Dor – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Tue, 24 Mar 2026 14:19:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Dor – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Word Day 2026 – Mais que um diagnóstico, uma jornada de cuidado https://spsp.org.br/word-day-2026-mais-que-um-diagnostico-uma-jornada-de-cuidado/ Thu, 12 Mar 2026 12:17:36 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55430 No dia 18 de março, unimos forças pelo WORD Day (World Young Rheumatic Diseases Day) – Dia Mundial das Doenças Reumáticas em Jovens.]]>

No dia 18 de março, unimos forças pelo WORD Day (World Young Rheumatic Diseases Day) – Dia Mundial das Doenças Reumáticas em Jovens. Assim como acontece em outros países, no Brasil, diferentes entidades médicas, entre elas a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), se reúnem para difundir o conhecimento sobre as doenças reumáticas em crianças e adolescentes, com o objetivo de auxiliar no diagnóstico precoce e realizar encaminhamento aos reumatologistas pediátricos.

Mais do que uma data no calendário, é o momento para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelos pais e pacientes com doenças reumáticas, além de conscientizar a sociedade sobre condições que, apesar de muitas vezes estarem associadas ao envelhecimento, também atingem pessoas jovens, podendo causar dor, limitações físicas e impacto emocional significativo.

Relembrar esse dia é fundamental para combater o preconceito, incentivar o diagnóstico precoce e garantir acesso ao tratamento adequado, promovendo mais qualidade de vida e oportunidades para os jovens viverem plenamente.

Desmistificando as doenças reumáticas: conhecer para acolher

Frequentemente o medo surge do que não conhecemos. Ao ouvir o termo “reumatismo”, muitas pessoas imaginam um idoso com mobilidade limitada, mas, na prática, o “reumatismo” não tem idade: crianças, adolescentes e jovens adultos também podem ser afetados, com impactos na vida escolar, profissional e social.

Além disso, os sintomas das doenças reumáticas em crianças podem ser confundidos com outras condições mais comuns, o que leva a atrasos no tratamento e agrava o quadro do paciente.

Entender melhor essas doenças – seus sintomas, desafios e possibilidades de tratamento – é fundamental para combater preconceitos, reduzir o estigma e cultivar empatia. Informação de qualidade gera compreensão, e compreender é o primeiro passo para acolher, apoiar e garantir que quem vive com uma doença reumática receba respeito, acesso ao cuidado adequado e oportunidades de uma vida plena. Isso é especialmente importante para que crianças não percam momentos essenciais de brincar, estudar, praticar esportes e participar de atividades sociais devido à falta de conhecimento.

Ao compartilhar histórias de jovens que superam as dificuldades das doenças reumáticas, esse Dia ajuda a mostrar que é possível viver bem com essas condições, desde que se tenha o tratamento adequado e o suporte necessário.

Derrubando os mitos mais comuns:

“Vai passar quando crescer”: Muitas vezes, elas são confundidas com “dores de crescimento” ou vistas como algo que simplesmente vai passar com o tempo. No entanto, essas condições são doenças reais, que podem ser crônicas e exigir acompanhamento médico.

“É só por causa do frio”: embora o frio possa aumentar a sensação de dor, ele não é a causa de doenças reumáticas. Essas condições têm origens mais complexas, envolvendo fatores genéticos, ambientais e imunológicos.

“É doença de idosos”: este é, talvez, o mito mais comum. Crianças, jovens e adultos em idade produtiva também podem receber um diagnóstico de doença reumática.

“Não tem o que fazer”: no passado, receber um diagnóstico de doença reumática era encarado como um caminho sem retorno, já que essas condições não têm cura. Hoje, a medicina avançou significativamente, e graças a novos tratamentos e pesquisas de ponta, alcançar a “remissão” – quando a doença fica silenciosa e sem sintomas – tornou-se uma realidade possível para muitos pacientes.

O que o corpo está tentando dizer?

As doenças reumáticas não afetam apenas as articulações; elas englobam várias condições inflamatórias e autoimunes que podem atingir outros tecidos do corpo. Condições como a artrite idiopática juvenil, o lúpus eritematoso sistêmico juvenil, a dermatomiosite juvenil, vasculites e a esclerodermia sistêmica podem causar dor, inchaço nas articulações, limitações de movimento, fraqueza muscular e fadiga, afetando diretamente a mobilidade e a qualidade de vida.

Reconhecer esses nomes não é rotular o paciente, mas sim oferecer um mapa para que ele possa navegar com mais segurança. Quando o paciente compreende como a doença afeta o seu organismo, ele passa a assumir um papel ativo no próprio cuidado. Esse entendimento fortalece sua autonomia e contribui para escolhas mais conscientes ao longo do tratamento.

