Educação sexual – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 30 Sep 2022 18:10:24 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Educação sexual – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência https://spsp.org.br/dia-mundial-da-prevencao-da-gravidez-na-adolescencia/ Tue, 27 Sep 2022 18:23:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=34638 No dia 26 de setembro, em mais de 70 países da Europa, Ásia e América Latina, celebra-se o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data tem como objetivo incentivar a reflexão]]>

No dia 26 de setembro, em mais de 70 países da Europa, Ásia e América Latina, celebra-se o Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência. A data tem como objetivo incentivar a reflexão e difundir informações sobre medidas preventivas e educativas para a redução da gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis na adolescência.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que 377.655 partos realizados no ano de 2020 foram de mães com idade entre 10 e 19 anos. Isso significa que em torno de um em cada sete bebês é filho de mães adolescentes: a cada hora nascem 43 bebês, filhos de mães adolescentes, e a cada 30 minutos, uma menina de 10 a 14 anos torna-se mãe.

Apesar da redução das taxas de gravidez na adolescência em comparação aos anos anteriores, ela segue pior do que em outros países latino-americanos, segundo os dados do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) para América Latina e Caribe. A repetição de gravidez na adolescência também é frequente e, na falta de acompanhamento pós-parto, pode ocorrer em torno de 30% no primeiro ano e até 50% no segundo ano.

A falta de informações sobre o corpo, a sexualidade e os direitos sexuais e reprodutivos, bem como a dificuldade de acesso ao sistema de saúde, incluindo os métodos contraceptivos, são os principais fatores para a ocorrência de gravidez na adolescência. Vale destacar ainda a qualidade dos programas de educação sexual nas escolas, os tabus e preconceitos sobre a sexualidade e a falta de diálogo dos jovens com seus pais, familiares, professores e educadores.

É de fundamental importância “interrogar” se diversos tipos de violência, como a sexual, possam estar envolvidos direta ou indiretamente com essas gestações, o que constitui um problema de saúde e de direitos humanos, com consequências biológicas, psicológicas e sociais significativas.

A interrupção ou o abandono escolar, o atraso ou a inserção não qualificada no mundo do trabalho, a maternidade sem o apoio emocional e financeiro do parceiro e até mesmo da família, e uma continuidade do ciclo intergeracional de pobreza e desigualdade representam as consequências sociais mais frequentes de uma gravidez não planejada na adolescência.

A educação sexual, tanto individual quanto coletiva, nas escolas, famílias, serviços de saúde e centros comunitários é um dos maiores fatores de prevenção. Educação sexual não significa ensinar crianças e adolescentes a praticarem sexo, e sim ensinar e orientar sobre métodos contraceptivos, tratar a sexualidade e a saúde reprodutiva não só sob abordagem biológica, mas também como uma relação ao convívio de respeito entre os iguais, atividade sexual com responsabilidade e respeito, proteção contra gravidez inoportuna, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e defesa contra a violência sexual.

Pais/famílias demonstrem seu amor e respeito aos seus filhos, sendo claros e sinceros. Ajudem a lidar com as mudanças que estão acontecendo na adolescência, estando abertos e conversando com seus filhos sobre os sentimentos, a autoestima, dúvidas, incluindo a sexualidade. Busquem informações ou auxílios com materiais de apoio (filmes, séries, livros, cartilhas ou outros recursos, tendo cuidado com as informações falsas, as famosas fake news!) e, se necessário, procurem uma ajuda especializada para aconselhamento e acompanhamento.

Adolescentes e jovens demonstrem seu amor e respeito aos seus pais e à sua família. Estejam abertos e conversem com eles sobre seus sentimentos, suas dúvidas, incluindo a sexualidade. Busquem informações ou auxílios com materiais de apoio (filmes, séries, livros, cartilhas ou outros recursos, tendo cuidado com as informações falsas, as famosas fake news!) e, se necessário, procurem uma ajuda especializada para aconselhamento e acompanhamento.

Façam valer os seus direitos ao respeito, à segurança, o acesso às informações, às orientações, à educação de qualidade e ao sistema de saúde, incluindo o acesso aos métodos contraceptivos.

 

Relator:
Alexandre Massashi Hirata
Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: @tirachardz / www.freepik.com

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“Fadiga do Preservativo”: a crise dos métodos contraceptivos e da proteção na adolescência https://spsp.org.br/fadiga-do-preservativo-a-crise-dos-metodos-contraceptivos-e-da-protecao-na-adolescencia/ Thu, 08 Sep 2016 13:10:19 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1361 Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez. Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém, sob a ótica emocional e cognitiva, ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas. Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção. Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”. “Talvez os adolescentes já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes relacionados à questão. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica. Além de não demonstrar medo das DSTs, Dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros de contracepção e para evitar doenças também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo, portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez e não em uma questão de direitos e decisões”, alerta. Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias – pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável. “Prevenir gravidez na adolescência é um processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio, estarão melhor capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui o hebiatra. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 08/09/2016. photo credit: Phil Date | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Stripey 3Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez.

Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém, sob a ótica emocional e cognitiva, ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas. Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção.

Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”. “Talvez os adolescentes já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes relacionados à questão. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica.

Além de não demonstrar medo das DSTs, Dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros de contracepção e para evitar doenças também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo, portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez e não em uma questão de direitos e decisões”, alerta.

Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias – pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável.

“Prevenir gravidez na adolescência é um processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio, estarão melhor capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui o hebiatra.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 08/09/2016.
photo credit: Phil Date | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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