Drogas – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Thu, 10 Sep 2026 19:56:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Drogas – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Um chamado à escuta e à conexão https://spsp.org.br/um-chamado-a-escuta-e-a-conexao/ Thu, 10 Sep 2026 19:56:56 +0000 https://spsp.org.br/?p=58975 Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual. De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis. O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente. Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado. A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas. O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive. Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar. De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares. Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento. Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros. As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos. A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas. Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais...]]>

Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio e assistimos, entristecidos, a um aumento de casos entre jovens. Pensando nesse cenário, é importante refletirmos tanto sobre os sinais de atenção que devemos perceber quanto a respeito das ações que possam contribuir para a transformação desse quadro atual.

De partida, é fundamental esclarecer que o suicídio tem causa multifatorial. Trata-se de um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a explicações únicas e simplistas. Diante da dor que causa tanto ao sujeito quanto a todos que fazem parte de sua vida, é um tema que exige extrema delicadeza ao ser abordado. Todo respeito ao tema, porém, não deve afastar a importância de tratarmos dele. Pensar sobre o assunto é uma tentativa de avançarmos socialmente em um diálogo que, de tão sensível, historicamente permanece entre as subnotificações de causa mortis.

O que já era delicado adquiriu caráter ainda mais desafiador nos tempos atuais, ao assistirmos, nos meios digitais e redes sociais, jovens criando fóruns de compartilhamento de conteúdo que vão desde o incentivo a desafios potencialmente mortíferos até transmissões ao vivo de suicídio. Diante desse cenário sócio-histórico, refletir sobre a sua prevenção, torna-se ainda mais urgente.

Existem sinais de alerta e fatores associados a um maior risco de suicídio de forma geral, como tentativas anteriores, dependência ou abuso de álcool e drogas, comportamento autolesivo, histórico de abusos e traumas e transtornos mentais. É fundamental alertar que nenhum desses sinais, isoladamente, sentencia que algo dessa ordem acontecerá; eles podem, apenas, ser tomados como sinalizadores para um maior cuidado.

A adolescência é um período em que ocorrem transformações velozes e grandiosas na vida de uma pessoa, tanto do ponto de vista biológico quanto psíquico. As transformações do corpo caminham de mãos dadas com a necessidade de maturidade psíquica para lidar com o complexo mundo dos relacionamentos e com as expectativas da futura vida adulta – com todos os desafios que ela envolve: a dimensão da vida sexual, os relacionamentos interpessoais mais refinados com os pares, a escolha da futura profissão e as exigências acadêmicas.

O adolescente é convidado pelo mundo a abandonar seus aspectos infantis e seguir rumo a uma jornada da qual ele ainda tem poucas respostas. Ele experimenta um luto pela criança que foi e tem diante de si indagações sobre quem será. Junto desse processo de luto e transformações, é esperado – ainda que transitoriamente – que ele experiencie oscilações de sentimentos diante do turbilhão que vive.

Nesse sentido, é fundamental estarmos atentos às conexões que o jovem estabelece com várias dimensões de sua vida, observando suas interações sociais de forma geral. É preciso ir além do âmbito do rendimento escolar e estar atento também aos engajamentos em grupos sociais (sejam amigos, esportes, música ou religião). São justamente essas conexões afetivas e sociais os grandes fatores de proteção nessa etapa da vida. Durante a adolescência, a noção de pertencimento ao grupo ganha uma importância enorme. Estar engajado com seus pares e ter ideais pelos quais se sinta conectado é o que contribuirá para que o jovem se sinta amarrado ao seu futuro e aos sonhos que eleger sonhar.

De outro lado, existem situações que, quando presentes, exigem um olhar mais atento. Embora façam parte do período de experimentações de qualquer adolescência, podem traduzir uma expressão de sofrimento maior: isolamento súbito ou excessivo, compulsões em geral (por comida, telas, jogos, álcool ou drogas), praticar ou sofrer bullying, colocar-se constantemente em situações de risco e transtornos alimentares.

Por ser a adolescência um período tão desafiador e importante, é fundamental olhar e acolher com atenção esses sinais quando surgem, interpretando-os como oportunidades de cuidado. Um sofrimento psicológico não precisa ser agravado para que possa ser acolhido como demanda de cuidado. Criar oportunidades de escuta ativa e qualificada para as angústias e desafios dessa fase da vida, portanto, é um elemento protetor quando pensamos em prevenção ao suicídio. Quando um sujeito se sente acompanhado e compartilha suas angústias, já não está mais só. Isso, em situações-limite de grande angústia, pode fazer toda a diferença no desfecho de um período de maior sofrimento.

Pensando em elementos que contribuam para a prevenção ao suicídio entre os jovens, é interessante refletir como os tempos atuais e as configurações sociais a que estamos expostos impõem um grande desafio a essa discussão. Vivemos em uma era de extrema aceleração, em que os cuidadores de crianças e adolescentes, na maioria das configurações familiares, trabalham. Quando a família se reúne no fim do dia, em geral todos estão conectados em mídias digitais, muito cansados e atarefados, e invariavelmente não compartilham vivências e angústias uns com os outros.

As muitas ferramentas digitais e sociais se tornaram incontornavelmente parte da vida de todos, inclusive de crianças e adolescentes. Se a escuta do sofrimento é parte fundamental da prevenção, devemos estar atentos ao tipo de escuta que podemos ter e oferecer a eles. Buscar conexões com os filhos, nesse sentido, é elemento fundamental nessa equação. É um desafio no nosso cenário sócio-histórico, porém essencial. Essa conexão pode não ser de longas horas diárias, mas deve se traduzir em uma busca por interesse mútuo, na criação de um espaço de diálogo e de algum prazer que possam usufruir juntos.

A escola também terá papel fundamental se puder proporcionar espaços de conexão e reflexão entre os adolescentes sobre seus sentimentos e desafios. Ampliar todas essas redes de apoio faz com que o jovem não fique restrito à versão única que ele eventualmente possa encontrar em interações potencialmente nocivas nas mídias digitais, como os tais fóruns de incentivo a toda sorte de crueldades e situações perigosas.

Por fim, e não menos importante, é fundamental ampliarmos a discussão sobre políticas públicas que respaldem as famílias nesse cuidado e na proteção digital dos jovens, com o intuito de evitar situações de risco como as que temos assistido atualmente. É igualmente importante que as redes de atenção em saúde mental forneçam informações pertinentes sobre a prevenção ao suicídio de forma permanente, disponibilizando dados sobre os locais disponíveis para acolhimento e escuta em situações-limite. Um jovem cercado de múltiplas referências, conexões e possibilidades de escuta terá maiores chances de ser acolhido em um eventual momento de maior desamparo.

