Desenvolvimento infantil – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Mon, 11 Dec 2023 13:29:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Desenvolvimento infantil – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Faz de conta https://spsp.org.br/faz-de-conta/ Tue, 22 Aug 2023 19:10:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=39101 ]]>

Qual é a avó ou o avô que não se lembra de estar procurando um netinho(a) escondido, enrolado(a) na cortina da sala? Ele ou ela, está certíssimo(a) de que está oculto(a) a todos os olhares, no entanto um pezinho descoberto denuncia aquela doce presença. Como é gostoso fingirmos que não ouvimos aquela risadinha sapeca explodindo enquanto palpamos a cortina e dizemos: “ah! não tem ninguém aqui!”. A brincadeira do esconde-esconde é uma brincadeira que permanece eternamente popular em todas as casas.

Quem é que não brincou de esconde-esconde?

Essa brincadeira é universal, prazerosa, alegre. Está nas nossas melhores recordações da infância e marca, indelevelmente, as relações intergeracionais com nossos filhos e netos.

O “faz de conta”, também conhecido como brincadeira simbólica ou jogo de imaginação, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. É muito mais do que apenas uma atividade lúdica, é uma ferramenta essencial para o crescimento físico, cognitivo, emocional e social das crianças.

Nesse mundo encantado, tudo é possível! As árvores têm rostos amigáveis e as flores falam com as borboletas. Um sol sorridente brilha no céu azul, espalhando luz dourada por toda parte. As nuvens se transformam em castelos flutuantes, onde vivem seres fantásticos e adoráveis. Perto de um riacho cristalino encontra-se uma pequena vila de casinhas coloridas, todas feitas de doces e biscoitos. Cada casa tem uma família de duendes simpáticos, que trabalham juntos para trazer alegria e felicidade a esse mundo mágico. Nas florestas, as árvores ganham vida, dançando ao som do vento. Os animais falam a língua dos humanos e são ótimos amigos das crianças. Ao explorar a floresta, você pode encontrar um portal secreto que leva a outras dimensões. Em uma delas, há um reino flutuante onde os unicórnios brincam com fadas e elfos em campos repletos de arcos-íris. O céu está cheio de balões mágicos que levam as pessoas para passeios emocionantes pelas nuvens.

E que tal uma visita à escola mágica? Lá, as crianças aprendem a controlar seus poderes especiais, como criar fogos de artifício com as mãos – mesmo que sofram queimaduras! – voar em vassouras mágicas – podem até cair! – e fazer poções encantadoras – correndo o risco de se intoxicar!

Esse mundo mágico do pensamento infantil é um lugar onde a criatividade floresce, as aventuras são infinitas e o poder da imaginação é a chave para tornar tudo possível. Nesse mundo, as crianças se sentem amadas, protegidas e empoderadas para enfrentar desafios e descobrir o extraordinário em cada canto.

Relembro algumas das principais razões pelas quais o faz de conta é importante para o desenvolvimento infantil:

  1. Estimula a criatividade e a imaginação: a brincadeira simbólica permite que as crianças inventem e criem suas próprias histórias e cenários. Elas podem ser qualquer coisa que desejem: super-heróis, princesas, animais falantes, astronautas ou outros personagens imaginários. Essa liberdade de imaginação é essencial para o desenvolvimento criativo das crianças.
  2. Desenvolve habilidades cognitivas: durante o faz de conta, as crianças precisam resolver problemas, tomar decisões, planejar e organizar suas brincadeiras. Isso desenvolve suas habilidades cognitivas, como a capacidade de pensamento crítico, a resolução de enigmas e a compreensão de causa e efeito.
  3. Aprimora as habilidades sociais: a brincadeira simbólica frequentemente envolve interações com outras crianças, o que melhora as habilidades sociais, como comunicação, colaboração, compartilhamento e empatia. As crianças aprendem a negociar, expressar suas ideias e ouvir as dos outros, desenvolvendo, assim, uma base importante para suas habilidades sociais ao longo da vida.
  4. Promove a linguagem e a alfabetização: durante o faz de conta, as crianças falam muito e criam histórias, o que estimula o desenvolvimento da linguagem oral. Além disso, quando as crianças brincam com livros e materiais escritos, estão sendo expostas à linguagem escrita, o que contribui para o desenvolvimento da alfabetização e o amor pela leitura.
  5. Ajuda a lidar com emoções: o faz de conta permite que as crianças expressem suas emoções e explorem situações que podem ser difíceis ou desafiadoras para elas na vida real. Isso ajuda a compreender e lidar com suas emoções, além de desenvolver habilidades de autorregulação emocional.
  6. Reforça o desenvolvimento físico: a brincadeira simbólica frequentemente envolve movimentos físicos, como correr, pular, dançar e manipular objetos. Isso contribui para o desenvolvimento físico, incluindo habilidades motoras finas e grossas.
  7. Constrói a autoconfiança: quando as crianças criam, lideram e participam de brincadeiras, sentem-se mais seguras e confiantes em suas habilidades. Essa autoconfiança é crucial para o desenvolvimento de uma autoimagem positiva.

Por meio do faz de conta, as crianças têm a oportunidade de enfrentar monstros, salvar o mundo, superar vilões e, ao fazer isso, desenvolvem um senso de capacidade pessoal e confiança em suas habilidades. Ao lidar com essas situações em um ambiente seguro e controlado, elas aprendem a enfrentar desafios com coragem e determinação. Além disso, ao imaginar e representar diferentes papéis e personagens, as crianças também podem desenvolver empatia, ao se colocarem no lugar de outras pessoas e criaturas. Essa habilidade de se conectar com as emoções e perspectivas dos outros é fundamental para o desenvolvimento de relações saudáveis e compreensão interpessoal.

Ao mergulhar em seu mundo de faz de conta, as crianças estão cultivando as habilidades e traços que as ajudarão a se tornarem adultos confiantes, criativos, empáticos e resilientes, prontos para enfrentar as complexidades da vida com imaginação e sabedoria.

