Desfralde – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 24 Nov 2021 15:59:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Desfralde – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Dicas para o desfralde bem-sucedido https://spsp.org.br/dicas-para-o-desfralde-bem-sucedido/ Wed, 24 Nov 2021 14:13:58 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30437 O controle esfincteriano é um marco importante do desenvolvimento cognitivo e social da criança e deve acontecer de forma adequada. Muitas vezes a expectativa de parentes interferem de forma negativa neste aprendizado.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 24/11/2021


O controle esfincteriano é um marco importante do desenvolvimento neuropsicomotor, cognitivo e social da criança e, portanto, deve acontecer de forma adequada. Muitas vezes a expectativa, a ansiedade e pressões externas de parentes ou escola interferem de forma negativa neste aprendizado.

Para adquiri-lo a criança precisa estar física e emocionalmente preparada e, como qualquer estágio do desenvolvimento infantil, não deve ser forçado ou acelerado. A criança deve aprender a reconhecer a sensação de que precisa esvaziar a bexiga ou o intestino e também como e onde fazê-lo. Tudo isso é fortemente influenciado por fatores educacionais, ambientais, sociais, familiares e psicológicos.

Tanto o início precoce quanto o atraso neste processo podem trazer consequências negativas para a criança – a retirada inadequada da fralda pode trazer dificuldades e consequências, como: constipação intestinal, disfunção miccional, infecção urinária recorrente, conflitos familiares e repercussões sociais. Os pais devem ser orientados para que a aquisição dessa habilidade transcorra de forma tranquila, sem traumas para a criança.

A criança, na idade entre 18 meses e 3 anos, passa a ter consciência que sua bexiga está cheia, mas ainda não consegue o seu controle. Nesta fase, quando a criança passa a avisar que a fralda está molhada ou suja de fezes, é a idade de iniciar o treinamento.

Idealmente, o processo de retirada da fralda deve começar quando a criança já anda, fala, senta-se por 5 a 10 minutos, tira suas roupas, entende o que significam “xixi e cocô” e sabe que existem locais apropriados, socialmente aceitos, para suas eliminações.

Para muitas crianças é mais fácil iniciar o treinamento usando o penico do que o vaso sanitário, que deve estar equipado com um redutor de assento e uma escadinha ou banco de apoio para os pés.

Em sequência, a criança adquire o controle noturno das fezes, seguido pelo diurno, posteriormente o urinário diurno e finalmente o urinário noturno. O controle noturno da diurese ocorre, em média, um ano após o diurno, mas pode acontecer até os 5 ou 6 anos de idade. O melhor sinal para o desfralde noturno é o fato de a criança acordar com as fralda seca.

Dicas que auxiliam no desfralde bem-sucedido:

– Compre um penico e comece a colocar a criança aos poucos, em qualquer horário, para que acostume. Faça isso por períodos curtos;

– Não force a retirada antes que a criança esteja pronta;

– Converse com a criança, dê exemplos;

– A alimentação deve ser rica em fibras e água, para evitar a constipação e retenção das fezes. Se ocorrer constipação, esta deve ser tratada antes;

– Nunca force ou ameace a criança. Punição e castigo só atrapalham;

– Tenha paciência. Acidentes fazem parte do processo de aprendizado e são normais nos primeiros meses;

– Se o treinamento e o controle não ocorrerem, devido à fatores familiares, como mudança de residência, nascimento de irmão ou recusa da criança, adie temporariamente.

Após a aquisição do controle esfincteriano, deve-se valorizar a rotina de utilização do penico ou vaso sanitário, com calma e sem adiar ou atrasar. Escolher horários após as refeições, para a criança ficar sentada sem pressa é uma medida importante na formação do hábito intestinal e prevenção da constipação.

Relator
Regis Ricardo Assad
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: panther media seller | depositphotos.com

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O desfralde e a higiene natural https://spsp.org.br/o-desfralde-e-a-higiene-natural/ Thu, 22 Apr 2021 19:30:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28077 O desfralde é uma importante fase na vida da criança, por isso é essencial que se respeite o tempo individual para que seja um período livre de traumas. É um dos primeiros passos rumo à autonomia, além de um momento de descobertas.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 22/04/2021


O desfralde é uma importante fase na vida da criança e dos pais, por isso é essencial que se respeite o tempo individual para que seja um período livre de traumas. É um dos primeiros passos rumo à autonomia, além de um momento de descobertas – tanto de suas capacidades, como do seu próprio corpo.

O funcionamento urinário e intestinal depende de um amadurecimento neurológico e esse processo não pode ser acelerado. Além disso, existe o amadurecimento psicológico, que não é necessariamente alcançado junto com o neurológico.

Acredita-se que por volta dos 2 e 3 anos de idade a maioria das crianças esteja em uma etapa do desenvolvimento adequada para iniciar o treinamento de controle do cocô e do xixi, isto é, tem as habilidades necessárias para isso.