Relatora:

Flavia Schimith Escrivão
Psicóloga e Psicanalista
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Mental da SPSP

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Bets, best e bestas https://spsp.org.br/bets-best-e-bestas/ Mon, 31 Aug 2026 19:51:54 +0000 https://spsp.org.br/?p=58745 Setembro Laranja: Combate à obesidade infantil | SPSP Vocês se lembram da Lei de Gerson (Gerson de Oliveira Nunes, ex-jogador e meio-campista da Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970)? Era a propaganda de uma marca de cigarro, Vila Rica, que dizia algo como “levar vantagem em tudo”. A ideia original da agência de publicidade era remeter à “lei da vantagem” do futebol, sugerindo que o consumidor levava mais produto pagando menos. Com o passar dos anos, a frase foi desvinculada do produto e passou a simbolizar o “jeitinho brasileiro” de agir com malandragem para obter benefício próprio em qualquer situação. O próprio ex-jogador Gerson lamentou publicamente por décadas ter ficado associado a esse sentido negativo, a Lei de Gerson. Na mesma época, Pelé não fez propaganda de cigarro ou bebida alcoólica. O consumo de cigarros caiu muito no nosso meio e a bebida alcoólica vem diminuindo entre os adolescentes (Lenad 2023/25). Mas surgem novas atrações que seguem características semelhantes à dependência de cigarros e álcool. Na Copa do Mundo houve uma avalanche de publicidade de casas de apostas na imprensa e nas transmissões esportivas e sabemos que o resultado disso foi e será atingir a renda e a saúde mental das famílias brasileiras. O sistema de dependência de jogatina e apostas é o mesmo da dependência de álcool, cigarros e outras drogas. Pesquisas recentes já mostraram que essas plataformas geram vício e são uma das principais causas de endividamento no país. Mas Danilo Luiz, o lateral da Seleção Brasileira, contrariou os seus colegas da seleção, ao ser um dos primeiros a utilizar as redes sociais para criticar a divulgação de plataformas de apostas on-line. Filipe Luis, técnico de futebol, também recusou ofertas milionárias que ligariam sua imagem às bets. Pelé seguramente não faria propaganda de bets, pela mesma razão que não fez propaganda das drogas lícitas, álcool e tabaco. Como quase tudo no Brasil, os nossos mandatários vão permitir que a desgraça ocorra no nosso meio para depois vir com medidas protetoras ou tratamento no SUS para a dependência de jogos. Sabemos que uma vez instalada a dependência, muitos não sairão dessa vida, semelhante ao que ocorreu com o tabaco. Comemoramos 17 anos da lei de ambiente fechado livre do tabaco em São Paulo (2009) e 12 anos no Brasil (2014), e mesmo assim estamos presenciando o uso de vapes (cigarros eletrônicos), com propaganda livre na internet. O mecanismo de atrelar o cigarro e a cerveja ao esporte, assim como as bets, é “do mal”. E o setor de marketing continua insistindo nessa tecla. A propaganda de cigarro na mídia está proibida, mas a propaganda indireta continua. Mbappé, jogador francês, não conseguiu passar para a final da Copa, mas deixou uma mensagem muito bonita em vídeo: ele diz com suas próprias palavras que a Seleção Francesa estava promovendo bets e sua seleção estava inspirando muitas pessoas nesse mau caminho. Diz que muitos de nós vêm de lugares onde as bets destroem um número incalculável de pessoas e ele disse à sua equipe e à sua mãe que ele não jogaria pela Seleção. Responderam o que as pessoas pensariam dele, e ele respondeu que não se importava. Venceu! O que faz jogadores ou pessoas famosas se renderem a ofertas de dinheiro, que já possuem de sobra, para ajudar a lesar a população, principalmente os menos afortunados, tanto na área da saúde como na área financeira? Atletas não deveriam associar o uso de drogas lícitas ou ilícitas e mesmo jogos com o esporte. Termino com a frase de Charles Chaplin, que disse: “Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco”. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura. Gastemos um tempo com nossos filhos ou netos comentando atitudes que previnem e que não serão logo esquecidas. A esses atletas não fica a derrota de uma partida, mas fica a decência e o amor ao próximo. Relator: João Paulo Becker Lotufo Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP]]> Setembro Laranja: Combate à obesidade infantil | SPSP

Vocês se lembram da Lei de Gerson (Gerson de Oliveira Nunes, ex-jogador e meio-campista da Seleção Brasileira tricampeã mundial em 1970)? Era a propaganda de uma marca de cigarro, Vila Rica, que dizia algo como “levar vantagem em tudo”. A ideia original da agência de publicidade era remeter à “lei da vantagem” do futebol, sugerindo que o consumidor levava mais produto pagando menos.

Com o passar dos anos, a frase foi desvinculada do produto e passou a simbolizar o “jeitinho brasileiro” de agir com malandragem para obter benefício próprio em qualquer situação. O próprio ex-jogador Gerson lamentou publicamente por décadas ter ficado associado a esse sentido negativo, a Lei de Gerson.

Na mesma época, Pelé não fez propaganda de cigarro ou bebida alcoólica. O consumo de cigarros caiu muito no nosso meio e a bebida alcoólica vem diminuindo entre os adolescentes (Lenad 2023/25). Mas surgem novas atrações que seguem características semelhantes à dependência de cigarros e álcool.

Na Copa do Mundo houve uma avalanche de publicidade de casas de apostas na imprensa e nas transmissões esportivas e sabemos que o resultado disso foi e será atingir a renda e a saúde mental das famílias brasileiras.

O sistema de dependência de jogatina e apostas é o mesmo da dependência de álcool, cigarros e outras drogas. Pesquisas recentes já mostraram que essas plataformas geram vício e são uma das principais causas de endividamento no país.

Mas Danilo Luiz, o lateral da Seleção Brasileira, contrariou os seus colegas da seleção, ao ser um dos primeiros a utilizar as redes sociais para criticar a divulgação de plataformas de apostas on-line. Filipe Luis, técnico de futebol, também recusou ofertas milionárias que ligariam sua imagem às bets. Pelé seguramente não faria propaganda de bets, pela mesma razão que não fez propaganda das drogas lícitas, álcool e tabaco.

Como quase tudo no Brasil, os nossos mandatários vão permitir que a desgraça ocorra no nosso meio para depois vir com medidas protetoras ou tratamento no SUS para a dependência de jogos. Sabemos que uma vez instalada a dependência, muitos não sairão dessa vida, semelhante ao que ocorreu com o tabaco.

Comemoramos 17 anos da lei de ambiente fechado livre do tabaco em São Paulo (2009) e 12 anos no Brasil (2014), e mesmo assim estamos presenciando o uso de vapes (cigarros eletrônicos), com propaganda livre na internet.

O mecanismo de atrelar o cigarro e a cerveja ao esporte, assim como as bets, é “do mal”. E o setor de marketing continua insistindo nessa tecla. A propaganda de cigarro na mídia está proibida, mas a propaganda indireta continua.

