Familiares – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 22 May 2026 19:01:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Familiares – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Crianças desaparecidas: histórias interrompidas e famílias na espera https://spsp.org.br/criancas-desaparecidas-historias-interrompidas-e-familias-na-espera/ Mon, 25 May 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57157 ]]>

O Dia Internacional de Crianças Desaparecidas, em 25 de maio, deve ser lembrado constantemente: desaparecimento de crianças não pode ser invisível. Estima-se que mais de 1 milhão de crianças e adolescentes desapareçam anualmente no mundo e cerca de 10% jamais serão encontrados, embora a subnotificação e a ausência de sistemas integrados de registro dificultem a precisão desses dados.

No Brasil, o problema também é expressivo: cerca de 20 a 25 mil ocorrências anuais envolvem crianças e adolescentes, o que corresponde a aproximadamente um terço dos desaparecimentos no país.

Os principais fatores relacionados aos desaparecimentos são: o sequestro parental, as fugas de casa, o tráfico de pessoas e os conflitos, sendo a maioria dos casos por disputas familiares ou fugas de casa.

Dentre os fatores de risco estão vulnerabilidade social, violência doméstica, negligência, uso de substâncias na família, histórico de evasão escolar e exposição a ambientes digitais sem supervisão. Nas crianças menores predominam episódios de perda/desorientação ou falhas na supervisão; nos adolescentes, as “fugas” podem estar associadas a conflitos familiares ou situações de violência.

As crianças desaparecidas podem ser categorizadas em sete situações:
– as que fogem e que estão em situação de risco (nacionais ou internacionais);

– as que são sequestradas por familiar(es) – por um dos pais ou familiar sem o consentimento de todos os seus responsáveis legais;

– as sequestradas por parente para o exterior (por um de seus pais ou responsáveis legais, contra a vontade do outro pai ou responsável legal);

– crianças que se perdem, que se ferem ou que desaparecem por razões desconhecidas ou indeterminadas;

– menores que são abandonados – sem um adulto legalmente responsável por elas;

– as que são sequestradas por terceiros (sequestro não familiar) – por indivíduos que não os pais ou responsáveis legais e

– menores migrantes desacompanhados desaparecidos – de um país sem livre circulação de pessoas, que foram separadas de ambos os pais e não têm os cuidados de um adulto responsável.

Uma parcela significativa é localizada, especialmente quando a notificação é imediata – o que reforça a importância da resposta rápida.

No Brasil, não é necessário aguardar 24 horas para registrar ocorrência; a comunicação precoce às autoridades aumenta significativamente as chances de localização. Deve-se fornecer informações atualizadas (descrição física, roupas, locais frequentados, contatos) e mobilizar redes formais e comunitárias. Sistemas de alerta, integração entre bancos de dados e capacitação das equipes são estratégias reconhecidas para otimizar a busca.

A prevenção, por sua vez, depende de ações contínuas e coordenadas. No âmbito familiar, inclui supervisão adequada, fortalecimento de vínculos, educação para segurança (inclusive digital), orientação sobre riscos e estímulo ao diálogo. Nas escolas e serviços de saúde, é fundamental identificar precocemente sinais de vulnerabilidade e violência, com encaminhamento oportuno. Em nível estrutural, políticas públicas devem priorizar proteção social, combate à violência, rastreabilidade de casos, interoperabilidade de sistemas e campanhas de conscientização.

Propostas não faltam: um projeto de lei do senador Flávio Arns (PSB-PR) sugere medidas para aperfeiçoar as buscas por pessoas desaparecidas, entre elas, a criação de delegacias especializadas (PL 5952/2025). Outro projeto é o da criação do “Alerta Pri” (criado para lembrar a história de Priscila Belfort, irmã do lutador Vitor Belfort), para que empresas de telefonia enviem alertas imediatos para celulares da região sobre o desaparecimento de criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência (PL 3543/2025).

Mais do que uma data, este dia é um chamado à responsabilidade coletiva: prevenir, proteger e agir. Que nunca nos falte vigilância, empatia e compromisso para garantir que toda criança tenha seu direito fundamental à segurança e ao cuidado preservado.

