Exposição – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 30 Jun 2026 19:39:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Exposição – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Conexão, oportunidades e a responsabilidade de proteger crianças e adolescentes https://spsp.org.br/conexao-oportunidades-e-a-responsabilidade-de-proteger-criancas-e-adolescentes/ Tue, 30 Jun 2026 17:48:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57628 ]]>

Celebrado em 30 de junho, o Dia Mundial das Redes Sociais marca uma das maiores transformações da comunicação nas últimas décadas. As redes encurtaram distâncias, aproximaram famílias, ampliaram o acesso à informação e criaram novas formas de aprender, trabalhar e compartilhar experiências.

Hoje, é difícil imaginar a vida sem elas. Para muitos pais, as redes sociais são uma forma de manter contato com amigos e familiares, buscar informações e até encontrar comunidades de apoio. Para adolescentes, representam também espaços de pertencimento, expressão e construção de identidade.

Mas, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades, as redes sociais exigem atenção e responsabilidade, especialmente quando falamos de crianças e adolescentes.

A infância e a adolescência são períodos de intenso desenvolvimento emocional, cognitivo e social. Nesse contexto, a exposição precoce e excessiva às redes pode trazer impactos importantes, como alterações do sono, redução do tempo dedicado às brincadeiras e às interações presenciais, aumento da ansiedade, comparação constante com padrões irreais de beleza e sucesso, além da exposição a conteúdos inadequados, desinformação e situações de cyberbullying.

É importante lembrar que plataformas digitais são projetadas para captar e manter a atenção dos usuários. Crianças e adolescentes, por estarem em processo de amadurecimento, são mais vulneráveis aos mecanismos de recompensa, às notificações constantes e à busca por aprovação social por meio de curtidas e comentários.

Por isso, o debate não deve ser sobre demonizar a tecnologia, mas sobre promover um uso mais consciente e saudável.

Algumas atitudes podem fazer diferença:

  • Respeitar as classificações etárias das plataformas;
  • Adiar a entrada nas redes sociais sempre que possível;
  • Acompanhar e conversar sobre os conteúdos consumidos;
  • Estabelecer limites de tempo e momentos livres de telas;
  • Valorizar atividades presenciais, esportes, leitura e convivência familiar;
  • Ensinar pensamento crítico e educação midiática desde cedo;
  • Ser o exemplo, já que crianças aprendem observando os adultos.

As redes sociais fazem parte da sociedade atual e vieram para ficar. O grande desafio das famílias, educadores, profissionais de saúde e das próprias empresas de tecnologia é construir ambientes digitais mais seguros e adequados ao desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.

Neste Dia Mundial das Redes Sociais, vale celebrar os avanços que elas proporcionaram, mas também reforçar que conexão não deve significar exposição sem limites. Mais do que ensinar nossos filhos a usar a tecnologia, precisamos ajudá-los a desenvolver a capacidade de viver bem com ela.

 

Relatora:
Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da SPSP

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Uso responsável de telas e tecnologia https://spsp.org.br/uso-responsavel-de-telas-e-tecnologia/ Fri, 22 Aug 2025 19:07:19 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52847 O uso de tecnologias por crianças e adolescentes cresce de forma rápida e descontrolada. É fascinante esse mundo imediato que oferece milhares de possibilidades na busca de inform]]>

O uso de tecnologias por crianças e adolescentes cresce de forma rápida e descontrolada.

É fascinante esse mundo imediato que oferece milhares de possibilidades na busca de informações, comunicação, conexão com o mundo e diversão.

Bem-vindo a esse universo, conhecido como ambiente digital: o “on-line”, das interações virtuais, que teima em superar o “off-line”, das interações reais.

Sim, as crianças e adolescentes têm o direito de “passear” pelo ambiente digital. Mas, na qualidade de pais, adultos responsáveis e como sociedade, temos o dever de promover e garantir o acesso saudável e seguro, com proximidade, supervisão e muito diálogo.

 Como agir?

Deve-se considerar todos os contextos que englobam a navegação, exposição e vulnerabilidade de crianças e adolescentes.

  • Para os que acessam e/ou assistem – o conteúdo é apropriado para idade e maturidade?

– Os conteúdos assistidos e os aplicativos “baixados” são de conhecimento e entendimento dos responsáveis? Reconhecem todos os ícones?

