Escolar – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 07 Jul 2026 18:14:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Escolar – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Enxergar bem é fundamental para crescer, aprender e descobrir o mundo https://spsp.org.br/enxergar-bem-e-fundamental-para-crescer-aprender-e-descobrir-o-mundo/ Fri, 10 Jul 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=57771 Você já parou para pensar em quantas descobertas uma criança faz todos os dias através dos olhos? Desde o início da vida, é observando os pais, brincando, lendo, desenhando e explorando o ambiente ao seu redor que a criança aprende e se desenvolve. Por isso, no Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, vale lembrar que cuidar da visão é cuidar da saúde, do aprendizado e da qualidade de vida. A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Grande parte das informações que as crianças recebem sobre o mundo chega por meio dos olhos. Quando existe algum problema visual não identificado, podem surgir dificuldades que afetam o desempenho escolar, a participação em atividades esportivas, a socialização e até a autoestima. E existe um detalhe que muitos pais desconhecem: a criança nem sempre percebe que está enxergando mal. Como ela nunca enxergou de outra forma, costuma acreditar que aquilo que vê é normal. Por isso, alguns problemas visuais podem passar despercebidos durante muito tempo. Alguns sinais merecem atenção, como aproximar-se muito dos livros e telas, apertar os olhos para enxergar, queixar-se de dores de cabeça frequentes, apresentar dificuldade escolar ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem atenção visual. Entre os problemas mais comuns na infância estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, que geralmente podem ser corrigidos com o uso de óculos. Também merecem atenção condições como o estrabismo, quando os olhos não estão alinhados, e a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma das principais causas de redução visual evitável na infância. Além dessas alterações mais frequentes, existem doenças oculares mais raras, mas que exigem diagnóstico precoce, como catarata congênita, glaucoma congênito e algumas doenças da retina. Nesses casos, identificar o problema nos primeiros meses ou anos de vida pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento visual da criança. Outro desafio crescente é o aumento da miopia entre crianças e adolescentes. Especialistas do mundo todo observam um crescimento expressivo do número de jovens míopes nas últimas décadas. Entre os fatores associados estão o aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das atividades ao ar livre. A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a proteger a saúde visual: •Incentivar brincadeiras e atividades ao ar livre, se possível, diariamente; •Fazer pausas regulares durante o uso de celulares, tablets e computadores; •Manter uma distância adequada das telas e dos materiais de leitura; •Observar sinais que possam indicar dificuldade para enxergar;  •Realizar consultas oftalmológicas periódicas. Também é importante lembrar que os cuidados com os olhos começam logo após o nascimento. A avaliação oftalmológica infantil permite identificar precocemente alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, aumentando as chances de tratamento e preservação da visão. A infância passa rápido. Cada fase traz novas descobertas, aprendizados e experiências. Garantir que uma criança enxergue bem é oferecer a ela melhores oportunidades para aprender, brincar, desenvolver sua autonomia e alcançar todo o seu potencial. Neste Dia Mundial da Saúde Ocular, o convite é simples: reserve um momento para olhar com atenção para a saúde visual dos seus filhos. Muitas vezes, uma consulta de rotina pode fazer uma grande diferença no presente e no futuro de uma criança. Relator:Marcelo Alexandre A. CavalcantePresidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP]]>

Você já parou para pensar em quantas descobertas uma criança faz todos os dias através dos olhos?

Desde o início da vida, é observando os pais, brincando, lendo, desenhando e explorando o ambiente ao seu redor que a criança aprende e se desenvolve. Por isso, no Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado em 10 de julho, vale lembrar que cuidar da visão é cuidar da saúde, do aprendizado e da qualidade de vida.

A visão desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Grande parte das informações que as crianças recebem sobre o mundo chega por meio dos olhos. Quando existe algum problema visual não identificado, podem surgir dificuldades que afetam o desempenho escolar, a participação em atividades esportivas, a socialização e até a autoestima.