O impacto do diagnóstico precoce

Nas doenças reumáticas, a janela de oportunidade entre os primeiros sintomas e o início do tratamento pode mudar completamente o rumo de uma vida. O diagnóstico precoce é fundamental, pois permite que a inflamação seja controlada o quanto antes. Quando tratadas a tempo, essas doenças podem ser controladas com medicamentos, fisioterapia e terapias específicas. No entanto, o diagnóstico tardio pode resultar em danos irreversíveis, como deformidades nas articulações ou problemas em órgãos internos, como rins, coração e pulmão.

Estilo de vida e adaptação: como viver bem além das limitações

Receber um diagnóstico não representa o fim do caminho, mas o começo de uma nova etapa. Ajustar o estilo de vida pode ser um dos maiores desafios nesse processo, porém também se torna uma oportunidade de transformação e cuidado consigo mesmo.

  • O movimento como remédio

Pode parecer contraditório recomendar exercícios a quem convive com dor, porém o movimento é um componente fundamental do tratamento. Atividades de baixo impacto, como natação, pilates ou caminhadas leves – sempre respeitando os limites do corpo e com orientação profissional – contribuem para manter as articulações ativas e a musculatura fortalecida. Nesse contexto, o exercício não tem como objetivo o desempenho, mas a manutenção da mobilidade e do bem-estar.

  • Alimentação e repouso: repondo as energias

Uma alimentação equilibrada, com foco em alimentos de ação anti-inflamatória, pode atuar como um importante aliado ao tratamento medicamentoso. Da mesma forma, reconhecer a importância do sono e respeitar os momentos de cansaço fazem parte do cuidado com o corpo. Quando o organismo sinaliza a necessidade de pausa, descansar não significa parar, mas permitir a recuperação necessária para seguir adiante com mais equilíbrio.

  • A adaptação mental

Conviver de forma equilibrada com uma doença reumática exige, antes de tudo, uma adaptação mental. Ajustes simples no dia a dia – seja em casa, na escola ou no trabalho – não apenas facilitam a rotina, mas também fortalecem a sensação de controle e autonomia. Ao reconfigurar nossa forma de pensar sobre limites e possibilidades, mostramos que a doença pode estar presente, mas nunca define quem somos.

A rede de apoio: família, amigos e sociedade

O impacto das doenças reumáticas vai além do paciente, alcançando toda a família. Ninguém percorre essa jornada sozinho. No caso das doenças reumáticas na infância, o suporte emocional é tão essencial quanto o tratamento medicamentoso. O papel de familiares e amigos não é supervisionar ou sentir pena, mas oferecer um ambiente seguro, onde a vulnerabilidade possa ser expressa sem julgamentos. Pais e responsáveis tornam-se cuidadores fundamentais, garantindo que a criança ou adolescente sigam o tratamento corretamente e participem dos acompanhamentos médicos necessários.

Para quem acompanha, o acolhimento começa com a escuta atenta. A dor reumática muitas vezes não é vista: por fora, a pessoa pode parecer bem, enquanto internamente enfrenta cansaço e desconforto constantes. Reconhecer essa dor e oferecer apoio em pequenas tarefas – abrir um pote, carregar uma mochila, auxiliar na lição de casa ou simplesmente caminhar em um ritmo mais tranquilo – é uma das formas mais sinceras de cuidado e afeto.

A sociedade também precisa ser preparada para oferecer apoio. Promover escolas mais inclusivas e implementar políticas públicas que garantam acesso à saúde são formas coletivas de cuidado. Quando o ambiente entende a natureza flutuante das doenças reumáticas – com dias melhores e outros de crise – o paciente se sente protegido para participar da vida social e, futuramente, contribuir de forma produtiva, sem o peso do estigma.

Avanços e esperança: novos horizontes no cuidado

Enquanto há alguns anos o diagnóstico de uma doença reumática era encarado com preocupação, atualmente há um otimismo crescente: vivemos a era da medicina de precisão, em que os tratamentos se tornam cada vez mais individualizados e eficazes.

A ciência avançou além dos anti-inflamatórios tradicionais e corticoides. Hoje, os imunobiológicos atuam diretamente nas moléculas responsáveis pela inflamação, possibilitando que muitos pacientes atinjam a remissão completa dos sintomas. Esses avanços vão além do controle da dor: eles têm como objetivo restaurar a rotina e a qualidade de vida – permitindo que uma criança vá à escola e brinque com os amigos, que um adolescente pratique esportes ou que um adulto siga com sua carreira sem limitações.

Além dos avanços nos medicamentos, a biotecnologia tem fornecido ferramentas de monitoramento que auxiliam médicos, familiares e pacientes a prever possíveis crises. Esses progressos resultam de pesquisas clínicas rigorosas e do trabalho constante de equipes de cientistas, dedicadas a criar estratégias cada vez mais eficazes para controlar a inflamação e restaurar a qualidade de vida.

Conclusão: você não está sozinho

O WORD Day é uma ocasião fundamental para ampliar a conscientização sobre as doenças reumáticas. Porém, não se trata de “comemorar a doença”, e sim de valorizar a resiliência humana e a rede de apoio que nos envolve. Seja pelo cuidado de um familiar, pelo progresso de um novo tratamento ou pelo suporte científico de instituições como sociedades médicas e organizações de pacientes e pais, a mensagem central é de solidariedade e união.

