Desenvolvimento da linguagem – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 07 May 2021 15:35:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Desenvolvimento da linguagem – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Desenvolvimento da fala e a pandemia de Covid-19 https://spsp.org.br/desenvolvimento-da-fala-e-a-pandemia-de-covid-19/ Tue, 27 Apr 2021 19:34:00 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=28148 A primeira infância, período que corresponde aos 6 primeiros anos de vida, é a base para todas as aprendizagens humanas. É neste período que existe maior abertura para o desenvolvimento da comunicação. ]]>

Sociedade de Pediatria de São Paulo
Texto divulgado em 27/04/2021


A primeira infância, período que corresponde aos seis primeiros anos de vida da criança, é a base para todas as aprendizagens humanas. É neste período que existe uma maior abertura para o desenvolvimento, em especial da comunicação.

A pandemia de Covid-19 levou a um isolamento social que alterou o ambiente sonoro, o que pode afetar o desenvolvimento de linguagem e de audição, particularmente das crianças menores de 5 anos. As dificuldades ficam ainda mais evidentes para aquelas que já apresentam alguma alteração como perdas auditivas, visuais, motoras e intelectuais.

O desenvolvimento das crianças depende de interações sociais e comunicativas com adultos e com outras crianças, o que ocorre nas reuniões sociais, familiares e, principalmente, na escola. A diminuição da exposição à comunicação oral afeta o aparecimento e aperfeiçoamento da fala, aprendizagem e até mesmo da capacidade de pensamento abstrato.

Os ambientes de isolamento social são diferentes, dependendo da composição familiar: crianças de famílias com muitos membros (irmãos, parentes que moram juntos) têm maior exposição à comunicação, enquanto aquelas com menor número de pessoas morando juntas poderiam ser mais afetadas.

Outro fator é o aumento da exposição às telas (celulares, televisão, computador, tablets), devido à necessidade dos pais de trabalhar em casa e não poder contar com as escolas de forma presencial. Estes dispositivos não interagem; a criança fica passivamente assistindo, o que não contribui para o desenvolvimento de fala e da linguagem. Os dispositivos eletrônicos podem ser um instrumento útil de comunicação com amigos, parentes, mas para serem efetivos no desenvolvimento infantil devem ser usados com a mediação de um adulto. Ler livros no formato eletrônico, contando a história e interagindo auxilia no enriquecimento de vocabulário e aprendizado.

O isolamento social também causou perdas na quantidade e qualidade de sons aos quais a criança é exposta. A diminuição dos ruídos de fundo (barulhos) pode ser benéfica para o aprimoramento da audição, porém quanto menos palavras escutar pior será o desenvolvimento do pensamento e da linguagem.

O fechamento das escolas causa impacto no desenvolvimento social e emocional das crianças e adolescentes; a falta de experiência com a interação leva a menor habilidade para interagir com seus pares e com adultos. A escolarização online não tem a mesma qualidade de exposição social que o ensino presencial.

Converse bastante com seu filho, proporcione um ambiente comunicativo em que ele tenha espaço para se manifestar, de acordo com sua idade. Respeite a vez de cada um falar, escute com atenção e valorize suas manifestações, mesmo que ainda seja pequeno.

Precisamos estar atentos aos marcos do desenvolvimento da linguagem. Se você identifica que seu filho apresenta algum dos sinais de alerta a seguir, procure orientação com seu pediatra!

 

Idade

Sinais de alerta

2 meses

Não fixa o olhar

4 meses

Não mantém contato visual

6 meses

Não se vira na direção de sons ou vozes

9 meses

Não balbucia sons de consoantes

24 meses

Não utiliza palavras simples

36 meses

Não fala sentenças com 3 palavras

Fonte: Wilks T, Gerber RJ, Erdie-Lalena C. Developmental milestones: cognitive development.

Pediatr Rev. 2010;31;364-7.

