DST – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 17 Mar 2021 20:49:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png DST – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Sífilis congênita: o problema não termina na maternidade https://spsp.org.br/sifilis-congenita-o-problema-nao-termina-na-maternidade/ Mon, 19 Oct 2020 13:13:20 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3455 Campanha Outubro Verde – combate à sífilis congênita

O problema da sífilis congênita não termina depois que o recém-nascido recebe alta da maternidade. Uma vez exposto a essa doença, tratada ou não na maternidade, o bebê precisa da avaliação pediátrica para garantir sua cura.
A sífilis é uma doença muitas vezes silenciosa, tanto para a mãe quanto para o bebê, pois eles podem já estar com a doença, mas ainda não apresentarem sinais dela. Assim, fica difícil saber, só pela clínica, se o bebê está bem e se está curado ou não. É nesse sentido que o acompanhamento com pediatra se torna tão importante, principalmente nos primeiros dois anos de vida.

privilege | depositphotos.com

A sífilis pode afetar a visão e a audição, passando por quadros leves ou até levar à cegueira e surdez. O bebê também pode ter atraso no seu desenvolvimento, como dificuldade para sentar, andar e falar. O pediatra é o profissional adequado para avaliar se o bebê tem algum desses acometimentos e se precisa de algum exame mais específico.
Se a sífilis acometeu o cérebro, mesmo ela tendo sido tratada na  maternidade e mesmo sem nenhuma alteração clínica,  um outro exame do líquido da espinha (o líquor) precisará ser coletado até o sexto mês de vida, para saber se de fato ele está curado. Nas consultas, o pediatra ainda deverá solicitar várias vezes o exame que foi feito na maternidade, o chamado VDRL, até que ele seja negativo. Somente após 2 coletas com resultados negativos na sequência podem garantir a cura da doença. Se algum desses exames estiver alterado, a criança deverá ser tratada novamente, para garantir que tenha um bom desenvolvimento.
Muitas crianças com quadro de sífilis ao nascimento não têm um acompanhamento adequado. Muitas dessas alterações aparecem apenas após o nascimento e a alta da maternidade e, sem o tratamento inicial e o seguimento, se perdem as chances de que essas crianças tenham uma vida normal e saudável.
O pai também deve ser lembrado que existe pré-natal para homens e é importante a sua participação, para realizar exames de sífilis e de outras doenças. Após o nascimento do bebê, a mãe com sífilis durante a gestação precisa continuar o  acompanhamento médico, com exames de VDRL, até receber alta por cura da doença. Assim, será possível quebrar a cadeia de transmissão da sífilis e evitar que bebês nasçam com sífilis congênita.  
Ter conhecimento que a sífilis é doença silenciosa, grave e que pode deixar sequelas por uma vida toda, que tem tratamento disponivel, mas que precisa ser vigiado e acompanhado  nos primeiros dois anos de vida, é a chave  de uma vida saudável para nossas crianças.

___
Relatores:
Dra. Carmen Silvia Bruniera Domingues
Dra. Lilian Sadeck
Dra. Maria Regina Bentlin
Departamento Científico de Neonatologia e Grupo de Trabalho da Sífilis Congênita da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
Gravidez, infecções sexualmente transmissíveis e a estratégia da abstinência sexual entre adolescentes https://spsp.org.br/gravidez-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-e-a-estrategia-da-abstinencia-sexual-entre-adolescentes/ Fri, 21 Feb 2020 18:17:00 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3032 Um cenário ainda preocupante se apresenta para os profissionais que cuidam dos adolescentes brasileiros: em 2017 houve 480.923 nascidos vivos de mães adolescentes (10 a 19 anos), que representam 16,4% de todos os nascimentos que ocorreram no território nacional. Os números reais de gravidezes são, seguramente, maiores quando se computam as que resultaram em abortamento. Segundo relatório do Banco Mundial, publicado em 2013, o Brasil encontra-se entre os “top 50” dos países com maior número de gestações entre adolescentes, com indicadores próximos ao Sudão, Azerbaijão e Burundi, uma posição, portanto, nada gloriosa ou confortável. Não menos preocupante é a situação das infecções transmitidas por via sexual (IST) entre adolescentes e jovens, que se apresentam em número crescente, inversamente às demais faixas etárias.