 

Relatora:

Renata D Waksman
Vice-Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Presidente do Núcleo de Estudos da Violência contra a Criança e o Adolescente da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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A paralisia cerebral em crianças https://spsp.org.br/a-paralisia-cerebral-em-criancas/ Mon, 06 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53442 ]]>

A paralisia cerebral (PC) é uma condição primariamente que ocorre afetando o sistema motor em crianças cujas características clínicas expressam-se por limitações funcionais. Observam-se alterações do tônus muscular (espasticidade ou hipotonia), paralisias de grau variado (hemiplegia, tetraplegia), alterações posturais, movimentos involuntários, ocorrendo a sua instalação nos primeiros cinco anos de idade, às vezes já evidente no primeiro ano de vida.

Considerada como entidade não progressiva, poderão verificar-se modificações com o desenvolvimento, com prejuízos funcionais, consequência da evolução das sequelas cerebrais relacionada a aquisições mais tardias. Com frequência pode acompanhar-se com atraso no desenvolvimento, com mudanças comportamentais, atraso no desenvolvimento da linguagem ou epilepsia.

É também conhecida como encefalopatia crônica infantil (ECI).

A prevalência da PC em crianças, considerando 1.000 nascimentos vivos. é de 1,5 a 3,0, sendo de maior ocorrência em famílias de condições socioeconômicas mais limitadas. A sua causa mais frequente deve-se a ocorrências no período perinatal, devido à anoxia neonatal ocorrida durante o parto, levando à lesão cerebral e determinando o quadro conhecido como encefalopatia hipóxico-isquêmica. Pode ocorrer por outras causas, com por exemplo: malformações cerebrais, infecções materno-fetais, prematuridade e complicações, meningites bacterianas.

As recuperações funcionais variam de acordo com as características dos tipos e intensidade das sequelas e das intervenções mais precoces no processo de habilitação: fisioterapia, terapia ocupacional, terapia fonoaudiológica, avaliação ortopédica (órteses, cirurgia, sapatos adequados). Estes recursos e aquisições tecnológicas mais recentes certamente irão colaborar nas melhorias funcionais para auxiliar a autonomia e independência individual.

São necessários cuidados nos comentários com os familiares sobre prognóstico a longo prazo, com relação a prejuízos ou limitações do neurodesenvolvimento. Funções como a cognição e o aprendizado poderão nos surpreender, chegando a habilidades que permitirão seu desempenho nas atividades da vida diária.

Faz-se importantes estes comentários no dia de hoje, quando se comemora mundialmente o Dia da Paralisia Cerebral, ficando a lembrança de como se manifesta clinicamente nas crianças e das possibilidades que existem com recursos atuais no seu tratamento de habilitação, trazendo conforto e possibilidade de aprendizados, e aos familiares levando afeto a seus filhos, podendo estabelecer esperanças e expectativas de possíveis aquisições.

 

Relator:
Saul Cypel
Membro do Departamento de Científico de Neurologia e Neurocirurgia da SPSP

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Transtornos alimentares: um problema do século XXI? https://spsp.org.br/transtornos-alimentares-um-problema-do-seculo-xxi/ Mon, 02 Jun 2025 11:51:51 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51598 Os transtornos alimentares existem há muito tempo, tendo sido descritos inicialmente na literatura religiosa, por volta do século V e na literatura médica, a partir de meados do século XIX]]>

Os transtornos alimentares existem há muito tempo, tendo sido descritos inicialmente na literatura religiosa, por volta do século V e na literatura médica, a partir de meados do século XIX. Atualmente, no entanto, percebe-se um aumento de diagnósticos, principalmente em adolescentes do sexo feminino, não sendo exclusivos de mulheres ou dessa faixa etária. Pode ocorrer por vários fatores, como predisposição pessoal, presença de transtornos psíquicos (como ansiedade ou depressão, por exemplo), relações familiares e suscetibilidade a fatores externos, como influência da mídia e pressão social. A pandemia da Covid-19 foi um acelerador para o aumento de casos, possivelmente pela ansiedade gerada com o isolamento social e as incertezas sobre o futuro, as mudanças de hábitos alimentares e de práticas esportivas, além do maior uso de redes sociais.

Fatores psíquicos e biológicos interagem entre si: a predisposição genética pode ser “acionada” por fatores como estresse emocional, baixa autoestima e pressão estética. A ideia de que só a magreza está associada à beleza, ao sucesso social e profissional, impacta fortemente a atual geração de adolescentes, aumentando sua vulnerabilidade aos transtornos alimentares.

