momento do parto. O teste rápido, de resultado imediato, é uma ferramenta essencial para o diagnóstico rápido em qualquer nível de atenção à saúde.
  2. Tratamento imediato e adequado:
    • Uma vez diagnosticada, a gestante deve ser tratada imediatamente com o esquema correto de penicilina benzatina, a única medicação que garante a cura materna e a prevenção da infecção fetal.
    • É imprescindível que o parceiro sexual também seja testado e tratado simultaneamente para evitar a reinfecção da gestante.
  3. Acompanhamento pós-tratamento:
    • A gestante e o parceiro devem ser acompanhados com exames de controle para monitorar a resposta ao tratamento e garantir a cura.
    • A efetividade do tratamento materno é o fator-chave para que o bebê nasça sem sífilis congênita.

Neste Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro, é importante enfatizar que a luta contra a sífilis congênita passa necessariamente pela qualidade da assistência pré-natal. Garantir que todas as gestantes sejam testadas, tratadas de forma completa e imediata, juntamente com o tratamento de seus parceiros, é a estratégia mais eficaz para que os bebês nasçam saudáveis e livres das consequências devastadoras dessa doença.

 

Relatora:

Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck
Coordenadora do Grupo de Trabalho da Prevenção e Tratamento da Sífilis Congênita da SPSP
Membro do Departamento Científico de Neonatologia da SPSP

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Impactos no feto do consumo de álcool pela mulher grávida https://spsp.org.br/impactos-no-feto-do-consumo-de-alcool-pela-mulher-gravida/ Tue, 09 Sep 2025 11:26:14 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53058 Desde 1999, no nono dia do nono mês de cada ano celebra-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). Esse dia tem o grande objetivo de conscientizar toda]]>

Desde 1999, no nono dia do nono mês de cada ano celebra-se o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). Esse dia tem o grande objetivo de conscientizar toda a sociedade sobre a gravidade dos impactos no embrião e no feto do consumo de álcool pela mulher grávida.

O nono dia do nono mês lembra-nos os nove meses de gestação. Durante esse período, a abstinência total do álcool pelas gestantes é fundamental para impedir o desenvolvimento dos chamados Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF), dos quais a Síndrome Alcoólica Fetal representa o quadro mais grave e completo.

Um estudo francês, publicado em 1968, foi o primeiro a descrever um conjunto de malformações físicas, déficits cognitivos, alterações de crescimento e comportamentais em crianças expostas ao álcool na vida intrauterina. Desde então, inúmeras pesquisas cientificas têm alertado sobre as várias consequências deletérias que essa droga lícita pode levar ao embrião/feto. Essas pesquisas também têm afirmado o desconhecimento da existência de algum nível seguro de ingestão de álcool durante a gravidez.

As implicações da SAF/TEAF são amplas e, muitas, irreversíveis, com consequências para o indivíduo afetado, para a sua família e para toda a sociedade.

O indivíduo acometido apresenta manifestações variáveis de acordo com a sua faixa etária. Pode ter malformações craniofaciais, atraso de crescimento e desenvolvimento, dificuldades de aprendizagem e de memória, déficit de atenção, distúrbios de comportamento e maior vulnerabilidade a problemas psiquiátricos. Graves problemas de convívio social, baixo limiar de frustração, agitação, hiperativação, irritação fácil são comuns. Com frequência apresentam  dificuldade em trabalhar, voltam-se para a criminalidade, têm grande propensão ao uso de álcool e de outras drogas e tornam-se totalmente dependentes de terceiros.

Em nível coletivo, a SAF/TEAF leva a impacto na qualidade de vida das famílias, pela sobrecarga no cuidado e sofrimento psíquico. Traz sobrecarga dos sistemas de saúde e de educação, com a necessidade de suporte pedagógico especial e pelo risco de estigmatização social.

Na saúde pública, a SAF/TEAF é muito subdiagnosticada e negligenciada, causando, a longo prazo, custos expressivos para a assistência médica e para as políticas de inclusão social e escolar.