Mbappé, jogador francês, não conseguiu passar para a final da Copa, mas deixou uma mensagem muito bonita em vídeo: ele diz com suas próprias palavras que a Seleção Francesa estava promovendo bets e sua seleção estava inspirando muitas pessoas nesse mau caminho. Diz que muitos de nós vêm de lugares onde as bets destroem um número incalculável de pessoas e ele disse à sua equipe e à sua mãe que ele não jogaria pela Seleção. Responderam o que as pessoas pensariam dele, e ele respondeu que não se importava. Venceu!

O que faz jogadores ou pessoas famosas se renderem a ofertas de dinheiro, que já possuem de sobra, para ajudar a lesar a população, principalmente os menos afortunados, tanto na área da saúde como na área financeira? Atletas não deveriam associar o uso de drogas lícitas ou ilícitas e mesmo jogos com o esporte.

Termino com a frase de Charles Chaplin, que disse: “Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco”. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de afeição e doçura.

Gastemos um tempo com nossos filhos ou netos comentando atitudes que previnem e que não serão logo esquecidas. A esses atletas não fica a derrota de uma partida, mas fica a decência e o amor ao próximo.


Relator:
João Paulo Becker Lotufo

Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Todo mundo usa https://spsp.org.br/todo-mundo-usa/ Tue, 24 Mar 2026 18:54:54 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55552 ]]>

É muito comum ouvirmos dos jovens que atendemos que todo mundo bebe e todo mundo usa drogas. Talvez naquele grupo que o jovem frequenta a maioria possa ser usuária, mas analisando os dados do LENAD III – UNIFESP, colhidos em 2023 e publicados recentemente, percebe-se que a coisa não é bem como o jovem coloca.

Em relação à bebida alcoólica, 48,8% da população brasileira com mais de 14 anos nunca bebeu, 57,5% não consumiu álcool no último ano e 69,9% não bebeu nada no último mês. Em relação aos adolescentes, apenas 25,8% dos homens e 29,5% das mulheres consumiram álcool na vida; 16,7% e 21,6% no último ano e 12,4% e 8,5% no último mês.

O grande problema, fora a iniciação precoce, é que dos que bebem na população adulta, 35,7% dos homens e 26,8% das mulheres o fazem em BINGE, ou seja, um consumo excessivo e descontrolado (4 ou 5 doses em 2 horas). Não é alcoólico só aquele que bebe todo ou quase todo dia (5,6%), mas também aquele que bebe em binge, ou aquele que tem um consumo pesado episódico (6 ou mais doses em uma única ocasião).

Levando-se em conta que o jovem diz que “todos bebem”, o mesmo ocorre com as outras drogas: Não é todo mundo que usa álcool ou outras drogas, aliás, de longe, a maioria não usa. Os dados do LENAD III mostram que 6,2% da população masculina adolescente usou cannabis na vida. Comparado com 2012, houve um aumento de 1,5%, sendo que a novidade é que as mulheres estão usando mais do que os homens (4,6% p 7,9%). No último ano, apenas 3,4% (2,3% homens e 4,6% mulheres). Os sintomas neuropsiquiátricos autorrelatados associados ao uso de cannabis em usuários de 14 anos foram:

 


 

Ou seja, 85% da população com 14 anos ou mais nunca usou. Dos usuários, um terço continuou usando (6%), e destes, mais de um terço desenvolve dependência.

Dos usuários, de 30% a 40% pode ter distúrbios ou transtornos relacionados à droga, pois os estudos mostram que os dados são maiores do que a autopercepção.

Em relação à cocaína, os dados são menos prevalentes, mas não deixam de ser assustadores: 94,6% da população brasileira nunca experimentou, mas destes que utilizaram alguma vez, um terço seguiu usando e a maioria desenvolveu dependência. Portanto, não é todo mundo que usa; o consumo entre adolescentes está caindo.

A pergunta que se deve fazer AO JOVEM é: “Vale a pena correr o risco?” Se você pertence a um grupo onde “todo mundo bebe”, você está num grupo errado, pois “a maioria não bebe”. Isto vale para todas as drogas.

 

Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Vice-Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas da SPSP

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Um convite ao cuidado, ao diálogo e à prevenção https://spsp.org.br/um-convite-ao-cuidado-ao-dialogo-e-a-prevencao/ Fri, 20 Feb 2026 12:09:09 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55136 O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre]]>

O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, celebrado em 20 de fevereiro, é mais do que uma data no calendário: é um alerta para famílias, escolas e toda a sociedade sobre um tema que começa cada vez mais cedo e pode impactar profundamente o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Por que falar sobre isso desde cedo?

O uso de álcool e outras drogas na adolescência traz riscos severos e muitas vezes irreversíveis, pois ocorre em uma fase crítica de maturação cerebral. O cérebro humano continua em desenvolvimento até cerca dos 25 anos. Durante a infância e a adolescência, áreas fundamentais para tomada de decisões, controle dos impulsos, planejamento e avaliação de riscos ainda estão amadurecendo. O uso precoce de álcool e outras drogas pode interferir nesse processo e aumentar o risco de desenvolver problemas de memória e atenção, ansiedade e depressão, psicose – incluindo esquizofrenia, comportamentos de risco e dependência química na vida adulta (quanto mais cedo o início de uso de drogas, maior o risco de dependência, do desenvolvimento de transtornos mentais associados e de alterações de comportamento).

Álcool também é droga e das mais perigosas para adolescentes. Existe uma falsa ideia de que o álcool é “menos grave” por ser legalizado. Seu uso está associado a maior impulsividade, redução da capacidade de julgamento, exposição a acidentes, violências, relações sexuais desprotegidas e a maior chance de experimentar outras substâncias. Nenhuma quantidade é segura para adolescentes.

O maior fator de proteção ainda mora dentro de casa: o vínculo familiar é uma das mais poderosas medidas de segurança. O adolescente que se sente ouvido, que tem espaço para conversar sem medo, apresenta menor risco de uso de álcool e drogas. O exemplo fala ainda mais alto. Crianças aprendem muito mais pelo que observam do que pelo que escutam. Portanto, vale a reflexão: como o álcool aparece na rotina da família? Ele está associado à diversão obrigatória? Existe consumo exagerado em frente aos filhos? A família é um espaço de proteção, quando os pais se preocupam com as atitudes dos filhos e os desencorajam a atitudes consideradas de risco.

Prevenir o uso de drogas não significa criar uma redoma, mas formar jovens capazes de fazer escolhas seguras mesmo quando os pais não estão por perto. Muitos pais têm receio de abordar o assunto por medo de “dar ideias”. A ciência mostra exatamente o oposto: crianças e adolescentes que conversam abertamente com seus pais têm menor risco de uso precoce de álcool e drogas. A disponibilidade de informações, adquiridas por diálogos e observação acerca do consumo de drogas e suas complicações, e os laços afetivos entre pais e filhos são importantes para a redução das possibilidades do uso das drogas.

Para você que é adolescente e está lendo este texto:

Ser independente não é fazer tudo que os outros fazem: é ter coragem de dizer não e de fazer o que é melhor para você. Você tem uma vida inteira pela frente. Não arrisque!!!

No Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, transforme o silêncio em conversa, o medo em orientação e a informação em proteção.