Do ponto de vista da família, a forma como os responsáveis falam sobre comida, corpo e aparência pode ter grande impacto nas crianças e adolescentes. Comentários frequentes sobre dietas, peso, “corpos ideais ou perfeitos” ou críticas ao próprio corpo e ao corpo de outras pessoas podem, mesmo sem intenção, reforçar a ideia de que o valor de alguém está associado à aparência física.

Atualmente as redes sociais têm um papel significativo na construção da autoestima dos adolescentes. Plataformas como Instagram, TikTok e outras estão repletas de imagens de corpos magros, esculpidos, frequentemente editados por filtros ou manipulados digitalmente. Influenciadores digitais promovem rotinas alimentares rígidas, desafios de perda de peso e estilos de vida que nem sempre são saudáveis ou alcançáveis. Esse bombardeio constante pode levar os jovens a desenvolverem uma percepção distorcida de si mesmos, comparando-se com padrões estéticos inalcançáveis.

A validação por meio de curtidas e comentários também pode reforçar a ideia de que a aparência física é mais importante do que o bem-estar emocional e a saúde. Aplicativos para controle de calorias são de fácil acesso e extremamente perigosos quando utilizados sem o conhecimento das necessidades básicas individuais.

Durante a adolescência, a necessidade de aceitação por parte do grupo de amigos se torna especialmente importante. Comentários sobre peso ou aparência feitos por colegas, brincadeiras de mau gosto ou a exclusão social podem afetar profundamente a autoestima. Adolescentes podem adotar dietas extremas ou esconder comportamentos alimentares prejudiciais para se adequarem ao grupo ou evitar críticas. Não é incomum que em um grupo de amigos várias pessoas tenham comportamentos de risco para o desencadeamento de transtornos alimentares, como um pacto entre amigos, para controle de alimentação e de peso.

Por vezes não é fácil identificar um transtorno alimentar, mas existem sinais de alerta que os familiares devem observar:

  • Mudanças bruscas nos hábitos alimentares: recusa em comer certos grupos de alimentos, pular refeições ou adoção de dietas restritivas sem orientação médica. É preciso ficar atento quando adolescentes se tornam repentinamente saudáveis e passam a querer comer somente vegetais e proteínas, rejeitando carboidratos, bolos, bolachas, chocolates e balas de que sempre gostaram. Outro sinal que chama a atenção é a recusa em comer fora de casa ou aceitarem somente alimentos que eles próprios preparam.
  • Mudanças de comportamento alimentar, como querer comer sozinho, ir frequentemente ao banheiro logo após as refeições, demonstrar culpa ou arrependimento por ter comido.
  • Perda ou ganho de peso acentuado e rápido e preocupação excessiva com o corpo, peso ou calorias.
  • Autoimagem distorcida: percepção negativa do próprio corpo, mesmo estando dentro do peso considerado saudável. A mudança de vestimentas, como a procura por roupas largas que disfarcem as formas corporais também pode ser um indício da má relação com o corpo.
  • Prática excessiva de exercícios físicos, muitas vezes sem orientação e de forma exagerada. Familiares costumam ficar orgulhosos quando adolescentes sedentários passam a praticar atividades físicas, mas é preciso observar a frequência, duração e/ou intensidade, pois um sinal de alerta acende quando essa se torna compulsiva. Assim como a relação comida-exercício: se a pessoa comeu mais do que o habitual, precisa se exercitar ou se não fez exercício no dia, come menos. Essa relação compensatória não é saudável e pode ser um sinal de transtorno alimentar.

Como ajudar?

É preciso estimular a saúde emocional e física de adolescentes, através de um diálogo aberto e acolhedor, sem julgamentos, validando seus sentimentos e oferecendo apoio emocional constante. Deve-se evitar comentários sobre peso, dieta ou aparência, mantendo o foco na promoção de saúde e não em padrões estéticos. Além disso, é positivo estimular a prática de atividades que promovam bem-estar físico e emocional, como esportes, arte, música ou leitura — o mais importante é que o adolescente se sinta realizado e pertencente.

É impossível evitar o uso das redes sociais a partir de uma certa idade. Por isso é preciso fazer um trabalho preventivo, que estimule a maturidade e reduza os riscos.

O “Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares” foi instituído no dia 2 de junho. É importante que haja conversas que conscientizem sobre os conteúdos consumidos, questionem estereótipos e que estimulem o pensamento crítico sobre o que é visto online, combinadas de supervisão aos acessos e postagens do adolescente.