 

 



– Estão cientes de que aplicativos e redes sociais apresentam classificação indicativa que precisa ser respeitada? (WhatsApp, Instagram, TikTok e X – antigo Twitter)

  • Como é a interação com dispositivo – utiliza sozinho, com amigos e/ou com adulto?
  • Local em que acessa – em casa: no quarto/na sala e/ou em ambiente não controlado?
  • Qual a finalidade do uso – aprendizado, distração, regulação emocional?
  • Em quais momentos do dia a rede é acessada – durante as refeições, em eventos familiares, antes de dormir ou sem nenhum controle de tempo?

 Como controlar o acesso aos dispositivos móveis?

Recomenda-se que crianças menores de 12 anos não possuam smartphone próprio. Um assunto um tanto polêmico, mas é necessária a abordagem entre as famílias. Reforçando que cada família tem um papel importante, como modelo, na convivência on-line.

Os acordos sobre tempo de telas precisam ser claros e o adulto precisa participar ativamente do que foi definido como momentos “on-line” e momentos “off-line”.

Assim, ficam estipulados o tempo diário de navegação, o local de uso das telas, as verificações periódicas dos conteúdos navegados e das atividades recentes nos dispositivos.

Nos momentos “on-line”, o uso criativo e compartilhado de conteúdos, jogos e séries aproxima diferentes gerações e os olhares se complementam. Uma oportunidade para contribuir com a construção de futuros adultos: atentos, críticos e responsáveis. Capazes de reconhecer suas habilidades emocionais e exercerem o direito à cidadania.

 Exposição nas redes sociais – um alerta

Um tema recorrente e atual reacende a discussão sobre a exposição de crianças e adolescentes nas mídias sociais. Na maioria das vezes, despretensiosa e inocente. Pais e/ou filhos postam sobre o dia a dia, passeios e viagens; entram em trends (dancinhas para se divertirem). Esses vídeos e imagens são entregues, pelos algoritmos das plataformas, indiscriminadamente, e podem ser deturpados por quem consome.

A Inteligência Artificial colabora com essa nova realidade. A partir dela, geram-se conteúdos impróprios através da distorção de imagens reais. O que se torna atraente para quem só tem um objetivo: monetização e lucro, alimentando uma rede de crimes contra crianças e adolescentes.

 A importância da mediação familiar

É importante promover o diálogo e reflexão com as crianças e adolescentes sobre os riscos e benefícios do uso das telas. Esse comportamento previne riscos, estimula o autoconhecimento e fortalece as relações.

O uso responsável de telas vai muito além do mero limite de tempo: extrapola na preocupação em direcionar escolhas através de um “menu digital” atento na classificação indicativa de cada aplicativo e plataforma; amplia-se para o conhecimento sobre as camadas de segurança na internet, que são educação, diálogo aberto, supervisão parental e a utilização de ferramentas adequadas (filtros parentais e dos próprios serviços e apps que restringem os conteúdos contraindicados para a faixa etária).

Reflexão

É urgente que monitoremos os usos dos dispositivos móveis e que verifiquemos com frequência o uso de todas as plataformas consumidas por nossas crianças e adolescentes. Como proteção e não punição. O estabelecimento de regras claras, limites e conversas sistemáticas são ações que garantirão o direito a uma navegação segura no ambiente digital saudável. Fiquemos atentos com quem e onde estão sendo compartilhados vídeos e imagens pessoais. E se essa exposição exagerada se faz, de fato, necessária.

Eles merecem todo esse cuidado.

Relatora:
Betina Lahterman
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dicas fundamentais para uma boa noite de sono https://spsp.org.br/dicas-fundamentais-para-uma-boa-noite-de-sono/ Fri, 14 Mar 2025 15:05:52 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50554 Dia 14 de março é o Dia Mundial do Sono, fase em que passamos 1/3 da vida de adultos e metade da vida quando crianças. Assim como alimentação saudável e prática]]>

Dia 14 de março é o Dia Mundial do Sono, fase em que passamos 1/3 da vida de adultos e metade da vida quando crianças.

Assim como alimentação saudável e prática de atividades físicas, o sono é um dos pilares de uma vida saudável e já deve ser praticado desde a infância.