De olho no vício!

 

Saiba mais:

  1. Alcohol e-cigarettes, cannabis: concerning trends in adolescent substance use, shows new WHO/Europe report. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/25-04-2024-alcohol–e-cigarettes–cannabis–concerning-trends-in-adolescent-substance-use–shows-new-who-europe-report
  2. Monteiro MG. Alcohol and public health in the Americas: a case for action. Washington, D.C: PAHO, © 2007. Disponível em -https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/alcohol-public-health-americas.pdf?sfvrsn=9227a4f_2
  3. WHO: Neurociencia del consumo y dependencia de sustancias psicoactivas. Washington, D.C: OPS© 2005. Disponível em: https://www.who.int/docs/default-source/substance-use/neuroscience-spanish.pdf

 

Relatora:

Tania Zamataro
Presidente do Núcleo de Estudos do Combate ao Uso de Drogas da SPSP
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Prevenir é sempre o melhor remédio! https://spsp.org.br/prevenir-e-sempre-o-melhor-remedio/ Thu, 20 Feb 2025 11:38:15 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=50299 Em um cenário de crescentes desafios relacionados ao consumo de substâncias, o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo se apresenta como uma oportunidade]]>

Em um cenário de crescentes desafios relacionados ao consumo de substâncias, o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo se apresenta como uma oportunidade indispensável para refletirmos sobre a prevenção do uso indevido de drogas e álcool, sobretudo entre os jovens. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019 do IBGE revelou vários dados sobre o comportamento e a segurança de estudantes de 13 a 17 anos:

  • 22,6% dos estudantes já experimentaram cigarro
  • 26,9% dos estudantes já experimentaram narguilé
  • 16,8% dos estudantes já experimentaram cigarro eletrônico
  • 63,3% dos estudantes já experimentaram bebida alcoólica
  • 13% dos estudantes já experimentaram alguma droga ilícita

Em um contexto em que a adolescência é marcada por intensas transformações físicas e emocionais, a exposição a drogas e ao álcool pode causar consequências devastadoras, afetando não apenas a saúde física, mas também o desenvolvimento psicológico e social dos jovens:

  • Desenvolvimento Cerebral: O cérebro adolescente passa por importantes processos de maturação, especialmente nas áreas de controle de impulsos e funções executivas. A exposição a drogas pode interferir na formação de conexões sinápticas, afetando a aprendizagem, a tomada de decisões e o autocontrole.
  • Risco de Dependência: O sistema de recompensa do cérebro, fortemente influenciado pela dopamina, é particularmente sensível nessa fase, o que aumenta a vulnerabilidade à dependência e ao abuso de substâncias.
  • Consequências a Longo Prazo: Alterações no sistema nervoso central durante o desenvolvimento podem predispor o indivíduo a problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e outros transtornos neuropsiquiátricos.

A falta de informação dos pais e adolescentes é também responsável pelo aumento do uso de drogas. Ainda há um certo clima na sociedade de que o cigarro eletrônico não faz mal à saúde, mas isto não é verdade. As doenças relacionadas ao tabaco estão aparecendo mais cedo e mais intensamente. Será que os pais sabem que o álcool e a maconha podem diminuir o aprendizado e afastar os filhos das escolas? Será que os pais sabem que pode haver destruição cerebral com o uso de álcool e/ou maconha e esta é definitiva? Será que os pais sabem que, depois de grande ingestão de bebida alcoólica, o cérebro encolhe de 2 a 4 mm e demora 7 meses para voltar ao normal?

A Sociedade de Pediatria São Paulo reconhece a ameaça do uso de álcool e drogas na adolescência e apoia a iniciativa do Projeto Dr. Bartô para a prevenção de drogas lícitas e ilícitas.

Aumente seu conhecimento através de literatura médica confiável e tire dúvidas no site: https://www.drbarto.com.br/. Os 12 passos para pais prevenirem o uso de drogas na adolescência são:

  • Passo 1: Família unida e com limites
  • Passo 2: Estimular o diálogo em família
  • Passo 3: Refeição com a família unida
  • Passo 4: Ter o conhecimento do que as crianças fazem no tempo livre
  • Passo 5: Supervisionar os deveres de casa dos filhos
  • Passo 6: Demonstrar que tem orgulho dos filhos
  • Passo 7: Incentivar atividades artísticas, culturais e esportivas
  • Passo 8: Envolvimento em atividades voluntárias e sociais
  • Passo 9: Praticar a espiritualidade
  • Passo 10: Estimular boas amizades
  • Passo 11: Não fumar e não beber em excesso
  • Passo 12: Ser um bom exemplo em todos os sentidos

Em resumo, é fundamental que os pais se mantenham vigilantes e engajados na vida dos seus filhos, criando um ambiente de diálogo aberto e de apoio contínuo, que permita identificar precocemente sinais de risco e oferecer orientações claras sobre os perigos do consumo de drogas. Ao investir em educação, supervisão e comunicação honesta, os responsáveis podem fortalecer a autoestima e a resiliência dos jovens, capacitando-os a fazer escolhas mais conscientes. Dessa forma, o envolvimento parental torna-se um pilar essencial na prevenção do uso de substâncias, contribuindo para o desenvolvimento saudável dos filhos e para a construção de um futuro mais seguro e promissor.

 

Saiba mais:

  1. Brasil. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2020.
  2. Lotufo JPB. Álcool, tabaco, maconha e cigarro eletrônico são drogas pediátricas. 2a edição. 2024.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. 12 Passos. São Paulo: SBP; 2020. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/12_passos_final_06out2020_final_p_sbp_071020__002_.pdf.

 

Relatores:

Denise Swei Lo
João Paulo Lotufo
Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-as-drogas-e-ao-alcoolismo/ Tue, 20 Feb 2024 18:19:55 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42733 O álcool é a droga mais utilizada entre nós e os grandes problemas estão em seu consumo excessivo e no início precoce. Já é muito falado sobre o início de uso]]>

O álcool é a droga mais utilizada entre nós e os grandes problemas estão em seu consumo excessivo e no início precoce.

Já é muito falado sobre o início de uso de álcool e outras drogas antes do cérebro estar todo formado, e isto ocorre até os 21 anos; um pouquinho ainda até os 25 anos.

Qualquer droga iniciada antes da formação do cérebro pode acarretar maior dependência e complicações. Por isso, nos EUA o álcool é liberado após os 21 anos, mas no Brasil é aos 18 anos. A indústria é a mesma, mas o respeito às regras e ao bom senso aqui não existe, pois, semelhante à indústria do tabaco e hoje do cigarro eletrônico, as propagandas são voltadas às crianças e aos adolescentes.

O filho de um amigo, aos 8 anos perguntou ao pai o que era ser “brameiro”, pois a propaganda da cerveja por um jogador de futebol dizia: “O MEU SUCESSO É PORQUE EU SOU BRAMEIRO”. ISTO EM HORÁRIO DE CRIANÇA VER TELEVISÃO E LIGADA AO ESPORTE. Essa propaganda foi retirada do ar dois meses depois, quando o estrago já estava feito.