E existe um detalhe que muitos pais desconhecem: a criança nem sempre percebe que está enxergando mal. Como ela nunca enxergou de outra forma, costuma acreditar que aquilo que vê é normal. Por isso, alguns problemas visuais podem passar despercebidos durante muito tempo.

Alguns sinais merecem atenção, como aproximar-se muito dos livros e telas, apertar os olhos para enxergar, queixar-se de dores de cabeça frequentes, apresentar dificuldade escolar ou demonstrar desinteresse por atividades que exigem atenção visual.

Entre os problemas mais comuns na infância estão a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, que geralmente podem ser corrigidos com o uso de óculos. Também merecem atenção condições como o estrabismo, quando os olhos não estão alinhados, e a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma das principais causas de redução visual evitável na infância.

Além dessas alterações mais frequentes, existem doenças oculares mais raras, mas que exigem diagnóstico precoce, como catarata congênita, glaucoma congênito e algumas doenças da retina. Nesses casos, identificar o problema nos primeiros meses ou anos de vida pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento visual da criança.

Outro desafio crescente é o aumento da miopia entre crianças e adolescentes. Especialistas do mundo todo observam um crescimento expressivo do número de jovens míopes nas últimas décadas. Entre os fatores associados estão o aumento do tempo em frente às telas e a diminuição das atividades ao ar livre.

A boa notícia é que algumas atitudes simples ajudam a proteger a saúde visual:

•Incentivar brincadeiras e atividades ao ar livre, se possível, diariamente;

•Fazer pausas regulares durante o uso de celulares, tablets e computadores;

•Manter uma distância adequada das telas e dos materiais de leitura;

•Observar sinais que possam indicar dificuldade para enxergar;

 •Realizar consultas oftalmológicas periódicas.

Também é importante lembrar que os cuidados com os olhos começam logo após o nascimento. A avaliação oftalmológica infantil permite identificar precocemente alterações que muitas vezes não apresentam sintomas evidentes, aumentando as chances de tratamento e preservação da visão.

A infância passa rápido. Cada fase traz novas descobertas, aprendizados e experiências. Garantir que uma criança enxergue bem é oferecer a ela melhores oportunidades para aprender, brincar, desenvolver sua autonomia e alcançar todo o seu potencial.

Neste Dia Mundial da Saúde Ocular, o convite é simples: reserve um momento para olhar com atenção para a saúde visual dos seus filhos. Muitas vezes, uma consulta de rotina pode fazer uma grande diferença no presente e no futuro de uma criança.

Relator:
Marcelo Alexandre A. Cavalcante
Presidente do Departamento Científico de Oftalmologia da SPSP

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Educação Infantil e sua importância https://spsp.org.br/educacao-infantil-e-sua-importancia/ Mon, 26 Aug 2024 14:15:27 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=47734 Educação Infantil é o termo usado em nosso tempo para a educação formal realizada antes do período escolar clássico, que começava aos 7 anos, no primeiro ano do ensino fundamental. No Brasil, a educação infantil]]>

            Educação Infantil é o termo usado em nosso tempo para a educação formal realizada antes do período escolar clássico, que começava aos 7 anos, no primeiro ano do ensino fundamental.

            No Brasil, a educação infantil iniciou com as chamadas pré-escolas. Depois foram acrescentadas várias etapas, chamadas de jardim da infância, maternal e berçário. A partir da inserção das mulheres no mercado de trabalho, de modo mais frequente a partir das décadas de 70 e 80 do século passado, houve uma necessidade social nova, de encontrar locais onde as crianças pudessem ser cuidadas.

            A preocupação inicial era mais focada no cuidado alimentar e de higiene. Com o passar do tempo e o desenvolvimento de diversos estudos científicos, especialmente em pré-escolas e jardins da infância, começa-se a olhar para esta época com “outro olhar”.

