Diabetes infantil – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 15 Mar 2021 23:34:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Diabetes infantil – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Como cuidar de pacientes com diabetes mellitus tipo 1 em tempos de coronavírus https://spsp.org.br/como-cuidar-de-pacientes-com-diabetes-mellitus-tipo-1-em-tempos-de-coronavirus/ Mon, 30 Mar 2020 14:18:09 +0000 https://www.pediatraorienta.org.br/?p=3094 Devido à pandemia mundial de Covid-19, muitas famílias que têm crianças e adolescentes com diabetes estão preocupadas. Vamos tentar esclarecer as principais dúvidas que temos recebido dos nossos pacientes.

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Meu filho com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) tem maior risco de pegar a doença ou de ter complicações mais graves?

A maioria dos resultados publicados até agora cita dados que relacionam pacientes portadores de diabetes tipo 2, que são mais idosos, e apresentam, frequentemente, outras condições de risco associadas – pressão alta, doenças do coração e obesidade. Não há, até o momento, dados específicos sobre pacientes com DM1. O que sabemos, com certeza, é que o risco está associado a valores elevados de glicemia (açúcar no sangue). Ou seja, nessa fase o mais importante é manter um bom controle do diabetes. Aproveite que as famílias estão mais unidas em casa e faça o melhor controle possível, medindo e aplicando insulina mais vezes ao dia.

Quais são as medidas para diminuir a chance de contaminação?

As orientações são as mesmas que as passadas para população geral: lavar as mãos frequentemente ou usar álcool gel, manter distanciamento social, etc.

Como cuidar de uma gripe leve – coriza, tosse, febre baixa?

• Evite hospitais, tente se cuidar em casa;
• Tosse e coriza: trate conforme orientações habituais do seu médico;
• Febre baixa: pode ser controlada com uso de dipirona ou paracetamol (evitar Ibuprofeno).

Quando procurar um pronto-socorro por causa da gripe?

Sempre que apresentar falta de ar, febre persistente ou queda do estado geral.

 Como controlar o diabetes se tiver gripe com sintomas leves?

• Monitorar a glicemia e aplicar insulina mais vezes ao dia, se necessário;
• Tentar manter os valores de glicose entre 70-200 mg/dL;
• Pedir auxílio para ajustar as doses de insulina se necessário;
• NUNCA deixar de aplicar insulina – quando há febre e/ou qualquer infecção é comum precisar aumentar as doses de insulina;
• Tomar bastante água;
• Se tiver tiras para medir a cetona, checar se está abaixo de 0,6 mmoL/L (caso esteja acima, pedir orientações para seu médico).

Sinais de alerta de descompensação do diabetes para procurar orientação médica urgente*

• Febre e vômito persistente e/ou perda de peso contínua;
• Sinais de desidratação, como boca seca e olhos fundos;
• Hálito de fruta estragada, sinal de cetose – pode ser confirmado com medidas no sangue ou urina;
• Falta de ar importante, respiração muito rápida, dor abdominal intensa

* Estes sintomas podem acontecer em qualquer paciente portador de DM1 que esteja com glicemia muito alta ou por outros motivos, como falta de aplicação de insulina ou abuso de alimentação.

Observações importantes

• As autoridades estão orientando a deixar de ir à consulta médica nesse período. Só vá ao consultório ou ambulatório se a criança estiver com as glicemias muito altas e você não conseguir falar com seu médico (telefone, WhatsApp ou e-mail) ou com o serviço de saúde.
As receitas e laudos (LME) para retirada de medicamentos terão validade aumentada por 90 dias durante a pandemia, portanto não há necessidade de ir à consulta para pegar esses papéis. (NI 20/03 – N1/2020SCTIE/GAB/SCTIE/MS).
Se você precisa trabalhar e tem filhos com DM1, tome alguns cuidados:
– Ao chegar em casa, deixar sempre o calçado do lado de fora;
– Tirar imediatamente as roupas utilizadas na rua e colocar em bacia com água e sabão;
– Higienizar imediatamente as mãos e celular ao entrar em casa.

Mensagem final

• Não se esqueça de tomar a vacina de gripe (influenza). Ela protege contra influenza, doença muito comum nesta época;
• Aproveite essa fase para melhorar sua alimentação;
• Tente manter a prática de atividade física diariamente, respeitando as orientações e quarentena vigentes (há várias maneiras de se exercitar em casa!).

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Relatores:
Dra. Renata Maria de Noronha
Dr. Luis Eduardo Calliari
Departamento Científico de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo



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A obesidade faz o diabetes tipo 2 também virar uma doença da adolescência https://spsp.org.br/a-obesidade-faz-o-diabetes-tipo-2-tambem-virar-uma-doenca-da-adolescencia/ Thu, 06 Sep 2018 18:30:55 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2297 A incidência de crianças e adolescentes acima do peso ou obesos vem crescendo rapidamente. Na última década, um terço das crianças norte-americanas foram diagnosticadas com sobrepeso e 17%, como obesas. Na América Latina, uma em cada cinco está acima do peso ou é obesa. No Brasil, observa-se uma disseminação da obesidade em todas as faixas etárias – mas com um especial e nada positivo destaque para os menores de 18 anos. Diversas doenças crônicas são associadas à obesidade, como infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, trombose, enfermidades autoimunes, alterações de crescimento e desenvolvimento e até mesmo o câncer. Aqui também se destaca o diabetes tipo 2. Ele é um dos problemas crônicos mais fortemente ligados à obesidade. Antigamente conhecido como “diabetes do adulto”, os casos na infância começaram a surgir com maior frequência graças à epidemia de obesidade. E pior: a incidência já no começo da vida têm aumentado em larga escala nos últimos anos. Por quê? O excesso de peso leva a um estado de resistência à ação da insulina – hormônio produzido pelo pâncreas e responsável pela entrada de glicose para dentro das células. Se a obesidade persiste, essa alteração metabólica provoca a falência das células do pâncreas e a consequente diminuição na produção de insulina. Resultado: um aumento duradouro da glicose no sangue – está aí o diabetes tipo 2. As principais causas relacionadas ao crescente número de crianças e adolescentes obesos e com diabetes envolvem mudanças típicas do mundo moderno, como falta de atividade física, aumento da disponibilidade de alimentos com altos índices calóricos e em porções maiores, redução das horas de sono e o estresse. A predisposição genética tem um papel no surgimento do diabetes nas primeiras décadas de vida, mas não é o único fator, como alguns acreditam. Para ajudar a combater a obesidade nessa faixa etária, a sociedade médica tem pressionado os governos para criar políticas de saúde. Em 2014, os países integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) assinaram um acordo para desestimular o consumo de produtos alimentícios industrializados com a adição de altas concentrações de açúcares. Entre outras ações, o plano previu a implementação de políticas fiscais, como impostos sobre as bebidas açucaradas e os produtos com alto valor energético, mas pobre em nutrientes. Observou-se que o aumento de 10% no preço resultou na queda de 11,6% na demanda por esses alimentos. Entretanto, ainda cabe aos educadores, profissionais de saúde e principalmente aos pais observar os hábitos alimentares das crianças e estimular não só a alimentação saudável como também a prática de atividades físicas. O acompanhamento do crescimento pelo médico pediatra deve envolver mensurações frequentes do peso e da altura da criança e qualquer desequilíbrio precisa ser investigado. Juntos, podemos começar a virar essa maré. ___ Texto produzido por Dra. Louise Cominato para o site SAÚDE. Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/a-obesidade-faz-o-diabetes-tipo-2-tambem-virar-uma-doenca-da-adolescencia/ A Dra. Louise Cominato é endocrinologista pediátrica, membro do departamento de endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e coordenadora do Ambulatório de Obesidade do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo. ___ Publicado em 6/09/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A incidência de crianças e adolescentes acima do peso ou obesos vem crescendo rapidamente. Na última década, um terço das crianças norte-americanas foram diagnosticadas com sobrepeso e 17%, como obesas. Na América Latina, uma em cada cinco está acima do peso ou é obesa. No Brasil, observa-se uma disseminação da obesidade em todas as faixas etárias – mas com um especial e nada positivo destaque para os menores de 18 anos.

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Diversas doenças crônicas são associadas à obesidade, como infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, trombose, enfermidades autoimunes, alterações de crescimento e desenvolvimento e até mesmo o câncer.

Aqui também se destaca o diabetes tipo 2. Ele é um dos problemas crônicos mais fortemente ligados à obesidade. Antigamente conhecido como “diabetes do adulto”, os casos na infância começaram a surgir com maior frequência graças à epidemia de obesidade. E pior: a incidência já no começo da vida têm aumentado em larga escala nos últimos anos.

Por quê? O excesso de peso leva a um estado de resistência à ação da insulina – hormônio produzido pelo pâncreas e responsável pela entrada de glicose para dentro das células. Se a obesidade persiste, essa alteração metabólica provoca a falência das células do pâncreas e a consequente diminuição na produção de insulina. Resultado: um aumento duradouro da glicose no sangue – está aí o diabetes tipo 2.

As principais causas relacionadas ao crescente número de crianças e adolescentes obesos e com diabetes envolvem mudanças típicas do mundo moderno, como falta de atividade física, aumento da disponibilidade de alimentos com altos índices calóricos e em porções maiores, redução das horas de sono e o estresse. A predisposição genética tem um papel no surgimento do diabetes nas primeiras décadas de vida, mas não é o único fator, como alguns acreditam.

Para ajudar a combater a obesidade nessa faixa etária, a sociedade médica tem pressionado os governos para criar políticas de saúde. Em 2014, os países integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) assinaram um acordo para desestimular o consumo de produtos alimentícios industrializados com a adição de altas concentrações de açúcares. Entre outras ações, o plano previu a implementação de políticas fiscais, como impostos sobre as bebidas açucaradas e os produtos com alto valor energético, mas pobre em nutrientes. Observou-se que o aumento de 10% no preço resultou na queda de 11,6% na demanda por esses alimentos.

Entretanto, ainda cabe aos educadores, profissionais de saúde e principalmente aos pais observar os hábitos alimentares das crianças e estimular não só a alimentação saudável como também a prática de atividades físicas. O acompanhamento do crescimento pelo médico pediatra deve envolver mensurações frequentes do peso e da altura da criança e qualquer desequilíbrio precisa ser investigado. Juntos, podemos começar a virar essa maré.

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Texto produzido por Dra. Louise Cominato para o site SAÚDE.
Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/a-obesidade-faz-o-diabetes-tipo-2-tambem-virar-uma-doenca-da-adolescencia/

A Dra. Louise Cominato é endocrinologista pediátrica, membro do departamento de endocrinologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo e coordenadora do Ambulatório de Obesidade do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo.

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Publicado em 6/09/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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