Para pais e familiares, é fundamental se informar sobre a doença, oferecer suporte emocional às crianças e adolescentes, assegurar o tratamento correto e incentivar a inclusão. Com essa rede de apoio, jovens com doenças reumáticas podem levar uma vida plena e ativa, superando os obstáculos impostos pela condição.

As doenças reumáticas podem trazer desafios, mas não determinam o futuro de uma criança. Com apoio, informação adequada e acompanhamento especializado, a jornada se torna mais tranquila. Que este Dia nos aponte que, mesmo diante da incerteza, é a empatia e o conhecimento que aquecem e fortalecem o caminho.

 

Orientações para os pais e familiares

Cuidar de uma criança ou adolescente com doença reumática é um desafio, mas com as orientações corretas, é possível proporcionar um ambiente saudável e acolhedor.

Aqui estão algumas dicas úteis para pais e familiares:

  1. Saiba mais sobre as doenças reumáticas

O conhecimento sobre doença é essencial. Ao entender um pouco sobre as condições e os tratamentos, você poderá tomar decisões mais assertivas e apoiar o seu filho da melhor maneira. Participe de eventos educativos, e em caso de dúvida, consulte especialistas e leia sobre as doenças reumáticas em fontes confiáveis.

  1. Sempre apoie seu filho

As doenças reumáticas não afetam apenas o corpo, mas também o bem-estar psicológico. É importante estar atento às necessidades emocionais do seu filho, oferecendo apoio e criando um ambiente seguro e acolhedor. Incentive uma comunicação aberta sobre como ele se sente, seus medos e suas dúvidas.

  1. Mantenha a rotina de tratamento sempre que possível

Siga o plano de tratamento indicado pelos médicos, que pode incluir medicamentos, fisioterapia, consultas regulares e acompanhamento de outros profissionais da área da saúde, como psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais. A adesão rigorosa ao tratamento é fundamental para o controle da doença e para evitar complicações.

  1. Promova um ambiente escolar e social de inclusão

É essencial que o jovem se sinta incluído nas atividades sociais e escolares. Trabalhe junto com as escolas para garantir que ele tenha as adaptações e o apoio de outros profissionais, se for o caso. Incentivar a participação em atividades recreativas também é importante para o desenvolvimento físico e emocional.

  1. Busque grupos de apoio

Participar de grupos de apoio de pais e pacientes com as mesmas doenças reumáticas ou com profissionais especializados é de grande importância para compartilhar experiências e obter orientações. Esses grupos oferecem um espaço seguro para discutir e compartilhar as dificuldades enfrentadas e encontrar soluções em conjunto e mobilizar o poder público na defesa por acesso ao diagnóstico precoce, tratamento adequado e inclusão social; atuando como importantes agentes de informação, combatendo o preconceito e ampliando a conscientização sobre as doenças reumáticas.

Saiba mais: https://www.spsp.org.br/wordday-brasil-2026-por-que-falar-sobre-as-doencas-reumaticas-na-infancia/

 

Relatora:

Ana Paula Sakamoto

Presidente do Departamento Científico de Reumatologia da SPSP

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Câncer infantil: diagnóstico precoce promove taxas de cura elevadas https://spsp.org.br/cancer-infantil-diagnostico-precoce-promove-taxas-de-cura-elevadas/ Fri, 13 Feb 2026 10:30:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55094 O dia 15 de fevereiro é considerado o Dia Internacional do Câncer Infantil. Nessa faixa etária, essa é uma doença rara, grave e potencialmente curável. Os principais sintomas do câncer ]]>

O dia 15 de fevereiro é considerado o Dia Internacional do Câncer Infantil. Nessa faixa etária, essa é uma doença rara, grave e potencialmente curável. Os principais sintomas do câncer na criança são comuns a várias doenças da infância, que são muito mais frequentes. A diferença está na persistência desses sintomas.

E quais são os sinais e sintomas que devem chamar a atenção do médico?

Em primeiro lugar, a febre, frequente em doenças infecciosas, e que quando não cessa após tratamentos usuais e se prolonga por mais de três semanas, deve suscitar melhor investigação.

A febre persistente, por exemplo, é um dos sintomas mais comuns na leucemia, principal câncer da criança abaixo de dez anos. Pode vir acompanhada pelo aumento dos gânglios, popularmente conhecidos como “ínguas”, o aparecimento de manchas roxas na pele, e às vezes pequenos sangramentos nasais ou gengivais. Um exame laboratorial de fácil realização e resultado quase imediato, o hemograma, pode ser esclarecedor nesses casos.