 

Relatoras:

Sulene Pirana

Renata Di Francesco

Grupo de Trabalho de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Foto: syda_productions | depositphotos.com

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Atrasos no desenvolvimento da fala: como notar e contornar https://spsp.org.br/atrasos-no-desenvolvimento-da-fala-como-notar-e-contornar/ Fri, 28 Sep 2018 18:05:05 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2308 A demora para soltar algumas palavras exige atenção. Mas, diagnosticando o problema cedo, as chances de revertê-lo são bem maiores Seu filho não está falando? Você está desconfiado que ele está atrasado para falar? Não dá para entender quase nada do que ele diz? Vamos ver como podemos ajudar. A linguagem é um conceito amplo da comunicação. É a capacidade de o indivíduo expressar suas ideias, suas vontades, suas emoções. Isso pode ser feito através da fala, mas também com gestos, olhares, sons e escrita. O desenvolvimento da linguagem começa muito antes de a criança emitir suas primeiras palavras. Com 6 a 9 meses, ela já passa a balbuciar sílabas repetidas – “bababa”, “mamama”. Entre 10 a 12 meses, observamos o aparecimento dos gestos com significado, como dar tchau, esticar os braços quando quer o colo ou apontar para algo que deseja. Ao redor de 13 a 15 meses, a criança ainda pode não proferir palavras, mas ela já brinca de falar. Emite sons, às vezes sem significado, como se estivesse querendo comunicar algo. Quando esperamos que uma criança fale palavras? Algumas já ensaiam antes dos 12 meses de idade. O mais comum, no entanto, é que isso ocorra entre 12 e 18 meses. Ao redor de 2 anos, o vocabulário tem entre 50 a 100 palavras, e, a partir de então, aumenta em uma velocidade tão rápida que até perdemos a conta. Quando procurar ajuda Se seu filho tem 18 meses e ainda não fala ou se passou dos 2 anos e emite poucas palavras, atenção: alguma coisa pode estar errada. Converse com seu pediatra para procurar ajuda especializada. É comum escutarmos que cada criança se desenvolve no seu tempo e que depois ela recupera o atraso. Mas é preciso cuidado. Um atraso real não diagnosticado pode gerar outros problemas e a perda de tempo precioso para iniciar um tratamento o mais brevemente possível. Entre outras coisas, fique atento a esses três pontos: 1) Você nota que seu filho escuta bem? O teste da orelhinha ao nascimento foi normal? Ele teve muitas infecções ou dores no ouvido? Para aprender a falar, é preciso ouvir bem e ser capaz de diferenciar os sons. Se você desconfia que seu filho não ouve, ou que não escuta muito bem, converse com o pediatra para ver a necessidade de um exame de audição. 2) Como está o desenvolvimento do seu filho? Ele começou a andar antes dos 14 meses, e brinca com os brinquedos de uma forma adequada? Se interessa por outras crianças? A fala não evolui isoladamente. É importante observar como está o desenvolvimento de uma forma geral. 3) Existe algum sinal sugestivo do espectro autista? O atraso na fala é apenas um dos sinais. Outros podem ser sutis, como ter dificuldade para olhar nos olhos, usar brinquedos de forma diferente, adquirir manias esquisitas. Ou mesmo não responder quando chamado, fazer movimentos repetitivos, não utilizar gestos como “apontar” e ter pouco interesse por expressões de emoções (não emitindo sorrisos em resposta às gracinhas dos pais). Os pequenos com esse quadro também não buscam ativamente a interação com outras pessoas, mesmo pais e irmãos. Se alguma dessas três questões disparar um sinal de alerta, é necessário buscar auxílio para o diagnóstico e início do tratamento especializado o mais rapidamente possível. Agora, é importante não confundir o ato de não falar com o de falar errado. É comum as crianças trocarem os sons quando estão experimentando as primeiras palavras. Acima dos 2 anos de idade, se há uma fala muito errada que ninguém entende, ou se, acima de 3 anos, a fala tem muitas trocas de letras, é preciso consultar um pediatra, que pode indicar avaliação fonoaudiológica. Não se deve aguardar até os 4 anos de idade para procurar auxílio profissional! No mais, ajude seu filho a desenvolver a fala. Converse com ele o tempo todo, conte histórias desde bebê, cante músicas com gestos para acompanhar o som. Narre ações do dia a dia, descreva o que estão vendo ou fazendo juntos. E, até os 2 anos de idade, evite o uso de TV, tablets e celulares, que não promovem estímulos adequados. ___ Texto produzido por Dra. Adriana Monteiro de Barros Pires para o site SAÚDE. Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/atrasos-no-desenvolvimento-da-fala-como-notar-e-contornar/ A Dra. Adriana Monteiro de Barros Pires é vice-presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo. ___ Publicado em 28/09/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A demora para soltar algumas palavras exige atenção. Mas, diagnosticando o problema cedo, as chances de revertê-lo são bem maiores

Seu filho não está falando? Você está desconfiado que ele está atrasado para falar? Não dá para entender quase nada do que ele diz? Vamos ver como podemos ajudar.

tookapic | Pixabay

A linguagem é um conceito amplo da comunicação. É a capacidade de o indivíduo expressar suas ideias, suas vontades, suas emoções. Isso pode ser feito através da fala, mas também com gestos, olhares, sons e escrita.

