discriminação – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 27 Feb 2026 19:35:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png discriminação – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Discriminação: muitos ainda ficam de fora https://spsp.org.br/discriminacao-muitos-ainda-ficam-de-fora/ Sun, 01 Mar 2026 11:00:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=55233 Segundo o dicionário, a palavra “discriminar” significa perceber diferenças ou distinguir. Podemos encontrar também outra definição, que diz que “discriminar é colocar à]]>

Segundo o dicionário, a palavra “discriminar” significa perceber diferenças ou distinguir. Podemos encontrar também outra definição, que diz que “discriminar é colocar à parte por algum critério”. Infelizmente, quando pensamos em diversos aspectos da sociedade, ainda é amplamente presente a segunda definição, que exclui e priva crianças e adultos de direitos básicos.

O Dia Mundial de Zero Discriminação é celebrado no dia 1º de março em todo o mundo, a fim de promover igualdade, inclusão e respeito aos direitos de todos, sem distinção de raça, gênero, idade ou características físicas e cognitivas. Quando a discriminação atinge a infância, colocamos em risco o futuro de toda uma geração, pois comprometemos o direito a aprender, a brincar, à saúde e, consequentemente, ao desenvolvimento em pleno potencial.

Estudos demonstram que a discriminação está associada a desfechos negativos na saúde infantil. Experiências de racismo, por exemplo,  levam a maior risco de depressão, ansiedade, baixa autoestima, além de problemas comportamentais e pior estado geral de saúde em crianças e adolescentes.

Outras evidências recentes também relacionam a discriminação a alterações em biomarcadores inflamatórios, maior índice de massa corporal (IMC), obesidade, aumento da pressão arterial e maiores níveis de cortisol, indicando ativação de vias biológicas relacionadas ao estresse.

Sabemos também que o momento e a duração da exposição à discriminação durante a infância e a adolescência são fatores que contribuem em níveis distintos para mudança da arquitetura cerebral. O chamado estresse tóxico, causado pela discriminação sistemática e contínua, está associado a maior tendência a comportamentos de risco e abuso de substâncias. Estudos demonstram efeitos negativos sobre a saúde mental, uma vez que a discriminação aumenta o risco de ansiedade e depressão, que, por sua vez, estão associadas a pior saúde global.

Quanto maior a vulnerabilidade da criança ou do adolescente, as diferentes camadas de discriminação se sobrepõem, aumentando o risco de exclusão e impacto negativo em saúde.

Um estudo publicado na revista Pediatrics em 2025 mostrou que em adultos, a discriminação em saúde leva a perda de confiança, evitação de cuidados e mudança no comportamento de busca por assistência. Dados pediátricos eram escassos, até que em 2025 uma grande análise, usando um banco de dados com mais de 14 milhões de crianças, observou que 1 em cada 10 crianças com necessidades específicas sofre discriminação na saúde. Esse cenário está associado a uma chance duas vezes maior de abandono de cuidados e 45% maior de ida ao pronto-socorro por agravamento de questões que não foram direcionadas. Daqueles que sofrem discriminação constante nos serviços de saúde, 87% referiram impacto funcional significativo nas atividades diárias. Uma em cada cinco crianças com deficiência tem seu cuidado negado ou abandona o seguimento em saúde por mais de 12 meses e praticamente metade das crianças discriminadas eram adolescentes. Com frequência, é quem mais precisa do cuidado coletivo que fica à margem.

São inúmeras as evidências de que quanto maior o investimento na infância, buscando equiparar desigualdades e garantir direitos em saúde, educação e na construção de ambientes livres de violência, menores serão os gastos necessários para frear as consequências dos impactos negativos que a falta desses recursos traz.

Não são apenas as barreiras estruturais, como as dificuldades de acesso físico, as restrições de atendimento ou tratamento e a falta de profissionais preparados, que discriminam determinadas populações. A repercussão do ciclo negativo de cuidado acaba por trazer evitação ativa de cuidados, por parte das crianças e famílias envolvidas, que perdem a confiança no sistema, têm medo de novas experiências ruins que os exponham novamente à discriminação.

No Dia Mundial de Zero Discriminação, que possamos entender que um mundo em que não cabe um, não caberá nenhum de nós eventualmente.

 

Saiba mais:

  1. Ames et al. Disability-based discrimination and forgone health care in children with special health care needs. Pediatrics 2025;156(1).
  2. Trent et al. The impact of racism on child and adolescent health. Pediatrics 2019;144(2):e20191765.
  3. Priest et al. Racism and health and wellbeing among children and youth – An updated systematic review and meta-analysis.
    Soc Sci Med 2024 Nov:361:117324.