A leucemia em pediatria é uma doença de aparecimento rápido; os tratamentos são cada vez mais eficazes, com grande possibilidade de cura. A queixa de dor de cabeça, principalmente quando interrompe brincadeiras ou acorda a criança, acompanhada ou não de vômitos, ocorre com frequência nos tumores cerebrais, os tumores sólidos mais frequentes no paciente pediátrico. A realização de tomografia computadorizada de crânio pode revelar o tumor e outras intercorrências, mas não deve retardar o encaminhamento da criança para um serviço especializado que conte com equipe de neurocirurgia.

Os tumores abdominais na sequência, em geral se apresentam como o aumento da barriga, com ou sem dor, e nem sempre associados com outros sintomas. O ultrassom de abdome, também um exame simples, é o primeiro passo na investigação. A dor e o inchaço em articulações, como joelho, nem sempre relacionados a trauma, podem caracterizar um tumor ósseo. Novamente, um exame de fácil realização como a radiografia do local acometido pode indicar a presença da doença. O aparecimento de qualquer caroço no corpo da criança, principalmente quando cresce sem parar, deve ser sempre investigado.

Não há como prevenir o câncer na criança; essa doença aparece ao acaso, não tem relação com tipo de alimentação ou outros eventos cotidianos. O importante é que os pais, sempre que perceberem algo errado, seja dor ou tumor, ou outro sintoma que não melhora e que progride e atrapalhe a atividade da criança, devem procurar o pediatra o mais breve possível. Esse médico, quando suspeita de câncer, encaminha o paciente para o oncologista pediátrico, o especialista em tratamento de câncer na criança e no adolescente.

Quando diagnosticado no início, o paciente pode ser curado em 70% a 80% dos casos. As modalidades terapêuticas podem envolver quimioterapia, cirurgia, radioterapia, utilização de drogas-alvo e imunoterapia, e devem ser realizadas em centros especializados. Nesses centros há uma busca incessante do diagnóstico mais preciso para o tratamento mais adequado.

 

Relatora:
Ethel Fernandes Gorender
Presidente do Departamento Científico de Oncologia da SPSP

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Combate à dengue: protegendo nossas crianças e a comunidade https://spsp.org.br/combate-a-dengue-protegendo-nossas-criancas-e-a-comunidade/ Sat, 22 Nov 2025 15:03:31 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=54299 No Dia Nacional de Combate à Dengue, celebrado no penúltimo sábado do mês de novembro – dia 22 neste ano –, a Sociedade de Pediatria de São Paulo reforça a importância da vigilância]]>

No Dia Nacional de Combate à Dengue, celebrado no penúltimo sábado do mês de novembro – dia 22 neste ano –, a Sociedade de Pediatria de São Paulo reforça a importância da vigilância e da ação conjunta de toda a população contra essa doença que, infelizmente, continua a ser um grave problema de saúde pública em nosso país.

A dengue é uma infecção viral séria, transmitida pela picada de um mosquito, que pode afetar qualquer pessoa, mas exige atenção redobrada quando se trata de crianças, que são mais vulneráveis e podem apresentar quadros mais graves.

A transmissão da dengue ocorre exclusivamente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em locais com água parada. Com o clima tropical do Brasil, e especialmente em grandes centros urbanos de um Estado populoso como São Paulo, a proliferação do mosquito é facilitada, tornando a prevenção uma tarefa contínua.

Nossas crianças, com seu sistema imunológico em desenvolvimento e muitas vezes com dificuldade para expressar o que sentem, estão em maior risco e precisam da nossa proteção constante.

Os sintomas da dengue em crianças podem ser variados e, por vezes, confundidos com outras doenças comuns da infância. Deve-se ficar atento a febre alta repentina, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas na pele, cansaço extremo, náuseas, vômitos e dor abdominal.

É crucial procurar atendimento médico imediatamente se a criança apresentar sinais de alarme, como dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos (nariz, gengiva), sonolência excessiva ou irritabilidade. A rapidez no diagnóstico e tratamento pode salvar vidas.

A melhor forma de combater a dengue é através da prevenção, eliminando os focos do mosquito. Dedique alguns minutos do seu dia para verificar e eliminar qualquer recipiente que possa acumular água: vasos de plantas, pneus, garrafas, calhas entupidas, caixas d’água destampadas.

Outras medidas importantes: usar repelentes adequados para a idade da criança, instalar telas em janelas e portas e vestir roupas que cubram braços e pernas, especialmente nos horários de maior atividade do mosquito (manhã e fim de tarde).

A participação de cada família e de toda a comunidade é fundamental. Em algumas cidades há a disponibilidade gratuita da vacinação para adolescentes de 10 a 14 anos, mas aqueles de 4 a 60 anos que não estiverem contemplados por gratuidade podem procurar a prevenção pela vacinação em serviços privados também.

Juntos, podemos construir um ambiente mais seguro e saudável para todos. A luta contra a dengue é um compromisso coletivo que exige informação, conscientização e atitude. Sua ação hoje, por menor que pareça, é um passo gigante na proteção da vida e na construção de um futuro livre dessa doença. Vamos juntos nessa batalha!