 

Relator:
Fernando MF Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da SPSP

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O que a vovó nunca disse https://spsp.org.br/o-que-a-vovo-nunca-disse/ Wed, 20 Oct 2021 17:20:46 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30112 Com certeza a vovó nunca disse algumas das expressões que crianças e adolescentes vêm usando atualmente; se usou, foi em sentido completamente diferente do entendido hoje. É um novo léxico, que necessita ser compreendido pelos pais.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 20/10/2021


Episódio 7: O que a vovó nunca disse

PPRT: Abreviação para “papo reto”

Com certeza a vovó nunca disse algumas das palavras e expressões que crianças e adolescentes vêm usando atualmente; se usou, foi em sentido completamente diferente do entendido hoje. É um novo léxico, que necessita ser decodificado, compreendido por pais e adultos, para que possa haver uma comunicação adequada com as novas gerações. A língua é viva. Muda com o tempo. É necessário imergir nesse “dicionário” sem preconceito de nenhuma espécie. Mesmo sabendo de sua efemeridade, pode cair em desuso rapidamente, dando lugar a novas expressões, hashtags, etc.

Este texto nasceu motivado por uma mãe preocupada com a notícia de que na escola da filha de 7 anos estava tendo um tal de “crush”.  Bora! TMJ: “tamo junto”. Vamos a esse novo dicionário.

Azaração: ação ou tentativa de buscar companhia amorosa. Exemplo: “aquele bar virou ponto de azaração.”

Anotado, amore: equivale a um desprezo, demonstrando que a pessoa não se importa com a opinião que acaba de ouvir. Exemplo de diálogo: – “Você precisa mudar o visual logo.”  – “Ok, anotado amore.”

Biscoiteiro: é uma pessoa que posta algo para chamar mais atenção. A gíria “dar biscoito” pode ser utilizada como elogio ou como deboche, por meio de curtidas ou comentários, para responder às famosas pessoas biscoiteiras. Exemplos: “Olha lá a foto que postou, vou dar o biscoito que tá pedindo.”

BFF: “Best Friend Forever” – Declaração de amizade.

BV, BVL: “Boca Virgem”, aquele(a) que ainda não deu um beijo de boca ou beijo de língua.

Bolado: surpreso e confuso com determinada atitude ou reação de outrem; aborrecido, chateado. Exemplo: “ficou bolado com o fora que levou.”

Colar/constar: ir em algum lugar. Exemplo: – “Quer constar numa festa hoje?”

Cringe: gíria usada para mencionar ou lembrar de uma situação extremamente constrangedora e embaraçosa, referente à “vergonha alheia”. Exemplo: “Vamos mudar de assunto. Essa história é cringe.

Crush: palavra de origem inglesa que quer dizer “esmagar”. Como gíria é usada para se referir a uma pessoa por quem se está apaixonado(a) ou se sente atraído(a) ou que gostaria muito que fosse seu amigo(a). Substitui o bom e velho “paquera”. Exemplo: “Ele é meu crush da escola.”

Deitou/deitei: fazer uma coisa muito bem. Exemplo: – “Deitei na prova de Matemática.”

Fail: como a própria tradução em inglês diz, fail é o termo utilizado para dizer que algo não deu certo e a pessoa não conseguiu fazer aquilo que desejava. Exemplo: “Estudei muito para a prova, mas foi um fail!

Floppar: flip, em inglês, significa virar, tombar. Ou seja, “algo deu errado ou deu ruim”. Equivale a gíria tradicional “dançou/dancei”, “me dei mal” ou até mesmo “lascou”. Exemplo: “Ia pra festa ontem, aí choveu e flopou.”

Hype: gíria para dizer que algo está em alta, com muitos comentários e que chama muita atenção. É utilizada, principalmente, para falar sobre moda, séries, músicas e filmes. Exemplos: “Eu estou muito hypado naquela série.” ou “Você está no hype com esse tênis!”

Jantar/jantou: termo utilizado para dizer que uma pessoa respondeu à altura para alguém, ou seja, que verdades foram ditas e muitos concordaram com aquela opinião. Exemplo: “E aquele post? Jantou os preconceituosos!”

Laje: uma coisa ruim/difícil. Exemplo de um diálogo: – “Pode vir aqui em casa hoje? – Laje piá, não rola.”

Mec: algo que foi muito legal. Exemplo – “Essa festa foi Mec.”

PPRT: abreviação para “papo reto.”

Shippar: derivado da palavra inglesa “relationship”, que significa “relacionamento”. A gíria é muito utilizada na internet com o significado de aproximar um casal, ato normalmente representado por uma hashtag e a fusão dos nomes de quem se desejar juntar.

Stalker: stalkear em inglês tem o significado de perseguidor ou caçador. Virou sinônimo de “observar de maneira frenética” tudo que uma pessoa posta nas redes sociais – especialmente no Facebook e Instagram. Exemplo: “Já sei tudo sobre ele; estou sempre stalkeando suas páginas nas redes sociais.”

Suave: tudo bem?

Tô Pistola: essa gíria surgiu para abordar situações que deixam as pessoas irritadas. Alguém perde a razão, fica bravo e, por qualquer motivo, fica “pistola”, na linguagem dos jovens. Exemplo: “Nossa, hoje ele tá pistola.”

Tá na Disney: expressão equivalente a famosa gíria “pirando na batatinha” ou “viajando na maionese”, ou seja, indica que a pessoa fala ou faz algo fora da realidade ou está equivocada em alguma informação. Exemplo: “Meus pais estão na Disney achando que eu não vou à festa!”

Trollar: gíria que indica quando alguém vai tirar sarro de outra pessoa. Exemplo: “Vamos trollar meu irmão e esconder seu celular?”

Um nojo: utilizado normalmente para expressar repúdio a algo ou a alguém, o termo “nojo” virou uma gíria muito popular entre os jovens como um autoelogio em tom de deboche.  Exemplo: “Nossa, hoje eu tô um nojo de linda.”

Vem de Zap: surgiu nas comunicações da internet como forma de pedir o contato de WhatsApp, com o objetivo de iniciar uma conversa, quase sempre com intenções amorosas. Substitui o velho “passa seu contato” ou “me passa seu telefone”. Exemplo: “E aí bebê, vem de Zap.”