O cigarro eletrônico (CE) é outra moda entre os jovens. Perto de 20% deles já o experimentaram. Estaremos produzindo um exército de dependentes de nicotina, pois o CE tem mais nicotina que o cigarro normal. O veículo que vaporiza a nicotina tem glicerol e outras substâncias que são cancerígenas e produzem uma doença inflamatória em nível pulmonar. A população não tem noção do malefício que isso pode trazer, pois as fake news influenciam mais os jovens de hoje. Por isso temos um livreto sobre CE, que se encontra também no site www.drbarto.com.br: Livreto-Cigarros-Eletronicos.pdf – Google Drive.

A maconha é a droga que os jovens acham que faz menos mal, mas ignoram que ela tem até 5 vezes mais cancerígenos do que o tabaco. Mas a maconha pode lesar a memória e o aprendizado, criando alguns “noias”; infelizmente todo mundo conhece um. Não se percebe a lesão cerebral, mas ela pode aparecer e é irreversível.

Como diminuir estes riscos?

  1. O exemplo dos pais é fundamental. Ensinar seu filho a beber antes dos 18 anos aumenta a chance de ele beber com os amigos e aí a quantidade será outra. Quanto de bebida alcoólica você serve em suas festas de família?
  2. Família unida com limites, coisa que está faltando hoje em dia. Isto começa desde cedo, pois se você não coloca limites no dia a dia, não conseguirá fazê-lo aos 14 ou 15 anos de idade. Ser pai é diferente de ser amigão.
  3. Diálogo na família diminui 60% a experimentação de álcool ou outras drogas. Evite usar o celular nas refeições.
  4. Envolvimento com atividades esportivas e culturais diminuiu em muito o problema de drogas na Islândia. Lá ainda fizeram um toque de recolher com os jovens. Poderiam estar nas ruas à noite apenas acompanhados dos pais. Limites novamente. Imagine isso aqui!
  5. Espiritualidade também é um fator protetor.
  6. Bons amigos. Saiba onde está seu filho, com quem e fazendo o quê. Traga os amigos de seus filhos para dentro de casa. Descubra com quem eles andam.
  7. Pais que não fumam e não bebem diminuem respectivamente em 50% e 25% o uso de drogas entre seus filhos.

Estas dicas encontram-se no livro 12 passos do projeto Dr Bartô de prevenção de álcool e outras drogas. Os jovens e crianças têm muito acesso às fake news pela internet, por isso os sites www.drbarto.com.br e drbarto.46graus.com devem ser consultados para aumentar o conhecimento de drogas pelos pais, para que eles possam orientar melhor seus filhos.

O Aconselhamento Breve (AB) semanal é uma boa forma de discutir estes assuntos com nossos jovens. Há um programa de AB por vídeos, que pode ser acessado em https://drbarto.46graus.com/videos – neste dia 20 de fevereiro, Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, fica a sugestão: envie um vídeo toda semana ao seu filho e discuta por alguns minutos aquela mensagem.

 

Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Membro da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB) e convidado pela Comissão de Drogas Lícitas e Ilícitas do Conselho Federal de Medicina
Responsável pelo Projeto Dr. Bartô e os Doutores da Saúde – Projeto de Prevenção de Drogas no Ensino Fundamental e Médio

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Álcool, cigarro eletrônico, maconha? Que droga! https://spsp.org.br/alcool-cigarro-eletronico-maconha-que-droga/ Mon, 28 Aug 2023 19:52:47 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39145 Neste mês, um pecuarista e seu filho morreram em um acidente aéreo em Rondônia. Um vídeo que circulou dois dias antes nas redes sociais mostra este]]>

Neste mês, um pecuarista e seu filho morreram em um acidente aéreo em Rondônia. Um vídeo que circulou dois dias antes nas redes sociais mostra este senhor de 42 anos bebendo cerveja e instruindo seu filho, de apenas 12 anos, a pilotar um avião bimotor. No vídeo, o pai está bebendo uma cerveja e coloca a garrafa entre suas pernas para instruir seu filho a pilotar o avião (é bom destacar que é proibido pilotar qualquer tipo de avião sem a devida autorização, instrução e formação para tal e que, no Brasil, a pilotagem só é permitida a partir dos 16 anos). Ainda no vídeo, é possível ver o pai usando a mão para esconder a matrícula do avião, para que não fosse identificado pelas autoridades. Os dois morreram no último sábado, 29, após um acidente aéreo no interior de Rondônia.

Uma jovem de 22 anos foi abandonada, desacordada, por um motorista de aplicativo na porta de casa no Bairro Santo André, na Região Noroeste de Belo Horizonte, na madrugada de domingo (30/7). Foi estuprada em seguida. O crime chama a atenção pela sucessão de erros que culminaram no estupro da jovem, como apontam os investigadores do caso. Conforme o boletim de ocorrência, no sábado (29/7), a vítima estava em um evento de pagode que aconteceu no Mineirão, na Região da Pampulha, quando, por volta das 2h decidiu ir embora. Ela teria ingerido grande quantidade de bebida alcoólica e, na volta do show, seus amigos a colocaram, sozinha, em um carro de aplicativo e compartilharam a localização da viagem com o irmão dela. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) afirmou que, além do agressor, outras pessoas serão investigadas e podem ser responsabilizadas pelo caso. Entre elas estão o motorista de aplicativo, o motociclista que passou pelo local e ajudou a retirar a vítima do carro e deixá-la no meio-fio, e o amigo que a colocou no carro, sozinha. Por tê-la deixado nessa situação, o motorista pode responder pela omissão de socorro.

Na minha opinião, nos dois casos há um agravante que não foi discutido ou responsabilizado: a ingestão de bebida alcoólica, que colocou ambos em situação de vulnerabilidade.

Não se omite a responsabilidade de um pai que permite um filho menor de idade ter o controle de um avião em voo, tapando o número de série da aeronave e usando bebida alcoólica, ridicularizando a legislação em questão. Não se omite a responsabilidade dos amigos da outra jovem, do motorista que a abandonou na rua, mas pouco se discute a regulamentação da bebida alcoólica, ou responsabilização dos que vendem ou fornecem bebida alcoólica em excesso para outros. Não somos contra a bebida alcoólica, mas sim somos contra a falta de regulamentação do seu uso no Brasil, como é feito em outros países. A impunidade característica do nosso meio estimula excessos, que levam a situações de risco.

O exemplo dos pais é um fator importantíssimo na orientação das crianças e dos jovens. Se o pai não cumpre as normas legais da sociedade, haverá muita chance dos filhos também não seguirem. Isto vale não só em relação às drogas, mas a toda a educação dos nossos filhos.

O cigarro eletrônico está tomando um vulto grande demais para que não nos coloquemos na prevenção de algo que faz mal à saúde, tanto ou mais do que o cigarro normal, porque ele está sendo utilizado pela juventude, que acredita que não vicia e desconhece o efeito maléfico que pode produzir. É a mesma situação dos nossos avós com o cigarro normal!