        A educação infantil deve ser sempre intencional em seu processo educacional, com metas adequadas e suporte pedagógico, apresentação lúdica, que incentive as interações sociais e o desenvolvimento das habilidades motoras, sensórias e cognitivas das crianças. Deve ser inclusiva, democrática, com a construção sendo feita por toda a comunidade escolar. Deve ainda ter um olhar pautado nas necessidades reais das crianças e de suas famílias.

            Portanto, a educação infantil não é feita de depósitos onde crianças são alimentadas e cuidadas, mas sim uma verdadeira extensão do mundo, com estimulação para o desenvolvimento global da criança.

 Infelizmente, há um enorme déficit de vagas em nosso país, além da ausência de uma política pública de valorização dos profissionais e de capacitação pedagógica.

         Por estas razões, faz-se necessário que pediatras e equipe de saúde, professores e equipes escolares, pais e comunidade se aproximem, mantenham um canal de discussão aberto para temas relevantes e busquem soluções para problemas que possam impedir que se atinja o melhor potencial pedagógico das crianças.

 

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Não precisamos voltar ao tempo das cavernas! https://spsp.org.br/nao-precisamos-voltar-ao-tempo-das-cavernas/ Wed, 29 May 2024 14:19:34 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=46281 Este texto me inspirou pela leitura de um livro, cujo título é provocador: A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças.* Desenvolvido por Michel Desmurget]]>

Este texto me inspirou pela leitura de um livro, cujo título é provocador: A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças.*

Desenvolvido por Michel Desmurget, neurocientista francês, suas opiniões estão embasadas em centenas de publicações científicas, repletas de dados estatísticos e meta-análises. Trabalho de fôlego. Suas teses contrariam muitos interesses e despertam um coro inflamado das vozes dos que discordam.

Sublinho dois pontos importantes nesse livro:

  1. Quanto mais aumenta o tempo de uso das telas (isso inclui tipicamente a televisão, os videogames, os telefones celulares, o tablet e o computador), mais as notas escolares caem!

Escreve o autor: “em seu conjunto, a literatura científica demonstra de forma límpida e convergente que o tempo passado diante de telas domésticas afeta negativamente o bom desempenho escolar. Independentemente de gênero, idade, classe de origem e/ou protocolos de análises, a duração do consumo é associada de forma desfavorável à performance estudantil. Dito de outro modo, quanto mais tempo as crianças, adolescentes e estudantes passam com seus brinquedos digitais, mais as notas despencam. (…) De fato, os resultados mostram com extrema clareza que o enquadramento estrito de utilizações digitais recreativas, em prol de práticas extraescolares consideradas positivas (deveres de casa, leitura, música, atividades físicas, etc.,) é uma característica distintiva quase unânime das famílias cujos filhos apresentam um elevado grau de performance escolar”.

Você pode aquilatar a importância do tempo gasto diante das telas visualizando a tabela abaixo, que analisa o tempo médio de exposição às telas por dia:

 

Idade Tempo médio por dia Total em
1 ano
Equivalência
< 2
anos
50 minutos, ou 8% do tempo de vigília; ou 15% do tempo livre da criança > 600
horas
Tempo aproximado de 1 ano letivo em escola infantil na Califórnia
2-8
anos
2h45 >>1.000
horas
Aproximadamente equivalente ao tempo de 6-7 anos letivos completos; ou, 460 dias de vida desperta (1 ano e 3 meses); Ou, tempo de estudo necessário para se tornar um hábil violinista
9-12
anos
4h45 >1.700
horas
Tempo aproximado de 2 anos letivos, ou 1 ano de trabalho de um assalariado em tempo integral
13-18 anos 7h22
45% do tempo normal de vigília, ou 30% do dia
2.680 horas
(112 dias)
3 anos letivos

 

  1. Esse mesmo “ladrão de tempo” – as telas, além de afetar o rendimento escolar, pode provocar: transtornos no sono, aumentar o sedentarismo, expor a criança e o adolescente a conteúdos “perigosos” (sexo, violência, tabagismo, álcool, etc.), afetar a memória, a cognição e o controle emocional.

