Febre – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 12 Feb 2026 19:08:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Febre – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Câncer infantil: diagnóstico precoce promove taxas de cura elevadas https://spsp.org.br/cancer-infantil-diagnostico-precoce-promove-taxas-de-cura-elevadas/ Fri, 13 Feb 2026 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55094 O dia 15 de fevereiro é considerado o Dia Internacional do Câncer Infantil. Nessa faixa etária, essa é uma doença rara, grave e potencialmente curável. Os principais sintomas do câncer ]]>

O dia 15 de fevereiro é considerado o Dia Internacional do Câncer Infantil. Nessa faixa etária, essa é uma doença rara, grave e potencialmente curável. Os principais sintomas do câncer na criança são comuns a várias doenças da infância, que são muito mais frequentes. A diferença está na persistência desses sintomas.

E quais são os sinais e sintomas que devem chamar a atenção do médico?

Em primeiro lugar, a febre, frequente em doenças infecciosas, e que quando não cessa após tratamentos usuais e se prolonga por mais de três semanas, deve suscitar melhor investigação.

A febre persistente, por exemplo, é um dos sintomas mais comuns na leucemia, principal câncer da criança abaixo de dez anos. Pode vir acompanhada pelo aumento dos gânglios, popularmente conhecidos como “ínguas”, o aparecimento de manchas roxas na pele, e às vezes pequenos sangramentos nasais ou gengivais. Um exame laboratorial de fácil realização e resultado quase imediato, o hemograma, pode ser esclarecedor nesses casos.

A leucemia em pediatria é uma doença de aparecimento rápido; os tratamentos são cada vez mais eficazes, com grande possibilidade de cura. A queixa de dor de cabeça, principalmente quando interrompe brincadeiras ou acorda a criança, acompanhada ou não de vômitos, ocorre com frequência nos tumores cerebrais, os tumores sólidos mais frequentes no paciente pediátrico. A realização de tomografia computadorizada de crânio pode revelar o tumor e outras intercorrências, mas não deve retardar o encaminhamento da criança para um serviço especializado que conte com equipe de neurocirurgia.

Os tumores abdominais na sequência, em geral se apresentam como o aumento da barriga, com ou sem dor, e nem sempre associados com outros sintomas. O ultrassom de abdome, também um exame simples, é o primeiro passo na investigação. A dor e o inchaço em articulações, como joelho, nem sempre relacionados a trauma, podem caracterizar um tumor ósseo. Novamente, um exame de fácil realização como a radiografia do local acometido pode indicar a presença da doença. O aparecimento de qualquer caroço no corpo da criança, principalmente quando cresce sem parar, deve ser sempre investigado.

Não há como prevenir o câncer na criança; essa doença aparece ao acaso, não tem relação com tipo de alimentação ou outros eventos cotidianos. O importante é que os pais, sempre que perceberem algo errado, seja dor ou tumor, ou outro sintoma que não melhora e que progride e atrapalhe a atividade da criança, devem procurar o pediatra o mais breve possível. Esse médico, quando suspeita de câncer, encaminha o paciente para o oncologista pediátrico, o especialista em tratamento de câncer na criança e no adolescente.

Quando diagnosticado no início, o paciente pode ser curado em 70% a 80% dos casos. As modalidades terapêuticas podem envolver quimioterapia, cirurgia, radioterapia, utilização de drogas-alvo e imunoterapia, e devem ser realizadas em centros especializados. Nesses centros há uma busca incessante do diagnóstico mais preciso para o tratamento mais adequado.

 

Relatora:
Ethel Fernandes Gorender
Presidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP

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Doenças negligenciadas https://spsp.org.br/doencas-negligenciadas/ Fri, 30 Jan 2026 14:47:12 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54900 ]]>

Talvez a grande questão deste tema seja entender do que estamos falando, quando nos referimos a doenças negligenciadas. Começamos contextualizando que essas infecções são impactantes na população, inclusive pediátrica, mas muitas vezes pouco divulgadas, e com ações para seu controle aquém do que deveríamos ter, seja pelas políticas públicas, nos meios de comunicação ou pelos serviços médicos/hospitalares.

Aqui pretendemos comentar algumas dessas doenças: como devemos iniciar seu reconhecimento e quais medidas iniciais podemos ou devemos realizar.

É fundamental saber, diferente do que muitas pessoas imaginam, que qualquer indivíduo, independentemente do nível socioeconômico, raça, idade e sexo está sujeito a desenvolver essas doenças.

A primeira delas a ser comentada trata-se da tuberculose. Endêmico no Brasil, o Mycobacterium (que são diversos e não só o tuberculosis) primariamente determina doença pulmonar. A tuberculose pulmonar se caracteriza por ser insidiosa, com tosse persistente, febre prolongada mais comum no final do dia e com emagrecimento frequente. Na criança, continua sendo um quadro mais arrastado; entretanto, o comprometimento respiratório é mais rápido e as imagens no Rx nem sempre são características.

A tuberculose também acomete outros órgãos com frequência elevada, como linfonodos (ínguas, gânglios…), ossos, sistema nervoso (meningites), entre outros órgãos.

É necessário, frente a febres pouco elevadas persistentes e emagrecimento ou não ganho de peso no paciente pediátrico, pensar em tuberculose. A disponibilidade de testes mais específicos e com resultados mais rápidos é uma realidade no SUS, facilitando o diagnóstico nas crianças, mas continua sendo mais difícil do que no adulto.

Não podemos nos esquecer das parasitoses, frequentes na população pediátrica. Cuidados de higiene alimentar, saneamento básico, recomendações no preparo dos alimentos e vigilância na produção dos alimentos são determinantes para a ocorrência dessas doenças. As manifestações gastrointestinais, anemia e dores abdominais ganham destaque na apresentação clínica.