Em relação à liberação do porte de maconha, acho incrível que não se faça ao mesmo tempo uma ampla campanha sobre o possível malefício que ela pode trazer, com os mesmos problemas pulmonares do cigarro e a possível lesão cerebral irreversível que pode produzir.

Nossos políticos tentam tapar o sol com a peneira, retardando ou engavetando qualquer possibilidade de regulamentação do uso de álcool no Brasil, fechando os olhos para a proibição do cigarro eletrônico, proibido no país, mas não fiscalizado, e aprovando a descriminalização do porte de maconha sem ampla campanha de orientação.

Exemplos não faltam: Amsterdã tem zonas livres do álcool, do tabaco e da maconha; nos EUA não se consome bebida alcoólica na rua e antes dos 21 anos e nós continuamos vendendo bebida na rua, onde o menor de idade a compra sem pudores.

O uso das drogas começa dentro de casa. Abramos os olhos. Prevenção é tudo!

 

Relator:
João Paulo Lotufo
Presidente do Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Aconselhamento Breve https://spsp.org.br/aconselhamento-breve/ Sun, 26 Jun 2022 19:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33146 26 de Junho é o Dia Internacional de Combate às Drogas. Vamos falar sobre o uso dessas substâncias. O uso de substâncias psicoativas na adolescência e as consequências de sua morbimortalidade acarretam grande impacto direto e indireto na saúde de crianças e adolescentes, desde a exposição pré-natal e desfechos complicados de gravidez até a significativa morbidade e mortalidade entre adolescentes; e contribuem, ao longo do tempo, o desenvolvimento de muitos outros problemas de saúde e graves transtornos por uso abusivo de substâncias.  Embora seja comum na sociedade contemporânea que adolescentes e adultos jovens experimentem substâncias psicoativas ou drogas lícitas ou ilícitas, é importante que essa experimentação não seja tolerada, facilitada ou banalizada pelos adultos, particularmente os pais. Mesmo o primeiro uso de uma substância psicoativa pode resultar em consequências trágicas como, por exemplo, acidentes com ferimentos, vitimização ou mesmo eventos fatais com terceiros. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE, 2015) com alunos do 9º ano do ensino fundamental revelou que nos 30 dias anteriores à pesquisa, 5,6% havia usado cigarros e 23% havia consumido bebida alcoólica; enquanto 9% havia experimentado drogas ilícitas alguma vez na vida. O período da adolescência (se estende dos 12 aos 20 anos) se caracteriza por intensa modelagem e maturação do neurodesenvolvimento, o que confere maior vulnerabilidade em uma fase em que os comportamentos de risco são mais prevalentes. Os adolescentes são particularmente suscetíveis a lesões relacionadas aos riscos, incluindo aquelas associadas ao uso de álcool e outras drogas. A maioria das consequências do uso de álcool e drogas durante a adolescência deve ser atribuída ao fato de que todo uso de substância confere certo risco. O uso de substâncias está correlacionado com a vida sexual de risco e pode complicar a gravidez na adolescência, por outro lado, a vulnerabilidade ao uso de substâncias pode aumentar nos jovens com doença crônica ou deficiência intelectual. As mudanças no neurodesenvolvimento durante a adolescência conferem particular vulnerabilidade aos vícios. A idade do primeiro uso de substância está inversamente correlacionada com a incidência ao longo da vida de desenvolver um transtorno por uso de substância. Os pediatras e pais desempenham um papel único no aconselhamento aos adolescentes, e se encontram em uma posição destacada para empoderar o conhecimento e propor as mudanças no comportamento que assegurem o bem-estar de seus filhos adolescentes. As orientações quanto ao uso de substâncias psicoativas podem ser oferecidas de várias formas: prevenir ou retardar o início do uso de substâncias, desencorajar o uso contínuo e reduzir os danos em pessoas de risco intermediário e encaminhar as que desenvolveram transtornos por uso de substâncias que requerem tratamento como medida para salvar suas vidas. Os pais e até os pediatras devem oferecer o aconselhamento de saúde com mensagens claras e consistentes sobre a abstenção do uso de substâncias. Como grande parte dos adolescentes tem contato com um médico anualmente, os considera uma fonte confiável de conhecimento sobre álcool e drogas e são mais receptivos a discutir o uso de substâncias; os atendimentos médicos são janelas de oportunidade para abordar o uso de substâncias. A Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou, em 2016, sua declaração de recomendação para a “Triagem universal de uso de substâncias, intervenção breve e/ou encaminhamento para tratamento para os pediatras”, apresenta os fundamentos básicos para os pediatras oferecerem orientação clínica, baseada em evidências, para triagem de uso de substâncias de abuso e os procedimentos de intervenção.  Os adolescentes são a faixa etária com maior risco de sofrer consequências agudas e crônicas para a saúde relacionadas ao uso de substâncias. Portanto, pais, obtenham com seus pediatras orientações quanto ao uso precoces de drogas. Aconselhamento breve e intervenção breve8 Aconselhamento Breve (AB) nada mais é do que “gastar” alguns minutos tratando sobre a questão do tabaco e outras drogas, atuando na prevenção para não usuários. A Intervenção Breve (IB) é uma conversa mais dirigida para os usuários de droga. Esta é um pouco mais elaborada e leva um pouco mais de tempo e dedicação. As intervenções, geralmente, assumem a forma de uma conversa e podem incluir feedback sobre o uso de drogas, informações sobre malefícios e conselhos sobre como reduzir o consumo. As intervenções breves podem incluir aconselhamento para mudança de comportamento. Quanto mais intenso e repetitivo for o aconselhamento, maior o alcance de nosso objetivo: tolerância zero para o tabaco, tolerância zero para a maconha e para outras drogas ilícitas, e tolerância zero para a bebida alcoólica antes dos 18 anos (melhor seria até os 21 anos, idade para desenvolvimento quase total do cérebro). Qualquer droga utilizada antes desta idade, a chance de dependência e de problemas é maior. Vale lembrar que a maconha produz os mesmos malefícios que o cigarro a nível respiratório, além de ter 50% mais substâncias cancerígenas do que o tabaco. A principal característica do AB é a continuidade por parte de todos que se envolvem com um programa de prevenção, sendo importante anotar detalhadamente a conversa desenvolvida e retomar ao tema em conversas posteriores. Palestras únicas são pouco ou nada efetivas, mas um programa contínuo e repetitivo pode ser eficaz. O aconselhamento breve deve ser realizado com a presença dos pais na consulta, pois eles também demonstram interesse e dificuldade em lidar com o assunto. Desta forma, se pais e crianças ouvirem juntos o que foi conversado, poderão reverberar posteriormente em casa o que foi discutido. Algumas recomendações são importantes para essa dinâmica funcionar de uma forma mais adequada: não se pergunta ao adolescente se ele usa alguma droga, pois só gerará constrangimento e respostas imprecisas. Para introduzir o assunto, basta perguntar se ele conhece “o risco das drogas”. Depois do AB, pode ser realizado um aprofundamento das discussões. Pais, lembrem-se de que o seu exemplo é um fator muito forte para o não uso de drogas por seus filhos. Se vocês fumam, como falar para eles não fumarem. Se vocês bebem em excesso, como falar para eles não beberem. Se vocês bebem só um pouquinho e saem dirigindo, eles farão o mesmo, mas a...]]>


26 de Junho é o Dia Internacional de Combate às Drogas. Vamos falar sobre o uso dessas substâncias.

