Dermatite atópica – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Wed, 07 May 2025 19:40:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Dermatite atópica – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Alergia: a importância da prevenção desde a infância https://spsp.org.br/alergia-a-importancia-da-prevencao-desde-a-infancia/ Wed, 07 May 2025 19:39:29 +0000 https://www.spsp.org.br/?p=51294 O Dia Nacional de Prevenção da Alergia é comemorado no dia 7 de maio. As doenças alérgicas estão entre as condições crônicas mais frequentes na infância e adolescência, impactando]]>

O Dia Nacional de Prevenção da Alergia é comemorado no dia 7 de maio. As doenças alérgicas estão entre as condições crônicas mais frequentes na infância e adolescência, impactando significativamente a qualidade de vida das nossas crianças e famílias. Estudos estimam que até 40% da população mundial pode apresentar algum tipo de alergia, e a tendência é de crescimento. Em um mundo onde fatores ambientais, estilo de vida e genética se combinam, a prevenção primária das alergias torna-se uma prioridade de saúde pública.

O que é alergia?

A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que, normalmente, para a maioria das pessoas, são inofensivas. Estas substâncias são chamadas de alérgenos, como pólen de plantas, ácaros da poeira, fungos, alimentos, medicamentos e venenos de insetos. As manifestações clínicas variam de quadros leves, como rinite alérgica e dermatite atópica, a reações graves e potencialmente fatais, como a anafilaxia.

Por que prevenir é necessário?

Prevenir alergias pode não apenas reduzir a incidência das doenças alérgicas, mas também minimizar sua gravidade e evitar o desenvolvimento de condições associadas, como asma ou alergias alimentares mais severas. A infância é um período crítico para intervenções, pois o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e pode ser modulado positivamente por exposições adequadas e cuidados apropriados.

Além disso, mesmo para aqueles que já apresentam alergias diagnosticadas, existem estratégias preventivas para reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas. A prevenção secundária — baseada no tratamento adequado, controle ambiental e acompanhamento médico regular — permite manter a doença sob controle e garantir melhor qualidade de vida.

Estratégias de prevenção de alergias

1.Promoção do aleitamento materno

O aleitamento materno exclusivo por pelo menos seis meses pode ajudar na prevenção de doenças alérgicas, especialmente dermatite atópica e alergia alimentar.

2.Introdução adequada de alimentos

Estudos recentes demonstram que a introdução precoce (entre 4 e 6 meses de idade, de preferência enquanto ainda está em regime de aleitamento materno) de alimentos potencialmente alergênicos, como amendoim e ovos, pode reduzir o risco de alergias alimentares. Porém, a orientação médica é fundamental para conduzir cada caso.

3.Controle ambiental

Reduzir a exposição a alérgenos domésticos, como ácaros da poeira, bolores e fumaça de cigarro, pode prevenir o surgimento e a piora de doenças respiratórias alérgicas. Medidas como o uso de capas antiácaro em colchões e travesseiros, ventilação adequada e evitar tapetes acumuladores de poeira são recomendadas.

4.Contato com a natureza

Expor crianças a ambientes naturais, com contato moderado com animais e diversidade de micro-organismos, parece ter um efeito protetor contra doenças alérgicas. Esse conceito, conhecido como “hipótese da higiene”, sugere que a diversidade microbiana ambiental ajuda a desenvolver um sistema imunológico mais equilibrado.

5.Identificação precoce, tratamento e acompanhamento especializado
Em crianças com histórico familiar de alergias (pais ou irmãos alérgicos), a vigilância deve ser ainda mais atenta. O diagnóstico precoce de doenças alérgicas e a intervenção médica adequada podem evitar a progressão da doença.
Nos pacientes já diagnosticados, o tratamento regular com medicamentos adequados — como anti-histamínicos, corticosteroides tópicos ou inalatórios, imunoterapia alérgeno-específica, entre outros — também é uma forma importante de prevenção, evitando crises, hospitalizações e complicações futuras para o alérgico.

O papel dos profissionais de saúde e da sociedade

Pediatras, alergistas e demais profissionais de saúde têm papel fundamental na orientação preventiva, atuando tanto na educação das famílias quanto na implementação de medidas baseadas em evidências científicas. Além disso, políticas públicas que incentivem ambientes mais saudáveis — com menos poluição, promoção da alimentação adequada e espaços para atividades ao ar livre — são indispensáveis.