Caso percebam sinais de alerta que sugiram a possibilidade de um transtorno alimentar, familiares devem procurar ajuda profissional especializada no tema. Quanto antes for iniciado o tratamento, maiores são as chances de cura.

 

Relatora:
Andrea Hercowitz
Membro do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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O Dia dos Filhos https://spsp.org.br/o-dia-dos-filhos/ Mon, 23 Sep 2024 16:12:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=48094 ]]>

Comemorado em 23 de setembro aqui no Brasil e em Portugal, o Dia dos Filhos veio para equilibrar outros feriados familiares, como os Dias das Mães, dos Pais e até dos Avós.

A escolha do dia 23 de setembro está relacionada ao início da primavera no hemisfério sul, simbolizando renovação e novos começos. Essa época do ano é frequentemente associada ao crescimento e à vitalidade, características que se encaixam perfeitamente na relação entre pais e filhos.

E qual é o objetivo desta comemoração?

 Visa recordar a relação entre pais e filhos, reforçar os laços familiares e a importância da convivência, sendo uma excelente oportunidade de reflexão sobre o papel dos filhos nas vidas dos pais e vice-versa, além de promover momentos de união e alegria.

É o momento para deixar os filhos saberem, por meio de ações e palavras, o quanto são amados, destacar suas qualidades e conquistas, fortalecer a autoestima e a confiança e fazer com que se sintam valorizados.

Além disso, é uma oportunidade para que os pais reflitam sobre suas responsabilidades e o impacto que têm na vida de seus filhos. A educação, o carinho e o exemplo são fundamentais para o crescimento saudável e feliz das crianças, para o desenvolvimento de valores, como os da igualdade e justiça.

No agitado mundo contemporâneo em que vivemos, muitos pais trabalham e acabam não aproveitando os momentos livres para acompanhar o cotidiano e as relações com seus filhos e filhas, então serve para chamar a atenção de todos – pais e filhos – para que possam repensar suas rotinas e separar um tempo especial dedicado exclusivamente à família e que sirva de “gatilho” para muitos outros dias mais!

O que fazer no Dia dos Filhos?

O principal objetivo é reunir as famílias para que aproveitem a companhia uns dos outros, proporcionar momentos de diversão e interação ajudam a fortalecer os laços familiares.

Algumas atividades podem ser programadas para este dia, como: passeios ao ar livre; compartilhar histórias divertidas; preparar uma refeição especial – e saudável – com a ajuda das crianças; brincar com jogos apropriados para as idades dos filhos (quebra cabeça, blocos, tabuleiro…); criar um álbum de memórias dos momentos impactantes que passaram juntos; ir ao teatro ou cinema e até fazer uma viagem divertida.

Estas realizações estimulam a cooperação, a comunicação, são fontes de risadas, de lembrar de momentos especiais e de memórias felizes, além de promover a saúde física e mental para todos.

A data serve de alerta para que os pais reservem um tempo em suas vidas para estar presentes nas atividades cotidianas e que permaneçam conectados com os filhos – ouçam o que eles têm a dizer, estejam disponíveis, prestem atenção neles e mostrem empolgação pelo que estão fazendo e relatando. Aproveitem também os momentos especiais, que podem acontecer todos os dias e sejam transformados em tempos de qualidade – está aí o “segredo do sucesso”!

Nossas fortes recomendações para os pais é que sempre tenham tempo para dar amor e carinho para os filhos, brinquem com eles, façam com que se sintam seguros e protegidos, estimulem sua confiança, que aprendam a lidar com o estresse, com conflitos e com a raiva e ajudem a resolver problemas para que, à medida que crescem, fortaleçam o relacionamento deles com vocês e com os outros.

E que a frase a seguir seja sempre repetida pelos pais e incorporada pelos filhos: “quando você estiver enfrentando momentos difíceis, quando sentir que não tem a quem recorrer, saiba que estamos sempre aqui por você.”