Independentemente da idade, algumas dicas são fundamentais para uma boa noite de sono:

– o sono deve acontecer em ambiente escuro e silencioso. Sonecas não precisam ser feitas em escuridão total. Fechar a janela sem fechar o blackout já é suficiente;

– ruído branco só ajuda em caso de ruído externo e não deve ser mais alto que o tique-taque de um relógio;

– os horários de dormir e acordar devem ser mantidos constantes, tanto nos dias de semana quanto nos finais de semana, mesmo que a noite tenha sido “ruim”;

– exposição à luz solar pela manhã e redução da exposição às luzes artificiais (incluindo telas) ao menos 1 hora antes de dormir. Sempre obedecendo o tempo recomendado de acordo com a idade;

– não usar medicações para dormir sem recomendação médica.

Para as crianças menores de 1 ano, é importante pensarmos na segurança. Muitos passos podem prevenir a morte dos bebês durante o sono, cuidados que se iniciam com o pré-natal adequado e seguem com o local do sono:

– o lugar mais seguro para o bebê dormir é o berço. Berços em bom estado de conservação podem ser reaproveitados, mas os colchões devem ser novos, com densidade 18 ou superior;

– o berço deve ficar no quarto dos pais pelo menos até o bebê completar 6 meses. Em outras situações, como bebês prematuros, com algum problema de saúde, com vacinas atrasadas ou que não passaram pela estação da bronquiolite, devem ficar no quarto dos pais até os 12 meses ou até a situação se resolver;

– colocar o bebê para dormir sempre de barriga para cima. Mesmo que ele seja prematuro ou tenha refluxo gastroesofágico. Essa medida é a mais eficaz na prevenção de morte súbita, sendo responsável pela redução de cerca de 70% dos casos. Quando o bebê aprende a rolar, significa que seu sistema respiratório já está um pouco mais maduro. Continuamos a colocá-los de barriga para cima, mas se eles virarem durante o sono, não precisamos desvirar;

– a única coisa fofa que pode ter no berço é o bebê: protetores de berço, travesseiros, ninhos, naninhas, bichinhos de pelúcia e qualquer outro objeto fofo são contraindicados, pelo risco de o bebê se asfixiar. Para aquecimento nos dias frios, preferir camadas de roupas ou sacos de dormir (que deixem cabeça e braços livres) a lençóis ou cobertas soltas.

Para os escolares e adolescentes, vale ainda lembrar que:

– cafeína pode atrapalhar o sono. O ideal é, para quem já pode consumir, não tomar ao menos três horas antes de dormir. Lembrando que a cafeína é encontrada não só no café, mas também em refrigerantes, energéticos e muitos chás;

– cigarros eletrônicos, além de outros males à saúde, atrapalham o sono, por conterem nicotina;

– celulares, tablets, computadores e televisores fora do quarto contribuem para um sono melhor.

O exemplo dos pais para os filhos nesse tema é fundamental.

Em caso de dúvidas, converse com seu pediatra. E bons sonhos!

 

Relatora:

Cristiane Fumo dos Santos
Presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Efeitos na saúde das crianças causados pela poluição https://spsp.org.br/efeitos-na-saude-das-criancas-causados-pela-poluicao/ Wed, 21 Aug 2024 13:18:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47647 De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas]]>

De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos, cerca de 1,7 milhões de crianças, são causadas pela poluição ambiental, que inclui a poluição do ar em ambientes fechados e ao ar livre, o fumo passivo, a água contaminada, a falta de saneamento e a higiene inadequada. Crianças são particularmente vulneráveis à poluição atmosférica, desde o útero até à idade adulta, sofrem mais significativamente o impacto da poluição, em comparação com os adultos. Há razões fisiológicas para isso:

  • As crianças ingerem mais água e alimentos e respiram maior quantidade de ar por unidade de peso corporal que um adulto. Isto pode permitir que agentes químicos presentes na água, como metais (chumbo) ou compostos orgânicos lipossolúveis absorvidos pela mãe e veiculados ligados à gordura no leite materno, sejam detectados em fluidos biológicos do lactente amamentado ao seio; pode, ainda, expor mais a criança a poluentes presentes no ar do ambiente doméstico e do ambiente externo.
  • Características próprias do desenvolvimento dos lactentes, que respiram mais próximo do solo (engatinham, ficam mais sentados, baixa estatura), aumentando o risco de exposição a material particulado e alguns gases (como monóxido de carbono e radônio) que se acumulam nesta zona ambiental.
  • As crianças tendem a levar a mão à boca com mais facilidade, por isso podem contaminar-se mais por essa via.
  • A via aérea infantil tem menor calibre e maior resposta irritativa, o que faz com que a obstrução e a inflamação sejam mais relevantes quando em contato com a poluição. Esse detalhe explica a elevada incidência de casos de asma, no mundo todo, em crianças.
  • Convém salientar a importância da qualidade do ar intradomiciliar que pode ser afetado por fumaça de cigarro, lareiras, fogões a lenha, fogões a gás mal instalados, poeira doméstica, além dos poluentes externos que invadem esse espaço. Têm importância, também, compostos voláteis oriundos de várias fontes (tintas, colas, perfumes, propelentes de sprays e produtos de limpeza). Cronicamente, essa exposição repercute em menor crescimento pulmonar com comprometimento de sua função e aumento da suscetibilidade a doenças.
  • A umidade no ambiente domiciliar facilita a proliferação de fungo, ácaros e bactérias. Colchões, tapetes, móveis costumam ser os principais reservatórios desses agentes.
  • O tabagismo passivo é responsável por muitos problemas causados à criança. As crianças cujas mães são fumantes têm cerca de 70% mais problemas respiratórios e maior número de hospitalizações ao longo do primeiro ano de vida. O tabagismo intraútero aumenta a mortalidade infantil em até 80%. A fumaça liberada pelos cigarros, charutos ou cachimbos é composta por mais de 3800 substâncias diferentes e os níveis de matéria particulada chegam a ser 3 vezes maiores em casas com tabagistas.

Em adultos, podem afetar a função pulmonar, desencadear asma, provocar exacerbações da DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves, como o infarto do miocárdio e acidentes vasculares encefálicos e o desenvolvimento de doença coronariana, além de câncer de pulmão.

Nós podemos fazer uma grande diferença para ajudar o meio ambiente. Seguem dez escolhas simples para um planeta mais saudável:

  • Reduza o que joga fora, reutilize e recicle;
  • Faça trabalho voluntário;
  • Eduque-se e ensine os outros da importância e o valor dos nossos recursos naturais;
  • Economize água;
  • Faça escolhas sustentáveis;
  • Compre com sabedoria – menos plástico e use sacolas reutilizáveis;
  • Use lâmpadas de longa duração e desligue a luz quando sair da sala;
  • Plante uma árvore;
  • Não envie produtos químicos para os cursos de água, escolha produtos químicos não tóxicos;
  • Ande mais de bicicleta e de transporte público, dirija menos.

As políticas de qualidade do ar devem proteger a saúde das crianças e adolescentes, tendo explicitamente em conta as diferenças na sua biologia e vias de exposição.

Crianças e adolescentes não podem proteger-se da poluição atmosférica, nem votar ou influenciar políticas relevantes; só os adultos podem e devem fazer isso por eles, e é urgente.

Precisamos responder com esforços concentrados e nos unir por meio de ações coletivas e coordenadas.

Saiba mais:

  1. OMS: 99% da população mundial respira ar “tóxico”. 4 de março de 2024. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828507
  2. World Health Organization. Children’s environmental health. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/children-environmental-health#tab=tab_
  3. No Brasil, doenças associadas à poluição do ar matam cerca de 465 crianças menores de cinco anos por dia. 08/07/2024. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/no-brasil-doencas-associadas-a-poluicao-do-ar-matam-cerca-de-465-criancas-menores-de-cinco-anos-por-dia/
  4. Como as mudanças climáticas impactam a nossa saúde. Disponível em: https://doareassets.s3.sa-east-1.amazonaws.com/Como+as+mudan%C3%A7as+clim%C3%A1ticas+impactam+a+nossa+sa%C3%BAde.pdf
  5. Air pollution and children’s health. Disponível em: https://www.eea.europa.eu/publications/air-pollution-and-childrens-health
  6.  Ten simple choices for a healthier planet. https://oceanservice.noaa.gov/ocean/earthday.html

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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