Fase – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 20 Sep 2024 19:25:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Fase – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens https://spsp.org.br/dia-nacional-da-saude-de-adolescentes-e-jovens/ Sun, 22 Sep 2024 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48078 No dia 22 de setembro comemora-se o Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens. A Organização Mundial da Saúde define a adolescência como a fase da vida entre os 10 e os 19 anos,]]>

No dia 22 de setembro comemora-se o Dia Nacional da Saúde de Adolescentes e Jovens. A Organização Mundial da Saúde define a adolescência como a fase da vida entre os 10 e os 19 anos, e a juventude, entre os 15 e os 24 anos de idade. São etapas muito peculiares, nas quais ocorrem grandes mudanças físicas, cognitivas, sociais e emocionais, que requerem cuidados de saúde específicos.

Apesar de ser considerado um período de vida saudável, do ponto de vista biológico, com grande ganho de aptidões físicas, paradoxalmente é uma fase de grande vulnerabilidade, determinada por escolhas e comportamentos sociais que têm potencial para afetar o padrão de saúde imediato, e podem, também, repercutir para a vida toda, o que justifica a importância da atenção integral à saúde dos adolescentes e jovens.

O médico precisa entender das transformações biológicas e psicológicas, mas também saber que os ambientes sociais e virtuais desempenham papel fundamental nesses agravos. Na consulta do adolescente, o médico tem vários desafios a enfrentar: saber os direitos que adolescentes e jovens têm, tais como privacidade e confidencialidade; criar vínculo com seu paciente; apresentar-se como um modelo de adulto diferente do que o adolescente tem de seus pais; apoiar seu paciente adolescente nas mudanças físicas e também na busca de uma nova identidade para esse corpo em transformação; avaliar comportamentos de risco psicossociais de seus pacientes e quando identificados os riscos, realizar intervenção breve.

A saúde de adolescentes e jovens é do âmbito da Pediatria, pois geralmente é o pediatra que acompanha esse adolescente desde sua infância, tem o respeito e confiança da família e do paciente, tem a capacitação em desenvolvimento humano. Para atendimento de adolescentes, o médico deve mudar o paradigma da consulta, trazer nova abordagem, centrado mais no paciente do que no(a) cuidador(a) e estar apto para abordar o desenvolvimento sexual, emocional e cognitivo dessa fase da vida.

Entre os principais tópicos a serem avaliados em uma consulta de adolescente estão:

Acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento físico e psicossocial; Educação em saúde;
Saúde sexual e reprodutiva
Saúde mental
Prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas
Prevenção e controle de agravos
Promoção da cultura de paz e prevenção de violências

A educação em saúde é importante para ajudar os adolescentes e os jovens a fazerem as melhores escolhas. O fornecimento de informações ao paciente fundamentadas e isentas de julgamentos, têm papel relevante para essa finalidade.  Os dados apresentados nos quadros abaixo salientam a importância da educação em saúde.

Nas faixas de 15 a 29 anos, que abrange adultos jovens, as mortes são devidas a causas externas e à saúde mental e não a doenças orgânicas. No Brasil, o homicídio ocorre em adolescentes e jovens em sua maioria fora do ensino médio e em ações relacionadas ao crime e confrontos policiais.

 

Quadro 1: Principais causas de óbito segundo a faixa etária. Brasil, 2021 *

 

5 a 14

15 a 19

20 a 29

1

Acidentes de transporte

(9,69%)

Agressões

(35,37%)

Agressões

(29,86%)

2

Rest. das doenças do sistema nervoso (8,77%)

Acidentes de transporte

(13,63%)

Acidentes de transporte

(13,86%)

3

Leucemia

(5,61%

Lesões autoprovocadas voluntariamente

 (6,90%)

Rest. algumas doenças infecciosas e parasitárias

(9,89%)

4

Agressões

(5,54%)

Rest. sint, sin e ach anom. Clin. e Laborat. (3,96%)

Lesões autoprovocadas voluntariamente (5,56%)

5

Afogamento e submersões acidentais

(5,01%)

Rest. algumas doenças infecciosas e parasitárias (3,63%)

Rest. sint, sin e ach anorm. Clin. e Laborat.