 

Relatora:

Melissa Palmieri
Secretária do Departamento Científico de Imunizações da SPSP
Membro do Departamento Científico de Infectologia da SPSP

 

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A jornada da amamentação e o papel do odontopediatra https://spsp.org.br/a-jornada-da-amamentacao-e-o-papel-do-odontopediatra/ Fri, 19 Sep 2025 11:53:43 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=53252 A amamentação é uma jornada única e desafiadora, cheia de aprendizados para a mãe e para o bebê. O recém-nascido, mesmo que tenha nascido a termo, ainda está desenvolvendo]]>

A amamentação é uma jornada única e desafiadora, cheia de aprendizados para a mãe e para o bebê. O recém-nascido, mesmo que tenha nascido a termo, ainda está desenvolvendo a coordenação complexa de sugar, deglutir e respirar. Essa habilidade, que é essencial para extrair o leite, é aprendida e aprimorada a cada mamada.

Nos primeiros três meses, o aprendizado da amamentação passa por uma autorregulação. O bebê se adapta para coordenar a sucção e a deglutição, enquanto o corpo da mãe se ajusta para produzir leite de forma constante. Esse período nem sempre é simples, mas um manejo adequado da amamentação pode fazer toda a diferença. Dificuldades como a pega incorreta podem causar dor e ferimentos na mãe, podendo levar a um desmame precoce.

Em alguns casos, as dificuldades na amamentação podem estar relacionadas a problemas na cavidade oral do bebê. É aí que o odontopediatra se torna um aliado na equipe que atende a família, diagnosticando e tratando condições como:

  • Lesões na cavidade oral
  • Pouca abertura de boca, retrognatia mandibular (situação quando a mandíbula está posicionada mais para trás do que o normal, podendo resultar em recuo do queixo)
  • Dentes natais (presentes ao nascer) ou neonatais (que aparecem no primeiro mês de vida)
  • Anquiloglossia (a famosa “língua presa”), que limita os movimentos da língua, e outros freios orais que podem estar alterados e impactando na movimentação local.

 

Anquiloglossia: a “língua presa”

A anquiloglossia é um dos desafios de amamentação mais discutidos. O diagnóstico é complexo e deve ser feito por uma equipe transdisciplinar.

É crucial que o pediatra avalie o bebê, para que possa ser realizada qualquer intervenção, até mesmo uma simples manipulação.

O bebê é um paciente que deve ser considerado especial e, portanto, cuidados específicos devem ser tomados, como evitar excesso de manipulação, dor, etc., que possam causar estresse ao bebê e desorganizar o aprendizado de funções básicas!

Embora não exista consenso na literatura, muitos estudos e a prática clínica têm demonstrado que a liberação do freio lingual pode melhorar a pega do seio materno pelo bebê e a dor da mãe durante as mamadas. Em casos de dúvida, uma abordagem conservadora, com acompanhamento e suporte contínuos, é a mais indicada, conforme a Nota Técnica 52/2023 do Ministério da Saúde.

 

A importância do acompanhamento multidisciplinar

A língua é um órgão composto por vários músculos, que precisam trabalhar em equilíbrio e harmonia. A anquiloglossia pode afetar o desenvolvimento da língua na forma e função e, por isso, mesmo após a cirurgia de liberação do freio, o acompanhamento com um fonoaudiólogo é essencial. Esse profissional auxilia na reabilitação muscular e da mamada, garantindo que a língua ganhe a forma e função necessárias e a dupla mãe-bebê alcance uma amamentação eficiente.

Cada família é singular e o diagnóstico e plano de tratamento devem ser personalizados. É fundamental evitar o sobretratamento (procedimentos cirúrgicos desnecessários), quanto o subdiagnóstico e o subtratamento (falha em identificar e tratar problemas reais), que podem prejudicar o crescimento e desenvolvimento do bebê!

Atender uma família nesse momento vulnerável exige conhecimento, empatia e, acima de tudo, uma abordagem cuidadosa, criteriosa e transdisciplinar.

 

Relatora:
Adriana Cátia Mazzoni
Membro do Núcleo de Estudos de Saúde Oral da SPSP

Colaboradoras:
Cristina Giovannetti Del Conte
Mary Odete da Silva
Sylvia Lavínia Ferreira
Núcleo de Estudos de Saúde Oral da SPSP

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Uma atitude de vida https://spsp.org.br/uma-atitude-de-vida/ Tue, 19 Aug 2025 15:35:08 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=52785 ]]>

O humano é mais humano quando reconhece no outro o próprio reflexo.

Neste Dia Mundial Humanitário, celebramos aqueles que se colocam a serviço da dignidade humana. A data nasceu da tragédia de 19 de agosto de 2003 – o atentado à sede da ONU em Bagdá, que tirou a vida de 22 trabalhadores da organização humanitária, entre eles o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello. Desde então, esse dia tornou-se um marco internacional para homenagear os que atuam em zonas de risco, que semeiam cuidado onde impera o caos, que levam consolo onde há dor, fome, medo e abandono. É dia de lembrar e agradecer.