Outra doença tão falada nos últimos dois anos, a dengue, teve seu recorde de internações e óbitos no mundo e no Brasil em 2024 (mais de 6 milhões de casos e mais de 6 mil óbitos). Muito pouco tem sido feito para o controle da dengue em relação à orientação da população, ações da saúde pública, incentivo à pesquisa e, mais recentemente, incentivo e orientação à vacinação. É verdade que ainda não há produção da vacina em escala suficiente para atender à demanda do Brasil, mas diversas medidas que deveriam ter sido adotadas foram negligenciadas, principalmente nesta última década.

A dengue se caracteriza por ser uma doença bifásica (que ocorre em duas fases), onde a febre, a dor no corpo e olhos e, eventualmente, as manifestações hemorrágicas iniciais são muito características, mas que, após uma melhora inicial, retorna com maior gravidade, com dores mais intensas, inclusive abdominais e quadros hemorrágicos com maior frequência. Uma segunda infecção pelo vírus da dengue determina maior risco para o desenvolvimento de quadros mais graves.

Os adolescentes estão entre a população que mais frequentemente necessita de internação, e por isso há a estratégia de vacinação nessa população. Apesar dos idosos estarem no grupo de maior ocorrência de óbitos, ainda não há dados adequados para a recomendação vacinal.

Além da dengue, outras doenças têm participação de insetos em sua transmissão, como Zika e Chikungunya. Aqui queremos dar destaque a outras duas doenças, Chagas e Leishmaniose, e algumas condições clínicas pelos próprios insetos, a Pediculose (piolho) e a Escabiose (sarna).

Chagas e Leishmaniose ocorrem em áreas chamadas endêmicas, e determinam doenças sistêmicas (disseminadas). Na doença de Chagas, comprometimentos cardíaco e intestinal ganham destaque, normalmente de evolução insidiosa. Na Leishmaniose, o comprometimento é habitualmente mais rápido e caracterizado por febre, aumento do fígado e do baço e diminuição na produção das séries vermelha (hemácias) e de plaquetas.

A promoção de medidas de saúde, como higiene alimentar, o saneamento básico, a orientação e educação da população sobre essas doenças, assim como seu diagnóstico clínico e laboratorial e tratamento adequados são a base mestra para o controle dessas doenças.

O controle dos focos para Dengue, Chikungunya, Zika, Chagas, Leishmaniose, parasitoses, Escabiose e Tuberculose deve ser meta prioritária em Saúde Pública.

Cabe também a todos nós a busca por informações adequadas, de procedência segura e validada, bem como adoção das medidas corretas para prevenção dessas e tantas outras doenças, para conseguirmos a melhor qualidade possível na saúde das crianças.

 

Saiba mais:

. Médicos sem fronteiras. Acesso em https://www.msf.org.br/noticias/5-doencas-negligenciadas-que-afetam-milhoes-de-pessoas-todos-os-anos/

. Ministério da Saúde. Brasil. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/janeiro/ministerio-da-saude-divulga-boletim-epidemiologico-sobre-o-impacto-das-doencas-tropicais-negligenciadas-nas-criancas#:~:text=A%20an%C3%A1lise%20dos%20dados%20epidemiol%C3%B3gicos,das%20Na%C3%A7%C3%B5es%20Unidas%20(ONU).

. Agência Fiocruz de notícias. Acesso em https://agencia.fiocruz.br/doen%C3%A7as-negligenciadas

 

Relator:
Marcelo Otsuka
Presidente do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

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Sepse em crianças: o que os pais precisam saber para salvar vidas https://spsp.org.br/sepse-em-criancas-o-que-os-pais-precisam-saber-para-salvar-vidas/ Sat, 13 Sep 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53154 A sepse é uma condição médica grave que pode afetar pessoas de todas as idades, mas é especialmente perigosa em crianças. Apesar de ser pouco conhecida fora do meio médico]]>

A sepse é uma condição médica grave que pode afetar pessoas de todas as idades, mas é especialmente perigosa em crianças. Apesar de ser pouco conhecida fora do meio médico, a sepse é uma das principais causas de morte evitável, desde que seja rapidamente reconhecida pelos familiares e médicos e iniciado o seu tratamento adequado. O reconhecimento rápido dos sinais e sintomas pode literalmente salvar vidas.

O que é sepse?

Sepse é uma resposta exagerada do organismo a uma infecção causada por vírus, bactérias ou fungos. Quando o organismo detecta uma infecção, ele ativa o sistema imunológico para combatê-la. No caso da sepse, essa resposta é tão intensa (desregulação da resposta do hospedeiro à infecção) que começa a causar danos aos próprios órgãos e tecidos do corpo, acrescendo lesões às agressões iniciais por estes micro-organismos.

Por que a sepse é tão perigosa?

A sepse evolui rapidamente. Em questão de horas, uma criança que parecia apenas febril pode desenvolver choque séptico, com comprometimento da perfusão de órgãos e tecidos nobres, com risco de falência de órgãos e morte. A taxa de mortalidade varia conforme a gravidade e a rapidez do tratamento, mas pode chegar a 20% ou mais em casos graves. Além disso, mesmo quando a criança sobrevive, pode haver sequelas – como danos neurológicos, renais ou pulmonares.

Incidência e mortalidade

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a sepse é responsável por cerca de 3 milhões de mortes por ano em todo o mundo. Em crianças, especialmente menores de cinco anos, a sepse é uma das principais causas de morte evitável. No Brasil, estima-se que ocorram mais de 400 mil casos de sepse por ano, com uma taxa de mortalidade hospitalar que pode ultrapassar 50% em algumas regiões, especialmente quando o diagnóstico é tardio.