(4,23%)

6

Rest. algumas doenças infecciosas e parasitárias (4,81%%)

Intervenções legais e operações de guerra (3,14%)

Eventos cuja intenção é indeterminada

(3,07%)

7

Rest. sint, sin e ach anom. Clin. e Laborat. (4,78%)

Eventos cuja intenção é indeterminada (3,04%)

Doenças virais

(2,44%)

8

Neoplasias malignas, meningites, encef. E outras partes do sistema nervoso central (4,58%)

Rest. das doenças do sistema Nervoso

(2,95%)

Intervenções legais e operações de guerra (2,19%)

9

Rest. de neoplasias malignas

(4,46%)

Afogamento e submersões acidentais

(2,79%)

Outras causas externas

(1,77%)

10

Outras causas externas

(4,27%)

Outras causas externas

(1,96%)

Outras doenças cardíacas

(1,59%)

11

Lesões autoprovocadas voluntariamente

 (3,41%)

Rest. de neoplasias malignas

(1,86%)

Rest. de neoplasias malignas

(1,49%)

 

Quadro 2: Percentual de adolescentes de 13 a 17 anos que, alguma vez na vida, experimentaram álcool, cigarro e outras substâncias psicoativas (SPA) **

 

2015

2019

Álcool

61,4%

63,3%

Cigarro

22,9%

22,6%

Ouras SPA

12,0%

13,0%

 

Celebrando esse Dia, gostaríamos de alertar pais, professores e gestores da saúde sobre a importância do atendimento especializado de adolescentes e jovens, tanto no consultório privado como no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os médicos que atendem adolescentes devem ser capacitados para o atendimento integral, voltado para as especificidades dessas faixas etárias, com comunicação adequada e assertiva.

Infelizmente os adolescentes e jovens são invisíveis no sistema de saúde e suas necessidades são negligenciadas. Os gestores de saúde têm a responsabilidade de estabelecer programas de atendimento à saúde de adolescentes e jovens. Este é um direito estabelecido pela Constituição brasileira e corroborado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Enquanto as três principais causas de morte do adolescente e do jovem brasileiro forem causas preveníveis, estamos fracassando como sociedade.

 

Saiba mais:

* Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado em 5 de fevereiro de 2024.

** Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (PeNSE), publicado em 2019. 

 

Relatoras:
Elizete Prescinotti Andrade
Lilia D’ Souza Li
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia do Adolescente https://spsp.org.br/dia-do-adolescente-2/ Fri, 22 Sep 2023 11:12:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39416 Acolher, ouvir e dar voz ao adolescente é essencial para garantir seu desenvolvimento saudável e promover uma sociedade mais inclusiva. Um adolescente ouvido é um adolescente]]>

Acolher, ouvir e dar voz ao adolescente é essencial para garantir seu desenvolvimento saudável e promover uma sociedade mais inclusiva.

Um adolescente ouvido é um adolescente que se sente valorizado e compreendido em suas experiências e opiniões. O ato de ouvir atentamente pode fortalecer os laços entre pais e filhos, professores e alunos e amigos. Além disso, a capacidade de ouvir de forma aberta e empática pode contribuir para o crescimento pessoal do adolescente, ajudando-o a desenvolver habilidades de comunicação e empatia.

Que tenhamos tempo para ouvir, verdadeiramente ouvir, e ver como isso pode melhorar a qualidade das nossas interações e fortalecer os vínculos. Todos nós temos algo valioso a dizer, e ao ouvirmos uns aos outros, podemos aprender, crescer e nos tornar pessoas melhores juntos. Vamos ouvir mais com o coração nossos adolescentes!

É também fundamental acolher os adolescentes em nossa sociedade. Eles estão em uma fase de descobertas e transformações intensas e é nosso papel oferecer suporte e compreensão durante esse período. Ao acolher os adolescentes, estamos dando a eles a oportunidade de se expressarem e de se sentirem amados e valorizados. E isso não se trata apenas de abraços e palavras gentis, mas também de oferecer orientação e limites saudáveis.