No trabalho humanitário, muitas vezes os desafios são grandes, os cenários complexos e as respostas, nem sempre claras. Mas há algo mais profundo que impulsiona as ações, além da vontade de resolver todos os problemas – o compromisso de estar presente, de escutar, de estender a mão, de amparar.

Milhares de profissionais e voluntários ao redor do mundo inspiram e tornam o mundo menos hostil, mais humano, renovam a nossa esperança.

Mas o humanitarismo não se expressa apenas nos grandes gestos, nem está restrito aos cenários extremos. Ele também se revela nas escolhas simples do cotidiano: na escuta atenta, na partilha generosa, na empatia que transforma o outro em irmão. Ser humanitário não é apenas uma profissão – é uma atitude de vida.

Este dia é também um chamado para reconhecermos a dor do outro como digna de atenção, mesmo quando não ocupa as manchetes. A necessidade e o apelo por socorro não estão distantes de nós – podem estar no vizinho idoso, na criança vulnerável, no morador em situação de rua à nossa porta.

Cada gesto, por menor que pareça, é fio de uma grande teia de cuidado – a mesma que sustenta, silenciosamente, a dignidade coletiva.

Recorro à letra inspirada da música Gente, de Caetano Veloso, para dizer as palavras finais: “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”, e ainda: “Gente espelho da vida, Gente espelho da vida/ Gente espelho da vida, vida”.

 

Relator:

Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil https://spsp.org.br/dia-internacional-de-luta-contra-o-cancer-infantil/ Thu, 15 Feb 2024 14:04:28 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42638 Quinze de fevereiro é o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil. Esta é uma doença rara, grave e curável (em grande parte dos casos)]]>

Quinze de fevereiro é o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil. Esta é uma doença rara, grave e curável (em grande parte dos casos). Os principais sintomas do câncer na criança são comuns a várias doenças da infância; a duração ou persistência desses sintomas é o que deve chamar a atenção das famílias e dos pediatras. A febre, frequente em doenças infecciosas, quando não cessa após tratamentos usuais, e se prolonga por mais de três semanas, demanda maior investigação, inclusive com a realização de exames laboratoriais. A febre persistente é um dos sintomas mais comuns na leucemia, principal câncer da criança abaixo de 14 anos.

A queixa de dor de cabeça, sintoma comum a quadros de infecção de vias aéreas superiores, quando não responde a medicação analgésica, quando interrompe brincadeiras ou acorda a criança, sendo acompanhada ou não de vômitos, ocorre com frequência nos tumores cerebrais, o segundo tipo de tumor mais comum nessa faixa etária.

O aparecimento de gânglios, também conhecidos como ínguas, que não param de crescer, mesmo indolores, e principalmente quando estão em vários locais do corpo, tais como pescoço, axilas, virilhas, é outro sintoma comum em infecções e em alguns tipos de câncer, como leucemia e linfoma.

O aumento da barriga, com ou sem dor, o inchaço nas articulações, como joelho, o crescimento de um caroço embaixo da pele, o aparecimento de algo incomum na criança, como estrabismo, mancha branca no olho, também são sintomas presentes em alguns tipos de câncer infantil.

Não há como prevenir o câncer na criança: esta doença aparece ao acaso, não tem relação com tipo de alimentação ou outros eventos cotidianos. O importante é que os pais, sempre que perceberem algo errado, seja dor, tumoração, ou outro sintoma que não melhora e que progride, atrapalhando a atividade da criança, devem procurar o pediatra o mais breve possível. Esse médico, quando suspeita que pode ser câncer, encaminha o paciente para o oncologista pediátrico, o especialista em tratamento de câncer na criança e no adolescente.

Quando diagnosticado no início, o paciente pediátrico pode ser curado em 70% a 80% dos casos. Em centros de excelência em tratamento de câncer da criança e do adolescente, o paciente realizará exames para que o diagnóstico seja o mais preciso possível, inclusive em nível molecular, o que possibilita um tratamento mais direcionado à doença do paciente.

Quimioterapia, radioterapia e cirurgia são as modalidades terapêuticas mais utilizadas. Além destas, atualmente cresce a importância de novas drogas, que atuam diretamente em alterações moleculares expressas pelas células tumorais. Estas medicações são conhecidas como drogas-alvo, e, em geral, apresentam menos efeitos adversos em relação à quimioterapia. A imunoterapia é outra modalidade que se destaca, com objetivo de melhorar as ações de defesa do paciente contra o tumor. Os pacientes, nesses centros, são atendidos por diversos médicos, além do oncologista, tais como cirurgião pediátrico, oftalmologista, ortopedista. E a criança e o adolescente recebem abordagem da equipe multidisciplinar, que envolve equipe de enfermagem, farmácia, serviço social, fisioterapia, odontologia, fonoaudiologia, nutrição e psicologia. O envolvimento de todos esses profissionais, com suporte tecnológico adequado, possibilita as melhores taxas de cura do câncer infantil.