O uso de substâncias psicoativas na adolescência e as consequências de sua morbimortalidade acarretam grande impacto direto e indireto na saúde de crianças e adolescentes, desde a exposição pré-natal e desfechos complicados de gravidez até a significativa morbidade e mortalidade entre adolescentes; e contribuem, ao longo do tempo, o desenvolvimento de muitos outros problemas de saúde e graves transtornos por uso abusivo de substâncias. 

Embora seja comum na sociedade contemporânea que adolescentes e adultos jovens experimentem substâncias psicoativas ou drogas lícitas ou ilícitas, é importante que essa experimentação não seja tolerada, facilitada ou banalizada pelos adultos, particularmente os pais. Mesmo o primeiro uso de uma substância psicoativa pode resultar em consequências trágicas como, por exemplo, acidentes com ferimentos, vitimização ou mesmo eventos fatais com terceiros.

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE, 2015) com alunos do 9º ano do ensino fundamental revelou que nos 30 dias anteriores à pesquisa, 5,6% havia usado cigarros e 23% havia consumido bebida alcoólica; enquanto 9% havia experimentado drogas ilícitas alguma vez na vida.

O período da adolescência (se estende dos 12 aos 20 anos) se caracteriza por intensa modelagem e maturação do neurodesenvolvimento, o que confere maior vulnerabilidade em uma fase em que os comportamentos de risco são mais prevalentes. Os adolescentes são particularmente suscetíveis a lesões relacionadas aos riscos, incluindo aquelas associadas ao uso de álcool e outras drogas.

A maioria das consequências do uso de álcool e drogas durante a adolescência deve ser atribuída ao fato de que todo uso de substância confere certo risco. O uso de substâncias está correlacionado com a vida sexual de risco e pode complicar a gravidez na adolescência, por outro lado, a vulnerabilidade ao uso de substâncias pode aumentar nos jovens com doença crônica ou deficiência intelectual. As mudanças no neurodesenvolvimento durante a adolescência conferem particular vulnerabilidade aos vícios. A idade do primeiro uso de substância está inversamente correlacionada com a incidência ao longo da vida de desenvolver um transtorno por uso de substância.

Os pediatras e pais desempenham um papel único no aconselhamento aos adolescentes, e se encontram em uma posição destacada para empoderar o conhecimento e propor as mudanças no comportamento que assegurem o bem-estar de seus filhos adolescentes. As orientações quanto ao uso de substâncias psicoativas podem ser oferecidas de várias formas: prevenir ou retardar o início do uso de substâncias, desencorajar o uso contínuo e reduzir os danos em pessoas de risco intermediário e encaminhar as que desenvolveram transtornos por uso de substâncias que requerem tratamento como medida para salvar suas vidas.

Os pais e até os pediatras devem oferecer o aconselhamento de saúde com mensagens claras e consistentes sobre a abstenção do uso de substâncias. Como grande parte dos adolescentes tem contato com um médico anualmente, os considera uma fonte confiável de conhecimento sobre álcool e drogas e são mais receptivos a discutir o uso de substâncias; os atendimentos médicos são janelas de oportunidade para abordar o uso de substâncias.

A Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou, em 2016, sua declaração de recomendação para a “Triagem universal de uso de substâncias, intervenção breve e/ou encaminhamento para tratamento para os pediatras”, apresenta os fundamentos básicos para os pediatras oferecerem orientação clínica, baseada em evidências, para triagem de uso de substâncias de abuso e os procedimentos de intervenção.  Os adolescentes são a faixa etária com maior risco de sofrer consequências agudas e crônicas para a saúde relacionadas ao uso de substâncias. Portanto, pais, obtenham com seus pediatras orientações quanto ao uso precoces de drogas.

Aconselhamento breve e intervenção breve8

Aconselhamento Breve (AB) nada mais é do que “gastar” alguns minutos tratando sobre a questão do tabaco e outras drogas, atuando na prevenção para não usuários. A Intervenção Breve (IB) é uma conversa mais dirigida para os usuários de droga. Esta é um pouco mais elaborada e leva um pouco mais de tempo e dedicação. As intervenções, geralmente, assumem a forma de uma conversa e podem incluir feedback sobre o uso de drogas, informações sobre malefícios e conselhos sobre como reduzir o consumo. As intervenções breves podem incluir aconselhamento para mudança de comportamento.

Quanto mais intenso e repetitivo for o aconselhamento, maior o alcance de nosso objetivo: tolerância zero para o tabaco, tolerância zero para a maconha e para outras drogas ilícitas, e tolerância zero para a bebida alcoólica antes dos 18 anos (melhor seria até os 21 anos, idade para desenvolvimento quase total do cérebro). Qualquer droga utilizada antes desta idade, a chance de dependência e de problemas é maior. Vale lembrar que a maconha produz os mesmos malefícios que o cigarro a nível respiratório, além de ter 50% mais substâncias cancerígenas do que o tabaco.

A principal característica do AB é a continuidade por parte de todos que se envolvem com um programa de prevenção, sendo importante anotar detalhadamente a conversa desenvolvida e retomar ao tema em conversas posteriores. Palestras únicas são pouco ou nada efetivas, mas um programa contínuo e repetitivo pode ser eficaz.

O aconselhamento breve deve ser realizado com a presença dos pais na consulta, pois eles também demonstram interesse e dificuldade em lidar com o assunto. Desta forma, se pais e crianças ouvirem juntos o que foi conversado, poderão reverberar posteriormente em casa o que foi discutido. Algumas recomendações são importantes para essa dinâmica funcionar de uma forma mais adequada: não se pergunta ao adolescente se ele usa alguma droga, pois só gerará constrangimento e respostas imprecisas. Para introduzir o assunto, basta perguntar se ele conhece “o risco das drogas”. Depois do AB, pode ser realizado um aprofundamento das discussões.

Pais, lembrem-se de que o seu exemplo é um fator muito forte para o não uso de drogas por seus filhos. Se vocês fumam, como falar para eles não fumarem. Se vocês bebem em excesso, como falar para eles não beberem. Se vocês bebem só um pouquinho e saem dirigindo, eles farão o mesmo, mas a quantidade de bebida ingerida poderá ser maior.