 

Fontes e saiba mais:

  1. Ribeiro SN. Um estudo sobre o vocabulário das revistas destinadas a adolescentes. Disponível em: http://www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno06-22.html
  2. Gíria adolescente. Disponível em:  https://por.psychology-ifk.com/teen-slang-76904?__cf_chl_jschl_tk__=pmd_2d2e2496482a546b560719ef4b19214b97c71a5c-1633734143-0-gqNtZGzNAg2jcnBszQc6
  3. Memes, hashtags, siglas e gírias da internet – conheça as 60 mais. Julho 2020 Disponível em: https://www.pravaler.com.br/memes-hashtags-siglas-e-girias-da-internet-conheca-as-60-mais-populares/

 

Relator:
Fernando M F Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: fizkes | depositphotos.com

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Vovó pop-it https://spsp.org.br/vovo-pop-it/ Mon, 18 Oct 2021 15:25:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=30060 No tempo da vovó parece que criança não tinha estresse ou direito ao tédio. As suas missões eram estudar e brincar. O “dinheiro curto” da família não era um impedimento para brincar: se não dá pra comprar uma “pipa”, faz de jornal uma “capucheta”.]]>

Episódio 6: Vovó pop-it

“Vai brincar menino”. “Faça alguma coisa”. “Cabeça vazia é oficina do diabo”

No tempo da vovó parece que criança não tinha estresse ou direito ao tédio. As suas missões eram estudar e brincar. O “dinheiro curto” da família não era um impedimento para brincar:  

– Se não dá pra comprar uma “pipa”, faz de jornal uma “capucheta”;

– se não tem patinete, faz carrinho de rolimã – basta uma tábua, duas traves de madeira mais grossa e duas rolimãs que podem ser encontradas em qualquer oficina da esquina – é só procurar;

– uma bola de tênis já gasta, três pedaços de madeira apoiados uns nos outros, em posição vertical, pronto… está feito o jogo de “taco”.

Uma lata vazia, uma caixa de papelão, tudo pode virar brinquedo na imaginação da criança. Pintar na calçada, com giz branco ou amarelo, uma sequência para pular amarelinha.    

Quem não aproveitou uma embalagem de papel bolha para estourar e ouvir aquele “Poc-poc” delicioso? Crianças e adultos disputavam esse brinquedinho improvisado.

Hoje em dia esse brinquedo ganhou sofisticação e está servindo para movimentar o mercado de brinquedos. O pop-it é um sucesso de vendas após viralizar na internet, principalmente em aplicativos como o TikTok. Tornou-se a febre do momento, principalmente entre as crianças. O objeto é uma peça de silicone que imita um plástico-bolha: é cheio de bolinhas que, ao serem apertadas, fazem um leve barulho que soa como “pop”.

O brinquedo conta com diferentes formatos e cores, bem atrativos. A novidade faz parte de uma categoria denominada “fidget toys”, que significa “brinquedos de inquietação” ou “brinquedos sensoriais”.

Além do barulhinho, pode ter outras utilidades: ocupa a criança, retira-a do mundo virtual, acalma, estimula a coordenação motora fina, o raciocínio, a agilidade e a criatividade na interação com outras crianças.

Qualquer brinquedo, quando compartilhado ou brincado em grupo, pode estimular a competição. Aí entra um estresse bom: “quem estoura as bolinhas primeiro? Agora usando três dedos?  Só pode estourar as bolinhas azuis: quem estourar as de outra cor perde”… e assim vai. O lúdico estimula o espírito competitivo, aguça a criatividade, ultrapassando fronteiras. Pode ser utilizado como um artefato pedagógico em questões de contagem, padrões, agrupamentos, etc.

Esse brinquedo surgiu durante a pandemia, quando as crianças estavam confinadas dentro de casa, sofrendo de ansiedade, de tédio, da falta da companhia dos amigos e da interação social. Ouviram muitas vezes a palavra “morte”: o mundo real se tornou assustador, asfixiante. Brincar, além de ser uma válvula de escape, tornou-se uma maneira de organizar as ideias.

Quem diria que o “Poc-poc” seria tão divertido e tão importante?

O que é um brinquedo estimulante? O que é um brinquedo sem graça?

Só a criança tem a resposta. Há brinquedos caros e sofisticados que perdem a graça no primeiro dia de uso e outros, mais baratos, que jamais deixam de serem buscados e manipulados.

O “Poc-poc” de hoje tem sua aplicação especial para o momento. Amanhã…bem, amanhã é outro dia. As crianças vão descobrir o que lhes dá prazer, o que as faz felizes e empolgadas com alguma coisa.

Relator:
Fernando M F Oliveira
Coordenador do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: wavebreakmedia | depositphotos.com

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Nossa homenagem às crianças https://spsp.org.br/nossa-homenagem-as-criancas/ Mon, 11 Oct 2021 20:58:42 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=29985 O Dia Mundial da Criança foi proclamado pela primeira vez em 1 de junho de 1925, durante a Conferência Mundial para o Bem-estar da Criança e, posteriormente, em 1959, a ONU definiu que este dia seria celebrado em 20 de novembro.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 11/10/2021


Comecemos com um breve histórico: o Dia Mundial da Criança foi proclamado pela primeira vez em 1 de junho de 1925, durante a Conferência Mundial para o Bem-estar da Criança e, posteriormente, em 1959, a ONU definiu que este dia seria celebrado em 20 de novembro, data da Declaração Universal dos Direitos da Criança.

No Brasil, assim como em outros países, o Dia das Crianças é comemorado em outra data – para nós é em 12 de outubro* e, apesar de ter se tornado uma data comercial e voltada para a compra e consumo de bens materiais, deve servir de oportunidade para que reforcemos nossos compromissos com seu bem-estar, saúde, cuidados, ensino, proteção e desenvolvimento saudável.

Dia da infância, de brincar, correr, cantar, imaginar, sorrir, de ser autêntico de amar e ser amado… Toda criança é sempre criança em qualquer lugar do mundo em qualquer cultura ou classe social. O que muda é a consideração e atitude que os adultos têm em relação a ela.