Muitas das manifestações da SAF/TEAF não têm cura, principalmente as relacionadas ao sistema nervoso central. Assim, os indivíduos afetados e a sua família são obrigados a conviver com elas durante toda a vida.

Apesar da gravidade, a SAF/TEAF é 100% evitável. Para isso, basta que a gestante não consuma álcool em nenhum período gestacional. Assim, a prevenção é a única estratégia e é totalmente eficaz.

A capacitação de profissionais de saúde, no aconselhamento pré-natal e identificação da SAF/TEAF, a elaboração de políticas públicas e a realização de campanhas informativas e educacionais de toda a população são essenciais na promoção da conscientização sobre os riscos do álcool para o embrião e para o feto. Por meio delas, a incidência dessa condição, completamente prevenível, poderá ser diminuída.

A gestação e a infância devem ser protegidas. Temos a responsabilidade de o fazer por meio de informação, suporte e compromisso social com a saúde das gestantes e das futuras gerações. O Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal faz-nos esse convite.

 

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita
Membro de Núcleo de Estudos sobre os Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF) da SPSP

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Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal https://spsp.org.br/dia-mundial-de-prevencao-da-sindrome-alcoolica-fetal/ Mon, 09 Sep 2024 15:04:26 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47932 O primeiro Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) ocorreu em 9 de setembro de 1999, pelo empenho do casal canadense Bonnie Buxton e Brian Philcox, que]]>

O primeiro Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) ocorreu em 9 de setembro de 1999, pelo empenho do casal canadense Bonnie Buxton e Brian Philcox, que haviam adotado uma criança com essa síndrome.

A criação desse dia objetivou aumentar a conscientização de toda a população sobre os danos que o consumo de qualquer bebida que contenha álcool, pela mulher grávida, pode causar no feto durante o seu crescimento e desenvolvimento.

O nono dia do nono mês de cada ano foi escolhido de forma intencional, pelo referido casal, como um lembrete para as mulheres sobre a importância de não consumirem álcool durante os nove meses da gestação.

Desde a sua criação, em diversos países, nesse dia comemorativo realizam-se vários eventos que objetivam a educação de toda a população e a prevenção da SAF.

De todas as substâncias de abuso, como maconha, cocaína e heroína, o álcool é o que produz efeitos comportamentais mais graves no feto. Isso é preocupante, não só em nível mundial, como no Brasil, onde se estima que cerca de 15%-25% das gestantes consumam bebidas alcoólicas.

Todo o álcool consumido pela gestante passa para o feto pela placenta e, em uma hora, a quantidade dessa droga no sangue do feto é igual à da mãe. Como o feto não tem as enzimas necessárias para metabolizá-lo, o álcool fica muito tempo no corpo, até retornar ao organismo materno e ser eliminado.

O álcool pode causar alterações no funcionamento, divisão e no crescimento das células. Todas as células do feto podem sofrer os seus danos, mas os que mais sofrem são os neurônios.

A SAF representa o quadro mais grave e completo dos chamados Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (TEAF). Este espectro abrange todas as manifestações físicas (inclusive malformações de diversos órgãos), cognitivas, comportamentais e de desenvolvimento, de leves a severas, que os indivíduos podem apresentar se expostos ao álcool na vida intrauterina.

Os pacientes com SAF apresentam características faciais distintas, problemas de crescimento e graves disfunções neurocomportamentais, que, embora possam ter manifestações variáveis de acordo com a idade, não têm cura e os obrigará a conviver com elas por toda a vida.

Os indivíduos com TEAF, inclusive os com SAF, podem apresentar graves deficiências intelectuais, problemas de aprendizagem e de convívio. Podem ser agitados, hiperativos, irritar-se com facilidade, terem baixo limiar de frustração, voltarem-se para a criminalidade e terem grande propensão ao uso de álcool e de outras drogas.

A gravidade e o tipo das lesões causadas no embrião e no feto pelo álcool dependem da dose e da frequência do consumo desta droga lícita pela grávida, do estágio do desenvolvimento do concepto no momento da exposição, da genética materna e fetal, do estado nutricional e da qualidade de alimentação materna. Não depende do tipo de bebida alcoólica, pois todas elas contêm álcool.