 

Relatora:
Anna Dominguez Bohn
Presidente do Núcleo de Estudos Sobre a Criança e o Adolescente com Deficiência da SPSP

 

 

 

]]>
1º de março – Dia Mundial de Zero Discriminação https://spsp.org.br/1o-de-marco-dia-mundial-de-zero-discriminacao/ Fri, 01 Mar 2024 17:30:56 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=42848 “Eu sou porque nós somos, mas também somos porque cada um de nós é.” É pelo diálogo que descobrimos como relacionar a história da comunidade e a do indiví]]>

“Eu sou porque nós somos, mas também somos porque cada um de nós é.”

É pelo diálogo que descobrimos como relacionar a história da comunidade e a do indivíduo. Ninguém constrói uma história sozinho: sempre há mais alguém nela inserido. Nenhum grupo é um ente abstrato isolado: ele existe e age na dependência de seus integrantes. Enfim, é através do ‘Nós’ que nos acolhe, que aprendemos a reconhecer o ‘Eu’ que nos define.

Desde pequenos temos necessidade de pertencimento. Precisamos da família, dos amigos da escola, dos diversos grupos nos quais nos engajamos – por afinidades e objetivos. No decorrer dessas vivências percebemos que somos várias “personas”, desempenhando diversos papéis sociais.

Ao discriminar, exercemos um julgamento peremptório de caracterização, determinando que o mundo se reparta em duas partes: nós e os outros (ou o outro). Pode haver, veladamente, nesse julgamento uma condenação, também, que qualifica o lado oposto pela sua qualia, o seu valor. Criam-se, então, dois universos opostos: Nós e eles; o correto e o errado; o belo e o feio; o inteligente e o burro; o vencedor e o perdedor; o útil e o descartável; o normal e a aberração, o que deve ser e o intolerável.

“Eu contra o meu irmão, o meu irmão e eu contra o meu primo, o meu primo, o meu irmão e eu, contra o mundo”. Provérbio árabe.

Esse caminho discriminatório sempre acaba em tragédia, não conduz à vida, mas à morte. Para quem é discriminado, essa nuvem sombria é facilmente apercebida, para o discriminador, essa face nebulosa é mais velada e insidiosa, mas a autossuficiência e o poder que esse arbítrio confere vão, aos poucos, minando a consciência e enrijecendo o caráter, impedindo que desenvolva outras compreensões sobre a vida.

A vida é diversidade. A complexidade é diversidade. A diversidade é humildemente criativa. A discriminação é entrópica e fria, arrogantemente destruidora. Os discriminadores julgam-se donos de toda a verdade. Os discriminados tentam suportar com resiliência.

Ao longo dos últimos 2.000 anos no mundo ocidental, a questão da discriminação evoluiu significativamente, refletindo mudanças sociais, políticas, culturais e legais. Essa evolução reflete uma jornada que é complexa e precisa ser contínua em direção a uma sociedade mais justa, igualitária e inclusiva.

O século XX testemunhou avanços significativos na luta contra a discriminação, incluindo o movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, o movimento sufragista, o fim do apartheid na África do Sul e a luta contra o colonialismo. Leis antidiscriminatórias foram promulgadas em muitos países, visando proteger os direitos das minorias e promover a igualdade de oportunidades.

No século XXI, nos últimos anos, houve um aumento da conscientização sobre questões de discriminação, incluindo racismo, sexismo, homofobia, transfobia e discriminação religiosa. Movimentos sociais como #BlackLivesMatter e #MeToo trouxeram essas questões para o centro do debate público, pressionando por mudanças legislativas, políticas e culturais mais profundas.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

]]>
Dia Mundial de Luta Contra a Aids https://spsp.org.br/dia-mundial-de-luta-contra-a-aids-2/ Fri, 01 Dec 2023 14:41:59 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=40988 Dia 1º de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, não apenas lembrando e comemorando]]>

Dia 1º de dezembro é a data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que internacionalmente possamos unir esforços no combate ao HIV/Aids, não apenas lembrando e comemorando os avanços alcançados com o manejo da doença, mas também na luta contra o preconceito, o estigma e a discriminação das pessoas que vivem com HIV, melhorando dessa forma a compreensão da população sobre o vírus e suas repercussões, reconhecendo-o como um problema de saúde pública global.