A celebração do dia das crianças nos faz lembrar a importância delas na família, na sociedade e no país. A seguir estão listados seus direitos comuns, baseados e adaptados da Declaração dos Direitos da Criança, elaborada pela Liga das Nações (1924) e adotada pela ONU:

  • devem receber cuidados adequados e amor por parte dos pais e da família;
  • devem receber os meios necessários para seu desenvolvimento normal, tanto material quanto espiritualmente;
  • devem obter alimentos saudáveis, roupas limpas e segurança;
  • devem ter um ambiente de vida saudável onde possam se sentir seguras em casa, na escola – em todos os lugares;
  • devem receber cuidados especiais quando estiverem incapacitados ou doentes;
  • devem obter um nível de educação adequado e, quando atrasadas devem ser ajudadas;
  • a criança delinquente deve ser resgatada;
  • o órfão e a criança abandonada devem ser protegidos e socorridos;
  • devem ser os primeiros a receber alívio em momentos de angústia;
  • ter proteção contra todas as formas de exploração;
  • devem ser criadas com a consciência de que seus talentos devem ser dedicados ao serviço de seus semelhantes.

Parabéns pelo seu dia e que sejam felizes, amadas e respeitadas em todos os dias!

                        “A melhor maneira de tornar as crianças boas é fazê-las felizes.”                          

                                        Oscar Wilde, escritor irlandês.

*Em 12 de outubro de 1923 ocorreu no Rio de Janeiro – então capital federal – o Congresso Sul-Americano da Criança, que reuniu estudiosos da infância e políticos de vários países e onde foram discutidas questões educacionais, alimentares e de desenvolvimento. Em 1924, Galdino do Valle Filho (deputado federal recém-eleito) propôs uma lei instituindo 12 de outubro como o Dia das Crianças no Brasil, que foi sancionada pelo presidente da República Arthur Bernardes em novembro do mesmo ano.

 

Relatores:

Renata D Waksman

Tania M R Zamataro

Moises Chencinski

Fernando M F Oliveira

Coordenadores do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: pixabay/TheOtherKev

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O Dia Mundial do Brincar é hoje – 28 de maio! https://spsp.org.br/o-dia-mundial-do-brincar-e-hoje-28-de-maio/ Fri, 28 May 2021 20:08:32 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28509 Hoje comemoramos o direito das crianças de brincar! A importância do brincar já foi reconhecida, desde 1959, com a Declaração dos Direitos da Criança e fortalecida em 1989, na Convenção dos Direitos da Criança.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 28/05/2021


Hoje comemoramos o direito das crianças de brincar! A importância do brincar já foi reconhecida, desde 1959, com a Declaração dos Direitos da Criança e fortalecida em 1989, na Convenção dos Direitos da Criança. O Brasil foi signatário dessa Convenção e o direito de brincar e ao lazer está no Artigo 31.

Esta data foi escolhida em reconhecimento ao dia em que a International Toy Library Association foi formada, em 1987. A data foi reconhecida pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e é celebrada em mais de 40 países.

E para tornar o dia ainda mais especial, a Aliança pela Infância – rede mundial que promove ações e reflexões das pessoas em relação aos cuidados com a educação infantil – organiza, no mundo e no Brasil, desde 2004, a Semana Mundial do Brincar, que vai de 22/05 a 30/05.

Todos os anos ocorre a escolha de um tema para esta semana e, sem esquecer da pandemia e do confinamento em que vivemos há mais de um ano, para o ano de 2021 o tema escolhido foi: “casinhas da infância”.

E por que o brincar é essencial para a saúde mental e o bem-estar das crianças?

Segundo a organização Play Day England, do Reino Unido:

  • Brincar ajuda as crianças a lidar com o estresse e a ansiedade e promove a resiliência, permitindo que lidem melhor com os desafios;
  • Brincar oferece a oportunidade de se divertir, rir, “dar um tempo”, relaxar e fazer novas amizades;
  • Brincar ao ar livre permite que as crianças apreciem a natureza, o meio ambiente e se sintam parte de sua comunidade – em e com segurança;
  • Brincar é fundamental para a felicidade das crianças e crianças felizes deixam as comunidades mais felizes.

Mais dicas de como brincar na pandemia, estimular brincadeiras populares e espaços lúdicos no site da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal – Radar da Primeira Infância – Especial: Dia Mundial do Brincar.

 

Relatora:
Renata D. Waksman
Coordenadora do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto:  AllaSerebrina | depositphotos.com

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Ficar isolado: o que isso significa para o adolescente? https://spsp.org.br/ficar-isolado-o-que-isso-significa-para-o-adolescente/ Wed, 26 May 2021 13:19:24 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28467 Quando pensamos em adolescente e isolamento, logo recordamos daquele indivíduo que fica o tempo todo no quarto com a porta fechada e quando sai de lá, troca 4 ou 5 palavras com o resto da casa e volta para seu refúgio.]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 26/05/2021


Quando pensamos em adolescente e isolamento, logo recordamos daquele indivíduo que fica o tempo todo no quarto com a porta fechada e quando sai de lá, troca 4 ou 5 palavras com o resto da casa e rapidamente já volta para seu refúgio, e que, no geral, odeia ser interrompido.

Na era pós-Covid-19, essa imagem mudou. Antes esse ser se isolava da família, mas estava extremamente conectado e presente na vida dos seus pares, seja na escola, na comunidade ou até mesmo nas redes sociais. Hoje em dia, esses ambientes estão resumidos à tão infame tela, à escola, à família, às amizades, todo meio social e as relações afetivas estão acontecendo no meio virtual.

É muito nítida, compreendida e trabalhosa a transformação do bebê na criança que corre, lê, opina e distribui abraços, mas quando pensamos na evolução de uma criança em um adulto confiante, responsável, autônomo e com um futuro profissional, na maioria das vezes torcemos o nariz…é o tal adolescente. Essa trajetória igualmente trabalhosa, além de ser um momento de muitas transformações corporais, é também quando lidamos com a aquisição de novas habilidades intelectuais, capacidade de lidar com abstrações, autocontrole e da troca ou amadurecimento dos papéis sociais e sedimentação da identidade que caracterizam essa fase do desenvolvimento. É um momento em que todos os sentimentos são intensos, nada fica no meio termo: a raiva é muita raiva, o amor é eterno, o carinho é infinito e o cansaço, exaustão. Lidar com tudo isso e ainda estar em isolamento social, restrito as telas, distante dos colegas, da escola e de todos os ambientes tão fundamentais para que essas novas aquisições sejam descobertas, experimentadas, testadas e amadurecidas, somadas a atual vivência de algo que jamais foi esperado, torna tudo muito mais complicado.