Reconhecimento rápido

O maior desafio da sepse é que seus sintomas iniciais podem parecer com os de uma gripe ou virose comum. Por isso, é fundamental que pais e cuidadores estejam atentos a sinais de alerta que indicam que algo mais grave pode estar acontecendo. Os principais sinais de alerta podem ser: febre alta persistente, extremidades frias (mãos e pés gelados), respiração rápida ou dificuldade para respirar, como falta de ar, sonolência excessiva ou irritabilidade extrema, com choro inconsolável, pele pálida, azulada ou com manchas, diminuição da quantidade de urina (fraldas secas por horas), vômitos ou diarreia intensos e convulsões. Em menores de seis meses, hipotermia, ou seja, temperaturas muito baixas e “pular refeições” podem ser comumente encontradas. Havendo suspeita clínica, por parte do pediatra ou emergencista, de infecção do sistema nervoso central, será realizada a punção liquórica (coleta do líquido da espinha).

Principais sinais por faixa etária

Recém-nascidos (0 a 28 dias)

  • Dificuldade para mamar
  • Choro fraco ou ausente
  • Hipotermia (temperatura corporal baixa)
  • Letargia (muito sonolento, difícil de acordar)
  • Respiração irregular ou rápida
  • Pele acinzentada ou amarelada

Lactentes (1 a 12 meses)

  • Febre ou hipotermia
  • Irritabilidade intensa
  • Dificuldade para respirar
  • Diminuição da atividade (não brinca, não reage)
  • Diminuição da urina
  • Vômitos persistentes

Crianças pequenas (1 a 5 anos)

  • Febre alta
  • Sonolência ou confusão
  • Dificuldade para respirar
  • Dor abdominal intensa
  • Diarreia com sangue
  • Falta de apetite

Crianças maiores (6 a 12 anos)

  • Queixa de dor intensa (principalmente abdominal ou muscular)
  • Confusão mental
  • Respiração acelerada
  • Palidez ou manchas na pele
  • Diminuição da urina
  • Sensação de desmaio

 Se a criança apresentar sinais e sintomas de alerta, especialmente febre alta associada a sonolência, dificuldade respiratória ou extremidades frias, é fundamental procurar atendimento médico ou entre em contato com o seu pediatra imediatamente. Algumas crianças com temperatura elevada podem mimetizar uma maior gravidade; portanto, medique com antitérmico e reavalie posteriormente. Não havendo melhora dos sintomas, comunique-se com seu pediatra ou leve seu filho ao pronto-atendimento.

O diagnóstico realizado por médico da sepse é clínico, baseado nos sintomas e sinais vitais da criança. Exames laboratoriais ajudam a confirmar a presença de infecção e avaliar o funcionamento dos órgãos que podem ser acometidos secundariamente.

Tratamento da sepse

Quanto mais cedo for iniciado, maiores as chances de recuperação. O tratamento inclui internação hospitalar, muitas vezes em unidade de terapia intensiva (UTI). A instituição de acesso intravenoso é fundamental para início do uso de antibióticos, que deve ser iniciado dentro da primeira hora do atendimento. Este acesso também é utilizado para hidratação venosa agressiva e, em alguns casos, uso de medicamentos para manter a pressão arterial. O uso de oxigênio constitui etapa fundamental do tratamento. assim como o suporte respiratório e a monitorização contínua da frequência cardíaca, função respiratória, diurese (quantidade de urina) e medidas frequentes da pressão arterial. A criança será monitorada constantemente para avaliar sinais vitais e a função renal, hepática e neurológica.

Prevenção

Embora nem todos os casos de sepse possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

  • Manter a vacinação das crianças em dia
  • Higiene adequada (lavar as mãos, cuidar de feridas)
  • Tratamento precoce de infecções comuns
  • Atenção aos sinais de alerta
  • Importante a monitorização de crianças que sejam portadoras de doenças que sejam acompanhadas de diminuição da resposta imune, uso de imunossupressores (por exemplo, uso prolongado de corticoides) ou portadores de doenças crônicas, como diabetes, anemia falciforme, epilepsias e doenças pulmonares crônicas, entre outras.

Conclusão

A sepse é uma emergência médica que pode ter evolução silenciosa, mas devastadora. Com informação clara e acessível, pais e cuidadores podem se tornar aliados poderosos na luta contra essa condição. Procure seu pediatra ou outra ajuda médica se seu filho apresentar os sinais e sintomas descritos acima.

 

Relator:

Celso de Moraes Terra
Presidente do Departamento Científico de Terapia Intensiva da SPSP

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Síndrome PFAPA https://spsp.org.br/sindrome-pfapa/ Tue, 28 Nov 2023 18:21:34 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40874 A síndrome PFAPA (abreviatura do inglês Periodic fever accompanied by aphthous stomatitis, pharyngitis and cervical adenitis syndrome, significa em português: Febre Periódica, Aftas]]>

A síndrome PFAPA (abreviatura do inglês Periodic fever accompanied by aphthous stomatitis, pharyngitis and cervical adenitis syndrome, significa em português: Febre Periódica, Aftas, Faringite e Adenite) é uma inflamação sem causa específica ou aparente. A febre aparece com periodicidade, acompanhada por amigdalite/faringite em 90% dos casos, gânglios aumentados na região do pescoço (adenite) em 70% e aftas em 50% das vezes.

É uma doença benigna, que aparece após o primeiro ano de idade e tende a desaparecer após os 10 anos, com resolução espontânea.

Nos primeiros episódios febris, quando a criança vai aos Serviços de Emergência, a doença pode passar despercebida. Em muitos casos, pode até receber antibióticos frequentemente, sem necessidade. Somente após vários surtos é que se começa a pensar na possibilidade da PFAPA. A febre é súbita, subindo rapidamente (39-40oC), com duração entre 4-5 dias e frequência entre 3-6 semanas. O intervalo entre as crises pode ser mais longo ou mais curto.