A identificação da hora certa para começar o desfralde ocorre a partir da observação dos sinais emitidos por cada criança. Ela deve apresentar bom desenvolvimento neurológico, andar, falar e ter o corpo mais firme, com estabilidade. O sinal mais característico é quando a criança começa a anunciar que irá fazer xixi e/ou cocô.

Os bebês já mostram sinais de suas necessidades desde muito cedo. Quando querem fazer cocô ou xixi podem ficar vermelhos, fazer bico, soltar gases e se espremerem. Podem chorar, ter dificuldade para dormir, ficar irritados e, durante a amamentação, pegar e soltar o peito. São experiências próprias e de aprendizado, sem indicar ainda uma consciência corporal.

Às vezes, esses sinais podem ser confundidos com cólicas ou alguma outra doença. Temos que lembrar que a grande maioria dos bebês não sofrerá com cólicas, constipação intestinal ou dificuldade para dormir. As assaduras, hoje em dia, também são raras, facilmente evitáveis com medidas simples de higiene.

O método da higiene natural vem sendo discutido e conta com muitos adeptos. Ele consiste em atender às necessidades de evacuações do bebê e dar uma assistência de banheiro desde o nascimento, podendo ser utilizado em qualquer idade. Os pais e cuidadores devem ficar atentos aos sinais que o bebê emite para auxiliá-los na evacuação e micção, coletando a urina e as fezes em um penico, por exemplo. Famílias adeptas do método dispensam fraldas na maioria do tempo.

Para isso deve haver um cuidador à disposição do bebê com muita paciência e dedicação. Os bebês podem fazer xixi quando estão dormindo e, quando em aleitamento materno, podem evacuar a cada mamada, muitas vezes já “capotados” de sono.

Já nos mais velhos esse método pode causar estresse já que com certeza muitos escapes acontecerão. Vivemos em sociedade, onde não podemos fazer nossas necessidades fisiológicas em qualquer lugar!

Na higiene natural alguns pontos merecem uma atenção especial. A questão ambiental, financeira e emocional, por exemplo: cada bebê pode evacuar em média de 6 a 8 vezes ao dia em seu primeiro mês de vida. Isso gera uma enorme quantidade de fraldas descartáveis. Mesmo usando fraldas de pano teria o gasto de água para lavá-las. Esse convívio tão de perto com o bebê, tentando decifrar seus sinais, com certeza aumenta o vínculo mãe-bebê e isso sempre é bom. Mas não há nenhum estudo a longo prazo que comprove que a técnica não apresente riscos para as crianças.

É essencial que os pais se informem sobre o método antes de tentar usá-lo nos filhos. Conversar com o pediatra e explicar como está a adaptação da criança é essencial. E sempre lembrar que cada criança tem o seu tempo e, às vezes, o que funciona para uma, não funciona para a outra.

 

Relatora
Adriana Monteiro de Barros Pires
Grupo de Trabalho de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo
Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade de Pediatria de São Paulo


Foto: lianna_s | depositphotos.com

 

 

 

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Respeitar o tempo de cada criança é essencial na hora do desfralde https://spsp.org.br/respeitar-o-tempo-de-cada-crianca-e-essencial-na-hora-do-desfralde/ Fri, 20 Mar 2015 12:18:21 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=867 O desfralde é uma importante fase na vida da criança e dos pais; por isso, é essencial que se respeite o tempo individual para que seja um período livre de traumas. É um dos primeiros passos rumo à autonomia, além de um momento de descobertas – tanto de suas capacidades, como do seu próprio corpo. A identificação da hora certa para começar o desfralde ocorre a partir da observação dos sinais emitidos pelos mais novos. “Acontece quando o pequeno apresenta bom desenvolvimento neurológico, já anda, fala e tem o corpo mais firme. O sinal mais característico que os pais devem prestar atenção é quando começa a anunciar que irá fazer xixi e cocô”, informa a pediatra Ana Cristina Zollner, membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Erros mais comuns Um dos mais frequente equívocos é antecipar o processo. “Preocupa-nos muito o fato de algumas escolas apenas aceitarem crianças que não usam mais fraldas. Desta forma, muitos pais adiantam esse momento, desrespeitando a natureza individual e, em certos casos, traumatizando. Isso pode acarretar no descontrole da evacuação, além da prisão de ventre e retenção urinária”, explica a Dra Ana. Outra atitude que deve ser evitada é a agressividade e repreensão com os escapes. É normal que durante o desfralde a criança faça xixi na calça; nessas situações, os pais devem manter a calma e não criticar os filhos, alegando que é normal da transição e que os outros dias serão melhores. Assim, a autoconfiança deles não é afetada, colocando em risco todo o processo. A comparação com os irmãos também não deve acontecer, já que pode aumentar a insegurança e trazer o sentimento de frustração. Os conselhos de familiares e amigos também são questionáveis – os pais precisam observar o comportamento dos filhos, independente das dicas de idade certas, por exemplo. Dicas da pediatra Apesar de o redutor de assento ser mais prático, a melhor opção é o próprio penico. Isso porque deixa a criança mais à vontade, em um ambiente próprio, bem como segura, já que as pernas não estão soltas e não há o risco de queda. “Quando estão no vaso sanitário comum, naturalmente há o medo de cair dentro, uma vez que o tamanho é completamente desproporcional”, destaca a Dra Ana. Na época do desfralde o melhor é não usar roupas difíceis de a própria criança tirar, como macacões e cintos – isso facilitará na hora de ir ao banheiro e evitará ‘acidentes’. As fraldas noturnas são retiradas gradativamente, conforme o desenvolvimento individual. A diversão deve ser explorada para tornar todo o processo mais rápido, fácil e prazeroso. Tudo pode ser usado: dar tchau para cocô, cantar musiquinhas e brincar com alguns bonecos enquanto faz xixi. Também é sempre bom incentivar e comemorar quando o filho consegue fazer certo, assim ele terá motivação para a próxima vez. “É sempre bom lembrar aos pais, assim como a todos que estão em volta, que o amor e o respeito devem ser preservados nesse momento. Deixar de a fralda é uma grande conquista para a criança e representa uma importante transição. Entretanto, só será correto e sem prejuízos psicológicos quando a natureza do indivíduo for reconhecida e ouvida. Dê tempo ao tempo, não apresse as coisas e faça o seu filho se sentir acolhido, mesmo nos momentos em que faz xixi ou cocô na calça. A natureza é muito sábia e o carinho é essencial”, conclui a pediatra Ana Cristina Zollner. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 20/03/2015. photo credit: Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