Uma responsabilidade compartilhada

A prevenção das alergias não é tarefa exclusiva de médicos ou de pais: é um esforço coletivo que envolve escolas, creches, políticas de saúde, sociedade civil e, claro, os próprios pacientes. Conscientizar a população sobre os fatores de risco e sobre o potencial de prevenção é o primeiro passo para enfrentarmos o aumento das doenças alérgicas nas próximas gerações.

Neste Dia Nacional de Prevenção da Alergia, renovamos nosso compromisso com a promoção de uma infância mais saudável e com a construção de uma sociedade mais informada e mais preparada para prevenir, reconhecer e tratar as doenças alérgicas. Pequenas ações no início da vida podem resultar em grandes benefícios ao longo dos anos.

A prevenção passa tanto pela redução do risco de desenvolver alergias quanto pelo controle adequado dos sintomas em quem já tem alergias. Prevenir é cuidar e proteger.

 

Relator:
Tim Markus Muller
Presidente do Departamento Científico de Alergia e Imunologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Dermatite atópica na infância e adolescência https://spsp.org.br/dermatite-atopica-na-infancia-e-adolescencia/ Wed, 24 Jul 2019 18:42:38 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2880 A dermatite atópica é uma doença inflamatória da pele causada por reação de hipersensibilidade do organismo a certas substâncias alergênicas. Pode ser acompanhada de asma, rinite e ou conjuntivite alérgica. A tendência de desenvolver dermatite atópica é geralmente herdada dos pais, mas também depende da exposição do organismo a substâncias alergênicas presentes no ambiente, tais como: poeira, ácaros, fumaça de cigarro, alimentos, infecções etc. O clima frio e seco também piora a doença e fatores emocionais, como estresse, podem desencadear ou agravar as crises. A oleosidade natural da pele é uma barreira de defesa contra substâncias do ambiente, variações do clima e infecções. No paciente atópico, por sua vez, a pele é mais seca, tendo menos resistência às agressões ambientais. A dermatite atópica pode aparecer em qualquer idade, mas é mais comum na infância. Na maior parte das crianças ela começa a partir dos três meses de idade e tende a desaparecer próximo da adolescência. No entanto, em cerca de 20% dos casos, pode permanecer até a idade adulta. Geralmente ela se manifesta por crises, com períodos de piora e melhora. A lesão característica é o eczema, que aparece como vermelhidão, bolinhas e ressecamento da pele, sempre acompanhado de muita coceira. A localização das lesões varia com a idade: nos bebês, as lesões aparecem no rosto (bochechas), braços e pernas; em crianças maiores, adolescentes e adultos nas dobras dos braços e das pernas. Também são comuns descamação e coceira nas mãos (palmas) e pés (plantas). Tratamento Ainda não se conhece a cura para a dermatite atópica, porém o tratamento adequado pode conseguir controle bastante satisfatório das crises. Evitar os fatores que podem desencadear e agravar a doença e usar roupas de algodão são medidas importantes no controle da dermatite. Os principais pontos do tratamento são: 1. Melhorar o ressecamento da pele: banhos rápidos, mornos, sem buchas, com limpadores ou sabonetes suaves somente nas áreas das dobras, região genital e nádegas. Secar a pele sem esfregar. Aplicar hidratante imediatamente sobre a pele ainda úmida. 2. Controlar o prurido (coceira): hidratação da pele e utilização de medicação por via oral (anti-histamínicos, também chamados antialérgicos). 3. Combater a infecção: antibióticos apropriados prescritos pelo médico especialista. 4. Controlar as crises: anti-inflamatórios tópicos passados no local. Casos graves podem necessitar de outros tratamentos. Deixar a dermatite evoluir sem tratamento ou com controle insuficiente prejudica tanto o desenvolvimento físico como psíquico. A pele lesada pode ser alvo de infecções que abalam a saúde como um todo, podendo prejudicar o crescimento da criança. A coceira constante prejudica o sono, levando à perda do rendimento escolar, dificuldade de relacionamento e também diminuição do crescimento, pois o hormônio do crescimento é secretado durante o sono. O tratamento apropriado não cura, mas garante controle do problema melhorando muito a qualidade de vida. ___Relatora:Dra. Silmara CestariDepartamento Científico de Dermatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo Publicado em 24/07/2019]]>

A dermatite atópica é uma doença inflamatória da pele causada por reação de hipersensibilidade do organismo a certas substâncias alergênicas. Pode ser acompanhada de asma, rinite e ou conjuntivite alérgica.

