Cuidados domiciliares em crianças – SPSP https://spsp.org.br Sociedade de Pediatria de São Paulo Fri, 26 Jun 2015 11:39:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://spsp.org.br/wp-content/uploads/2025/06/cropped-LogoSPSP_circulo-1-32x32.png Cuidados domiciliares em crianças – SPSP https://spsp.org.br 32 32 Ventilação não invasiva em domicílio: orientações à família e cuidadores https://spsp.org.br/ventilacao-nao-invasiva-em-domicilio-orientacoes-a-familia-e-cuidadores/ Fri, 26 Jun 2015 11:39:15 +0000 https://comunidadespsp.wordpress.com/?p=939 A Atenção Domiciliar à Saúde é a provisão de serviços de saúde às pessoas em sua residência, ou em outro local não institucional. Entre os diversos serviços em casa, expandiu-se o suporte ventilatório, especialmente a Ventilação Não Invasiva com Pressão Positiva (VNI) de longa permanência. A ventilação não invasiva é um modo de ventilação pulmonar, que mantém a criança em respiração espontânea, e não usa um tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia. Quando indicada, evita complicações associadas ao tubo endotraqueal, melhora o conforto do paciente, preserva os mecanismos de defesa das vias aéreas, preserva a linguagem e deglutição. A utilização da VNI no domicílio deve ser avaliada pela equipe multidisciplinar, especialmente pelo médico e pelo fisioterapeuta, que considerarão a necessidade, riscos e benefícios para o seu filho, assim como providenciarão a orientação aos cuidadores e que toda a equipe esteja capacitada aos cuidados. As principais indicações para a VNI domiciliar são obstruções das vias aéreas superiores associadas com falha respiratória, certas alterações musculares, distorsões da caixa torácica e alterações da regulação respiratória. Essas situações podem ocorrer, por exemplo, na síndrome da hipoventilação central congênita (também conhecida como síndrome de Ondine, enfermidade pouco frequente, com controle anormal da respiração, que é muito superficial durante o sono), doenças neurológicas (como a paralisia cerebral com comprometimento ventilatório), fibrose cística, mucoviscidose (doença genética que altera as secreções de certas glândulas do corpo e causa doença pulmonar crônica), pré e pós-operatório de cifoescoliose congênita (“desvios na coluna” intensos, que podem a comprometer a capacidade de expansão pulmonar), entre outras. A família deverá estar ciente que a VNI é trabalhosa, requer acompanhamento com a equipe multidisciplinar, além do treinamento dos cuidadores. Os objetivos imediatos e de longo prazo da VNI devem ter sido previamente discutidos com a família antes da alta hospitalar, que deve ter consciência de que os resultados dependem de vários fatores e, especialmente, da causa que levou a criança a precisar da VNI. É recomendado que a criança inicie a VNI em ambiente hospitalar, por no mínimo 48hs, quando deverá ocorrer a adaptação respiratória-hemodinâmica e psicológica do paciente, além do treinamento dos cuidadores. Entre as dificuldades mais frequentes estão as desconexões do circuito do aparelho e problemas na aceitação da interface pela criança (dispositivos para o fornecimento da VNI): máscaras faciais (nasal-oral), máscara de face total (full face) e prongas nasais. Não é recomendada a VNI domiciliar em crianças menores de 4 meses e em situações com vômitos ou com abundante secreção respiratória. Também não é indicada se houver necessidade de VNI por mais de 16hs por dia e de aspirações em intervalos menores ou iguais a 1 hora. Na ausência de cuidador habilitado e não adaptação do paciente e/ou do cuidador, também não é recomendada a VNI, assim como em outras condições que devem ser avaliadas pela equipe multidisciplinar. A VNI é realizada com grande frequência no ambiente domiciliar e, quando bem indicada e desenvolvida, contribuirá para o retorno e permanência da criança no carinho e segurança da família. ___ Relator: Fernando J. C. Lyra Filho Departamento Científico de Cuidados Domiciliares da SPSP. Publicado em 26/06/2015. photo credit: PublicDomainPictures | pixabay.com Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

A Atenção Domiciliar à Saúde é a provisão de serviços de saúde às pessoas em sua residência, ou em outro local não institucional. Entre os diversos serviços em casa, expandiu-se o suporte ventilatório, especialmente a Ventilação Não Invasiva com Pressão Positiva (VNI) de longa permanência.