Acolher o adolescente é abrir espaço para que ele se desenvolva integralmente, contribuindo para que se torne um adulto confiante e seguro de si. Então, vamos acolher a adolescência de braços abertos e ajudar esses jovens a se tornarem a melhor versão de si mesmos!

Dar voz aos adolescentes é uma questão fundamental para garantir que suas perspectivas, ideias e experiências sejam ouvidas e valorizadas. Ao oferecer espaço e oportunidades para que se expressem, estamos não apenas promovendo sua participação ativa na sociedade, mas também enriquecendo nosso próprio entendimento do mundo.

Ao dar voz aos adolescentes, estamos criando um ambiente onde suas vozes são levadas a sério e respeitadas, capacitando-os a se tornarem agentes de mudança em suas próprias vidas e comunidades. Então, vamos dar voz aos adolescentes, porque são eles que moldam o futuro.

A adolescência é uma fase de descobertas, desafios e constantes mudanças. É crucial que nós, adultos, estejamos dispostos a acolher, ouvir e dar voz aos adolescentes, pois isso não apenas fortalece nossa conexão com eles, mas também abre espaço para que expressem suas opiniões, sentimentos e sonhos.

O Dia do Adolescente, instituído em 21 de setembro, é uma oportunidade não só de celebrar essa fase tão importante da vida, mas também de refletir sobre os desafios e conquistas que os adolescentes enfrentam diariamente. É uma chance de reconhecer a importância dos adolescentes na sociedade e de lhes oferecer apoio e encorajamento.

Juntos, podemos criar um mundo onde todos os adolescentes se sintam acolhidos, ouvidos e tenham voz.

Feliz Dia do Adolescente!

 

Relatoras
Maíra Pieri Ribeiro
Maíra Terra Cunha Di Sarno
Médicas Pediatras e Hebiatras
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Revista Crescer – Prevenção de acidentes domésticos, com Luciana Issa https://spsp.org.br/revista-crescer-prevencao-de-acidentes-domesticos-com-luciana-issa/ Fri, 01 Sep 2023 12:57:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39451 ]]>

Veículo: Revista Crescer

Data: Set/2023

Luciana Issa, membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP, concedeu entrevista à revista Crescer, em que deu dicas de como evitar acidentes domésticos com as crianças. Entre outras recomendações, a médica falou sobre a importância de instalação de redes ou telas de proteção nas janelas da casa, inclusive nas do banheiro e da cozinha; de manter longe do alcance dos pequenos remédios, cosméticos, objetos cortantes e elétricos; e de colocar panelas nas bocas de trás do fogão, com os cabos virados para dentro e para trás.  

Leia mais: PDF

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Dia Mundial da Juventude https://spsp.org.br/dia-mundial-da-juventude/ Thu, 30 Mar 2023 17:40:45 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36713 No dia 30 de março comemora-se o Dia Mundial da Juventude, data marcada para celebrar a contribuição dos jovens na criação da sociedade. São considerados jovens todos aqueles com idade entre]]>

No dia 30 de março comemora-se o Dia Mundial da Juventude, data marcada para celebrar a contribuição dos jovens na criação da sociedade. São considerados jovens todos aqueles com idade entre 15 e 29 anos: pessoas em fase de transição de ciclo de vida, que vivenciam realidades diferentes na busca da constru­ção de sua identidade, autonomia, aprendizagem, profissão, independência financeira, possibilidade de inovação e participação ativa na economia.

Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2021 os jovens entre 15 e 29 anos correspondiam a 23% da população brasileira, ou seja, mais de 47 milhões de pessoas.

Apesar de na juventude as pessoas terem menos problemas de saúde do que na infância, esse é um momento delicado. Longe de seus responsáveis, os jovens tendem a priorizar outros aspectos da vida, como amizades, relacionamentos, hobbies e estudos, deixando de lado os cuidados clínicos preventivos. Além disso, podem apresentar dificuldades financeiras, prejudicando o acesso ao transporte e à medicação. A situação torna-se ainda mais grave quando os jovens são portadores de doenças crônicas, pois necessitam de acompanhamento contínuo e muitas vezes frequente.