 

Saiba mais:

-Dia dos Filhos (23 de setembro): Uma Celebração da Relação Familiar https://www.soescola.com/glossario/dia-dos-filhos-23-de-setembro#google_vignette

-CALENDARR Brasil. Dia dos Filhos https://www.calendarr.com/brasil/dia-dos-filhos/

-NATIONAL TODAY. Son and Daughter Day – August 11, 2025 https://nationaltoday.com/son-and-daughter-day/

-Minds Quotes. 46 National Son and Daughter Day Quotes, Wishes & Messages. https://www.mindsquotes.com/national-son-and-daughter-day-quotes/

 

Relatora:

Renata D Waksman
Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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27 de setembro: Dia Nacional de Doação de Órgãos https://spsp.org.br/27-de-setembro-dia-nacional-de-doacao-de-orgaos/ Wed, 28 Sep 2022 17:45:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34633 Vamos falar sobre transplante e doação de órgãos? Também conhecido como “Setembro Verde”, o “Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos” foi instituído pela Lei no 11.584/2007 e é comemor]]>

Vamos falar sobre transplante e doação de órgãos?

Também conhecido como “Setembro Verde”, o “Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos” foi instituído pela Lei no 11.584/2007 e é comemorado no dia 27 deste mês, data atribuída à realização do primeiro transplante da humanidade. Conta-se que São Cosme e São Damião, irmãos gêmeos e médicos, realizaram o primeiro transplante de um membro nesse dia e desde então o mês de setembro é dedicado à conscientização pública sobre os potenciais doadores de órgãos, bem como à sensibilização de seus familiares sobre a importância da doação.

Apesar do Brasil ter o maior programa público de transplante de órgãos do mundo, há quase 60.000 brasileiros – incluindo crianças – na fila de espera aguardando por um rim, fígado, coração, entre outros órgãos e tecidos. Durante a pandemia de covid-19 houve uma queda de 13% no número de transplantes. Com o avanço da vacinação e a redução do número de casos de covid-19, os programas de transplante vêm testemunhando um aumento do número de procedimentos, porém o crescimento da fila de espera ainda é maior do que a oferta de doadores e é fundamental a conscientização da população sobre esse assunto.

Pode parecer uma questão insignificante e distante, mas quem já vivenciou o drama de um parente, amigo, um pai, uma mãe ou um filho com um problema de saúde grave, incapacitante, progressivo e irreversível, certamente considerou o tema “doação de órgãos” como uma prioridade para a realização de um transplante. Nestes casos, o transplante pode ser a única esperança e recomeço não só de uma, mas de várias vidas beneficiadas por esse ato louvável e soberano.

A legislação atual exige o consentimento, a permissão e a autorização final dos familiares para a doação de um órgão de um potencial doador em morte encefálica, mesmo que ele tenha manifestado ou registrado o seu desejo em vida.

Num cenário crítico de um potencial doador de órgãos, a equipe médica realiza um protocolo bem estabelecido e rígido, incluindo a história, dados clínicos e o exame físico, adicionados à realização de testes especiais e complementares para a constatação inquestionável da morte encefálica.

Um paciente se encontra em morte encefálica quando há a confirmação da interrupção da irrigação sanguínea e morte das células do sistema nervoso central. Este cenário é irreversível e incompatível com a vida. Nesse período, ainda há uma circulação sanguínea temporária e breve para outros órgãos. É justamente nessa “janela de tempo” que se realiza o processo da retirada desses órgãos do doador (considerado morto) para o paciente receptor de órgãos, o qual se encontra em espera na fila. Desta forma, é vital a brevidade na autorização dos familiares para o órgão se manter viável para esse ato de amor e caridade.

Após essa autorização e a efetivação da doação, as Centrais de Transplante Estaduais realizam a seleção de doadores compatíveis, através de um registro de lista de espera, incluindo também algumas situações especiais de prioridade, estabelecidas por lei. Após a retirada dos órgãos e tecidos da pessoa morta, os cortes realizados são suturados e todos os cuidados são realizados, de tal forma que não há nenhuma percepção de qualquer deformidade. Posteriormente, o corpo poderá ser velado por seus familiares e sepultado.

É muito importante se informar e esclarecer as dúvidas sobre este tema ainda polêmico e pouco compreendido. Conversar com seus familiares e amigos, comunicar sobre o seu desejo de doação e quebrar as barreiras e as superstições envolvidas são fundamentais para o sucesso dos programas de transplante dos adultos e de nossas crianças.

A doação de órgãos é um dos maiores gestos de amor e humanidade! Um doador pode salvar mais de 8 vidas (ABTO – Associação Brasileira de Transplante de Órgãos).

Doe órgãos, doe vida.

 

Relatores:
Olberes Vitor Braga de Andrade
Lilian Monteiro Pereira Palma
Membros dos Departamentos de Nefrologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e de Nefrologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Nefrologia

 

Foto: @atlascompany / www.freepik.com

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