A ventilação não invasiva é um modo de ventilação pulmonar, que mantém a criança em respiração espontânea, e não usa um tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia. Quando indicada, evita complicações associadas ao tubo endotraqueal, melhora o conforto do paciente, preserva os mecanismos de defesa das vias aéreas, preserva a linguagem e deglutição.

A utilização da VNI no domicílio deve ser avaliada pela equipe multidisciplinar, especialmente pelo médico e pelo fisioterapeuta, que considerarão a necessidade, riscos e benefícios para o seu filho, assim como providenciarão a orientação aos cuidadores e que toda a equipe esteja capacitada aos cuidados.

As principais indicações para a VNI domiciliar são obstruções das vias aéreas superiores associadas com falha respiratória, certas alterações musculares, distorsões da caixa torácica e alterações da regulação respiratória. Essas situações podem ocorrer, por exemplo, na síndrome da hipoventilação central congênita (também conhecida como síndrome de Ondine, enfermidade pouco frequente, com controle anormal da respiração, que é muito superficial durante o sono), doenças neurológicas (como a paralisia cerebral com comprometimento ventilatório), fibrose cística, mucoviscidose (doença genética que altera as secreções de certas glândulas do corpo e causa doença pulmonar crônica), pré e pós-operatório de cifoescoliose congênita (“desvios na coluna” intensos, que podem a comprometer a capacidade de expansão pulmonar), entre outras.

A família deverá estar ciente que a VNI é trabalhosa, requer acompanhamento com a equipe multidisciplinar, além do treinamento dos cuidadores. Os objetivos imediatos e de longo prazo da VNI devem ter sido previamente discutidos com a família antes da alta hospitalar, que deve ter consciência de que os resultados dependem de vários fatores e, especialmente, da causa que levou a criança a precisar da VNI.

É recomendado que a criança inicie a VNI em ambiente hospitalar, por no mínimo 48hs, quando deverá ocorrer a adaptação respiratória-hemodinâmica e psicológica do paciente, além do treinamento dos cuidadores. Entre as dificuldades mais frequentes estão as desconexões do circuito do aparelho e problemas na aceitação da interface pela criança (dispositivos para o fornecimento da VNI): máscaras faciais (nasal-oral), máscara de face total (full face) e prongas nasais.

Não é recomendada a VNI domiciliar em crianças menores de 4 meses e em situações com vômitos ou com abundante secreção respiratória. Também não é indicada se houver necessidade de VNI por mais de 16hs por dia e de aspirações em intervalos menores ou iguais a 1 hora. Na ausência de cuidador habilitado e não adaptação do paciente e/ou do cuidador, também não é recomendada a VNI, assim como em outras condições que devem ser avaliadas pela equipe multidisciplinar.

A VNI é realizada com grande frequência no ambiente domiciliar e, quando bem indicada e desenvolvida, contribuirá para o retorno e permanência da criança no carinho e segurança da família.

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Relator:
Fernando J. C. Lyra Filho
Departamento Científico de Cuidados Domiciliares da SPSP.