É esperado que, nesse momento único na vida dos filhos associado a atual instabilidade externa, o estresse intensifique as emoções do medo e da ansiedade. Se isso está acontecendo, um caminho para dar vazão a esses sentimentos e sensações se torna necessário. Mas como fazer isso? Restringir o tempo de telas? Proibir de jogar videogame? Como lidar com o tédio, o isolamento do adolescente da família e as consequências do excesso ou do mau uso das telas? Além disso, sabendo da função do social para o bem-estar dos adolescentes, como manter contatos saudáveis, ainda que a distância?

Conecte-se, qual será o interesse atual dele? Procurando momentos improváveis, mantenha os espaços para conversas abertos, seja no carro, no jantar, durante um jogo em família ou enquanto fazemos uma faxina. Pergunte a opinião dele sobre uma notícia. Conte como era a sua vida naquela idade, como se virava sem celular ou internet (sem fazer julgamentos se era melhor ou pior), o que fazia de errado, quais as enrascadas que você escapou? Seja sincero! Se o excesso de informações sobre o coronavírus estiver causando muitas angústias, limite o acesso para todos em casa.

Tendo em vista que ainda somos o exemplo a ser seguido e contestado, tente fazer uma rotina familiar coletiva, dividindo os afazeres da casa, da escola e do trabalho com o tempo de tela e para o lazer. Procure incorporar alguns combinados entre a família, seja para melhorar o sono, a alimentação; reconheça as falhas quando acontecerem e tente de novo, colaborando entre si, demostrando insegurança, raiva e frustração ou orgulho nas pequenas conquistas.

Continue encarando esse momento como difícil e desgastante para todos, as incertezas e as questões financeiras podem estar tornando o ambiente mais propício para que ocorram conflitos, intolerâncias e para as emoções serem ignoradas. Respire, tente identificar e lidar com as emoções, faça seu melhor, ou faça simplesmente o possível, mas não deixe de pelo menos tentar e sempre busque ajuda quando não souber o que fazer. Isolamento não é sinônimo de solidão e tristeza muito menos de doença.

 

Relatora:
Gabriella Lube
Núcleo de Estudos da Depressão entre Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

 

Foto: hay dmitriy | depositphotos.com

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Resiliência: construindo a capacidade de enfrentamento https://spsp.org.br/resiliencia-construindo-a-capacidade-de-enfrentamento/ Tue, 18 May 2021 17:39:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28418 A jornada da vida, desde sua “aurora” até seu último instante, traz permanentes desafios. O processo de desenvolvimento da criança e do adolescente, e o viver adulto, envolvem muitos ganhos e várias perdas. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 18/05/2021


A jornada da vida, desde sua “aurora” até seu último instante, traz permanentes atravessamentos e desafios. O próprio processo de desenvolvimento da criança e do adolescente, e o viver adulto, envolvem muitos ganhos e várias perdas. Sem falar das inúmeras vezes em que somos confrontados com situações potencialmente traumáticas, como as que temos vivido durante os tempos de pandemia com todas as reverberações envolvidas.

Para lidarmos com as experiências, necessitamos ao longo da vida construir instrumentos para enfrentarmos as várias situações difíceis que a vida nos confronta.

Resiliência psicológica pode ser considerada uma capacidade de enfrentamento bem-sucedido que sobrevém às situações traumáticas ou às condições muito difíceis. Vale ressaltar que essa construção implica em um processo permanente e deve ser germinada no início da vida. Principalmente a partir das relações de qualidade que se estabelecem com quem cuida da criança, nas quais a confiança possa ser ingrediente básico, tecidas junto a um apego seguro, que ajudará a criança a construir uma boa autoestima, uma capacidade de confiar em si mesma e ter esperança quando algo não vai bem.

Ao dispensarmos cuidados ao bebê, estamos o auxiliando na construção de instrumentos fundamentais, para gradativamente ele poder lidar com afetos de qualidades distintas. Poder tolerar momentos difíceis no início da vida e ser ajudado nessa tarefa cria condições para lidar com a vida.

E se essa potencialidade de “enfrentar tormentas” e depois poder reagir saudavelmente não foi facilitada na infância? Alguém que funcione como um farol no mar escuro poderá ajudar nessa navegação, mas não podemos esquecer que a capacidade de construir possibilidades e instrumentos para enfrentarmos algo difícil está diretamente ligada à capacidade de elaborarmos psiquicamente os impactos, perdas e separações aos quais estamos permanentemente sujeitos.

Podemos querer fazer desaparecer algo que dói e nos faz sofrer. Apesar de muitas vezes essa opção trazer certo alívio momentâneo, não costuma ser um bom negócio a médio e longo prazos. Se usarmos esse mecanismo repetidas vezes, podemos nos afastar cada vez mais das nossas reais emoções e a de nossos filhos, não as legitimando, dificultando e muitas vezes criando obstáculos para o reconhecimento delas, tornando muito difícil um caminho de enfrentamento.

Um exemplo útil ocorre quando uma criança cai ou um adolescente briga com sua namorada e dizemos algo como: “Não foi nada!”. Não acolhemos dentro de nós mesmos e ajudamos a criar um espaço para o que está sendo experimentado e está doendo no outro. Ao reagirmos como se nada tivesse acontecido não estamos ajudando a construir capacidades para encontrar caminhos genuínos. Colocar a “poeira debaixo do tapete”, acaba por passar uma mensagem que emoções e sentimentos são uma bobagem e que não devemos nos dedicar a eles.  

Quanto mais deixamos as experiências intocáveis, negando ou evitando senti-las, mais suas forças originais são conservadas, sem a possibilidade de transformar a dor em crescimento.

Apesar de difícil, o contato com nossas emoções e interioridade pode fornecer uma possibilidade de suportar os afetos desagradáveis: poder compartilhar as emoções com um outro pode fazer a diferença no entendimento das próprias emoções e na descoberta de saídas dos afetos não agradáveis. Uma das coisas mais importantes para o ser humano é ser escutado verdadeiramente e ser refletido pelo outro, mesmo que em alguns momentos essa imagem refletida seja a de dor.