A tendência de desenvolver dermatite atópica é geralmente herdada dos pais, mas também depende da exposição do organismo a substâncias alergênicas presentes no ambiente, tais como: poeira, ácaros, fumaça de cigarro, alimentos, infecções etc. O clima frio e seco também piora a doença e fatores emocionais, como estresse, podem desencadear ou agravar as crises. A oleosidade natural da pele é uma barreira de defesa contra substâncias do ambiente, variações do clima e infecções. No paciente atópico, por sua vez, a pele é mais seca, tendo menos resistência às agressões ambientais.

Tawny van Breda | pixabay.com

A dermatite atópica pode aparecer em qualquer idade, mas é mais comum na infância. Na maior parte das crianças ela começa a partir dos três meses de idade e tende a desaparecer próximo da adolescência. No entanto, em cerca de 20% dos casos, pode permanecer até a idade adulta.

Geralmente ela se manifesta por crises, com períodos de piora e melhora. A lesão característica é o eczema, que aparece como vermelhidão, bolinhas e ressecamento da pele, sempre acompanhado de muita coceira. A localização das lesões varia com a idade: nos bebês, as lesões aparecem no rosto (bochechas), braços e pernas; em crianças maiores, adolescentes e adultos nas dobras dos braços e das pernas. Também são comuns descamação e coceira nas mãos (palmas) e pés (plantas).

Tratamento

Ainda não se conhece a cura para a dermatite atópica, porém o tratamento adequado pode conseguir controle bastante satisfatório das crises. Evitar os fatores que podem desencadear e agravar a doença e usar roupas de algodão são medidas importantes no controle da dermatite.

Os principais pontos do tratamento são:

1. Melhorar o ressecamento da pele: banhos rápidos, mornos, sem buchas, com limpadores ou sabonetes suaves somente nas áreas das dobras, região genital e nádegas. Secar a pele sem esfregar. Aplicar hidratante imediatamente sobre a pele ainda úmida.

2. Controlar o prurido (coceira): hidratação da pele e utilização de medicação por via oral (anti-histamínicos, também chamados antialérgicos).

3. Combater a infecção: antibióticos apropriados prescritos pelo médico especialista.

4. Controlar as crises: anti-inflamatórios tópicos passados no local.

Casos graves podem necessitar de outros tratamentos.

Deixar a dermatite evoluir sem tratamento ou com controle insuficiente prejudica tanto o desenvolvimento físico como psíquico. A pele lesada pode ser alvo de infecções que abalam a saúde como um todo, podendo prejudicar o crescimento da criança. A coceira constante prejudica o sono, levando à perda do rendimento escolar, dificuldade de relacionamento e também diminuição do crescimento, pois o hormônio do crescimento é secretado durante o sono. O tratamento apropriado não cura, mas garante controle do problema melhorando muito a qualidade de vida.

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Relatora:
Dra. Silmara Cestari
Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo

Publicado em 24/07/2019



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Retrospectiva Momento Saúde: alergias https://spsp.org.br/retrospectiva-momento-saude-alergias/ Wed, 05 Dec 2018 17:30:01 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=2378 Apresentamos – nesta época de férias – uma retrospectiva de todos os artigos publicados em nossa coluna Momento Saúde, criada em 2017 pela equipe do blog Pediatra Orienta para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Começamos com: Alergias   Quais as alergias mais comuns nas crianças? Às vezes se tem a impressão que todo mundo é alérgico! E, de fato, as doenças alérgicas estão entre as enfermidades mais frequentes na população pediátrica, especialmente se considerarmos as doenças não infecciosas. É importante saber que as alergias são resultado de uma resposta inadequada do nosso sistema de defesa – o sistema imunológico – que interpreta como inimigos uma série de substâncias do nosso dia a dia. Ácaros presentes na poeira da casa, epitélio de animais como cães ou gatos e bolor estão entre os principais desencadeantes de alergia, mas alimentos como o leite de vaca e a clara de ovo ou mesmo medicamentos também podem levar a desencadeamento de sintomas. De um modo geral, as alergias podem acometer até 20% da população pediátrica, sendo as manifestações respiratórias as mais frequentes. Um grande estudo epidemiológico concluiu que, no Brasil, cerca de 25% dos adolescentes podem apresentar alguma alergia, com destaque para a rinite alérgica. Na sequência temos a asma e a conjuntivite alérgica. A dermatite atópica, uma doença alérgica de pele, pode acometer até 10% das crianças, que apresentam sintomas como lesões descamativas e uma coceira que traz um grande comprometimento da qualidade de vida. Finalmente temos as alergias alimentares, sendo a alergia à proteína do leite de vaca a mais frequente aqui no Brasil. Embora menos frequente, a alergia alimentar é a causa mais comum de anafilaxia, um evento alérgico grave que pode colocar a vida das crianças em risco. Estamos diante de doenças frequentes que precisam ser diagnosticadas e adequadamente tratadas. Primeiros sinais de alergias na infância Os sinais mais comuns das alergias respiratórias são a coceira no nariz e espirros frequentes, podendo ser acompanhados de secreção e entupimento nasal. Quando esses sintomas acontecem repetidamente podem indicar rinite alérgica. Muitas vezes, a criança também apresenta vermelhidão nos olhos e lacrimejamento constante. Um sinal de alerta que deve ser avaliado rapidamente é a tosse seca com dificuldade para respirar. As crianças pequenas comumente apresentam tosse acompanhada de barulho de assobio (chiado no peito). Os pais devem observar a presença de tosse ao brincar, ao dar risada e ao esforço físico, pois a presença desses sintomas ajuda no diagnóstico de asma. Alguns sinais são perigosos e devem ser avaliados imediatamente pelo médico, como coceira e vermelhidão com placas inchadas na pele, vergões, inchaço nos lábios, língua, orelhas ou olhos com sensação de desconforto na garganta, falta de ar, dificuldade para respirar, rouquidão e até sensação de desmaio. Esses sintomas podem ser causados por alimentos, medicamentos, picada de insetos e outros agentes. Os sinais de pele que aparecem com maior frequência pela primeira vez nas crianças pequenas são as lesões avermelhadas, úmidas, que coçam muito e pioram de intensidade à noite, acometendo o rosto, couro cabeludo e superfície extensora do corpo. Permanecem piores por um tempo e depois melhoram. Essas lesões são características da dermatite atópica. Outros sinais como dor abdominal, excesso de gases, vômito, diarreia, prisão de ventre e dificuldade de alimentação podem estar relacionados a alergias alimentares. Como prevenir alergias na criança O tratamento das alergias em crianças envolve o uso de medicamentos e medidas de profilaxia (prevenção) ambiental. É essencial que os pais/responsáveis tenham conhecimento desses procedimentos relacionados com a prevenção da exposição da criança alérgica às substâncias que provocam alergias e que tenham envolvimento na execução dessas medidas no domicílio em que a criança reside. As principais medidas de prevenção das alergias são: 1. Evitar carpetes, tapetes, cortinas e quaisquer outros móveis estofados de tecidos que sejam depósitos de poeira. 2. Proteger colchões e travesseiros com capas de material sintético (antiácaros). 3. Evitar cobertores de lã ou chenile, dando preferência para colcha de piquê, algodão ou edredon de material sintético. 4. Lavar a roupa de cama semanalmente em água quente. 5. Manter o quarto bem arejado e ventilado, procurando evitar umidade e mofo. 6. Preferir pintura lavável nas paredes. 7. Fazer a limpeza da casa exclusivamente com pano úmido e aspirador de pó. Evitar vassouras, escovas, panos secos ou espanadores. Estes mesmos cuidados devem ser tomados com o automóvel. 8. Retirar a criança do domicílio no horário de limpeza. 9. Não utilizar umidificadores ou vaporizadores porque estimulam o crescimento de ácaros e fungos. 10. Evitar animais domésticos como cachorros, gatos e pássaros dentro do domicílio. 11. Evitar brinquedos de pelúcia ou tecido. 12. Manter armários, depósitos, caixas de brinquedos e bibliotecas limpos e fechados. 13. Não utilizar inseticidas, tintas, desodorantes ambientais e outras substâncias de odor ativo. 14. Evitar talcos e perfumes. 15. Não fumar em recintos fechados como domicílio ou automóvel. 16. Estimular a criança a praticar esportes ao ar livre. 17. Manter limpos os filtros de aparelhos de ar-condicionado, tanto no domicílio como no automóvel. 18. Se houver paredes ou móveis mofados, preparar solução aquosa de hipoclorito de sódio ou ácido fênico a 5% e borrifar sobre as partes atingidas, até que seja possível reparo definitivo. Alergia: quando levar ao médico? Alergias podem causar uma grande variedade de sintomas e frequentemente interferem com a qualidade de vida. Em alguns casos extremos podem até colocar a vida em risco. Portanto, sempre que há suspeita de alergias (vide primeiros sinais) recomenda-se procurar um médico. Ele poderá auxiliar a diagnosticar corretamente a doença, identificar as substâncias que causam os sintomas, ensinar como evitá-las e prescrever medicamentos para controlar os sintomas da alergia, se necessário. Nos casos leves e não complicados, deve consultar com seu médico pediatra. Já os casos mais complicados, quando há dúvidas sobre as substâncias que causam os sintomas ou se o tratamento prescrito não traz o resultado esperado, recomenda-se uma consulta com o médico especialista em alergia....]]>