Relator:

João Paulo Becker Lotufo
Núcleo de Estudos de Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes

Foto: doidam10 | depositphotos.com

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“Nosso cérebro é construído por nós mesmos” https://spsp.org.br/nosso-cerebro-e-construido-por-nos-mesmos/ Tue, 31 May 2022 18:21:21 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=32746 Quanto mais precoce o início da experimentação dessas drogas, maior o risco da dependência. A fisiologia dessa indução ao vício é a mesma – satisfação do desejo determinante de prazer e a droga é usada para fazer esse papel.]]>

O cérebro vai sendo moldado pelo meio, pelas experiências e por meio de mediadores vai construindo canais neurais e modelando sua plasticidade. Charles Sherrington (Prêmio Nobel 1942) escreveu em Man on his nature: “o cérebro humano parece um tear encantado, em que milhões de lançadeiras muito velozes vão tecendo um padrão que se desfaz, um padrão sempre significativo, mas nunca permanente… Enfim, o cérebro humano acha-se sempre em estado de fluxo.”

Crianças e adolescentes, em especial, são mais suscetíveis a alguns fatores externos que podem interferir na construção dessa máquina extraordinária. 

O tabaco é uma droga, assim como a maconha, a cocaína, o álcool e os meios eletrônicos. Quanto mais precoce o início da experimentação dessas drogas, maior o risco da dependência. A fisiologia dessa indução ao vício é a mesma – satisfação do desejo determinante de prazer.

Aqui damos atenção especial ao tabaco, uma vez que no dia 31 de maio comemora-se o Dia Mundial sem Tabaco.

As primeiras publicações alertando sobre os efeitos do tabaco na saúde foram publicadas na Revista Lancet em 1858, daí em diante o mundo tem se conscientizado dos riscos que os fumantes correm, produzindo leis protetivas. 

 

Alertamos, a seguir, para alguns fatores de risco associados ao uso do tabaco:

 

1.Problemas cognitivos e mentais.

2.Déficit de atenção com hiperatividade.

3.Perda de memória.

4.QI mais baixo em adolescente.

5.Quanto mais se fuma menor é a atividade do córtex pré-frontal (região do cérebro determinante para a tomada de decisões).

6.Plasticidade neural afetada.

7.Transtornos do humor.

8.Nicotina na adolescência danifica as vias produtoras de serotonina no cérebro, facilitando o desenvolvimento de quadros depressivos.

9.A ingestão de nicotina a longo prazo aumenta a tolerância ao álcool, ou seja, é necessário ingerir mais álcool para produzir um mesmo efeito.

10.Adolescentes que fumam são 9 vezes mais suscetíveis a receber o diagnóstico de abuso de álcool e 13 vezes mais suscetíveis a receber o diagnóstico de abuso e dependência de outras drogas.

 

A fumaça de cigarros contém mais de 7.000 substâncias, dentre as quais pelo menos 69 são carcinogênicas, também afeta a saúde das crianças, podendo acarretar: síndrome da morte súbita, otites de repetição, bronquiolite, asma, prematuridade e prejuízo no desenvolvimento cerebral do feto.

A decisão de parar de fumar está também em nossas mãos, juntos devemos apoiar as pessoas com as ferramentas e os recursos necessários, com iniciativas que permitirão salvar vidas e criar sociedades mais saudáveis.

 

Saiba mais:

  1. LOTUFO, João Paulo Becker. Álcool, tabaco e maconha: drogas pediátricas: o envolvimento do pediatra e da família na prevenção. [S.l: s.n.], 2016.
  2. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Tabagismo. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tabagismo

 

Relator:

Fernando MF Oliveira

Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: piotr marcinski | depositphotos.com

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Sabe quais são as semelhanças entre a pandemia do coronavírus e a endemia das drogas? https://spsp.org.br/sabe-quais-sao-as-semelhancas-entre-a-pandemia-do-coronavirus-e-a-endemia-das-drogas/ Fri, 24 Jul 2020 14:40:22 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3319 Observando como as pessoas estão tratando o problema da COVID-19, achei muitas semelhanças com a luta contra as drogas lícitas (álcool e tabaco) e ilícitas também.

1.  Muitos não acreditam que há realmente uma doença que está matando muitos no mundo todo, apesar de o Brasil ser responsável por aproximadamente 13% das mortes mundiais. A semelhança é que muitos não acreditam que as drogas também são responsáveis por destruição de vidas no Brasil e no mundo e se entregam a elas com muita facilidade.

2. Ainda se vê muita gente sem máscaras e nem um pouco preocupada com o distanciamento entre as pessoas, vide a abertura dos bares no Rio de Janeiro. A semelhança é que também se vê uso de drogas recreacionais, esporádicas, aos finais de semana, aumentando a chance de se ter dependência, partindo para o uso nocivo.

ridofranz | depositphotos.com

3.  A COVID-19 abre portas para as doenças crônicas matarem o indivíduo (hipertensão, diabetes, asma) e as drogas lícitas abrem portas para as drogas ilícitas.

4. Presenciei, no início da implantação da Lei ambiente fechado livre do tabaco (2009), uma gestante pedir para o senhor da mesa do lado apagar o cigarro e ele não o fez, ela saiu do restaurante e ele fez questão de apagar o seu cigarro no café que ela havia deixado na mesa, como ato de agressão. Para me afastar de uma conhecida que estava andando sem máscara, eu atravessei a rua e fui para a calçada em frente, ela me respondeu: “eu não mordo!” e eu pensei: “não morde, mas transmite vírus”. As pessoas não pensam nesta possibilidade.

5. Obviamente, muitos não vão se prevenir adequadamente, não vão se infectar ou terão a forma leve da doença e vão achar que tudo era besteira, esquecendo-se do número de doentes e mortos que tivemos. A semelhança com as drogas é que muitos vão usá-las e vão sentir prazer, esquecendo-se daqueles que se tornarão alcoólatras, que desenvolverão surtos psicóticos, ficarão esquizofrênicos ou serão “mortos vivos”.

6. Sabemos que enquanto não tivermos pelo menos uma vacina, a prevenção é a única saída. Com a droga a prevenção é a primeira saída, já que poucos conseguem largá-la sem ter consequências e sequelas.

O aconselhamento breve, um bate papo frequente de orientação são as máscaras e isolamento contra a droga. Gastemos tempo com nossas famílias, pois esta é a vacina para a prevenção das drogas. Não menosprezem o poder viciante delas, inclusive das drogas lícitas e da maconha, que pode causar lesões cerebrais irreversíveis. Mudem seus hábitos, diminuam o consumo de bebida alcoólica em sua casa, parem de fumar e deem o exemplo.

A COVID-19 vai passar, mas a questão de álcool e outras drogas vai continuar destruindo lares. Pensemos nisto com carinho. A prioridade atual é esta pandemia, mas há outras questões também, que não podem ser esquecidas.

Quer ajudar na prevenção do uso e consumo de álcool e outras drogas?  Acesse o site www.drbarto.com.br.

Ali está o que você pode fazer. Um grande abraço a todos.

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Relator:
João Paulo Becker Lotufo
Coordenador do Grupo de Trabalho no Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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