Relatora:
Ethel Fernandes Gorender
Vice-Presidente do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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6 de junho – Dia Nacional de Luta contra Queimaduras https://spsp.org.br/6-de-junho-dia-nacional-de-luta-contra-queimaduras/ Tue, 06 Jun 2023 19:26:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=37763 Acidentes envolvendo substâncias quentes, cáusticas ou até mesmo os incêndios são relatados desde a antiguidade. Impossível não nos]]>

Acidentes envolvendo substâncias quentes, cáusticas ou até mesmo os incêndios são relatados desde a antiguidade. Impossível não nos lembrarmos do grande incêndio que aconteceu em São Paulo, na década de 1970, com o Edifício Joelma, ou a tragédia da Boite Kiss, no Rio Grande do Sul. Entre todas as características que envolvem esse tipo de evento, a mais importante é que a grande maioria das situações seriam preveníveis.

As queimaduras são consideradas um problema de saúde pública, pois representam uma parcela significativa de morbimortalidade na população mundial. No Brasil, ocorre cerca de um milhão de acidentes ao ano envolvendo queimaduras. Desses, 100 mil atendimentos são em unidades de saúde, chegando a 2.500 óbitos. Os países de renda média ou baixa são responsáveis por 90% dos casos de queimaduras. Mesmo os acidentes não fatais levam a terríveis consequências, como incapacidades funcionais, estéticas, psicológicas, sociais, além da dificuldade de retorno à mesma qualidade de vida.

Em relação à epidemiologia, observa-se que a maior parte das queimaduras ocorre no ambiente domiciliar e 80% acontecem na cozinha. O principal agente são os líquidos superaquecidos, que provocam escaldaduras. As lesões em geral são múltiplas e em várias regiões do corpo, pois geralmente o líquido cai ou espirra na criança e escorre. Um dado alarmante é que cerca de 20% das queimaduras em crianças estão relacionadas a maus-tratos infantis: 10%-12% das crianças agredidas apresentam queimaduras graves.

As queimaduras podem ser divididas em:

  • Térmicas: líquidos, vapores, sólidos superaquecidos e substâncias inflamáveis.
  • Elétricas: contato com corrente elétrica, seja por passagem de corrente pelo corpo ou explosão.
  • Outras: substâncias químicas, “geladura” e radiação (ingestão de pilhas, baterias).

Outra forma de classificação é em relação à profundidade das queimaduras, descritas como de primeiro, segundo ou terceiro grau. As de primeiro grau são as mais superficiais e são as conhecidas queimaduras solares. Quando existe a presença de bolhas, um nível um pouco mais profundo foi acometido, causando dor muito intensa. As de terceiro grau são as mais profundas e mais graves. Toda queimadura elétrica é classificada como de terceiro grau.

Na ocorrência de uma queimadura, existem algumas condutas que são consideradas universais e que podem ser realizadas por qualquer pessoa que esteja acessível à vítima. Esse primeiro atendimento é fundamental para a boa evolução da criança.

É importante salientar que o socorrista nunca deve se expor aos mesmos perigos que a vítima, para não se tornar mais uma vítima! O resgate especializado deve ser feito sempre pelo Corpo de Bombeiros – 193.

O primeiro objetivo é interromper o processo de queimadura: deve ser feito o resfriamento da lesão com água limpa e corrente, por pelo menos 20 minutos. Após, deve ser protegida com gaze, tecidos limpos, de modo frouxo, sem compressão no local.

Em hipótese alguma deve-se colocar qualquer substância sobre a área queimada. Pomadas de qualquer tipo, emplastros caseiros, substâncias orgânicas são totalmente contraindicados, pois além de não aliviarem a dor, podem causar malefícios, como infecções. A medicação que pode ser oferecida à criança é um analgésico de uso habitual. Em algumas situações especiais a criança deve ser encaminhada a uma unidade de saúde, para receber tratamento especializado, pois representam maior risco à saúde. São elas: presença de bolhas, queimaduras elétricas e químicas, lesões na face, nos olhos, no períneo, nas mãos, nos pés e nas articulações.

As queimaduras não são consideradas acidentes: o manuseio inadequado de agentes inflamáveis, geralmente pelos adultos, a falta de políticas públicas e privadas de prevenção e, principalmente, a falta de supervisão das crianças são os grandes culpados por essa triste ocorrência.

Muitas campanhas de prevenção têm sido realizadas nos últimos tempos, destacando-se o “JUNHO LARANJA”, que foi criado pela Sociedade Brasileira de Queimados (SBQ), também responsável pela divulgação e instituição do Dia Nacional de Luta contra Queimaduras, dia 6 de junho. Fomentado pelas tradicionais festas juninas, tipicamente comemoradas em junho, a SBQ, juntamente com várias ONGs e iniciativas do setor privado, lideram campanhas em TVs e mídias sociais, a fim de sensibilizar a população para esse grave problema de saúde pública. Quanto mais conhecermos um problema, mais temos a chance de preveni-lo.