Em todos esses anos de história, e já se vão quatro décadas, a doença assumiu novo perfil, tornando-se uma doença crônica controlável, graças à melhoria significativa da terapia antirretroviral que, desde o fim da década de 1990, consegue controlar de forma muito eficaz o vírus HIV, além do manejo e monitoramento mais precisos, com melhores exames laboratoriais e do investimento em medidas de proteção a esses pacientes, com uso de tratamento precoce e universal a todas as pessoas que vivem com HIV (independentemente de terem ou não manifestações da doença), prevenção de infecções oportunistas, além de vacinação ampla para diversas doenças. Tanto adultos quanto crianças que vivem com HIV se beneficiaram muito dessas mudanças, tornando os tratamentos mais simples de serem seguidos.

O último levantamento da OMS/UNAIDS contabiliza 39 milhões de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV no ano de 2022, com cerca de 35 mil novas infecções/ano em pessoas entre 15 e 24 anos. No Brasil, temos nas quatro décadas, 1.523.339 casos de HIV/Aids notificados, abrangendo todas as faixas etárias.

O relatório global divulgado este ano pela OMS/UNAIDS trouxe a proposta de eliminação da Aids como ameaça à saúde pública global até 2030, relatando que esse caminho ajudará o mundo a estar mais bem preparado para enfrentar futuras pandemias e a avançar no progresso em direção à conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O Brasil participa da proposta e tem se esforçado para que ela seja alcançada. Uma das grandes conquistas foi a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, ou seja, aquela transmitida da mãe para o filho, através da gestação, parto ou aleitamento materno, em 28 municípios, ressaltando aqui que a eliminação não é a erradicação da situação, mas sim atingir patamares muito baixos de transmissão, próximos de zero, que permitem essa certificação.

Todos os investimentos em conscientização e prevenção, além dos avanços no manejo da doença, devem ser amplamente divulgados à população, com o objetivo de redução de novas infecções.

Evidências científicas recentes corroboram a afirmação de que pessoas vivendo com HIV em terapia antirretroviral e com carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem o vírus HIV por via sexual. Hoje utiliza-se o termo Indetectável = Intransmissível, consenso entre os cientistas que vem sendo amplamente utilizado mundialmente por instituições de referência sobre o HIV.

Outro grande avanço é a possibilidade de que mulheres vivendo com HIV em terapia antirretroviral regular e carga viral indetectável engravidem normalmente, sem risco de transmissão do vírus para seus filhos. Essa grande notícia tem possibilitado a realização de sonhos das mulheres que vivem com HIV, tranquilizando-as a constituir suas famílias com crianças sem o vírus.

Como última e importante mensagem gostaríamos de lembrar que é recomendada também a testagem regular de mulheres negativas para o HIV que estejam em aleitamento materno. Temos de recordar que essas também são sexualmente ativas e apresentam risco de infecção, assim como a população geral. Havendo infecção nessa fase, o aleitamento deve ser imediatamente suspenso e a criança submetida ao tratamento profilático.

Devemos divulgar e veicular de forma ampla o assunto HIV/Aids não apenas neste 1º de dezembro, mas sempre e em todas as oportunidades. Isso facilita tanto a reflexão sobre as medidas de proteção para novas infecções, quanto o acolhimento e menor discriminação de quem vive com HIV.

 

Saiba mais:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/dezembro/ministerio-da-saude-certifica-municipios-por-eliminacao-da-transmissao-vertical-de-hiv-e-sifilis

 

Relatoras:
Daniela Vinhas Bertolini
Flavia Jacqueline Almeida
Departamento Científico de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

]]>
Na matemática do “patinho feio”, zero é 100 A propósito do Dia Mundial de Zero Discriminação – 1º de março https://spsp.org.br/na-matematica-do-patinho-feio-zero-e-100-a-proposito-do-dia-mundial-de-zero-discriminacao-1o-de-marco/ Wed, 01 Mar 2023 16:17:09 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=36345 Vivemos num mundo disruptivo, criador de “não lugares”. Uma pessoa “estando dentro” se sente fora e, quando “fora”]]>

Vivemos num mundo disruptivo, criador de “não lugares”. Uma pessoa “estando dentro” se sente fora e, quando “fora” se sente sem lugar, ou seja: está num “não lugar”. E há muitos. Esses “não lugares” são de desconforto, de desalento, de não acolhimento, de isolamento, de sofrimento, de abandono e de conflito. (lugares que ninguém gostaria de estar!). Não há nada de semelhante com “utopia”, que em grego significa “não lugar”.