Temos que lembrar que o álcool pode estar presente em outras apresentações além das bebidas alcoólicas. Ele pode estar presente nos sacolés alcoólicos, nos chás Kombucha e Jun, em algumas cervejas rotuladas como “sem álcool’, bombons e, como mais recentemente divulgado, em pães. Pode ser usado como solvente do narguilé e, neste caso, ser absorvido para o organismo pelos pulmões.

O diagnóstico da SAF, e de todas as variações do TEAF, não é fácil e exige a participação de profissionais de várias áreas da saúde para que seja feito.

Não existe nenhum tratamento específico para a SAF e TEAF, ou seja, não existe a cura. As terapias existentes apenas abrandam as suas manifestações e são voltadas para o que cada paciente apresenta. Estas devem ser precoces, com a finalidade de melhorar o desenvolvimento da criança e proporcionar uma vida mais saudável e independente no seu futuro.

Não se conhece se existe alguma dose segura de consumo de álcool pela gestante, incapaz de levar a algum dano ao feto. Porém, sabe-se que não só a SAF, como também qualquer sinal e sintoma dentro do TEAF, são totalmente evitáveis, se a grávida não consumir nenhuma quantidade de álcool ao longo de toda a gestação. Essa simples atitude prevenirá o desenvolvimento não só da SAF como também do TEAF, garantindo a possibilidade da criança ter uma vida mais saudável.

Assim, importantes órgãos nacionais e internacionais recomendam a abstinência de álcool a todas as mulheres grávidas, que desejam ou que tenham risco de engravidar.

Frente à gravidade do TEAF, não só as grávidas, como toda a população, precisam estar informadas sobre os perigos que o álcool consumido durante a gravidez pode causar ao feto. Alertar, educar, informar e orientar são os objetivos do Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal.

Relatora:

Maria dos Anjos Mesquita

Membro do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido (SAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Mitos e verdades sobre o consumo de álcool na gravidez https://spsp.org.br/mitos-e-verdades-sobre-o-consumo-de-alcool-na-gravidez/ Wed, 23 Aug 2023 19:24:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39110 Apesar de atualmente a conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas por gestantes ser maior e haver mais divulgação sobre o tema, muitas mulhe]]>

Apesar de atualmente a conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas por gestantes ser maior e haver mais divulgação sobre o tema, muitas mulheres ainda desconhecem a gravidade dos riscos à saúde do bebê da exposição pré-natal ao álcool e acreditam que beber eventualmente não oferece prejuízos.

No Brasil, estima-se que 15% das gestantes consomem bebidas alcoólicas, enquanto na região das Américas a prevalência é de 11,2% e, globalmente, de 9,8%. Além disso, mais brasileiras em idade fértil estão bebendo, o que representa um sinal de alerta. Por isso, para chamar a atenção de gestantes e futuras mães, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), por meio do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido, e o CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (uma das principais referências no Brasil sobre este tema), esclarecem cinco mitos e verdades sobre a ingestão alcoólica na gravidez.

  1. O consumo de álcool na gestação não afeta a saúde da gestante.

MITO: A própria gestante consumidora de álcool está sujeita a consequências sérias, tais como diminuição dos reflexos, aumento da acidez gástrica e maior risco de broncoaspiração. Além disso, o álcool interfere no apetite da grávida, levando-a à má nutrição, provocando constrição dos vasos da placenta, tendo como consequência a dificuldade na passagem de nutrientes e oxigênio para o feto. Esses efeitos resultam em restrição do crescimento fetal e ocorrência de malformações congênitas.