Embora somente a abstinência garanta a ausência de qualquer tipo de risco relacionado à atividade sexual, a orientação que apenas nela se fundamenta mostra-se falha, considerando o início precoce de muitos jovens e o contexto social pós-moderno. Isso é demonstrado por várias pesquisas científicas. Ainda assim, é papel dos profissionais que atendem adolescentes, dos educadores e dos pais, discutir com o jovem, em bases éticas e destituídas de julgamentos preconcebidos, o melhor momento para o início da atividade sexual. Para alguns adolescentes, a postergação do início da vida sexual pode ser claramente entendida e vir a constituir-se em sua opção contraceptiva, dentro da discussão sobre o exercício saudável da sexualidade. Entretanto, para aqueles que optam por iniciar a vida sexual, deve-se prover orientação preventiva pertinente, com a apresentação e a ampla oferta de métodos contraceptivos efetivos para a proteção dos adolescentes tanto contra gravidez quanto contra IST.

photographee | depositphotos.com

Falham, também, as estratégias que se fundamentam apenas na informação sobre métodos de proteção; dessa forma, possuir informações sobre a transmissão do HIV, por exemplo, por si só não é suficiente para compreender como os jovens praticam a prevenção. Como exemplo, os diferentes motivos relatados para a não utilização de preservativo ilustram como as normas de gênero e envolvimento afetivo conduzem meninas a “confiarem” nos parceiros, fixos ou eventuais, e os meninos a “confiarem” somente nas namoradas. Há muito tempo se sabe, também, que alguns dos fatores que aumentam a vulnerabilidade de adolescentes à gravidez, ISTs e AIDS incluem a pobreza e a violência, assim como a falta de habilidades para se proteger, implicadas em normas sociais, como sexismo.

A construção da cidadania é condição básica para o desenvolvimento das ações de educação sexual e preventiva. Para isso, os direitos fundamentais do adolescente definidos na legislação, em especial no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), devem ser assegurados pelas instituições públicas e pela sociedade civil. Essa opção ético-política respalda-se na evidência de como a promoção de direitos pode diminuir a vulnerabilidade ao adoecimento. Deveriam ser de amplo conhecimento os subsídios legais que estabelecem direitos, por exemplo, para adolescentes utilizarem o serviço de saúde em condições de sigilo e privacidade.

O direito de o jovem viver a sexualidade de forma consciente e consensual é pouco discutido. Os direitos só podem ser plenamente realizados na medida em que se avance no sentido das equidades de gênero, de orientação sexual, racial, étnica, de classe social e que sejam fortalecidas a autonomia e a participação de adolescentes e jovens na construção de seus projetos de vida.

O sentido e os efeitos da gravidez nas adolescentes, por exemplo, esquadrinham, muitas vezes, a relação estabelecida por elas com seu corpo e seus horizontes. Se a adolescente não encontra formas de ressignificar o sentido dado pela gravidez e seus “benefícios”, poderá ter dificuldades na prevenção.

A importância do diálogo

Certamente, uma das maiores dificuldades na educação em sexualidade reside na precária (ou ausente) comunicação entre educador e educando acerca de um assunto considerado privado e íntimo, atravessado por valores morais. Expressões dessa falta de sintonia no diálogo podem ser facilmente observadas no modo como se fala de prevenção: são raras as ações de educação em sexualidade em que há efetivamente oportunidades para adolescentes discutirem abertamente, por exemplo, dificuldades de negociação do uso de preservativo ou como o desejo e o prazer podem ser conciliados com a prática de sexo seguro.

Os serviços de saúde podem estar mais próximos aos adolescentes. Tanto pelo silêncio como pelo tratamento formal/protocolar e, evidentemente, por posturas julgadoras a respeito da sexualidade dos jovens no contexto do atendimento, são percebidos como não amigáveis. Profissionais devem ser qualificados a fim de superar a moralização da sexualidade dos jovens. Tal julgamento se daria, principalmente, em função de os profissionais manifestarem, direta ou indiretamente, posturas que sinalizam desaprovação quanto ao fato de os jovens terem vida sexual.  Enfim, nos serviços de saúde, os adolescentes não devem ser tratados como objetos de intervenção profissional, com a simples pretensão de modelagem de seu comportamento.