Espaços solitários podem ser importantes para entrar em contato com nosso interior, mas também encontrar no outro um espaço de escuta e acolhimento verdadeiro, no qual haja uma troca fértil, pode ajudar a construir sementes de boas capacidades resilientes, nos servindo de farol em momentos de mar escuro e de tormenta.

Relatora:

Cristiane da Silva Geraldo Folino

Núcleo de Estudos da Depressão entre Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: fizkes | depositphotos.com

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Meu filho está se desenvolvendo bem? Quando me preocupar? https://spsp.org.br/meu-filho-esta-se-desenvolvendo-bem-quando-me-preocupar/ Tue, 13 Nov 2018 18:33:03 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2358 O desenvolvimento é um processo que nos acompanha em toda a nossa existência e resulta da interface entre fatores genéticos e experiências vividas. Quando nasce, a criança ainda enxerga muito pouco e de maneira muito borrada. Por volta de um mês, começa a fixar o olhar em pessoas próximas (como a mãe, no momento da mamada), porém o movimento dos dois olhos ainda é independente e, com cerca de seis meses, esses movimentos passam a ser coordenados. Se isso não acontecer, a possibilidade de estrabismo deverá ser investigada. A visão do bebê vai se aprimorando no decorrer dos meses e atinge a visão do adulto por volta dos dois anos. Outros sentidos, como audição e tato, já estão mais desenvolvidos no nascimento. Olfato e paladar começam a se desenvolver no 2° trimestre da gestação e vão continuar amadurecendo até o final da primeira infância. O desenvolvimento neuropsicomotor é contínuo e previsível. Ele ocorre desde os primeiros dias de vida, numa sucessão coordenada de aquisições. Estímulos e ambiente adequados e sem riscos são fundamentais para que elas surjam em toda sua potencialidade. Existem algumas idades que consideramos como “esperadas” para que a criança comece a apresentar determinadas habilidades. São os chamados “marcos do desenvolvimento” como, por exemplo, sentar por volta dos seis meses e falar as primeiras palavras com cerca de um ano. Entretanto, algumas crianças podem demorar um pouco mais para desenvolver certas capacidades e essas variações são absolutamente normais. Marcos do desenvolvimento Costumamos separar o processo do desenvolvimento da criança por faixas etárias e por áreas, visando facilitar seu entendimento e a atenção nos marcos que caracterizam cada fase. De forma simplificada, estas áreas caracterizam-se em: • Motora Grossa: começando pelo sustento da cabeça ao redor dos 2-3 meses; sentar sem apoio ao redor dos 6-7 meses; ficar de pé ao redor dos 10 meses e começar a andar sozinho ao redor de um ano de vida. • Motora Fina: colocar as mãos na boca com dois a três meses; agarrar um objeto com quatro meses; alcançar e segurar um objeto com seis meses; transferi-lo de uma mão a outra com nove meses e realizar movimento de pinça com 10 meses. • Linguagem: desde o nascimento, o bebê reage aos sons (se assusta); vira a cabeça na direção do som por volta de dois meses; entre dois e três meses começa a emitir sons de vogais; por volta de cinco e seis meses já interage aos estímulos emitindo sons; entre sete e oito meses reconhece o “não” e o seu próprio nome e, por volta de um ano, começa a utilizar as primeiras palavras. • Interação Social: por volta de dois meses o bebê inicia o chamado “sorriso social” em resposta a um estímulo (como uma brincadeira feita pelos cuidadores). Com quatro meses já começa a gargalhar e convocar os pais para uma brincadeira; ao redor dos seis meses começa a responder pelo nome; aos nove meses começa a demonstrar medo de estranhos e ter noção da ausência ou presença, na chamada “ansiedade da separação”. Com 12 meses o bebê já aponta e entrega brinquedos nas mãos dos pais para compartilhar seus interesses. Os sinais de alerta É normal haver variações na aquisição desses marcos do desenvolvimento, como citamos antes. Entretanto, é fundamental que os pais estejam preparados para detectar atrasos significativos, os chamados “sinais de alerta ou “red flags”. São eles: 2 meses: • Não reage a vozes ou sons • Não segue com o olhar objetos em movimento • Não levanta a cabeça quando deitado de bruços • Não mostra interesse em observar a face das pessoas 4 meses: • Não sorri em resposta a estímulos • Não faz vocalizações • Não sustenta a cabeça • Não consegue trazer as mãos para perto da boca 6 meses: • Não tenta segurar objetos com as mãos • Não olha em direção a vozes • Não sorri com frequência quando brinca com você 9 meses: • Não balbucia sílabas • Não fica sentado sem apoio • Não rola • Não interage, não chama a atenção por meio de sons ou jogando objetos no chão • Não demonstra medo de separação dos pais/cuidadores 12 meses: • Não responde quando chamado pelo nome • Não fica de pé com apoio • Não olha para onde os cuidadores apontam • Não responde a brincadeiras de esconder 15 meses: • Não emite palavras simples como “mamãe” e “papai” • Não faz movimento de pinça • Não aponta para objetos que deseja 18 meses: • Não usa pelo menos seis palavras • Não entende ordens simples • Não anda com independência • Não aponta para demonstrar interesse Dois anos: • Não utiliza duas palavras combinadas • Não segue comandos • Não imita ações ou palavras • Faz pouco contato visual • Não anda com autonomia Caso seja observado um sinal de alerta, esse deve ser levado prontamente ao conhecimento do pediatra que acompanha a criança e este poderá julgar a necessidade de uma avaliação de profissional que atua na área de desenvolvimento infantil. Regressões do desenvolvimento também são sempre preocupantes. Se a criança deixa de apresentar uma habilidade que já tinha desenvolvido (como balbuciar, falar ou andar), isso deve ser imediatamente investigado. ___ Relatores: Dra. Mariana F. Granato Dr. Luiz Guilherme Florence Dra. Renata D. Waksman Grupo de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP Publicado em 13/11/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O desenvolvimento é um processo que nos acompanha em toda a nossa existência e resulta da interface entre fatores genéticos e experiências vividas.