  1. Mesmo o consumo eventual de bebida alcoólica pode causar danos ao feto.

 VERDADE: Não há evidências científicas que indiquem se há alguma quantidade segura de consumo; portanto, a gestante deve se abster completamente de todo tipo de bebida alcoólica durante toda a gravidez. O álcool atravessa a placenta, o que permite que, em pouco tempo, a concentração dessa substância no sangue fetal se torne equivalente à materna. Entretanto, o organismo do feto – ainda em formação – não consegue metabolizar o álcool, que permanece no seu sangue por mais tempo, até ser eliminado pela circulação materna. O consumo de álcool na gestação é a principal causa de deficiência mental não congênita, sendo a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) a forma mais grave.

  1. A Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) é algo raro e não deve preocupar a gestante.

MITO: Estima-se que a frequência de SAF entre crianças e jovens na população geral ultrapassa 1% em 76 países, incluindo o Brasil. No entanto, nem 1% das crianças afetadas são diagnosticadas. Além da SAF, podem ocorrer disfunções mais sutis, englobadas no Transtorno do Espectro Alcoólico Fetal (em inglês, FASD – Fetal Alcohol Spectrum Disorders), como malformações da face e/ou de outros órgãos, como coração, rins, membros, distúrbios do desenvolvimento do cérebro.

  1. Grávidas podem ingerir bebidas de baixo teor alcoólico ou “zero álcool”.

MITO: Bebidas de baixo teor alcoólico possuem uma certa quantidade de álcool, até mesmo as “zero álcool”. De acordo com a legislação brasileira, bebidas zero álcool podem ter no máximo 0,5% de álcool em sua composição, portanto não é recomendável seu consumo. No entanto, estudos internacionais mostraram que essas bebidas podem conter nível maior de etanol do que o indicado nos rótulos, podendo chegar a 1,8% de teor alcoólico. Ainda sobre bebidas, um outro alerta é sobre o kombucha, bebida fermentada feita a partir do chá verde ou chá preto, açúcar e uma cultura de leveduras e bactérias, conhecida como SCOBY. No processo de fermentação são produzidos ácido acético, gás carbônico e outros compostos, que dão ao kombucha um sabor ácido e ligeiramente adocicado. Se os processos de produção e armazenamento forem adequados, a bebida não deve apresentar teor alcoólico superior a 0,5%. Mas se eles não forem devidamente controlados, como numa produção caseira, a quantidade de álcool pode aumentar. De qualquer forma, seu consumo é contraindicado durante a gestação

  1. Crianças diagnosticadas com problemas de aprendizado ou distúrbios de comportamento podem ser vítimas da exposição pré-natal ao álcool.

VERDADE: Além da SAF e da FASD, também há evidências de que o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) pode ser reflexo do consumo de álcool na gestação, estando presente em 50% a 80% das crianças afetadas. Outros comprometimentos cognitivos são frequentes, como os problemas no aprendizado de matemática, atrasos na linguagem e motricidade, dificuldades de integração e comunicação, além de risco aumentado de doenças psiquiátricas na vida adulta.

O álcool é considerado atualmente a principal causa de deficiência mental e de anomalias congênitas: 5% a 10% dos fetos expostos ao álcool durante a gestação apresentarão prejuízos em seu desenvolvimento. É algo totalmente evitável! Portanto, mulheres grávidas ou que desejam engravidar não devem beber álcool, em qualquer quantidade e em qualquer fase da gestação.

 

Relatora:
Helenilce de Paula Fiod Costa
Presidente do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido (SAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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9 de Setembro é o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal https://spsp.org.br/9-de-setembro-e-o-dia-mundial-de-prevencao-da-sindrome-alcoolica-fetal/ Fri, 09 Sep 2022 18:46:45 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34308 Atualmente, admite-se que o álcool (etanol) constitui a principal causa de retardo mental e de anomalias congênitas não hereditárias nos EUA]]>

Atualmente, admite-se que o álcool (etanol) constitui a principal causa de retardo mental e de anomalias congênitas não hereditárias nos EUA e que de 5% a 10% dos fetos expostos ao álcool durante a vida intrauterina apresentarão anormalidades de desenvolvimento.