Aldous Huxley previra, há mais de 80 anos: “a ditadura perfeita,(…) uma prisão sem muros da qual os prisioneiros não sonhariam escapar; um sistema de escravidão em que, graças ao consumo e ao entretenimento, os escravos amariam a própria servidão”.

 

O smartphone, dentre as telas, é uma daquelas prisões sem muros, talvez a mais “eficiente”.

O autor Michel Desmurget, fazendo um comentário ácido sobre o tema, diz: “Essa plataforma de distração em massa concentra a integralidade (ou quase) das funções digitais recreativas. Ela permite acessar todos os tipos de conteúdos audiovisuais, jogar videogames, surfar na Internet, trocar fotos, imagens e mensagens, conectar-se às redes sociais, etc.; e permite tudo isso sem a menor restrição de tempo ou lugar. O smartphone nos segue o tempo todo, sem fraquejar nem nos dar trégua. Quanto mais os aplicativos se tornam “inteligentes”, mais eles substituem nossa reflexão e mais nos ajudam a nos tornar idiotas. Eles já escolhem nossos restaurantes, selecionam as informações que nos são acessíveis, separam as publicidades que nos são enviadas, determinam os trajetos que devemos seguir, propõem respostas automáticas a algumas de nossas interrogações verbais às mensagens que nos são enviadas, “domesticam” nossos filhos desde o maternal, etc. Com um pouco mais de empenho, eles acabarão pensando no nosso lugar.”

As estatísticas servem para perceber tendências, avaliar riscos. Ajudam a fazer escolhas, a traçar caminhos. Elas não determinam, em nível do indivíduo, absolutamente nada. Por isso, para cada afirmação feita, você pode encontrar exemplos que são contrários; isso não invalida a preocupação com os dados obtidos, nem afirma que os resultados apontados não sejam significantes. Toda regra tem exceção. A exceção confirma a regra. Devemos interpretar as afirmações do livro citado, seguindo esse caminho.

Em resumo, o livro recomenda, para as famílias, regras básicas e desafiadoras que vão na “contramão do sistema”. Orientações referendadas, também, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com discretas variações quanto ao tempo restritivo de exposição às telas por faixas etárias.

A SBP publicou em 2016 e atualizou em 2020 o Manual de Orientação “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”, organizado pelo Departamento Científico de Adolescência. O mesmo recomenda que se deve:

  • Evitar a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente;
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre dois e cinco anos;
  • Limitar o tempo de telas ao máximo de uma ou duas horas por dia, sempre com supervisão para crianças com idades entre seis e 10 anos;
  • Limitar o tempo de telas e jogos de videogames a duas ou três horas por dia, sempre com supervisão; nunca “virar a noite” jogando, para adolescentes com idades entre 11 e 18 anos;
  • Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar uma a duas horas antes de dormir;
  • Oferecer como alternativas: atividades esportivas, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza, sempre com supervisão responsável;
  • Criar regras saudáveis para o uso de equipamentos e aplicativos digitais, além das regras de segurança, senhas e filtros apropriados para toda a família, incluindo momentos de desconexão e mais convivência familiar;
  • Encontros com desconhecidos on-line ou off-line devem ser evitados; saber com quem e onde seu filho está, e o que está jogando ou sobre conteúdos de risco transmitidos (mensagens, vídeos ou webcam), é responsabilidade legal dos pais/cuidadores;
  • Conteúdos ou vídeos com teor de violência, abusos, exploração sexual, nudez, pornografia ou produções inadequadas e danosas ao desenvolvimento cerebral e mental de crianças e adolescentes, postados por cyber criminosos devem ser denunciados e retirados pelas empresas de entretenimento ou publicidade responsáveis.

 

NÃO PRECISAMOS VOLTAR AO TEMPO DAS CAVERNAS!