Países que não investem e não cuidam da saúde de seus jovens têm seu futuro como nação comprometido em curto espaço de tempo. É preciso ensinar-lhes autocuidado e autogestão, assim como estimular que lutem por seus direitos.

No Brasil, a Constituição Federal, o Estatuto da Juventude e outros documentos oficiais, tanto nacionais quanto internacionais nos quais o país é signatário, garantem diversos direitos aos jovens. Infelizmente, nem tudo que está no papel acontece na realidade. São adquiridos, por exemplo, o direito à diversidade e à igualdade de direitos e de oportunidades, independentemente de cor/raça, sexo, gênero e orientação sexual. No entanto, dados oficiais mostram que:

  • Jovens do sexo masculino têm uma taxa de mortalidade 3,5 vezes maior do que jovens do sexo feminino;
  • Jovens do sexo masculino de 20 a 24 anos têm 11 vezes mais chances de sofrerem uma morte violenta se comparados às jovens do sexo feminino na mesma idade;
  • As estatísticas oficiais tendem a invisibilizar a juventude não binária e a indígena.

 

A juventude brasileira sempre precisou de um olhar atento de toda a sociedade no que diz respeito à sua saúde, mas isso tornou-se ainda mais urgente, levando-se em consideração a pandemia do coronavírus, que impactou gravemente a saúde física e mental dos jovens, como descrito no quadro 1.

 

Quadro 1

 

 

Para 29% dos jovens entrevistados, a pandemia piorou muito seu estado emocional e 41% referiram que piorou um pouco. Isso, somado às incertezas e inseguranças dessa fase da vida, levou a um aumento expressivo das taxas de depressão, principalmente entre pessoas de 18 a 24 anos, como pode ser visto no quadro 2.

 

Quadro 2

 

Outro importante marcador em saúde é a gravidez na adolescência. Apesar dos índices estarem, aos poucos, regredindo no Brasil, isso vem acontecendo de forma mais lenta do que nos outros países. Enquanto 46 a cada mil partos no mundo são de meninas entre 15 e 19, em nosso país ela é de 68,4 nascimentos a cada mil partos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

E a educação integrada é vista como uma das melhores ferramentas para a prevenção da gravidez na adolescência; entretanto, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a taxa de desistência no ensino médio na rede pública mais do que dobrou entre 2020 (2,3%) e 2021 (5,6%). Segundo pesquisa do IBGE, a faixa etária com maior número de pessoas fora das escolas é justamente a de jovens entre 15 e 17 anos de idade (quadro 3).

 

Quadro 3

 

Ciente das peculiaridades que envolvem a juventude, a Sociedade de Pediatria de São Paulo criou um grupo de estudos voltado para orientar e ajudar pediatras, pais, escola e sociedade no processo de transição dos cuidados da infância e adolescência para a vida adulta.

Promover discussões, elaborar protocolos e advogar em prol dos jovens, são ações que devem ser vistas como prioridades, pois com o crescente envelhecimento da população brasileira, a juventude será segmento estratégico, responsável pela geração de recursos. Para que possam exercer seu papel, os jovens precisam ter as condições necessárias para se desenvolverem de forma saudável, com acesso a todos os direitos garantidos formalmente em nosso país.

A juventude tem o potencial de protagonizar agendas globais e locais de desenvolvimento social, mas, para isso, precisa do apoio de suas famílias, escolas, sociedade, governos e outros parceiros.

 

Saiba mais:

  1. https://juventudesdoagora.com.br/wp-content/uploads/2022/08/doc-atualizado-16-08.pdf
  2. https://atlasdasjuventudes.com.br/
  3. https://www.feac.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Guia-Juventudes-e-os-DSR-Revisao-Julho-2019.pdf

 

Relatoras:
Andrea Hercowitz
Coordenadora do Grupo de Trabalho da Fase de Transição para a Vida Adulta
Membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Elizete Prescinotti Andrade
Presidente do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

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