No Brasil temos poucos dados estatísticos sobre esse tema, mas sabe-se que o consumo de álcool está aumentando entre os adultos jovens e, principalmente, mulheres. De todas as substâncias de abuso (incluindo cocaína, heroína e maconha), o álcool é a droga que produz os efeitos neurológicos, cognitivos e comportamentais mais graves no feto, sendo também o agente teratogênico fetal mais comum, ocasionando más-formações cardíacas, renais, microcefalia, faciais, entre outras, tendo se tornado uma epidemia silenciosa e um problema de saúde pública.

A Sociedade de Pediatria de São Paulo criou o Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido há uma década, que agrega um grupo multiprofissional, cujo objetivo principal é estudar e divulgar para as mulheres em idade fértil, aos obstetras, pediatras e todos os profissionais de saúde os perigos da ingestão de qualquer dose de álcool na gestação e lactação.

No dia 9 do mês de setembro comemoramos o Dia Mundial de Prevenção da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), para que toda a família que espera a chegada de um bebê, em especial a mãe que gera essa nova criança, lembre-se que durante a gravidez inteira não se deve consumir QUALQUER bebida que contenha teor alcoólico. Tolerância ZERO para a ingestão de álcool na gestação!

 

Relatora:

Helenilce de Paula Fiod Costa

Presidente do Núcleo de Estudos dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido (SAF) da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: @stefamerpik / br.freepik.com

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O que é sofrimento fetal e quais suas repercussões ao longo da vida https://spsp.org.br/o-que-e-sofrimento-fetal-e-quais-suas-repercussoes-ao-longo-da-vida/ Wed, 25 Sep 2019 18:17:48 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2931 Especialistas discutem como a falta crônica de oxigênio para o feto pode trazer impactos que duram a vida inteira Por Maria Regina Bentlin, Celso Rebello e Marina Carvalho de Moraes Barros O sofrimento fetal é caracterizado pela falta de oxigênio para o feto. Se ocorrer de forma abrupta, ele é considerado agudo – os motivos vão desde dificuldade da passagem do sangue da placenta para o bebê até sangramento materno ou alterações no cordão umbilical. A consequência é imediata: o feto lança mão de mecanismos de defesa para se adaptar à ausência de oxigênio, o que pode até levar à morte dentro do útero. Já o sofrimento fetal crônico, como o próprio nome indica, acontece quando o feto é acometido continuamente pela falta de oxigênio e de nutrientes. Essa situação pode acontecer por problemas genéticos, placentários, fetais (síndromes genéticas e infecções congênitas) ou maternos (como hipertensão arterial, diabetes e uso de medicações, cigarro, álcool ou drogas). Para sobreviver, o feto desvia o fluxo de sangue para órgãos nobres, como cérebro, coração e suprarrenais. O diagnóstico pode ser feito durante o pré-natal, com exames como a ultrassonografia, que avalia o bem-estar fetal, a quantidade do líquido amniótico, o desvio do sangue para cabeça e o crescimento do bebê. Tem ainda a cardiotocografia, que analisa as variações da frequência cardíaca. Ao flagrar o quadro precocemente, o feto pode se recuperar e evoluir sem sequelas. Porém, se a falta de oxigênio e nutrientes for prolongada, isso pode levar a problemas logo após o nascimento e também na vida futura. Impactos no recém-nascido Dentre as várias repercussões, destacam-se as lesões cerebrais, que podem se apresentar de uma forma leve, que não deixa sequelas, até graus mais graves, capazes de causar convulsões, atraso no desenvolvimento e desnutrição. Outras manifestações incluem dificuldade na manutenção da temperatura, falta de controle da glicose no sangue, problemas respiratórios e dificuldades na alimentação. A vida futura Independentemente da existência da lesão cerebral e da sua gravidade, existe o risco de acontecerem percalços no desenvolvimento. Eles incluem desde alterações mínimas de comportamento, déficit de atenção/hiperatividade, síndrome do espectro autista e dificuldades na aprendizagem, na leitura e na matemática, até alterações mais sérias, como paralisia cerebral. A restrição de crescimento dentro do útero também tem sido associada a doenças na vida adulta, a exemplo de hipertensão arterial, diabetes tipo 2, obesidade, aumento do colesterol e problemas cardíacos capazes de levar a isquemia e infarto. Uma das teorias para essa explicação é a de Barker, que observou que bebês nascidos nas décadas de 20 e 30 com peso abaixo de 2,5 kg apresentavam maior risco de desenvolver essas doenças quando chegavam aos 50, 70 anos. Tudo levar a crer que os indivíduos expostos a deficiência de nutrientes no ambiente intrauterino teriam seu metabolismo programado de forma a resistir a períodos de “fome”. O dilema é que, após o nascimento, com o acesso aos alimentos e também devido a hábitos de vida (como pouca atividade física), essas adaptações se tornam negativas, predispondo a doenças. Em resumo, existe uma abundância nutricional para a qual o indivíduo não foi programado. Por isso, nesses casos de sofrimento fetal crônico e restrição de crescimento, é importante o seguimento pediátrico periódico – com atenção especial ao crescimento, às habilidades motoras e cognitivas, ao comportamento e ao desempenho escolar. Assim, há chance de prevenir eventuais desajustes. Se isso não for possível, que eles possam pelo menos ser diagnosticados e tratados precocemente, preservando a qualidade de vida do indivíduo. ___Texto produzido por Maria Regina Bentlin, Celso Rebello e Marina Carvalho de Moraes Barros para o site SAÚDE.Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/o-que-e-sofrimento-fetal-e-quais-suas-repercussoes-ao-longo-da-vida/ Maria Regina Bentlin, Celso Rebello e Marina Carvalho de Moraes Barros são pediatras e membros do núcleo gerencial do Departamento de Neonatologia da Sociedade de Pediatria do Estado de São Paulo. Publicado em 25/09/2019]]>