 PRECISAMOS, APENAS, USAR DE MANEIRA INTELIGENTE AS EXTRAORDINÁRIAS FERRAMENTAS DIGITAIS DISPONÍVEIS HOJE.

 

Saiba mais:

* A Fábrica de Cretinos Digitais: os perigos das telas para nossas crianças. Michel Desmurget. São Paulo: Vestígio, 2023.

** Manual de Orientação – Departamento de Adolescência. Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital. nº 1, Outubro de 2016. Disponível em:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2016/11/19166d-MOrient-Saude-Crian-e-Adolesc.pdf

Manual de Orientação. Grupo de Trabalho Saúde na Era Digital (2019-2021). #MENOS TELAS #MAIS SAÚDE. Dezembro de 2019. Disponível em:

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/_22246c-ManOrient_-__MenosTelas__MaisSaude.pdf

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Por que falar de bullying? https://spsp.org.br/por-que-falar-de-bullying/ Fri, 20 Oct 2023 18:17:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40290 Chegamos a mais um Dia Mundial de Combate ao Bullying, instituído em 20 de outubro. E por que precisamos de um dia para isto? Por que falar de bullying? Isso não existe desde sempre? Bullying é]]>

Chegamos a mais um Dia Mundial de Combate ao Bullying, instituído em 20 de outubro. E por que precisamos de um dia para isto? Por que falar de bullying? Isso não existe desde sempre?

Bullying é a situação em que uma pessoa promove o abuso de outra através da desigualdade de forças, de papéis, em que o agressor usa força física, ou constrangimento, para receber favores da vítima. Este tipo de situação é bastante frequente no âmbito escolar e não é novidade para ninguém. O bullying existe há muito tempo.

Nas últimas décadas, o assunto tem ganho mais atenção, por estar cada vez mais presente nas escolas e ruas, além de ter ganho uma nova proporção com o “extravasamento” do bullying pelas redes sociais, o chamado cyberbullying.

Esta nova vertente traz um agravamento das consequências para o agredido, pois este fica exposto não apenas nas situações internas da escola, como pode ser vítima de agressão por pessoas desconhecidas.

Traumas psicológicos, baixa autoestima, dificuldade de reconhecimento de sua própria identidade acabam afetando as vítimas, podendo contribuir para situações como autoagressão, depressão e tentativas de suicídio.

Devemos lembrar que o agressor também costuma ser vítima de violência, às vezes em casa ou em outros locais. Por isso é preciso atenção tanto ao agressor quanto à vítima.

A triste realidade é que muitos pais estão fora de casa, trabalhando e acabam desconectados com o que está acontecendo com seus filhos. Os pais precisam participar da vida escolar de seus filhos e frequentar as escolas. As equipes escolares devem estar atentas a sinais de violência e de desigualdade. Propor atividades em grupos, exaltando a importância do companheirismo e da participação pode ajudar a atenuar o problema. Ter canais abertos para denúncias e acolhimento de quem vivencia situações de bullying é essencial para minimizar a questão.

 

Relator:
Fausto Flor Carvalho
Presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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4 de junho: Dia Internacional das Crianças Vítimas de Agressões https://spsp.org.br/4-de-junho-dia-internacional-das-criancas-vitimas-de-agressoes/ Fri, 02 Jun 2023 19:47:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37700 A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 4 de junho como o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressões, desde 1982, para]]>

A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 4 de junho como o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressões, desde 1982, para lembrar que milhões de crianças e adolescentes continuam sofrendo violência física, mental ou emocional. Serve também de incentivo para renovar o compromisso da comunidade internacional de acabar com todas as formas de violência contra eles.

Milhões de crianças ainda são vítimas de violência sexual, física, negligência, psicológica em casa e na escola. Além disso, em muitas partes do mundo, são vítimas de outros tipos de abuso: casamento infantil, trabalho infantil, mutilação genital feminina, tráfico, sequestros, assassinatos ou são usadas como crianças-soldados.