A doença será diagnosticada com base na combinação da clínica, exame físico e testes laboratoriais. Antes de confirmar o diagnóstico, é obrigatório excluir todas as outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes.

Que tipo de testes laboratoriais são necessários?

Não existem exames de laboratório ou de imagem específicos para o diagnóstico de PFAPA. Os valores dos testes, tal como a velocidade de hemossedimentação (VHS) ou os níveis de Proteína C Reativa (PCR) no sangue aumentam durante os episódios, mas voltam a ficar normais nos períodos entre eles.

Como a PFAPA não é uma doença infecciosa, a pesquisa de agentes virais ou bacterianos sempre é negativa, sendo de suma importância excluir essas infecções durante as crises. O tratamento com 1-2 doses de corticoide, orientado pelo médico (pediatra e/ou otorrinolaringologista) que está acompanhando a criança é um sinal importante para confirmar o diagnóstico.

Existe também tratamento profilático com alguns medicamentos, que podem ser prescritos pelo otorrinolaringologista que está acompanhando a criança. Em alguns casos, quando o intervalo entre as crises de febre e a administração de corticoide ficar cada vez mais curta, a cirurgia de amigdalectomia – retirada das amígdalas – pode levar a um bom desfecho, com o desaparecimento da doença.

É importante considerar o tratamento medicamentoso somente quando a qualidade de vida dos pacientes e familiares estiver muito impactada, e a decisão da indicação de cirurgia deverá ser tomada em conjunto pelos pais, pediatra e otorrinolaringologista que acompanham a criança, para se encerrar, através da cirurgia, em caráter definitivo, essas crises febris.

 

Relatoras:
Tania Sih
Renata Di Francesco
Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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Dia Mundial da Pneumonia https://spsp.org.br/dia-mundial-da-pneumonia/ Tue, 14 Nov 2023 19:58:18 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40684 O Dia Mundial da Pneumonia, instituído em 12 de novembro, objetiva alertar sobre a gravidade e ressaltar a prevenção das pneumonias adquiridas na comunidade. A pneumonia adquirida na comunid]]>

O Dia Mundial da Pneumonia, instituído em 12 de novembro, objetiva alertar sobre a gravidade e ressaltar a prevenção das pneumonias adquiridas na comunidade.

A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção nos pulmões contraída fora do ambiente hospitalar que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), é responsável por cerca de 20% da mortalidade mundial em crianças abaixo de cinco anos de idade.

São cerca de 2 milhões de óbitos anuais nessa faixa etária e 70% deles ocorrem em países subdesenvolvidos. A incidência nesses países é, em média, de 0,3 episódios/criança/ano, sendo que, no Brasil, ocorrem cerca de 4 milhões de casos anuais em crianças.

Algumas condições aumentam o risco de pneumonia em crianças, tais como mãe fumante durante a gestação, nascimento prematuro, doenças pulmonares, cardíacas, neurológicas e exposição precoce das crianças saudáveis, pelo seu sistema imunológico imaturo a berçários ou creches, aglomerados, poluição ambiental e fumaça de cigarro.

A prevenção adequada pode reduzir os riscos através do aleitamento materno, higiene das mãos antes do contato, esterilização dos materiais de uso da criança, imunização e a não exposição das crianças muito pequenas a ambientes de risco.

Os vírus são os principais causadores de infecções das vias aéreas superiores e quando acometem as vias aéreas inferiores causam bronquiolite, sibilância recorrente (chiado no peito) ou pneumonia, predominando em crianças nos cinco primeiros anos de vida. Tosse seca, respiração acelerada (cansaço), chiado no peito e febre abaixo de 38,5o C sugerem pneumonia viral.

As pneumonias também são causadas por bactérias e cursam com tosse úmida (som de catarro), febre mais elevada, dificuldade para respirar e sem chiado no peito. Crianças com idade acima de dois anos podem referir dor na região do tórax (peito) ou no abdome (barriga). O diagnóstico de pneumonia é feito pelo exame clínico da criança e frequentemente auxiliado pela radiografia de tórax e outros exames laboratoriais, a critério médico. A tomografia de tórax só deve ser solicitada em casos de pneumonias graves, a critério médico, evitando exposição da criança a maior dose de radiação.

Pneumonias acarretam queda do oxigênio no sangue e se essa queda atingir nível preocupante ou crítico é indicativo de internação. Pneumonias bacterianas são tratadas com antibióticos, já as virais não têm medicamentos específicos e recebem tratamento dirigido às manifestações. São vários os vírus que causam pneumonia e até o momento o único prevenível através da vacinação é o influenza, que deve ser feita anualmente; já para as causadas por bactérias, há disponibilidade de prevenir com vacinas incluídas no calendário vacinal, porém, não para todas as possíveis bactérias conhecidas e causadoras de pneumonia.

O diagnóstico e o tratamento precoces modificam a evolução, evitando sofrimento, mortalidade e doenças respiratórias crônicas.

Relatora:
Neiva Damaceno
Professora Assistente de Pneumologia Pediátrica do Departamento de Pediatria da Santa Casa de SP
Vice-Presidente do Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Pneumonia: sinais e tratamento https://spsp.org.br/pneumonia-sinais-e-tratamento/ Thu, 14 Jul 2022 17:43:30 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33340 ]]>

A pneumonia na infância tem suas peculiaridades, pois cada faixa etária tem predomínios de vírus e bactérias diferentes, isso também ocorre nos adultos e idosos. O que determina a gravidade do quadro é: o agente causador, a extensão da lesão pulmonar, a idade (por exemplo, crianças menores de dois anos têm maior risco) e a presença ou não de doença crônica.