Publicado em 26/06/2015.
photo credit: PublicDomainPictures | pixabay.com

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

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Cuidados domiciliares em crianças com traqueostomia https://spsp.org.br/cuidados-domiciliares-em-criancas-com-traqueostomia/ Wed, 22 Oct 2014 11:21:21 +0000 http://comunidadespsp.wordpress.com/?p=781 O que é traqueostomia? É um procedimento cirúrgico que, através da colocação de uma cânula na traqueia, estabelece uma via para manter a respiração adequada da criança. Para que serve a traqueostomia? Para permitir a passagem de ar para os pulmões, ocorrendo a respiração. Pode estar ou não acoplada a um aparelho de ventilação mecânica. Quais são as situações que mais levam a uma traquestomia? A intubação orotraqueal prolongada (respiração através de uma cânula na traqueia, conectada a um aparelho conhecido como “respirador”); obstrução de vias aéreas superiores por malformações craniofaciais (doenças com obstrução nasal ou na garganta, que podem ser de causa genética); estenose laringo-traqueal (fechamento da via respiratória que impede a respiração normal pelo nariz) e hipoventilação associada a doenças neurológicas (incapacidade de realizar uma respiração normal eficaz, devido perda do controle cerebral da respiração). Quando se deve realizar a traqueostomia em uma criança? A decisão de fazer a traqueostomia depende do quadro clínico de cada paciente, sendo feita após avaliação criteriosa de equipe multidisciplinar (pediatra, intensivista, pneumologista, cirurgião pediátrico, fisioterapeuta, psicólogo, enfermeiro, além da família). Como é a cânula usada na traqueostomia? Há vários tipos, modelos e tamanhos de tubos de traqueostomia, cada um com suas vantagens e desvantagens. O quesito de maior importância no momento da escolha do tubo é a idade da criança, sendo que abaixo de 1 ano geralmente utiliza-se um tipo de cânula mais flexível (PVC ou silicone). Cânulas metálicas são mais usadas em crianças maiores, e possibilitam a remoção da cânula interna para higienização, facilitando os cuidados em casa. As cânulas de plástico ou silicone precisam ser aspiradas com maior frequência para evitar acúmulo de secreções. Estas ainda podem ser com ou sem balão (“cuff”). Cuidados de higiene com a traqueostomia. A pele local deve ser limpa com soro fisiológico 3 vezes ao dia, ou sempre que necessário. Se a pele estiver com sinais de inflamação (avermelhada, inchada, dolorosa ou com secreção) o pediatra deverá ser consultado. A aspiração deve ser feita com técnica apropriada, por pessoal previamente treinado. A criança com traqueostomia vai falar/comer? A comunicação e a alimentação são aspectos importantes na criança com traqueostomia, sendo uma das principais atenções da equipe multidisciplinar, em especial do fonoaudiólogo e nutricionista. A criança com traqueostomia poderá conseguir falar e se alimentar por boca. A traqueostomia é definitiva? Depende de cada situação. A maioria das traqueostomias poderá ser removida, uma vez que a doença de base tenha sido corrigida, ou que haja melhora clínica, após um período de treinamento e regressão do tamanho da cânula. Quando a doença de base não puder ser atenuada ou corrigida, a traqueostomia deverá ser definitiva. Qual a periodicidade de troca da cânula? As cânulas plásticas, de PVC e silicone devem ser trocadas de acordo com a recomendação de cada fabricante ou a cada 2 meses. Se a cânula apresentar qualquer deterioração antes deste prazo deverá ser substituída imediatamente. Que profissional deverá fazer a troca da cânula de traqueostomia? A troca de traqueostomia é um procedimento seguro, mas requer treinamento e experiência. As trocas programadas deverão ser realizadas pelo médico assistente da criança. A troca da cânula pode ser realizada em ambiente domiciliar? Sim. O médico assistente poderá realizar a troca em ambiente domiciliar. Em situações específicas e que ele considere de maior risco, poderá indicar que seja realizada em ambiente hospitalar. ___ Relatora: Dra. Dora Lisa Friedländer Del Nero Departamneto Científico de Cuidados Domiciliares SPSP Publicado em 22/10/2014. photo credit: © Nexusplexus | Dreamstime.com – Doctor Doing Medical Examination To A Child Photo Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos. Esta obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.]]>

O que é traqueostomia?
É um procedimento cirúrgico que, através da colocação de uma cânula na traqueia, estabelece uma via para manter a respiração adequada da criança.