Quando nasce, a criança ainda enxerga muito pouco e de maneira muito borrada. Por volta de um mês, começa a fixar o olhar em pessoas próximas (como a mãe, no momento da mamada), porém o movimento dos dois olhos ainda é independente e, com cerca de seis meses, esses movimentos passam a ser coordenados. Se isso não acontecer, a possibilidade de estrabismo deverá ser investigada. A visão do bebê vai se aprimorando no decorrer dos meses e atinge a visão do adulto por volta dos dois anos.

Outros sentidos, como audição e tato, já estão mais desenvolvidos no nascimento. Olfato e paladar começam a se desenvolver no 2° trimestre da gestação e vão continuar amadurecendo até o final da primeira infância.

wsucht | Pixabay

O desenvolvimento neuropsicomotor é contínuo e previsível. Ele ocorre desde os primeiros dias de vida, numa sucessão coordenada de aquisições. Estímulos e ambiente adequados e sem riscos são fundamentais para que elas surjam em toda sua potencialidade. Existem algumas idades que consideramos como “esperadas” para que a criança comece a apresentar determinadas habilidades. São os chamados “marcos do desenvolvimento” como, por exemplo, sentar por volta dos seis meses e falar as primeiras palavras com cerca de um ano. Entretanto, algumas crianças podem demorar um pouco mais para desenvolver certas capacidades e essas variações são absolutamente normais.

Marcos do desenvolvimento

Costumamos separar o processo do desenvolvimento da criança por faixas etárias e por áreas, visando facilitar seu entendimento e a atenção nos marcos que caracterizam cada fase.

De forma simplificada, estas áreas caracterizam-se em:
• Motora Grossa: começando pelo sustento da cabeça ao redor dos 2-3 meses; sentar sem apoio ao redor dos 6-7 meses; ficar de pé ao redor dos 10 meses e começar a andar sozinho ao redor de um ano de vida.
• Motora Fina: colocar as mãos na boca com dois a três meses; agarrar um objeto com quatro meses; alcançar e segurar um objeto com seis meses; transferi-lo de uma mão a outra com nove meses e realizar movimento de pinça com 10 meses.
• Linguagem: desde o nascimento, o bebê reage aos sons (se assusta); vira a cabeça na direção do som por volta de dois meses; entre dois e três meses começa a emitir sons de vogais; por volta de cinco e seis meses já interage aos estímulos emitindo sons; entre sete e oito meses reconhece o “não” e o seu próprio nome e, por volta de um ano, começa a utilizar as primeiras palavras.
• Interação Social: por volta de dois meses o bebê inicia o chamado “sorriso social” em resposta a um estímulo (como uma brincadeira feita pelos cuidadores). Com quatro meses já começa a gargalhar e convocar os pais para uma brincadeira; ao redor dos seis meses começa a responder pelo nome; aos nove meses começa a demonstrar medo de estranhos e ter noção da ausência ou presença, na chamada “ansiedade da separação”. Com 12 meses o bebê já aponta e entrega brinquedos nas mãos dos pais para compartilhar seus interesses.

Os sinais de alerta

É normal haver variações na aquisição desses marcos do desenvolvimento, como citamos antes. Entretanto, é fundamental que os pais estejam preparados para detectar atrasos significativos, os chamados “sinais de alerta ou “red flags”. São eles:

2 meses:
• Não reage a vozes ou sons
• Não segue com o olhar objetos em movimento
• Não levanta a cabeça quando deitado de bruços
• Não mostra interesse em observar a face das pessoas

4 meses:
• Não sorri em resposta a estímulos
• Não faz vocalizações
• Não sustenta a cabeça
• Não consegue trazer as mãos para perto da boca

6 meses:
• Não tenta segurar objetos com as mãos
• Não olha em direção a vozes
• Não sorri com frequência quando brinca com você

9 meses:
• Não balbucia sílabas
• Não fica sentado sem apoio
• Não rola
• Não interage, não chama a atenção por meio de sons ou jogando objetos no chão
• Não demonstra medo de separação dos pais/cuidadores

12 meses:
• Não responde quando chamado pelo nome
• Não fica de pé com apoio
• Não olha para onde os cuidadores apontam
• Não responde a brincadeiras de esconder

15 meses:
• Não emite palavras simples como “mamãe” e “papai”
• Não faz movimento de pinça
• Não aponta para objetos que deseja

18 meses:
• Não usa pelo menos seis palavras
• Não entende ordens simples
• Não anda com independência
• Não aponta para demonstrar interesse

Dois anos:
• Não utiliza duas palavras combinadas
• Não segue comandos
• Não imita ações ou palavras
• Faz pouco contato visual
• Não anda com autonomia

Caso seja observado um sinal de alerta, esse deve ser levado prontamente ao conhecimento do pediatra que acompanha a criança e este poderá julgar a necessidade de uma avaliação de profissional que atua na área de desenvolvimento infantil.

Regressões do desenvolvimento também são sempre preocupantes. Se a criança deixa de apresentar uma habilidade que já tinha desenvolvido (como balbuciar, falar ou andar), isso deve ser imediatamente investigado.

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Relatores:
Dra. Mariana F. Granato
Dr. Luiz Guilherme Florence
Dra. Renata D. Waksman
Grupo de Desenvolvimento e Aprendizagem da SPSP