Especialistas discutem como a falta crônica de oxigênio para o feto pode trazer impactos que duram a vida inteira

Por Maria Regina Bentlin, Celso Rebello e Marina Carvalho de Moraes Barros

O sofrimento fetal é caracterizado pela falta de oxigênio para o feto. Se ocorrer de forma abrupta, ele é considerado agudo – os motivos vão desde dificuldade da passagem do sangue da placenta para o bebê até sangramento materno ou alterações no cordão umbilical. A consequência é imediata: o feto lança mão de mecanismos de defesa para se adaptar à ausência de oxigênio, o que pode até levar à morte dentro do útero.

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Já o sofrimento fetal crônico, como o próprio nome indica, acontece quando o feto é acometido continuamente pela falta de oxigênio e de nutrientes. Essa situação pode acontecer por problemas genéticos, placentários, fetais (síndromes genéticas e infecções congênitas) ou maternos (como hipertensão arterial, diabetes e uso de medicações, cigarro, álcool ou drogas). Para sobreviver, o feto desvia o fluxo de sangue para órgãos nobres, como cérebro, coração e suprarrenais.

O diagnóstico pode ser feito durante o pré-natal, com exames como a ultrassonografia, que avalia o bem-estar fetal, a quantidade do líquido amniótico, o desvio do sangue para cabeça e o crescimento do bebê. Tem ainda a cardiotocografia, que analisa as variações da frequência cardíaca.

Ao flagrar o quadro precocemente, o feto pode se recuperar e evoluir sem sequelas. Porém, se a falta de oxigênio e nutrientes for prolongada, isso pode levar a problemas logo após o nascimento e também na vida futura.

Impactos no recém-nascido

Dentre as várias repercussões, destacam-se as lesões cerebrais, que podem se apresentar de uma forma leve, que não deixa sequelas, até graus mais graves, capazes de causar convulsões, atraso no desenvolvimento e desnutrição.

Outras manifestações incluem dificuldade na manutenção da temperatura, falta de controle da glicose no sangue, problemas respiratórios e dificuldades na alimentação.

A vida futura

Independentemente da existência da lesão cerebral e da sua gravidade, existe o risco de acontecerem percalços no desenvolvimento. Eles incluem desde alterações mínimas de comportamento, déficit de atenção/hiperatividade, síndrome do espectro autista e dificuldades na aprendizagem, na leitura e na matemática, até alterações mais sérias, como paralisia cerebral.