Dessa forma, jovens equipados com os conhecimentos, habilidades e serviços adequados poderão fazer escolhas informadas quanto a decisões, práticas ou políticas que os afetem em relação à gravidez e às IST/AIDS.

___
Relator
Dr. Benito Lourenço
Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo



]]>
“Fadiga do Preservativo”: a crise dos métodos contraceptivos e da proteção na adolescência https://spsp.org.br/fadiga-do-preservativo-a-crise-dos-metodos-contraceptivos-e-da-protecao-na-adolescencia/ Thu, 08 Sep 2016 13:10:19 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1361 Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez. Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém, sob a ótica emocional e cognitiva, ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas. Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção. Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”. “Talvez os adolescentes já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes relacionados à questão. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica. Além de não demonstrar medo das DSTs, Dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros de contracepção e para evitar doenças também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo, portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez e não em uma questão de direitos e decisões”, alerta. Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias – pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável. “Prevenir gravidez na adolescência é um processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio, estarão melhor capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui o hebiatra. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 08/09/2016. photo credit: Phil Date | Dreamstime.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

Stripey 3Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2013, conduzida pelo IBGE e Ministério da Saúde, investigou diversos fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes em mais de 100 mil adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas de todo o território brasileiro. Os dados levantados na PeNSE revelaram que 28,7% já tiveram relação sexual alguma vez.

Meninas que iniciam atividade sexual muito jovem são mais propensas a se envolver com parceiros mais velhos e não utilizar proteção, o que torna maior o risco de gravidez e DST. São maduras do ponto de vista biológico, porém, sob a ótica emocional e cognitiva, ainda estão despreparadas. A orientação nessa fase é mais difícil: ela pode ficar constrangida ou amedrontada de falar de suas vivências e expor suas dúvidas. Com o tempo, a frequência de relações sexuais aumenta. No entanto, as decisões são repentinas e as repercussões percebidas somente em longo prazo, após o ato. Na adolescência tardia, apesar de manter um comportamento mais impulsivo, são mais capazes de assimilar a importância da prevenção.

Dr. Benito Lourenço, membro do Departamento Científico de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que o uso de preservativos está em crise na adolescência, o que seria o fenômeno da “fadiga do preservativo”. “Talvez os adolescentes já não se assustem mais, embora ainda contabilizem índices alarmantes relacionados à questão. Como não visualizaram seus efeitos devastadores, nem tiveram tanta proximidade, acreditam estar imunes ou distantes desse tipo de ocorrência. É fundamental orientar o jovem, sem uma abordagem diferente de gênero, pois a responsabilidade é sempre dos dois” explica.

Além de não demonstrar medo das DSTs, Dr. Benito afirma que fatores como a falta de informação e de profissionais que reforcem a importância em adotar métodos seguros de contracepção e para evitar doenças também contribuem para o descuido com a prevenção. “Existe uma dificuldade de a sociedade reconhecer que o adolescente é um sujeito de direito sexual e reprodutivo, portanto, merece orientação e proteção contraceptiva, como a população adulta. O assunto ainda é tabu nas casas e quando discutido nas escolas, é tardio e focado apenas na biologia da gravidez e não em uma questão de direitos e decisões”, alerta.

Os pais também têm grande responsabilidade na orientação de seus filhos sobre o assunto. A discussão em torno do início da vida sexual ainda é tabu em muitas famílias – pelos pais, que se sentem despreparados, e pelos adolescentes, assustados e receosos com suas primeiras vivências. É preciso superar o constrangimento de ambas as partes a fim de discutir as implicações de um bebê não planejado e, pior ainda, de uma doença, muitas vezes, incurável.

“Prevenir gravidez na adolescência é um processo complexo e dinâmico e, não há dúvidas de que adolescentes, com acesso a uma fonte confiável de informações, aconselhamento e apoio, estarão melhor capacitados ao exercício mais saudável e responsável da sexualidade”, conclui o hebiatra.

___
Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 08/09/2016.
photo credit: Phil Date | Dreamstime.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

]]>