alergiaApresentamos – nesta época de férias – uma retrospectiva de todos os artigos publicados em nossa coluna Momento Saúde, criada em 2017 pela equipe do blog Pediatra Orienta para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples.

Começamos com:
Alergias

 

Quais as alergias mais comuns nas crianças?

Às vezes se tem a impressão que todo mundo é alérgico! E, de fato, as doenças alérgicas estão entre as enfermidades mais frequentes na população pediátrica, especialmente se considerarmos as doenças não infecciosas.

É importante saber que as alergias são resultado de uma resposta inadequada do nosso sistema de defesa – o sistema imunológico – que interpreta como inimigos uma série de substâncias do nosso dia a dia. Ácaros presentes na poeira da casa, epitélio de animais como cães ou gatos e bolor estão entre os principais desencadeantes de alergia, mas alimentos como o leite de vaca e a clara de ovo ou mesmo medicamentos também podem levar a desencadeamento de sintomas.

De um modo geral, as alergias podem acometer até 20% da população pediátrica, sendo as manifestações respiratórias as mais frequentes. Um grande estudo epidemiológico concluiu que, no Brasil, cerca de 25% dos adolescentes podem apresentar alguma alergia, com destaque para a rinite alérgica. Na sequência temos a asma e a conjuntivite alérgica. A dermatite atópica, uma doença alérgica de pele, pode acometer até 10% das crianças, que apresentam sintomas como lesões descamativas e uma coceira que traz um grande comprometimento da qualidade de vida. Finalmente temos as alergias alimentares, sendo a alergia à proteína do leite de vaca a mais frequente aqui no Brasil. Embora menos frequente, a alergia alimentar é a causa mais comum de anafilaxia, um evento alérgico grave que pode colocar a vida das crianças em risco.

Estamos diante de doenças frequentes que precisam ser diagnosticadas e adequadamente tratadas.

Primeiros sinais de alergias na infância

Os sinais mais comuns das alergias respiratórias são a coceira no nariz e espirros frequentes, podendo ser acompanhados de secreção e entupimento nasal. Quando esses sintomas acontecem repetidamente podem indicar rinite alérgica. Muitas vezes, a criança também apresenta vermelhidão nos olhos e lacrimejamento constante.

Um sinal de alerta que deve ser avaliado rapidamente é a tosse seca com dificuldade para respirar. As crianças pequenas comumente apresentam tosse acompanhada de barulho de assobio (chiado no peito). Os pais devem observar a presença de tosse ao brincar, ao dar risada e ao esforço físico, pois a presença desses sintomas ajuda no diagnóstico de asma.

Alguns sinais são perigosos e devem ser avaliados imediatamente pelo médico, como coceira e vermelhidão com placas inchadas na pele, vergões, inchaço nos lábios, língua, orelhas ou olhos com sensação de desconforto na garganta, falta de ar, dificuldade para respirar, rouquidão e até sensação de desmaio. Esses sintomas podem ser causados por alimentos, medicamentos, picada de insetos e outros agentes.