Na maioria dos casos, a pneumonia pode causar sintomas como febre (temperatura axilar superior a 37,8°C), queda do estado geral (a criança fica mais quieta, “amuada”), perda do apetite, tosse (seca ou com secreção) e falta de ar. Existem alguns casos em que a pneumonia não vem acompanhada de febre. As crianças menores de dois anos, aquelas que possuem alguma imunodeficiência, fazem uso contínuo de corticoides ou são portadoras de doenças crônicas como asma, diabetes, cardiopatas e insuficiência renal são as que podem evoluir para os casos mais graves de pneumonias. 

A pneumonia pode ser causada por vírus, bactérias e fungos (se a criança for imunossuprimida ou tiver alguma doença crônica). O tratamento da pneumonia vai depender do agente causador, por exemplo, se for causada por bactéria o tratamento consiste no uso de antibióticos. O estado geral, a necessidade de oxigênio, a idade da criança, a extensão da lesão pulmonar e a presença de doença crônica vão indicar ou não a necessidade de internação.

O pulmão da criança está em contínuo crescimento e desenvolvimento desde o período fetal até aproximadamente 7 a 9 anos de vida, esse fato reduz o risco de sequelas e cicatrizes pulmonares após uma pneumonia.

Manter os ambientes ventilados com as janelas abertas, o uso de máscara, o distanciamento social, a lavagem das mãos e o uso de álcool gel são algumas medidas que reduzem o número das infecções respiratórias que levam à pneumonia. É primordial a vacinação para evitar as infecções, por isso é necessário checar o calendário vacinal periodicamente, deixando-o completo de acordo com cada idade. 

Vacinas para influenza (gripe), coqueluche (Pertussis), pneumocócica, covid-19, Haemophilus influenzae tipo b (Hib) e, até mesmo, a BCG (vacina para tuberculose) reduzem o risco de pneumonia por esses agentes.

 

Relatora:
Karina Pierantozzi Vergani
Departamento de Pneumologia Pediátrica da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: hay dmitriy | depositphotos.com

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Dia Internacional do Câncer na Infância https://spsp.org.br/dia-internacional-do-cancer-na-infancia/ Mon, 15 Feb 2021 21:00:03 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3602 Quinze de fevereiro é o Dia Internacional do Câncer na Infância. O objetivo é conscientizar a sociedade, enfatizar a importância do diagnóstico precoce e expressar apoio às crianças e adolescentes com câncer e suas famílias.

Com uma incidência de 16 casos por 100 mil habitantes menores do que 19 anos, o câncer é a primeira causa de morte, por doença, em crianças e adolescentes no Brasil. Entretanto, menos da metade dos casos chegam aos centros de tratamento especializados.

Nos adultos, a maioria dos casos está associada a fatores externos, tais como: a exposição ao sol (radiação ultravioleta), exposição e manuseio prolongado de derivados de petróleo, agrotóxicos e o tabagismo.

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Por outro lado, em crianças e jovens a doença não está diretamente associada a fatores de risco externos, exceto pela radiação ionizante (Rx) e alguns vírus como Epstein-Barr e da Hepatite B.

Todavia, a maioria dos cânceres nas crianças decorre de alterações no DNA que aconteceram antes do nascimento ou no início da vida. E quando o processo de divisão celular não é perfeito essa mutação genética é chamada adquirida.

Desse modo, as causas são indefinidas, difíceis de prevenir e não apresentam sinais específicos, pois, nas fases iniciais da doença, os sintomas podem ser confundidos com outras doenças (febre, palidez, vômitos, dores nos ossos e articulações). Entretanto, se esses sinais e sintomas inespecíficos não forem cuidadosamente valorizados, poderá ocorrer detecção tardia da doença.

Pais, responsáveis, avós, tios e professores, podem contribuir para identificar os primeiros sintomas, mas é importante salientar que não significa que a criança ou o adolescente tenha câncer. Por essa razão, o pediatra que acompanha ou que atendeu a criança ou o adolescente, ao identificar os sinais e sintomas de alerta, poderá iniciar a investigação e encaminhar o paciente para atendimento, diagnóstico preciso, tratamento e acompanhamento num serviço especializado de Oncologia.

Os sintomas e sinais que merecem atenção e investigação são:

*Febre prolongada, sem uma causa aparente e que não melhora com medicamentos;

*Inchaço nas gengivas, amolecimento repentino dos dentes com perda dentária anormal para a idade;

*Manchas roxas na pele sem causa conhecida;

*Dor de cabeça matutina frequente;

*Fraqueza ou paralisia de um lado do rosto ou corpo;

*Gânglios aumentados (ínguas) por período superior a 4 semanas;

*Falta de ar progressiva, sem febre, asma ou alergia;

*Barriga inchada ou endurecida;

*Presença de sangue na urina;

*Dor persistente nos ossos e / ou articulações, sem causa conhecida;

*Reflexo branco no olho ao tirar fotografia com flash;

Os cânceres em crianças e adolescentes são considerados mais agressivos e se desenvolvem rapidamente; por outro lado, as crianças respondem melhor ao tratamento e, apesar da incidência ser bem menor que dos adultos, o número de vidas salvas é significativamente maior.

Uma criança ou adolescente com câncer, se for tratado em centros de referência, tais como: GRAACC, ITACI, Boldrini (Barretos – SP) e outros, terá mais de 70% de chance de ser curado. Esses hospitais oferecem as melhores práticas no tratamento de crianças e adolescentes com neoplasias malignas.

Devemos enfatizar a necessidade de expandir e estimular a capacidade atual no diagnóstico e tratamento do câncer na infância e adolescência, incluindo a disponibilidade de medicamentos e tecnologias e ser integrado nas políticas estratégicas nacionais.