Pais, mantenham seus filhos sob vigilância, longe da cozinha e informem-se sobre os perigos que envolvem substâncias quentes e cáusticas. Uma sociedade bem informada, juntamente com as campanhas de prevenção, podem salvar muitas vidas.

 

Relatora:
Andréa de Melo Alexandre Fraga
Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da SPSP

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Dia Nacional de Combate e Luta Contra o Reumatismo https://spsp.org.br/dia-nacional-de-combate-e-luta-contra-o-reumatismo/ Fri, 28 Oct 2022 18:38:06 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=35166 No dia 30 de outubro é celebrado o Dia Nacional de Combate e Luta Contra o Reumatismo, com a intenção de conscientizar, alertar e informar a população sobre a existência de]]>

No dia 30 de outubro é celebrado o Dia Nacional de Combate e Luta Contra o Reumatismo, com a intenção de conscientizar, alertar e informar a população sobre a existência de várias doenças que acometem grande parte dos brasileiros, incluindo crianças e adolescentes. Essas doenças reumáticas, ou reumatismo, como são comumente chamadas, podem se manifestar de diversas maneiras e em todas as faixas etárias. O termo reumatismo engloba mais de 120 doenças diferentes. Reumatismo não é só doença de idoso ou relacionada ao envelhecimento! Criança também pode ter reumatismo!

No Brasil, cerca de 15 milhões de pessoas são acometidas pelo reumatismo.* É importante o reconhecimento das queixas e dos sintomas, que podem levar à suspeita de doença reumática pelos pediatras, pais, cuidadores e professores.

De maneira geral, o que levaria à suspeita de doença reumática em uma criança ou adolescente?

  1. Dor nas articulações, principalmente ao acordar (pela manhã)
  2. Dificuldade de andar (mancar)
  3. Inchaço/edema das articulações impedindo o movimento (não consegue dobrar e esticar a articulação)
  4. Dor nas costas (coluna) ou em região de nádegas (glúteos), principalmente após período em repouso prolongado
  5. Presença de febre prolongada (não acompanhada de sintomas de infecção como tosse, coriza, diarreia) ou febre recorrente (vem todo mês ou com intervalo de tempo regular)
  6. Perda de peso, queixa de cansaço, perda do apetite
  7. Fraqueza muscular (não consegue mais se levantar do chão ou subir na cama ou subir escadas ou se levantar sozinho)
  8. Manchas na pele: geralmente avermelhadas e principalmente nas regiões expostas ao sol
  9. Aftas orais de repetição. Amigdalites de repetição
  10. Mudança das características da urina (diminuição da quantidade, urina escurecida ou com presença de espuma)
  11. Mãos e pés arroxeados, principalmente no frio
  12. Alteração nos olhos: visão borrada, olhos vermelhos, dor nos olhos, incômodo pela luz
  13. Mudança repentina do comportamento da criança, diminuição do rendimento escolar, perda do interesse em brincar ou de estar com outras crianças: podendo ser manifestação de dor
  14. Alteração laboratorial em testes específicos como FAN (fator antinuclear). Lembrando que o FAN não deve ser utilizado como teste de triagem para doenças reumáticas.

Entre as principais doenças na infância estão a Artrite Idiopática Juvenil, a Febre Reumática, a Vasculite por IgA, a Doença de Kawasaki, o Lúpus Eritematoso Sistêmico juvenil, a Dermatomiosite juvenil, as febres periódicas e a Fibromialgia juvenil.

O reumatismo não tem cura, mas o diagnóstico precoce é de suma importância para o início do tratamento e controle da doença. O reumatologista pediatra irá orientar o paciente e a sua família quanto ao melhor tratamento a ser realizado.

Em alguns casos é necessário o acompanhamento conjunto com equipe multiprofissional (psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, dentista).

Temos disponível uma ampla gama de medicamentos para o controle das doenças e a escolha é individualizada para cada paciente, visando alcançar a inatividade de doença. Não é porque uma criança tenha sido diagnosticada com uma doença reumática que ela vai fazer uso de medicamentos para o resto da vida. A adesão ao tratamento proposto é de fundamental importância para a melhora dos sintomas e da qualidade de vida do paciente e de sua família. Assim como a adesão é importante para o planejamento de quanto tempo será necessário o uso das medicações.

A criança/adolescente com doença reumática deve ser mantida na escola (ambiente de aprendizado e convívio social). Deve manter uma alimentação balanceada e saudável (prato colorido e diversificado), assim como manter a prática de exercícios físicos regulares.

Saiba mais:

* fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia – https://www.reumatologia.org.br/

Relatora:
Melissa Mariti Fraga
Departamento Científico de Reumatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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