child-316211_1280O desfralde é uma importante fase na vida da criança e dos pais; por isso, é essencial que se respeite o tempo individual para que seja um período livre de traumas. É um dos primeiros passos rumo à autonomia, além de um momento de descobertas – tanto de suas capacidades, como do seu próprio corpo.

A identificação da hora certa para começar o desfralde ocorre a partir da observação dos sinais emitidos pelos mais novos. “Acontece quando o pequeno apresenta bom desenvolvimento neurológico, já anda, fala e tem o corpo mais firme. O sinal mais característico que os pais devem prestar atenção é quando começa a anunciar que irá fazer xixi e cocô”, informa a pediatra Ana Cristina Zollner, membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Erros mais comuns

Um dos mais frequente equívocos é antecipar o processo. “Preocupa-nos muito o fato de algumas escolas apenas aceitarem crianças que não usam mais fraldas. Desta forma, muitos pais adiantam esse momento, desrespeitando a natureza individual e, em certos casos, traumatizando. Isso pode acarretar no descontrole da evacuação, além da prisão de ventre e retenção urinária”, explica a Dra Ana.

Outra atitude que deve ser evitada é a agressividade e repreensão com os escapes. É normal que durante o desfralde a criança faça xixi na calça; nessas situações, os pais devem manter a calma e não criticar os filhos, alegando que é normal da transição e que os outros dias serão melhores. Assim, a autoconfiança deles não é afetada, colocando em risco todo o processo.

A comparação com os irmãos também não deve acontecer, já que pode aumentar a insegurança e trazer o sentimento de frustração. Os conselhos de familiares e amigos também são questionáveis – os pais precisam observar o comportamento dos filhos, independente das dicas de idade certas, por exemplo.

Dicas da pediatra

Apesar de o redutor de assento ser mais prático, a melhor opção é o próprio penico. Isso porque deixa a criança mais à vontade, em um ambiente próprio, bem como segura, já que as pernas não estão soltas e não há o risco de queda. “Quando estão no vaso sanitário comum, naturalmente há o medo de cair dentro, uma vez que o tamanho é completamente desproporcional”, destaca a Dra Ana.

Na época do desfralde o melhor é não usar roupas difíceis de a própria criança tirar, como macacões e cintos – isso facilitará na hora de ir ao banheiro e evitará ‘acidentes’. As fraldas noturnas são retiradas gradativamente, conforme o desenvolvimento individual.

A diversão deve ser explorada para tornar todo o processo mais rápido, fácil e prazeroso. Tudo pode ser usado: dar tchau para cocô, cantar musiquinhas e brincar com alguns bonecos enquanto faz xixi. Também é sempre bom incentivar e comemorar quando o filho consegue fazer certo, assim ele terá motivação para a próxima vez.

“É sempre bom lembrar aos pais, assim como a todos que estão em volta, que o amor e o respeito devem ser preservados nesse momento. Deixar de a fralda é uma grande conquista para a criança e representa uma importante transição. Entretanto, só será correto e sem prejuízos psicológicos quando a natureza do indivíduo for reconhecida e ouvida. Dê tempo ao tempo, não apresse as coisas e faça o seu filho se sentir acolhido, mesmo nos momentos em que faz xixi ou cocô na calça. A natureza é muito sábia e o carinho é essencial”, conclui a pediatra Ana Cristina Zollner.

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Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 20/03/2015.
photo credit:

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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