De acordo com a ONU, são 5 os fatos principais sobre crianças vítimas de agressões:

– 50% das crianças no mundo sofrem violência todos os anos;

– A cada sete minutos, em algum lugar do mundo, uma criança é morta por um ato de violência;

– A violência contra crianças afeta mais de um bilhão em todo o mundo e custa aos países US$ 7 trilhões por ano;

– 246 Milhões de crianças em todo o mundo são afetadas pela violência escolar a cada ano;

– Aproximadamente 28,5 Milhões de crianças em idade escolar estão fora da escola e vivem em regiões afetadas por conflitos.

A violência doméstica deve ser considerada como a fonte de todas as formas de violência, pois tem o poder de transformar os agredidos em agressores, atingindo seus pares, seus futuros filhos, idosos, amigos, desconhecidos, pequenos grupos ou grandes populações. A violência doméstica pode favorecer, também, o comportamento delinquente. Além dos efeitos imediatos, os danos físicos e emocionais podem se estender por toda a vida adulta e prejudicar o desenvolvimento da criança.

Este é um mal que devemos reconhecer e enfrentar, se quisermos fazer alguma coisa sobre o ciclo descontrolado de violência em nossas sociedades.

E o que se pode fazer?

– A ONU, por meio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (U.N.O.D.C.), estabelecido em 1997, tem diversas iniciativas como o Programa Global para Acabar com a Violência Contra Crianças, que apoia e auxilia seus estados membros. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável nos fornece o plano diretor universal para garantir um futuro melhor para as crianças e incluiu, pela primeira vez, uma meta específica -16.2- para acabar com todas as formas de abuso, negligência e exploração de crianças.

– Deve-se criar espaços seguros para as crianças Como a violência contra crianças pode acontecer de várias formas, prestar atenção especial e ouvir ativamente a conversa de uma criança sem minimizar suas emoções pode ajudar a descobrir o abuso.

– Divulgar este dia nas redes sociais. Outra forma é divulgar online. Ajudar as pessoas a perceber a importância deste assunto. Usar a hashtag: #InternationalDayofInnocentChildrenVictimsofAggression.

O exemplo do Canadá, que tornou a segurança de crianças e jovens parte fundamental de seus esforços em todo o mundo merece ser seguido:

– Fortaleceram e implementaram estruturas nacionais para melhor proteger os direitos humanos de crianças e jovens, especialmente os mais vulneráveis, que estão em risco de violência, exploração, abuso e tráfico humano.

– Asseguraram que as escolas estivessem livres de violência e abuso, tornando-se ambientes de aprendizagem amigos da criança.

– Ofereceram oportunidades para engajar jovens em situação de risco como membros produtivos de suas sociedades, para que tenham alternativas à violência e ao crime.

Segundo o U.N.O.D.C, o número de violações das convenções sobre os direitos da criança aumentou em muitas regiões do mundo, tornando o propósito e a observância deste dia ainda mais importante, para incentivar governos, organizações da sociedade civil e instituições educacionais a estabelecer programas destinados a informar as pessoas sobre seus direitos.

Esses números não podem mais ser tolerados! Devemos nos mobilizar para passar definitivamente da convenção à ação e fazer valer os direitos das crianças e adolescentes no mundo.

Saiba mais:

– International Day of Innocent Children Victims of Aggression.
Disponível em: https://www.un.org/en/observances/child-victim-day

-Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão.
Disponível em: https://www.delaconventionauxactes.org/journee-internationale-des-enfants-victimes-innocentes-dagression/

– 4 de junho: dia internacional das crianças inocentes vítimas de agressões.
Disponível em: https://champagnat.org/fr/4-juin-journee-internationale-des-enfants-innocents-victimes-dagression/

– International day of innocent children victims of aggression.
Disponível em: https://www.canada.ca/en/news/archive/2013/06/international-day-innocent-children-victims-aggression.html

 

Relatora:
Renata D. Waksman
Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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