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Relator
Flavio Augusto Luisi
Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Em primeiro lugar, o que é febre? https://spsp.org.br/em-primeiro-lugar-o-que-e-febre/ Fri, 09 Oct 2020 21:22:28 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3445 Uma das muitas frases que as vovós diziam é esta: 
Episódio 1: “Bota esse menino no chuveiro pra tomar um banho de água fria. Esse febrão não pode continuar!”
Vamos conversar sobre ela:


Em primeiro lugar, o que é febre?  

É um sinal de que algo está acontecendo no organismo e que ele está tentando lidar com a situação.  Esse mecanismo de defesa é controlado, necessariamente, pelo centro termorregulador – um verdadeiro termostato que controla a temperatura do corpo e que fica localizado numa região do cérebro chamada hipotálamo.
Isso acontece em resposta a fatores, tanto internos, quanto externos ao organismo, levando à produção de uma série de mediadores bioquímicos. A elevação da temperatura pode ser medida por diversos tipos de termômetro. Para cada método utilizado, há um patamar de referência acima do qual se diz que alguém está com febre. Para simplificar nossa conversa, digamos que acima de 37,8ºC alguém está febril.

SergeyNivens I depositphotos.com

Por que tentar baixar a febre se ela é um mecanismo natural de defesa?

A pergunta tem lógica. Há pensamentos diferentes dentre as várias “artes de curar” sobre esse tema. Nós recomendamos baixar a temperatura por uma razão simples: porque a criança vai ficar mais confortável e os pais não ficarão tão ansiosos.

Por que a febre assusta tanto?

Esse medo está muito associado à crise convulsiva relacionada a um episódio febril. Quem vê uma criança convulsionando se impressiona. Calma! Temos boas notícias: 
1.  Nem toda criança com febre tem convulsão.
2.  Ocorre, em geral, em crianças entre 6 meses de vida e 5 anos de idade. 
3. A subida muito rápida (e bem menos frequente o contrário – a queda da temperatura em tempo muito curto) pode estar relacionada à convulsão febril e, ao colocar a criança no banho com água fria, a temperatura pode baixar muito rápido.
4. Um banho rápido em água morna pode ajudar a baixar a temperatura. Entretanto, se a criança tiver muitos tremores durante o banho, interrompa essa ação. Não adicionar, também, álcool na água do banho, pois além de ser ineficiente, a criança pode inalar e beber a substância.
5. Em até 40% dos casos de convulsão febril, há um componente familiar (genético), por isso é importante saber se na família alguém já passou por essa experiência.
6.  A grande maioria das crises tem curta duração e resolvem-se sozinhas.
7.  Pode haver recidivas (outros episódios) em apenas 30% das crianças.
8.  A grande maioria não necessita de tratamento algum.
9.  Para as crianças com recaídas, vale a pena dar antitérmico logo no início do aparecimento da febre.
10. O antitérmico deve ser indicado com critério pelo pediatra que segue a criança, pois, às vezes, esse tratamento traz mais malefícios que benefícios. 

Lembrete: a temperatura corporal pode subir por excesso de agasalho, exposição prolongada ao sol, ficar por muito tempo em ambiente aquecido. Nestes casos (de hipertermia), um banho morno pode ser um alívio.

Se você deseja saber mais sobre esse tema, leia o texto: Febre não é doença, é um sinal

O que fazer quando a criança tem convulsão?

É mais importante que você saiba o que NÃO deve fazer! 
1.  Não tente abrir à força a boca da criança, ou tentar colocar algo para que ela não morda a língua (você poderá se machucar e ferir a criança).
2. Não deixe a criança em nenhum lugar de onde possa cair ou na posição de barriga para cima (vire-a de lado).
3. Não pegue a criança e saia correndo. Espere um pouco – geralmente as crises duram menos de 5 minutos.

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Relator:
Fernando Manuel Freitas de Oliveira
Membro da Comissão de Ensino e Pesquisa da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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Coronavírus: sem pânico, com responsabilidade https://spsp.org.br/coronavirus-sem-panico-com-responsabilidade/ Tue, 17 Mar 2020 12:27:49 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3058 Passamos, no momento, por uma situação desconhecida ou já esquecida por grande parte dos brasileiros (última em 2009 – H1N1): PANDEMIA.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a situação atual com o coronavírus como uma pandemia em 11 de março de 2020. Para isso, a questão não é o número de casos, mas sim de uma epidemia que se espalha pelos continentes, já com transmissão sustentada, ou seja, de pessoa para pessoa dentro de um mesmo país, sem depender de casos vindos de fora.

izik_md | depositphotos.com

O COVID-19 (nome do coronavírus atual que teve seu primeiro relato em dezembro de 2019) apareceu na China e de lá se espalhou rapidamente pelo mundo, pela alta capacidade de contágio, causando, inclusive, mortes (cerca de 2,4% dos casos). No momento, os países mais afetados com novos casos são a Itália (cerca de 3.500), Espanha (1.500), Irã (1.365), França (830) e Alemanha (735). A China, que foi onde tudo começou, está em franca queda de casos novos (27). No entanto, ainda apresenta alto número, mas baixa taxa de letalidade (número de mortes por uma doença dentro do número total de doentes por essa doença, num determinado período de tempo)

Por ser um coronavírus novo (há outros que já circulam entre nós, mas sem as mesmas características), ninguém está naturalmente protegido contra ele e não existem nem vacinas e nenhum tratamento milagroso que aumente a imunidade geral ou específica em relação ao vírus.

Devemos tomar muito cuidado com as “falsas promessas” que estão circulando pelas redes sociais e grupos de WhatsApp:

Não. Não existe soro preparado que aumente a imunidade contra o vírus.
Não. Não existem nem preparados vitamínicos ou dieta específica contra o vírus.
Não. Não existe nenhum tratamento homeopático ou fitoterápico contra o vírus.