Os sinais de pele que aparecem com maior frequência pela primeira vez nas crianças pequenas são as lesões avermelhadas, úmidas, que coçam muito e pioram de intensidade à noite, acometendo o rosto, couro cabeludo e superfície extensora do corpo. Permanecem piores por um tempo e depois melhoram. Essas lesões são características da dermatite atópica.

Outros sinais como dor abdominal, excesso de gases, vômito, diarreia, prisão de ventre e dificuldade de alimentação podem estar relacionados a alergias alimentares.

Como prevenir alergias na criança

O tratamento das alergias em crianças envolve o uso de medicamentos e medidas de profilaxia (prevenção) ambiental. É essencial que os pais/responsáveis tenham conhecimento desses procedimentos relacionados com a prevenção da exposição da criança alérgica às substâncias que provocam alergias e que tenham envolvimento na execução dessas medidas no domicílio em que a criança reside.

As principais medidas de prevenção das alergias são:
1. Evitar carpetes, tapetes, cortinas e quaisquer outros móveis estofados de tecidos que sejam depósitos de poeira.
2. Proteger colchões e travesseiros com capas de material sintético (antiácaros).
3. Evitar cobertores de lã ou chenile, dando preferência para colcha de piquê, algodão ou edredon de material sintético.
4. Lavar a roupa de cama semanalmente em água quente.
5. Manter o quarto bem arejado e ventilado, procurando evitar umidade e mofo.
6. Preferir pintura lavável nas paredes.
7. Fazer a limpeza da casa exclusivamente com pano úmido e aspirador de pó. Evitar vassouras, escovas, panos secos ou espanadores. Estes mesmos cuidados devem ser tomados com o automóvel.
8. Retirar a criança do domicílio no horário de limpeza.
9. Não utilizar umidificadores ou vaporizadores porque estimulam o crescimento de ácaros e fungos.
10. Evitar animais domésticos como cachorros, gatos e pássaros dentro do domicílio.
11. Evitar brinquedos de pelúcia ou tecido.
12. Manter armários, depósitos, caixas de brinquedos e bibliotecas limpos e fechados.
13. Não utilizar inseticidas, tintas, desodorantes ambientais e outras substâncias de odor ativo.
14. Evitar talcos e perfumes.
15. Não fumar em recintos fechados como domicílio ou automóvel.
16. Estimular a criança a praticar esportes ao ar livre.
17. Manter limpos os filtros de aparelhos de ar-condicionado, tanto no domicílio como no automóvel.
18. Se houver paredes ou móveis mofados, preparar solução aquosa de hipoclorito de sódio ou ácido fênico a 5% e borrifar sobre as partes atingidas, até que seja possível reparo definitivo.

Alergia: quando levar ao médico?

Alergias podem causar uma grande variedade de sintomas e frequentemente interferem com a qualidade de vida. Em alguns casos extremos podem até colocar a vida em risco. Portanto, sempre que há suspeita de alergias (vide primeiros sinais) recomenda-se procurar um médico. Ele poderá auxiliar a diagnosticar corretamente a doença, identificar as substâncias que causam os sintomas, ensinar como evitá-las e prescrever medicamentos para controlar os sintomas da alergia, se necessário.

Nos casos leves e não complicados, deve consultar com seu médico pediatra. Já os casos mais complicados, quando há dúvidas sobre as substâncias que causam os sintomas ou se o tratamento prescrito não traz o resultado esperado, recomenda-se uma consulta com o médico especialista em alergia. Agora, nos casos graves, como na anafilaxia (reações fortes com falta de ar, desmaio, choque), uma consulta com o especialista é indispensável.

O médico alergista vai auxiliar em:
• Confirmar se os sintomas são causados por alergia – muitas vezes os sintomas se confundem com outras doenças como resfriados, intolerância alimentar, efeitos colaterais de medicamentos, etc.
• Identificar as substâncias responsáveis pela alergia fazendo exames mais específicos, como testes cutâneos, teste de contato, testes de provocação e exames laboratoriais. Sabendo o que realmente causa ou não causa os sintomas ajuda a prevenir as crises.
• Prescrever o tratamento mais adequado para controlar os sintomas da alergia – muitas vezes o tratamento requer várias medicações e necessita reajuste conforme a gravidade dos sintomas.
• Acompanhar a eficácia do tratamento – muitas vezes o tratamento requer várias medicações e necessita reajuste conforme a gravidade dos sintomas.

annems | depositphotos.com

 

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Relator:
Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP.

