Estresse infantil – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 22 Nov 2018 17:30:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Estresse infantil – SPSP https://spsp.org.br 32 32 O estresse do excesso de atividades na criança https://spsp.org.br/o-estresse-do-excesso-de-atividades-na-crianca/ Thu, 22 Nov 2018 17:30:28 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2370 O estresse é uma resposta fisiológica a uma situação adversa. Quando produzido, desencadeia mudanças químicas em nosso corpo que afetam os sistemas imunológico, endócrino e neurológico. Todos nós passamos por momentos de estresse durante a vida. Porém, atualmente, estamos submetendo muito precocemente nossas crianças a uma vida agitada, com uma agenda repleta de atividades extracurriculares, como aulas de idiomas, balé, futebol. Nossas crianças estão sem tempo para se divertir, brincar e descansar. Podemos também acrescentar o uso do tablet para assistir desenhos. Essa busca pela performance pode desencadear o estresse tóxico, que ocorre quando há uma estimulação constante do sistema de respostas ao estresse trazendo prejuízos futuros para essas crianças. Além dessa carga excessiva de atividades, outros fatores como o bullying, discussões tanto na escola como na família, a morte de um ente querido ou a separação dos pais, por exemplo, podem desencadear esse quadro. O Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, cita três tipos diferentes de estresse: positivo, tolerável e tóxico, dependendo da intensidade, da frequência e da duração do efeito que essa reação tem sobre o corpo. No positivo, há pouca elevação dos hormônios e se manifesta por pouco tempo. O tolerável é caracterizado pela reação temporária e que pode ser contornado quando a criança recebe ajuda. Já o estresse tóxico é o mais perigoso, porque tem efeito prolongado no organismo, associado à falta de suporte à criança. A vivência de experiências adversas, sem a presença de uma rede de apoio e proteção, é uma importante fonte de estresse tóxico que tem efeitos muitas vezes irreversíveis. O cérebro é particularmente sensível ao estresse tóxico nos períodos em que há maiores transformações, sobretudo na gestação e durante os primeiros anos de vida. A depressão durante a gravidez leva à produção de grande quantidade de hormônios de estresse, que afeta negativamente o feto, aumentando o risco de parto prematuro, baixo peso de nascimento e alterações do desenvolvimento e do comportamento da criança. Ainda que o maior prejuízo das experiências adversas ocorra na primeira infância (dos 0 aos 6 anos), é também nesse período em que há maior possibilidade de intervenções, mudando o curso para um desenvolvimento saudável. Para a criança, a existência de uma relação afetuosa e responsiva nos primeiros anos de vida com seus pais/cuidadores pode ser um importante fator de proteção. A qualidade das primeiras relações familiares contribui para o desenvolvimento de uma série de competências na infância e na vida adulta, proporciona a autoestima, o autocontrole, a manutenção de relações afetuosas estáveis e prazerosas e até o gosto por aprender. ___ Relatora: Dra. Lygia Mendes dos Santos Border Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SPSP Publicado em 22/11/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O estresse é uma resposta fisiológica a uma situação adversa. Quando produzido, desencadeia mudanças químicas em nosso corpo que afetam os sistemas imunológico, endócrino e neurológico. Todos nós passamos por momentos de estresse durante a vida.

Porém, atualmente, estamos submetendo muito precocemente nossas crianças a uma vida agitada, com uma agenda repleta de atividades extracurriculares, como aulas de idiomas, balé, futebol. Nossas crianças estão sem tempo para se divertir, brincar e descansar. Podemos também acrescentar o uso do tablet para assistir desenhos. Essa busca pela performance pode desencadear o estresse tóxico, que ocorre quando há uma estimulação constante do sistema de respostas ao estresse trazendo prejuízos futuros para essas crianças.

Além dessa carga excessiva de atividades, outros fatores como o bullying, discussões tanto na escola como na família, a morte de um ente querido ou a separação dos pais, por exemplo, podem desencadear esse quadro.

O Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, cita três tipos diferentes de estresse: positivo, tolerável e tóxico, dependendo da intensidade, da frequência e da duração do efeito que essa reação tem sobre o corpo. No positivo, há pouca elevação dos hormônios e se manifesta por pouco tempo. O tolerável é caracterizado pela reação temporária e que pode ser contornado quando a criança recebe ajuda. Já o estresse tóxico é o mais perigoso, porque tem efeito prolongado no organismo, associado à falta de suporte à criança.

AdinaVoicu | Pixabay

A vivência de experiências adversas, sem a presença de uma rede de apoio e proteção, é uma importante fonte de estresse tóxico que tem efeitos muitas vezes irreversíveis. O cérebro é particularmente sensível ao estresse tóxico nos períodos em que há maiores transformações, sobretudo na gestação e durante os primeiros anos de vida. A depressão durante a gravidez leva à produção de grande quantidade de hormônios de estresse, que afeta negativamente o feto, aumentando o risco de parto prematuro, baixo peso de nascimento e alterações do desenvolvimento e do comportamento da criança.

Ainda que o maior prejuízo das experiências adversas ocorra na primeira infância (dos 0 aos 6 anos), é também nesse período em que há maior possibilidade de intervenções, mudando o curso para um desenvolvimento saudável. Para a criança, a existência de uma relação afetuosa e responsiva nos primeiros anos de vida com seus pais/cuidadores pode ser um importante fator de proteção. A qualidade das primeiras relações familiares contribui para o desenvolvimento de uma série de competências na infância e na vida adulta, proporciona a autoestima, o autocontrole, a manutenção de relações afetuosas estáveis e prazerosas e até o gosto por aprender.

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Relatora:
Dra. Lygia Mendes dos Santos Border
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SPSP

Publicado em 22/11/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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