O que funciona é INFORMAÇÃO e AÇÃO.
O que funciona é PREVENÇÃO e (o nome do momento) CONTENÇÃO.
O que funciona é RESPONSABILIDADE e SOLIDARIEDADE.

Muita cautela com as informações de pessoas, até muito conhecidas, que estão tentando fazer com que outros acreditem que a situação não é tão real ou importante.

Não. Coronavírus não é um simples resfriado ou uma gripe.
Não. Coronavírus não é uma manobra política ou econômica.
Não. Coronavírus não é uma invenção da mídia.
Coronavírus existe, se espalha e pode matar.

Febre, tosse, dificuldade respiratória, contato com pessoas que viajaram para fora do país e voltaram nos últimos 14 dias são sinais importantes para se pensar em coronavírus e entrar em contato com o serviço de saúde ou seu pediatra.

Crianças podem pegar a doença, podem transmitir, mas são um dos grupos de menor risco e sem relato de morte (um caso referido na China, com 14 anos). Os grupos de maior risco são os idosos (especialmente acima de 70 anos) e pessoas com doenças crônicas (cardiopatias, imunodeficiências, hipertensão, câncer).

As recomendações de contenção orientadas pelas sociedades (Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Infectologia, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia ) e órgãos oficiais (Ministério da Saúde, OMS e o nosso Sistema Único de Saúde) devem ser seguidas à risca: lavar as mãos, não beijar, não apertar as mãos, não abraçar, uso de álcool gel e providências como: lavar mais ainda as mãos, não sair correndo para estocar alimentos e evitar pânico e alarmismo, são muito importantes.

A experiência que o mundo tem com o coronavírus tem ensinado um pouco sobre seu comportamento e mostrado caminhos para conter a sua evolução, na tentativa de controlar as taxas de doença grave e morte, não totalmente, mas evitando altos picos da epidemia, como ocorreu na China e agora na Itália e Espanha.

Seguindo as recomendações do Ministério da Saúde, poderemos mudar o curso esperado dessa pandemia no Brasil, adotando, desde cedo, medidas protetoras e de contenção. Não são férias. É uma quarentena. Ficar em casa, recolhido, em família, protegendo todos, mas essencialmente os mais vulneráveis.

Quanto mais cedo nos distanciarmos fisicamente, mais cedo poderemos nos abraçar.

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Relator:
Dr. Yechiel Moises Chencinski
Coordenador do Blog Pediatra Orienta para a Voz do Blog

Publicado em 17/03/2020.

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Saiba tudo sobre a bronquiolite https://spsp.org.br/saiba-tudo-sobre-a-bronquiolite/ Fri, 28 Jun 2019 18:28:09 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2861 Médico explica causas, sintomas e tratamento dessa doença que atinge as crianças nos dois primeiros anos de vida Por Dr. Alfonso Eduardo Alvarez A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, que são a parte final dos brônquios. Eles ficam antes dos alvéolos, onde é feita a troca de oxigênio pelo gás carbônico. Quando nos referimos a essa doença, em geral falamos do tipo mais comum, que é a bronquiolite viral aguda, que acomete crianças nos dois primeiros anos de vida – inclusive, essa é a principal causa de internação de menores de 1 ano no mundo. Vamos saber mais sobre essa condição? O que leva à bronquiolite Ela é causada por vírus. O principal atende pelo nome de vírus sincicial respiratório, e é responsável por 40 a 80% dos casos. Vários outros tipos, porém, podem provocar a doença. Os sintomas Normalmente o quadro é precedido por sintomas de vias aéreas superiores, como nariz escorrendo. E pode (ou não) ocorrer febre. Na evolução do problema, a inflamação dos bronquíolos causa sua obstrução, o que dificulta a passagem do ar. Daí surgem tosse, dificuldade respiratória e chiado no peito. A doença pode ser desde muito leve, com secreção nasal e tosse discreta, até grave, com insuficiência respiratória e necessidade de internação. Para ter ideia, 5% das crianças com bronquiolite necessitam de internação e, dessas, 2% vão à óbito. Os fatores de risco para ter a forma grave da bronquiolite Uma evolução ruim do quadro é associada a questões como prematuridade, tabagismo passivo, baixa idade, ausência de aleitamento materno, doença pulmonar crônica, cardiopatia congênita e ser do sexo masculino. Cabe lembrar, no entanto, que a maior parte das crianças internadas por bronquiolite não apresenta nenhuma dessas condições. Recentemente, realizei uma pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, e nosso grupo de trabalho demonstrou que existem fatores genéticos que contribuem com a gravidade da bronquiolite. O estudo foi publicado na revista científica Gene. O diagnóstico Ele é baseado na história clínica e na avaliação física. Ou seja, não é necessário nenhum exame para confirmar a doença. A detecção do vírus é um exame útil, mas não fundamental. A radiografia de tórax e os testes de sangue não devem ser recomendados como rotina – são indicados apenas para casos de evolução grave. O tratamento A bronquiolite geralmente é auto-limitada e o tratamento depende da gravidade da doença. A maioria das crianças pode ser acompanhada em casa. Mas, caso a decisão do pediatra seja essa, é importante que ele tranquilize os pais e esclareça sobre os sinais de alerta que podem indicar a evolução da doença e, assim, a necessidade de uma reavaliação. Entre os sintomas que merecem atenção estão: dificuldade respiratória, aumento da frequência respiratória e utilização da musculatura acessória para respirar – que é evidenciada pela retração entre as costelas e da fúrcula, o espaço logo acima do esterno, o osso do peito. Além de um abatimento excessivo da criança e recusa em se alimentar e hidratar. A internação será necessária se ocorrer desconforto respiratório grave ou incapacidade para manter a hidratação adequada. Aqueles que apresentam os fatores de risco citados anteriormente, porém, podem precisar de internação em um estágio mais precoce da doença. Quando a internação ocorre, o principal aspecto do tratamento é o suporte com oxigênio, feito geralmente através de um cateter nasal – às vezes é preciso administrá-lo de forma mais invasiva. Além disso, deve ser mantida uma hidratação adequada, preferencialmente por via oral. Se a criança apresentar dificuldade na alimentação, opta-se pelo uso de sonda nasogástrica ou hidratação endovenosa. A aspiração cuidadosa das narinas e a higiene nasal com solução salina são atitudes benéficas. As diretrizes atuais não recomendam a fisioterapia respiratória na bronquiolite não complicada. Por ser uma doença viral, não há nenhuma necessidade de oferecer antibióticos à criança. Também está provado que não há nenhum benefício em administrar broncodilatores inalatórios, epinefrina inalatória ou corticoides, seja via inalatória, oral ou endovenosa. Texto produzido pelo Dr. Alfonso Eduardo Alvarez para o site SAÚDE. Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/saiba-tudo-sobre-a-bronquiolite/ O Dr. Alfonso Eduardo Alvarez é pneumologista pediátrico, mestre e doutor em Saúde da Criança e do Adolescente e presidente do Departamento de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Publicado em 28/06/2019]]>