Neste mundo disruptivo, o “patinho feio” é gerado em larga escala. O personagem da fábula infantil é o diferente, o desigual, o que chama a atenção pelo incômodo, o que parece destoar da conformidade. Qualquer um de nós pode ser um desses “patinhos feios”. Essa classificação estará na dependência de quem olha, de quem avalia. O viés da observação é o fator de incriminação. A palavra se apropria, pois ser diferente parece até um crime.

Zero é 100. A lógica desta afirmação se insere no mesmo caminho de outras expressões, como: “Tolerância Zero” (contra isto ou aquilo); “Abaixo a…” (isto ou aquilo); “Discriminação Zero” (contra isto ou aquilo). Zero é alvo, o ponto de chegada, o máximo que desejamos alcançar. Talvez seja um não lugar utópico. Mas como toda utopia, ela é necessária à vida individual e coletiva.

Quanto menos discriminação, de qualquer tipo, mais saúde mental, física, social e espiritual.

Mais é menos.

Zero é 100.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

]]>
Vamos lembrar o que é comemorado em 3 de julho? https://spsp.org.br/vamos-lembrar-o-que-e-comemorado-em-3-de-julho/ Fri, 01 Jul 2022 19:15:13 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=33176 No dia 3 de julho é comemorado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial. Essa data celebra a aprovação no Congresso Nacional da Lei nº 1.390, proposta pelo deputado e jurista]]>

No dia 3 de julho é comemorado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial. Essa data celebra a aprovação no Congresso Nacional da Lei nº 1.390, proposta pelo deputado e jurista Afonso Arinos, em 1951. A primeira lei contra o racismo no Brasil constitui como infração penal a discriminação racial, por raça ou cor.

O combate ao racismo deve começar em casa e no dia a dia

Cito aqui trechos da entrevista com Alexandra Loras, jornalista e ex-consulesa da França no Brasil:

“A discriminação racial acontece no mundo inteiro, mas no Brasil é muito forte, no sentido de ter 54% da população que é negra.

E o que mais impressiona é que na produção intelectual clássica temos pouquíssimos, como Oscar Freire, André Rebouças, Teodoro Sampaio, Machado de Assis, só 4% na mídia brasileira e quase nenhum negro nos livros didáticos e infantis.

Temos muitas coisas que são usadas no dia-a-dia e que foram inventadas por negros, como a geladeira, o marca passo, a antena parabólica, o celular, o semáforo – existem milhares de inventores negros, mas são lembrados de forma humilhante e de uma forma muito negativa.

O racismo não é velado para nós negros, ele é velado para aquele que não quer enxergar.

Algumas pessoas não percebem que possuem vieses inconscientes a respeito de gênero e raça, aliás nós todos, sem exceção, temos vieses inconscientes.

Para dar um bom exemplo, citamos o “Teste da boneca”, estudo realizado com crianças, que mostrou que a maioria (85%) apontou a boneca negra como feia e má – onde as crianças ouviram e aprenderam isso?

Muitos acreditam que o problema das crianças racistas são os pais, mas não é!

Mas temos uma sociedade muito preconceituosa e produz dentro de nós um transtorno de percepção de enxergar o negro como inferior – isto foi gerado e vem sendo formatado há séculos –  não adianta só assinar a Lei Aurea a acreditar que está tudo resolvido, é preciso muito mais!”

O que podemos fazer?

Pedir ao Ministério da Educação que toda a produção intelectual e global, em todas as camadas, possa engajar o antirracismo.

De acordo com Alexandra, temos que fazer parte desta linda obra de arte que é reconstruir uma nova narrativa e isso vai demorar, mas temos que entender que as gotas são necessárias, metas são necessárias, porque sem elas, a sociedade nunca vai se reequilibrar, ou vamos demorar centenas de anos como é previsto por neurocientistas, mais especificamente 180 anos no viés étnico racial.

E como ser feliz no coletivo e no individual?

Ser feliz em todos os sentidos é uma escolha e uma prática – o empoderamento e a felicidade são práticas que precisam ser movimentadas diariamente e um poderoso fator nesta direção é a elevação e tomada da consciência humana.

Qual a melhor forma de combater a discriminação racial no Brasil?

É primeiro entender o que está dentro de todos nós, que o racismo não existe somente no outro, e então iniciar essa jornada dentro do nosso ser. E pedirmos e exigirmos por mudanças, isso vai trazer a transformação que esperamos ver no mundo.

Saiba mais:

COMO COMBATER A DISCRIMINAÇÃO RACIAL NO BRASIL?