A restrição de crescimento dentro do útero também tem sido associada a doenças na vida adulta, a exemplo de hipertensão arterial, diabetes tipo 2, obesidade, aumento do colesterol e problemas cardíacos capazes de levar a isquemia e infarto.

Uma das teorias para essa explicação é a de Barker, que observou que bebês nascidos nas décadas de 20 e 30 com peso abaixo de 2,5 kg apresentavam maior risco de desenvolver essas doenças quando chegavam aos 50, 70 anos. Tudo levar a crer que os indivíduos expostos a deficiência de nutrientes no ambiente intrauterino teriam seu metabolismo programado de forma a resistir a períodos de “fome”.

O dilema é que, após o nascimento, com o acesso aos alimentos e também devido a hábitos de vida (como pouca atividade física), essas adaptações se tornam negativas, predispondo a doenças. Em resumo, existe uma abundância nutricional para a qual o indivíduo não foi programado.

Por isso, nesses casos de sofrimento fetal crônico e restrição de crescimento, é importante o seguimento pediátrico periódico – com atenção especial ao crescimento, às habilidades motoras e cognitivas, ao comportamento e ao desempenho escolar. Assim, há chance de prevenir eventuais desajustes. Se isso não for possível, que eles possam pelo menos ser diagnosticados e tratados precocemente, preservando a qualidade de vida do indivíduo.

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Texto produzido por Maria Regina Bentlin, Celso Rebello e Marina Carvalho de Moraes Barros para o site SAÚDE.
Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/o-que-e-sofrimento-fetal-e-quais-suas-repercussoes-ao-longo-da-vida/

Maria Regina Bentlin, Celso Rebello e Marina Carvalho de Moraes Barros são pediatras e membros do núcleo gerencial do Departamento de Neonatologia da Sociedade de Pediatria do Estado de São Paulo.

Publicado em 25/09/2019



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Consumo de bebida alcoólica na gravidez e a Síndrome Alcoólica Fetal https://spsp.org.br/consumo-de-bebida-alcoolica-na-gravidez-e-a-sindrome-alcoolica-fetal/ Wed, 23 Oct 2013 12:30:37 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=272 Por que consumir bebida alcoólica durante a gravidez faz mal? O consumo de álcool durante a gravidez pode danificar o cérebro, o coração e os rins, além de outros órgãos do seu bebê. Ele pode nascer com Síndrome Alcoólica Fetal ou com Alterações Fetais relacionadas ao Álcool. O que é Síndrome Alcoólica Fetal? Bebês que nascem com Síndrome Alcoólica Fetal têm deformações faciais. Podem nascer com baixo peso e ter retardo mental. Eles podem ter problemas na motricidade, na aprendizagem, memória, fala, audição, atenção e para resolução de problemas. Também podem ter problemas na escola e de relacionamento. Qual a diferença entre Síndrome Alcoólica Fetal e Alterações Fetais relacionadas ao Álcool? Na AFRA não aparecem todos os sintomas da SAF, mas as crianças podem ter dificuldades na aprendizagem e problemas comportamentais. E se beber pouco e bebidas “leves” o que acontece? Não existe quantidade segura de bebida alcoólica usada durante a gravidez que garanta que o bebê não será afetado. Claro que quanto maior a quantidade maior o risco. Uma lata de cerveja (300 mL) contém o mesmo teor alcoólico de uma taça de vinho (150 mL) ou de uma dose de destilado (40 mL). Bebidas tipo “ice”, “cooler”, batidas e caipirinhas podem conter mais álcool que uma lata de cerveja. Assim, a melhor opção é NÃO consumir nenhuma bebida alcoólica durante a gestação. E se a mulher ainda não estiver planejando ter um bebê? Muitas mulheres não planejam engravidar, mas isto acontece todos os dias. A maioria das mulheres não sabe que está grávida até a suspensão da menstruação. Portanto, mulheres que consomem álcool e têm vida sexual ativa, e não estão utilizando métodos anticoncepcionais, podem expor o bebê ao álcool antes mesmo de saberem que estão grávidas. E se a mulher bebeu antes de saber que estava grávida: o que deve fazer agora? Nunca é tarde para parar de beber. O quanto antes parar a ingestão de álcool, melhor para a gestante e para o bebê. Também é importante informar ao médico responsável pelo seu pré-natal e seguir suas recomendações. A maioria das mulheres não sabe que está grávida até o segundo mês de gestação e pesquisas mostram que o bebê pode ser prejudicado pelo álcool durante qualquer estágio da gravidez, incluindo o primeiro e segundo mês. Portanto NÃO BEBA se estiver grávida ou planejando engravidar ou mesmo se estiver tendo relações sexuais sem a proteção de métodos anticoncepcionais. ___ Relatora: Dra. Conceição A. de Mattos Segre Coordenadora do Grupo de Trabalho “Álcool e Gravidez” da SPSP (2007-2009). Publicado no site da SPSP em 10/02/2008. photo credit: © Richard Semik | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