O desenvolvimento da linguagem começa muito antes de a criança emitir suas primeiras palavras. Com 6 a 9 meses, ela já passa a balbuciar sílabas repetidas – “bababa”, “mamama”.

Entre 10 a 12 meses, observamos o aparecimento dos gestos com significado, como dar tchau, esticar os braços quando quer o colo ou apontar para algo que deseja.

Ao redor de 13 a 15 meses, a criança ainda pode não proferir palavras, mas ela já brinca de falar. Emite sons, às vezes sem significado, como se estivesse querendo comunicar algo.

Quando esperamos que uma criança fale palavras? Algumas já ensaiam antes dos 12 meses de idade. O mais comum, no entanto, é que isso ocorra entre 12 e 18 meses.

Ao redor de 2 anos, o vocabulário tem entre 50 a 100 palavras, e, a partir de então, aumenta em uma velocidade tão rápida que até perdemos a conta.

Quando procurar ajuda

Se seu filho tem 18 meses e ainda não fala ou se passou dos 2 anos e emite poucas palavras, atenção: alguma coisa pode estar errada. Converse com seu pediatra para procurar ajuda especializada.

É comum escutarmos que cada criança se desenvolve no seu tempo e que depois ela recupera o atraso. Mas é preciso cuidado. Um atraso real não diagnosticado pode gerar outros problemas e a perda de tempo precioso para iniciar um tratamento o mais brevemente possível.

Entre outras coisas, fique atento a esses três pontos:

1) Você nota que seu filho escuta bem? O teste da orelhinha ao nascimento foi normal? Ele teve muitas infecções ou dores no ouvido?

Para aprender a falar, é preciso ouvir bem e ser capaz de diferenciar os sons. Se você desconfia que seu filho não ouve, ou que não escuta muito bem, converse com o pediatra para ver a necessidade de um exame de audição.

2) Como está o desenvolvimento do seu filho? Ele começou a andar antes dos 14 meses, e brinca com os brinquedos de uma forma adequada? Se interessa por outras crianças?

A fala não evolui isoladamente. É importante observar como está o desenvolvimento de uma forma geral.

3) Existe algum sinal sugestivo do espectro autista?

O atraso na fala é apenas um dos sinais. Outros podem ser sutis, como ter dificuldade para olhar nos olhos, usar brinquedos de forma diferente, adquirir manias esquisitas.

Ou mesmo não responder quando chamado, fazer movimentos repetitivos, não utilizar gestos como “apontar” e ter pouco interesse por expressões de emoções (não emitindo sorrisos em resposta às gracinhas dos pais). Os pequenos com esse quadro também não buscam ativamente a interação com outras pessoas, mesmo pais e irmãos.

Se alguma dessas três questões disparar um sinal de alerta, é necessário buscar auxílio para o diagnóstico e início do tratamento especializado o mais rapidamente possível.

Agora, é importante não confundir o ato de não falar com o de falar errado. É comum as crianças trocarem os sons quando estão experimentando as primeiras palavras.

Acima dos 2 anos de idade, se há uma fala muito errada que ninguém entende, ou se, acima de 3 anos, a fala tem muitas trocas de letras, é preciso consultar um pediatra, que pode indicar avaliação fonoaudiológica. Não se deve aguardar até os 4 anos de idade para procurar auxílio profissional!

No mais, ajude seu filho a desenvolver a fala. Converse com ele o tempo todo, conte histórias desde bebê, cante músicas com gestos para acompanhar o som. Narre ações do dia a dia, descreva o que estão vendo ou fazendo juntos. E, até os 2 anos de idade, evite o uso de TV, tablets e celulares, que não promovem estímulos adequados.

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Texto produzido por Dra. Adriana Monteiro de Barros Pires para o site SAÚDE.
Link original: https://saude.abril.com.br/blog/experts-na-infancia/atrasos-no-desenvolvimento-da-fala-como-notar-e-contornar/

A Dra. Adriana Monteiro de Barros Pires é vice-presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

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Publicado em 28/09/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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