Relatora:
Renata D Waksman
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: rawpixel | depositphotos.com

]]>
01/03 – Dia Mundial de Zero Discriminação https://spsp.org.br/01-03-dia-mundial-de-zero-discriminacao/ Fri, 25 Feb 2022 16:34:17 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=31427 O Dia Mundial de Zero Discriminação, em 1° de março, marca a data da luta contra o racismo, a discriminação na escola, no trabalho e em outras atividades que possam reduzir a capacidade de participação plena.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 25/02/2022


O Dia Mundial de Zero Discriminação, celebrado em 1° de março, marca a data da luta contra o racismo, a discriminação na escola, no trabalho e em outras atividades que possam reduzir a capacidade de participação plena e significativa da população na sociedade.

Afirmamos aqui o direito de todas as pessoas, não importando sua origem, idade, raça, etnia, religião, deficiência, orientação sexual, identidade de gênero, ocupação, renda e outros a uma vida plena, digna e produtiva. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, já consagrou que todas as pessoas são iguais, em dignidade e valor, sem estigmas ou discriminações.

E não podemos falar de discriminação sem nos referir às desigualdades, por estarem intimamente conectadas. A discriminação, seja ela estrutural ou social, pode levar à muitas desigualdades, sejam relacionadas à saúde, educação, renda, emprego e justiça e às próprias desigualdades também podem levar ao estigma e à discriminação.

Em 2015, os Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU) – são 193, incluindo o Brasil – comprometeram-se a trabalhar para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) num plano de ação global para eliminar a pobreza extrema, a fome, oferecer educação de qualidade ao longo da vida para todos, proteger o planeta e promover sociedades pacíficas e inclusivas até 2030. Cumprir a promessa de combater a desigualdade salvará milhões de vidas e beneficiará a sociedade como um todo. Para fazer isso, devemos enfrentar a discriminação em todas as suas formas.

E quais são os principais fatos sobre a discriminação?
(Adaptado de UNAIDS)

1. A discriminação é o tratamento negativo de uma pessoa ou de um grupo de pessoas com base em: gênero, raça, etnia ou nacionalidade, religião, deficiência, orientação sexual, classe social, idade, estado civil, responsabilidades familiares;

2. Cento e trinta milhões de meninas entre seis e 17 anos de idade estão fora da escola e 15 milhões de meninas em idade para frequentar o ensino fundamental nunca entrarão em uma sala de aula, metade das quais vivem na África Subsaariana. Mantê-las na escola beneficia não só a elas como suas famílias e suas comunidades e, no entanto, quase quatro em cada 10 alunas são ridicularizadas por serem mulheres;

3. De 143 economias, quase 90% tem pelo menos uma barreira legal que restringe as oportunidades econômicas das mulheres e 79 países têm leis que restringem o tipo de empregos que as mulheres podem ter. A discriminação contra as mulheres afeta a produção de alimentos, uma vez que representam 43% da força de trabalho agrícola em países em desenvolvimento e apenas 5% podem ter acesso a serviços de consultoria agrícola;

4. Mais de um bilhão de pessoas vivem com alguma forma de deficiência – são mais propensas a terem serviços de saúde negados e reportam maus-tratos por parte da equipe de saúde;

5. Três das doenças transmissíveis mais fatais do mundo – malária, HIV e tuberculose – afetam desproporcionalmente as populações mais pobres e são agravadas por outras desigualdades, como: gênero, idade, orientação sexual, identidade de gênero e situação migratória;

6. O estigma e a discriminação em relação às populações-chave são reforçados por leis penais e outras barreiras estruturais, que alimentam a violência, a exploração e o clima de medo;

7. Quase 30% das mulheres sofreram violência física ou sexual por um parceiro íntimo pelo menos uma vez na vida;

8. Todas as pessoas são iguais perante a lei e têm direito à proteção da lei sem discriminação.

Não podemos alcançar o desenvolvimento sustentável e tornar o planeta melhor se os direitos de todos não forem protegidos, se seguirem excluídos da chance de uma vida melhor, se não nos atentarmos aos desfavorecidos e marginalizados, se não denunciarmos a discriminação, se não trabalharmos para reduzir as desigualdades. No mundo globalizado de hoje a desigualdade afeta a todos nós, não importa quem somos ou de onde viemos.

Saiba mais:

UNICEF.

ONU.

Dia Mundial de Zero Discriminação.

DIA MUNDIAL DO ELOGIO E ZERO DISCRIMINAÇÃO.

Relatora:
Renata D Waksman
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: rawpixel | depositphotos.com

]]>