dreamstime_xs_14174489Por que consumir bebida alcoólica durante a gravidez faz mal?
O consumo de álcool durante a gravidez pode danificar o cérebro, o coração e os rins, além de outros órgãos do seu bebê. Ele pode nascer com Síndrome Alcoólica Fetal ou com Alterações Fetais relacionadas ao Álcool.

O que é Síndrome Alcoólica Fetal?
Bebês que nascem com Síndrome Alcoólica Fetal têm deformações faciais. Podem nascer com baixo peso e ter retardo mental. Eles podem ter problemas na motricidade, na aprendizagem, memória, fala, audição, atenção e para resolução de problemas. Também podem ter problemas na escola e de relacionamento.

Qual a diferença entre Síndrome Alcoólica Fetal e Alterações Fetais relacionadas ao Álcool?
Na AFRA não aparecem todos os sintomas da SAF, mas as crianças podem ter dificuldades na aprendizagem e problemas comportamentais.

E se beber pouco e bebidas “leves” o que acontece?
Não existe quantidade segura de bebida alcoólica usada durante a gravidez que garanta que o bebê não será afetado. Claro que quanto maior a quantidade maior o risco. Uma lata de cerveja (300 mL) contém o mesmo teor alcoólico de uma taça de vinho (150 mL) ou de uma dose de destilado (40 mL). Bebidas tipo “ice”, “cooler”, batidas e caipirinhas podem conter mais álcool que uma lata de cerveja. Assim, a melhor opção é NÃO consumir nenhuma bebida alcoólica durante a gestação.

E se a mulher ainda não estiver planejando ter um bebê?
Muitas mulheres não planejam engravidar, mas isto acontece todos os dias. A maioria das mulheres não sabe que está grávida até a suspensão da menstruação. Portanto, mulheres que consomem álcool e têm vida sexual ativa, e não estão utilizando métodos anticoncepcionais, podem expor o bebê ao álcool antes mesmo de saberem que estão grávidas.

E se a mulher bebeu antes de saber que estava grávida: o que deve fazer agora?
Nunca é tarde para parar de beber. O quanto antes parar a ingestão de álcool, melhor para a gestante e para o bebê. Também é importante informar ao médico responsável pelo seu pré-natal e seguir suas recomendações. A maioria das mulheres não sabe que está grávida até o segundo mês de gestação e pesquisas mostram que o bebê pode ser prejudicado pelo álcool durante qualquer estágio da gravidez, incluindo o primeiro e segundo mês.

Portanto NÃO BEBA se estiver grávida ou planejando engravidar ou mesmo se estiver tendo relações sexuais sem a proteção de métodos anticoncepcionais.

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Relatora:
Dra. Conceição A. de Mattos Segre
Coordenadora do Grupo de Trabalho “Álcool e Gravidez” da SPSP (2007-2009).

Publicado no site da SPSP em 10/02/2008.
photo credit: © Richard Semik | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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