Para que serve a traqueostomia?
Para permitir a passagem de ar para os pulmões, ocorrendo a respiração. Pode estar ou não acoplada a um aparelho de ventilação mecânica.

Quais são as situações que mais levam a uma traquestomia?
A intubação orotraqueal prolongada (respiração através de uma cânula na traqueia, conectada a um aparelho conhecido como “respirador”); obstrução de vias aéreas superiores por malformações craniofaciais (doenças com obstrução nasal ou na garganta, que podem ser de causa genética); estenose laringo-traqueal (fechamento da via respiratória que impede a respiração normal pelo nariz) e hipoventilação associada a doenças neurológicas (incapacidade de realizar uma respiração normal eficaz, devido perda do controle cerebral da respiração).

Quando se deve realizar a traqueostomia em uma criança?
A decisão de fazer a traqueostomia depende do quadro clínico de cada paciente, sendo feita após avaliação criteriosa de equipe multidisciplinar (pediatra, intensivista, pneumologista, cirurgião pediátrico, fisioterapeuta, psicólogo, enfermeiro, além da família).

Como é a cânula usada na traqueostomia?
Há vários tipos, modelos e tamanhos de tubos de traqueostomia, cada um com suas vantagens e desvantagens. O quesito de maior importância no momento da escolha do tubo é a idade da criança, sendo que abaixo de 1 ano geralmente utiliza-se um tipo de cânula mais flexível (PVC ou silicone). Cânulas metálicas são mais usadas em crianças maiores, e possibilitam a remoção da cânula interna para higienização, facilitando os cuidados em casa. As cânulas de plástico ou silicone precisam ser aspiradas com maior frequência para evitar acúmulo de secreções. Estas ainda podem ser com ou sem balão (“cuff”).

Cuidados de higiene com a traqueostomia.
A pele local deve ser limpa com soro fisiológico 3 vezes ao dia, ou sempre que necessário. Se a pele estiver com sinais de inflamação (avermelhada, inchada, dolorosa ou com secreção) o pediatra deverá ser consultado. A aspiração deve ser feita com técnica apropriada, por pessoal previamente treinado.

A criança com traqueostomia vai falar/comer?
A comunicação e a alimentação são aspectos importantes na criança com traqueostomia, sendo uma das principais atenções da equipe multidisciplinar, em especial do fonoaudiólogo e nutricionista. A criança com traqueostomia poderá conseguir falar e se alimentar por boca.

A traqueostomia é definitiva?
Depende de cada situação. A maioria das traqueostomias poderá ser removida, uma vez que a doença de base tenha sido corrigida, ou que haja melhora clínica, após um período de treinamento e regressão do tamanho da cânula. Quando a doença de base não puder ser atenuada ou corrigida, a traqueostomia deverá ser definitiva.

Qual a periodicidade de troca da cânula?
As cânulas plásticas, de PVC e silicone devem ser trocadas de acordo com a recomendação de cada fabricante ou a cada 2 meses. Se a cânula apresentar qualquer deterioração antes deste prazo deverá ser substituída imediatamente.

Que profissional deverá fazer a troca da cânula de traqueostomia?
A troca de traqueostomia é um procedimento seguro, mas requer treinamento e experiência. As trocas programadas deverão ser realizadas pelo médico assistente da criança.

A troca da cânula pode ser realizada em ambiente domiciliar?
Sim. O médico assistente poderá realizar a troca em ambiente domiciliar. Em situações específicas e que ele considere de maior risco, poderá indicar que seja realizada em ambiente hospitalar.

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Relatora:
Dra. Dora Lisa Friedländer Del Nero
Departamneto Científico de Cuidados Domiciliares SPSP

Publicado em 22/10/2014.
photo credit: © Nexusplexus | Dreamstime.comDoctor Doing Medical Examination To A Child Photo

Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.

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