Publicado em 13/11/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Genética e fatores ambientais influenciam na evolução infantil https://spsp.org.br/genetica-e-fatores-ambientais-influenciam-na-evolucao-infantil/ Thu, 22 Jan 2015 10:50:37 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=817 O desenvolvimento das necessidades biológicas e psicológicas do ser humano começa na fecundação e segue por toda a vida. Entretanto, é nos três primeiros anos que o cérebro evolui com maior intensidade. Segundo o Dr. José Gabel, do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), cuidados e estimulação precoce têm fortes impactos e são fatores decisivos na transição de uma criança para a idade adulta, tanto na progressão de suas habilidades de aprendizagem quanto na capacidade de controlar suas emoções. Confira um roteiro da evolução média da criança até os dois anos. Entretanto, o Dr. Gabel ressalta: “o descompasso da criança à linha do tempo não quer dizer que há problemas, mas é importante que seja periodicamente avaliada pelo pediatra, que é o profissional capaz de perceber irregularidades”. Primeiro mês Deitado de costas, já ajeita a cabeça para respirar melhor. Suas atividades são predominantemente reflexivas e a sua percepção visual é satisfatória apenas de perto. Já a mãe é reconhecida pelo aroma. Segundo ao quarto mês Nessa idade começa a sugar o polegar e a reproduzir sons, como tosse e riso. Também emite vocalizações mais prolongadas e fica imóvel ao ouvir uma voz conhecida. Reage ao seu nome e responde virando a cabeça. Nessa fase, a mãe é reconhecida visualmente. Quinto mês Senta-se com apoio e mantêm as costas retas, assim como segura objetos e interage com eles. A criança imita gestos, sabe o momento de chamar a atenção e ri ao brincar. Sexto mês Permanece sentado, ainda com apoio, por um longo tempo. Distingue rostos estranhos de familiares, além de modular suas emissões vocais para imitar a mãe. Sétimo mês Fica sentado sem apoio por alguns momentos, arrasta-se e desloca-se do lugar. Oitavo mês Participa mais ativamente das brincadeiras, como a de esconde-esconde, e troca sinais com adultos. Começa a morder nessa fase. Nono mês Fica parado sozinho em pé e se segura. Começa a engatinhar. Geralmente, é nesse período que articula a primeira palavra, de duas sílabas, e reage corretamente a palavras familiares: pega e me dá, por exemplo. Passa a reconhecer seu nome e os dos familiares. Décimo e décimo primeiro mês Age intencionalmente e utiliza brinquedos de encaixar. Além disso, tenta imitar os sons que ouve e compreende proibições. Um ano Tem bom equilíbrio sentado e começa a andar, seguro pela mão. Repete gestos e emite, no mínimo, três palavras diferentes. Um ano e três meses Autonomia: anda sozinho, ajoelha-se, sobe escada com os quatro membros e bebe líquidos sem ajuda. Um ano e seis meses Senta-se em cadeiras sozinho, sobe e desce escadas segurando-se no corrimão, salta sobre os dois pés e realiza atos coordenados complexos, bem como desenhar rabiscos espontaneamente. Dois anos Maior equilíbrio e chama-se pelo próprio nome. Comunica-se com gestos e atitudes, principalmente com outras crianças. Constrói frases de duas palavras e usa o ‘não’ sistematicamente. “Para identificar possíveis problemas, é essencial a ida frequente ao pediatra e realizar observações comparativas entre crianças da mesma idade, que devem ser valorizadas e pesquisadas quando necessário”, explica Dr. Gabel. Dentre os sinais de alerta estão: dificuldade em interagir com outras pessoas, movimentos estereotipados, pouco contato visual e irritabilidade. ___ Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP. Publicado em 22/01/2015. photo credit: lavaki | pixabay.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

baby-440037_640O desenvolvimento das necessidades biológicas e psicológicas do ser humano começa na fecundação e segue por toda a vida. Entretanto, é nos três primeiros anos que o cérebro evolui com maior intensidade. Segundo o Dr. José Gabel, do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), cuidados e estimulação precoce têm fortes impactos e são fatores decisivos na transição de uma criança para a idade adulta, tanto na progressão de suas habilidades de aprendizagem quanto na capacidade de controlar suas emoções.

Confira um roteiro da evolução média da criança até os dois anos. Entretanto, o Dr. Gabel ressalta: “o descompasso da criança à linha do tempo não quer dizer que há problemas, mas é importante que seja periodicamente avaliada pelo pediatra, que é o profissional capaz de perceber irregularidades”.

Primeiro mês
Deitado de costas, já ajeita a cabeça para respirar melhor. Suas atividades são predominantemente reflexivas e a sua percepção visual é satisfatória apenas de perto. Já a mãe é reconhecida pelo aroma.

Segundo ao quarto mês
Nessa idade começa a sugar o polegar e a reproduzir sons, como tosse e riso. Também emite vocalizações mais prolongadas e fica imóvel ao ouvir uma voz conhecida. Reage ao seu nome e responde virando a cabeça. Nessa fase, a mãe é reconhecida visualmente.

Quinto mês
Senta-se com apoio e mantêm as costas retas, assim como segura objetos e interage com eles. A criança imita gestos, sabe o momento de chamar a atenção e ri ao brincar.

Sexto mês
Permanece sentado, ainda com apoio, por um longo tempo. Distingue rostos estranhos de familiares, além de modular suas emissões vocais para imitar a mãe.

Sétimo mês
Fica sentado sem apoio por alguns momentos, arrasta-se e desloca-se do lugar.

Oitavo mês
Participa mais ativamente das brincadeiras, como a de esconde-esconde, e troca sinais com adultos. Começa a morder nessa fase.

Nono mês
Fica parado sozinho em pé e se segura. Começa a engatinhar. Geralmente, é nesse período que articula a primeira palavra, de duas sílabas, e reage corretamente a palavras familiares: pega e me dá, por exemplo. Passa a reconhecer seu nome e os dos familiares.

Décimo e décimo primeiro mês
Age intencionalmente e utiliza brinquedos de encaixar. Além disso, tenta imitar os sons que ouve e compreende proibições.

Um ano
Tem bom equilíbrio sentado e começa a andar, seguro pela mão. Repete gestos e emite, no mínimo, três palavras diferentes.

Um ano e três meses
Autonomia: anda sozinho, ajoelha-se, sobe escada com os quatro membros e bebe líquidos sem ajuda.

Um ano e seis meses
Senta-se em cadeiras sozinho, sobe e desce escadas segurando-se no corrimão, salta sobre os dois pés e realiza atos coordenados complexos, bem como desenhar rabiscos espontaneamente.

Dois anos
Maior equilíbrio e chama-se pelo próprio nome. Comunica-se com gestos e atitudes, principalmente com outras crianças. Constrói frases de duas palavras e usa o ‘não’ sistematicamente.

“Para identificar possíveis problemas, é essencial a ida frequente ao pediatra e realizar observações comparativas entre crianças da mesma idade, que devem ser valorizadas e pesquisadas quando necessário”, explica Dr. Gabel. Dentre os sinais de alerta estão: dificuldade em interagir com outras pessoas, movimentos estereotipados, pouco contato visual e irritabilidade.

___
Texto produzido pela assessoria de imprensa da SPSP.

Publicado em 22/01/2015.
photo credit: lavaki | pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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