Médico explica causas, sintomas e tratamento dessa doença que atinge as crianças nos dois primeiros anos de vida

Por Dr. Alfonso Eduardo Alvarez

A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, que são a parte final dos brônquios. Eles ficam antes dos alvéolos, onde é feita a troca de oxigênio pelo gás carbônico. Quando nos referimos a essa doença, em geral falamos do tipo mais comum, que é a bronquiolite viral aguda, que acomete crianças nos dois primeiros anos de vida – inclusive, essa é a principal causa de internação de menores de 1 ano no mundo. Vamos saber mais sobre essa condição?

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O que leva à bronquiolite

Ela é causada por vírus. O principal atende pelo nome de vírus sincicial respiratório, e é responsável por 40 a 80% dos casos. Vários outros tipos, porém, podem provocar a doença.

Os sintomas

Normalmente o quadro é precedido por sintomas de vias aéreas superiores, como nariz escorrendo. E pode (ou não) ocorrer febre. Na evolução do problema, a inflamação dos bronquíolos causa sua obstrução, o que dificulta a passagem do ar. Daí surgem tosse, dificuldade respiratória e chiado no peito.

A doença pode ser desde muito leve, com secreção nasal e tosse discreta, até grave, com insuficiência respiratória e necessidade de internação. Para ter ideia, 5% das crianças com bronquiolite necessitam de internação e, dessas, 2% vão à óbito.

Os fatores de risco para ter a forma grave da bronquiolite

Uma evolução ruim do quadro é associada a questões como prematuridade, tabagismo passivo, baixa idade, ausência de aleitamento materno, doença pulmonar crônica, cardiopatia congênita e ser do sexo masculino. Cabe lembrar, no entanto, que a maior parte das crianças internadas por bronquiolite não apresenta nenhuma dessas condições.

Recentemente, realizei uma pesquisa na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, e nosso grupo de trabalho demonstrou que existem fatores genéticos que contribuem com a gravidade da bronquiolite. O estudo foi publicado na revista científica Gene.

O diagnóstico

Ele é baseado na história clínica e na avaliação física. Ou seja, não é necessário nenhum exame para confirmar a doença. A detecção do vírus é um exame útil, mas não fundamental. A radiografia de tórax e os testes de sangue não devem ser recomendados como rotina – são indicados apenas para casos de evolução grave.

O tratamento

A bronquiolite geralmente é auto-limitada e o tratamento depende da gravidade da doença. A maioria das crianças pode ser acompanhada em casa. Mas, caso a decisão do pediatra seja essa, é importante que ele tranquilize os pais e esclareça sobre os sinais de alerta que podem indicar a evolução da doença e, assim, a necessidade de uma reavaliação.

Entre os sintomas que merecem atenção estão: dificuldade respiratória, aumento da frequência respiratória e utilização da musculatura acessória para respirar – que é evidenciada pela retração entre as costelas e da fúrcula, o espaço logo acima do esterno, o osso do peito. Além de um abatimento excessivo da criança e recusa em se alimentar e hidratar.

A internação será necessária se ocorrer desconforto respiratório grave ou incapacidade para manter a hidratação adequada. Aqueles que apresentam os fatores de risco citados anteriormente, porém, podem precisar de internação em um estágio mais precoce da doença.

Quando a internação ocorre, o principal aspecto do tratamento é o suporte com oxigênio, feito geralmente através de um cateter nasal – às vezes é preciso administrá-lo de forma mais invasiva. Além disso, deve ser mantida uma hidratação adequada, preferencialmente por via oral.

Se a criança apresentar dificuldade na alimentação, opta-se pelo uso de sonda nasogástrica ou hidratação endovenosa. A aspiração cuidadosa das narinas e a higiene nasal com solução salina são atitudes benéficas. As diretrizes atuais não recomendam a fisioterapia respiratória na bronquiolite não complicada.

Por ser uma doença viral, não há nenhuma necessidade de oferecer antibióticos à criança. Também está provado que não há nenhum benefício em administrar broncodilatores inalatórios, epinefrina inalatória ou corticoides, seja via inalatória, oral ou endovenosa.


Texto produzido pelo Dr. Alfonso Eduardo Alvarez para o site SAÚDE.
Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/saiba-tudo-sobre-a-bronquiolite/

O Dr. Alfonso Eduardo Alvarez é pneumologista pediátrico, mestre e doutor em Saúde da Criança e do Adolescente e presidente do Departamento de Pneumologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Publicado em 28/06/2019



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