Republicado em 5/12/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Momento saúde: alergias mais comuns na infância https://spsp.org.br/momento-saude-alergias-mais-comuns-na-infancia/ Wed, 21 Feb 2018 18:25:47 +0000 http://www.pediatraorienta.org.br/?p=1963 A coluna Momento Saúde foi criada para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Com uma postagem por semana, esta coluna será seu momento de dicas, alertas e cuidados. Falaremos agora sobre: alergias   Quais as alergias mais comuns nas crianças? Às vezes se tem a impressão que todo mundo é alérgico! E, de fato, as doenças alérgicas estão entre as enfermidades mais frequentes na população pediátrica, especialmente se considerarmos as doenças não infecciosas. É importante saber que as alergias são resultado de uma resposta inadequada do nosso sistema de defesa – o sistema imunológico – que interpreta como inimigos uma série de substâncias do nosso dia a dia. Ácaros presentes na poeira da casa, epitélio de animais como cães ou gatos e bolor estão entre os principais desencadeantes de alergia, mas alimentos como o leite de vaca e a clara de ovo ou mesmo medicamentos também podem levar a desencadeamento de sintomas. De um modo geral, as alergias podem acometer até 20% da população pediátrica, sendo as manifestações respiratórias as mais frequentes. Um grande estudo epidemiológico concluiu que, no Brasil, cerca de 25% dos adolescentes podem apresentar alguma alergia, com destaque para a rinite alérgica. Na sequência temos a asma e a conjuntivite alérgica. A dermatite atópica, uma doença alérgica de pele, pode acometer até 10% das crianças, que apresentam sintomas como lesões descamativas e uma coceira que traz um grande comprometimento da qualidade de vida. Finalmente temos as alergias alimentares, sendo a alergia à proteína do leite de vaca a mais frequente aqui no Brasil. Embora menos frequente, a alergia alimentar é a causa mais comum de anafilaxia, um evento alérgico grave que pode colocar a vida das crianças em risco. Estamos diante de doenças frequentes que precisam ser diagnosticadas e adequadamente tratadas.   ___ Relator: Ana Paula Moschione Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP. Publicado em 21/02/2018. Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

alergiaA coluna Momento Saúde foi criada para que você possa ter informações rápidas sobre um determinado tema de relevância para a saúde das crianças e adolescentes, com textos curtos e de linguagem simples. Com uma postagem por semana, esta coluna será seu momento de dicas, alertas e cuidados.

Falaremos agora sobre:
alergias

 

Quais as alergias mais comuns nas crianças?

Às vezes se tem a impressão que todo mundo é alérgico! E, de fato, as doenças alérgicas estão entre as enfermidades mais frequentes na população pediátrica, especialmente se considerarmos as doenças não infecciosas.

É importante saber que as alergias são resultado de uma resposta inadequada do nosso sistema de defesa – o sistema imunológico – que interpreta como inimigos uma série de substâncias do nosso dia a dia. Ácaros presentes na poeira da casa, epitélio de animais como cães ou gatos e bolor estão entre os principais desencadeantes de alergia, mas alimentos como o leite de vaca e a clara de ovo ou mesmo medicamentos também podem levar a desencadeamento de sintomas.

De um modo geral, as alergias podem acometer até 20% da população pediátrica, sendo as manifestações respiratórias as mais frequentes. Um grande estudo epidemiológico concluiu que, no Brasil, cerca de 25% dos adolescentes podem apresentar alguma alergia, com destaque para a rinite alérgica. Na sequência temos a asma e a conjuntivite alérgica. A dermatite atópica, uma doença alérgica de pele, pode acometer até 10% das crianças, que apresentam sintomas como lesões descamativas e uma coceira que traz um grande comprometimento da qualidade de vida. Finalmente temos as alergias alimentares, sendo a alergia à proteína do leite de vaca a mais frequente aqui no Brasil. Embora menos frequente, a alergia alimentar é a causa mais comum de anafilaxia, um evento alérgico grave que pode colocar a vida das crianças em risco.

Estamos diante de doenças frequentes que precisam ser diagnosticadas e adequadamente tratadas.

annems | depositphotos.com

 

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Relator:
Ana Paula Moschione
Departamento Científico de Alergia e Imunologia da SPSP.

Publicado em 21/02/2018.

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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